Olá,
Bem-vindos a um formato um pouco diferente do habitual,
Hoje trago-vos aqui uma conversa para falar um bocadinho sobre mim e sobre um tema que acho super pertinente,
Que é o encontrar a nossa voz interior e aplicá-la da nossa própria forma no mundo em que vivemos.
Ouvimos muitas vezes falar sobre esta questão de sermos autênticos e de encontrarmos uma coisa que nos sirva e em que possamos expressar a nossa criatividade sem limites,
Mas o que é isto de encontrar a nossa própria voz interior e de criar uma vida em que podemos usá-la e servir o mundo,
Servir os outros,
Através dessa que é a nossa assinatura energética,
Artística,
Humana,
Criativa?
Se por um lado este pode parecer um bocado um discurso autocentrado,
Esta questão do ser tu mesmo,
Por outro lado,
Esta é a coisa mais altruísta que podemos fazer pelo mundo,
Porque ao encontrarmos a nossa voz e aquilo que é o que viemos cá fazer,
Estamos a oferecer e a presentear os outros com a nossa verdadeira essência e não há presente mais bonito e mais necessário do que esse.
Então,
Para que esperar?
Eu acredito muito que as coisas devem desenrolar-se organicamente,
Acho que essa é a coisa mais bonita,
É poder respeitar os timings em que as coisas acontecem e perceber que cada fase tem algo de muito extraordinário de aprendizagem para retirar,
Há sempre um sumo para extrair de cada momento,
De cada relação,
De cada projeto,
De cada desafio profissional.
Por outro lado,
Esta é uma narrativa que tem mesmo uma urgência que é,
Será que estás a viver alinhado ou alinhada com aquilo que é o teu verdadeiro propósito?
Eu sempre adorei comunicar,
Escrever,
Falar,
Contar histórias e,
Sobretudo,
Sempre tive uma visão muito jornalística do mundo,
Sempre fui muito curiosa,
Lembro-me de,
Em pequena,
Ter o desejo de poder ser uma mosca que entrava nas casas das pessoas para observar as dinâmicas sociológicas e comportamentais e para poder narrar sobre elas.
Formei-me então em jornalismo,
Área com a qual sempre me identifiquei bastante,
Mas muito cedo percebi que a minha vida não ia ter nada a ver com as minhas escolhas profissionais,
Porque houve sempre um lado humano e pessoal e emocional que dominou a minha vida e todas as decisões tomadas,
Ou seja,
Eu não me regia pela necessidade de um determinado estatuto profissional ou de uma determinada expectativa financeira,
Mas sim movia-me por uma curiosidade humana em entender quem sou,
De onde vim,
Qual é o meu papel no mundo e como possa apaziguar estas emoções todas tão fortes que me presenteiam desde tão nova.
E por isso eu poderia dizer que sou alguém que não tem tanto sucesso profissional como poderia fazer-se esperar,
Mas não.
Eu aprendi a qualificar o sucesso da minha vida pelo nível de verdade e autenticidade da maneira como me expresso e da mensagem que passo lá para fora.
Para além disso,
Para alguém que lidou com bastante ansiedade e que acabou por perceber que essa ansiedade estava intimamente relacionada com o facto de estar a viver algo que não era para si,
Para mim sucesso é também viver com um sistema nervoso regulado,
Ter uma boa rede de suporte à minha volta,
De amigos,
De família,
De pessoas com quem posso interagir desde um lugar de autenticidade,
Despida de máscaras ou de facetas que não são bem aquilo que sou na minha essência.
Demorou tempo e ainda estou num processo.
Muitas vezes me questiono.
Será que estou a fazer a coisa certa?
Será que é por aqui?
Será que estou a desperdiçar o meu tempo?
Mas logo,
Logo me apercebo de que o verdadeiro barómetro é o interno,
É a tal voz interior de que falo aqui,
Que nos orienta e que nos guia com total sabedoria e amor.
Vocês sabem quando vão a uma festa ou a um evento e depois regressam a casa e houve uma pessoa ou um conjunto de pessoas que vos marcou consideravelmente.
Assim,
Uma pessoa que teve um impacto em vocês.
Se pensarem bem,
Essa pessoa ou essas pessoas são sempre alguém que tem a coragem de se expressar de forma verdadeira e muito próxima da sua essência.
Alguém que consegue ter bem invisível a criança interior e a criança interior no fundo é sem filtro,
É espontânea,
É presente,
Não está apropriamente a pensar no que é que vão dizer ou pensar daquilo que vai exprimir ou transmitir e isso é inspirador.
Isso é muito mais interessante do que qualquer beleza exterior,
Do que qualquer estatuto,
Do que qualquer embalagem exterior.
Esse é um verdadeiro carisma que vem de dentro,
Como uma energia como o vento que toca e inspira.
E essa é a possibilidade de estar conectado com a voz interior.
Vocês sabem quando estão,
Digamos,
Deitados na praia e vêem uma criança a brincar muito alegremente com um cão.
Essa emoção que se apodera de vocês ao ver isso,
Isso é amor,
Isso é expansão e espontaneidade.
E é daí que nasce a coragem de ser verdadeiro.
Tudo o resto que é válido,
Muito válido,
É ego,
Pensamento,
Um medo gritante de falhar,
De ser rejeitado e excluído da tribo,
De forma mais primitiva,
Digamos,
De não ser amado ou reconhecido.
Mas este movimento interno de ter coragem de experimentar,
Viver mais nessa assinatura energética que é o carisma e o estar conectado com essa nossa verdade interna,
Sem medo do que os outros possam dizer ou pensar.
Esse é um movimento que tem,
Eu diria,
Um certo caráter de urgência na nossa sociedade.
Esta era do digital,
E eu abstenho de qualquer visão pessimística das coisas,
Porque é de facto uma ferramenta muito útil,
Mas é ao mesmo tempo um grande problema,
Do qual todos fazemos parte e parece ser aquele género de adição coletiva da qual não nos conseguimos livrar,
Mas a qual parece não ter uma solução óbvia à partida.
E,
Portanto,
Estamos basicamente todos sujeitos a essa escravidão da nossa alma à plataforma que nos deixa em anestesia mental e que pode levar a uma comparação desajustada que reforça,
Muitas vezes,
Um discurso interno crítico e uma depreciação em relação às nossas vidas e o quão expostas e vulneráveis estão as gerações mais jovens a isto que é,
De facto,
Um problema real.
Portanto,
Conseguir,
No meio de um oceano tão vasto,
Onde há tanta sobreinformação e onde há tanta demanda para ser de uma determinada maneira,
Que muitas vezes vai contra aquilo que vive dentro de nós,
É um acto de coragem,
Mas se ele compensa?
Se ele compensa?
Portanto,
Deixo-te aqui esta questão.
O que é que poderias começar a fazer,
A partir de hoje,
A partir de agora,
Como forma de autogentileza para contigo mesmo e para com a tua verdade interior?
O que,
Consequentemente,
Impacta muito positivamente o mundo e os outros ao teu redor?
O que é isso que podes começar a fazer hoje?
Lembra-te,
O mundo precisa da tua voz interior.
O mundo precisa de ti,
Tal como vieste,
Tal como és.
Obrigada por estares aqui comigo,
Da minha voz para a tua voz interior.
Margarida