
Ensinamento O Sino
by Jorge Dias
Um conto oriental com um ensinamento de valor. Esquecemos o nosso potencial, as nossas forças interiores. E ficamos fixados no que é exterior. Não é fácil fazer o contrário, mas ter consciência diária e plena melhora o nosso estado.
Transcrição
Olá,
Sejam bem-vindos e bem-vindas a mais um Conto Oriental.
Tem o nome de O Sino e é baseado na obra de Ramiro Calle,
Os Melhores Contos Espirituais do Oriente.
Muito bem,
E conta assim.
Num mosteiro havia um noviço que constantemente pedia um sino ao abado.
Tanto insistira no seu pedido que finalmente o abado lhe disse.
Se conseguires limpar todo o mosteiro antes do próximo festival religioso,
Que começa daqui a uma semana,
Oferecer-te-ei o melhor dos sinos.
Satisfeito,
O noviço entregou-se de corpo e alma à limpeza do mosteiro.
Quando este já estava impecavelmente limpo,
Foi visitar o abado e reclamou-lhe o sino.
O abado ofereceu-lhe um sino belíssimamente ornamentado e de refulgente prata.
Muito contente,
O noviço retirou-se para a sua cela,
Sentou-se na enxerga e,
Emocionado,
Começou a brincar com o sino.
Desejou-se de ouvir o seu som.
Mas qual não foi a sua surpresa e desilusão quando comprovou que o sino não tocava?
Virou-o ao contrário e descobriu que carecia de badalo.
Sentiu-se cheio de fúria e correu para o abado para o invetivar.
Enganaste-me!
Isso não é digno de ti.
O sino não tem badalo.
Como vou poder ouvi-lo tocar?
O abado manteve a serenidade.
Um sorriso carinhoso espreitou nos seus lábios e disse Tu é que tens de pôr o badalo.
A tua felicidade interior é que deve fazer tocar o sino.
E não um simples badalo de bronze.
O sino e o badalo estão dentro de ti.
A lucidez e a compaixão pertencem-te.
O noviço teve um laivo de luz espiritual,
Porque tanto apega um sino.
Se o som mais belo é o que surge dentro de uma mente clara e de um coração terno.
E termina aqui este conto,
Esta história.
E o autor acrescenta-lhe mais umas palavras aqui em jeito de comentário.
E diz o seguinte.
As últimas palavras de Buda foram Que cada um de vós seja a sua própria ilha.
O seu próprio refúgio.
Não procurem qualquer outro.
Porque na verdade cada um tem de se encher a si mesmo e trabalhar com diligência pela sua própria paz interior.
Temos de nos exercitar no domínio do pensamento e superar as carências internas que nos provocam conflito,
Ansiedade e nos deixam desamparados.
O ser completo é uma vivência.
O que não significa que não vivamos em interdependência afetiva com os outros seres.
Termina também aqui o comentário do autor.
E na verdade este conto é um apelo enorme ao nosso desenvolvimento pessoal.
Ao nosso autoconhecimento.
Àquilo que temos de apostar na vida.
Ao nosso propósito primeiro na nossa vida que é conhecermos a nós próprios.
Conhecermos a nossa natureza.
O caminho do autoconhecimento é um caminho fascinante.
É um caminho que nunca termina.
Acaba por ser um gosto.
Uma satisfação.
Um hábito que se instala em nós e que se torna terapêutico.
Um hábito bom e que nunca acaba.
Eu no viço estava tão apegado,
Tão expectante que o sino tocaria que ficou altamente perturbado quando não vi o objeto que o faria tocar.
Então alterou-se emocionalmente transtornado e então no viço teve um excesso de fúria,
De desapontamento.
E nesta história a parte final também é interessante porque tem algo de poético.
Uma frase que tem que ser descodificada e temos que refletir um pouco.
E eu vou ler essa frase.
Porque tanto apego a um sino se o som mais belo é o que surge dentro de uma mente clara e de um coração terno.
Isto faz pensar.
Ver um som que surge dentro de uma mente clara.
Claro que um som é belo dentro de uma mente clara porque a clareza,
O discernimento,
A serenidade de uma mente clara acaba por produzir sons belos.
E um coração terno fruto também do funcionamento da mente.
Porque se a mente é clara,
Se a mente é serena,
Se a mente é calma o coração fica também mais sereno.
E todo o corpo,
Todo o organismo beneficia com isso.
Muito bem,
Fica então aqui a mensagem final de Buda.
Que cada um de vós seja a sua própria ilha,
O seu próprio refúgio.
Não procurem qualquer outro.
Temos que nos tornar autónomos.
Temos que ter a nossa própria segurança,
A nossa própria confiança.
Temos que preservar a nossa autoestima,
A nossa paz interior.
E o que Buda diz aqui é que não podemos depender dos outros.
Não podemos depender de algo que seja externo.
Fica bem?
E até breve.
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