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Helena e o Mar

by Pedro Nunes

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4.5
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Esta é a história de Helena, uma mulher como tantas outras, que se encontra num momento complicado da sua vida. Ao ver pela primeira vez o mar, a sua vida vai sofrer uma transformação positiva e ganhar uma nova perspectiva.

Transcrição

O vento chicoteava o rosto de Helena,

Carregado com o salítrio que lhe arrepiava a pele.

Aos 50 anos,

A vida tinha-lhe oferecido uma dose generosa de ilusões.

Um casamento falhado,

A distância dos filhos,

A frustração na carreira.

Carregava o peso do mundo nos ombros e a esperança era uma chama quase extinta.

Naquele dia,

Porém,

Algo era diferente.

Pela primeira vez,

Helena via o mar.

Não o mar das fotografias ou dos filmes,

Mas o mar de verdade,

Imenso e poderoso,

A estender-se até onde a vista alcançava.

As ondas,

Coroadas de espuma branca,

Quebravam na areia com um rugido que lhe enchia o peito.

Hipnotizada,

Helena descalçou os sapatos e caminhou em direção à água.

A areia,

Fria e úmida,

Afundava sobre os seus pés e a cada passo sentia o peso das mágoas a diminuir.

A água gelada envolveu-lhe os tornozelos,

Depois as pernas,

E um arrepio percorreu-lhe a espinha.

Era como se o mar lavasse não só o seu corpo,

Mas também a sua alma.

Tomando coragem,

Helena mergulhou.

A sensação foi indescritível.

A água,

Salgada,

Envolveu-a por completo,

Abafando os ruídos do mundo e deixando apenas o ritmo suave das ondas.

Sentiu-se leve,

Livre,

Como se flutuasse num espaço sem gravidade.

O ritmo da sua respiração sincronizava-se com o ritmo das ondas,

De uma forma natural,

Como se ela pertencesse ao mar.

Naquele preciso instante de comunhão,

Não havia a Helena-mãe.

A Helena-esposa.

A Helena-empregada.

A Helena-frustrada.

A Helena-cansada.

E,

Sem ânimo,

A Helena-fracassada.

Havia a Helena.

Apenas e somente a Helena.

Sentiu-se subitamente uma sensação de paz a percorrer-lhe o corpo.

Uma tranquilidade que já há muito não sabia o que era.

Reparou também que,

Enquanto nadava,

As memórias dolorosas da sua vida foram-se dissipando,

Como a espuma das ondas se dissipa na areia.

O mar acolhia-a sem julgamentos,

Abraçando-a com a sua imensidão.

Foi então naquele momento que Helena compreendeu.

A vida,

Tal como o mar,

Tem os seus altos e baixos,

As suas tempestades e calmarias.

Mas mesmo nas maiores tormentas,

Havia beleza,

Havia força,

Havia esperança.

E ela,

Tal como o mar,

Era forte.

Mais forte do que alguma vez imaginara.

Helena iria ultrapassar esta tormenta.

Ao sair da água,

Helena era uma mulher diferente.

Reparou que o sol brilhava com mais intensidade.

As cores pareciam-lhe mais vivas.

E o peso do passado já não a esmagava de forma sufocante.

O mar tinha-lhe dado um presente inestimável.

A paz interior e a certeza que,

Mesmo aos 50 anos,

Iria sobreviver a todas as adversidades que a vida lhe trouxera.

A partir daquele dia,

Helena passou a procurar o mar sempre que podia.

Ele era o seu refúgio,

O seu lugar de paz,

Onde se reencontrava a si mesma e se conectava com a força da natureza.

E,

A cada mergulho,

A amargura se dissolvia um pouco mais,

Dando lugar à felicidade simples e genuína de quem finalmente se encontra.

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