
No. 4 - Nossa Mente Divagante | Podcast Autoconsciente
A tagarelice mental é uma exclusividade dos seres humanos e tem um importante papel em nossa vida. Mas também tem inconvenientes: distrai, desfoca, dá asas à preocupação, rumina fatos passados, alimenta sentimentos negativos, nos coloca no piloto automático, aliena de nós mesmos. Ou nós a dominamos, ou ela nos domina. Entenda como funciona a nossa mente divagante neste episódio do Podcast Autoconsciente. Escute algo que inspire!
Transcrição
Você está ouvindo o programa Autoconsciente,
Pra você estar mais presente na sua vida.
Bem-vinda,
Bem-vindo!
Eu sou Regina Gianetti,
Profissional de desenvolvimento humano,
Especializada em Mindfulness.
E a minha intenção com esse programa é compartilhar reflexões e ações para uma vida com mais Autoconsciência.
E por que Autoconsciência?
Porque a gente se conecta com uma infinidade de coisas desse nosso mundo acelerado,
Hiperconectado,
E se desconecta de si mesma.
Dispersa atenção com muitas coisas que são irrelevantes e não consegue focar nas importantes.
Nossa mente viaja no tempo e espaço e ignora o aqui,
Agora,
Que é onde a vida realmente acontece.
Pra lidar com esse mundo doido em que a gente vive,
Sem se perder da gente é preciso cultivar a nossa Autoconsciência.
Olha,
Se esse é o primeiro episódio que você ouve,
Eu te convido a escutar também o número zero,
Em que eu falo com mais profundidade sobre a importância de ser Autoconsciente.
Está lá no meu site www.
Vocemaiscentrado.
Com.
Br.
É só abrir a página do podcast,
Número inicial,
E está tudo lá para você ouvir.
Episódio número 4.
Nossa mente divagante.
Vamos começar esse programa com uma experiência,
Ok?
Por um minuto,
Experimente permanecer sentado,
Imóvel,
Com os olhos fechados e em silêncio.
E faça silêncio na sua mente também,
Sem pensar em absolutamente nada,
Por um minuto.
Se não der para fazer isso agora,
Tudo bem.
Faça isso nesse momento.
Você não vai precisar nem pausar esta faixa,
Porque eu também vou ficar em silêncio por um minuto.
Eu vou tocar um sino,
Para marcar o início do tempo,
E tocar outra vez quando o tempo acabar.
Vamos lá?
Sentado,
Imóvel,
Com os olhos fechados,
Em silêncio externo e interno,
Sem pensar em nada.
Ok,
Fim da experiência.
Bom,
Para que você tenha uma referência de como foi a sua,
Eu vou contar o que aconteceu com as pessoas que já fizeram.
Eu já conduzi muitas e muitas vezes essa experiência em palestras,
E também com os meus alunos do programa de mindfulness,
E o que aconteceu foi o seguinte.
Fazer silêncio externo foi ok.
Foi tranquilo para praticamente todo mundo.
Um ou outro fez isso com o olhinho,
Ou porque tossiu,
Ou espirrou,
Ou estava um pouco inquieto e se movimentou algumas vezes.
Agora,
Fazer silêncio interno,
Não ter nenhum pensamento por um minuto,
Isso foi muito difícil.
As pessoas disseram que não conseguiram,
Que ficaram pensando o tempo todo,
E se isso aconteceu com você também,
Fique despreocupado,
Tá?
Você é um ser humano normal.
O que você vai ouvir agora é para demonstrar o que se passa dentro da cabeça durante a experiência.
Escuta só.
Ok,
Não posso pensar.
Não pensa.
Ops,
Não pensa.
Como é que eu posso não pensar,
Sem pensar para não pensar?
Ai,
Isso não vai dar certo.
Um minuto assim?
O mozão estava estranho hoje.
Ai,
De novo,
Vai,
Não pensa.
Que barulho é esse?
Comprar sabão em pó.
Ai,
Eu vou pular essa parte,
Tá muito chato.
Podia ter pelo menos uma música.
E o orçamento que não chegou,
Hein?
Ai,
Que tédio.
Negava o Roberto.
Ele estava enrolando esse cara.
Tudo bem,
Roberto?
Você já tem uma resposta?
Ai,
Acabou.
Que burro.
É bem isso,
Né?
Essa tagarelice mental é familiar para você?
Para mim é.
Para todos nós.
Na intimidade dos nossos pensamentos,
O que se passa em boa parte do tempo é isso.
Uma conversa conosco mesmos.
Uma conversa em que a gente analisa,
Julga,
Compara,
Interpreta a experiência que está tendo naquele momento.
E também imagina situações futuras,
Relembra fatos passados.
E de repente se lembra de coisas que precisa fazer e que não fez.
E aí se preocupa com algo que pode acontecer.
Tudo isso misturado.
Rolando enquanto a gente toma banho,
Trabalha,
Come,
Dirige o carro,
Conversa.
Enfim,
O tempo todo.
A mente humana não para,
Né?
A neurociência chama esse estado de divagação e conversa conosco mesmos de modo narrativo.
E ela também diz que o modo narrativo é o modo default,
O modo padrão do cérebro.
Quer dizer,
É isso que o cérebro faz habitualmente,
A não ser quando está concentrado em uma tarefa ou prestando atenção em alguma coisa.
Que a capacidade de divagar e conversar com a gente mesma é da maior importância para a nossa vida,
Isso nem se discute,
Né?
Só o cérebro humano é capaz disso.
E é graças a isso que imaginamos cenários futuros,
Fazemos planos,
Criamos,
Inventamos,
Refletimos,
Tiramos lições do passado,
Etc e tal.
Mas como muitas coisas nessa vida,
Isso tem alguns inconvenientes também.
Um deles é que o modo narrativo divagatório é descaradamente invasivo.
Ele se manifesta sem ser convidado,
Porque afinal é o modo padrão do cérebro,
Né?
Então,
Mesmo sem a gente querer,
A divagação surge e nos distrai de alguma coisa que estamos fazendo,
Nos desconcentra no meio de uma tarefa importante,
Uma conversa,
Uma leitura.
E isso,
Se acontece muito,
Atrapalha.
Outro inconveniente da divagação é que com muita frequência a nossa mente está fazendo uma coisa enquanto o corpo faz outra.
O corpo está jantando e a mente vendo televisão.
O corpo toma banho e a mente pensa na lista do supermercado.
Quantas vezes o corpo está cansado,
Aconchegado na cama,
Querendo dormir.
E a mente é a mil por hora,
Pensando em problemas no trabalho,
Fazendo agenda para o dia seguinte,
Respondendo e-mail,
Sei lá.
Olha,
Tá aí uma das causas da insônia,
Viu?
A nossa mente divagante,
Galopante,
Que não desliga,
Não se rende ao sono.
O fato é que a mente e o corpo estão quase sempre em lugares diferentes.
E disso resulta um efeito nem sempre desejado da divagação,
Que é acionar o piloto automático.
Se você tem acompanhado esse podcast,
Já sabe que o nosso cérebro automatiza uma infinidade de rotinas,
Hábitos e tarefas mecânicas.
E com isso,
Nós podemos fazer muitas atividades sem prestar atenção,
Né?
Pois então,
A divagação anda de mãos dadas com o piloto automático.
Um reforça o outro.
Se eu estou fazendo uma coisa automática,
A minha mente fica livre para divagar.
Se eu estou divagando,
Eu faço coisas de forma automática.
E essa combinação,
Embora seja útil em algumas situações,
Muitas vezes produz distrações,
Erros,
Micos,
Pequenos e grandes desastres.
A divagação também tem um lado sombrio.
Ela é a fonte de onde brotam os nossos pensamentos mais obscuros.
Brotam as preocupações com o futuro,
Que provocam ansiedade.
Brotam as ruminações com o passado,
Em que ficamos remoendo o que já aconteceu.
Brotam pensamentos que alimentam a culpa,
A lamentação,
O negativismo,
O auto julgamento,
A mágoa,
A raiva.
Como disse aquele artigo da revista Science,
Que eu citei no episódio zero,
Uma mente divagante é uma mente infeliz.
Os autores do artigo contam que numa pesquisa com milhares de pessoas,
Em quase 60% do tempo que as pessoas divagavam,
Elas se sentiam infelizes.
E o que é que provocava os sentimentos de infelicidade?
Eram os pensamentos que elas estavam tendo naqueles momentos.
Se você começar a observar os seus pensamentos,
Vai se impressionar com o quanto de divagações e conversas com você mesmo ocupam o seu campo mental.
E vai descobrir que uma enorme proporção delas não lhe acrescenta nada.
São pensamentos que não fariam falta alguma na sua vida.
Que muitas vezes,
Na verdade,
Atrapalham a sua vida.
E talvez estejam até alienando você da própria vida.
Isso aconteceu muito comigo.
Quantas vezes eu ouvi o meu marido contar para os nossos amigos alguma cena da nossa vida,
De um passeio que nós fizemos numa viagem.
E contar com detalhes,
Onde a gente estava,
O que aconteceu,
Quem falou,
O que falou.
Eu era parte dessa cena.
E não lembrava de muita coisa que ele contava.
Às vezes,
Não lembrava nem da cena inteira.
E isso sempre me intrigou.
E me entristeceu também.
Era como se um pedacinho da minha vida não tivesse existido.
Um dia eu entendi que não era um problema de memória.
Eu não me lembrava porque provavelmente eu não estava presente naquele momento.
A minha mente não estava ali.
Mas em outro lugar.
E isso é algo que a divagação faz.
Ela nos tira daqui agora.
Que é onde a vida realmente acontece,
Como eu costumo dizer.
Enquanto divagamos com as nossas preocupações,
Ou julgamentos,
Ou ruminações,
Ou sei lá o quê,
Não estamos presentes na própria vida.
Presentes com as pessoas,
Conosco mesmos.
E é uma pena que isso aconteça.
Nem todos os momentos da vida são agradáveis e serão lembranças que vamos gostar de guardar.
Mas são pedacinhos da nossa vida.
E têm o seu valor.
E têm um significado que a gente só vai reconhecer se estiver presente.
Eu não posso mudar o que já passou.
E nem é o caso de ficar lamentando o que eu perdi por estar divagando em tantos momentos da minha vida.
Mas quando eu tomei consciência do quanto eu vivi inconsciente,
Tomei também uma decisão.
Estar menos com a cabeça no futuro,
No passado,
Ou em outro lugar.
E viver mais o presente.
Hoje eu procuro manter ao máximo a minha atenção naquilo que eu estou fazendo.
Seja uma atividade do trabalho,
Uma leitura,
Um exercício da academia,
Uma tarefa doméstica,
Um passeio.
Se eu ando pela rua,
Por exemplo,
Eu vou prestando atenção no meu caminhar e naquilo que os meus sentidos captam.
A música que toca em uma loja,
O cheiro do pão que assa na padaria,
A imagem de um gato dormindo na janela,
O calor do sol no meu rosto,
Eu procuro estar presente na minha experiência.
Tudo bem que divagar é parte do que somos como seres humanos e tem o seu papel na nossa vida.
Mas nós precisamos ter domínio das nossas divagações e conversas conosco mesmos.
Colocar rédeas nelas,
Ser capazes de contê-las quando não são convenientes.
Quando nos alienam de nós mesmos,
Quando tiram a atenção de uma tarefa importante,
Quando se tornam repetitivas,
Perturbadoras,
Nos fazem rolar na cama em noites insones,
Quando alimentam sentimentos de raiva e sentimento,
Culpa,
Quando dão asas à preocupação,
Que é a mãe da ansiedade,
Ou quando são um poço de ruminações de fatos passados,
Destilam amargura e não nos deixam virar a página.
Você me pergunta,
E como a gente faz isso?
Como conter as divagações?
Bom,
Isso você vai saber a partir do próximo episódio em que eu vou começar a falar sobre Mindfulness.
Mindfulness é a consciência do momento presente,
Do aqui e agora,
Sem julgamento.
O cultivo desse estado de consciência nos ajuda a lidar com as divagações,
As distrações,
O piloto automático,
A agitação mental.
Enfim,
Essas situações todas que eu venho abordando nos episódios iniciais desse podcast.
Olha,
Mindfulness tem feito grande diferença na minha vida e poderá fazer na sua também.
Que você esteja bem.
Um abraço.
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