
A Vida Perfeita Não Existe
Olá! Eu sou Daiana Garbin. Por 20 anos, tive transtorno alimentar. Quando fui diagnosticada, pedi demissão para criar este canal de acolhimento, onde falaremos de nossas dores. Afinal, quem nunca sentiu culpa, insegurança ou tristeza? A verdade é que não existe felicidade plena e a gente adoece de tanto tentar ser feliz. Ficou curioso? Aperta o play e vem bater um papo comigo! Ao final, faremos uma prática simples.
Transcrição
Olá,
O meu nome é Dayana Garbim,
Eu sou jornalista,
Escritora e criadora do Eu Vejo.
O Eu Vejo é um projeto que eu criei em 2016 para a gente conversar sobre aquelas dores que normalmente a gente não conta para ninguém.
Aquelas dores que ficam escondidinhas lá no fundo do nosso coração e que às vezes a gente tem vergonha até de pensar sobre.
Eu tô falando sobre o nosso desamparo,
Sobre os nossos vazios,
Sobre a nossa angústia,
O ressentimento,
Autopunição,
O apego ao sofrimento.
Eu tô falando sobre uma sensação que eu costumo chamar de sensação de inadequação,
Fracasso,
Vergonha,
Culpa,
Insegurança,
Vazio e desamparo.
É como se fosse uma perpétua sensação de insuficiência.
A partir de agora,
A gente vai ter aqui encontros toda semana para a gente conversar sobre essas dores.
Mas antes de a gente entrar um pouquinho no assunto que eu quero conversar com vocês hoje,
Eu quero me apresentar e te dizer por que eu estou aqui.
Durante mais de 20 anos eu tive transtorno alimentar.
Eu tinha uma relação completamente doentia com o meu corpo e com a minha alimentação.
Essa relação me levou a ter depressão,
A pensar que a vida não valia mais a pena em vários momentos.
Eu comecei a fazer todos os absurdos e loucuras,
A machucar muito o meu corpo para tentar ficar cada vez mais magra,
Uma magreza completamente impossível para o meu corpo.
O meu sonho na época que eu vivi realmente era ser pele e osso.
Quando eu descobri aos 34 anos que aquele sofrimento todo que eu vivi há tantos anos não era frescura,
Não era bobagem,
Não era um estilo de vida e muito menos saúde,
Quando eu descobri,
Eu tive o meu diagnóstico de transtorno alimentar,
Eu decidi pedir demissão do meu emprego como repórter de televisão para criar o Eu Vejo,
Para criar um canal,
Um site em que a gente pudesse conversar sobre as nossas dores,
Em que a gente tivesse um espaço sem julgamentos,
Um espaço seguro para a gente olhar para as nossas emoções,
Para a gente conversar de uma maneira muito franca e sincera sobre todas essas dores que muitas vezes fazem a gente perder a vontade de viver,
Fazem a gente sentir que não tem valor.
Eu acredito que não tem dor maior para um ser humano do que ele acreditar que não tem valor,
Que não merece ser amado,
Que não merece se tratar com carinho e com respeito.
Então,
É sobre todos esses temas que a gente vai conversar aqui.
Eu penso que nós vivemos a ilusão de que um dia vamos nos sentir completos e completas,
Plenos,
Que a gente vai se sentir totalmente seguro,
Protegido e aí sim gozar de felicidade extrema.
Acontece que nós jamais estaremos plenos,
Completos,
Totalmente preenchidos e sem vazios,
Porque nós somos seres desejantes.
Nós desejamos porque falta algo,
Falta algo porque nós sempre desejamos mais e mais.
É o desejo que move a nossa vida.
O problema é que às vezes em conta desse desejo de ser feliz,
Desse desejo de ter uma vida perfeita,
Um sucesso perfeito,
Uma família perfeita,
De ser perfeitos,
A gente adoece.
Não é curioso?
Sim,
A gente adoece de tanto tentar ser feliz.
O desejo de reconhecimento nos escraviza,
O desejo de afeto,
De sermos sempre amadas e amados nos escraviza.
O desejo de estar sempre preenchido nos escraviza porque nós buscamos a plenitude como se ela fosse a única via possível de felicidade e aí ficamos completamente cegos em busca dessa felicidade idealizada,
Ansiando por uma vida livre de sofrimento e tentando lidar com o medo que a gente tem e a vergonha de não sermos boas o suficiente.
Só que aí a gente cai na mais perigosa família que existe,
Que é a de desejar algo que é impossível,
Que é a vida perfeita.
A minha intenção com essa série de reflexões que eu vou começar a trazer para vocês a partir de agora,
De podcasts,
De entrevistas com profissionais de saúde e com algumas meditações que eu vou conduzir para vocês e outras que nós vamos fazer com os meus professores e profissionais de saúde,
É te dar a coragem para pensar sobre os seus sentimentos,
Sobre as suas emoções,
Para pensar sobre o desamparo,
A ausência,
A falta,
Sabe?
Para questionar que felicidade é essa que você está buscando.
Eu aprendi ao longo da minha jornada que viver exige a coragem de acolher a infelicidade,
O medo,
A angústia e a dor.
Sim,
Eu sei que parece muito contraditório,
Mas é justamente ao aceitar e acolher a infelicidade,
A angústia,
O medo,
A dor,
O fracasso,
A vulnerabilidade,
A impermanência e a ambivalência que é ser humano que a gente pode viver mais momentos de felicidade.
Eu convido você a conhecer um caminho que eu digo é para uma vida possível,
Que é muito diferente daquela vida idealizada e daquela felicidade idealizada que a gente imagina um dia alcançar.
E esse caminho começa por aceitar que não existe vida sem dor,
Mas é a nossa relação com o sofrimento que vai ensinar a gente a ser mais feliz.
E para começar,
Eu quero te convidar para fazer uma pequena prática.
Vai ser uma prática simples e rápida,
Só para a gente sentir o nosso corpo,
A nossa respiração e respirar um pouquinho juntos.
Veja se é possível sentir o seu corpo neste momento.
Perceba o contato do seu corpo com a banheira,
Com a almofada ou com a cama,
Ou com o lugar onde você estiver sentado ou deitado.
Perceba o contato com a roupa.
Veja se é possível notar alguma tensão no seu corpo.
Talvez você perceba que está com o maxilar contraído,
Os ombros contraídos.
Talvez você perceba alguma tensão nas suas sobrancelhas.
Apenas note.
Não precisa mudar nada.
Apenas perceba como está o seu corpo neste momento.
Agora,
Eu lhe convido a levar toda a sua atenção para a sua respiração.
Veja se é possível sentir o ar entrando pelas suas narinas e então deixando o seu corpo.
Não precisa mudar o ritmo da sua respiração.
Apenas note.
Veja se é possível fazer uma ou duas respirações mais profundas e talvez você perceba que a sua mente já não está mais aqui.
A mente foi feita para pensar.
É impossível parar os pensamentos.
Apenas note onde a sua mente está nesse momento e gentilmente tente trazer a sua atenção de volta para a sua respiração.
A nossa mente nunca fica em branco.
A prática é perceber que o seu pensamento divagou e,
Gentilmente,
Você pode trazer de volta para a sua respiração.
E quando se sentir confortável,
Eu lhe convido a abrir os olhos e encerrar essa pequena prática.
Bem,
Eu espero que você tenha gostado dessa nossa conversa e dessa nossa pequena prática e eu te espero no nosso próximo episódio.
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