
Poema Samadhi de Paramahansa Yogananda
by Clara Julie
Belissima poesia do Mestre Paramahansa Yogananda. Samadhi Ă© um estado de profundo pertencimento a tudo. Estar conectado ao Divido de forma pura e leve. Esta poesia nos permite vislumbrar a dimensĂŁo deste sentimento e nos traz cada vez mais para perto de nos mesmos. Music: Bensound
Transcrição
Abertos os véus de luz e sombra,
Evaporada toda bruma de tristeza,
E tendo como vileiro,
Cingrado para longe,
Todo amanhecer de alegria transitĂłria,
Desvaneceu-se a turva miragem dos sentidos,
Amor,
Ódio,
SaĂşde,
Enfermidade,
Vida,
Morte,
Extinguiram-se estas sombras falsas na tela de projeção da dualidade,
A tempestade de maia serenou tangida pela varinha de condão da intuição profunda,
Presente,
Passado,
Futuro,
Já não existem para mim,
Mas somente o hoje eterno,
Eu,
Omnifluente,
Eu,
Omnipresente,
Planetas,
Estrelas,
Poeira de constelações,
Globo terrestre,
Erupções vulcânicas de cataclismo do juĂzo final,
O forno modelador da criação,
Geleiras de silenciosos raios-x,
Dilúvios de elétrons ardentes,
Pensamento de todos os homens,
Pretéritos,
Atuais,
Vindouros,
Toda folhinha de erva,
Eu mesmo,
A humanidade,
Cada partĂcula da poeira universal,
Raiva,
Ambição,
Bem e mal,
Salvação,
LuxĂşria,
Tudo assimilei,
Tudo transmutei no vasto oceano do sangue de meu prĂłprio ser indiviso,
Júbilo ardente multiampliado pela meditação,
Cegando meus olhos marejados,
Explodiu em labaredas imortais de bem-aventurança,
Consumiu minhas lágrimas,
Meus limites,
Meu todo,
Eu sou tu,
Tu és eu,
O cognoscente,
O conhecedor,
O conhecido,
Unificados,
Palpitação tranquila,
Ininterrupta,
Paz sempre nova,
Eternamente viva,
Deleite transcendente a todas as expectativas da imaginação,
Beatitude do samadhi,
Nem estado inconsciente,
Nem clorofórmio mental sem regresso necessitário,
Samadhi estende meu reino consciente para além dos limites de minha compreensão mortal,
AtĂ© a mais longĂnqua fronteira da eternidade,
Onde eu,
O oceano cĂłsmico,
Observo o pequeno ego flutuando em mim,
Ouvem-se dos átomos murmĂşrios movedĂcios,
A terra escura,
Montanhas,
Vales,
SĂŁo lĂquidos em fusĂŁo,
Mares fluindo convertem-se em vapores de nebulosas,
Sopra sobre os vapores,
Descortinando prodĂgios mais alĂ©m,
Oceanos desdobram-se revelados,
Elétrons cintilantes,
Até que,
Ao Ăşltimo som do tambor cĂłsmico,
Transfundem-se os fulgores mais grosseiros em raios perenes de beatitude que em tudo se infiltre.
Da alegria eu vim,
Da alegria eu vivo,
Em sagrada alegria liquefá-so-me,
Oceano da mente,
Bebo todas as ondas da criação,
Os quatro véus do sólido,
LĂquido,
Gasoso e luminoso,
Um apĂłs outro,
Suspensos,
Transpassados,
Eu em tudo penetro no imenso eu,
Extintas para sempre as vacilantes,
Tremeluzentes sombras da memĂłria perecĂvel,
Imaculado é meu céu mental,
Abaixo,
Acima e excelsamente,
Eternidade eu,
Um facho de uniĂŁo,
Pequenina bolha de riso,
Eu me converti no prĂłprio oceano da alegria,
Samadhi de Paramahansa Yogananda
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4.9 (71)
