
No. 42 - Quando um Relacionamento nos Irrita | Podcast Autoconsciente
Relacionar-se é algo extremamente desafiador, talvez até o mais desafiador da vida. Neste episódio, vamos explorar por que alguns relacionamentos nos tiram do sério, e olhá-los sob uma perspectiva que talvez seja nova para você. Como dizia Carl Jung, "tudo que nos irrita nos outros pode nos levar uma compreensão de nós mesmos". Escute de coração aberto!
Transcrição
Bem-vinda,
Bem-vindo ao Autoconsciente,
Este é um podcast que entende você para você se entender melhor,
Eu sou Regina Gianetti,
Praticante e instrutora de mindfulness,
Alguém como você,
Aprendendo com as experiências da vida,
Eu faço esse podcast para compartilhar reflexões e ações para uma vida com mais autoconsciência,
E a minha intenção de coração é que ao terminar um episódio você se sinta melhor do que quando começou.
Das muitas mensagens que vocês compartilharam comigo ultimamente,
Meus queridos ouvintes,
E eu agradeço muito por isso,
Vou destacar a mensagem do Rodrigo de Guarulhos,
São Paulo,
Ele rompeu uma barreira na vida dele,
E compartilha todo contente isso aqui conosco,
O Rodrigo é analista de controladoria,
E por muito tempo engavetou os projetos dele,
Por medo de que não fossem bons,
Por medo de fracassar,
E os projetos se acumulavam,
Às vezes ele olhava para tudo aquilo,
Mas não dava coragem de entregar.
Um dia o Rodrigo topou com o autoconsciente,
E começou a escutar assim,
Meio sem compromisso,
Meio quase não acreditando que talvez aquilo pudesse ajudar,
Mas ele foi escutando,
Foi se identificando,
Foi entendendo muita coisa do que se passava com ele,
E se sentindo melhor com isso.
No dia em que o Rodrigo me escreveu,
Ele tinha enfim entregado os seus projetos,
E o resultado foi que todo mundo adorou,
Ele diz que afinal toda aquela autocobrança,
Todo aquele medo do fracasso que ele sentia,
Era só um amontoado de pensamentos confusos com que ele está aprendendo a lidar.
Olha Rodrigo,
Eu estou muito feliz por você,
Meus parabéns pelos seus projetos e sucesso.
E tem dica de ouvinte também,
Que é da Renata,
De João Pessoa,
Ela super indicou o livro Os Quatro Compromissos,
Do autor Dom Miguel Ruiz.
A Renata diz que o livro é sobre como a gente se limita com o nosso sistema de crenças,
E nós falamos de crenças no episódio 41,
Né?
Esses quatro compromissos são como que pilares para lidar com os nossos conflitos internos.
Muito legal Renata,
Eu agradeço a indicação,
E já coloquei o livro na minha lista de leitura.
Eu quero fazer um agradecimento especial a todos os ouvintes que compartilharam as suas histórias de relacionamentos para esse episódio,
E em particular ao Giorgio de Marília São Paulo,
A Dani de Curitiba e a Andresa de Fortaleza,
Que foram pessoas com quem eu conversei um pouco mais.
Quando eu começo a produzir um episódio,
São muitas as ideias e possibilidades,
Mas o texto acaba tendo um encaminhamento em que nem todas as situações se encaixam.
De qualquer forma,
Eu gostei muito de conversar com vocês,
Gostei muito de conhecer suas histórias,
E deixo aqui o meu abraço.
E para você que escuta esse podcast pela primeira vez,
Já deu para perceber que ele está bombando,
Né?
Então bem-vindo à comunidade de ouvintes do Autoconsciente,
Eu convido você a escutar o episódio 0,
Em que eu justifico a ideia de levar uma vida com mais autoconsciência e apresento o projeto desse podcast.
O Autoconsciente é serial,
Os episódios têm uma sequência em que os temas vão se aprofundando.
Episódio 42 – Quando um relacionamento nos irrita.
Eu tenho uma pergunta para você que ouviu o episódio anterior,
Aquele sobre situações indesejáveis que se repetem na nossa vida.
Você reparou o quanto essas situações envolvem o relacionamento com alguém?
Apareceu muito isso naquele episódio,
E não é para menos,
Né?
Os relacionamentos estão na essência de áreas importantes da vida,
Afetiva,
Familiar,
De trabalho,
Social,
Então eles vão estar na essência das nossas dificuldades nessas áreas também.
E eu tenho outra pergunta.
Você ficou surpreso que nós influenciamos as situações que se repetem na nossa vida?
E se ficou,
Então se prepara para mais surpresas nesse episódio.
Nós também influenciamos a dinâmica dos relacionamentos que nos irritam.
É,
Tem pessoas com quem o relacionamento é complicado,
Com certeza,
Tem pessoas que impõem seu modo de pensar,
Que não são sinceras,
Que querem controlar tudo,
Que falam de modo agressivo,
Que reclamam muito,
Que fazem muitas críticas,
Que não dialogam,
Tem de tudo.
Agora,
O quanto o relacionamento com essas pessoas vai nos irritar,
O quanto vai nos fazer sentir raiva,
Indignados,
Impacientes,
Estressados,
Isso depende muito de nós,
Depende de expectativas e julgamentos que temos com relação a elas,
E também da forma como lidamos com elas.
Uma metáfora que eu acho perfeita para os relacionamentos interpessoais é a do jogo de pingue-pongue.
Um jogador bate na bolinha com força,
Aí o outro rebate com força também,
E o outro bate com mais força ainda,
E assim vai,
Fica um jogo tenso,
Chega um momento em que não importa quem começou a jogar daquele jeito,
Porque os dois jogadores estão envolvidos naquilo,
Estão reagindo um ao outro,
E assim acontece também com os nossos relacionamentos.
Talvez você preferisse me ouvir dizer que a culpa é do outro,
O outro é que está forçando esse jogo,
Ele é que tem que parar com isso,
Mas se você ficar esperando que o outro pare,
Sabe quando você vai deixar de se irritar com o relacionamento?
Eu também não sei,
Porque se depender do outro,
Você está na roça,
Você não pode contar com a iniciativa dele para algo nessa relação mudar.
Olha eu sei o quanto esse jogo pode ser desgastante,
Pode ser perturbador,
Relacionamento é algo extremamente desafiador,
Eu acho até que é o mais desafiador da vida,
Os relacionamentos acionam muitas emoções em nós,
E nós vamos começar a explorar aqui porque,
Porque eles mexem tanto com a gente,
E nesse episódio nós vamos fazer um recorte dos nossos relacionamentos,
Falar especificamente daqueles que nos irritam.
A minha intenção é apresentar uma perspectiva do relacionamento que talvez seja nova para você,
Para provocar uma reflexão,
E quem sabe você ache razoável a ideia de que nós temos muito a ganhar com os relacionamentos que nos irritam.
Como dizia Cao Yung,
Tudo que nos irrita nos outros,
Pode nos levar a uma compreensão de nós mesmos,
Por isso eu te peço,
Escuta de coração aberto.
Olha basicamente o que nos irrita num relacionamento,
São duas situações,
Quando o comportamento do outro é diferente do que a gente espera,
E quando o comportamento do outro nos contraria ou afeta de alguma forma.
Então,
Um bom começo para essa conversa é entender por que cada um de nós se comporta de determinada maneira,
Não é?
Vamos partir daquele ponto-chave que eu sempre falo aqui no autoconsciente,
E até que já fazia assim uns três episódios que eu não falava,
Estava até demorando.
Que ponto que é esse?
São aquelas duas motivações instintivas do nosso comportamento,
Evitar o sofrimento e ir em busca do que nos traz benefício.
Se por uma questão de sobrevivência nós somos levados a evitar o sofrimento e ir em busca do que traz benefício,
Então nós vamos ter necessidades que garantam o nosso bem-estar físico e psicológico.
Ao nascer a gente tem basicamente as necessidades vitais,
Como respirar,
Ser alimentados,
Proteção,
Conchego,
Conforto,
Sono,
E temos um recurso que já vem de fábrica para garantir a satisfação dessas necessidades,
Que é o choro.
Quando bate uma necessidade vital,
O nosso cérebro dispara uma reação de choro.
Então a gente chora porque está com fome,
Chora de dor de barriga,
Chora porque se assusta com barulho alto ou porque tiram a nossa roupa e dá frio.
A gente chora para tudo,
Porque é a única forma de expressar que algo não está bem e que tem alguma necessidade nossa que precisa ser atendida.
Aí conforme a gente se desenvolve,
Vão surgindo novas necessidades,
Atenção,
Carinho,
Autonomia,
Autoexpressão,
Segurança emocional,
Conexão com as outras pessoas,
Por exemplo,
E a gente também começa a desenvolver outras formas de obter a satisfação das nossas necessidades e vontades também.
Vamos imaginar a seguinte cena,
Tem uma criança brincando na sala de casa,
Uma criança pequena,
E um dos pais está sentado no sofá trabalhando no computador.
Aí a criança se entedia com os brinquedos dela e chega perto do adulto,
Ela quer a atenção dele e ela chama pelo adulto,
Mas ele está no meio de uma tarefa importante e ele responde qualquer coisa para a criança sem nem tirar os olhos do computador,
Sabe assim?
Daqui a pouco ela chama de novo e ele responde igual.
Essa criança vai tentar chamar a atenção do adulto de outras maneiras então,
Até que ele atenda a necessidade dela.
Ela talvez faça manha,
Comece a choramingar,
Ela pode puxar o braço do adulto ou subir no seu colo,
Ela talvez jogue um objeto no chão para chamar a atenção e pode até empurrar o computador do adulto,
Porque aquele computador está recebendo a atenção que ela deseja,
Rola um ciúme do computador.
Enfim,
Dependendo do temperamento da criança,
De modelos de comportamento que ela tem em casa e daquilo que ela já testou e funcionou com os pais,
Ela vai usar uma estratégia para a satisfação da sua necessidade de atenção.
Então veja,
Muito antes de a gente ser capaz de verbalizar certas necessidades,
Aquelas mais complexas,
Mais emocionais,
Nós desenvolvemos estratégias para obter o que precisamos,
Estratégias comportamentais,
E nós incorporamos esses comportamentos ao nosso modo de ser.
Aí você junta comportamento,
Temperamento e mais tarde valores,
Crenças,
Modos aprendidos com a educação,
Tudo isso se junta para compor a nossa personalidade,
Que é o nosso jeito de ser,
Agir,
De pensar,
De sentir.
A personalidade é fruto do melhor que a gente sabe fazer e pode fazer para funcionar na nossa vida,
Para garantir a satisfação das nossas necessidades.
E a nossa personalidade é única.
Outras pessoas podem até ter alguns pontos em comum conosco,
Mas iguais nós não somos.
Agora presta atenção nisso,
Porque é uma chave para entender as nossas dificuldades nos relacionamentos.
Nós temos uma tendência de ver nos outros um reflexo da nossa personalidade,
De nós mesmos.
De novo,
Nós temos uma tendência de ver nos outros um reflexo de nós mesmos.
A gente poderia dizer que esse reflexo tem dois aspectos,
O das qualidades e o dos defeitos.
Então funciona assim,
O que eu considero como uma qualidade para mim,
Eu vou considerar que é uma qualidade também para o outro,
E eu vou ter a expectativa de que o outro apresente aquela qualidade.
E o que eu considero como um defeito para mim,
Eu vou considerar como um defeito no outro,
Então eu vou julgar e criticar esse defeito no outro.
Começando então pelo aspecto das qualidades,
Eu vou dar um exemplo meu aqui.
Uma característica da minha personalidade,
Que eu considero positiva,
É a automotivação.
A criança que eu fui um dia descobriu que esse comportamento super funciona para mim,
Então eu me coloco em ação sozinha.
Se tem algo que eu preciso fazer,
Eu me mobilizo para fazer,
Eu não preciso que alguém me diga para fazer e nem quando fazer,
E aí o que acontece?
Eu tenho a tendência de projetar essa característica no outro.
Sabe o projetor de sleds que sobrepõe uma imagem em uma parede,
Em uma tela,
Em um objeto?
É nesse sentido,
A gente projeta a nossa própria imagem no outro,
Eu projeto no outro a minha automotivação e crio a expectativa de que ele seja automotivado como eu.
E se essa expectativa não se confirma,
O que acontece?
Num primeiro momento eu me irrito.
Olha,
Eu já projetei muito isso nas pessoas que vieram trabalhar aqui em casa,
Por exemplo.
Eu fico achando que a faxineira vai se automotivar para lavar as cortinas quando elas ficam sujas,
Que ela vai se automotivar para limpar dentro dos armários,
Que ela vai praticamente adivinhar o que eu penso.
Bom,
Eu já desencanei dessas expectativas,
Né,
Gente?
Não encontrei até hoje ninguém que tivesse esse nível de automotivação que eu espero.
Agora,
Se eu não quiser me desgastar porque o outro não atende à minha expectativa,
O que é que eu faço?
Eu baixo a minha expectativa,
Eu retiro a minha expectativa.
Eu não posso obrigar o outro a ser como eu sou.
Ele não tem que ser como eu sou,
Nem como eu quero que ele seja.
Ele é ele,
Tem as qualidades dele.
É inútil eu me desgastar por algo que o outro não é.
Essa é uma das verdades inconvenientes sobre a vida.
Os outros não têm que atender às nossas expectativas,
Assim como nós também não temos que atender às expectativas dos outros,
Diga-se de passagem.
Cada um é responsável pelas expectativas que cria e precisa aprender a lidar com isso.
Tem pessoas que questionam esse raciocínio.
Mas fazer isso não é se anular,
Não é perder para o outro.
Olha,
Eu não vejo dessa forma,
Tá?
Quando eu não projeto expectativas de como o outro deve ser,
Eu deixo o outro livre e eu também fico livre.
Eu fico livre de me irritar,
Estressar,
Chatear,
De me decepcionar,
De me aborrecer.
É assunto nosso,
Escolha nossa,
Não projetar expectativas nos outros.
Pensa nisso.
Agora sobre o outro aspecto que a gente tende a projetar nos outros,
O dos defeitos.
Só para lembrar,
O que eu considero que é um defeito para mim,
O que eu rejeito em mim,
Eu vou rejeitar também no outro e me irritar com o outro.
Algo que me deixa muito indignada é quando o meu marido solta pum,
Quando a gente está no sofá vendo televisão.
Eu fico uma arara.
Como é possível que ele faça isso tão publicamente,
Tão despudoradamente,
Tão descaradamente?
Ele nem disfarça,
Ele só diz,
Eu estou na minha casa e ainda tira uma onda comigo.
Ah,
Você está rindo,
É sério,
Viu?
Isso me irrita porque eu rejeito a ideia de fazer isso publicamente.
Na minha autoimagem de mulher educada e fina,
Isso não entra.
Reparou que eu nem nomeio o ato diretamente,
Eu estou falando fazer isso em lugar de soltar pum.
É o máximo que eu me permito dizer.
Nenhum verbo comumente usado que descreve esse ato,
Você não vai ouvir sair dessa boca.
Bom,
Está vendo como eu tenho julgamento com isso,
Né?
Eu reconheço,
Eu tenho sim,
O que não quer dizer que eu também não faça,
Claro,
Mas não publicamente,
Dessa forma.
Eu não sou diferente de ninguém,
Na verdade,
E a questão é que se eu rejeito isso em mim,
Eu vou rejeitar isso no outro também.
Deixa agora eu contar a história que a Elane,
De São Caetano do Sul,
São Paulo,
Compartilha aqui com a gente.
A Elane fica muito irritada com pessoas negativas,
Que reclamam de tudo,
Que não conseguem ver nada de bom nas coisas,
E ela reconhece claramente esse traço de personalidade nela mesma.
A Elane conta que já foi uma pessoa muito reclamona também,
Muito negativa,
E com o tempo ela começou a perceber o quanto esse comportamento era prejudicial para ela própria.
Ela diz assim,
Não é uma coisa legal,
Parece que atrai energias negativas e o ambiente fica pesado.
Então,
A Elane começou a praticar mindfulness,
Olha que linda,
E a fazer terapia.
Hoje ela está se trabalhando para ver as coisas de uma maneira mais leve e para ter mais gratidão.
Agora,
Por que será que a Elane se incomoda e se irrita com a reclamação e a negatividade do outro?
Porque ela ainda rejeita esse traço nela,
Tem ainda muito julgamento e crítica para com isso.
Ela está num processo de transformação,
E assim mesmo,
Leva algum tempo para mudar.
Agora,
Elane,
Sabe quando a reclamação do outro vai deixar de incomodar você?
Quando você fizer as pazes consigo mesma,
Com esse lado seu,
Quando você não criticar mais essa parte sua que reclama,
Entendendo que isso é humano,
Ok,
Faz parte,
Não somos perfeitos.
E o mesmo se aplica a mim,
Claro,
Eu vou deixar de ficar uma rara com meu marido,
Quando eu aceitar o meu próprio lado que faz aquilo.
E haja mindfulness para a gente,
Viu Elane,
Haja mindfulness.
Por aí a gente vê o potencial de cura e de crescimento pessoal que os relacionamentos oferecem para nós.
Vamos pensar juntos aqui uma coisa,
Se a gente se olha no espelho do banheiro e vê que o cabelo está despenteado,
O que a gente faz?
Briga com o espelho?
Quebra o espelho?
Não,
A gente penteia o cabelo,
Que bom que o espelho mostrou isso para nós,
Não foi?
Num relacionamento,
O outro funciona como um espelho para nós,
Ele reflete aspectos de nós mesmos,
Que julgamos,
Rejeitamos,
Não aceitamos,
Só que a gente acha que o problema é o espelho que o outro representa,
A gente briga com esse espelho,
Critica o espelho,
Quer tirar esse espelho da nossa frente,
Em vez de olhar e cuidar daquilo que ele está refletindo,
Porque o que ele reflete é o que a gente não aceita na gente mesma.
Sabe aquela frase que diz,
O espelho não mente?
Pois é,
Escuta agora a história da Débora de Brasília,
Ela fica muito irritada quando chama a atenção do marido por algo e ele rebate que ela faz igual.
A Débora dá um exemplo,
Ele fala comigo de uma forma que eu não gosto,
Aí eu reclamo e imediatamente ele responde,
Mas você também fala assim comigo,
Isso me tira da órbita da terra de raiva.
Eu perguntei para Débora se tem alguma verdade no que o marido disse,
E ela disse,
É,
Bom,
Eu tenho mesmo uma personalidade forte e não nego que eu sou um pouco difícil de lidar.
Então veja,
O que é que o espelho do marido está refletindo para ela?
E não apenas refletindo,
Está dizendo também,
Que a Débora também fala de modo ríspido,
Que ela também critica,
Esses são traços que ela tem.
Lá atrás,
Quando a Débora constituiu a sua personalidade,
Ela incorporou os comportamentos de falar com rispidez e criticar,
Porque de alguma forma eles funcionaram para ela.
Esses comportamentos foram o melhor que ela pôde e soube fazer para ter as suas necessidades atendidas.
Só que eles estão provocando efeitos indesejáveis no relacionamento com o marido.
No momento em que isso se torna muito incômodo,
Não tem outro jeito senão olhar para o que o espelho está refletindo e trabalhar isso nela mesma.
A Débora diz que tem consciência disso e está disposta a trabalhar uma comunicação não violenta.
E é isso aí,
Deb,
Se a gente puder encarar os relacionamentos como uma fonte de aprendizado sobre nós mesmos,
Muda tudo,
Não é?
Chega a ser meio mágico,
Para onde eu olhar eu me vejo,
Eu vejo o que eu não gosto em mim,
O que eu rejeito em mim,
O que eu não aceito em mim.
Ok,
Isso não é gostosinho e é bem cansativo também,
Mas é o que nos dá a oportunidade de nos trabalhar para viver mais em paz,
Não só com o outro,
Mas com a gente mesma,
Nos julgando menos,
Nos criticando menos,
Nos culpando e envergonhando menos da nossa humanidade imperfeita.
Como eu posso ficar livre do incômodo que o outro aciona em mim,
Reconhecendo que me incomoda como um aspecto de mim mesma,
Aceitando esse aspecto em mim,
Fazendo as pazes com ele?
Fazer as pazes é como dizer,
Ok,
Eu reconheço que esse aspecto também tem em mim e eu aceito isso em mim,
Eu sou um ser humano em busca de felicidade e posso me amar como eu sou.
Os nossos relacionamentos mais desafiadores,
Então,
São escolas de autoaceitação.
Como ter mais paz e harmonia nos nossos relacionamentos,
Que na verdade é o que a gente deseja,
Tendo mais aceitação,
Aceitação da humanidade do outro e nossa também,
Dizendo eu amo isso para tudo que a gente deseja aceitar,
Lembra,
Episódio 39,
E sabe de uma coisa,
Quando a gente atravessa a barreira dos julgamentos,
Podemos enxergar aspectos admiráveis no outro,
Aspectos admiráveis que estão presentes em nós também.
Eu vou compartilhar com você uma experiência muito significativa que eu tive com isso,
Foi com a esposa de um amigo do meu marido,
E o que me chamava a atenção era o fato dela falar muito palavrão,
Eu,
Milady Regina,
Fina e educada,
Tenho para mim que palavrão não é um linguajar muito apropriado para uma mulher,
E essa pessoa emenda um no outro,
Eu tinha julgamentos com a forma dela se expressar,
E não vi assim uma afinidade com ela,
Mas como a gente estava sempre em grupo,
Eu ficava na minha e tudo bem,
Até que um belo dia eu recebi esse casal em casa pela primeira vez,
O meu marido saiu com um amigo para comprar umas coisas para o almoço,
E eu me vi sozinha com ela,
Aí eu pensei,
Cara,
E agora,
Que assunto que eu vou conversar,
Aí eu tive uma ideia,
Ah,
Vamos na quitanda,
E ela aceitou,
Chegando na quitanda começou a rolar um papo sobre verduras,
E receitas,
E como é que cada uma cuida da sua casa,
E aí a conversa entre a gente engrenou,
Deu liga,
Eu encontrei uma afinidade com ela e segui por aí,
Olha,
Para encurtar a história,
Nós tivemos um dia agradabilíssimo,
O casal ficou até quase de noite em casa,
A gente conversou muito,
Se divertiu muito,
E assim eu pude conhecer uma pessoa,
Que hoje eu reconheço isso,
É adorável,
Tem um coração enorme,
Tem muita beleza interior,
Antes daquele dia os meus julgamentos eram como uma barreira que me impedia de fazer uma conexão com ela,
E só quando eu me permiti tirar o foco do que eu julgava,
E buscar algo em comum,
Que eu verdadeiramente conheci o ser humano extraordinário que ela é.
Pois é,
Graças aos relacionamentos,
A gente pode reconhecer e aceitar aspectos do nosso lado sombra,
Que todos nós temos,
E isso ainda não é tudo,
Nos relacionamentos a gente também pode manifestar o nosso lado lusso.
Alguém que está tendo essa oportunidade é o Luan de Campos,
No Rio de Janeiro,
Ele tem vivido momentos muito tensos no relacionamento com a mãe,
Ela se preocupa muito com várias coisas e passa grande ansiedade para ele,
Faz uma pergunta e nem espera o Luan responder,
Já faz outra e outra,
São muitas perguntas de uma vez que deixam o Luan atordoado e irritado.
Pois qual é o contexto aqui,
Em 2015 o pai do Luan faleceu,
E agora são apenas ele e a mãe em casa,
Dá para entender porque ela está assim,
Viúva,
Mãe de um único filho,
Ela pode estar muito insegura quanto ao futuro,
O Luan tem 24 anos,
Em algum momento ele vai sair de casa,
Vai tocar sua própria vida,
E a mãe dele,
Como é que vai ficar,
Como vai ser a vida dela,
É muito duro,
Qualquer pessoa se sentiria perdida e ansiosa nessa situação,
A mãe do Luan precisa reorganizar a própria vida,
E no momento ela não está sabendo fazer isso,
O comportamento ansioso dela,
O excesso de preocupações,
As perguntas em série,
São uma forma dela pedir ajuda,
Até quando uma pessoa é agressiva,
O que está na origem disso é um pedido de ajuda,
É uma necessidade que a pessoa tem e não sabe verbalizar,
Como a criança que a gente foi um dia,
Que não aprendeu a verbalizar suas necessidades,
Mas chama atenção para elas de alguma forma,
O Luan tem consciência de que a mãe precisa de ajuda,
Ele tentou conversar com ela sobre isso algumas vezes,
Mas não rolou,
A situação é difícil para ele também,
Existe muita carga emocional envolvida no relacionamento entre os dois,
Do lado dele está fazendo o que pode para lidar com esses momentos,
E dia após dia ele continua tentando convencer a mãe a buscar uma ajuda apropriada,
Para lidar com essa fase difícil e se fortalecer,
Vai ficar tudo bem Luan,
Então o que os relacionamentos mais desafiadores nos convidam a ter,
Compaixão,
Olha,
Quando estamos sozinhos,
Não é difícil nos sentirmos pacíficos,
Harmoniosos e espiritualmente inspirados,
Um texto,
Um filme,
Uma música,
O contato com a natureza,
A oração,
A meditação,
Tudo isso pode nos fazer sentir assim,
Mas é só no relacionamento com outro ser que a gente pode colocar em prática o que tem de mais elevado,
Que você esteja bem,
Um abraço.
Legendas pela comunidade Amara.
Org
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