14:00

Só Existe Começo Porque Existe Fim

by Flavia Machioni

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No primeiro episódio do meu podcast eu compartilho minha experiência pessoal - como os anos se passaram até que pudesse começar este projeto. Falo sobre como muitas vezes não atingimos nossos objetivos pois nos baseamos no que nós "achamos que queremos" e não no que realmente queremos, e dou algumas dicas sobre como começar a buscar e viver da forma que realmente desejamos. Só existe começo porque existe fim. Por mais que, racionalmente, nós concordemos com isso, nosso emocional costuma não aceitar tal ideia. Com este podcast, espero poder lhe auxiliar no entendimento e aceitação do fluxo natural das coisas.

Transcrição

Eu amo começos.

Acho que tem poucas coisas que nos deixam tão empolgados e com brilho nos olhos quanto os começos.

Mas para algo começar,

Algo deve terminar.

Não tem como negociar.

Não tem início se não tem fim.

E por mais que a gente entenda isso racionalmente,

O nosso emocional pode não reagir tão bem a essa ideia.

E isso é curioso.

Você sabe há quanto tempo eu tenho texto com o título Início Podcast no meu computador?

Quase um ano e meio.

Em setembro de 2017 eu escrevi o roteiro com a certeza de que ele estaria disponível para o mundo algumas semanas depois.

E veja só,

Estamos em janeiro de 2019 e ele nunca virou áudio.

Eu sou a Flávia Macchione,

Sou health coach e criei o blog Lactose Não em 2012.

Desde então eu venho trabalhando com alimentação e saúde.

E hoje ajudo pessoas a transformarem suas vidas começando pela cozinha.

E esse é o primeiro episódio da temporada inicial do meu podcast.

Esse que eu penso em fazer há anos,

Mas que eu tive que terminar algumas coisas para poder começar aqui.

2017 e 2018 foram anos muito transformadores para mim.

O que antes era um incômodo leve,

Passou a ser um incômodo constante.

Alguns pensamentos que estavam sendo cada vez mais presentes,

Medos que eu estava vendo que tinha e estavam aumentando,

Incertezas com as decisões que eu tinha tomado,

Irritação com situações e pessoas.

Eu sentia que eu era uma panela de pressão prestes a explodir.

No fim de 2017 eu tive um episódio de crise de ansiedade,

No avião.

Eu estava voltando de um cruzeiro com a minha família e uma onda de sentimentos surgiu.

Na verdade foi tipo um tsunami.

Eu chorava,

Tremia,

Sentia frio e calor ao mesmo tempo e eu só conseguia falar como nada fazia sentido.

Meu namorado estava comigo nesse voo e me acalmou.

A gente chegou em casa e eu estava arrasada.

Logo eu que medito,

Que me questiono tanto,

Que estava com o planejamento pronto para 2018,

Tive essa crise.

Eu fiquei muito triste,

Mas eu decidi ver isso como um sinal de que eu não estava prestando atenção no que eu devia.

Eu resolvi olhar quais eram as metas que eu tinha definido para 2018,

Umas semanas antes dessa viagem,

E tudo era relacionado a trabalho e dinheiro.

Queria fazer X coisas em Y tempo e juntar Z dinheiros.

Então vazio,

Eu sentei em silêncio,

Ouvi podcasts,

Eu meditei e aí eu resolvi reescrever todas as minhas metas e chamei elas de intenções.

Não tinha mais nada sobre trabalho,

Nem sobre dinheiro,

Tinha só eu.

Intenções minhas,

Comigo mesma,

De alguém que estava cansada de se sentir mal.

Alguma das minhas intenções foram as seguintes.

Saborear a vida sem culpa.

Curtir 100% o momento para mim sem postar e dividir.

Escolher e fazer,

Sem dúvida,

Culpa ou receio.

Focar na criação e manifestação.

Os resultados não são eu.

Honrar a minha família e amigos sendo mais presente.

Essa mudança das minhas metas para intenções fez toda a diferença para o meu ano.

Em 2018,

Eu foquei a minha energia nelas e eu fui atrás do que eu precisava.

Eu li muitos livros,

Comecei terapia psicóloga,

Fiz terapias alternativas,

Me ausentei quando eu precisei,

Chorei litros para as amigas e família.

Tiveram meses que eu queria só desistir.

Queria mandar tudo a merda e morar em outro país,

De verdade.

Mas aí eu lembrei que isso só ia resolver momentaneamente.

Eu ia acabar voltando para o mesmo lugar,

Na mesma situação,

Eventualmente.

Então,

Eu fiquei.

E como eu dizia para minha mãe,

Eu sentia que eu estava sentada na merda,

Tentando meditar e que não podia sair dali até ela virar adulto e florescer algo.

Felizmente,

Eu nunca tive que literalmente ficar sentada na merda,

Mas posso dizer que,

Metaforicamente,

Já é bem desconfortável.

Mas,

Para algo começar,

Algo precisa acabar.

Não tem começo,

Se não tem fim.

E é aí que a gente começa a esbarrar naqueles planos que nunca saíram do céu,

Sabe?

Tipo aquela lista clichê de início de ano.

Começar a academia,

Aprender um novo idioma,

Ler um livro por mês,

Guardar dinheiro.

Ela não funciona porque ela se baseia no que você acha que quer,

E não no que você realmente quer.

Eu levei anos para entender isso.

E veja que eu precisei ter uma crise de ansiedade no meio de um roo,

Para ver que o que eu estava buscando não era o que eu queria ou não gostava.

De todo o meu coração,

Eu espero que você não precise passar por isso para conseguir se conectar com você mesmo.

Nos sete anos que eu trabalho com alimentação e saúde,

Eu perdi as contas de quantas vezes eu ouvi pessoas falando que não conseguem,

Não tem tempo ou não tem dinheiro para resolver o que as incomoda.

E essas são histórias que a gente conta para a gente e para os outros para dar ideia de o que está acontecendo com a gente,

Não fomos nós que escolhemos.

É muito mais fácil a gente se colocar como vítima,

Não é?

Se eu não escolhi,

A culpa não é minha,

Eu sou apenas injustiçado ou maltratado,

Ou eu não tive sorte como alguns têm.

Quem não conhece alguém que pensa assim?

Muitas vezes nós mesmos que pensamos assim.

Mas a verdade é que você tem escolha sim,

Inclusive foi você quem escolheu tudo o que está vivendo agora.

E você pode estar pensando,

Ah Flávia,

Até parece que alguém escolhe ficar doente,

E eu concordo que é uma ideia desconcertante,

Mas no fundo é isso mesmo.

Ninguém fica doente da noite para o dia,

É uma série de fatores que somados culminam em doença.

E esses fatores,

Como a epigenética vem provando,

São mais comportamentais do que genéticos.

Isso quer dizer que suas escolhas diárias,

Seu estilo de vida,

Sua alimentação,

A maneira como lida com o que sente e pensa,

Influenciam sim a sua saúde.

E a partir do momento que aceitamos esse conceito como verdade,

Percebemos que a responsabilidade é nossa,

E muita coisa começa a mudar.

Talvez você perceba que aqueles quilos que você sempre pensa que quer eliminar,

Na verdade são a explicação mais superficial para uma dificuldade de se olhar no espelho e enxergar a sua própria beleza.

Ou talvez o seu sofrimento em querer parar de comer doce,

Mas diz que não consegue ficar sem,

É só reflexo de um apego seu a algo que não te faz tão bem,

Mas que você acreditou por muito tempo que não consegue viver sem.

Talvez a sua dificuldade inicial manter uma rotina de exercício seja por não ter o objetivo certo em mente.

O que a gente acha que quer,

Não é o que a gente realmente quer.

E se colocamos como objetivos o que a gente acha que quer,

É muito difícil de conseguir.

Porque na primeira dificuldade ou contratempo,

A gente vai perder a vontade de continuar,

E se tem algo certo nessa vida,

É que contratempos vão existir,

Sempre.

E aí,

Se você se propõe a fazer algo que nem quer muito e desiste,

Você vai reforçar a ideia de que não consegue cumprir o que prometeu,

Ou combinou,

E vai ficar frustrado,

Triste,

Irritado ou envergonhado.

Mas esse cenário não é o pior.

Pior é quando a gente tá fazendo algo sem realmente querer,

E demoramos muito pra perceber.

Todos já passamos por isso,

A gente aceita ou diz sim sem pensar muito e vai indo com o fluxo.

Não queremos muito,

Mas também não temos nenhum motivo excepcional pra falar não.

E aí a gente vai aceitando uma proposta de emprego,

Ou um convite pra sair,

Ou ficamos em um relacionamento morno.

Tudo porque não paramos pra ver o que realmente queríamos,

Deixamos os outros decidir pela gente.

E aí ficamos naquele emprego estável,

Mas que não traz nada de desenvolvimento pessoal.

Ou ficamos naquele relacionamento que não tem nada de uau,

Mas também não tem nada de péssimo.

Vamos àquela festa que nem gostamos da música,

Mas tivemos preguiça de pensar em outra coisa.

Gastamos nosso dinheiro em coisa que nem queríamos tanto.

Gastamos o nosso tempo com pessoas que nem gostamos tanto.

Passamos o dia fazendo coisas que nem nos interessamos tanto.

E aí vamos,

No fluxo da monotonia,

Levando a vida como se tivéssemos certeza que vamos voltar pra esse mundão várias vezes e aproveitar tudo que tem.

Eu não sei você,

Mas eu não quero isso pra mim.

E posso até não saber exatamente o que eu quero,

Mas eu decidi que isso aí eu definitivamente não quero.

E a palavra mais libertadora que eu tenho usado desde então é não.

Não vou,

Não quero,

Não gosto.

Não,

Não,

Não.

Mas pra falar esse não libertador aí,

Adivinha?

Temos que saber o que realmente queremos.

E aí agora,

Talvez você esteja pensando,

Mas e como eu descubro o que eu realmente quero,

Flávia?

Ouvindo você mesma.

Uma resposta bem simples,

Mas que na prática não se mostra tão fácil.

Como Daniel Goleman,

Autor do livro Inteligência Emocional,

Diz,

Muita informação impede a atenção.

Por isso,

A maneira como levamos nossas vidas na correria do dia a dia com mil e uma informações simultâneas,

Não nos dá tempo de parar e prestar atenção.

Quanto mais você conseguir prestar atenção,

Mais pistas vai ter do que realmente é importante pra você.

Eu proponho um exercício.

Nos próximos dias,

Preste atenção se você tem algum pensamento recorrente.

Talvez algo que você tenha vontade de fazer.

Às vezes,

Esse pensamento já tá tão forte que só ouvir eu falar disso,

Você já pensou em algo.

Depois que você prestou atenção,

Viu que tem algum pensamento recorrente,

Continue a focar sua atenção nesse pensamento e veja se consegue ver como você se sente.

Você fica animado?

Feliz?

Triste?

Com medo?

Com raiva?

Qualquer que seja o sentimento,

Apenas sinta.

Depois,

Reflita.

Veja se consegue entender por que o pensamento te fez sentir assim e se ele indica algo que você quer ou que você não quer.

Quanto mais a gente faz esse simples processo de perceber os pensamentos e perceber como a gente se sente em relação a eles,

Mais conectados com nós mesmos a gente fica e assim conseguimos ir descobrindo o que realmente queremos.

Pode ser que nessa descoberta você se depare com a necessidade de um fim.

E tudo bem,

Se não tiver fim,

Não vai ter começo.

Se você ficar com medo,

Tudo bem.

Eu também tenho medo em todo fim e todo começo.

Às vezes eu demoro um ano e meio,

Às vezes eu demoro sete.

Às vezes a gente demora uma vida inteira pra poder finalizar algo e dar espaço pro novo vida.

Só não dá pra desistir por medo.

Você só vai conseguir o que realmente quer se você aproveitar os desafios que surgirem pra trazer à tona o seu verdadeiro eu.

Porque são os desafios que vão fazer você passar por dificuldades,

Questionar elas e conectá-las a algo mais profundo,

Prestando atenção.

Esse meu novo projeto,

Esse podcast que você tá ouvindo agora,

É um desafio e faz parte do que eu realmente quero.

Tanto que é uma ideia recorrente há anos.

Semanalmente vamos ter novos podcasts sobre assuntos que permeiam saúde e alimentação.

Todos focados no seu desenvolvimento pessoal e na transformação da sua vida.

Às vezes serei só eu,

Às vezes eu trarei convidados e às vezes faremos meditações guiadas.

Eu agradeço muito você que me ouviu até o final.

Dá um pulinho lá no meu Instagram pra contar o que achou e sugerir temas.

É arroba Flávia Macchione.

Macchione escrevendo com CH,

Tipo machione.

Se você gostou,

Compartilha com seus amigos e família.

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Um beijo gente linda!

4.8 (210)

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May 10, 2022

Reflexões muito bacanas, fora você que é uma fofa ^^

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Gostei muito, gostei do tipo de humor, dos palavrões, da vulnerabilidade. Show de bola. Ah, adorei a musiquinha no fundo.

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