Foi polícia durante mais de 20 anos e essa minha atividade que deixei para trás pode parecer contraditória com a meditação mas na verdade ela traz muitos ensinamentos que podem ser utilizados na prática da meditação.
A começar pelo aspecto principal de que meditar é essencialmente nós estarmos no momento presente e um polícia vive precisamente nesse momento presente.
O polícia tem que observar aquilo que se passa à sua volta,
Tem que de estar presente e,
Se pensarmos,
A meditação é precisamente essa presença no momento que está a ocorrer.
Depois,
Na forma como eu encarei a minha profissão de polícia,
Ser polícia é ser uma força do bem.
E isto é algo que diz muito à meditação,
Em que os valores,
Sejam por via religiosa,
Sejam por via universal,
Sejam de uma conotação espiritual,
São valores baseados numa concepção do bem.
E o polícia deve pautar a sua atividade,
Por isso qualquer um de nós deve fazê-lo.
E quem prossegue uma via espiritual e de meditação,
Certamente faz todo o sentido ser uma força do bem.
Ser polícia é também ajudar os outros,
Defendendo-os,
Mas ajudando-os também.
E,
Mais uma vez,
Na meditação e na espiritualidade,
Ajudar os outros é um ponto fundamental.
Ser polícia é ter bom senso,
É ter uma visão prática das coisas,
É não complicar,
É encontrar soluções.
A meditação é uma atividade prática de bom senso,
De equilíbrio,
A tal via do meio de Buda,
Onde nós procuramos,
Nos dois extremos,
Encontrar um fio que permite uma solução equilibrada.
E é por isso que,
Após alguma reflexão,
Eu verifiquei que estas duas atividades,
Aparentemente tão diferentes,
Ou que muitos até podem considerar opostas,
Podem ser vistas como algo com um tronco comum.
Meditar e ser polícia é também questionar.
Quais são os valores importantes?
Quais são os princípios basilares que devem nortear a nossa vida?
E portanto,
Eu acho que ser polícia ajudou-me muito na minha prática de meditação.