A impermanência diz-nos que tudo está em constante mudança e que nada dura para sempre.
Esta ideia é uma das ideias fundamentais da forma como tudo no universo funciona.
E ela teve uma base histórica no budismo e um dos ensinamentos que Buda deixou foi que o sofrimento humano nasce precisamente do nosso apego às coisas que são impermanentes.
Isso é,
No fundo,
A causa do sofrimento.
Mas,
Para além desta base histórica e desta origem da impermanência,
De que forma nós podemos integrar e olhar para este conceito,
Tendo por base a nossa vida e até mesmo o nosso dia-a-dia?
Comecemos pelo nosso corpo.
O nosso corpo está em constante mutação.
As nossas células.
Nós não somos os mesmos,
Sobretudo em períodos longos,
Mas mesmo quase de dia para dia.
E,
Eventualmente,
Um dia iremos partir.
Portanto,
De um ponto de vista natural,
É óbvio o conceito da impermanência.
Mas se passarmos para as nossas emoções,
Verificamos que,
Quer tenhamos uma alegria intensa ou uma tristeza profunda,
Ou mesmo ansiedade,
Todos estes sentimentos,
Mesmo que sejam positivos ou negativos,
Acabam por dissipar-se naturalmente.
E como veremos mais à frente,
A consciência disto é algo que nos ajuda a saber reagir quando as coisas estão mal,
Mas também quando as coisas estão bem.
Os nossos relacionamentos,
As nossas amizades,
Muitas vezes as nossas relações mais profundas mudam e nenhuma relação permanece estática ao longo do tempo.
E muitas vezes essas relações terminam mesmo.
Portanto,
Aqui também se aplica a impermanência.
A natureza é também repleta de impermanência.
As estações do ano,
O clima,
As marés e os próprios ecossistemas estão em constante transformação.
Portanto,
Mesmo a natureza é um exemplo prático da impermanência.
Um emprego que nós temos pode terminar,
Certamente terminará com a nossa reforma,
Por exemplo,
Um projeto pode fracassar,
Um negócio pode prosperar e falhar num determinado momento.
Portanto,
Aqui também,
Novamente,
A impermanência aplica-se.
Os nossos pensamentos,
Se numa meditação nós vemos que eles vêm e vão,
Surgem,
Desaparecem.
Os nossos pensamentos são impermanentes.
As nossas cidades estão em constante mudança.
Os edifícios começam a dar sinais do tempo.
Portanto,
Um olhar para a componente física,
Mas também para a componente psíquica,
Nota que tudo está em permanente mudança e tudo irá terminar.
Compreendermos a impermanência tem dois aspectos muito libertadores.
Nos momentos difíceis,
Se tivermos consciência da impermanência,
Vamos perceber que a dor,
O medo e a crise serão temporários e acabarão por dissipar-se,
Por muito que isso seja difícil,
Mas também percebermos,
Nos momentos felizes,
Que devemos apreciar aquilo que temos naquele momento sem a ansiedade de o perder,
Porque tudo irá mudar.
E é importante termos aqui a ideia de que,
Se vamos resistir à impermanência e se vamos nos querer agarrar às coisas certamente,
Isso vai trazer-nos sofrimento e,
Portanto,
É preciso olharmos para tudo abraçando o conceito da impermanência.
Esta impermanência não é uma ideia pessimista,
Mas sim um convite a nós vivermos com mais presença,
Com menos apego,
Com mais leveza,
Sabendo que tanto o bom como o difícil são sempre temporários.
Por isso,
Abraçar a impermanência é abraçar a vida.