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Nesta reflexão diária exploramos a fé como algo que vai além do entendimento da mente, não confundindo com a crença em algo, mas sim suportada na confiança do que é tal como é. Desfruta da reflexão, boas meditações!

Transcrição

Fé.

Algo muito curioso na fé é que não se consegue perceber porque algumas pessoas têm fé e outras não.

A fé é algo que a mente não consegue perceber.

Poderá fazer sentido recuar e perceber que a fé é muitas vezes confundida com crença.

E então facilmente reconhecemos que as crenças das pessoas estão correlacionadas com o país onde nasceram a religião predominante nesse país é a educação dos pais.

Percebemos que as crenças são,

Por definição,

Condicionalismos que nos foram plantados.

A fé não se trata de acreditar em X,

Y ou Z.

Implica confiar que a fé,

Por definição,

Não é suposto ser entendida pela mente pois transcende a mente.

A fé surge do interior do ser e essa é a diferença face à crença que passa por acreditar ou não acreditar,

Em acreditar mais ou acreditar menos,

Em acreditar nisto ou naquilo,

Em agarrar-me à crença quando preciso ou quando me convém.

A fé é ou não é,

Existe ou não existe,

Sente-se ou não se sente.

A fé não é dirigida a algo,

A um sujeito,

A uma entidade ou a uma instituição.

A fé tem-se ou não.

A fé pode ser desenvolvida,

Pode surgir num determinado momento da nossa vida e,

Muitas vezes,

Surge perante eventos difíceis,

Desilusões,

Traumas,

Desponta durante o processo de desenvolvimento pessoal,

Da conexão ao coração,

Quebrando as próprias crenças e conceitos.

Mas este é um caminho que a maior parte das pessoas não faz,

Que é observar esse condicionalismo que lhe é instruído e que,

Muitas vezes,

É seguido de forma cega.

Por vezes,

Contraposto por negação,

A pessoa quer largar essa crença que lhe foi imposta e revolta-se e entra em conflito com a própria ideologia,

Educação,

Religião.

Então há um convite para que se reconheça o caminho do meio,

De que tudo existe num momento,

Mas tudo pode ser largado e transmutado.

Reconhecer e saborear o sumo que surge de cada experiência?

Há água benta que há é fé,

Como o vento que não se sabe de onde vem nem por onde vai,

Como um círculo que não tem início nem fim.

A fé é assim.

Está aqui,

Mas não se vê nem está dirigida a nada.

E sempre que alguém pergunta «Acreditas em Deus?

»,

Assiste-se apenas a uma mente a perguntar a outra mente.

A fé não justifica nem explica.

A fé não precisa de validação.

A fé entrega-se,

A fé permite,

Sobrepõe-se a conceitos e à dualidade da mente,

Transgendo o eu separado do outro,

Convida-nos para ir além do eu separado,

Daquela entidade à qual a crença é dirigida,

Dá adoração a algo ou alguém que a mente precisa categorizar.

A fé permite unir tudo.

A fé existe em si e por si mesma,

Engloba tudo,

Não deixa nada de fora,

Porque a fé aponta para o espaço vasto,

Íntimo e infinito,

Onde tudo acontece,

Sem limites nem segmentações.

A fé é tudo e simultaneamente nada.

Não há lugar à dualidade nem à separação.

A fé engloba tudo.

As crenças são armadilhas da fé,

Pois isentam-nos da responsabilidade.

Confiamos e colocamos a responsabilidade na entidade em que acreditamos.

É preciso fazer esse desconstrução na mente e a fé é uma das portas para transcender a mente condicionada e limitada,

Para a transcendência da mente dual e analítica.

A fé é tudo,

Apenas reconhece o todo e o nada.

O tudo e o vazio permite que cada um sinta à sua maneira.

E sim,

Todas as portas têm armadilhas que a mente se tenta.

Outra armadilha da fé é revelada quando o ego se agarra a algo,

Pois o ego adora acorrentar-se a algo externo para a sua ilusória salvação.

Seja Deus,

Um guru,

Um mestre,

Que nos isenta do livro arbítrio e da responsabilidade pessoal pela nossa própria vida.

Quando o verdadeiro convite é em direção à rendição ao todo,

Ao todo que está dentro de nós,

Englobando todos os elementos.

A fé recorda-nos permanentemente que a vida da autodescoberta é interna e infinita e que cada manifestação é única e original.

Um abraço e até já.

© 2026 Nuno Miguel Teixeira. All rights reserved. All copyright in this work remains with the original creator. No part of this material may be reproduced, distributed, or transmitted in any form or by any means, without the prior written permission of the copyright owner.

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