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O Poder do Autoconhecimento - Complexo de Édipo

by Laiz Marina

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Eu não conhecia esse assunto e muito menos achei que pudesse acontecer dentro da minha casa. Sabe aquela fase em que o(a) filho(a) se "apaixona" pelo pai/mãe? Esse desenvolvimento psicossexual da criança é também conhecido como Complexo de Édipo (ou Electra) e esse comportamento é mais comum dentro das famílias do que a gente pode imaginar.

Transcrição

Oi pessoal,

Tudo bem?

Olha só,

Nosso tema de hoje é um tema bem delicado,

Mas é um tema muito necessário a ser falado,

Principalmente quem tem filhos ou quem pretende ter filhos.

Quero contar rapidamente pra vocês o que estava acontecendo aqui dentro de casa.

Olha só,

Há um tempo atrás eu notei um comportamento diferente da minha filha.

Ela tá com 8 anos e depois que começou a trabalhar no Rio Grande do Sul,

Cada vez que ele voltava pra casa,

Eu percebia que ela tinha necessidade de me expor de alguma forma pra ele.

Enfim,

Foram alguns comportamentos que eu fui notando diferente.

Até que um dia a gente resolveu fazer uma viagem,

Dar uma viagem pra ela no aniversário,

E ela,

Antes da gente viajar,

Pediu pra eu não ir.

Ela disse que queria ficar só com o pai dela.

A princípio,

Eu achei que fosse pela distância deles,

Até conversei sobre isso com ela,

Perguntei por que que ela queria que eu não fosse,

Por que que ela queria só com o pai dela,

E ela falou,

Eu tô há muito tempo longe do meu pai,

Eu gostaria de ficar só com ele.

Eu não vi problema,

Pra falar bem a verdade,

No primeiro momento eu não vi problema,

Mas como era o aniversário dela,

Eu achei estranho.

E aí,

Conversando com uma amiga minha,

Que é terapeuta,

Ela comentou comigo,

Ela falou,

Laís,

Você já ouviu falar em complexo de édito?

Pelo que você tá falando,

Algumas características batem com isso.

Então,

Pesquisa,

Veja se você encontra alguma coisa parecida no comportamento da Laura.

E aí,

Eu fui me informar,

E realmente aquilo estava acontecendo dentro da minha casa,

Não só por essa situação,

Mas por outras que vinham acontecendo.

Então,

Eu me informei,

Procurei saber o que isso causaria dentro da vida da criança,

Tanto a adolescente,

Quanto a vida adulta,

E aí eu procurei uma psicóloga que fosse fera no assunto,

Pra poder falar sobre isso,

Pra poder falar de forma profissional sobre isso,

Né?

Porque depois que aconteceu dentro da minha casa,

Eu percebi que outras mães já tinham passado por essa situação,

Ou pais também,

Já tinham passado por essa situação e não souberam muito bem detectar esse comportamento.

Mas a gente tem que entender,

Depois que eu conversei com a psicóloga,

A gente tem que entender que é muito importante que os pais estejam atentos a esse comportamento,

Porque no momento que ele acontece,

É o momento exato que a gente deve orientar essas crianças.

E como depois que aconteceu dentro da minha casa,

Eu fui me informar,

Eu tive uma conversa com a Laura,

Uma conversa clara,

Uma conversa sincera e cheia de amor.

Uma conversa de tipo,

Filha,

Existe a relação de pai e filha,

Que existe amor,

E existe a relação de mãe e pai,

Que existe amor também,

Mas é um amor diferente,

Né?

É um amor de marido e mulher.

Então,

Poxa,

Essa informação assim me salvou depois que eu fui atrás e aí a gente esclareceu tudo e pra ela foi aquilo que ela gostava mesmo ouvir.

Foi muito legal.

Então,

Assim,

Eu espero muito que essa entrevista com a psicóloga Thayane ajude muito quem está nesse processo ou quem ainda vai passar por esse processo da vida,

Né?

Então,

Acompanha aí.

Às vezes a gente tem uma ilusão de que a gente vai conseguir suprir os nossos de todas as necessidades do mundo e que a gente vai conseguir privar eles do sofrimento.

A gente não vai conseguir proteger essas crianças de tudo.

E que bom,

Que maravilhoso isso,

Porque quando a gente protege demais as pessoas,

A gente priva eles de crescimento também.

Como é que esse ser vai se desenvolver se ele não puder experimentar que a vida é difícil?

Ao mesmo tempo,

Quando a gente protege,

É a mesma coisa de eu olhar para aquela criança e falar,

Você é incapaz.

Eu tô ensinando pra ela de que ela não consegue fazer sem mim.

Até tem uma psicanalista,

Teve,

Né?

Uma psicanalista,

Ela já não é mais viva.

A Françoise Boutot,

Que é,

Assim,

Maravilhosa e ela falava que a gente deve contar tudo para o bebê e para a criança.

Então,

Quando a gente vai dar um banho no bebê,

A gente deve olhar e falar,

Eu vou te colocar na água,

Vai deixar o seu corpo molhado,

Agora eu vou passar a esponja no seu corpo,

O sabonete.

Ah,

Que gracinha!

Porque é uma conversa aberta,

Claro,

Do que tá acontecendo.

Porque por mais que ele não entenda as palavras,

Ele entende o significado que você está dando para aquele evento.

E quando você conversa com ele,

Você acalma ele.

Quando ele entende o que tá acontecendo,

Ele fica muito mais tranquilo e seguro.

Então,

Assim,

É através disso que esse bebê também começa a se identificar com mãe e pai.

E depois,

Quando ele entra naquele processo que o pai vai apresentar ao mundo e vai fazer as coisas todas diferentes,

Esse bebê começa a entender que existem dois sexos ou duas pessoas que fazem de forma diferente,

Porque nunca ninguém vai fazer igual.

E é a partir dali que ele começa a entender que isso eu quero fazer igual o fulano,

Isso eu quero fazer igual o ciclone,

Isso eu faço igual o papai,

Isso eu faço igual a mamãe.

Quando eles começam a se dar conta de que existe uma diferença entre homem e mulher,

E muitas vezes essas crianças vão se apaixonar pelo sexo oposto,

Porque é a representação de tudo que eles não são também.

E é através dessa transição que a gente espera que,

Ali por volta dos sete anos,

Essas crianças tenham concretizado essas identificações e elas comecem,

Então,

A construir o que que elas querem para elas.

E quando eles se percebem assim,

Eles começam a fazer as identificações de que o meu corpo tem formas diferentes,

Existem formas diferentes de se existir.

E é a partir disso,

Então,

Lais,

Que essas crianças começam a moldar a sua identidade,

O seu senso de sexualidade,

E que mais do que nunca eles precisam de limites dos pais.

De que maneira a gente pode orientar esses pais?

Acho que a primeira coisa que a gente precisa pensar é que os pais,

Em especial hoje em dia,

Têm muito medo de dizer não para esses filhos.

E eu não quero dizer um não sem uma explicação,

Sabe?

Quando você disse para sua filha que,

Olha,

A mamãe tem uma relação com o seu pai que é diferente da relação que você tem com seu pai.

Relação de pai e filha é diferente de relação de marido e mulher.

Você estabeleceu um padrão para ela,

Você estabeleceu um limite dessa relação que traz conforto.

Então,

Muitas vezes,

As crianças precisam de uma rotina,

Não porque a gente está sendo ruim com eles,

Né?

Mas porque eles precisam de um lugar que eles vão saber que é estável e que é confiável.

Se hoje esses pais olham e falam que você pode dormir só com o papai hoje,

E daí amanhã eu falo que hoje não,

Porque hoje o papai não quer dormir com você hoje,

Essa criança não entende o que está acontecendo.

Ela só entende que não me amam.

Hoje eles não me amam.

E o maior medo das crianças é de não serem amadas.

Eles precisam sentir que eles estão sendo amados.

Mas quando você diz não e você dá limite,

Você está dando amor para essa criança.

Porque você está estabelecendo para eles que,

Olha,

Eu te amo tanto que eu não vou te deixar fazer uma coisa que não é certa.

Eu estou te mostrando que é assim que as coisas funcionam na vida.

Quero que você me fale sobre as consequências que essa criança pode sofrer na vida adulta ou até na adolescência,

Começando ali na adolescência,

Quando a gente não dá o devido olhar para isso,

A devida atenção para isso,

Né?

Como você disse,

Colocar cada um em seu devido lugar.

No mundo inteiro os índices de suicídio estão caindo.

No Brasil está subindo.

É um fenômeno que a gente ainda não entendeu muito bem.

Mas o que a gente consegue compreender é que essas crianças não estão se frustrando.

Essas crianças não estão entendendo o que pode e o que não pode.

E daí mais pra frente,

Eles vão entrar em contato com as frustrações e eles não têm resposta para aquela frustração.

Então aquilo é percebido como se fosse algo que não fosse ter fim e que não fosse ter solução.

E já que não tem solução,

A única solução é a morte ou então ele machucar.

E muitas dessas crianças,

A gente vê um histórico lá atrás na infância de que tiveram muita dificuldade em entender qual é o lugar delas dentro daquela família.

Qual é o papel que eu estou exercendo aqui?

Isso é uma das fases.

A outra é o número presente,

Em especial nas meninas,

De relacionamentos abusivos.

Porque os pais são os nossos modelos.

Então quando a gente olha e a gente vê que,

E eu não estou dizendo isso como uma coisa determinante,

Não é algo que é uma equação direta.

Fez isso,

Vai acontecer isso.

Mas que a gente precisa olhar e ver que as relações são muito baseadas nas relações que a gente viu os nossos pais terem.

Então se o meu pai e a minha mãe tem um relacionamento saudável,

Onde eles priorizam o casal,

Eu vou buscar aquilo para mim em relações também.

Mas se eu não tenho esse limite ali na minha infância de entender que a minha mãe e o meu pai tem uma relação de namorados e essa não é uma relação minha,

Eu também não consigo estabelecer uma relação saudável para mim com o meu futuro namorado.

Porque eu vou ter algo que a gente chama de apego inseguro.

Eu entendi que a relação dos meus pais não é estável.

E daí eu começo a pensar que o normal é não ter relação estável.

E eu começo a aceitar que as pessoas façam de mim muitas coisas que não são apropriadas.

Então nós temos hoje meninas que têm baixíssima autoestima e que realmente acreditam que não ser tratadas bem,

Que serem abusadas é normal.

Tem repercussão lá na frente,

Em especial na autoestima dessas crianças.

Entender onde é que estão os limites na vida dos meus pais,

Que eu tenho um lugar de amor ali,

Mas que não é o mesmo lugar que o meu pai e minha mãe representam um para o outro,

É algo muito importante para que eu entenda que eu também um dia vou ocupar esse lugar em outra relação.

E que eu vou precisar fazer isso com os meus filhos também.

Nós não entendemos a responsabilidade que nós damos para essas crianças quando nós não damos limites para eles.

É como se eu olhasse para ele e falasse assim,

Eu tenho tanto medo que você não me ame,

Então não vou te dar limite.

Só que daí a gente dá uma responsabilidade de eles se autorregularem.

Eu queria,

Taíra,

Que você deixasse um recado para esses pais.

Não um recado,

Uma orientação para esses pais.

De que maneira eles podem detectar que isso está acontecendo na casa deles?

E de que maneira eles podem fazer isso,

Essa orientação com os filhos,

De forma que seja claro,

Com amor e sem traumas?

Eu acho que um exemplo maravilhoso foi o que você mesma deu,

Sabe?

De como você sobe lidar com isso em casa.

Muitas vezes a gente percebe que a criança está tentando colocar o pai e a mãe um contra o outro.

Acho que essa é uma das primeiras coisas que a gente vai perceber enquanto sinal.

Mas que é uma coisa que é esperado do desenvolvimento dessa criança.

A gente até fala que a criança que é boazinha demais e que não transgride tem algum problema.

É perigoso,

É bom se afiar.

A mãe é mais preocupada com essa criança que aceita tudo de uma forma muito tranquila do que com essa criança que tem opinião própria,

Que contesta,

Que tenta ter benefícios.

Acima de tudo,

Conversem,

Expliquem.

Coloquem o porquê é que vocês tomaram aquela decisão.

Tem alguns pais que têm muita dificuldade em falar sobre alguns temas.

Só que eu falo sempre o seguinte.

Se a criança perguntou,

Por que não responder e responder com a verdade?

Essa criança pode sim compreender aquilo.

Talvez não nos termos que você vai querer que ela compreenda,

Mas da forma dela.

E a gente daí dá uma possibilidade para que essa criança se desenvolva sabendo que é amada.

De que não é porque meus pais não me amam que eles estão agindo assim.

Eles estão agindo assim porque tem uma lógica.

De que meus pais são namorados,

De que eu sou filha.

E daí não vai para um lugar de que eles estão fazendo isso para me punir.

Eles estão fazendo isso porque eles não me amam.

O drama todo mundo,

Né?

Acho que isso é fundamental.

E uma coisa que eu acho muito importante alertar enquanto mãe.

Assim,

Que a gente possa estar mais atentos às mudanças dos nossos filhos.

Porque elas acontecem o tempo todo.

E a gente não consegue captar tudo.

É humanamente impossível.

Então,

Quando você vê uma transformação,

Uma mudança de comportamento significante que te chama a atenção,

Dê atenção a isso.

Olhe para isso.

Porque foi o que aconteceu.

Eu percebi que ela estava agindo de forma diferente.

Achei estranho da parte dela,

Sabe?

A Laura não era assim.

E de repente ela começou assim.

Não,

Isso não é da minha filha.

Então,

Às vezes a gente pode curar essas crianças como a Dayane diz.

Com simples conversa,

Claramente.

Sem inventar,

Sem impor,

Né?

E isso pode transformar muita coisa,

Né?

Completamente.

Dá possibilidade para que essa criança também possa ressignificar o que está acontecendo com ela.

Se nós,

Enquanto adultos,

Queremos essa oportunidade.

Por que a gente não pode dar essa oportunidade para eles também?

Exato.

Acredito muito nisso.

Acho muito bacana isso.

Obrigada,

Dayane.

Foi muito legal e muito importante essa conversa.

Queria muito mesmo ouvir isso de um profissional e poder ajudar outras pessoas em casa também.

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