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Para Além da Curva da Estrada - Poema Mindfulness

by Bruna Andrade Mindfulness

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Poema Mindfulness - Para Além da Curva da Estrada, de Fernando Pessoa "Para além da curva da estrada Talvez haja um poço, e talvez um castelo, E talvez apenas a continuação da estrada. Não sei, nem pergunto. Enquanto vou na estrada antes da curva Só olho para a estrada antes da curva, Porque não posso ver senão a estrada antes da curva. De nada me serviria estar olhando para outro lado E para aquilo que não vejo. Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos..."

Transcrição

Você pode começar se ajustando,

Se acomodando,

Numa posição confortável,

Numa posição que te permita estar relaxado,

Sem desconforto no corpo,

Mas também que te permita estar atenta,

Desperta,

Vigilante.

Não é uma postura rígida,

Nem de tensão,

É uma postura descontraída,

Mas atenta.

Nessa postura,

O importante é relaxar a musculatura,

É descontrair o corpo,

É tentar se livrar dos pesos que vamos colocando sobre a nossa musculatura,

Sobre os ombros,

Sobre o pescoço,

E vai deixando a musculatura do corpo se soltar.

Você pode aliviar as tensões,

Pode perceber o peso do seu corpo caindo sobre o seu assento,

Sobre a base que está sustentando o seu corpo,

Sentindo a força que a gravidade exerce sobre o seu corpo,

Percebendo o seu corpo bem apoiado,

Bem sustentado,

Seu corpo seguro em contato com a superfície.

Depois que você encontrar essa postura,

Esse conforto para o corpo,

E também a quietude para o seu corpo,

Porque aquietar o corpo também ajuda a sustentar a tensão.

Quanto mais quieto,

Imóvel o corpo estiver,

Mais percepção temos do mundo interno.

E depois de encontrar esse espaço de quietude,

De calma,

Eu convido a sua atenção a repousar na escuta desse poema,

Para além da curva da estrada,

De Fernando Pessoa.

Para além da curva da estrada,

Talvez haja um poço,

E talvez um castelo,

E talvez apenas a continuação da estrada,

Não sei,

Nem pergunto.

Enquanto vou na estrada antes da curva,

Só olho para a estrada antes da curva,

Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.

De nada me serviria estar olhando para o outro lado,

E para aquilo que não vejo.

Importe-nos apenas com o lugar onde estamos.

Há beleza bastante em estar aqui,

E não em outro lugar,

E não noutra parte qualquer.

Se há alguém para além da curva da estrada,

Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.

Essa é que é a estrada para eles.

Se nós tivermos que chegar lá,

Quando lá chegarmos,

Saberemos.

Por ora,

Só sabemos que lá não estamos.

Aqui há só a estrada antes da curva,

E antes da curva há a estrada sem curva nenhuma.

Esse é um poema muito belo,

E a gente pode agora refletir um pouco sobre estar no aqui e no agora,

E não no ali,

Nem no além,

Nem no depois,

Porque essa é a dinâmica da ansiedade.

Querer estar onde não se está.

Se preocupar com o que ainda não existe.

A ansiedade é a projeção,

Mas não a realidade.

E nessa prática o convite é estar no presente,

E perceber a realidade exatamente como ela se apresenta.

No aqui e no agora.

Com seus sabores e dissabores.

Mas é perceber o momento presente.

É vivenciar o que ele nos traz,

No momento em que ele traz.

Então descanse nesse momento,

Nesse tempo.

Deixe seu corpo estar neste tempo,

Neste lugar.

E se perceba aqui e agora.

Sinta seu corpo presente,

Perceba quanto tempo você leva para tomar consciência do seu corpo inteiro.

Geralmente estamos mergulhados na nossa cabeça,

Enredados pelo turbilhão de pensamentos que nos assolam.

Esquecemos até que temos um corpo.

Esquecemos até que respiramos.

Nessa prática nós vamos nos recordar que temos um corpo e que ele respira.

Momento a momento.

Respira aqui e respira agora.

E a respiração nos ensina isso o tempo todo.

Porque não podemos acumular ar para o futuro.

O ar que respiramos agora só serve para agora.

Ele não servirá daqui a cinco minutos.

Por isso é preciso soltar.

Deixar ir e deixar vir.

Não podemos acumular ar,

Senão nos sufocamos.

Então vai trazendo atenção para o seu corpo respirando.

E perceba esse movimento natural de respirar momento a momento.

Acompanhe por alguns instantes o percurso e o trajeto de sua respiração.

E descanse a sua atenção nesse percurso acontecendo.

Mantenha uma atenção relaxada,

Descontraída.

Você não precisa tensionar.

Seja gentil com a distração da mente.

Porque distrair faz parte do processo.

Mas você pode reorientar a sua atenção quantas vezes forem necessários.

E aos poucos você vai ganhando cada vez mais espaço de respiração.

Permitindo o seu corpo respirar cada vez mais expandido.

Observando que nesse momento,

Seu corpo respira livremente.

Que você está atento a esse movimento.

Você respira sabendo que está respirando.

E quando a mente tenta te jogar lá pra frente,

Trazendo projeções,

Preocupações.

Te jogando em outro tempo que não presente.

Você reconhece,

Você percebe e você retorna ao momento presente.

Porque não lhe interessa o que tem depois da curva.

Só lhe interessa o que tem agora,

Neste tempo.

Na única realidade que existe,

Permaneça nessa realidade.

E deixe que a sua respiração te ancore no presente.

Deixe que o movimento da respiração te mantenha aqui.

Para que a sua mente não se perca como um barco a deriva.

Nesse mar de pensamentos incessantes.

Que nos tiram do nosso porto.

Que nos roubam a experiência do aqui e do agora.

Retorne sempre a respiração.

Todas as vezes que a mente se perder em devaneios e se projetar para o futuro.

Mas também,

Se ela te levar ao passado.

Respire lenta e profundamente.

Deixando alargar a respiração.

Permitindo que ela esteja bem expandida.

Levando ar por todo o seu corpo.

Oxigenando cada célula.

Nutrindo as suas células.

Levando vida para todo o seu corpo.

E vai deixando o seu estado e espaço interno se tornar alargado e expandido.

Vai ganhando espaço interno.

Essa percepção de expansão que a respiração nos traz.

Esteja atento ao movimento da mente.

Sempre que ela te tirar do presente.

Do aqui e do agora.

Permaneça na estrada em que você está.

Neste caminho que se apresenta para você agora.

E permaneça.

Você pode permitir que a sua atenção vá se expandindo para além de sua respiração.

Incluindo o seu corpo por inteiro.

A percepção de todo o seu corpo.

No espaço que ele ocupa.

Os limites do seu corpo.

Desde os pés até a cabeça.

Percebendo a superfície que ele toca.

Os objetos que tocam a sua pele.

Percebendo o contato do seu corpo com toda e qualquer objeto.

Despertando para as sensações táteis.

Percebendo esse corpo presente.

Sua casa.

A casa que você habita.

Convidando a sua mente para a casa do seu corpo.

Nos corpos,

Você vai deixando que o seu corpo comece a se movimentar lentamente.

Você pode provocar movimentos suaves,

Porém conscientes.

Esteja consciente dos movimentos do seu corpo.

Deixe que ele faça os movimentos que ele desejar.

Se abandonando,

Se espreguiçando.

Movimentos que forem confortáveis para você.

Deixando que,

No seu tempo,

Seus olhos possam se abrir.

Você pode manter a percepção do seu entorno.

Dos objetos que estão à sua frente.

Das formas,

Das cores.

Voltando lentamente.

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