12:48
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O não julgamento e o livre arbítrio

by Rute Violante

Type
Activity
Meditation
Suitable for
Everyone

Neste episódio trago-vos uma reflexão sobre estigmas, preconceitos e crenças limitadoras que alimentamos em relação à forma como as pessoas que desempenham determinada atividade se devem vestir, comportar, falar ou pensar. Como exemplo, falo sobre os artistas, que muitas vezes esperamos que sejam menos "equilibrados" em termos emocionais e sobre os professores de yoga e/ou as pessoas que seguem estilos de vida ligados à sustentabilidade, ao ambientalismo e a escolhas de vida ditas saudáveis. Muito além do que esperamos dos outros e do personagem que achamos que devem assumir, existe uma personalidade com um carisma muito próprio que não tem de se render ou anular perante ideias pré-concebidas sobre a forma como se deve comportar ou apresentar. O "não julgamento" é um valor fundamental a reter, assim como a aceitação de que todos temos livre arbítrio.

Transcript

Olá,

Sejam muito bem-vindos mais uma vez ao podcast do Céu Amarelo.

Então,

Eu hoje venho falar-vos aqui de uma questão muito específica,

Que tem a ver com aquilo que nós esperamos das pessoas que têm determinada profissão.

E isto inclui a forma como se vestem,

A forma como falam,

A forma de estar no fundo.

E eu vou falar-vos aqui de uma área muito específica,

Que realmente tem aqui um estigma associado,

Que nem sempre é positivo,

Penso eu,

Ou que nem sempre é útil.

Eu acho que não é útil.

Então,

Como vocês sabem,

Eu terminei recentemente um curso,

Portanto,

De yoga.

Agora sou certificada e posso dar aulas de yoga.

Eu já sou praticante há 10 anos e,

Portanto,

Isto é uma questão da qual eu já me apercebo há muito tempo,

Até porque tenho várias amigas e amigos que têm esta atividade.

E,

Portanto,

O que eu acho que acontece às vezes é que as pessoas esperam de nós determinadas coisas,

No sentido de learnings.

Essa de learnings é gira.

E há muito cristais e tens de andar com cristais.

Tens de fazer determinados rituais de proteção nos retiros e nas aulas e nos círculos que conduzes.

Ou,

Eventualmente,

Tens de assumir o cabelo grisalho.

Tens de ser vegan.

Tens de dizer namastê quando encontras as pessoas.

Ou,

Eventualmente,

Abraçar toda a gente.

Inclusive,

Quando vais ao banco ou às finanças.

Essa é capaz de ser gira.

Por acaso,

Nunca tinha pensado nisso.

Ser capaz de ajudar na energia desses espaços.

Mas,

Vá.

Vamos tentar não ser muito invasivos nestes ambientes,

Porque as pessoas lá gostam de ter uma postura um bocadinho mais séria.

Mas era capaz de ser engraçado.

Mas,

Basicamente,

Isto acontece com outras profissões.

Por exemplo,

Nós,

Os artistas,

Às vezes nós queremos que eles sejam freaks,

Que eles sejam alucinantes e que eles sejam desorientados.

Isto é uma coisa que às vezes esperamos dos artistas.

E eu conheço muitos artistas que estão super,

Super orientados,

Organizados e nada perturbados.

E isso não faz deles menos artistas.

A questão é que nós temos aqui ideias pré-concebidas,

Que não servem para nada,

Em relação a determinadas áreas,

Em relação a determinadas atividades,

Vá.

Podes chamar assim.

Cabelo grisado.

Isto não é só em relação às pessoas de óleo.

Isto é saudável.

Em princípio,

Espera-se que possamos também.

Eu,

Pessoalmente,

Gosto de pôr ena.

Gosto de usar ena.

Mas estamos já usando,

A colocar o cabelo todo branco primeiro e depois a colocar a tinta.

Portanto,

Tem muito menos químicos e são menos agressivas para o cabelo também.

E,

Portanto,

Tomo várias opções a esse nível.

Porque,

Honestamente,

Isto é uma questão minha,

É uma preferência minha.

Eu,

Se tivesse mais branco,

Ia ter que o fazer para não ter de estar sempre a pintar.

Mas,

Na verdade,

Ainda tenho poucos.

E as madeixas não me intomodam muito e,

De vez em quando,

Olhos assim a uma tonalidade.

Neste momento,

Vocês não conseguem ver,

Mas até estão alaranjados.

Mas não dá para ver muito bem.

Aqui,

Por exemplo.

Mas é uma opção individual.

E isto não quer dizer que eu esteja mais correta ou que quem pinta com tintas esteja mais errado.

São opções de vida que nós devemos respeitar,

Essencialmente praticando o não julgamento,

Que é das coisas mais fantásticas que existem neste mundo.

O mesmo acontece com a alimentação.

Espera-se que um professor de ioga,

Não sei porquê,

Mas tem que ser vegetariano,

Vegano,

Macrobiótico,

Por aí adiante.

Eu já fui isso tudo,

Ou sou isso tudo,

Mas,

Muito honestamente,

Dois em dois meses,

Ou três em três,

Com um bocadinho.

.

.

Não sou fundamentalista.

E acho que não temos que ser.

Lá está.

Basicamente,

O fundamentalismo nunca foi.

.

.

Eu até conheço pessoas que,

Por exemplo,

Faziam uma alimentação crudífera e depois perceberam que isso não estava a ser benéfico para o seu corpo ou para a sua saúde.

Vale o que vale.

A macrobiótica,

Por exemplo,

Teve um efeito em mim que também não foi muito extraordinário a longo prazo,

Mas é válido para outras pessoas e traz muita saúde a muita gente.

Portanto,

Nós também temos que perceber o que é bom para nós naquela fase de vida de acordo com aquilo que o nosso corpo prefere.

E esse entendimento,

Em termos pessoais,

É mais importante do que uma verdade absoluta,

Global.

Eu acho que o que é importante é nós mantermos o nosso discernimento,

Mantermos o nosso sentido crítico,

Mantermos as nossas ideias,

Pensarmos sobre as coisas,

Fazermos escolhas e sermos professores sociais.

E isto não tem a ver com o facto de sermos artistas ou sermos professores de yoga ou sermos o que quer que seja.

Aliás,

Eu professora de yoga ainda nem considero,

Mas tomo em consideração também todas as pessoas que eu conheço que estão nessa atividade.

Mas às vezes sinto que há,

Inclusive é a questão do corpo,

Não é?

O professor de yoga tem que ter um corpo perfeito,

Não só na sua funcionalidade,

Mas em termos estéticos,

Não é?

Porque isso agora tem sido cultivado muito através do Instagram e etc.

Não podia estar mais longe da verdade.

O yoga é para todos.

O yoga é para todos os corpos.

É para toda a gente.

Está acessível a todos.

O corpo é um.

.

.

O yoga é uma forma de nós restaurarmos a nossa plenitude.

Que esteve sempre lá,

Mas em que criámos aí alguns obstáculos a essa percepção ou a esse sentimento.

Portanto,

No fundo,

É resgatarmos partes nossas que estavam esquecidas ou que tinham sido renegadas.

É uma aceitação da vida no seu todo.

Então,

Se o yoga é uma aceitação da vida no seu todo,

Estamos todos ligados,

Então realmente o julgamento não faz sentido.

Porque tudo é viável,

Tudo é aceitável,

De alguma forma faz sentido e tudo faz parte.

Faz sentido nem sempre,

Mas tudo faz parte da natureza humana,

Da existência humana.

E andarmos a julgar uns aos outros ou a criar estigmas,

Preconceitos,

Crenças limitadoras,

Vai contra a própria filosofia do yoga e vai contra a filosofia do livre-arbítrio e vai contra a filosofia do não julgamento.

Então,

Às vezes nós entramos em contrasenso,

Desnecessariamente.

Na verdade,

O mais bonito e o mais extraordinário é nós aceitarmos as escolhas alheias,

É nós sermos compassivos em relação aos outros e também em relação a nós próprios,

Não é?

Porque às vezes nem em relação a nós próprios nós somos.

.

.

Deve existir aqui uma aceitação de tudo o que nos rodeia com o entendimento de que não estamos separados desse tudo e que isso de alguma forma também foi projetado por nós por alguma razão.

Porque pedimos,

Porque precisamos,

Porque de alguma forma é importante para curarmos algo.

E aceitarmos que há professores de yoga com qualquer tipo de corpo,

De qualquer raça,

Qualquer etnia.

Inclusive um professor de yoga até pode,

Independentemente de ser professor de yoga,

Ser simpatizante de toda a religião.

Por que não?

Porque não há separação.

Yoga é união também.

União a todos os níveis.

E esse entendimento dessa união,

O entendimento de que o julgamento não faz sentido porque quando julgamos os outros não estamos a julgar a nós próprios.

O entendimento de que as escolhas dos outros são válidas,

Tanto quanto as nossas e que não devemos tentar influenciar os outros.

Eu tenho uma amiga que usou cabelo grisado.

E eu inicialmente disse que o cabelo assim faz-se um bocadinho mais velho.

E ela disse,

Não,

Desculpa,

Esta é a minha opção,

Eu gosto desta opção,

Eu vou continuar a pintar o cabelo assim.

Aí eu realmente apercebi que não estava a ser justa,

Não estava a ser querida e não estava a ser boa amiga.

Eu só tenho que respeitar quando muito elogiar a escolha,

Porque é uma escolha que tem agregadas razões,

Argumentos bonitos.

E é isto que temos de fazer em relação a tudo.

Inclusive é se os outros optarem por ter hábitos alimentares,

Por exemplo,

Que não são saudáveis.

Ou se os outros escolherem um estilo de vida que não parece aos nossos olhos,

Porque essas escolhas levarão ao certo.

Então,

Que fique aqui a questão do livre-arbítrio,

A questão do não julgamento,

Que fiquem aqui a vibrar em todos nós,

Porque realmente é muito importante nós termos este olhar sobre os outros,

Sobre a vida.

Então,

Muito obrigada mais uma vez.

Obrigada por continuarem desse lado.

Eu informo também no Instagram mais vezes que tenho sentido de humor

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