
No. 10 - A Razão Das Emoções | Podcast Autoconsciente
Ah, essas nossas emoções.... Elas nos levam para o céu e para o inferno. São o melhor e o pior da vida, são luz e sombra em nós. Qual será a razão das emoções, se é que isso existe? Existe sim, as emoções têm uma razão de ser, e é sobre isso que compartilho com você neste episódio. Elas servem à nossa autopreservação e são guias para o nosso autoconhecimento e crescimento pessoal.
Transcrição
E aqui começa mais um episódio do podcast Autoconsciente,
Para você se conectar com você mesmo.
Bem-vinda,
Bem-vindo.
Eu sou Regina Gianetti,
Coach e treiner de autoginanciamento com base em mindfulness,
E a minha intenção com esse podcast é compartilhar reflexões e ações para uma vida com mais autoconsciência.
Ser autoconsciente significa reconhecer plenamente o que a gente sente e honrar o que sente.
Seja o que for,
Porque o sentir é algo muito verdadeiro em nós.
A mente às vezes nos engana,
Viu?
Mas o sentir,
Jamais.
Olha,
Se este é o primeiro episódio que você escuta,
Eu te convido a escutar também o número zero,
Em que eu falo da importância de ser mais autoconsciente e apresento a proposta desse podcast.
Os primeiros episódios têm uma sequência lógica e trazem alguns conceitos que é válido você conhecer para absorver melhor as ideias dos episódios seguintes.
Estão todos lá no meu site,
Www.
Vocemaiscentrado.
Com.
Br.
É só acessar a página Autoconsciente Podcast no menu inicial e está tudo lá para você ouvir.
Episódio número 10,
A razão das emoções.
Ah,
Essas nossas emoções,
Elas são o melhor e o pior da vida.
Nos levam para o céu e para o inferno,
Nos impulsionam para umas coisas e bloqueiam para outras.
Às vezes nos fazem falar,
Às vezes nos calam,
São luz e sombra em nós.
Qual será a razão das emoções?
Sim,
É que isso existe.
Existe,
Sim.
As emoções têm uma razão de ser.
E é sobre isso que eu gostaria de compartilhar com você nesse episódio.
Nossa vida emocional é um assunto muito vasto e complexo,
E eu não tenho a pretensão de falar como talvez um especialista falaria,
Mesmo porque eu não sou uma especialista em emoções.
Eu só quero falar delas como o ser humano que eu sou,
Alguém que procura entender a sua natureza emocional para lidar com ela da melhor maneira possível.
O que eu gostaria com esse episódio é deixar uma mensagem para você.
Uma mensagem para você reconhecer,
Aceitar e acolher as suas emoções.
Mesmo aquelas inconfessáveis,
Sabe?
Acolha as emoções como fenômenos naturalmente humanos que elas são,
E não algo de que você deva se envergonhar ou culpar.
As emoções são o que há de mais verdadeiro em nós,
E elas são como guias para a nossa vida.
Guias para o nosso autoconhecimento,
Para o nosso crescimento pessoal.
Você sabe onde se originam as emoções?
Bom,
Não é do coração,
Né?
O coração é uma das partes do corpo em que você sente as emoções.
Assim como a região do estômago,
A garganta,
A cabeça,
Os membros,
Braços,
Pernas,
Costas.
Agora,
Onde as emoções se originam,
De onde elas brotam,
É do cérebro.
Nas aulas de ciências do colégio,
Você aprendeu que tudo no seu corpo funciona sob o comando do cérebro.
As batidas do coração,
A digestão,
A reprodução das células,
O sistema imunológico,
Tem uma infinidade de processos no corpo que acontecem independentemente da sua consciência e vontade,
E que fazem parte de um programa,
Digamos assim,
Executado pelo cérebro para manter você vivo,
Certo?
Então,
O que eu não sei se te ensinaram é que as emoções também fazem parte desse programa.
A função das emoções é a sua autopreservação,
É garantir a sua sobrevivência.
Sabia disso?
Olha,
Numa visão muito simplificada,
Vamos assumir que o cérebro classifica os estímulos que ele recebe em duas categorias,
Tá?
Uma é a categoria,
Isso eu devo evitar.
E aí entra tudo que representa algum tipo de ameaça.
Ameaça à nossa vida,
Ao nosso senso de segurança,
Ao bem-estar,
Aos nossos planos,
Vontades,
Nossa autoimagem,
Ao nosso ego.
Aí entram situações como levar um tombo no meio da rua,
Ser contrariado,
Cometer um erro,
Quando acontece algo que a gente não quer,
Ou quando não acontece algo que a gente quer,
Ser rejeitado,
Enfrentar adversidades,
Enfim,
Inúmeras situações que o cérebro percebe como ameaças reais ou subjetivas.
E quando o cérebro percebe essas situações,
Ele aciona um sistema de evitação,
Que prepara o nosso organismo para uma reação de defesa.
Aí a gente experimenta aquelas sensações típicas das emoções negativas,
Aperto no peito ou na região do estômago,
O nó na garganta,
A respiração ofegante,
Calor no rosto,
Tensão muscular,
Tremores,
Suor e tudo mais.
E,
Na sequência,
Vem uma reação àquela situação,
Que pode ser o choro,
Grito,
Uma expressão de raiva,
Uma atitude agressiva,
Se esquivar,
Emudecer,
Etc.
A outra categoria em que o cérebro classifica os estímulos que ele recebe é isso eu devo buscar.
E aí entram as situações percebidas como benéficas para a nossa vida,
Para a nossa segurança,
Integridade,
Para os nossos planos,
Vontades,
Autoimagem,
Para o nosso ego.
Por exemplo,
Satisfazer as nossas necessidades,
Atingir objetivos,
Sentir-se amado,
Receber um elogio,
Quando acontece algo que a gente quer,
Ter uma boa surpresa,
Ser vitorioso em alguma coisa,
Realizar um desejo,
Enfim,
Também são inúmeras as situações que o cérebro percebe como benéficas.
E,
Quando ele percebe uma situação benéfica,
O que ele faz?
Aciona um sistema de recompensa,
Que é o que produz as sensações de expansão e bem-estar das emoções positivas.
E esse bem-estar nos motiva a ter mais experiências benéficas e buscá-las.
Então,
Veja,
As emoções se originam daí,
As que nós chamamos de negativas do sistema de evitação,
E as que chamamos de positivas do sistema de recompensa.
Muito bem,
Você hoje é um adulto que faz escolhas e toma decisões com base na razão,
No entendimento que você tem das coisas,
E talvez se pareça um exagero que a função das emoções seja a sua autopreservação,
Seja garantir a sua sobrevivência.
Mas pense na importância que essas funções tiveram no início da sua vida,
Quando você era um bebê,
Vulnerável,
Totalmente dependente de um outro ser humano.
A sua mente estava apenas começando a se desenvolver,
E você não tinha nenhum entendimento da vida.
Você apenas tinha sensações desagradáveis,
Que faziam você reagir instintivamente à dor,
Ao desconforto,
Ao desamparo,
À cara de bravo de um adulto,
E tinha sensações de bem-estar quando era alimentado,
Aconchegado,
Quando recebia um sorriso ou descobria algo novo.
Foi assim que,
Ao longo dos anos,
Você aprendeu a evitar o que pode lhe trazer sofrimento e ir em busca do que lhe traz benefício.
E não se iluda,
Viu?
Você continua fazendo isso o tempo todo.
Todas as suas escolhas,
Decisões,
Estratégias,
Ideias,
Iniciativas e projetos têm,
Em última análise,
A motivação de obter benefício ou de evitar sofrimento.
E as emoções estão sempre sinalizando o que o seu cérebro percebe como bom ou ruim para a sua vida.
É admirável como o cérebro funciona,
Não é?
É perfeito.
Que maravilhoso que a gente tem isso.
Quer dizer,
Na teoria é tudo muito perfeito,
Mas,
Na prática,
A gente nem sempre reconhece a perfeição das emoções.
E aqui eu me refiro às emoções que nós chamamos de negativas,
Como o medo,
A raiva,
A frustração,
A tristeza,
A inveja.
É muito,
Muito comum a gente se julgar por ter emoções negativas.
Sentimos medo,
E lá no nosso íntimo vem o pensamento assim.
Eu sou um fraco,
Eu sou um covarde mesmo.
Tem gente que passa por isso e não vacila,
Mas eu não.
Sentimos frustração,
E nos cobramos por isso.
Eu deveria ser mais resiliente.
Sentimos raiva,
E nos envergonhamos.
Eu não deveria me sentir assim.
Eu sou uma pessoa má.
Sentimos inveja,
Ou lá no nosso âmago torcemos contra alguém,
Porque não vamos aguentar nos sentir por baixo.
E,
Ao mesmo tempo,
Nos condenamos por ter esses sentimentos.
Sentimos ciúmes,
E nos julgamos mesquinhos.
Quanto conflito,
Não é?
Como são dolorosas essas tais emoções negativas.
Por que é assim?
Veja,
O mundo nos diz para sermos pessoas altruístas,
Corajosas,
Resilientes,
Humildes,
Otimistas,
Pacientes,
Cheias de virtudes,
Não é?
Aprendemos isso com os pais,
Os professores,
As religiões.
Lemos isso em livros,
Ouvimos em palestras de filósofos.
Claro que essas virtudes são importantes,
São referências para a nossa conduta e um norte para o nosso desenvolvimento,
Isso nem se discute.
Acontece que a mente humana é dualista.
Quer dizer,
Ela compreende as coisas por meio de opostos.
Ela compreende o que é bom em relação àquilo que não é bom,
E portanto é mal,
E vice-versa.
E assim também é com o certo e o errado,
O justo e o injusto,
O belo e o feio,
O positivo e o negativo,
E tudo mais.
Então,
Se a gente tem como um ideal a coragem e sente a emoção do medo,
Vem o julgamento.
Eu não deveria me sentir assim.
Quer dizer,
Além de estar com medo,
O que por si já é doloroso,
A gente se julga por não ser a pessoa corajosa que gostaria de ser,
E o julgamento aumenta o sofrimento.
Vamos descomplicar isso um pouco,
Não é?
Podemos,
Pelo menos,
Retirar o peso do auto-julgamento por ter as chamadas emoções negativas,
Porque,
Afinal,
Elas servem à nossa auto-preservação.
Acredite,
Existe algo de positivo nas emoções negativas,
E não há do que a gente se julgar,
Culpar ou envergonhar.
Emoção é energia,
E energia é algo que nos move,
Que nos impulsiona.
Sem as emoções,
Nós seríamos apáticos,
Não teríamos vontade para nada,
Não teríamos motivação para conquistar coisas,
Para nos aproximar de pessoas,
Trabalhar,
Aprender,
Nos divertir,
Nem para comer.
Sem as emoções,
A gente não se defenderia de perigos,
Ficaria completamente vulnerável a todo tipo de abuso,
À mercê dos outros.
A vida seria inviável sem as emoções,
E elas não só nos motivam a viver,
Mas a evoluir como seres humanos.
Existe um desenho animado de cinema,
Chamado Divertidamente,
Ele foi produzido pela Disney,
E retrata de uma forma muito bonita a razão das emoções.
Filme da Disney,
A gente logo pensa,
Foi feito para criança,
Mas esse é principalmente para nós,
Adultos.
Ele é engraçado e atocante também,
Eu confesso que chorei das vezes que eu o vi,
E foram acho que umas três.
Se você aí também já viu,
Que tal rever?
Porque é um daqueles filmes que,
Cada vez que a gente assiste,
Traz algo novo,
Uma percepção,
Uma tomada de consciência,
E se você não viu,
Fica a dica com D maiúsculo.
Divertidamente é imperdível.
Imagina que no filme as emoções básicas são serezinhos,
São pessoinhas que vivem no cérebro dos personagens,
E essas pessoinhas são defensoras ferrenhas dos personagens.
Elas ficam discutindo entre elas o que é melhor para os seus protegidos,
E aí você percebe a lógica das emoções.
Olha,
O filme é uma aula de psicologia,
Eu não vou ser estraga prazeres e contar o final,
Mas eu posso adiantar uma coisa para você,
A heroína da história é uma emoção negativa.
Assista,
Que vale a pena.
Eu mencionei o divertidamente também,
Para pegar carona na ideia do filme de representar as emoções como pessoinhas.
Vamos imaginar o seguinte,
Se as nossas emoções negativas mais básicas fossem pessoinhas dentro de nós,
O que elas diriam?
E o que elas nos motivariam a fazer?
A raiva diria assim,
Não admito isso.
A raiva nos motiva a nos defender,
Defender o que nós amamos ou aquilo que queremos.
O que diria o medo?
Isso é perigoso.
O medo nos faz ser cuidadosos,
Ser prudentes,
Prevenir riscos.
A tristeza,
Isso me dói.
A tristeza nos revela uma carência,
Uma vulnerabilidade,
Uma ferida,
Algo que precisa ser suprido ou curado em nós.
O que diria a inveja?
Também quero isso.
A inveja motiva a ter aquela experiência benéfica que é a causa dela.
A frustração,
Eu queria tanto.
A frustração nos motiva a refletir sobre as nossas expectativas ou sobre o que não funcionou e nos impulsiona a dar a volta por cima,
É poderosa a frustração.
A aversão diria assim,
Detesto isso e nos faria evitar o que a gente considera não ser bom para nós.
Então,
Vistas desse modo,
As emoções negativas não são vilãs e,
Na verdade,
Podem ser heroínas também da nossa história.
Elas podem nos impulsionar para algo benéfico.
Tudo vai depender,
Claro,
Do que cada um faz com essa energia da emoção negativa.
Por exemplo,
Se com a energia da raiva a gente detona o outro,
Se é quebrando o touro por aí,
A gente está se sujeitando a consequências muito sérias.
Mas nós também podemos canalizar a energia da raiva de uma forma construtiva.
Por exemplo,
Dizendo de forma franca e não violenta que a gente não concorda com o que o outro está fazendo.
Ou defendendo os nossos direitos com determinação,
Com firmeza dentro da lei.
A energia das emoções negativas também impulsiona a nossa evolução como seres humanos.
Porque elas são incômodas ou nos trazem sofrimento,
Fazemos de tudo para evitá-las.
A princípio,
A gente procura mudar aquilo que provoca essas emoções,
Que é para ficar livre delas.
Até que um dia a gente chega à conclusão de que é inútil ou cansativo demais mudar certas coisas e resolve mudar a nossa maneira de encarar e lidar com essas coisas.
E ao fazer essa mudança interna,
A gente cresce.
Eu imagino que duas perguntas podem estar agora na sua cabeça.
O que fazer para canalizar a energia da emoção negativa de uma forma construtiva?
O que fazer para dirigir essa energia para o meu crescimento?
Bom,
Essas respostas não são simples e essas mudanças não são rápidas.
Primeiro,
É preciso ter plena consciência das suas emoções.
E como as emoções são sensações físicas,
É preciso ter consciência do corpo.
Eu falei disso no episódio anterior,
O número 9,
O que o seu corpo tem para lhe dizer.
Se você não escutou esse episódio,
Escute.
É preciso ter também plena consciência dos pensamentos que acompanham as emoções.
Em primeiro lugar,
Porque esses pensamentos nos permitem reconhecer com clareza qual é a emoção que está presente entre dezenas de experiências emocionais que a gente pode ter.
Em segundo lugar,
Porque esses pensamentos mostram como a sua mente interpreta aquela situação que provoca a emoção.
Eles são a chave para você mudar a sua maneira de lidar com as situações que acionam as emoções negativas.
Em um programa de mindfulness como o que eu facilito,
A gente desenvolve isso.
Consciência do corpo,
Das emoções e dos pensamentos.
A gente pratica a não-identificação com pensamentos que alimentam os estados emocionais negativos.
E adota atitudes que mudam a nossa maneira de lidar com as situações desafiadoras da vida.
Bom,
Tudo tem um começo,
Não é?
E o começo é compreender a razão das emoções.
Acolher as emoções como fenômenos naturalmente humanos que elas são,
E não algo de que você deva se envergonhar ou culpar.
Lembre-se,
As emoções são o que há de mais verdadeiro em nós.
E elas são como guias para a nossa vida,
Para o nosso autoconhecimento,
Para o nosso crescimento pessoal.
Para encerrar esse episódio,
Eu vou ler para você um poema do poeta persa Rumi,
Que viveu no século 13.
E que fala das emoções.
A Casa de Hóspedes O ser humano é como uma casa de hóspedes.
Toda manhã uma nova chegada,
Uma alegria,
Uma tristeza,
Uma mesquinhez.
Uma percepção momentânea chega com o visitante inesperado.
Acolhe a todos.
Mesmo se for uma multidão de tristezas que varre violentamente a sua casa e a esvazia de toda mobília.
Mesmo assim,
Honre a todos os seus hóspedes.
Eles podem estar limpando você para a chegada de um novo deleite.
O pensamento escuro,
A vergonha,
A malícia.
Receba o sorrindo à porta e convide-os a entrar.
Seja grato a quem vier,
Porque todos foram enviados como guias do além.
Que você esteja bem.
Um abraço.
Conheça seu professor
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