Paula, como toda artista, é trabalhadora do subjetivo. Netuniana de nascimento, passou a vida atravessando o mundo do inconsciente, teimando em trazê-lo pra matéria: seja através das mãos que modelam o barro, da voz, da arte, dos símbolos, ou observando os astros. Faz disso ofício... dar forma ao que vive oculto da consciência. Entende o autoconhecimento como uma travessia pelo silêncio. Esse território às vezes assustador que quase ninguém quer visitar sozinho, mas que segue sendo o caminho mais seguro de volta pra si. Suas meditações são convites pra isso: uma visita ao próprio universo oculto e subjetivo, onde a verdadeira mágica acontece. E lá dentro tudo se move mais devagar. As coisas acontecem numa frequência mais baixa, menos densa, que não se revela a quem chega com pressa ou fazendo barulho. É preciso afinar o corpo, baixar o volume, deixar a respiração encontrar o compasso do agora. Só então o que estava em silêncio começa a falar.

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