
Dia 16 - 30 Dias de Introdução à Meditação
Nesta Jornada de Meditação de 30 dias, você vai aprender os primeiros passos para começar a meditar de forma simples, guiada e sem dogma. Espero que ela te ofereça uma base sólida sobre a qual você vai poder construir práticas mais profundas em seguida.
Transcrição
A mente só precisa de uma desculpa boba pra roubar a sua atenção e pra tirar você daqui do presente.
Então aproveita esses primeiros minutos,
Organiza seu espaço,
Avisa o pessoal que pelos próximos 20 minutos você precisa estar aqui com a atenção indivisível.
Você vai sentando,
Ajustando a sua roupa,
Às vezes logo no momento que a gente senta é que a gente percebe como é alguma coisa que está desconfortável,
Aquela roupa que puxa em algum lugar esquisito.
Essa é a hora que você cruza as pernas e encontra uma posição para as suas pernas,
Que você sabe que não vão te incomodar durante os próximos 20 minutinhos.
Essa é a hora que você tenta encontrar um ponto de conforto,
Um ponto de centro pra sua coluna,
Pro seu pescoço,
Pra sua cabeça.
Talvez você precise jogar o tronco pra esquerda e pra direita,
Pra frente e pra trás um pouquinho pra ganhar uma referência mais clara do que é esquerda e direita,
Do que é frente e trás,
Pra então colocar o seu corpo no centro.
O centro que sempre muda,
Por isso que não adianta você mapear uma posição.
O centro de ontem não é mais o centro de agora.
O seu corpo já mudou,
Sob influência da sua alimentação,
Da sua noite de sono.
Tem dias que a gente tá mais elástico,
Tem dia que a gente tá mais duro mesmo.
Então,
O centro de hoje,
Ele tem que ser descoberto.
Ele não tá ganho.
A presença de hoje,
Ela tem que ser vivida.
Você não ganha créditos por já estar fazendo isso há muitos anos.
Isso é uma grande ilusão que acontece.
A pessoa pensa,
Eu já medito há anos,
Não preciso de uma introdução à meditação.
Se você medita há pouco tempo ou se você medita há anos,
O convite é o mesmo.
O convite é você encontrar a realidade do seu momento presente,
Que já mudou da última vez que você sentou pra observar isso.
Então,
Senta com essa observação da realidade de agora e comece esse processo trazendo atenção pra sua respiração.
Começa com o ar que entra e com o ar que sai.
Essa ferramenta tão linda de presença,
A inspiração e a expiração que simbolizam tanto do que a gente faz ao longo da vida,
De receber e doar,
De expandir e contrair o movimento constante.
Observa a sua respiração agora.
Observa o ar que entra e observa o ar que sai.
Observa como ele entra,
Observa como ele sai,
Naturalmente.
Quando o ar tá entrando,
Você toma consciência disso.
O ar tá entrando agora.
Quando o ar tá saindo,
Você toma consciência disso.
O ar tá saindo agora.
O ar entra,
O ar sai e você só observa.
Só observa.
Não tem nada agora pra você fazer.
Não tem nada pra você fazer certo.
Não tem nada pra você fazer errado.
Repousa nesse lugar de observadora da realidade.
O ar entra e você toma consciência desse movimento.
O ar sai e você toma consciência desse movimento.
Se a sua respiração é profunda,
Você toma consciência da profundidade.
Se a sua respiração é superficial,
Você toma consciência da superficialidade.
Não tem jeito certo agora.
Não tem jeito errado agora.
É o que é.
Naturalmente.
Eu não tô pedindo pra você respirar de uma maneira específica.
Isso aqui não é um exercício respiratório.
Isso aqui não é um pranayama.
Eu tô pedindo apenas pra você tomar consciência desse movimento que tá aí agora,
Que já tava aí antes de você parar pra observar,
E que vai continuar aí depois também.
Do momento que você nasce,
Sua primeira inspiração,
Até o seu último momento,
Seu último suspiro.
Isso é a vida.
A vida é ar que entra,
A vida é ar que sai.
E você é aquilo que observa esse movimento todo.
Você é aquilo que observa tudo o que pode ser observado.
Você é aquilo que não pode ser observado.
Avyakta.
A gente chama em sânscrito.
Avyakta.
Todas as idas e vindas da vida.
Os altos e baixos.
A expansão.
A contração.
As entradas e saídas.
A inspiração.
A expiração.
Tudo tão mutável.
Tudo tão impermanente.
Uma mudança constante da realidade.
Seu pulmão que começa vazio e recebe o primeiro toque do ar que entra,
É diferente do seu pulmão que recebe o último toque do ar,
Antes dele ficar totalmente cheio.
É diferente do pulmão que retém o ar cheio antes de começar a inspiração.
O corpo que começa a inspiração está cheio de ar.
É diferente do corpo que termina a inspiração já vazio.
O pulmão que retém o ar vazio antes de dar a primeira inspirada e começar esse ciclo,
Essa ciranda,
Todo de novo.
O vazio que se expande,
Chega no ponto máximo de expansão,
Que fica pleno,
Cheio,
Por uma fração de segundo,
Antes de começar a esvaziar novamente.
O cheio que esvazia,
Que chega no ponto de vazio máximo,
Que pausa por uma fração de segundo vazio antes de receber o novo ar.
Nunca é o mesmo ar.
Nunca é a mesma respiração.
Nunca é o mesmo movimento.
Ele sempre passa.
Nunca é permanente.
Só a observação é permanente.
Só aquilo que observa é que continua observando sempre.
Isso é você.
Eu te convido agora a contemplar o caminho desse ar.
O caminho dessas moléculas todas que saíram do seu pulmão,
Na sua inspiração,
E que ocuparam o espaço do quarto onde você está agora.
Esse ar,
Essas moléculas,
Passam pelas janelas e pelas portas,
Pelas frestas,
E espalham pela sua casa inteira,
E aos poucos,
Pelo seu bairro inteiro.
À medida que o planeta gira,
À medida que o tempo passa,
Essas mesmas moléculas pegam uma corrente de ar e podem chegar aos quatro cantos do estado onde você mora e do país que você habita,
Do continente onde esse país está.
Se você der tempo,
Essas moléculas atravessam oceanos e podem girar o planeta inteiro.
Contempla como com bilhões de pessoas no planeta,
A chance não é pequena que o ar que saiu dos seus pulmões,
As moléculas que saíram dos seus pulmões,
Vão em seguida ocupar os pulmões de outro ser humano,
De outros animais.
O ar que você inspira é inspirado por outras pessoas,
Entra nos pulmões dessas pessoas,
Circula pela corrente sanguínea dessas pessoas e é inspirado por essas pessoas,
Só para ser inspirado por outras pessoas.
Contempla como isso está acontecendo o tempo inteiro,
Com todos os seres do planeta.
Esse ar é renovado de oxigênio,
Equilibrado de gás carbônico,
Pelas algas do mar,
Pelas plantas,
Pelos micro-organismos da Terra,
Mas é o mesmo ar,
São as mesmas moléculas,
É o mesmo prana,
Na linguagem ayurvédica.
Mesmo o seu maior inimigo,
Mesmo todo mundo que você discorda,
Compartilham o mesmo ar que você.
O ar não entende diferença de opinião,
De religião,
De nacionalidade,
De espécie.
O ar do pulmão da vaca,
Do cachorro,
Do gato,
Dos golfinhos e das baleias,
É o mesmo ar.
E se você der tempo,
Ele vai sendo compartilhado com todo mundo,
Ele vai conectando todo mundo.
Um pedacinho de mim que é incorporado pelos outros.
Um pedacinho dos outros que é incorporado por mim também.
Todo dia,
A cada segundo,
Ao longo de anos,
E décadas,
E milênios,
Tudo conectado,
Tudo conectado.
E com base nessa consciência,
Com base nessa presença,
Faz uma respiração mais profunda,
Uma inspiração,
E solta.
Você pode ir abrindo os olhos aos poucos,
Percebe a diferença no seu corpo,
Com essa consciência,
E carrega ela para o seu dia.
E observa como todo mundo que você encontra,
E quem você não encontra,
E como tudo que existe,
Todo mundo respira o mesmo ar.
Espero que você tenha um ótimo dia.
Conheça seu professor
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