
No. 9 - O Que Seu Corpo Tem Pra Lhe Dizer | Podcast Autoconsciente
Para muitos de nós, corpo e mente são como os parceiros de um casal que se distanciou. A mente foi se tornando cada vez mais ausente, muito envolvida com seus assuntos, e hoje mal presta atenção ao que o corpo diz. Isso não só prejudica a consciência corporal, mas também a emocional e o sentido da intuição. É preciso discutir a relação! Ainda pode haver muito amor e cumplicidade entre esses parceiros, e eles podem ser um só de novo.
Transcrição
Começa aqui mais um episódio do podcast Autoconsciente,
Pra você se conectar com você mesmo.
Bem-vinda,
Bem-vindo!
Eu sou Regina Gianetti,
Coach e treiner de autogerenciamento com base em mindfulness e minha intenção com este podcast é compartilhar reflexões e ações para uma vida com mais autoconsciência.
Ser autoconsciente significa reconhecer plenamente o que a gente sente e honrar o que sente,
Seja o que for,
Porque o sentir é algo muito verdadeiro em nós.
A mente às vezes nos engana,
Mas o sentir,
Jamais.
Se este é o primeiro episódio que você escuta,
Eu te convido a escutar também o número zero,
Em que eu falo da importância de ser mais autoconsciente e apresento a proposta desse podcast.
Os primeiros episódios têm uma sequência lógica e trazem conceitos que é válido você conhecer para absorver melhor as ideias dos episódios seguintes.
Estão todos no meu site www.
Vocemaiscentrado.
Com.
Br.
É só acessar a página Autoconsciente Podcast no menu inicial.
Episódio número nove,
O que o seu corpo tem para lhe dizer?
Eu hoje vou aprofundar um assunto que eu já abordei de passagem em episódios anteriores,
Que é a conexão entre corpo e mente,
Ou melhor,
A falta de conexão entre corpo e mente,
Se a gente considerar que os dois passam a maior parte do tempo em lugares diferentes.
Essa falta de conexão compromete muito a autoconsciência.
Para muitos de nós,
Corpo e mente são como os parceiros de um casal que já foi super unido,
Mas se distanciou.
Porque um deles foi se tornando cada vez mais diferente,
Muito envolvido com seus assuntos,
Com seu mundo,
E hoje muitas vezes nem presta atenção no que o outro diz.
Os dois continuam morando sob o mesmo teto,
Mas se tornaram quase que estranhos um para o outro,
Pois esses parceiros estão precisando ter uma DR.
Ainda pode haver muito amor e cumplicidade nessa relação,
E eles podem ser um só de novo.
Nessa minha analogia de mente com um casal,
Adivinha qual dos dois começou a ficar ausente?
Foi a mente,
Não é?
Como a gente já viu em programas passados,
Nossa mente é naturalmente divagante.
Ela pode viajar no tempo,
No espaço,
Pode reviver fatos passados,
Antecipar acontecimentos futuros,
Imaginar qualquer situação.
E sempre que faz isso,
Ela se separa do corpo,
Porque o corpo só pode estar no aqui,
Agora.
A mente pode se transportar para uma rede à sombra de árvores e tomar água de coco,
Enquanto o corpo pena para caminhar na rua com 35 graus na cabeça.
A mente pode estar pensando no que é que ela vai fazer à noite,
Enquanto o corpo ainda toma o café da manhã.
E assim vai,
Né?
Acredito que você concorde comigo que na maior parte do tempo,
Quase sempre,
Corpo e mente não estão no mesmo tempo nem lugar.
Tá certo que a vida prática,
Cotidiana,
Requer que em muitos momentos,
Mente e corpo se ocupem de coisas diferentes.
Mas quando essa separação se torna a regra,
O estado normal,
Mesmo quando não é necessária,
A gente paga um preço por isso.
E nem percebe.
O preço é a redução da consciência corporal,
Que também prejudica a autoconsciência emocional e o sentido da intuição.
Como tudo isso acontece,
É o que nós vamos explorar aqui.
Veja,
Porque a mente está sempre envolvida com seus pensamentos,
Ela acaba não dando atenção para as mensagens que o corpo manda na forma de sensações.
Tem vezes que ela até percebe as sensações e se abstrai propositalmente delas.
Por exemplo,
O corpo sinaliza que a bexiga está cheia,
Mas a mente está muito ocupada com o trabalho e diz,
Agora não dá,
E continua com o que está fazendo.
Quantas vezes isso acontece com a gente,
Não é?
De repente,
A vontade de ir ao banheiro até passa,
Mas será que passa ou é a mente que se desconecta daquela sensação?
Descubra por si mesmo da próxima vez que isso acontecer,
Tá?
Depois,
Quando a mente,
Enfim,
Leva o corpo ao banheiro,
Ela até se surpreende que a bexiga estava cheia.
Ufa,
Que alívio!
Pois é,
A mente pode ignorar sensações de fome,
De sede e deixar o corpo horas e horas sem se alimentar nem beber água.
As sensações estão lá,
Mas a mente não dá atenção para elas.
Pode ignorar uma tensão no pescoço,
O desconforto de uma postura ruim,
Cansaço,
Sono.
Pode ignorar uma doença também.
Infelizmente,
São comuns casos de pessoas que descobrem um tumor,
A disfunção de um órgão importante,
Quando a situação já é grave.
Mas será que aquela doença já não estava dando sinais há algum tempo?
Uma dor,
Uma indisposição,
Um cansaço anormal,
Um desconforto?
É possível que sim,
E a mente talvez não tenha dado atenção aos sintomas,
Não tenha percebido mudanças que começaram a acontecer no corpo.
A mente pode ignorar até situações gritantes como a gravidez.
Não são raros casos de mulheres que descobrem que estão grávidas com 5,
6 meses de gestação,
Até mais.
Eu costumo contar para os meus alunos uma história que eu li certa vez no portal G1,
Não é fake news.
A história de uma brasileira de 20 anos que um dia começou a ter dores fortes na barriga e foi a um hospital.
Infelizmente,
Ela foi muito mal atendida e mandaram ela de volta para casa com uma receita de analgésico.
E a dor ia,
E voltava,
E não passava.
Uma hora ficou tão forte que ela correu para o banheiro sentindo que precisava expelir alguma coisa,
E deu à luz no vaso sanitário.
Teve um bebê saudável com 9 meses de gestação.
Foi um choque para ela,
Ela não sabia que estava grávida.
É incrível,
Né?
Como não atentar para algo tão evidente no próprio corpo como uma gravidez avançada?
Os sinais são tantos e tão estridentes.
Tem algo grande dentro de você que se mexe,
Que empurra os seus órgãos.
Com certeza os sinais de gravidez estavam presentes no corpo,
Mas a mente,
Por algum motivo,
Ignorou.
Tem um ditado que diz que quando a mente não pensa,
O corpo padece.
Eu acho também que quando a mente pensa demais,
O corpo igualmente padece.
Ela fica muito envolvida com seu monólogo interno,
Suas distrações,
Antecipações do futuro,
Iluminações do passado,
E deixa passar batido as mensagens que o corpo manda para comunicar suas necessidades,
Ou as informações que ele recebe por meio dos sentidos.
E isso compromete muito a nossa consciência corporal.
Agora,
Sem ter plena consciência do corpo,
Também não dá para ter plena consciência das emoções.
E por quê?
Porque as emoções são sensações físicas,
São fenômenos do corpo.
Por exemplo,
O que a gente conhece como raiva é um conjunto de sensações que as pessoas geralmente descrevem como coração acelerado,
Calor no peito,
No rosto,
Uma tensão nas mãos ou no maxilar.
As sensações variam de local e de intensidade conforme a emoção.
E são várias as emoções que o ser humano pode experimentar.
Algumas são consideradas básicas,
Como alegria,
Tristeza,
Desejo,
Raiva ou medo.
Dessas derivam emoções secundárias,
Que alguns neurocientistas preferem chamar de sentimentos,
Como ternura,
Desprezo,
Contentamento,
Saudade,
Ressentimento e muitas outras.
Olha,
Essa diferença entre emoção e sentimento dá pano para a manga,
Viu?
E eu pretendo explorar isso num episódio futuro.
Nesse episódio,
O ponto é o seguinte,
Se a mente não tem uma boa conexão com o corpo,
Ela talvez não perceba que uma emoção está presente.
E isso pode ser um problema.
Vamos supor que um colega de trabalho tenha uma atitude que o seu cérebro interpreta como inaceitável.
E isso aciona uma emoção de raiva em você.
E aí,
Sob a emoção da raiva,
Você tem uma reação de irritação e acaba sendo ríspido com as pessoas que vêm falar com você.
De repente,
Você passa o resto do dia irritado e nem percebe o quanto isso altera o seu comportamento e impacta as pessoas à sua volta.
Agora,
Se a sua mente tem uma boa conexão com o corpo,
Você percebe a raiva e tem possibilidade de lidar com essa emoção antes que ela contamine os seus relacionamentos naquele dia.
Se a sua mente tem uma boa conexão com o corpo,
Ela percebe também as sensações mais sutis dos sentimentos e identifica mais facilmente qual é o sentimento presente a cada momento.
Faz sentido isso pra você?
Certa vez eu conversava com o psicólogo Fred Matos na gravação de um episódio do podcast Mamilos.
Se você quiser ouvir,
É o 122,
Tá?
E o papo era sobre emoções.
E ele disse,
Com experiência de anos de consultório,
Que muitas pessoas têm dificuldade em saber o que sentem ou como se sentem em relação às situações da vida.
Elas dizem,
Eu sinto uma coisa,
Um troço,
Mas não definem o sentimento.
Agora,
Sem saber como a gente se sente,
Como é que a gente pode ter certeza do que quer?
Já que o sentimento impulsiona o querer,
Hein?
Fica a questão pra você refletir depois.
Bom,
Então nós vimos como a conexão mente-corpo favorece a consciência do corpo,
Claro,
Depois a consciência das emoções,
E agora vamos ver como favorece a intuição.
No mundo moderno,
Regido pela razão,
Pelo intelecto,
A intuição não era considerada lá muito confiável pra tomada de decisão.
Até uns 20 anos atrás,
Um executivo que admitisse tomar decisões de negócios com base na intuição ficaria até sob suspeita.
Mas isso mudou.
Hoje nós temos tanta informação pra lidar que às vezes a mente irracional paralisa.
Não conseguimos decidir ou estamos com tanta coisa na cabeça que nem temos clareza pra raciocinar.
E aí,
Nesse cenário,
A importância da intuição foi resgatada e os seus mistérios desvendados pela neurociência.
A intuição é considerada como a faculdade que o nosso cérebro tem de processar uma grande quantidade de informações,
Com base na nossa experiência emocional.
Esse processamento não envolve raciocínio,
Nem acontece de forma consciente.
E o modo como a intuição se apresenta é com uma sensação,
Um feeling,
E não um pensamento.
Ela traz uma percepção ou uma convicção que a gente não sabe explicar por que tem.
A gente apenas sente.
Você com certeza já experimentou isso.
Se alguma vez na vida você já procurou uma casa ou apartamento pra morar,
Talvez tenha acontecido o seguinte.
Você visitou vários imóveis e de alguns você não gostou porque não tinham um astral bom.
Eles até eram compatíveis com o que você procurava,
Mas você não se sentia bem ali.
Já de outros você gostou porque se sentia bem,
Era bom estar ali.
Ao escolher um lugar pra morar,
A gente não utiliza só critérios lógicos e racionais.
O nosso feeling sobre o lugar conta muito.
E essa é uma das situações em que a gente toma uma decisão a partir do que sente.
E como nós estamos falando de sentir,
Né?
Sentir nas entranhas,
Como alguns dizem,
A intuição também depende de uma estreita conexão da mente com o corpo,
Certo?
É preciso ter uma boa consciência corporal pra perceber as sensações físicas ligadas à intuição,
Porque elas são sutis.
O Daniel Goleman,
Autor do livro FOCO,
Chama essas sensações de murmúrios internos que guiam os nossos caminhos na vida.
Por tudo isso você vê como é importante a mente escutar o que o corpo diz.
Quer ter uma ideia de como isso tá funcionando em você?
Então hoje mesmo,
Antes de dormir,
Fique deitado de costas na cama,
Com os braços paralelos ao tronco e bem relaxado.
Feche os olhos e busque sentir as batidas do coração.
O Goleman diz que o quanto uma pessoa é capaz de sentir o pulsar do coração é uma forma padrão de medir a sua autoconsciência.
E se você não distinguir a sensação das batidas,
Tá tudo bem,
Viu?
Percebê-las é só uma questão de treino.
Tem várias atividades que você pode fazer pra ampliar sua consciência corporal.
Você pode expandir esse exercício de sentir o coração pra outras partes do corpo também.
Os pés,
Pernas,
Costas,
Abdômen,
O que você quiser.
Praticar yoga,
Artes marciais,
Dança,
Ginástica e alongamento são outras opções.
A prática de mindfulness também é super indicada pra isso.
Nela a gente treina a focalizar a atenção em pontos internos e externos do corpo e desperta pra um mundo de sensações.
Isso não só amplia a consciência corporal,
Mas também nos habitua a dar atenção ao que a gente sente.
Aos poucos você começa a perceber no ato aquilo que de repente estava deixando de perceber.
Quando o sono chega de mansinho,
O primeiro sinal de fome,
Uma tensão no músculo,
Uma emoção que brota,
Um sentimento.
Você talvez esteja questionando,
Mas aí eu vou sentir muitos incômodos no meu corpo,
E pra que eu ia querer sentir isso?
Olha,
Eu te digo pra quê.
É pra tomar consciência daquilo em você que precisa ser olhado,
Cuidado,
Às vezes curado,
E principalmente amado.
Olha,
Talvez isso não esteja claro pra você agora,
Mas este corpo que convive com a sua mente é magnífico,
É um milagre.
Pense em tudo que está acontecendo aí dentro,
Sem você se dar conta.
Pense em como os seus trilhões de células recebem a energia do alimento que você come e do ar que você respira.
Pense em como os órgãos trabalham em sincronia,
Cada um fazendo o seu papel pra te manter vivo.
Pense em tudo que se move no seu corpo pra você dar um passo.
Pense em como os seus sentidos percebem o mundo e permitem a sua mente fazer escolhas.
Estar mais conectada com o meu corpo me despertou pra isso tudo.
Me lembra todos os dias da graça que é estar a bordo de uma máquina tão complexa,
Tão perfeita.
Perfeita assim,
Mesmo com a celulite,
Os pneuzinhos,
As lesões nos joelhos,
O colesterol meio alto,
Os desgastes de meio século de vida e as dores que aparecem.
Quando eu me dou conta do quão maravilhoso é o corpo,
Eu só posso sentir gratidão e amor por ele.
Eu procuro cuidar dele o melhor que posso e escutar o que ele tem pra me dizer.
E o seu corpo?
O que ele tem pra lhe dizer?
Que você esteja bem.
Um abraço.
Conheça seu professor
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