
Fortes Emoções. Reconhecendo e Transformando
Emoções fortes são merecedoras de reconhecimento e atenção. Nesta meditação vamos reconhecer emoções fortes no momento presente, trabalhar com elas e depois deixar que se aquietem. Encerraremos a meditação com a atenção em emoções prazerosas e as sensações do corpo no presente momento.
Transcrição
Vamos começar trazendo a atenção para o nosso corpo,
Então se você quiser mexendo o seu ombro para frente,
Para cima,
Para trás,
Para baixo,
Uma outra vez,
E aí concentrando lá nesse ombro que você mexe,
E aí quando chegar lá embaixo,
Se você quiser,
Fazendo na direção oposta,
Levanta bem,
Sente o ombro mexendo,
Talvez mexendo o pescoço também,
E aí vai se aquietando,
Buscando um local para as mãos,
Que pode ser um em cima da outra,
Ou tocando as pernas,
Os joelhos,
Se você estiver sentado em cadeira,
Notando se os dois pés estão tocando o chão,
Se estiver na almofada de meditação,
Se possível,
Deixando que os dois joelhos toquem o chão,
E convidando o seu corpo ao aquietar físico,
Como se você lentamente passasse um scanner,
Do topo da cabeça até os dedos dos pés,
Convidando esse corpo,
Os músculos,
Os ossos,
Para receberem o desejo de aquietar,
Notando se você quer abaixar um pouquinho o queixo,
Para que a coluna fique um pouco mais estendida,
E aí trazendo novamente essa intenção de estar perto do corpo,
Com a sua completa atenção,
Talvez tenha uma parte de você que pode estar lá no passado,
Arrependendo de algumas coisas,
Ou sentindo alegria,
Convidando essa parte também para estar aqui nesse momento,
Ou talvez uma parte esteja sonhando com alguma coisa do futuro,
Ou experienciando algum evento que ainda vai acontecer,
Ou a lista do supermercado,
Ou a casa de bar,
Convidando essa parte também para vir para cá,
Para estar aqui nesse momento,
E é como se você dissesse para você mesmo,
Esse é o nosso momento,
E é o único momento que temos,
Vamos nos dedicar a ele,
E com essa intenção de estar presente,
A intenção de estar pertinho de você mesma,
Se você quiser trazendo a atenção para os ouvidos,
E deixando que o som do sino entre nos ouvidos,
Da forma que ele vier,
E ver se é possível aceitar e reconhecer o som do sino,
Percebendo que o som do sino está se dissolvendo,
E talvez deixando que outros sons sejam também ouvidos,
Ou que o silêncio seja ouvido.
Na nossa prática de hoje,
Nós vamos olhar para emoções mais fortes,
E vamos reconhecer a emoção e permitir que essa emoção se aquiete também.
Algumas vezes,
Emoções fortes aparecem,
E a nossa presença,
De uma forma geral,
É disfarçar aquela situação,
É fazer outra coisa,
Nesse mundo de tecnologia,
A nossa tecnologia passou muito a ser esse objeto de distração,
Ou uma comida,
E aí como não tem nada errado na gente usar tecnologia,
Ou se alimentar de vez em quando de batata frita,
De chocolate,
Mas o importante é esse reconhecimento do que aquele objeto está representando,
Se é um disfarçar de uma emoção,
Ou se é um desejo de apenas praticar aquilo.
Eu,
Pessoalmente,
Percebo que não houve ensinamento na minha vida,
Até que eu começasse a buscar esse ensinamento,
De conviver com emoção,
De reconhecer emoção,
De aceitar emoção,
Principalmente as emoções que são ditas negativas,
A raiva,
O medo,
A tristeza,
A frustração,
Essas tinham que ser escondidas,
Não podiam ser expressadas,
E elas crescem quando elas não são expressadas,
E elas se multiplicam,
Hoje,
Com todo o apoio da tecnologia,
A ciência tem feito várias pesquisas mostrando o movimento do cérebro,
Quando nós acolhemos uma emoção,
Ou quando nós afastamos e disfarçamos essa emoção,
Quando acolhemos,
Ela exerce menos ação nos nossos órgãos cerebrais,
Principalmente o de sobrevivência,
Que é o sistema límbico,
Amígdala,
E quando nós aceitamos e damos nome e reconhecemos,
E como o poeta Rumi convidou,
Tomamos um chá com essa emoção,
Essa emoção vai se dissolvendo,
Vai se aquietando,
E se eu empurro,
Ela fortalece,
É a imagem que o poeta Rumi nos oferece,
Essa emoção forte batendo na porta,
Se a gente não abrir,
Ela quebra a porta,
Agora abrindo a porta,
Toma uma xícara de chá com a emoção,
Não toma duas,
Porque a gente não precisa ficar remoendo e conversando com aquela emoção muito tempo,
Você toma essa xícara de chá no sentido de deixar a emoção dizer para você o que é a mensagem,
E aí então,
A gente pode intencionalmente pedir que essa emoção se aquiete.
Vamos agora começar a nossa prática,
Talvez essa conversa tenha trazido alguma atenção para o seu corpo,
Vamos de novo conectar com o corpo,
Oferecer a informação de que você está em um local seguro,
Que é um momento seguro,
Que nada está trazendo risco para você,
Informando a este corpo que ele pode se entregar ao sentar.
E aí começando,
Se você quiser olhar no seu corpo,
Onde a respiração pode ser sentida?
No inspirar,
Uma pequena modificação no corpo,
Talvez expansão do peito,
Ou área do abdômen,
Que infla um pouquinho,
Com a expiração,
Como se o corpo retornasse.
Algumas vezes a sensação da respiração é tão sutil que é necessário olhar com lupas,
E a gente pode usar as lupas,
Como crianças olhando formigas,
Podemos olhar aqui para dentro de nós mesmos e sentir a sensação dessa inspiração e dessa expiração.
E aí eu vou convidar a gente a fazer um scan no corpo para buscar uma sensação específica,
Que você pode ou não encontrar.
É uma sensação veloz,
É uma sensação que podemos comparar,
Por exemplo,
Com um jipe 1954,
Que a velocidade dele máxima é 80 km por hora,
E ele está sendo dirigido a 150 km por hora.
No nosso corpo,
Algumas vezes,
A gente acumula essa energia,
A energia é a mistura de emoção,
Sensação.
Vamos escanear agora,
Eu vou ficar em silêncio um pouquinho,
E ver se você acha em algum lugar do seu corpo essa emoção veloz,
E se você achar,
Quando você achar,
Trazendo toda a sua atenção para esse local.
Por exemplo,
No meu caso,
Eu estou sentindo na parte de trás do meu pescoço,
Ela está bem aqui.
Traz a sua atenção e o carinho do seu inspirar e expirar para esse local,
Sem pedir nada,
Apenas oferecendo atenção,
Carinho.
E agora,
Deixando o local da emoção veloz,
Descansar,
E trazendo uma memória de um momento,
Num passado recente,
Um passado mais atrás,
Onde você sentiu a presença de uma emoção forte,
De uma emoção que traz desconforto no corpo,
Pode ser medo,
Antecipação,
Raiva,
Frustração.
E aí,
Sem reviver muito o momento que gerou essa emoção,
Até porque talvez você nem saiba o momento,
Apenas sentindo,
Como se você pudesse estender as duas mãos e olhar para essa emoção,
Aqui na sua mão.
E aí,
Num gesto que pode ser contra-intuitivo,
Como que apertando as mãos no sentido de realmente oferecer um cumprimento para essa emoção.
Como quem diz assim,
Eu te vejo,
Te recebo e sei que você está aqui.
Apertando as mãos com a emoção,
No sentido de aceitar,
De reconhecer,
De permitir.
E aí,
Conectando com o seu corpo,
Notando se algum lugar do seu corpo está com atenção,
Ou um formigamento,
E aí,
Silenciosamente,
Perguntando a esta emoção,
Que agora está aqui nas suas mãos,
Qual é a sua mensagem?
E no silêncio,
Deixar que o que vier,
Seja recebido.
O que você quer me dizer?
Se você quiser,
Você pode também perguntar,
Qual é a sua idade?
Quantos anos eu tinha quando você começou aqui dentro de mim?
Sentindo que você está no momento presente,
Notando que não tem necessidade de ir atrás para pensamentos ou lembranças.
Se você pergunta,
A resposta pode vir ou não.
Notando se você quer inspirar profundamente e deixar o expirar ser lento e comprido.
E talvez,
Silenciosamente,
Dizendo para esta emoção,
Eu vejo você,
Eu sei que você está presente.
E nesse momento,
Eu vou te convidar para acalmar,
Para aquietar,
Talvez para tirar uma soneca.
Se você estava com as mãos estendidas,
Voltando então com as suas mãos para sua perna,
Ou para uma mão em cima da outra,
O que for melhor para você.
E retornando agora para o corpo novamente,
Sentindo o seu corpo,
Sem querer que o corpo esteja de alguma forma diferente do que ele está.
E aí,
Na segunda parte desta prática,
Que é a nossa capacidade de pendular os nossos sentimentos.
É,
Imaginando um pêndulo de um relógio que vai para um lado e vai para o outro.
Trazendo agora,
Para a sua memória,
Um momento recente ou não tão recente,
Em que você se sentiu feliz,
Em que você sentiu a vibração da vida,
A alegria do momento.
E sentindo isso no seu corpo,
Deixando que essa sensação seja agora percebida,
Reconhecida e aceita.
E se você quiser,
Também,
Trazendo as duas mãos juntas e deixando que essa alegria ocupe as mãos.
Diga,
Alegria,
Eu te reconheço,
Te aceito e sinto você no meu corpo.
Você está presente e,
Novamente,
Trazendo a intenção de conectar com o corpo,
Que é o nosso mensageiro,
Nosso grande amigo.
Quando você quiser,
Se você esteve com as mãos estendidas,
Deixando as mãos se aquietar novamente,
Nas pernas ou em cima,
Uma em cima da outra.
E agora,
Enquanto a gente está aproximando o término dessa nossa prática,
Deixando que o que está neste momento seja o foco de atenção.
Vamos começar com o tato,
A pele encostando numa outra parte de pele do corpo,
Ou a roupa,
Ou o toque da cadeira,
Do banco,
Da almofada.
E agora,
Passando para o gosto,
Trazendo a atenção para dentro da boca,
Talvez um gostinho de água,
Um gostinho de nada,
Um gostinho de café,
Sentindo a presença do gosto e notando o gosto nesse momento.
Deixando que a língua esteja no chão da boca,
Se isso for possível para você.
E agora,
Trazendo a atenção para o ouvir,
Sons de dentro do seu corpo,
Sons do seu ambiente,
Sons de fora,
Tudo isso faz parte deste momento.
Sentindo o cheiro ou o ar entrando nas narinas,
Mesmo que não tenha nenhum cheiro.
E aí,
Quando você quiser,
Se os seus olhos estiverem fechados,
Lentamente abrindo os olhos e talvez reconhecendo apenas cores,
Sem dar nome,
Sem gostar ou não gostar,
Olhando em volta e vendo a variação das cores.
E agora,
Se você quiser,
Com os olhos abertos ou fechados,
Retornando para os ouvidos e ouvindo os três sons do sino que vão encerrar essa nossa prática.
Então,
Se você fechou os seus olhos para escutar,
Abrindo novamente,
Nesse momento percebendo tudo a sua volta,
Cores,
Formas,
Luz,
Sombra.
E mexendo o corpo,
Alongando braços e pernas,
Se você quiser,
Pescoço.
Gratidão pela sua companhia.
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