26:34

No. 34 - Quando Nos Comparamos aos Outros | Podcast Autoconsciente

by Regina Giannetti

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Nosso mundo é uma vitrine global de rostos bonitos, corpos sarados, casais apaixonados, férias perfeitas, pessoas bem sucedidas. A gente se compara com o que vê, e, dependendo do que estamos vivendo, isso nos faz sentir insatisfeitos com algum aspecto da vida. Agora, por que nos comparamos? É possível viver sem essas insatisfações comparativas? É disso que trata este episódio.

Transcrição

Nosso mundo é uma vitrine global de rostos bonitos,

Corpos sarados,

Casais apaixonados,

Férias perfeitas,

Pessoas bem-sucedidas.

A gente se compara com o que vê e,

Dependendo do que estamos vivendo,

Isso nos faz sentir insatisfeitos com algum aspecto da vida.

Agora,

Por que nos comparamos?

É possível viver sem essas insatisfações comparativas?

É disso que trata esse episódio.

Eu lhe dou as boas-vindas ao Autoconsciente,

Um podcast que entende você,

Para você se entender melhor.

Sou Regina Gianetti,

Criadora do programa de autogerenciamento Você Mais Centrado,

Para a gente ter mais foco,

Bem-estar e paz com a gente mesma.

Eu faço esse podcast para compartilhar reflexões e ações para uma vida com mais autoconsciência.

A minha intenção é que,

Ao terminar um episódio,

Você se sinta melhor do que quando começou.

Agora,

Se este é o primeiro episódio que você escuta,

Eu te convido a escutar o número zero,

Em que eu apresento a proposta desse podcast e justifico a ideia de desenvolver a autoconsciência.

O Autoconsciente é serial.

A cada episódio,

A gente aprofunda assuntos que foram tratados nos anteriores.

Episódio 34.

Quando nos comparamos aos outros.

Como seria passar 30 dias sem abrir o Facebook?

Abstinência total dessa rede social por um mês.

Pesquisadoras de duas universidades americanas,

Stanford e New York,

Fizeram uma pesquisa para saber.

Uma pesquisa que envolveu mais de dois mil participantes.

E um dos resultados foi que as pessoas relataram um pouco mais de bem-estar e satisfação com a vida,

Em comparação ao que haviam relatado antes de entrar no jejum de Facebook.

Ficar 30 dias longe das redes sociais,

E aqui todas elas,

Foi também a proposta de uma campanha de saúde pública,

Realizada no Reino Unido no ano passado.

Aliás,

Perto da época em que acontecia a pesquisa,

Nos Estados Unidos.

O argumento das autoridades para convencer as pessoas a aderir,

Foram os impactos negativos das redes para a saúde mental e bem-estar.

Como ansiedade,

Depressão,

Baixa autoestima.

Esses impactos foram comprovados por estudos realizados no Reino Unido.

E esses estudos ligam a popularização das mídias sociais ao aumento de distúrbios psicológicos.

Especialmente entre os mais jovens.

Mas por que eu estou te contando isso?

O que isso tem a ver com o tema do episódio?

Tudo a ver.

A ansiedade,

A depressão,

A insatisfação com a própria vida,

Os sentimentos de baixa autoestima que esses estudos apontam,

Tudo isso está relacionado em grande parte ao fenômeno psicológico da comparação com os outros,

Que rola solta quando acessamos as redes sociais.

Se comparar com os outros é algo que o ser humano sempre fez,

Desde que se conhece como tal.

É algo que todos fazemos,

Sem exceção.

A novidade nos últimos tempos é que o surgimento das mídias sociais ampliou absurdamente as situações e o campo de comparações.

Mais do que nunca surgem ocasiões para nos compararmos aos outros.

E isso é reforçado por um outro traço do mundo atual,

Que é a ênfase na competitividade.

Então você soma a nossa tendência natural de nos comparar com a necessidade de ser competitivo,

De se destacar,

E aí temos uma tempestade perfeita.

Nosso mundo é uma vitrine global de rostos bonitos,

Corpos sarados,

Casais apaixonados,

Férias perfeitas,

Pessoas bem-sucedidas,

Gente esbanjando sorrisos nas suas selfies de momentos felizes,

Selfies em lugares badalados,

Selfies com o visual produzido para a festa,

Selfies com o grupo de amigos descolados,

Selfies no jantar à luz de velas.

Nessa vitrine a gente sempre encontra alguém que aparenta estar melhor do que nós,

Mais elegante,

Mais jovem,

Mais rico,

Mais bem-sucedido,

Mais bem acompanhado,

Mais bem de vida,

Mais feliz,

Mais qualquer coisa.

E sendo muito honestos conosco mesmos,

Tem horas que isso pega,

Não é?

Porque a gente se compara com o que vê,

E dependendo do que estamos vivendo no momento,

Isso nos faz sentir insatisfeitos com algum aspecto da vida.

Quem dera bastasse se desconectar do mundo virtual das redes sociais para ficar livre das insatisfações comparativas.

Só que não,

No mundo tangível dos relacionamentos pessoais,

A gente também se compara,

Com pessoas do trabalho,

Amigos,

Familiares.

Agora,

Por que nos comparamos?

Será que a gente pode ficar livre de se comparar,

Ou quem sabe,

Se incomodar menos com as comparações?

E como fazer isso?

Aí está do que trata esse episódio.

Para entender por que nos comparamos,

Vamos partir de algo que já foi abordado em episódios anteriores do Autoconsciente,

Sobre as motivações básicas do nosso comportamento.

O ser humano é naturalmente motivado a evitar sofrimento e obter benefício.

Lembra disso?

Então,

Por um lado,

Somos incentivamente levados a evitar situações que tragam dor física ou emocional.

E aqui entra o medo,

Insegurança,

Rejeição,

Isolamento,

Fracasso,

Carência,

Frustração,

Menosprezo,

Humilhação,

Falta de amor,

Tudo que causa dor emocional,

E tentamos a todo custo evitar.

Por outro lado,

Somos instintivamente motivados a buscar situações que nos façam sentir bem,

Como ter as nossas necessidades satisfeitas,

Nossos desejos realizados,

Confortáveis,

Bem-sucedidos,

Incluídos,

Aceitos,

Validados,

Respeitados,

Considerados,

Amados.

E assim,

Guiados por essas motivações instintivas,

Desde que somos bebês,

Começamos a experimentar a vida e descobrir o que nos faz sentir dor e o que nos faz sentir bem.

E nessas experiências,

Copiamos alguns modelos.

Quando somos bem-sucedidos nisso,

Ganhamos reforços positivos que nos fazem sentir bem.

Aprendemos tudo,

Andar,

Falar,

Comer sozinhos,

Nos vestir,

Copiando pai,

Mãe,

Um cuidador,

Um irmão.

E também é dessa forma que aprendemos comportamentos,

Fazendo o que os outros fazem ou nos dizem para fazer.

Às vezes também contrariando o que os outros nos dizem para fazer.

Inúmeras vezes ouvimos coisas do tipo,

Fique quietinho como seu irmão ou seja educado como aquela menina.

Olha aí a gente aprendendo a nos comparar com os outros.

Essas comparações têm um papel importante no nosso desenvolvimento.

Segundo a psicologia,

É nos comparando com os outros que podemos avaliar a nós mesmos,

Nossas atitudes,

Habilidades,

Nossos resultados.

E o desejo de nos aproximar daquilo que é um modelo para nós nos motiva para o aprimoramento pessoal.

Por exemplo,

Quando estamos aprendendo algo,

Nos comparamos com o professor ou com o colega mais adiantado e temos uma referência de onde podemos chegar e do que fazer para chegar lá.

Então,

Em princípio,

A comparação com os outros é positiva,

Está a serviço do nosso desenvolvimento.

Só que nós,

Ser humaninhos,

Temos o dom de complicar um pouco as coisas,

Não é?

Por que criamos uma sociedade altamente competitiva,

Em que todos procuram se destacar?

No mínimo,

Para ser especiais acima da média,

Como diz a Christine Neff,

Que é doutora em desenvolvimento humano e especialista em autocompaixão.

Você ainda vai me ouvir falar muito dela em episódios futuros.

Mas enfim,

A Christine diz que essa cultura de competitividade acentua nossa necessidade de nos ver positivamente e nos faz sentir ameaçados se os outros forem melhores do que nós.

As pessoas com quem nos comparamos não são pontos fora da curva,

Como bilionários,

Atletas de alta performance,

Top models ou gênios da ciência.

Pessoas que estão em outra realidade.

Nos comparamos mesmo é com quem tem algo em comum conosco,

Como pessoas do nosso círculo de convivência ou aqueles que têm a mesma profissão ou que estão na mesma faixa etária,

Por exemplo.

E aí,

Quando nos deparamos com gente como a gente,

Que tem mais êxito do que nós em algum aspecto da vida,

Algum aspecto que seja importante para nós,

Surge a inevitável comparação.

Ela está de namorado novo e eu aqui encalhada.

Ele já foi promovido e eu continuo no mesmo lugar.

Como assim ela está vestindo um manequim 38?

Essas são as comparações que a psicologia chama de ascendentes,

Ou seja,

Com quem na nossa percepção está acima de nós em algum aspecto.

E isso pode fazer a gente pensar que está perdendo no jogo da vida,

Que está ficando para trás ou de fora.

Interpretar o fato dessa forma desperta sentimentos de inferioridade,

Descontentamento ou frustração,

Tristeza e inveja.

E também costuma motivar julgamentos severos a nosso respeito.

Sou uma encalhada,

Tenho um corpo horroroso,

Sou um nada,

Um bosta.

Por que nos julgamos dessa forma?

Por que somos tão duros conosco às vezes?

Isso também tem a ver com a nossa motivação intrínseca para evitar o sofrimento da rejeição,

Do isolamento,

Do fracasso e tudo mais.

Na lógica da nossa mente,

Estar em desvantagem numa comparação nos expõe a esse sofrimento.

E para sair desse lugar de sofrimento,

Nos damos uma auto-bronca para melhorar,

Para mudar.

Christine Neff diz que na origem do auto-julgamento existe o desejo de nos corrigir,

De nos manter seguros e no caminho certo.

O problema é que os nossos julgamentos severos fazem a gente se sentir ainda mais mal conosco mesmos.

Existem também as chamadas comparações descendentes,

Quer dizer,

Com pessoas que,

Na nossa percepção,

Estão abaixo de nós em algum aspecto da vida.

Usamos essas comparações para nos sentir melhor com relação a nós mesmos,

Para inflar a nossa auto-estima.

Sabe aquele pensamento assim?

Ela pode ser bonita,

Mas não tem o namorado que eu tenho.

Hum,

Esse aí rodou na empresa,

Antes dele do que eu.

Pois é,

A gente tem dessas coisas.

Passam mesmo pela nossa cabeça pensamentos inconfessáveis.

Outra coisa que a gente faz para inflar a auto-estima é se promover um pouquinho,

Né?

Compartilhar as nossas conquistas,

Melhores momentos,

Melhores imagens.

Vamos aparecer bem nas timelines da vida.

O resultado vem rápido.

Likes,

Comentários,

Seguidores,

Validação social em tempo real.

E isso nos faz sentir bem.

Estar em evidência,

Ser aceitos,

Aprovados e populares são experiências benéficas que somos motivados a buscar.

Fazem o cérebro liberar a serotonina,

Um neurotransmissor que produz bem-estar e nos motiva a repetir a experiência novamente,

Para ter mais bem-estar.

Por isso,

Postar nas redes é tão atraente.

Receber validação dos outros é bom,

Faz parte da vida,

Ok.

Mas entre o atraente e o viciante existe uma distância muito curta para algumas pessoas.

Elas começam a colocar cada vez mais energia em se mostrar.

No limite,

Começam a criar situações artificiais para se mostrar.

Um caso desses que ficou conhecido foi o da blogueira americana Lizette Calveiro,

De 26 anos,

Que fez 10 mil dólares em dívidas para aparecer bem na fita.

Ela torrava todo o seu salário de publicitária e mais um pouco com viagens,

Restaurantes,

Sapatos,

Bolsas,

Roupas.

Tudo para produzir fotos instagramáveis.

Bom,

Mesmo sem esses exageros,

Vamos concordar em uma coisa?

Uns mais,

Outros menos?

Somos todos motivados a mostrar os aspectos mais favoráveis de nós mesmos,

Para nos sentir validados,

Nos sentir bem.

E o que estamos vendo nas redes sociais é um mosaico de vidas perfeitas,

De pessoas perfeitas.

Se comparar com isso é complicado,

Né?

Faz a gente esperar muito da gente mesma,

Em todos os aspectos da vida.

Cria uma expectativa de perfeição que é irreal,

Traz sofrimento,

Gera muito auto julgamento e insatisfação com quem somos e a vida que levamos.

Olha,

Se você se identificou com o que ouviu até aqui e gostaria de não ter tanto incômodo com as comparações,

O ponto de partida é rever a ideia de levar uma vida perfeita.

Nossa vida não é um Instagram.

Ninguém tem uma vida perfeita.

Entendendo aqui como perfeição,

Uma vida idealizada,

Em que tudo acontece conforme os nossos desejos.

Nem aquelas pessoas que são um ponto fora da curva,

Gente que faz sucesso,

Tem uma vida perfeita.

Quantas vezes você já viu a reportagem de alguma celebridade contando sobre um divórcio doloroso,

Um conflito familiar,

Um problema de saúde,

Um vício.

Nem a Gisele Bundchen tem uma vida perfeita.

Ela escreveu um livro,

Eu não sei se você sabe,

Eu não sabia.

E ela conta nesse livro como se sentia em relação a ela mesma em boa parte da sua carreira galáctica de modelo.

Conta que se achava inadequada,

Teve depressão e pensamentos suicidas.

Então lembre-se de que muito do que você vê por aí é a faceta mais glamourosa da vida das pessoas.

Na vida íntima delas,

Nem tudo é glamouroso.

É preciso também rever a ideia de que nós temos que ser perfeitos.

Talvez isso lhe pareça um exagero.

Ser perfeito eu?

Não,

Também não é assim.

Aham,

Tá.

Mesmo rejeitando essa ideia,

Sofremos a influência dela,

Porque é fruto da lógica do nosso mundo competitivo.

Segundo essa lógica,

Ser perfeito é a garantia de que não vamos nos sentir em desvantagem nas nossas comparações.

Esse raciocínio pode facilmente evoluir para o perfeccionismo,

Que é uma obrigação autoimposta de atingir determinados padrões,

Resultados e ideais.

Deixa eu ler aqui um trecho do livro da Christine Neff sobre o assunto.

Abre aspas.

O perfeccionismo tem um lado positivo?

Sim.

Tem a ver com a determinação de fazer o seu melhor.

Esforçar-se para alcançar padrões elevados pode vir a ser uma característica produtiva e saudável.

Mas quando todo o seu senso de autoestima é baseado em ser produtivo e bem-sucedido,

O fracasso simplesmente não é permitido.

E nesse caso,

O esforço para alcançar a perfeição torna-se tirânico e contraproducente.

Uma pesquisa indica que os perfeccionistas têm um maior risco para os distúrbios alimentares,

Ansiedade,

Depressão e toda uma série de outros problemas psicológicos.

Se fôssemos perfeitos,

Não seríamos humanos.

Seriam a Barbie e o Ken,

Figuras de plástico que não têm vida.

A vida não é um estado estático de mesmice impecável.

Estar vivo envolve luta e desespero,

Assim como alegria e glória.

Exigir a perfeição é virar as costas da vida real,

A toda a gama de possibilidades da experiência humana.

Fecha aspas.

Olha,

Eu já dediquei um episódio para o tema do perfeccionismo.

É o número 15,

Você não tem que ser perfeito.

Vale a pena escutar e refletir o quanto ou em que você cobra a perfeição de si mesmo.

Bom,

Então,

Para não sofrer tanto com as comparações,

Temos um ponto,

Que é baixar a bola do perfeccionismo.

E um segundo ponto,

Reconhecer a nossa singularidade.

Em outras palavras,

Reconhecer que cada um de nós é único e as nossas experiências de vida também são únicas.

Isso é óbvio,

Ululante,

Não é?

Eu acho que a coisa mais óbvia que você já me ouviu falar nesse podcast,

Que voc�� é único e a sua vida é única.

Mas é obviedade só na teoria,

No discurso,

Porque na prática a gente se esquece disso.

Se não esquecesse,

A gente não estaria aqui refletindo sobre comparações.

Se somos únicos e a nossa vida é única,

Vamos criar para nossa vida objetivos que realmente têm a ver conosco.

Porque no jogo das comparações,

Pode haver uma tentação de adotar objetivos que ficam muito bem para a vida dos outros,

Mas não na nossa.

E isso não vai fazer bem para nós.

Anos atrás,

Eu conheci uma moça que era uma superempreendedora.

Tinha um toque de midas para negócios.

Aquilo em que ela botava a mão dava dinheiro.

Ela tinha muitas histórias de sucesso como empreendedora e resolveu se tornar palestrante e escritora para contar essas histórias.

Na época se falava muito em fazer carreira nessa área.

Era o papo hype da época.

Então ela fez cursos para aprender técnicas de comunicação,

Mas tinha dificuldade para se expressar.

Não era algo natural para ela.

Era forçado,

Era tenso.

As ideias não fluíam.

O discurso era truncado.

Era visível o desconforto que a situação trazia.

Aquela era a escolha dela e tinha que ser respeitada.

Mas era inevitável se perguntar por que alguém talentosa,

Autêntica e confiante como empreendedora,

Resolveu fazer carreira numa área que lhe trazia tanto desconforto e frustração.

Comparar-se com os outros pode nos levar a escolhas que nada têm a ver conosco.

Nem todo mundo nasceu para ser youtuber,

Blogueiro,

Cantor,

Jogador de futebol,

Fundador de startup unicórnio.

Ok,

Para descobrir o que tem a ver conosco,

A gente tem que experimentar.

Mas se a gente não se sente à vontade naquela experiência,

Se é forçado,

Frustrante,

Isso deve querer dizer alguma coisa.

É um sinal que deve ser levado em conta.

Se somos únicos e a nossa vida é única,

Também não cabe comparar as nossas habilidades com as dos outros.

Hoje está muito em alto o discurso de desenvolver competências.

E a lista de competências é enorme.

Dá para desenvolver todas?

Claro que não.

Mas sabe como é?

A grama do vizinho é sempre mais verde,

Né?

Chama a atenção aquele colega do trabalho,

O amigo,

Que faz com tremenda facilidade algo que a gente nem saberia por onde começar.

Fica aquele pensamento assim,

O que ele tem que eu não tenho?

É ótimo quando os outros nos inspiram a desenvolver alguma habilidade.

Mas seria mais coerente pensar em novas competências quando estamos seguros daquelas que já temos.

Se não reconhecemos no que já somos bons,

Como vamos ter confiança para desenvolver algo novo?

Pois é.

Na verdade,

Ter consciência das nossas competências nos deixa menos suscetíveis à comparação com os outros.

Esses dias eu estava lendo um artigo no LinkedIn em que a autora falava exatamente sobre isso.

Ela elogiava uma colega de trabalho megaprodutiva,

Focada,

Disciplinada e organizada que fazia em dez minutos algo que a autora do artigo levaria uma hora para fazer.

Mas se a colega tinha as qualidades dela,

A autora do artigo tinha as suas próprias,

Que ela reconhecia muito bem.

Habilidade de relacionamento,

Formação de times e desenvolvimento de pessoas.

E nesse artigo ela aconselha não se compare com ninguém.

O seu maior valor está em ser quem você é.

Por fim,

Se somos únicos e a nossa vida é única,

Também não cabe comparar nossas realizações com as dos outros.

Quando eu passei a ver as coisas dessa forma,

Eu fiquei mais em paz comigo.

Já me incomodei muito com as comparações,

Sobretudo depois que eu passei a ganhar a vida como autônoma e os meus resultados no trabalho passaram a depender exclusivamente de mim.

Eu sentia como que uma apunhalada no coração quando via no LinkedIn posts de pessoas que atuavam no mesmo segmento que o meu,

Educação corporativa,

Mostrando seus treinamentos numa grande empresa,

Enquanto eu não conseguia nem chegar perto dela.

Ficava desapontada comigo quando uma organização me pedia uma proposta de palestra,

Mas acabava contratando outro profissional.

Uma enxurrada de pensamentos vinha na minha cabeça.

Por que não eu?

Eu estou fazendo algo errado.

Eu não sou tão boa quanto eu pensava.

Minhas comparações me colocavam num lugar de insatisfação comigo mesma.

E depois de muito me comparar e sofrer com isso,

Eu aprendi uma coisa.

O meu problema não era a minha vida,

Não eram as minhas realizações.

O meu problema eram as comparações que eu fazia e o que eu pensava de mim quando me comparava.

Porque se o que eu penso de mim me coloca para baixo,

Isso afeta a minha autoconfiança.

E isso sim é que cria dificuldades para mim.

Questionando essa forma de pensar,

Eu percebi como não fazia sentido.

O que a realização dos outros dizem a meu respeito?

Nada.

Eu tenho que pensar que sou um fracasso porque os outros têm sucesso?

Não tenho.

Não existe nenhuma relação entre uma coisa e outra.

Pensar que eu sou um fracasso porque os outros têm sucesso é uma interpretação do fato.

É um julgamento.

Veja,

Nós não temos que nos julgar negativamente porque não alcançamos realizações que os outros têm.

Nossas realizações são apenas diferentes,

Assim como as nossas vidas são diferentes,

Nossas habilidades,

Trajetória,

Nossas realidades são diferentes.

Eu não tinha aquelas realizações com as quais me comparava,

Mas tinha muitas outras.

Então,

Não vamos deixar que as comparações joguem uma sombra sobre nós.

Mas sim reconhecer e valorizar as nossas realizações,

Os nossos progressos,

Qualidades e habilidades,

Porque certamente temos o que reconhecer e valorizar na nossa vida.

Talvez,

Mesmo sem a gente querer,

Uma comparação pode vir à nossa mente por força do hábito,

Já que é algo que temos feito a vida inteira.

Agora,

O que vamos fazer com essa comparação e o que vamos pensar de nós mesmos,

Isso é escolha nossa.

Se a escolha é nossa,

Podemos escolher aceitar,

Valorizar e apreciar a nossa vida como ela é,

Nos aceitar,

Valorizar e apreciar como somos.

Que você esteja bem!

Um abraço!

4.9 (26)

Avaliações Recentes

Will

February 8, 2023

Sempre um bom conselho e insight! Gratidão 😊

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