
Silêncio que Cura – Meditação de Integração e Descanso
by Rui Martins
Nesta meditação vais permitir-te pausar. Soltar o corpo, abrandar a mente e repousar no silêncio. Não há esforço, nem objetivo — apenas presença. Um espaço seguro para integrar, descansar e simplesmente ser. Ideal para momentos em que precisas de voltar a ti, com suavidade.
Transcrição
Senta-te ou deita-te com conforto.
Encontre uma posição onde o corpo não precise de estar correto,
Mas apenas apoiado,
Sustentado e livre.
Feche os olhos suavemente e deixe que a respiração comece a encontrar o seu próprio ritmo,
Sem esforço,
Sem técnica,
Só observar.
Hoje não vens aqui para resolver nada,
Hoje não há tema,
Não há desafio.
Hoje só há este momento e tudo dentro dele.
Respira fundo agora,
Como quem pôs álcool,
Como quem deixa cair o peso que nem sabia que ainda estava a carregar.
Permite que o teu corpo comece a abrandar,
Como se cada célula soubesse que agora não precisa de lutar nem de proteger nada.
Solta os ombros,
Liberta a atenção da face,
Solta o abdômen,
Solta os pés.
Não precisas de ser nada além de presença.
Hoje esta meditação é um lugar seguro onde podes simplesmente ser,
Sem ter de sentir nada de especial,
Sem ter de chegar à conclusão nenhuma.
Só estar aqui a respirar,
A descansar,
A integrar tudo o que já viveste.
E a partir deste ponto,
O teu corpo começa a entrar numa vibração diferente,
Mais lenta,
Mais presente,
Mais silenciosa.
Começa agora a trazer a tua atenção à respiração,
Não para controlar,
Mas para ouvir.
Como quem escuta o mar a vir e a ir de forma natural,
Contínua,
Viva,
A entrar e a sair,
Sem esforço,
Sem correção,
Apenas movimento puro da vida dentro de ti.
E com cada expiração,
Imagina que estás a descer,
Como se o teu corpo fosse uma folha leve,
A pousar-se suavemente no chão,
Pela caixa torácica,
Pela zona abdominal,
E cada expiração é como se descesse.
Podes pousar agora.
Está tudo bem,
Relaxa.
Agora,
Leva a tua atenção aos pés.
Sinta o contato com o solo,
O qual estiver a sustentar-te.
Imagina que dali crescem raízes,
Raízes largas,
Silenciosas,
Mas profundas.
Essas raízes não te prendem,
Elas te seguram com firmeza amorosa.
Permita-me que pares de flutuar mentalmente e que o teu corpo possa dizer,
Já não preciso estar alerta,
Posso descansar.
Sobe agora lentamente a atenção pelos tornozelos,
A zona das canelas,
Joelhos,
Como se estivesse a derreter por dentro,
Como se cada músculo estivesse a desligar-se,
Um a um,
Como uma casa a apagar as luzes para dormir em paz.
Relaxa as ancas,
Solta o peso do dia,
Solta o controle da postura,
Deixa o corpo cair sobre si mesmo,
Como quem confia no chão.
Solta o abdomen e observa se ainda estás a segurar a barriga,
Se sim,
Liberta-te.
Deixa que a respiração chegue ali e que o ventre se mova livremente,
Como uma onda tranquila,
Que não precisa de ser bonita nem certa,
Apenas viva.
Arroga o peito,
Há apospaço ali,
Não empurras,
Só permite.
E se houver alguma tensão,
Imagina uma luz suave,
Uma luz quente,
Como o sol do fim da tarde,
A derreter suavemente o que ainda está contraído.
Liberta os braços,
Sente o peso das mãos,
Sente o silêncio que começa a tomar conta de ti e,
Por fim,
Relaxa a garganta,
O maxilar,
Os olhos,
A testa e até o corpo cabudo.
Deixa que até os pensamentos se possam dissolver agora,
Como nuvens que não precisam de dizer nada.
Todo o teu corpo agora sabe que podes descansar,
Está seguro,
Está inteiro.
E daqui,
Vamos entrar numa zona mais interna da tua paz,
No teu espaço de regeneração,
Aquele que sempre existiu em ti,
Mesmo quando tudo lá fora te puxava ainda mais para fora de ti.
E agora que o corpo se entregou,
Que os músculos ligaram os forços e que a mente começou a silenciar os seus ruídos,
Vamos descer mais fundo,
Mais dentro,
Mais perto,
Para ti.
Imagina que à tua frente há um caminho.
Não sabes bem onde leva,
Mas sabes que te chama.
E pela primeira vez não há medo de o seguir.
Este caminho não está à vista de ninguém,
É teu,
Só teu.
Talvez seja feita pedra antiga,
Ou terra úmida,
Ou até de areia branca,
Não importa,
Confia no que surge.
Vais caminhando com os pés descalços da alma,
E com cada passo vais entrando num lugar mais calmo,
Mais silencioso,
Mais verdadeiro.
Onde?
Vês algo a surgir,
Uma porta,
Uma passagem,
Uma abertura suave para um espaço que reconheces,
Mesmo que nunca tenhas estado ali.
E tudo muda.
Talvez estejas agora numa clareira com luz dourada,
Ou numa casa quente feita de madeira antiga,
Ou num campo onde o vento sopra como vês.
Deixa a tua alma escolher.
Este é o teu lugar de repouso,
O teu refúgio interior,
A tua fonte.
E aqui nada te há exigido,
Nem esforço,
Nem respostas,
Nem controle.
Deitar-te,
Respirar,
Soltar ainda mais.
Aqui o tempo não existe,
A mente não te cobre,
E a tua criança interior pode adormecer no colo da existência.
Imagina-te a ser envolvido por um manto de calor suave,
Como se a terra te se estivesse a embolar,
Como se a descesse.
Descanse,
Eu sustento-te,
Tudo está a acontecer como precisa.
Mas parece que não há mais barulho,
Só este espaço,
Onde o teu sistema nervoso se pode reorganizar,
Sem esforço,
Só por estar aqui.
O tempo que precisares,
A absorver o que lhe eleve,
A escutar o que é silencioso,
A regenerar-te por dentro.
E sabe que este lugar vive em ti,
Sempre,
Mesmo quando o mundo lá fora parece demasiado.
Aqui dentro,
Há um mundo onde tudo repousa.
Enquanto repousas nesse lugar sagrado dentro de ti,
Começa a deixar-se surgir,
Devagarinho,
Um sentimento simples,
Mas profundo,
Gratidão.
Gratidão por estares aqui,
Por teres permitido a ti mesmo parar,
Por teres escolhido cuidar de ti sem te exigires nada.
Agradece ao teu corpo,
Pela sua honestidade,
Pela sua entrega,
Pelo seu silêncio cheio de sabedoria.
Agradece à sua respiração,
Por te ter guiado até este estado,
Sem palavras,
Só com presença.
Agradece à tua criança interior,
Que talvez hoje tenha descansado em paz,
Sem ter de agradar,
Sem ter de fazer nada.
E se quiseres,
Podes deixar uma frase ecoar dentro de ti agora,
Como um sussurro da alma.
Sou grato por me permitir ser.
Sou grato por este silêncio que me sustenta.
Sou grato por continuar mesmo quando paro.
A gratidão não vem do que foi feito,
Ela nasce quando escolhes estar inteiro,
Ainda que seja só por onze minutos,
Ainda que seja só em silêncio.
Leve esta vibração contigo,
Como um fio de ouro leve,
Que te lembra suavemente.
O descanso também é uma forma de amor.
Agora que já repousas nesse lugar sagrado,
Que o corpo já se entregou,
E que a tua presença foi acolhida com amor,
Deixa-te afundar um pouco mais neste silêncio,
Como se o tempo parasse por dentro e tudo o que existe fosse esta vivência,
Esta suspensão,
Este quase sonho da alma.
Não há pressa,
Não há destino,
Não há caminho agora,
Só esta presença plena,
Entre o que foste e o que ainda nem sabes o que vais ser.
Sinta o corpo como se fosse feito de nevo,
De luz suave,
De água parada,
Sem peso,
Sem forma,
Só essência.
E se os pensamentos vierem,
Deixa-os passar,
Como nuvens preguiçosas num céu de fim de tarde.
Não há problema nenhum em não pensar,
Não há problema nenhum em não fazer,
Aqui és,
Simplesmente és.
Se precisares de te alinhar eternamente,
Faz isso agora,
Como quem se deita dentro de si mesmo,
Como quem se embala no ventre da paz.
Este momento não tem propósito,
E por isso é sagrado.
Permanece neste estado o tempo que quiseres,
Este é o ponto mais profundo da tua pausa,
Aqui o corpo regenera,
Aqui a alma sussurra,
Aqui o silêncio cura.
Agora,
Permita que tudo o que define de si se ouve,
O teu nome,
A tua história,
As tuas memórias,
As tuas dores,
As tuas certezas,
Tudo isso pode,
Por instantes,
Deixar de importar.
Imagina-te agora,
Como uma presença sem forma,
Sem rosto,
Sem limites,
Sem peso,
Como uma luz,
Como um campo de consciência que simplesmente existe,
Não há corpo,
Não há tempo,
Não há necessidade de compreender nada,
Só um espaço amplo,
Vasto,
Profundo,
Onde tudo está em paz,
Onde tu já não procuras,
Porque já não há mais separação,
Estás inteiro,
Estás vazio,
Estás pleno,
Sendo como se estivesse deitado no centro do universo,
E ao mesmo tempo,
Dentro de ti,
Nada te falta,
Nada te pressiona,
Nada te divide,
E este lugar não tem nome,
Mas tu o reconheces,
É onde de onde vens,
É onde sempre estiveste,
É onde tudo começa,
E onde tudo regressa.
Aqui não há futuro,
Não há passado,
Só o agora,
E neste agora,
Tu és tudo,
E não precisas dizer nada,
Mantém-te nesse espaço,
Sem urgência,
Sem te apressares a voltar,
Respira devagar,
Como quem ancora este estado no corpo,
Como quem diz,
Eu posso levar isto comigo,
Esta paz também é minha,
E aos poucos,
Começa agora a sentir o corpo físico,
Não para o ativar,
Mas para o reconhecer com mais presença,
Sente os pés,
As mãos,
O contacto com o chão,
Com o ar,
Como se estivesse a renascer lentamente dentro de ti,
E agora,
Mais uma vez,
Permita-te agradecer,
Agradecer ao corpo,
Por te ter permitido esta entrega,
Agradecer à mente,
Por ter desacelerado,
E agradecer à tua alma,
Por te ter guiado até aqui,
Este momento de pausa,
Silêncio,
De repouso consciente,
É parte fundamental da tua cura,
Não precisas de fazer mais nada agora,
Só guardar este estado contigo,
Senti-lo a acompanhar,
Como se ainda estivesse no teu refúgio interior,
Mesmo de olhos abertos,
E se quiseres,
Podes ficar mais alguns minutos em silêncio,
Ou começar,
Muito lentamente,
A regressar,
Podes mover os dedos,
Espreguiçando o corpo,
Sem pressa,
Mas antes de tudo isso,
Relembre-te,
A paz que encontrei hoje,
Vive em mim,
E posso voltar a ela,
Sempre que me permitir parar,
Conheça seu professor
More from Rui Martins
Meditações Relacionadas
Trusted by people. It's free.

Get the app
