
Sobre O Amor, Poema De Khalil Gibran
by Clara Julie
Me conta: você costuma meditar sobre o amor? Este poema está presente no livro O Profeta, do Mestre Khalil Gibran. Como diz o nome, fala sobre o Amor em uma visão de crescimento espiritual. Este áudio é um convite para escutar essas palavras e meditar sobre elas. Agradeço todo e qualquer feedback.
Transcrição
Sobre o amor.
Poema de Calil Gibrão.
E da mesma forma que contribui para o vosso crescimento,
Trabalha para a vossa poda.
Da mesma forma que alcança vossa altura e acaricia vossos ramos mais ternos que se embalam ao sol,
Assim também desce até vossas raízes e as sacode no seu apego à terra.
Como feixes de trigo,
Ele vos mói junto ao seu coração.
Ele vos debulha para expor a vossa nudez.
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas.
Ele vos mói até a extrema brancura.
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis.
Então ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma no pão místico do banquete divino.
Todas essas coisas o amor operará em vós para que conheçais os segredos de vossos corações e com esse conhecimento vos convertais no pão místico do banquete divino.
Contudo,
Se no vosso temor procurar de somente a paz do amor e o gozo do amor,
Então seria melhor para vós que cobrisseis a vossa nudez e abandonasseis a eira do amor,
Para entrar no mundo sem estações onde rireis,
Mas não todos os vossos risos,
E chorareis,
Mas não todas as vossas lágrimas.
O amor nada dá,
Se não de si próprio,
E nada recebe,
Se não de si próprio.
O amor não possui nem se deixa possuir,
Porque o amor basta-se a si mesmo.
Quando um de vós ama,
Que não diga,
Deus está no meu coração,
Mas que diga antes,
Eu estou no coração de Deus.
E não imagineis que possais dirigir o curso do amor,
Pois o amor,
Se vos achar dignos,
Determinará a ele próprio o vosso curso.
O amor não tem outro desejo,
A não ser o de atingir a sua plenitude.
Contudo,
Se amardes e precisardes ter desejos,
Sejam estes os vossos desejos,
O de vos diluíres no amor e serdes como um riacho que canta sua melodia para a noite,
De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada,
De ficardes ferido por vossa própria compreensão do amor,
E de sangrardes de boa vontade com alegria,
De despertardes na aurora com o coração alado,
E agradecerdes por um novo dia de amor,
De descansardes ao meio-dia e meditardes sobre o êxtase do amor,
E de voltardes para casa à noite com gratidão,
E uma prece no coração para o bem-amado,
E nos lábios uma canção de bem-aventurança.
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