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Criança Consegue Meditar?

by Projeto Presença

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Meditação
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Será que criança consegue meditar? E será que a meditação tem sido aplicada com crianças como uma forma de disciplinarização? Será que crianças não são presentes? Ou será que o próprio cuidado das crianças já exige uma pessoa que tenha o habito de meditar? E depois de todos esses questionamentos, se eu quiser ensinar meditação para crianças, como faço isso? Nossos convidados responderam todos esses questionamentos de forma muito clara e bonita (e no final ainda tem várias dicas de livros).

Transcrição

Então,

Bem-vindos e bem-vindas ao podcast do Projeto Presença,

Eu sou a Gabi e no episódio de hoje a gente vai conversar com três pessoas muito especiais sobre o tema meditação com crianças.

Então,

Pra gente começar,

Eu vou pedir pra eles se apresentarem e contar rapidinho um pouco da trajetória deles pra vocês.

Eu sou o Rafael,

Sou o pai,

Tenho uma filha de três anos e meio,

A Flora.

Moro com a minha esposa e com a minha filha em Lagoinha,

Aqui na região do Vale do Paraíba,

No interior de São Paulo.

A minha atuação profissional principal hoje é professor,

Eu sou pedagogo,

Dou aula pra crianças do Ensino Fundamental 1,

Já trabalhei também com educação infantil.

Eu sou também professor de yoga desde 2013.

Tenho formação também em biologia,

Mestrado na área de meio ambiente e fiz uma especialização em cultura de paz,

Numa formação holística pela Unipaz em São Paulo.

E desde 2013 eu venho buscando me dedicar a temas do autoconhecimento,

Da cultura de paz e nesse processo eu senti vontade de levar um pouco desses conhecimentos para o ambiente escolar e decidi fazer pedagogia pensando nisso e ao final do curso de pedagogia eu senti vontade de trabalhar diretamente com as crianças,

Que não era inicialmente a minha intenção,

Eu pensei em levar esses conhecimentos para a formação de professores,

Mas desde 2019 estou atuando na rede municipal aqui em Lagoinha e já em 2019 desenvolvi um projeto de yoga e cultura de paz na educação infantil e foi uma experiência muito rica,

Muito interessante e 2020,

2021 com a pandemia teve um pouco mais de dificuldade de implementar esses projetos na escola onde eu estou trabalhando atualmente,

Mas é o meu propósito enquanto pedagogo,

Enquanto professor,

É trabalhar as práticas de cultura de paz e de autoconhecimento dentro do ambiente escolar.

Eu agradeço muito o convite,

A oportunidade de estar aqui com vocês.

Eu sou a Thais,

Sou pedagoga também,

Como Rafa,

Instrutora de yoga,

Tenho uma formação para trabalhar yoga especificamente com crianças e jovens,

Foi uma formação que ela tinha o propósito de capacitar professores para trazer o yoga dentro do ambiente escolar,

Depois fiz mais outras duas formações também como instrutora de yoga,

Sou doula,

Aprendiz de parteira,

Dei aula em escolas públicas por quase nove anos e faz uns dois anos em que eu atuo somente com yoga e com essa parte assim da gestação,

Né?

Então dou aula de yoga para crianças,

Para casais grávidos e para adultos.

Nos meus dois,

Três últimos anos,

Né?

Em sala de aula,

Foi uma experiência de escola especial,

Né?

A PAI,

E eu tive a ideia de levar o yoga para essas crianças,

Né?

E adultos.

No começo foi bem assustador para mim,

Mas eu tive bastante apoio da equipe pedagógica e o resultado foi incrível,

Assim,

Isso me motivou ainda mais a seguir mesmo trazendo esse conhecimento,

Essas práticas para as crianças também,

Né?

Acho que elas trazem,

As crianças naturalmente trazem dentro de si esse potencial,

Né?

De renovar a esperança mesmo.

E é isso,

Estou muito feliz de estar aqui com vocês e já tô sentindo que vai ser uma conversa muito rica.

Boa noite,

Em primeiro lugar agradecer o convite,

Agradecer a Gabi,

Super importante esse podcast sobre isso.

Bom,

Em comum com o Raf,

Com a Thaís,

Eu sou pedagoga,

Porém não sou estrutura de yoga,

Mas só fiz aula de yoga e a minha relação com meditação com as crianças é porque eu tenho uma criança interior muito agitada,

Tão falante quanto as crianças que eu trabalho,

A criança animada e tudo mais,

E aí há uns anos atrás me encontrei com a e com a yoga,

E aí a meditação tá junto,

Né?

Faz parte e apesar de ser uma pessoa muito falante e de ter uma criança interior muito viva,

O silêncio é um grande acolhimento para mim,

É um lugar que me dá muito amparo,

Então a meditação entra um pouquinho nisso,

Assim,

E aí para dizer que então não tenho informação específica para isso,

Estou como pedagoga há 14 anos,

Trabalho com formação de professor,

Estou na escola pública há 14 anos,

Trabalhando com as crianças lá nos anos iniciais,

E é isso,

Acho que é um pouquinho disso,

Depois a gente vai conversando mais.

Que legal,

Gente,

Muito rica todas as experiências de vocês,

E aí acho que a gente pode ir para a pergunta do podcast,

Né?

Retomando um pouco do que a Vanessa falou,

Geralmente as crianças são agitadas,

São inquietas,

Falam bastante,

E aí,

Né?

Será que é possível ensinar meditação para as crianças?

Super possível,

Vou começar então aqui,

Eu acho que,

Claro que Thais e Rafa vão falar mais de técnicas,

Então vou falar um pouco de outro lugar,

Assim,

De quem chegou em escolas que a gente tinha muitas questões de violência,

De agitação,

Ou de ambientes não tão favoráveis,

Assim,

E como é que era levar a meditação,

E claro,

Estou falando do meu lugar,

Né?

Isso não quer dizer que a gente vai levar a meditação só para esses lugares,

Assim,

Né?

Ela vai estar em qualquer lugar,

Assim,

Mas na minha experiência foi trazer principalmente o início,

Assim,

Para as crianças uma coisa de olhar para o corpo,

De olhar para o corpo,

De se sentir,

Entender como é que eu respiro,

Como é que eu tô sentindo as minhas emoções,

Por que que eu tô reagindo dessa maneira,

Por que que eu não tô reagindo de tal maneira,

E aí há uns anos atrás,

Depois de um tempo com meditação com as crianças,

Eu pedi para elas desenharem,

Ou enfim,

Escreverem o que que era a meditação para elas,

E aí eu tenho ainda essas cartinhas,

Não achei hoje para mostrar aqui,

Mas aí uma das crianças disse assim,

Quando eu medito,

Eu consigo olhar para os meus problemas com calma,

Ou então eu achava ótimo,

Assim,

Então quer dizer,

Não era uma ou outra,

Assim,

Que falava assim,

Ah,

Então eu consigo entender o que eu tô sentindo,

Assim,

Então é possível,

Né?

Porque eu acho que a meditação,

Pelo menos para mim,

Passa assim,

Como é que eu me vejo,

O que que eu vejo que eu tô sentindo,

Assim,

Então é um pouquinho nisso,

Assim,

Que eu tenho tentado nas experiências com as crianças.

Gabi,

Vou acrescentar mais uma reflexão aqui,

Né?

Então,

Para a gente pensar,

Né,

Se é possível trazer a meditação para as crianças,

É importante a gente ter clareza do que a gente tá entendendo como meditação e de como a gente se relaciona com as crianças,

Seja como a avó colocou,

Com a nossa criança interior e com as crianças.

Eu,

Hoje,

Eu vi uma cena,

Assim,

Que foi muito forte,

Uma cena que a minha criança fica,

Assim,

Com raiva.

Uma criança estava descendo do Uber,

Né,

E o motorista desceu na rodoviária,

Ajudou a mãe e a avó da criança a levar as malas.

Ele foi,

Assim,

Super amoroso com a criança e as mães,

E a mãe e a avó já começou a puxar ele e gritar e,

Pelo que eu entendi,

Assim,

Ele acho que não queria ir viajar.

E logo a avó começou a ameaçar que ele ia apanhar ali na frente de todo mundo.

Então,

Assim,

Esse é um caso bem extremo,

Mas se a gente parar para pensar,

Até como nós fomos criados também,

A gente não respeita as emoções da criança,

Né?

Então é,

Ah,

Tá tudo bem,

Não,

Vai passar,

Você não é isso.

E sempre com a intenção,

Ainda que inconsciente,

De disciplinarização.

Até você falou,

Será que é possível ensinar meditação para as crianças?

Crianças são agitadas,

Correm para lá e para cá.

Então,

O que eu observo também como instrutora de yoga é que muitos pais procuram o yoga para disciplinarizar as crianças,

Disciplinarizar os corpos,

As formas de expressões,

O que eu acho que é muito triste,

Né?

Então,

A primeira coisa é super possível,

Né?

Como a avó colocou,

Desde que a gente respeite a criança,

Desde que a gente respeite as necessidades,

As vontades dela e vá incorporando isso na rotina da criança de uma forma leve.

Então,

Pode ter movimento,

Pode ter som,

Pode ter brincadeira,

Pode ser super lúdico,

Contação de história,

Né?

E fica muito mais leve,

Prazeroso e alegre para todo mundo.

Muito boas respostas,

Eu vou buscar contribuir um pouquinho também,

Seguindo nessa linha que a Thais trouxe.

Eu gosto sempre de provocar uma reflexão de que eu não quero crianças obedientes,

Eu quero crianças conscientes com autonomia de assumir as próprias responsabilidades.

E enquanto entendimento da meditação,

Eu acho interessante a perspectiva de que a meditação é um estado de presença.

A meditação não é a técnica.

A meditação é um estado de presença no qual as crianças,

Principalmente as menores,

Vivem intensamente o momento presente.

Mas a meditação também é uma percepção consciente de outro estado de presença.

Então,

Quando eu busco convidar as crianças para uma prática meditativa,

Lembrá-las que elas já estão nesse estado de presença e convidá-las a observar,

Como a Vanessa falou,

Perceber o próprio corpo.

Eu gosto muito de convidá-las a perceber as batidas do coração e,

De forma geral,

As crianças gostam disso,

De perceber a respiração e como a respiração e as batidas do coração oscilam conforme a movimentação do corpo,

Em atividades mais agitadas ou de acordo com as emoções.

Convidar as crianças a perceber as mudanças no corpo a partir dos sentimentos e que elas possam compreender o que estão sentindo.

Mas é como a Thais trouxe um convite para algo muito natural.

E,

Principalmente no ambiente escolar,

Eu acho imprescindível que esse convite seja feito de forma muito lúdica.

E aí existem diversas técnicas e abordagens que a gente pode usufruir para que seja prazeroso.

É importante que seja prazeroso e que seja um convite,

Que a criança sinta essa liberdade de poder entrar em contato com o estado no qual ela já está vivendo.

Ela ampliar a percepção da realidade,

Tanto interna quanto do ambiente no qual ela está inserida.

E,

Ultimamente,

Eu tenho buscado convidar as crianças para uma percepção que,

Para mim,

É talvez um dos caminhos mais interessantes para contribuir para uma sociedade mais saudável,

Mais equilibrada.

E que é muito natural para as crianças.

Que é lembrar que nós somos natureza.

Então eu deixaria aqui uma pergunta reflexiva de em que momento as crianças perderam o contato com o seu estado meditativo?

Mais do que ensinar ou não ensinar as crianças a meditar,

É ajudá-las a manter vivo esse estado meditativo de viver o momento presente,

Que é natural para a criança.

Em algum momento ao longo da vida a gente perde essa vivacidade de se maravilhar com o momento presente.

Nossa,

Gente,

Quantas coisas muito importantes e muito profundas.

A gente pode finalizar por aqui,

Né?

Deixar o pessoal refletindo um pouco.

Mas,

Nossa,

Acho que todos trouxeram pontos muito relevantes,

Né?

Tanto dessa ideia que a gente tem da meditação como uma coisa rígida e que para as crianças,

De fato,

Precisa ser prazeroso e lúdico e integrativo,

Com movimentos.

E o quanto que,

Às vezes,

Essa ideia que os pais,

Os professores têm disso da meditação é para manter crianças dóceis e calminhas.

Acho que esse é um ponto super importante de reforçar,

Né?

Da meditação muito mais como um lugar de autoconhecimento e dessa percepção consciente do estado de presença,

Que o Rafa colocou,

Do que como uma técnica para acalmar,

Né?

Que,

Inclusive,

Tem sido algo que a gente tem feito muito,

Né?

Que tem se popularizado muito entre adultos por conta dessa mania de ansiedade que a gente tem vivido,

Né?

E aí é como se a gente só reproduzisse isso em cima das crianças.

Então,

Acho que para quem quiser,

Volta de novo para escutar,

Né?

Porque acho muito importante tudo isso.

E aí,

Pensando nessa criação,

Né?

Do hábito de meditar,

Na implementação da meditação como uma atividade frequente para as crianças,

O que vocês acham que é mais importante para a criação do hábito?

Tem alguma coisa que vocês querem apontar nessa direção?

Acho que enfatizando isso que a gente falou e alguns mestres,

Né?

Trazem isso,

Se não me engano,

Rinpoche,

Do prazer.

E serve para a gente também,

Né?

Se é para sentar ali como uma criação e ficar quietinho,

Se martirizando,

Não vá,

Não vá,

Né?

Então,

Seja prazeroso para criança,

Que seja um momento que ela goste tanto de fazer aquilo,

Que incorporar na rotina é leve,

Né?

De novo,

Falando desse lugar como o Rafael trouxe,

Que é tão comum para as crianças,

Né?

A leveza,

A ludicidade,

O prazer,

A brincadeira,

O faz de conta.

Então,

Eu penso que isso,

E lembrando outro aspecto importante também,

Né?

Que a Gabi acabou trazendo,

A importância da rotina para as crianças,

Né?

Para que elas possam se organizar internamente.

E aí,

Tem vários recursos,

Né?

Para auxiliar a criança a organizar a sua rotina de forma que ela também participe dessa organização mesmo do dia dela,

Né?

Bom,

Falando um pouquinho dessa questão da rotina,

Eu vou falar de um lugar que eu tô na escola.

Então,

Isso que a Thais trouxe também,

Que é importante,

Dessa não disciplinar o corpo,

Né?

Mas assim,

A primeira coisa que eu coloco na rotina é a meditação.

Então,

As crianças sabem que o dia vai começar com a meditação.

Depois a meditação tem um alongamento,

E depois a gente vai para conteúdos escolares,

Assim.

E aí,

Voltando num ponto que o Rafa falou que é importante,

A meditação,

Comigo e com as crianças,

É um convite.

As crianças não são obrigadas a meditar.

Tem um combinado que a gente faz,

Que as crianças que não querem meditar,

Elas só vão ficar em silêncio,

Para não atrapalhar quem está fazendo a meditação.

E claro que tem dia que a gente faz meditação com música,

Que a gente faz dançando,

Porque é muito importante,

Né?

Que tanto Thais e Rafa trouxeram,

E a Gabi também,

É a presença.

Então,

Que nem assim,

Acho que a gente vai falar isso ao longo da nossa conversa aqui,

Mas a meditação,

Pelo menos para mim,

Ali na escola,

Ela tá acontecendo o período todo.

Então,

Por exemplo,

Eu chamo para as crianças fazerem uma atividade com presença.

Ah,

Eu tô fazendo uma atividade de matemática.

Bom,

Mas eu tô ali,

Então eu não tô pensando que daqui 20 minutos vai ser um intervalo,

Qual vai ser a atividade que vai vir depois,

Que é o que a gente faz enquanto adulto,

Né?

Que quer fazer.

Então,

Assim,

Eu tô comendo e eu nem tô sentindo o gosto do que eu tô comendo.

Então,

Eu tenho colocado isso para as crianças e a gente tem dialogado bastante sobre isso.

Por isso que eu falei que a gente tem uma atividade de primeiro,

Lá conhecendo o corpo.

E aí,

Eu acho que essa coisa da rotina,

As crianças vão se habituando e se acomodando com esse momento.

Então,

Tem um aluno meu,

Que é o João,

Ele chega de manhã e ele fala assim,

A gente vai fazer aquele negócio que é a calma,

Que é para deixar o dia assim.

E aí,

Agora a gente já sabe.

Ah,

A gente vai fazer a meditação.

E essa coisa que o Rafa falou,

Que eu achei super importante,

Que a gente vai lembrando,

Né?

Enquanto escutando outro,

Assim,

Da contemplação,

Que é bem isso,

Né?

As crianças são contemplativas o tempo inteiro e a gente vai se esquecendo,

Né?

Então,

Assim,

Você pode meditar andando no jardim,

Assim,

E sei lá,

Atento às folhas,

Ao barulho que você faz.

Então,

A meditação que eu fiz hoje,

Por exemplo,

Com as crianças era,

Vamos escutar a respiração.

Aí,

Depois que eu falei isso,

Eu falei,

Gente,

Que louca,

Né?

Escutar a respiração,

Mas era isso mesmo,

Porque era escutar o corpo,

Como é que estava ali.

E vai dando certo,

Assim,

A gente vai fazendo essa doideira na rotina.

O que eu tinha para contribuir,

O principal,

A Thais e a Vanessa já colocaram muito bem,

É esse equilíbrio entre ter uma rotina e incluir,

De forma prazerosa,

A prática meditativa na rotina.

Para a criança é muito importante,

Né?

Ter esse ritmo,

A criança perceber e ir incorporando isso.

E,

Ao mesmo tempo,

O convite contínuo,

Né?

Constante.

Em cada atividade,

É possível convidar a criança para perceber,

De forma mais consciente,

O momento presente.

E uma outra coisa que eu acho interessante também incluir,

Que isso serve não só para o ambiente escolar,

Né?

Mas para quem também tem criança em casa.

E eu sempre ouvi falar que o exemplo é a melhor forma de aprendizado.

Mas hoje,

Eu acredito que o exemplo não é apenas a melhor forma,

É a única.

Então,

Para criança desenvolver o hábito de praticar a meditação,

É importante que ela conviva com o exemplo.

Que ela tenha referência de pessoas,

Que ela perceba a importância desse estado de presença,

Dessa qualidade da presença,

Que pode ser bastante enriquecida com as práticas que a gente faz.

Só complementando uma coisinha que o Rafa falou,

Dessa questão do exemplo.

E aí é um bate-papo,

Né,

Gabi?

Então,

A gente vai falando tudo junto.

E a professora adora falar.

Mas eu não vou me lembrar quem,

Mas era um educador,

Que infelizmente eu esqueci,

Mas ficou marcado.

Eu levo na vida.

Ele fala assim,

Toda atividade que você for oferecer,

Você faça antes e você pratique.

Então,

Por exemplo,

Eu faço a meditação com as crianças.

Então,

Isso é muito importante.

Porque não é assim,

Ah,

Vamos fazer a meditação,

E aí você dá orientação e fica ali de fora.

Então,

Eu sento com as crianças,

Faço todos os exercícios.

Às vezes a gente faz deitado,

Então eu deito junto.

E aí,

Isso muda muito a relação,

Que eles também trazem essa presença.

E aí é muito legal,

Porque tem criança que fala assim,

No começo meio,

Falando,

Ah,

O que que é isso,

Né?

Vou fazer isso,

Como é isso?

Ah,

Vou ficar aqui de olho fechado.

Mas aí elas vão vendo o que você tá fazendo junto,

Assim.

Estão pensando nisso.

Para as famílias,

Por exemplo.

Ah,

Você tem que se acalmar,

Você tem que,

Sei lá,

Prestar atenção nas suas emoções.

Mas eu não,

Né?

Tô falando com o meu filho,

Tô falando com as crianças,

Olhando a tela do celular,

Tô fazendo uma outra coisa.

Enfim,

É importante isso mesmo.

E acho interessante também,

Depois das práticas,

Desses momentos mais,

Assim,

Entre aspas,

Formais,

Né?

Que a gente para para fazer uma prática,

Uma técnica.

É interessante depois abrir uma roda de conversa,

Para as crianças falarem como foi,

Como elas se sentiram,

O que que elas estão percebendo,

Como que modificou o batimento cardíaco,

A respiração,

Os sentimentos.

Após a prática,

Como vocês estão se sentindo?

Acho que essa abertura para a criança poder falar,

Poder se expressar livremente também enriquece muito a prática,

Né?

De forma geral,

Principalmente no ambiente escolar,

Infelizmente,

Em batimentos,

As crianças não têm a liberdade de simplesmente falar o que pensam e o que sentem.

Então acho que associar esse convite a uma expressão mais livre e autêntica do que a criança tá vivenciando junto ou após uma prática meditativa também ajuda bastante.

Outra coisa que eu comecei a pensar aqui é que essa questão,

Né?

De organizar uma rotina de forma criativa,

Flexível e leve é uma aprendizagem,

Assim,

Que nós adultos precisamos urgentemente,

Né?

Também eu me lembrei de um relato de uma aluna essa semana que ela falou a adulta.

Ela falou,

Ah,

É porque eu organizei o que eu tinha para fazer e aí,

Obviamente,

Eu não dei conta,

Porque eu coloquei tarefa demais no dia e aí eu deito para dormir,

Fico pensando nas coisas que eu não fiz,

Será que vai dar tempo fazer amanhã?

Então é outra aprendizagem importantíssima para as crianças,

Né?

A gente relembrar que pode ser flexível,

Que a gente não tem o controle de nada e aí a gente consegue também ir trazendo,

Vou falar do yoga porque é a minha experiência,

Né?

Os próprios princípios do yoga para a meditação,

Para o cotidiano da criança para que ela vá compreendendo também a importância do que ela tá fazendo.

Gente,

Essa fala da Thaís,

Da aluna adulta dela,

Me fez lembrar da minha sobrinha,

Que ela tem três anos e aí ela brinca de várias personalidades,

Né?

E aí ela tem uma personalidade que ela chama de Duda,

Que vem de adulta e aí essa personalidade Duda dela é uma pessoa que já trabalha,

Que é super preocupada,

Assim,

Com o que tem para fazer,

Né?

Porque ela tá sempre vendo as pessoas de perto trabalhando,

Então a Duda tá sempre trabalhando ali porque tá falando no celular e tá andando junto e olha só como as crianças captam isso,

Né?

Então acho que isso do exemplo vir de perto,

De fazer junto,

De ter uma disciplina,

Uma rotina é muito importante,

Né?

Que nessa brincadeira ela já tá mostrando tudo que ela vê,

Né?

E tudo que ela acredita que é o ser adulto.

E aí pensando nisso,

Eu já tentei trazer alguns exercícios de meditação com ela,

Até porque ela é bem agitada,

Né?

Então eu falo assim,

Ah,

Senta aqui na almofadinha de respirar,

Vamos fazer uma respiração profunda,

Respiração da abelhinha e tal.

Às vezes ela aceita,

Às vezes não,

Às vezes ela quer ficar na agitação mesmo,

Né?

E aí queria saber se vocês acham,

Da experiência de vocês,

Se tem alguma idade mínima,

Assim,

Pra começar a fazer algum exercício de meditação?

Ah,

Gabi,

Muitos referenciais teóricos trazem algumas orientações,

Né?

Em alguns deles é citado,

Por exemplo,

A idade acima de 8 anos como uma idade mais,

Que a criança tem uma formação fisiológica já mais madura pra desenvolver algumas práticas,

Principalmente quando a gente modifica a respiração,

Faz controle intencional de ritmo respiratório.

Mas dessa forma que a gente tá falando,

Nessa compreensão de meditação,

Que é o que eu acredito e venho buscando praticar comigo e com as crianças,

Eu não vejo restrição de idade pra esse convite lúdico,

Pra esse convite a uma percepção de si,

A uma percepção do ambiente,

Eu acho que quanto mais cedo,

Desde que seja sempre com esse respeito,

Com essa leveza,

Esse convite prazeroso,

Eu não vejo restrição pra oferecer à criança essa oportunidade.

Isso,

Eu concordo muito com o Rafael.

Ano passado,

A mãe de uma criança me procurou pra fazer aula de yoga,

E ele tinha 3 anos,

E eu nunca tinha dado aula pra criança nessa faixa etária.

E aí a mãe falou,

Não,

Ele faz desde os 2 anos,

Ele já morou em outro país também,

Né?

E aí eu falei,

A gente pode tentar ver como que vai ser,

E tem sido bem bacana assim,

Desse lugar também,

Né?

Que a gente tá lembrando assim,

Do lúdico,

E acho que entra assim,

Nas primeiras reflexões que a gente trouxe aqui.

De um lugar de respeito e de amorosidade,

Tudo cabe,

Né?

A gente trazendo essa consciência,

Ensinando mesmo,

Né?

Porque a criança,

Ela aprende o que a gente ensina,

Seja verbalmente ou não.

Bom,

Gente,

Eu vou falar depois dos dois especialistas,

Professores de yoga,

E vou falar aqui na minha prática,

E também concordo com eles,

E na minha experiência,

Assim,

Embora eu estude,

Mas assim,

Eu vejo que tem muito isso da percepção,

Né?

Do corpo,

Assim.

Então,

Desse convite,

Como a Thais disse,

Essa coisa do respeito,

Assim,

Que o Rafa falou,

Da leveza,

Né?

Então,

Que nem eu já fiz exercícios,

Assim,

Que era deitar com as crianças,

E pôr uma pedrinha em cima da barriga,

Pra acompanhar a respiração,

Assim.

Então,

Só é isso,

Assim.

Nossa,

Tô respirando,

Como tá meu coração?

Tá batendo rápido ou tá batendo mais tranquilo?

Ah,

Quando eu tô com medo,

Quando eu tô ansioso,

Tá mais rápido ou tá mais tranquilo?

Como é que é isso pra mim?

O que que eu tô sentindo agora?

Se eu tô muito ansioso,

Como é que tá minha respiração?

Então,

Acho que dentro desse convite amoroso,

Respeitoso,

A gente consegue transitar aí por todas as idades,

Né?

E acho que é trazendo isso.

Como é que eu tô olhando pra mim?

E aí,

Com o passar do tempo,

A gente vai aprofundando,

Né?

A Vanessa já deu um spoiler aí pra onde a gente tava seguindo,

Né?

E eu sei que vocês já comentaram um pouco das práticas que vocês já fizeram,

Mas eu acho que se vocês quiserem trazer mais alguma coisa com relação a exercícios que vocês indicam,

Que vocês acham interessante,

Né?

Acho que dá pra complementar um pouquinho,

Caso vocês queiram.

Eu gostaria de compartilhar a minha experiência na PAE.

Eu acho que foi muito rica.

Foi bem desafiadora pra mim,

Né?

A primeira turma que eu tive,

Acho que a criança mais nova tinha oito anos,

E o mais velho tinha a minha idade na época.

Vinte e seis.

Acho que era vinte e seis.

E aí,

Eu tive essa ideia,

Porque,

Assim,

Eram as crianças,

Elas dessa escola onde eu trabalhei,

Né?

Na PAE,

Elas vinham de um contexto de muita vulnerabilidade social,

Muita violência,

Naturalizada até.

Então,

Eu pensei,

Né?

Nossa,

Acho que o ioga poderia ajudar.

E aí,

Assim,

Sem recursos,

Né?

Quem trabalha aqui em escola pública sabe bem como que é.

Mas eu falei,

Não,

Né?

Se eu acredito mesmo que o ioga é pra todos,

Por que não?

E aí,

A minha coordenadora pedagógica na época sugeriu da gente fazer na sala de fisioterapia,

Né?

A gente pegava os colchonetes da educação física,

Né?

Empurrava as coisas.

Gente,

Eu saí super chateada,

Porque as crianças queriam fazer tudo,

Menos prestar atenção no que eu tava falando.

Porque elas estavam num ambiente novo,

Pensa,

Uma sala de fisioterapia com vários equipamentos que deviam ser super legais pra elas.

E aí,

Essa coordenadora que eu tive na época,

Ela,

Vai dar certo,

Vai ser lindo.

E eu falei,

Gente,

Como que eu vou conseguir enxergar isso?

Eles mal me escutaram.

E aí,

A gente testou na sala de aula,

Então empurrava todas as carteiras,

Colocava os tapetes lá.

E aí,

Foi indo assim,

Né?

Desse lugar de muita aprendizagem pra mim.

Eu tive que aprender a escutar as necessidades daquelas crianças naquele momento.

E aí,

Eu fui me adaptando,

Né?

E trazendo pra elas.

E como que isso refletiu,

Né?

No cotidiano escolar.

Eles começaram a se relacionar melhor entre eles e comigo.

Então,

Tinha um aluno que ele cuspia na minha cara,

Me batia.

E aí,

Ele criou um vínculo muito forte comigo,

Muito forte,

Assim.

E chegou um momento em que a gente teve até que trocar ele de sala.

Porque ele começou a transferir um lugar de mãe pra mim,

Né?

Porque ele não tinha essa referência materna.

Então,

Foi avó alcoólatra,

Enfim,

Né?

Vários moradores de rua na casa dele.

Então,

Foi a primeira vez que eu acho que ele se sentiu amado e acolhido,

Né?

E aí,

Dentro das condições dele,

Acabou entrando nessa relação de transferência.

Mas o que me tocou muito foi o potencial que o yoga.

.

.

E aí,

Quando eu falo de yoga,

É a meditação também,

Né?

O estado de consciência que é o yoga,

De unir mesmo,

Né?

De relembrar a nossa essência,

De relembrar o que eu faço.

Reverbera no outro também.

Isso foi muito lindo.

Vou emendar aqui,

Ó.

Bom,

Professor e professor sempre tem um monte de história pra contar,

Né?

Então,

E aí eu vou pensar em compartilhar algumas experiências,

Assim como a Thaís disse,

Mas que não necessariamente é um empecilho.

Nem sempre a gente tem recursos,

Né?

Em escolas,

Ou mesmo pensando em quem tá em casa,

Né?

Não necessariamente vai ter um ambiente,

Às vezes vai fazer.

.

.

Ah,

Não consigo fazer,

Não tenho tapetinho de yoga,

Não tem.

A gente dá pra fazer em qualquer jeito,

A gente vai adaptando e vai fazendo.

Eu faço numa sala de aula que tem carteiras,

Então não tem tapetinho,

As crianças fazem na cadeira,

Às vezes as crianças não alcançam os pezinhos,

Então sabe aquela coisa da postura?

Ah,

A gente adapta tudo.

E uma coisa que é importante,

Que a gente já falou aqui,

Mas eu acho que é assim,

Pra mim a meditação tem muito a ver com como eu me relaciono,

Né?

Comigo,

Como eu me relaciono com as minhas emoções,

Com o que eu tô sentindo.

Então,

Não dá pra gente pedir pras crianças prestarem atenção nisso,

Se a gente não presta atenção nisso primeiro,

Assim.

Então,

Acho que é uma coisa que a gente tem que fazer isso pra também conseguir fazer meditar com elas.

Então,

Por exemplo,

Não adianta você falar assim,

Ah,

Vamos meditar aqui pra você se acalmar,

E aí o adulto tá lá olhando no relógio,

Tá agitado,

Fica balançando o corpo.

Isso não quer dizer que vai ficar estático,

Assim,

Né?

Ainda mais com criança,

Mas pensando nisso,

Assim.

Então,

Eu acho que uma coisa que eu fui fazendo ao longo desses anos,

Assim,

E teve turma que deu certo,

Teve turma que não deu.

Eu,

Escutando a Thaís na sala de fisioterapia,

A primeira vez que eu fiz,

Eu também fiquei muito frustrada.

Porque imagina,

Deu 30 segundos,

As crianças estavam em outro lugar,

Na janela,

Pendurada.

E aí você fala,

Não,

Tudo bem.

É criar também um hábito,

É trazer,

É fazer uma pausa.

Então,

Tem isso,

Assim.

De sentar,

Encher bexiga,

A Thaís sabe essa coisa,

É inspirar.

Imagina que eu tô assoprando uma vela,

Depois nessa coisa assim,

Vamos escutar o nosso corpo,

Vamos escutar a respiração.

Teve um exercício que eu fiz que é muito legal,

Que aí os dois que são especialistas aí,

Não necessariamente isso é uma técnica,

Mas é essa coisa que a gente vai inventando enquanto professora.

Aí teve um dia que eu tirei as carteiras,

Assim,

E as crianças recebiam,

Uma criança recebia um copo com água e a outra sem água.

E aí elas iam andando pela sala,

Fazendo movimento,

Então tinha uma música.

E aí na hora que eu parava a música,

As crianças tinham que parar,

E a criança que estava com o copo d'água tinha que transferir a água para a criança que estava sem água e não podia derrubar.

Então tinha essa coisa de prestar atenção,

Como é que eu vou levar meu corpo,

Qual é a criança que está sem água.

Porque tinha criança que colocava água na criança que já tinha água.

Enfim,

Tudo isso.

E aí,

Ao longo do.

.

.

E depois de coisas que dão certo,

Coisas que não dão certo,

Mas o que é muito legal de ir vendo,

Então tinha,

E principalmente estou falando-se de escola,

E que eu acho que é importante a gente pensar nisso em casa,

Com as famílias,

Ou com quem as crianças vivem,

Que quando a gente vai proporcionando momentos que as crianças possam prestar atenção em si,

Parar no seu corpo,

Elas conseguem identificar como é que elas estão se relacionando.

Então,

Uma coisa que acontece muito em escola,

Sei lá,

Duas crianças brigam,

Ou se chateiam,

Acontece alguma coisa,

Às vezes a gente tem a prática de falar assim,

Pede desculpa para o seu amigo,

Mas a criança está com raiva,

Ela não quer pedir,

A outra não quer pedir desculpa naquele momento,

A outra não quer receber,

E o que é muito pior,

Às vezes a gente fala assim,

Dá um abraço no amigo,

Não,

É o corpo da criança,

Ela não quer ser tocada,

Acho que a meditação traz muito isso da presença.

Então,

Uma coisa que eu fui vendo,

De turmas que eu trabalhei,

Às vezes as crianças diziam assim,

Olha,

Eu não quero conversar com você agora,

Agora eu estou irritada,

Agora eu estou brava,

Ou assim,

Aí duas crianças brigavam.

Eu falava assim,

Você quer ouvir o que ele tem a falar agora?

Aí a criança falava assim,

Não,

Agora eu estou muito chateada,

Depois eu vou ouvir,

E é legal,

Porque aí eu fui fazendo isso com eles também.

Então,

Tem dia que eu falo assim,

Olha,

Hoje eu estou um pouco de mau humor,

Então a gente vai ter que negociar aqui como é que a gente vai se relacionar hoje.

Olha,

Hoje o limite passou,

Então isso é muito legal,

Que é a meditação,

Então,

Não necessariamente só pensar nessa questão que a meditação é sentada em silêncio,

Ou uma outra coisa que eu falo que é para as crianças é,

Olha,

Não quer dizer que eu não vou pensar em nada,

Não,

Eu vou pensar em tudo,

A gente não vai parar de pensar,

A cabeça não vai sumir tudo,

Mas como é que a gente lida com tudo isso que está passando aqui dentro?

Falei bastante,

Né?

Muito bom.

Eu concordo com o que a Thaís e a Vanessa trouxeram,

Acho que é muito importante olharmos para essa versatilidade das práticas meditativas,

Principalmente quando falamos de meditação para crianças,

E o professor,

O pai,

O adulto que estiver junto com as crianças,

É importante essa abertura de ter a flexibilidade de adaptar de acordo com a realidade,

De acordo com o grupo,

De acordo com a criança,

De acordo com o momento.

Então,

Deixar também a nossa criatividade fluir para perceber o que é possível ser colocado em prática em cada contexto.

Eu tive outras experiências antes,

Eu comentei mais da minha experiência recente como professor na rede municipal,

Mas em anos anteriores eu tive a experiência de trabalhar também com oficinas em escolas em outros municípios de contexto de bastante vulnerabilidade social,

Econômica,

Com crianças mais velhas,

Adolescentes,

E também tive um projeto aqui em Lagoinha com crianças fora da escola,

No contraturno eu oferecia,

E aí eram crianças de idade mais diversificada,

E em cada contexto senti e coloquei em prática abordagens diferentes,

E de acordo com o que as próprias crianças demonstravam interesse,

Traziam a cada momento,

E de forma geral,

Acho que a Thais e a Valência já colocaram as principais abordagens e práticas que eu também busco trabalhar.

Gosto muito de convidar as crianças a perceber o próprio corpo e gosto da ideia de agitar o corpo antes de percebê-lo,

Ou melhor,

Perceber o corpo no momento e aí agitá-lo,

Propor alguma brincadeira,

Alguma dinâmica,

Gosto muito da ideia de danças,

Sejam danças de rodas circulares,

Ou danças mais lúdicas,

Que trabalhem bastante movimento,

E aí o Yoga para Crianças traz várias brincadeiras musicadas,

Que ajuda a acelerar o metabolismo,

E aí depois perceber como ficou a respiração,

Como ficou o batimento cardíaco,

E a ideia que a Vanessa falou,

Que eu acho muito importante,

Que para mim é a base da meditação,

Que meditação não é não pensar em nada,

Mas é a capacidade de perceber a distração e intencionalmente convidar a atenção de volta para o momento presente.

E isso então a gente pode fazer com as crianças o tempo todo,

Em qualquer atividade,

Em qualquer momento,

E envolver diversas brincadeiras nesse convite da percepção de será que eu estou atento,

Ou que eu tinha a intenção de permanecer atento,

Ou será que eu me distraí?

E se eu me distraí,

Que bom que eu percebi,

Não é ruim,

Não é errado,

Que bom que eu percebi,

Eu percebi e eu tenho a oportunidade de trazer a minha atenção de volta para aquilo no qual eu assumi comigo mesmo,

Que era a minha intenção de estar focado.

E a questão que a Vanessa trouxe,

Que eu acho muito importante,

Principalmente em ambiente escolar,

Que é a questão dos conflitos,

Que são inevitáveis e não devemos temê-los,

Não devemos evitar os conflitos,

Eu queria trazer aqui apenas como sugestão para quem tiver interesse no tema de buscar outros estudos que complementam bastante essa nossa conversa,

Que é os estudos e técnicas de mediação de conflitos,

De justiça restaurativa e principalmente da comunicação não violenta,

Que eu acho que tem muito a contribuir com o ambiente escolar e com essa abordagem de cultura de paz,

De meditação para as crianças,

Com esse respeito muito importante das crianças serem ouvidas,

Serem respeitadas e de não serem obrigadas a fazer nada no campo afetivo que não seja de fato significativo e sincero para elas.

Então eu acho que associar momentos de conversa trazendo os princípios da comunicação não violenta,

Praticando a escuta,

A empatia e a abertura para a autoexpressão junto com as práticas meditativas é bastante enriquecedor.

Eu queria complementar com duas práticas que eu gosto bastante de usar com as crianças,

Que é convidá-las para a percepção auditiva,

Para ampliar a percepção auditiva,

Para perceber os sons mais distantes,

Mais baixos e também os sons mais próximos e mais altos sem julgamento,

Sem discriminar,

Sem classificar o som como bom ou ruim,

Mas ampliar essa percepção auditiva e com essa prática a gente pode convidar as crianças a perceberem o silêncio,

Mesmo nos ambientes mais ruidosos o silêncio se faz presente e aí convidar as crianças a perceber o silêncio que está por trás,

Que está para além do ruído,

Que está para além do som.

É uma prática também que para mim tem sido muito legal e as crianças geralmente gostam de perceber o som,

De brincar,

Por exemplo,

Das crianças fecharem os olhos e a gente pegar uma chave,

Um pedaço de madeira,

Um plástico que faça barulho e aí combinar com as crianças que quando elas perceberem o som elas vão associar com um movimento,

Com uma postura e aí de olhos fechados elas tem que conseguir perceber qual é o som e fazer o movimento,

Também ajuda a ampliar a habilidade da percepção auditiva que está diretamente conectada à percepção do silêncio.

E outra prática que eu gosto muito,

Mas que nem sempre é possível é de convidar as crianças para um ambiente onde haja mais elementos naturais ou se possível um ambiente mesmo natural,

Não é um ecossistema e contemplar de olhos abertos os elementos do ambiente natural percebendo a mudança,

O movimento,

Porque eu acho muito legal associar com a meditação a percepção de que tudo está se transformando,

Inclusive nós mesmos,

Nada é fixo,

Nada é permanente,

Nada é estático,

Tudo está em constante movimento e a criança perceber isso de preferência nos elementos da natureza ajuda também a lembrar que nós também somos natureza e a maioria dos adultos parece que esqueceram disso,

Mas as crianças sabem que elas são natureza.

Então ajudar as crianças a lembrar que elas também são animais,

Que elas fazem parte da natureza,

Que elas têm tudo que a gente observa também está dentro de nós mesmos e poder trazer essas reflexões enriquece muito e eu tenho gostado de convidar as crianças para essa percepção.

Muito bom.

Estou achando muito rico a gente compartilhar aqui,

Porque a gente vai tendo várias ideias,

Né?

Só complementando o que o Rafa falou,

Eu gosto bastante também de relembrar que a meditação não é ausência de pensamentos,

Como diz a monja Kony,

A ausência de pensamentos é morte encefálica.

Mas a gente relembrar também de que a meditação nos auxilia a voltar para o momento presente e a perceber que nós não somos os nossos pensamentos.

Eu achei bem interessante,

Porque na semana passada,

Um aluno meu de 11 anos,

Naquela fase assim de já não se reconhecer criança,

Adolescente,

Ele chegou assim,

Ele sentou,

Ele falou,

Ah Thais,

Eu sou muito ansioso.

E ele faz aula online,

A primeira aula que ele fez foi uma aula presencial,

Porque os avós dele moram na mesma cidade que eu,

Aqui em São Carlos,

E ele mora em Ilha Solteira,

Então ele fez a aula junto com o pai,

Adorou,

E aí a gente ficou de fazer o teste no online,

Gostou,

Estamos há um ano já,

E aí sempre que ele vem para São Carlos,

Ele pede para fazer o presencial,

Né?

É.

.

.

E aí,

Na semana passada,

Ele estava aqui,

Então ele chegou,

Ele me contou,

E quando os pais dele me procuraram,

Ele estava com o diagnóstico,

Né,

De transtorno de ansiedade,

Acho que ele tinha tido algumas crises de madrugada,

E muita dificuldade para dormir.

E hoje,

Eu não consigo mais nem dar tchau para ele na prática,

Porque ele sempre dorme no relaxamento.

E aí,

Quando ele chegou e falou assim,

Ah,

Eu sou ansioso,

Eu falei,

Ah,

Você é ansioso?

Eu falei,

Você está ansioso agora?

Ele falou,

Não.

Eu falei,

Você está ansioso quando acaba as aulas e você está dormindo?

Ele falou,

Não.

Eu falei,

Então,

Você não é ansioso,

Em alguns momentos,

Você está,

Você fica ansioso,

Mas isso não define você.

E aí,

Ele pensou assim,

Né,

Ele falou,

Nossa,

É verdade.

Então,

Como é possível,

Como o Rafael colocou,

Ensinar conceitos profundos,

Como o da impermanência,

O da identificação com a mente,

Também dessa forma didática para as crianças?

Ai,

Gente,

Eu tive uma experiência tentando ofertar meditação para crianças,

Que foi tipo uma extensão do projeto Presença com crianças.

Tem um lugar aqui em São Carlos que acolhe crianças em vulnerabilidade social,

Elas passam um período do dia lá.

A gente foi,

Não,

Vamos passar a meditação para as crianças.

Ai,

Gente,

Foi um caos,

Foi um desastre.

Mas se eu tivesse ouvido essa conversa lá no passado,

Teria sido bem melhor.

Quando a gente viu que as crianças não iam parar quietas para meditar e tal,

Igual a gente consegue fazer,

A gente resolveu levar algumas atividades mais sensoriais,

Né.

E aí,

Uma delas foi que a gente vendava as crianças e ia colocando pequenos objetos diferentes,

Assim.

Então,

Tinha concha,

Tinha objetos de metal,

E a gente colocava na mão delas e elas ficavam lá exercitando o tato,

Tentando adivinhar o que era.

E aí,

É bem legal também,

Né,

Da gente ir puxando essa consciência corporal,

Essa presença.

Então,

Essa é a única experiência que eu tive e a única dica que eu tenho para dar,

Que eu acho que é bem interessante também.

E eu acho que já puxando,

Assim,

Mais para os encaminhamentos,

Queria saber,

O Rafa falou da comunicação não violenta,

Da justiça restaurativa e tal,

Mas mais para o lado,

Né,

Para quem está ouvindo e não é pedagoga,

Nem tem experiência com ioga,

Se eles quiserem procurar algum material,

Né,

Disso que vocês estão falando,

Mais didático,

De meditação,

Ou mesmo dessa cultura de paz,

O que vocês têm para indicar?

E aí,

Pode ser livro,

Pode ser um aplicativo,

Pode ser um conceito que o pessoal pode buscar e se aprofundar.

Acho que tudo é válido.

Gente,

Eu não sei falar de aplicativo,

Mas eu acho que o Rafa e a Thaís,

Eu acho que o Rafa e a Thaís,

Eu acho que o Rafa e a Thaís,

Eu acho que o Rafa e a Thaís,

Eu acho que o Rafa e a Thaís,

Eu acho que o Rafa e a Thaís,

Eu acho que o Rafa e a Thaís,

Eu acho que o Rafa e a Thaís,

Eu acho que o Rafa e a Thaís,

Eu acho que o Rafa e a Thaís,

Eu acho que o Rafa e a Thaís,

Eu acho que o Rafa e a Thaís,

Eu acho que o Rafa e a Thaís,

Eu acho que o Rafa e a Thaís,

Eu acho que o Rafa e a Thaís,

Foi um desastre e tal,

E não necessariamente porque assim,

Eu não sei se isso cabe depois,

O Rafa e a Thaís vão poder me ajudar aqui nessa fala,

Que eu fico pensando,

E claro a Gabi também que está aí com o projeto Presença,

Que talvez a meditação não precise ser uma coisa tão rígida porque tem dias que a gente não está bem mesmo para sentar e meditar,

Então talvez a gente precise fazer outras coisas.

Então uma coisa que me ajuda muito com as crianças também,

Que foi uma coisa que eu fiz,

Que foi o Diário das Emoções,

Então primeiro eu conversei com as crianças sobre as emoções e sobre os sentimentos,

Então tem raiva,

Tristeza,

Amor,

Saudade,

Paz,

Então a gente fez uma conversa e elas têm esse diário,

Na pandemia eu não consegui fazer sobre isso,

Então elas também vão lá e anotam as coisas lá,

Então quando a Thaís pensou em material,

Ela fez um livro,

É um pequeno livreto da editora Pensamento,

Que é o da criança interior,

Eu gosto muito,

É um baralho de cartas,

E tem uns livros e a gente retira as cartas e cada carta tem um sentimento,

Uma emoção,

Alguma situação,

Isso me ajuda a meditar também com as crianças,

Então ela tira,

E tem um livro agora que é Eu Me Conhecendo por Dentro,

Eu acho que é da companhia das letrinhas,

Que vai falar sobre meditação para as crianças,

É uma criança que vai visitar o Japão e a�� conversa com uma senhorinha sobre meditação,

É o que eu lembrei agora da Gabi perguntando isso.

Nessa área da comunicação não-violenta,

Tem também a Elisama Santos,

Que ela estuda a questão da educação não-violenta,

E ela traz várias orientações para a família também,

Isso é muito importante,

Porque o convite e o presente que as crianças oferecem para a gente é nos conhecermos,

As crianças estão trazendo essa necessidade o tempo todo,

Então quando uma criança está manifestando uma emoção,

Por que a maioria dos adultos reprimem?

Porque não consegue acolher em si aquela emoção,

E se não acolhe em si,

Como é que vai acolher do outro?

Então,

Acho que é super importante a gente buscar material,

Referências,

Mas se permitir também passar pela prática,

Buscar alguma orientação,

Algum grupo de meditação,

Ir aprofundando.

Recentemente eu participei de uma reunião aqui,

De professores do município,

E aí fui convidada para falar justamente sobre isso,

Sobre a meditação,

As professoras queriam incorporar na rotina deles escolar,

E ao final da conversa,

O que a maioria das professoras chegaram e falaram nossa,

A gente nem sabia o que era meditação,

Acho que a gente precisa passar por esse processo antes de passar para as crianças,

Falei gente,

É isso,

E isso é um convite para uma transformação muito profunda,

Muito profunda,

E enfim,

Que bonito,

Quando a gente se permite ouvir e acolher os ensinamentos que esses mestres,

Na parteria da tradição,

A gente chama até esses bebês que já chegam ensinando dentro do útero de mestres,

Estão vindo.

Gabi,

Eu poderia citar aqui muitas referências,

Materiais,

Sugestões,

Mas eu acho até um pouco difícil selecionar,

Dentre tanta coisa disponível que existe,

E não quero deixar de mencionar coisas que eu considero muito importantes,

Mas que talvez eu não lembre nesse momento,

Mas eu quero reforçar o que nós já mencionamos aqui em outros momentos,

A importância da referência,

Do exemplo,

Então,

Talvez adultos que queiram se aprofundar para contribuir no sentido de oferecer oportunidades para as crianças vivenciarem práticas de meditação,

De cultura de paz,

Talvez seja interessante o adulto buscar se aprimorar,

Não apenas buscar estudar materiais que vão trazer dicas e técnicas de como trabalhar com as crianças,

Mas primeiro o adulto aprimorar a sua própria prática,

O adulto buscar assumir uma rotina,

Um compromisso e se dedicar ao seu autoconhecimento,

E aí naturalmente vai estar contribuindo muito,

Não apenas com as crianças,

Mas com todos os seres humanos e os seres vivos que convivem,

Porque através da nossa.

.

.

O nosso maior legado é a nossa vida,

O nosso exemplo prático no dia a dia,

Mas pensando em dicas mais referenciais para essa nossa conversa,

A Elisama Santos era uma que eu ia citar,

E já trouxe,

Eu acho muito legal,

Porque além de trabalhar também no autoconhecimento,

Na reflexão para o adulto,

Ela traz muita experiência e compartilha muitas dicas de como lidar com as crianças,

Tanto em casa como na escola,

Através de uma educação pautada na não-violência.

Olhando para o yoga,

Tem muito material bom disponível de yoga para crianças,

Para quem quer um referencial mais teórico,

Mais técnico,

Eu acho que a minha principal referência é a Micheline Flack,

Tem um livro dela de Yoga na Educação,

Integrando Corpo e Mente,

Que é muito bom.

Gosto também das abordagens lúdicas,

Tem muitos projetos,

Eu não estou lembrando agora de todos para citar,

Mas tem dois,

Que é Yoga com Histórias,

Que tem muito material disponível,

Inclusive na televisão,

Eles já veicularam pequenos episódios,

Tem livro e tem material disponível no YouTube,

E o Yoga com Música,

Também,

Da Crispitanga,

É um projeto também muito legal,

Traz bastante material lúdico,

Que sugere brincadeiras de como convidar as crianças para essa forma prazerosa de entrar em contato com a percepção consciente do momento presente.

Gente,

Olha a potência disso que a gente está falando,

Vocês todos comentaram sobre ser o exemplo e começar a transformação de dentro,

Nós adultos,

E fazer essa transformação interior,

Esse autoconhecimento,

Para depois passar para as crianças,

E no fim acaba sendo um ciclo gigantesco,

Porque a gente precisa se trabalhar,

E as crianças vão aprendendo também,

E essas crianças vão se tornar os futuros adultos,

Que já vão estar mais trabalhados,

E aí a gente vai caminhando cada vez mais para uma pedagogia da esperança,

Que a gente pode colocar assim,

Que a gente está tentando fazer as nossas pequenas grandes transformações,

E tudo isso começando com esses princípios da meditação.

Então eu fico muito preenchida com essas conversas que a gente tem tido,

Acho que foi uma ótima ideia que surgiu aqui para o projeto Presença,

Estou muito grata com a presença de vocês,

Com tudo que vocês trouxeram na nossa conversa de hoje,

E aí só para finalizar,

Alguma última dica para os pais e professores que vocês querem deixar de recado?

Gabi,

Eu lembrei de duas coisas,

Que acho que a gente,

Como você falou,

A gente podia ficar muito tempo aqui conversando,

Pensando nessa questão contemplativa que a gente conversou aqui,

Que o Rafa e a Thais trouxeram muito bem,

Tem uma bonequeira,

Não é da área de yoga,

Mas eu fico sempre pensando nisso,

Quanto a gente pode relacionar,

Que é a Jennifer Gerati,

Não sei se é assim que fala,

Tem um vídeo dela,

Que está no YouTube,

Que chama O Passeio de Tintim,

O Tintim é o filho dela,

E é um vídeo que eu acho de uma munipeza,

Enfim,

Ímpar,

É muito generosa,

E é uma criança,

É o filho dela,

Acho que o Tintim nesse vídeo tem três anos,

E esse vídeo é na altura da criança,

Então você vai vendo os pés,

E é o Tintim fazendo o passeio da casa da Jennifer até a casa da avó,

E ela vai fazendo as pausas de todos os detalhes que o Tintim vai reparando,

Então ele para na padaria,

Na planta,

E eu acho que é pensando um pouco nisso,

E aí eu lembrei,

Uma coisa que eu fiz na pandemia,

E eu acho que nessa coisa de a gente ser o exemplo e conseguir fazer,

Como é que eu observo o meu dia a dia,

É claro que tem dia que a gente está corrido,

Que a gente vai fazer várias coisas ao mesmo tempo,

Nossa,

Mas ao longo do meu dia eu consigo fazer uma atividade que eu esteja fazendo só nessa atividade,

Que eu não estou aqui,

Tipo,

Como diz a Pazuk,

Assim,

Eu estou aqui cortando cebola,

Mas eu estou falando no celular,

Eu estou pensando no que eu tenho que comprar no mercado,

O que eu estou fazendo,

Não sei o que,

Uma única atividade,

Sem prestar atenção em outras coisas,

E acho que se a gente consegue fazer isso,

A gente consegue proporcionar isso para as crianças também,

Então tem uma página que está no Facebook,

Está no Instagram,

Não sei se tem,

Mas tem outros materiais,

Que chama Ser Criança Natural,

E cada semana,

Ela propõe uma atividade de observação,

Então é assim,

Observe da janela da sua casa,

Qual é a coisa mais longe que você consegue ver,

Observe quais são as cores das flores que estão na árvore essa semana,

Escute o vento,

Sabe,

É muito legal,

Então essa coisa,

Essa relação com a natureza também,

Que é isso,

Eu estou no momento presente,

Assim,

E acho que uma coisa que a gente aprendeu muito nessa pandemia,

E aí eu acho que tem essa coisa da contemplação,

De como eu estou meditando,

Nessa relação com a natureza,

Com a terra,

Com o planeta,

É nesse chão que a gente se sustenta,

É nesse chão que a gente se encontra,

Então não tem um outro caminho,

E acho que meditação é muito nisso,

Como é que eu estou me relacionando aonde eu estou,

Enfim,

Então acho que eu queria deixar essas duas coisinhas e só agradecer por esse super papo.

Muito bom,

Vanessa,

Eu agradeço pela sua lembrança,

Acho que é uma referência bem importante,

Que envolve criança,

Brincadeira,

E natureza,

Meio ambiente natural,

Elementos naturais,

Eu deixo como sugestão,

Tem muita coisa boa,

Mas a Ana Carol Tomé,

Que é o que a Vanessa citou,

Ser criança natural,

A Ana Carol Tomé é uma excelente referência para quem quiser estudar um pouco mais,

E tem bastante material,

De fato,

Ela é bastante lúdica,

E tem muita dica interessante para a gente fazer brincadeiras nesse contato das crianças com a natureza,

E eu lembrei também,

A Vanessa citou Tintin,

Eu lembrei de um outro detalhe que eu esqueci de comentar,

Que eu gosto muito de trabalhar com as crianças,

E que é uma dica muito interessante,

Que é trabalhar danças circulares com as crianças,

Principalmente danças circulares pela paz,

E eu lembrei de um trabalho que é Tum Tum,

Bate o Coração da Terra,

Que é um CD e também tem o caderno,

O encarte com as letras das músicas da Maria Cristina de Moraes,

Que é um trabalho muito bonito com músicas autorais e com coreografia de danças circulares,

Que trabalha especificamente com crianças e com temas relacionados também a essa percepção de que nós somos natureza,

A relação com os elementos naturais,

É um trabalho muito legal,

Mas toda dança circular que for possível trabalhar com as crianças e associar com a prática meditativa,

Eu acho que também é um caminho bem interessante.

Uma última mensagem,

Uma última dica que eu queria deixar para pais,

Professores,

Para quem quiser contribuir com essas abordagens de cultura de paz para as crianças,

É lembrar que apesar de tudo que a gente falou,

De que é importante ser adulto,

Trabalhar em si o autoconhecimento,

Mas também é importante o cuidado de não criar ansiedade,

De achar que eu tenho que estar pronto para oferecer isso para a criança,

Porque a gente não está pronto,

A gente está também nesse processo,

Nós estamos também nesse caminho da impermanência e estamos em constante transformação e estamos aprendendo o tempo todo e nós aprendemos muito com as crianças,

Muito,

Convidar as crianças para perceber o estado de presença,

Convidar as crianças para brincadeiras e práticas meditativas,

É um aprendizado muito grande também para o adulto,

Então é uma troca,

Eu sinto que eu aprendo demais com as crianças nessa relação de convidá-las porque elas vivem com muito mais leveza o momento presente.

Então permitam-se também,

Não fiquem preocupados em ter muito conhecimento ou ser um iogi para poder convidar a criança para meditar,

Permita-se essa experiência é na troca que a gente aprende e lembrar que a intenção pelo menos da forma como eu aprendi,

Compreendo e busco colocar em prática não é disciplinar as crianças obedientes mas é contribuir para que as crianças sejam cada vez mais autênticas livres,

Espontâneas e nesse contexto elas naturalmente vão desenvolver a responsabilidade de ser aquilo que elas já são.

Muito bom,

Gente gostaria de agradecer é muito rico,

Né,

Quando a gente partilha porque vai agregando para a nossa experiência,

Né a gente vai ampliando os horizontes então muito grata a todos e concordo com o que a Vã e o Rafa trouxeram,

Acho que esse convite dos pais se permitirem passar por esse processo e se permitirem abrir abrir os olhos,

Assim olhar para as crianças com um olhar de curiosidade e não com um olhar da disciplinarização a gente com certeza vai sair bem mais alegre bem mais brincante e divertir muito mais a nossa rotina gratidão,

Pessoal espero conversar com vocês numa próxima vez eu espero que muitas pessoas ouçam esse episódio porque de fato foi muito especial muitas dicas muito preciosas e é isso muito,

Muito obrigada!

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