
Fátima. a Fiandeira
Nessa estreia do Sagas Helenísticas, escolhi contar a história de Fátima que conheci alguns atrás, e que, de tempos em tempos, releio. É um conto sufi inspirador que relembra que mesmo as maiores tristezas são partes essenciais da maior felicidade.
Transcrição
Olá,
Eu sou Helena Verhagen e esse é o Sagas Helenísticas.
E hoje,
Nesse primeiro episódio de estreia,
Eu quero começar contando a história da Fátima Fiandeira.
Essa história eu conheci numa das aulas da formação de psicologia transpessoal.
É um conto sufi extraído do livro Histórias dos Dervishes.
E essa história,
Gente,
Me toca profundamente,
Porque em diferentes momentos da minha vida eu me vi como Fátima e como esse personagem principal.
Então,
Eu já contei essa história também em diversas sessões e eu peço um pouco da sua paciência,
Porque pode ser que eu me emocione na leitura,
Porque ela sempre me toca profundamente.
Então,
Te convido a fazer uma respiração profunda,
Abrir seu coração e ouvir essa história.
Numa cidade do mais longínquo ocidente,
Vivia uma jovem chamada Fátima,
Filha de um próspero fiandeiro.
Um dia seu pai lhe disse,
Filha,
Faremos uma viagem,
Pois tenho negócios a resolver nas ilhas do Mediterrâneo.
Talvez você encontre por lá um jovem atraente de boa posição com quem possa então se casar.
Iniciaram assim sua viagem,
Indo de ilha em ilha,
O pai cuidando de seus negócios,
Fátima sonhando com o homem que poderia vir a ser seu marido.
Mas um dia,
Quando se dirigiam à Creta,
Armou-se uma tempestade e o barco naufragou.
Fátima,
Semiconsciente,
Foi arrastada pelas ondas até uma praia perto de Alexandria.
Seu pai estava morto e ela ficou inteiramente desamparada.
Podia recordar-se apenas vagamente de sua vida até aquele momento.
Pois a experiência do naufrágio e o fato de ter ficado exposta às inclemências do mar a tinham deixado completamente exausta e aturdida.
Enquanto vagava pela praia,
Uma família de tecelões a encontrou.
Embora fossem pobres,
Levaram-na para sua humilde casa e ensinaram-lhe seu ofício.
Desse modo,
Fátima iniciou nova vida e em um ou dois anos voltou a ser feliz reconciliada com sua sorte.
Porém,
Um dia,
Quando estava na praia,
Um bando de mercadores de escravos desembarcou e levou-a junto com outros cativos.
Apesar dela se lamentar amargamente do seu destino,
Eles não demonstraram nenhuma compaixão.
Levaram-na para Istambul e venderam-na como escrava pela segunda vez o mundo da jovem Ruíra.
Mas,
Quis a sorte que no mercado houvesse poucos compradores na ocasião.
Um deles era um homem que procurava escravos para trabalhar em sua serraria,
Onde fabricava mastros para embarcações.
Ao perceber o ar desolado e o abatimento de Fátima,
Decidiu comprá-la pensando que poderia proporcionar a sua esposa uma vida um pouco melhor do que teria nas mãos de outro comprador.
Ele levou Fátima para casa com a intenção de fazer dela uma criada para sua esposa.
Mas,
Ao chegar em casa,
Soube que tinha perdido todo o seu dinheiro quando um carregamento fora capturado por piratas.
Não poderia enfrentar as empresas que lhe davam os empregados e,
Assim,
Ele,
Fátima e sua mulher arcaram sozinhos com a pesada tarefa de fabricar mastros.
Fátima,
Grata ao seu patrão por tê-la resgatado,
Trabalhou tanto e tão bem que ele lhe deu a liberdade e ela passou a ser sua ajudante de confiança.
Assim,
Ela chegou a ser relativamente feliz em sua terceira profissão.
Um dia ele lhe disse,
Fátima,
Quero que vá à Java como minha representante com um carregamento de mastros,
Procure vendê-los com lucro.
Ela então partiu,
Mas quando o barco estava na altura da costa chinesa,
Um tufão o fez naufragar.
Mais uma vez,
Fátima se viu jogada como náufraga em uma praia de um país desconhecido.
De novo,
Chorou amargamente porque sentia que nada em sua vida acontecia como esperava.
Sempre que tudo parecia andar bem,
Alguma coisa acontecia e destruía suas esperanças.
Por que será,
Perguntou pela terceira vez,
Que sempre que tento fazer alguma coisa não dá certo?
Por que devo passar por tantas desgraças?
Como não teve respostas,
Levantou-se da areia e afastou-se da praia.
Acontece que na China ninguém tinha ouvido falar de Fátima ou de seus problemas,
Mas existia a lenda de que um dia chegaria certa mulher estrangeira capaz de fazer uma tenda para o imperador.
Como naquela época não existia ninguém na China que soubesse fazer tendas,
Todo mundo aguardava com ansiedade o cumprimento da profecia.
Para ter certeza de que a estrangeira ao chegar não passaria desapercebida,
Uma vez por ano os sucessivos imperadores da China costumavam mandar seus mensageiros a todas as cidades e aldeias do país,
Pedindo que toda mulher estrangeira fosse levada a corte.
Exatamente numa dessas ocasiões,
Esgotada,
Fátima chegou a uma cidade costeira da China.
Os habitantes do lugar falaram com ela através de um intérprete e explicaram-lhe que devia ir à presença do imperador.
— Senhora,
Disse o imperador quando Fátima foi levada até ele,
Sabe fabricar uma tenda?
— Acho que sim,
Majestade,
Respondeu a jovem.
Pediu as cordas,
Mas não tinham.
Lembrando-se dos tempos de Fiandeira,
Fátima colheu o linho e fez as cordas.
Depois pediu um tecido resistente,
Mas os chineses não tinham do tipo que ela precisava.
Então,
Utilizando sua experiência com os tecelões de Alexandria,
Fabricou um tecido forte,
Próprio para tendas.
Percebeu que precisava de estacas para tenda,
Mas não existiam no país.
Lembrando-se do que lhe ensinaram o fabricante de mastros em Istambul,
Fátima fabricou suas estacas firmes.
Quando estas estavam prontas,
Ela puxou de novo a memória,
Procurando lembrar-se de todas as tendas que já tinha visto em suas viagens.
E uma tenda foi construída.
Quando a maravilha foi mostrada ao imperador da China,
Ele se prontificou a satisfazer qualquer desejo que Fátima expressasse.
Ela escolheu morar na China,
Onde se casou com um belo príncipe e,
Rodeada por seus filhos,
Viveu muito feliz até o fim de seus dias.
Através dessas aventuras,
Fátima compreendeu que o que em cada ocasião lhe tinha parecido ser uma experiência desagradável,
Acabou sendo parte essencial da sua felicidade.
E assim,
Finaliza essa história da Fátima.
E deixo aqui essa reflexão de como que essa história te tocou.
Quantas vezes na vida você se sentiu com uma frustração de achar que tudo tá dando errado?
Eu,
Assim como a Fátima,
Perguntei algumas vezes porque certas situações tão acontecido comigo e essa história sempre me aparece e me inspira a seguir adiante,
Confiando que existe um porquê,
Mesmo que eu não entenda,
No momento em que as coisas acontecem.
Espero que você tenha gostado.
Se puder,
Deixa seu comentário aqui.
Muito obrigada,
Um beijo no coração e até já!
E aí
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