51:34

Humana Podcast #003 com Ana Fontes

by Gustavo Costa

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Ness episódio eu, Gustavo Costa (@costagus_) entrevistei a Ana Fontes (@anafontesbr), fundadora da Rede Mulher Empreendedora, que auxilia e capacita mulheres do Brasil todo a empreenderem. Falamos sobre liderança feminina, empoderamento, autoconfiança, empreendedorismo e muito mais. O trabalho da Ana é inspirador e tem contribuido pra melhorar a realidade brasileira.

Transcrição

Estamos gravando.

Maravilha!

Posso começar,

Então?

Eu vou fazer só uma introdução falando do podcast,

Tá?

E aí eu já falo de você.

Legal.

Estamos começando aqui hoje mais um episódio do Mana Podcast.

Dessa vez a nossa convidada especial é a Ana Fontes,

Que fundou a Rede Mulher Empreendedora.

A Ana é uma empreendedora que inspira diversas outras empreendedoras pelo Brasil inteiro.

É um exemplo.

Estou muito satisfeito de a gente estar batendo esse papo aqui.

Ana,

Muito bem-vinda.

Obrigado por ter aceitado o convite.

Nossa,

Gustavo,

É uma honra participar e bater esse papo com você.

Principalmente para falar de coisas boas,

Né?

Que propósito.

Vamos conversar.

É isso aí.

Falando especificamente de propósito,

Ana,

Conta pra gente um pouco da sua trajetória,

Porque você foi uma mulher que entrou no mercado de trabalho trabalhando com muitos países,

Depois você virou empreendedora.

Conta pra gente um pouco como é que tudo isso aí funcionou,

Por favor.

Nossa,

É uma jornada,

Né?

Cheia de altos e baixos,

Como a jornada de todas as pessoas,

Né?

Na verdade,

Assim,

Eu sou uma de dez filhos de uma família nordestina.

Eu nasci no sertão de Alagoas,

Numa cidade minúscula que se chama Igreja Nova.

Outro dia eu descobri fotos no Google da cidade,

E eu morei.

Meus pais migraram para São Paulo em 1970.

Eu morei minha vida inteira praticamente em Diadema,

Que durante muitos anos foi considerada uma das cidades mais violentas do Brasil.

Então,

Eu cresci na periferia,

Cresci nessa situação meio complexa.

Mas,

Apesar de tudo isso,

Dessas dificuldades todas,

Né?

Meu pai e minha mãe sempre falavam pra gente que a escola e a educação eram as coisas mais importantes,

Né?

Não falava educação dessa forma sofisticada,

Falava tem que estudar,

Tem que ir pra escola,

Tem que aprender.

Era isso que falava sempre.

Aos trancos e barrancos eu consegui estudar,

Eu fiz a minha primeira faculdade com muita dificuldade,

Muita dificuldade mesmo.

Eu não gosto de romantizar histórias de desafios,

Né?

Porque às vezes as pessoas gostam de falar disso como uma coisa bacana,

E não é uma coisa tão bacana.

É a realidade,

Né?

A realidade do nosso país.

E eu entrei para o ambiente corporativo,

Trabalho desde oficialmente,

Com carteira registrada,

CLT,

Desde os 14 anos,

Porque naquela época era permitido,

Com 14 anos.

Eu trabalhei em várias,

Várias empresas,

Mas a maior parte da minha carreira profissional no ambiente corporativo,

Trabalhei numa indústria automotiva,

Né?

Uma das maiores do mundo.

Aqui no Brasil,

Trabalhei 18 anos nessa indústria,

Tive uma carreira lá,

Entrei como estagiária,

Né?

Pra poder.

.

.

Foi bem,

Bem assim,

Bem lá debaixo mesmo,

Mas entrei estagiária,

Período,

Meio período,

Fui passando,

Né?

Algumas etapas,

Algumas atividades,

Depois eu virei terceira,

Né?

Contratada dentro da empresa,

Dentro do Instituto de Pesquisa,

Depois eu virei funcionária,

Eu era analista,

E aí foi caminhando,

Né?

Não foi uma história muito simples,

Gustavo,

Porque assim,

Naquela época os ambientes eram ambientes totalmente masculinos,

Mais ainda do que é hoje,

Né?

Eu sou uma pessoa formada em humanas,

Em comunicação,

Numa indústria majoritariamente composta por engenheiros,

Né?

Então minha vida não foi muito facilitada,

Eu tinha muitos desafios,

Né?

Eu tinha,

Eu brinco que era uma combinação de diversidade,

Né?

Mulher,

Nordestina,

De origem negra,

Vindo da periferia,

Estudei em escola pública,

Né?

Consegui,

Assim,

Passar todas essas etapas dessas dificuldades,

Mas na época as coisas eram muito mais difíceis,

Não é que muito mais difíceis,

Mas eram muito menos faladas do que hoje,

Né?

Então não falava sobre diversidade,

Sobre inclusão,

Sobre a responsabilidade social das empresas,

Naquela época o que era mais falado era sobre sustentabilidade e ainda alguma coisa muito superficialmente.

Então eu passei por inúmeras dificuldades,

Discriminações,

Várias etapas bem difíceis nesse processo.

Tem algum exemplo,

Ana,

Algum exemplo assim de alguma coisa,

Só pra gente entender um pouco do que você tá falando?

Ah,

Tem alguns exemplos,

Tem uns que são bem ruins,

Né?

Eu falo que eu deveria,

Que eu tenho muita preguiça de fazer isso,

Mas eu deveria escrever um livro sobre isso.

É assim,

Alguns exemplos,

Né?

Eu teve uma vez que eu estava concorrendo para uma promoção e quando eu fui para a entrevista para a etapa final com o diretor da área,

No dia que eu fui fazer a entrevista com a RH,

Junto com o diretor,

Ele olhou minha ficha,

Meu desempenho,

Ele foi super elogioso,

Ele falou,

Nossa,

Sua ficha é ótima,

Seu desempenho aqui na empresa é ótima,

Porque eu queria concorrer para uma outra vaga,

Né?

E aí ele virou para mim,

Olhou a ficha,

Olhou para minha cara e falou assim,

Ah,

Uma pena que você é mulher.

E na época eu não sabia lidar com isso,

Né?

Era uma coisa muito assim,

Foi muito impactante,

Mas talvez menos impactante do que a gente olhar isso hoje,

Porque na época a gente falava dessa questão de inclusão,

De mulher,

De diversidade,

De feminismo,

E eu não sabia lidar com aquilo,

Né?

Eu não sabia como responder.

O que eu respondi para ele foi,

O que você precisa nessa função que não pode ser uma mulher?

Eu tentei argumentar,

E ele falou assim,

Olha,

Na verdade o que eu preciso é uma pessoa que bata na mesa,

Fale grosso e que faça as coisas acontecerem.

E eu ainda tentei argumentar,

Eu falei para ele,

Mas eu consegui os mesmos resultados,

Sem bater na mesa,

Sem falar grosso,

E consegui com que passa,

Né?

Mas não deu certo,

Para essa posição não deu certo.

Ele falou,

Não,

Ele queria realmente um homem,

Ele contratou um homem para a posição.

Obviamente,

Eu fiquei muito triste,

Fiquei super arrasada na época,

E fui tentando autoriar essas situações,

Né?

Passou um tempo,

Um pouco mais para frente,

Aí eu acho que,

Não vou lembrar se foi um ou dois anos,

Aí sim eu fui promovida a ser executiva na época,

E eu lembro que era uma coisa muito curiosa,

Eram 60 executivos na vice-presidência onde eu trabalhava,

E eu era a única mulher.

E na companhia,

Acho que tinham quatro mulheres executivas na época,

A companhia tinha 30 mil funcionários aqui no Brasil.

Nossa,

É muito pouco.

Era bem pesado,

E aí eu lembro que assim,

Eu tinha dificuldade de almoçar,

Porque os executivos homens não chamavam para almoçar,

Eles chamavam os homens,

E muitas vezes eles tentavam disfarçar,

Chamar os homens sem me chamar.

Não era uma coisa assim,

Eles estavam fazendo aquilo de maldade,

Mas era o que eles reconheciam,

É o que eles identificavam na época.

Era o que era,

Né?

Eu era a única executiva que durante o período,

Até eu conseguir ser aceita no clube,

Eu era a única executiva que almoçava com os funcionários,

Porque todos os outros almoçavam com os pares,

Com outros executivos.

E você chegou a ter que falar grosso e bater a mão na mesa para ser aceita?

Eu falo que eu tive que fazer uma transformação.

Esse tipo de transformação não são sustentáveis,

Eu descobri depois,

Né?

Na verdade,

O que eu fiz,

Eu criei um modelo em volta de mim,

Que não era eu,

Que era uma pessoa que sobrevivia em função daquele ambiente,

É como se fosse a Lei de Darwin mesmo,

Adaptação.

Então,

Eu vestia só terninho,

Eu não vestia nada que fosse feminino,

Feminino,

Eu usava pouca maquiagem,

Eu usava sapato mais baixo.

Quando eu me vi,

Aquilo não era eu de verdade,

Entendeu?

Eu criei um personagem,

Uma pessoa,

Para conviver naquele ambiente.

Eu falava palavrão,

Era uma coisa assim,

Que eu achava que eu tinha que ser igual a eles para poder ter o que eles tinham.

Como eu não tinha modelos à minha volta,

Então o modelo era aquele,

Era o modelo do falar grosso,

Do falar palavrão,

De falar besteira,

De gritar uns com os outros,

Era aquele modelo,

Né?

E eu olhava para o lado,

Não tinha como me identificar,

Então era um processo muito difícil.

Fora isso,

Eu tinha muitas questões que eram até curiosas hoje,

Né?

Por exemplo,

Eu era executiva e eu tinha uma assistente,

Como boa parte dos executivos tinham na época.

Só que eu,

Uma menina que trabalhava comigo diretamente,

Cuidava da agenda,

Tudo,

Que hoje as pessoas chamam de secretária,

Eu chamava de assistente.

E era muito comum eu ligar para os meus secretários,

Ou ligar para um outro executivo,

Eu mesmo ligar,

Né?

E quando eu ligava,

Era muito comum,

Assim,

Acho que quase 100% das vezes,

A assistente do outro executivo pedia para que eu colocasse o meu chefe na linha,

Porque para elas era inconcebível uma mulher ser o chefe,

Né?

E aí eu falava,

Não,

Eu sou executiva da área,

Ah,

Desculpa.

Normalmente as pessoas pediam desculpa,

Ou então nem falavam nada,

Falavam vou te passar para falar com fulano.

Então,

Assim,

Eram coisas muito.

.

.

Só que esse tipo de coisa vai minando a gente,

Né?

Todos os dias.

Imagina!

Quando você vai trabalhando isso todos os dias,

Você vai aguentando essas coisas todos os dias,

Por mais que você crie uma estrutura,

Uma armadura,

Não é uma armadura simples,

Você vai se transformando numa coisa que necessariamente você não é,

Então aquilo vai ficando cada dia mais difícil e foi ficando insustentável para mim,

Né?

Acho que essa mesma armadura vai ferindo você mesma,

Né?

Essa mesma armadura que você criou,

Ela fica muito pesada e vai ferindo,

Realmente.

Vai ferindo muito.

Eu lembro de inúmeras vezes eu voltando para casa,

Tarde da noite,

Né?

E assim,

Eu chorava mesmo,

Chorava,

Mas nunca chorava lá dentro,

Porque eu ouvia lá dentro que a gente não podia chorar,

Né?

Porque essa coisa de chorar é coisa de gente fraca,

Né?

Então eu chorava voltando para casa,

Me descabelava de chorar no carro,

Tudo,

E aí no dia seguinte estava lá,

Firme e forte,

Para continuar.

Então é um processo,

Não é uma coisa muito fácil,

Né?

É bem importante a gente olhar que isso foi num período,

Né?

Que era um período bastante difícil,

Né?

Para as mulheres,

Ainda é,

Não é um processo fácil.

Se fosse fácil,

A gente teria espaço nos ambientes de poder,

Mas a gente ainda não tem,

Ainda tem muita dificuldade.

E o último ano que eu trabalhei nessa corporação,

Que foi o ano que eu decidi sair,

Não foi um processo fácil,

Não.

Foi uma decisão muito dura.

Foi uma decisão,

Assim,

Que eu fiquei refletindo muito,

Porque eu estava lá há quase 18 anos,

Eu tinha todo aquele pacote,

Né?

Que as pessoas valorizam demais,

Né?

Eu já tinha,

Tenho filha,

Tenho duas filhas,

Então é o plano de saúde,

Carro,

Né?

Aqueles pacotes de benefício,

Bônus,

Enfim,

Uma série de outras coisas e foi uma decisão.

Todo o status também que foi construído,

Né?

Todo o status que você foi conquistando arduamente.

Pois é,

Foi muito duro.

Foi um processo,

Assim,

Muito difícil,

Não foi um processo da noite para o dia,

Foi uma construção,

Mas eu não conseguia me enxergar mais tempo ali naquele ambiente,

Porque eu vivia doente,

Né?

Eu estava doente,

Porque eu não tinha que ser eu o tempo inteiro.

Eu tinha que o tempo inteiro fingir ser uma outra pessoa.

E no sentido de eu fingir,

Assim,

De ter que ser aquela pessoa forte,

Que tem que tomar decisão de tudo,

Que tem que falar alto,

Que tem os jogos,

Né?

Dentro do ambiente corporativo,

Então é um ambiente que não é um ambiente saudável,

Né?

Ana,

Deixa eu só abrir um parêntese aqui,

Que eu acho que esse é um ponto importante para muitas mulheres e até homens também,

Que tem que se adequar e vestir uma armadura para se adequar a esse ambiente,

É o que o ambiente está exigindo.

Quando você fala que você estava doente,

O que que são os sintomas?

Como é que você percebia que você estava doente?

Eu tinha sintomas,

Assim,

Muita dor de cabeça,

Um cansaço excessivo,

Eu estava sempre,

Assim,

Suava frio em algumas situações.

Eu tive doenças físicas,

Né?

Eu tenho diabetes e para mim o diabetes,

Assim,

Eu saí de lá,

Eu adquiri diabetes uns dois anos antes de sair da empresa.

Eu tenho gastrite até hoje,

Não é uma coisa que você consegue consertar.

Então,

Eu tinha gastrite,

Diabetes,

Eu tinha crise de labirintite,

Que eram todas doenças relacionadas ao alto índice de estresse.

E o índice de estresse lá era completamente absurdo,

Era,

Assim,

Ultrapassava todos os limites da sanidade mental.

Então,

Como consequência,

Eu tinha sintomas emocionais que depois viraram sintomas físicos.

Hoje eu tenho que lidar,

Depois de tudo isso,

Com diabetes,

Labirintite,

Gastrite,

Né?

Claro que a minha vida é muito diferente,

Não tenho mais que lidar com aquela coisa horrorosa,

Que são os jogos corporativos,

Que eu realmente nunca me adaptei,

Mas assim,

Foi um período muito difícil e teve consequência e vai ter consequência até o resto da minha vida,

Né?

Porque foram quase 20 anos vivendo naquele ambiente tóxico,

Né?

Não sabendo lidar.

Eu acho que uma coisa que é muito importante,

Que eu falo muito para executivos e executivas que me procuram até hoje,

Porque vivem hoje em ambiente tóxico,

Eu falo assim,

O que é importante é você entender qual é o seu limite.

Às vezes a gente não respeita o nosso limite.

A gente vai empurrando,

Empurrando,

Empurrando e a gente não vai entendendo qual o limite do corpo,

Da sua saúde mental,

Da sua sanidade,

Tudo mais,

Né?

E eu fui puxando muito esse limite para frente,

Eu fui empurrando ele sempre para frente.

Então também tem uma participação nossa em entender o quanto aquilo está te adoecendo,

O quanto aquilo te faz mal.

Infelizmente,

Os ambientes corporativos,

Gustavo,

Lógico que eles mudaram,

Né?

Mas eles não mudaram significativamente.

Infelizmente,

Ainda é focado em controle,

Ainda é focado em as pessoas fazerem certo,

Né?

Não valoriza quem erra,

Não valoriza as pessoas,

Valoriza muito o corpo presente,

O que eu acho uma coisa doida,

Né?

Vejo que a pandemia mostrou.

Vejo que a pandemia mostrou.

A gente precisa de corpo presente para fazer as coisas?

Não.

Então,

Assim.

.

.

Inclusive,

Eu vi uma pesquisa de um jornal inglês dizendo que,

Em média,

Um colaborador passa 45 dias de trabalho com presenteísmo,

Que é,

Ele tá com o corpo presente,

Mas a mente dele tá em outro lugar.

Então,

A gente quer deixar a pessoa lá com o corpo presente,

Mas ela não tá efetivamente produzindo.

E além de não tá produzindo,

Aquilo ainda tá ferindo,

Né?

Porque provavelmente ela tá muito cansada ou ela,

Enfim,

Precisa fazer outras coisas e não era pra estar ali no trabalho naquele momento,

Né?

É uma.

.

.

Você não deixou de ser livre,

Né?

Dessa maneira.

Não.

Não deixou de ser livre,

Você não é produtivo,

Porque as pessoas.

.

.

A gente tinha uma brincadeira lá que era uma coisa horrível,

Assim.

Ah,

Você precisa chegar cedo,

Mas você precisa sair tarde.

O teu chefe tem que ver te ver cedinho,

Mas também tem que ver tarde da noite.

Eu falava,

Gente,

O que que é isso,

Né?

O que que significa isso,

Né?

Essa disponibilidade de corpo ali,

De estar ali,

E não respectiva.

.

.

Não de verdade,

Como você falou,

A pessoa está lá.

Mas isso é muito difícil,

Porque as estruturas corporativas foram montadas nesse modelo.

E desmontar esses modelos não é um processo fácil.

Eu tenho gente,

Assim,

Que eu conheço,

Porque eu tenho,

Assim,

Muitos anos de pessoas que são C-level de empresa,

Que falam pra mim,

Eu não sei lidar com o fato do funcionário estar em casa e eu não sei o que ele tá fazendo.

Porque na imaginação da pessoa,

Quem tá em casa não tá fazendo nada.

Então,

Assim,

Ele imagina que a pessoa tá de pé pra cima,

Né?

Vendo televisão,

Comendo e não trabalhando.

Eu ouvi semana passada uma história bizarra de uma pessoa que trabalha numa empresa que o gestor pede que as pessoas fiquem online o tempo inteiro,

Disponível,

Pra ele saber se a pessoa está trabalhando.

Eu falo,

Gente,

Jura por Deus isso?

É um baixo nível de confiança,

Né?

Muito baixo nível de confiança.

Isso me lembrou,

Existe uma pesquisa de Harvard,

Uma pesquisa sobre felicidade,

Que já tem muito tempo aí que ela acontece,

Mais de 80 anos,

Que diz que são os relacionamentos o nosso principal determinante de felicidade na vida,

Independente da situação que cada um tá passando,

Né?

E confiança é,

Talvez,

A principal característica de um relacionamento saudável,

Né?

Então,

Se a gente tem dentro do mundo corporativo relacionamentos que não são baseados na confiança,

A gente tá falando também de relacionamentos que estão depondo contra a felicidade,

Né?

Estão indo contra esse contentamento.

É perfeito.

Você saiu pra montar uma coisa diferente,

Ana?

Você saiu pra falar,

Você viu toda essa,

Isso que estava acontecendo e você falou,

Eu vou sair pra montar algo diferente disso?

Eu não sabia o que eu ia fazer e esse foi um dos pontos que eu falo com muita clareza,

Porque as pessoas pensam que eu saí e já tinha um plano Eu não tinha plano,

Eu não sabia o que eu queria fazer,

Não sabia se eu queria voltar pro ambiente corporativo Um dos meus gestores,

Na época,

Falou assim,

Tira um sabático,

Avalia e depois você volta Eu falava,

Cara,

Não sei o que eu quero.

Eu quero,

Assim,

Não ter esse controle,

Eu quero entender o que tem no mundo à minha volta Eu não sei o que acontece no mundo à minha volta,

Porque a gente fica tão mergulhado naquele ambiente que a gente fecha a cabeça E eu lembro que uma das coisas que eu falo assim,

Gente,

Eu não conheço,

Eu não vejo as pessoas,

Eu não tomo café com os amigos Eu não saio,

Eu não sei o que é uma rede social,

Na época tinha muito forte o LinkedIn,

Eu não sei o que é uma rede social Eu não sei o que é nada,

Porque eu tô aqui mergulhada nesse ambiente E eu saí pra não saber o que eu ia fazer,

Eu fiquei uns oito meses sem saber o que eu ia fazer Eu ainda fui trabalhar num outro ambiente corporativo,

Fiquei seis meses só nesse outro ambiente Porque foi aí que eu identifiquei de verdade,

Que eu falei,

Meu,

Não é isso que eu quero pra mim Eu vou pensar o que eu vou fazer Só que empreendedorismo,

Gustavo,

Na época não era uma coisa como a gente vê hoje Falar de empreendedorismo,

Falar de pessoas que estão criando coisas,

Você só ouvia falar do Sebrae E o Sebrae era muito associado àquele pequeno negócio padaria,

Coisas assim Que não tinham a ver com o universo que eu tava trabalhando e isso não é nenhum demérito E aí eu e mais dois amigos,

Nós tivemos a ideia de criar um negócio,

Uma plataforma de recomendação na internet Na época a internet não bombava como a gente tá vendo hoje também Isso foi no final de 2008 pra 2009,

Nós criamos uma plataforma de recomendações Fiz todos os erros possíveis e imagináveis nesse primeiro negócio,

Todos,

Todos,

Assim Todas as insanidades,

Fiz sociedade por amizade,

Me preocupei mais com o escritório Não tava muito claro o que era modelo de negócio,

Enfim,

As coisas deram errado Não foram no caminho que eu gostaria que elas fossem E aí eu tive que construir uma outra história,

Não foi um processo fácil essa minha jornada do empreender Mas foi o que me trouxe até onde eu tô aqui hoje,

Então acho que isso faz muito sentido Legal,

Eu vi você esses dias falando num vídeo sobre o glamour do empreender Que na verdade não é tão glamouroso assim,

Né?

Às vezes as pessoas veem a coisa do empreendedor e,

Nossa,

Que bacana,

Construir isso tudo E aquilo lá é só a ponta do iceberg,

Só a ponta Todo o restante,

Todas as falhas,

Todos os empreendimentos que não foram bem-sucedidos E que geraram dor,

Às vezes sofrimento,

Mas que serviram como aprendizado Estão ali na parte de baixo do iceberg E as pessoas têm muito uma visão que empreender é uma coisa muito bacana,

Muito pop,

Muito Ai,

Que bacana,

Que legal,

Tem a possibilidade de ficar rico E eu gosto de falar da relação,

Eu gosto de falar das dificuldades E como é que.

.

.

Por que o RME?

Conta um pouco pra gente o que ele faz,

Qual que é o propósito dele A rede,

Na verdade,

Surgiu.

.

.

A rede é RME,

A gente chama RME mesmo Que é a sigla de Rede Mulher Empreendedora Eu comecei,

Na verdade,

Porque eu fui selecionada por esse primeiro negócio Eu fui selecionada pra participar de um programa na GV que se chamava 10 Mil Mulheres Era um programa que queria ajudar donas de pequenos negócios a se desenvolver e a empreender Na época eu fui uma das selecionadas pro programa através desse primeiro negócio E eu lembro que no primeiro dia de aula eu tive uma.

.

.

Assim,

Eu fiquei muito incomodada,

Porque eu estava muito feliz porque eu tinha passado Eu tinha sido uma das selecionadas,

Mas por outro lado eu fiquei incomodada Porque eles disseram que tinham tido mil mulheres que tinham feito inscrição pro programa E 35 que estavam ali eram as privilegiadas O que eu falei pra eles na época,

Eu infernizei a GV,

Infernizei todo mundo que era dono do programa E eu falei pra eles,

Mas o que vai acontecer com as 900 e tantas que não passaram?

E eles disseram que não podiam fazer nada porque,

Na verdade,

O programa era pra 35 mulheres a cada seis meses E aí eu tive a ideia,

Durante o curso,

De começar a escrever o que eu aprendia no curso Pra poder outras mulheres terem acesso Foi assim,

Muito.

.

.

Não era um negócio,

Não era nada assim Ah,

Vou fazer isso pra ganhar dinheiro com isso Eu tinha um elogio aqui e aí eu comecei a escrever,

Comecei a pedir ajuda das colegas de classe Porque eu entendia de comunicação,

Mas eu não entendia muito bem de finanças e de outros assuntos,

RH,

Enfim E aí cada uma me ajudava de forma colaborativa,

Então era como se fosse um blog E aí no primeiro ano,

Em 2010,

A gente tinha 100 mil mulheres me acompanhando nesse blog E aí começou a virar uma coisa que não era.

.

.

Que eu não sabia mais nem o que fazer É muita gente?

100 mil pessoas?

Muita gente Aí no segundo ano,

Foi em 2011,

Eu abri uma página nas redes sociais e aí virou uma loucura maior Porque aí tinha interação e aí eu não conseguia lidar com essa interação E aí começou a pedir evento,

Aí começaram a fazer coisas,

Então a rede foi acontecendo Durante três anos ela não foi um negócio,

Durante três anos ela foi um movimento que eu fazia pra ajudar outras mulheres Foi só depois de três anos que eu fui trabalhando,

Pensando,

Eu fazia à noite,

De final de semana Que eu transformei a rede aí sim num negócio social que ajuda outras mulheres a empreenderem Ou a desenvolverem seus negócios pelo Brasil inteiro Hoje a gente tem 750 mil mulheres 750 mil mulheres A gente até se conheceu pra falar sobre o Instituto RME Qual que é o papel do Instituto hoje dentro da rede?

A rede tem 10 anos,

Eu abri o Instituto em 2017 Porque a gente começou.

.

.

Tudo acontece meio por demanda com a gente Muitas organizações de fora do Brasil e até do Brasil começaram a pedir pra gente Se a gente não era uma organização social,

Uma ONG,

Que as pessoas conhecem como ONG Mas é uma OSC,

Organização da Sociedade Civil E aí eu tinha uma ideia de trabalhar com o público de vulnerabilidade social,

Que a gente chama Mulheres em Vulnerabilidade Social E aí em 2017 eu abri oficialmente o Instituto,

Abri em outubro de 2017 Era uma ideia que eu já tinha há três anos Então o Instituto é um spin-off da Rede Mulher Empreendedora A rede é uma empresa,

É um negócio social,

Mas com fins lucrativos O Instituto é uma organização social sem fins lucrativos O foco do Instituto é trabalhar projetos com mulheres em vulnerabilidade social E o foco da Rede Mulher Empreendedora é trabalhar todas as mulheres Não importa se é um pequeno negócio ou se é um negócio com tecnologia Ou se é um negócio que tem um tamanho maior Então a gente se divide assim A gente se apoia,

Tanto o Instituto quanto a rede Então tem projeto que o Instituto lidera e a rede apoia E tem projeto que a rede lidera e o Instituto apoia Então é muito importante essa estrutura,

Porque a gente consegue ajudar tanto um ao outro O Instituto ganhou o maior projeto,

Que foi o primeiro em 2018 Que foi o projeto do Google,

Que doou um milhão de dólares para o nosso Instituto Para a gente criar uma metodologia,

Na verdade para a gente integrar uma metodologia Que nós tínhamos criado de capacitar mulheres em situação de vulnerabilidade social E pegar essa metodologia e espalhar pelo Brasil inteiro Essa metodologia tem um nome,

Chama-a POD É um programa,

Tem site,

É um programa do Instituto A gente tá aplicando no Brasil inteiro Agora em dezembro de 2020 a gente deve chegar a 135 mil mulheres impactadas pelo programa No Brasil inteiro 60% na região Norte e Nordeste Então assim,

É um trabalho bacana A gente fez capacitações para mulheres trans,

Mulheres negras,

Mulheres quilombolas Mulheres egressas do sistema prisional,

Venezuelanas Enfim,

A gente busca no Instituto trabalhar aquele público que normalmente as pessoas não têm muitas atividades Então a gente vai trabalhar muito a autoconfiança,

Né Para ver se elas conseguem se desenvolver — Eu quero entrar um pouco no ela POD,

Mas só quero saber Hoje o cliente da rede mulher empreendedora são as empresas ou tem programas para pessoa física?

— Nós temos o nosso foco de modelo de negócios hoje São as grandes corporações,

Fundações,

Instituições que fazem doações para a gente Para as empreendedoras a gente não cobra nada Praticamente 95% dos nossos programas hoje são gratuitos — Mesmos da rede?

— Mesmos da rede A gente não tem nenhum modelo associativo do tipo paga uma mensalidade,

Uma anuidade Muita gente já sugeriu isso pra gente,

Mas a gente não cobra Porque eu acho que é muito mais importante a gente buscar recursos de grandes corporações De grandes empresas que queiram de verdade ajudar essas mulheres E nós fazemos esse papel de gestão desses projetos É isso que a gente faz hoje Hoje a gente tem 26 colaboradores diretos na rede,

São funcionários E a gente tem quase mil voluntárias no Brasil inteiro Que ajudam a rede a estar em todo o país — Legal Eu vi do programa Potência Feminina,

Que é com o Google É um novo nome do ela POD?

— Não,

É um novo programa A gente desenhou um outro modelo É um outro programa,

Ele pode ser encarado como uma continuidade do ela POD Mas ele é um outro programa Porque esse programa tem uma diferença,

Né?

A gente recebeu uma nova doação do Google,

Agora de 7 milhões de reais,

7 milhões e meio Essa doação é um programa muito bacana,

A gente fez em 30 dias,

Que é uma loucura Mas a gente desenhou um programa onde a gente consiga caminhar por todas as etapas De quem quer empreender ou quem quer buscar geração de renda Então ele trabalha em três pilares de conhecimento Que é empregabilidade,

Tecnologia e empreendedorismo Então são os três pilares de conteúdo A gente trabalha nesses três pilares com capacitação,

Seja online ou presencial Com autoaceleração,

Ou seja,

Nós temos um programa lá com um toolkit de autoaceleração de negócio Com aceleração,

Uma próxima etapa,

Depois mentoria e depois capital semente Ou seja,

Nós vamos fazer cumprir a jornada inteira No final do processo de cada uma dessas etapas A gente vai escolher ao todo 180 negócios no Brasil inteiro Que vão receber cada um 10 mil reais Como capital semente,

Né?

Só de capital semente dá quase 2 milhões de reais que a gente vai dar E fora isso,

Nós escolhemos,

Vamos escolher até semana que vem 10 organizações sociais do Brasil Para que elas recebam um apoio financeiro da gente também Apoio financeiro,

Apoio de gestão,

Equipamentos,

Uma série de coisas A gente tem,

Para escolher essas 10,

Nós tivemos até ontem 480 inscrições Para a gente escolher 10 organizações sociais Que a gente vai fazer a gestão junto com elas — Que legal,

Esse é um programa conjunto do Instituto com a Rede?

— Do Instituto com a Rede,

Tem uma parte do programa que é a Rede Uma parte do programa que é o Instituto Então,

Assim,

Em uma parte do programa a gente está contratando parceiros também de conteúdo Por exemplo,

Tecnologia,

A gente está contratando um parceiro de tecnologia Conteúdo de empregabilidade,

A gente está contratando um parceiro de conteúdo de empregabilidade E por aí vai — Eu não tenho dados estatísticos,

Talvez você tenha Mas a maior parte das empresas que foram fundadas no mundo até hoje foram fundadas por homens E a gente tem agora,

Você está trabalhando num movimento para que as mulheres abram mais empresas O que impede hoje as mulheres de abrirem empresas?

Qual é o maior desafio que elas têm?

— Aqui no Brasil,

Quase metade dos pequenos negócios são fundados ou liderados por mulheres Quando você entra em regiões.

.

.

Acho que fez um barulhão,

Posso.

.

.

— Pode continuar — Todo mundo em casa — É isso aí,

Todo mundo em casa — Passa barulho Então,

Assim,

Aqui no Brasil quase metade dos pequenos negócios hoje já são liderados por mulheres De negócios novos aqui em São Paulo,

De cada 100 CNPJs novos,

53 são de mulheres Ou seja,

Elas estão abrindo mais negócios O desafio agora é abrir mais negócios,

Mas abrir em áreas que consigam trazer alguma inovação E que elas consigam,

Como desafio,

Que é a sua pergunta,

Ter acesso a crédito Que é uma grande dificuldade hoje Ter acesso a mercado,

Ou seja,

Ter pra quem vendeu os produtos ou serviços E ter acesso a programas de capacitação,

Que é uma das coisas que a rede faz Mas a gente não consegue ainda atender o Brasil inteiro Brasil inteiro não,

Não consegue atender todas as empreendedoras O nosso sonho de consumo é que a gente tenha política pública Como existe em outros países pra poder ajudar as mulheres donas de pequenos negócios Legal,

Você falou sobre autoconfiança,

Que um dos pilares de desenvolvimento é autoconfiança E aí eu vou até fazer um gancho,

Quando você me contou de um programa que teve no início desse ano Com,

Acho que eram 70,

75 mulheres trans lá na sede do Google E que elas entravam e às vezes se sentiam até desconfortáveis de estarem naquele ambiente Porque nunca tinham entrado em contato com aquele ambiente O que é construir autoconfiança nessas pessoas que foram expostas a tão poucas coisas?

Ou melhor,

Elas foram expostas a muitas coisas,

Mas quando a gente fala de sonhar grande,

Sofisticação Elas não foram expostas,

Porque estão à margem da sociedade Não,

Eu acho perfeita a sua colocação.

Na verdade,

O nosso programa se baseia em uma metodologia Que ensina coisas que normalmente não são ensinadas pras mulheres Isso é o que a gente chama,

Tecnicamente,

De viés inconscientes É o que eu chamo de construção social Então,

A gente não é ensinada,

Por exemplo,

A ser líder desde cedo Desde cedo o que ensinam pra gente é assim Ai,

Você é fofa,

Você é bonita,

Você é a princesinha da mamãe,

Do papai São sempre coisas de construção,

De cuidado,

De beleza,

Sempre naquele território As pessoas acham que isso é uma bobagem,

Mas não é Você vai construindo a sua identidade em cima daquilo Com certeza Então,

A gente não ensina sobre liderança,

A gente não ensina sobre educação financeira Pras meninas,

Desde cedo A gente não ensina como falar em público,

A gente não ensina a negociar Então,

O nosso programa,

A gente fala que a consequência dele é gerar mais autoconfiança Mas o que a gente ensina são essas habilidades Como é que você cuida do seu dinheiro,

Como é que você negocia As pesquisas mostram que as mulheres negociam pior as situações pra elas do que com as outras pessoas Então,

O que a gente mostra nesse programa,

Não só pras mulheres trans,

Mas pras mulheres negras,

50 a mais Mulheres de periferia,

Enfim,

Pras quilombolas,

Pras indígenas A gente mostra assim,

Você não tem limitação pra o que você precisa fazer ou o que você quiser fazer Não existe lugar de mulher Então,

Você aprende essas habilidades,

A gente ensina essas habilidades E é muito curioso,

Porque na primeira hora que elas fazem o programa,

Que elas entram Estão todas sentadinhas,

Quietinhas,

Super desconfiadas A partir do primeiro workshop,

Já pra segunda atividade,

Elas já mudaram a expressão Já falam,

Olham pro lado Porque a gente ensina,

Inclusive,

A trabalhar a rede de relacionamento A como construir laços pra poder melhorar o desempenho do seu negócio ou buscar emprego Quanto que isso é importante A gente ensina aquela palavra muito feia,

Que é sororidade,

Mas a gente fala muito de irmandade feminina De como tá junto,

Como apoiar umas às outras e quanto esse apoio é importante Então,

Parece coisa ciência da NASA,

Mas é muito simples O que a gente ensina é soft skills,

Que não são ensinados pra essas mulheres desde cedo E a gente trabalha pra que elas gerem autoconfiança A gente não dá nada pra elas O que a gente dá são os requisitos,

As características e as habilidades Mas quem desenvolve são elas Então,

Quando elas saem do programa,

Que elas levantam o certificado e se posicionam,

São elas A gente recebe depoimentos até hoje A gente começou esse programa no final de 2017,

Com as turmas piloto Até hoje a gente recebe centenas de depoimentos falando Puxa vida,

Eu sou uma pessoa diferente,

Eu consigo desenvolver tal coisa e tal coisa Porque eu aprendi que eu posso fazer isso também Então,

Acho que isso é que é fundamental A gente não dá uma varinha à margem A gente só mostra pra ela os caminhos e ela mesmo que desenvolve esse processo Legal!

Vem na minha mente aqui agora uma ideia de você ajudá-las a sonhar A não só sonhar,

Mas como entender que ela tem a capacidade de conquistar aquilo Que às vezes é uma realidade que dificulta esse processo de sonhar Sem dúvida Como é que uma pessoa comum,

Ana,

Que não tá trabalhando com você no instituto Como é que ela pode,

De alguma forma,

Fazer a diferença na sociedade?

Você já parou pra pensar nisso?

Existe uma fórmula?

Existe uma dica?

Tem,

Eu dou algumas dicas Eu acho,

As pessoas pensam em transformação da sociedade,

Mudar o mundo como sendo coisas gigantes Como sendo coisas grandes Eu vou fazer alguma coisa que todo mundo vai conhecer Não necessariamente,

Você pode fazer coisas pequenas Desde as atitudes mais simples do dia a dia,

De respeitar os outros,

Ter empatia Enfim,

Que a gente tem falado muito Que as pessoas acham que isso também é bobagem,

Mas não é Acho que esse é um ponto importante E um outro ponto é doação Não é doação em dinheiro A gente tem pessoas na rede que dão um tempo que fazem mentoria Vou dar um exemplo super bacana Todo ano a gente faz um mega evento que chama Fórum Empreendedoras E nesse fórum a gente atende cerca de 400 mulheres em mentorias rápidas de 30 minutos E por incrível que pareça,

É lindo de você ver Presidente de empresa,

Diretora de empresa Pedindo pra gente pra fazer o atendimento em mentoria,

Pra ajudar essas mulheres E assim,

Elas não têm obrigação Não pedem absolutamente nada em troca Elas falam,

Não,

Eu só quero participar,

Só quero estar lá,

Só quero ajudar Então é esse tipo de coisa,

Você não precisa ganhar reconhecimento teoricamente pelo que você faz O importante é você fazer e você se sentir bem com aquele trabalho,

Com aquilo que você faz A gente tem gente na rede que é palestrante,

Que escreve pra gente Que ajuda no dia a dia,

Que pega na mão Tem diretora de empresa que manda mensagem pra gente assim,

Ó Se eu tiver que carregar a caixa,

Me fala que eu vou aí ajudar vocês a carregar a caixa Então não precisa ser uma coisa mega sofisticada,

Mega uau É coisa básica mesmo,

Do dia a dia,

Que a gente acha que faz a transformação Nossa,

Muito legal Eu tenho uma história que eu tenho orgulho de ter acontecido comigo Que é,

Tinha uma pessoa que trabalhava comigo já há um bom tempo em São Paulo,

Na minha casa E ela era da Bahia E ela levava mais ou menos uma hora e meia,

Uma hora e quarenta,

Às vezes duas horas,

Duas horas e meia Pra chegar na minha casa E eu sempre falava com ela,

Maria,

Demora tanto tempo pra você chegar aqui Você cozinha tão bem,

Será que não seria melhor você voltar pra Bahia pra fazer comida lá?

Porque ela realmente cozinhava muito bem e ela ficava testando salgadinho e tal E aí acho que de tanto eu falar pra ela,

Ela decidiu voltar E ela tá feliz lá,

Ela se sente realizada Os filhos dela estão tendo uma qualidade de vida muito maior Ela não leva mais esse tempo pra vir e voltar Enfim,

Eu acho que foi legal,

Assim,

Ajudá-la nesse processo de realmente conseguir sonhar Perceber que tinha uma outra realidade Só que ela veio pra São Paulo em busca de um sonho,

Né?

E aí ela chega aqui em São Paulo e essa grande cidade com muito trânsito E acaba que esse sonho,

O empreendedorismo é uma saída pra essa realidade de várias horas no trânsito Como é que o empreendedorismo entra,

Fala com essas pessoas?

Eu acho que ele é um caminho,

Ele ainda tem muitos desafios,

Né?

Eu ainda acho que as pessoas glamorizam muito ainda o empreendedorismo Eu acho que nós temos muitos desafios pra superar Pras mulheres o empreendedorismo é fundamental porque ele dá uma palavrinha mágica que chama flexibilidade Ou seja,

O caso,

Como você tá falando da Maria,

Ela ter que gastar uma hora e meia pra ir pra sua casa e voltar Mais uma hora e meia,

Já consumiria três horas do dia dela E estar mais próximo dos filhos,

Estar mais próximo da família faz uma diferença enorme A gente só não pode glamorizar as dificuldades,

Né?

A gente precisa ter condição pra que ela consiga empreender Ter condição pra que abra um negócio,

Ter condição de acesso a crédito Ter programas de verdade que apoiem,

Que ajudem Hoje o acesso a crédito é uma das grandes dificuldades pras empreendedoras 80% delas,

A gente acabou de fazer uma pesquisa,

80% delas foram muito afetadas pela pandemia E boa parte das empreendedoras,

40%,

Sustentam a família única e exclusivamente com a renda que veio do negócio Então esse é um ponto também muito importante pra gente levar em consideração A gente vem brigando muito aqui na rede por políticas públicas pra ajudar essas mulheres Tem que dar crédito facilitado Quando um negócio de uma mulher dá certo,

Ela não investe em melhorar a vida dela pessoalmente Ela investe em melhorar a educação dos filhos,

O bem estar da família Ela contrata outras mulheres,

Ela ajuda outras mulheres Então por isso que os estudos mundialmente mostram que se a gente quer alguma transformação social A gente tem que buscar essa transformação social através das mulheres Eu acho que esse é um ponto super importante pra gente levar em consideração Por isso que eu acho que o empreendedorismo é um ótimo caminho Mas ele tem que vir junto com apoio,

Senão ele vira mais um fardo,

Né?

Porque imagina que agora na pandemia as mulheres estão dentro de casa,

Quem pode ficar dentro de casa Com os filhos sem escola,

O meu caso é esse,

Sem escola e ainda sou privilegiada Porque eu tô conseguindo ficar dentro de casa,

Consigo ter minhas filhas aqui próximo Tem computador,

Tem acesso à internet e tudo mais,

A maioria das pessoas não tem Então eu acho que a gente tem que pensar nisso,

O que fazer como política pública Pra ajudar essas mulheres a empreenderem de uma forma melhor Aí sim,

Tendo apoio,

Aí o empreendedorismo é um ótimo caminho pra essas mulheres Legal,

Realmente,

Porque sem política pública,

Sem crédito,

Ele acaba sendo muito arriscado,

Né?

Sim Ana,

Se a gente tivesse que,

Pra gente finalizar aqui,

Se a gente tivesse que apagar Tudo que você já falou por aí,

Todas as suas entrevistas,

Todos os podcasts Você é uma pessoa daquelas,

Dos principais líderes lá do LinkedIn,

Tivesse que apagar tudo E você pudesse deixar três recados aí pras pessoas,

Pras futuras gerações Nossa,

Que demais O que você deixaria aí pra gente?

Olha,

Eu acho que um recado importante,

Né?

Nada é tão pequeno que não pode fazer uma transformação no mundo Então não subestime o seu poder de fazer as coisas,

Né?

Eu acho que esse é um recado importante,

Não subestime o seu poder Você pode achar que é uma coisa boba,

Que é um vídeo,

Que é uma mensagem,

Um pegar na mão Um falar um boa tarde,

Enfim,

Não subestima uma pequena ação Eu acredito muito em pequenas ações O exemplo da Greta é isso,

Né?

Um cartaz na porta da escola E virou uma representante mundial no que diz respeito ao combate ao clima Então não subestime as suas pequenas ações Acho que esse ponto é muito importante Tem uma expressão que hoje é muito usada e que me dá arrepio quando as pessoas usam Que é uma expressão que as pessoas falam,

Que é mimimi Mimimi ou vitimismo Nunca,

Jamais,

Use essa expressão Porque quando você usa essa expressão,

Você está diminuindo a dor da outra pessoa Então assim,

É uma coisa muito triste Esse processo de construção da nossa sociedade,

Dessa coisa de brigar pelas redes sociais Então eu acho que nunca diminua a dor do outro Acho que isso é muito importante Dizer que o outro tá de mimimi,

Aquilo,

Entendi,

Realmente Isso é muito triste Eu acho assim,

Sempre respeite a dor do outro,

Né?

Olhe pelo olhar dele,

Então é ter empatia de verdade Eu acho que isso é muito importante E a terceira coisa,

Pra mim,

Uma das mais importantes também É a gente ter consciência de privilégio,

Gustavo As pessoas não gostam de falar que elas têm privilégio E quando assim,

Outro dia uma moça falou pra mim Ah,

Mas,

Poxa,

Eu sou culpada que eu sou branca,

Nasci numa família de classe média alta Eu sou privilegiada Eu falei,

Não,

Você não é culpada A diferença no que você faz com isso Como que você faz pra ajudar outras pessoas que não tiveram seus privilégios Então se você é um homem branco,

De classe média alta Com uma família estruturada,

Estudou em escola particular Você não é culpado por isso O que faz a diferença é você entender sim que isso é um privilégio Que nós vivemos num dos países mais desiguais do planeta Nós estamos nas 10 primeiras colocações no que diz respeito à desigualdade E o que você está fazendo pra diminuir essas desigualdades Pra mim esse é o ponto Então acho que é isso que a gente tem que sempre refletir Essas três questões pra mim são fundamentais Nossa,

Muito legal E o que,

Ana,

Que a gente.

.

.

Eu sei que você já falou sobre isso Mas eu quero só voltar aqui O que a gente tem que fazer pra diminuir as desigualdades?

A educação é o principal fator?

Não é só a educação A educação é um dos principais fatores Mas eu acho que enquanto a gente não tiver consciência Que a gente vive num país racista A gente vive num país racista As pessoas não gostam de admitir isso E quando você fala de desigualdade Você tem sim que falar de racismo Tem que falar de machismo E tem que falar de origem em discussão social Se a gente não fala dessas três coisas juntas Dificilmente a gente vai conseguir sair desse limbo que a gente está hoje de desigualdade A educação é um caminho Não tem outro caminho que não seja a educação Mas se a gente não trouxer junto com a educação Essas consciências de que nós somos um país racista Machista e classista Então aí a gente não vai conseguir fazer transformação social Então transformação social a gente faz com isso Tendo consciência e baseado na consciência tomando ações O problema é que as pessoas não querem tomar ações As pessoas querem olhar hoje E falar que vamos fazer uma hashtag Black Lives Matter Vidas negras importam Vamos mudar as minhas redes sociais Um mês depois,

O que isso transformou de verdade na sociedade?

O quanto as pessoas têm consciência de classe O quanto você tem uma pessoa esfregando na cara de uma outra pessoa Que é um funcionário público falando Você sabe com quem você está falando?

Isso é ser um país classista Então acho que a gente tem muitos desafios nessas questões Juntar a educação com essas três questões Eu acho que a gente consegue fazer mudança Mas a gente precisa ter coragem para fazer E eu acho que na situação que a gente está Não estou querendo ser pessimista,

Eu sou sempre otimista Porque empreendedor é otimista por natureza Mas eu acho que a gente tem que ter sim essa consciência Para fazer essa transformação,

Senão a gente não vai andar E a gente amplia a consciência através da ação?

A gente primeiro tem consciência A gente chama assim,

Traz os vieses inconscientes Você traz para a consciência Quando você traz para a consciência,

Você parte para a ação Trazer para a consciência e não fazer nada,

Não adianta nada E como que traz para a consciência?

É,

O pessoal traz para a consciência E como que traz para a consciência?

Você entendendo o que está acontecendo Você tendo consciência do que está acontecendo à sua volta Vou dar um exemplo claro de trazer para a consciência Quando você minimiza que uma pessoa negra fala que ela sofre racismo Você não está sendo consciente disso Quando você minimiza o fato de uma mulher falar que está sofrendo machismo Você não trouxe para a consciência ainda Quando você entende de verdade os efeitos perversos do racismo,

Do machismo E do classismo na situação do país Aí fica muito mais fácil de você partir para a ação Porque você genuinamente trouxe para a consciência O problema hoje é que as pessoas gostam de hashtags Mas não gostam de trazer real para a consciência Porque quando a gente tem consciência Você não precisa ser uma pessoa negra para você defender o combate ao racismo Você não precisa ser uma mulher para defender o combate ao machismo Você precisa ter consciência de que isso é um problema E de que isso afeta uma parte significativa da população E de que isso é uma dor real Quando você traz de verdade isso para a consciência Você passa a lutar junto Porque você entende que aquilo é fundamental Eu acho que o drama hoje é trazer para a consciência E as pessoas não querem Porque é difícil as pessoas se desfazerem de privilégios Porque as pessoas entendem essa questão como Eu vou perder para o outro ganhar Ela entende como um bolo E a gente não está falando isso A gente está falando que quando todo mundo tem oportunidade Quando a gente tem condições de dignidade para toda a população Todo mundo ganha Você tem uma população mais educada Mais conscientizada Uma população mais livre Mais criativa,

Inclusive Exato Nós só vamos ser um país de verdade Nós só vamos mudar essa situação Quando a gente tiver consciência dessas questões Consciência clara disso Você levanta essa discussão em todos os âmbitos Você fala sobre isso Como que as pessoas entram e veem o que você fala Você está nas redes sociais?

Qual que é o seu Instagram?

Fala aqui para a gente,

Para quem quiser te seguir a partir de agora Para quem ainda não está te seguindo Em todas as redes sociais eu sou anafontesbr O mesmo endereço No Instagram,

No Facebook,

No LinkedIn No YouTube Pode me procurar lá Eu costumo ser bem acessível Às vezes eu demoro um pouquinho para responder Mas eu respondo todas as mensagens na medida do possível E sou eu mesma que respondo As pessoas às vezes falam assim Como assim eu estou falando com você?

Eu falo não,

Você está falando comigo mesmo Legal E a rede?

As pessoas podem participar,

Podem seguir?

Podem participar Acesse através do site para ver como fazer parte Mas é só lá se cadastrar Ou então nos seguir nas redes sociais Em todas também A Rede Mulher Empreendedora está no Instagram,

No Facebook E no LinkedIn também Ana,

Muito obrigado Foi um prazer conversar com você Foram muitas discussões super ricas Acho que um dia eu gostaria de fazer um novo Para a gente falar só sobre desigualdades Porque agora no final Entrou esse ponto tão importante Mas ficou aí esse gostinho De quero mais Obrigado por ter participado Nosso ouvinte Se gostou,

Compartilha Dá um like E nos segue nas redes sociais O meu Instagram é Obrigado,

Até a próxima Obrigada,

Tchau Obrigada,

Viu,

Querido Obrigado,

Ana Até mais Até mais

5.0 (12)

Avaliações Recentes

Bernadete

July 5, 2024

🙏

Daiane

October 18, 2022

Maravilhoso 👏👏👏👏

Joao

May 20, 2021

Incrivel!! parabéns a vocês dois pela linda missão!

simone

January 23, 2021

gratidão!❤🙏🏻

cecilia

September 12, 2020

Maravilhoso

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