
Ensinamento de Buda, Compaixão e Perdão
by Jorge Dias
Das coisas mais difíceis de colocar em prática. Compreende-se, mas não se consegue executar. Há que ter um nível superior de espiritualidade e ver o mundo de uma forma completamente diferente, na sua totalidade.
Transcrição
Olá,
Seja bem-vindo e bem-vinda.
Mais um momento especial,
Mais um ensinamento desta feita.
É um ensinamento de Buda que fala sobre perdão e compaixão.
Digamos que trouxe este ensinamento que será muito difícil de encaixar,
Na minha opinião,
E que requer um estado de elevação espiritual bastante grande.
Eu não sei se seria capaz de reproduzir este ensinamento.
Penso que é preciso compreender o mundo e as coisas de uma forma completamente diferente.
E nós temos o nosso percurso,
Temos o nosso próprio trajeto,
O nosso próprio caminho a fazer,
E aqui já requer um estado muito elevado.
Mas vamos lá ao conto.
No tempo em que Buda pregava,
Havia pessoas que o amavam e seguiam,
E outras que o temiam e odiavam,
Receosas de que fosse um revolucionário.
Alguém queria trazer a desordem ao seu tempo e,
Mesmo sem o conhecerem,
Julgavam-no pelo que ouviam dizer a outros.
Certo dia,
Um destes homens que lhe tinham raiva,
Puxou-se ao pé de Buda e cuspiu-lhe na cara.
Buda,
Calmamente,
Limpou o rosto e perguntou,
— E depois disto,
O que mais me queres dizer?
Os seus discípulos,
Indignados,
Refilavam que não podia ser.
Como é que ele se ficava assim?
Aquilo era um mau exemplo que poderia espalhar se situações destas não podiam ficar impunas.
Buda retorquiu-lhes que não se deixassem levar pela reação impulsiva,
Pois já deveriam ter aprendido que só teriam uma ação justa se estivessem centrados em si mesmos,
Sem necessidade de reagir,
Mas sim de agir,
E que aquele homem que lhe cuspira no rosto não o atingira verdadeiramente a ele,
Mas sim à imagem que fazia da pessoa que era Buda.
Provavelmente,
Em tempos antigos,
Magoado ou ofendido por pessoas que tomara como revolucionárias,
Projetara a sua raiva na ideia que tinha de Buda.
— Mas eu propriamente — disse Buda — não me sinto atingido,
Porque não sou aquele que ele pensa.
Apenas cuspiu na imagem que tem de mim,
Pois nem sequer me conhece.
Conta a história que o homem,
Aquele homem que cuspiu na cara de Buda,
Perplexo pela não-reação de Buda,
Partiu para a sua casa de veras modificado.
Desmanchara-se num instante o padrão de ação,
Reação,
O que o levou a refletir toda a noite.
E no dia seguinte prostrou-se aos seus pés,
Pedindo-lhe perdão.
Buda o levantou e respondeu-lhe — — Eu nada tenho a perdoar-te,
Pois não me sinto ofendido.
Além disso,
Os homens são como os rios.
A água que hoje corre em ti não é a mesma que te levou a agredires montem.
Por isso,
Ergue-te e abracemo-nos.
Diz-te que aquele homem foi,
A partir desse dia,
Um dos melhores discípulos de Buda.
É verdade que quando temos consciência de que a agressão de alguém é uma desordem que está dentro de quem a pratica e não em quem a sofre,
Poderemos ser capazes de oferecer a outra face,
Tal como Jesus fez,
Sem nos zangarmos,
Sem que isso signifique cobradia ou humilhação,
Mas tão só uma atitude sábia e amorosa de quem já nem precisa de se defender.
Termino aqui este ensinamento que eu te disse no início que é um ensinamento que requer alguma elevação espiritual.
Fazer um processo pessoal bem profundo,
Bem profundo.
Há aqui a questão da reação e da ação.
A reação tem muito a ver com aquelas emoções que geram impulsos,
Aquelas emoções que são produzidas pela região do cérebro,
Que é a amígdala,
E que são muito rápidas.
E nós temos que ter muito treino para,
Em vez de reagir,
Agirmos.
Depois há aqui outro conceito que é o conceito de personificação.
Quando ele diz que o homem que lhe cuspira no rosto não o atingira verdadeiramente a ele,
Mas sim à imagem que fazia da pessoa que era Buda.
E todos nós agimos assim.
Às vezes não conhecemos as pessoas,
Não temos uma imagem delas,
Até colocamos alcunhas,
Julgamos.
Isso não é mais do que uma personificação.
É uma imagem que não é realmente a pessoa,
Mas parece-se com ela.
E depois tem aqui outro conceito que é o do perdoar.
Na verdade o perdão,
Propriamente,
Não existe.
Existe a aprendizagem.
Ele aqui não perdoou.
Não tem nada a perdoar,
Porque perdoar não era com Buda.
Portanto,
O homem é que tinha que aprender.
Porque se Buda se perdoasse só,
Estava a dar-lhe a oportunidade de poder repetir aquela ofensa,
Digamos assim.
E Buda não perdoou,
Mas permitiu-lhe que ele aprendesse.
Que ele se submetesse à aprendizagem e que fosse ensinado e que treinasse outro tipo de atitude.
Muito bem.
Fica com este ensinamento.
Reflete um pouco sobre ele.
E até breve.
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