32:16

#08: Elefantes Amigos Visitam #SomosTodosCoyotes

by Elefantes Na Neblina

rating.1a6a70b7
Avaliação
5
Group
Atividade
Meditação
Indicado para
Todos
Plays
30

Neste episódio falamos sobre a qualidade das conexões, sobre a nossa relação com a natureza e o que são as Yugas. Sobre os Elefantes Na Neblina: Três amigos conversam. Um mundo em constante mutação. Buscando jogar alguma luz sobre assuntos grandes, muitas vezes incômodos. Conversando sobre o que é ser um humano em nossos curiosos e complexos tempos.

Transcrição

Amigos que gostam de conversar em tempos interessantes,

Incertos,

Implacáveis.

Com o futuro suspenso e o passado cada dia mais distante,

Estamos aqui estacionados na condição humana e na tentativa de fazer uma nova vida funcionar.

Cada dia é um passeio na neblina e os elefantes estão soltos.

Não usamos nomes,

Porque somos nós e somos ninguém.

O que importa é a conversa e a vontade de gerar alguma luz.

O nosso passeio na neblina é bem-vindo,

Não importa quem você pensa que é,

Importa apenas a qualidade do que você tem a dizer.

E aí,

Larry Schein,

O que você tá achando dessa experiência de quarentena?

Eu te conheço bem,

Sei que você fazia essas coisas por conta própria,

Mas que tal a sensação de todo mundo te imitando?

Tá muito crowded esse negócio de solidão.

Essa solidão tá muito crowded,

Porque eu tô acostumado com uma solidão que não tem ninguém mais na solidão.

E essa é uma solidão que tá todo mundo sozinho,

Apinhado.

É um tal das pessoas se ligando,

Se comunicando,

Se mandando mensagem,

Se tentando fazer coisas,

Se tentando fazer projetos,

Então é como se fosse Jesus no deserto numa colônia de férias,

Assim,

Os 40 dias depois de hoje.

E um monte de gente gritando quem tem razão,

Qual dos lados tem razão,

Os fariseus?

Então,

Tá divertido.

Eu tinha uma curiosidade aqui,

Você que já fez um período,

Vamos dizer,

Extenso,

Não em quarentena,

Mas num regime mais secluso,

Vamos dizer assim.

Existe um treinamento pra um recém-chegado num lugar como esse,

Pra se preparar pro isolamento?

Ou é um negócio que entra e já fica?

Eles te dão um monte de textos pra estudar e um monte de coisas pra fazer,

Pra você não pirar no início,

Então você se foca em coisas.

Mas gradualmente você descobre o segredo,

E o segredo me parece ser o seguinte,

O ser humano não foi feito pra estar sem conexão,

A gente precisa se conectar com algo,

E essa tal de solidão e recolhimento,

Ela só serve,

Só presta pra você desplugar das conexões anteriores,

Mais ilusórias,

Mais mono de maia,

E estabelecer novas conexões,

Com partes mais elevadas suas,

Com o agora,

Com o conceito de divino.

Mas se você não estabelece novas conexões,

Você pira.

Então,

Assim,

Não é pra ficar numa solidão sem conexões,

É pra você trocar a qualidade das conexões que você tinha por conexões mais sutis,

Com seu propósito,

Com seu silêncio.

Mas a gente tem que plugar em alguma coisa,

A gente não existe no vácuo dessa maneira.

Eu acho interessante isso que você falou,

A respeito das conexões na quarentena.

Porque é quase como se fosse assim,

No fundo,

A quarentena não tem nada a ver com solidão.

Eu tinha ouvido também alguém dizer,

Eu li isso hoje,

Que era assim,

Tô louco pra que essa quarentena acabe,

Pra eu poder ficar sozinho.

A quarentena,

Na verdade,

É um exercício de seleção.

E o problema todo é muito mais esse.

Se você selecionou mal as suas relações antes da quarentena,

Quando chega a quarentena,

Você tem que lidar com essa seleção.

Tanto que a grande metáfora que eu tenho mais escutado a respeito da quarentena não tem nada a ver com o confinamento.

O que eu tenho escutado é a dança das cadeiras.

Então,

Eu ouvi isso de várias pessoas,

Que é basicamente,

A música acabou e agora eu acabei no colo daquela pessoa.

É mais isso.

Mas isso que você diz tem um elemento de Groundhog Day,

Né?

Justo esse dia que vai ficar repetindo?

Por isso que eu acho que é um grande processo de purificação e de conscientização.

Você vai entendendo várias vezes,

No mesmo dia,

Até que quando acaba a quarentena você está pronto para que esse dia nunca mais se repita.

Acho que é mais ou menos parecido com o que os pais fazem quando botam as crianças no cantinho do castigo,

Né?

Com a ideia de que elas pensem um pouco no que elas andaram fazendo.

Quando você sair do cantinho do pensamento,

Você já pode se comportar melhor ou algo assim.

Eu tenho aqui uma dúvida,

Que é qual é o momento que você,

Como você consegue balancear justamente essa ideia de com quem você vai conectar e com quem vai te preocupar,

Né?

Como você vai se preocupar?

Porque o que a gente está vivendo agora é uma mistura de lidar com essa conexão,

Ou a falta dela,

Ou a conexão como ela veio,

Na dança das cadeiras,

E esse medo e esse luto,

Né?

Não sei se é isso que você enxerga também,

Mas tem uma sensação que as pessoas não conseguem dar um logo.

Uns estão chamando de luto,

Outros estão chamando de medo,

Uma mistura das duas coisas.

Isso faz parte,

Essa sensação que antecede uma grande mudança?

Pode ser isso que a gente está sentindo?

É uma angústia do desconhecido só?

Eu acho que não,

Sabe,

Meu amigo?

Eu acho que eu nunca senti uma energia como essa no coletivo,

Nunca.

Porque quando você se retira do grupo e vai para o seu isolamento,

Para realmente estabelecer novas conexões,

Eu já falo das conexões,

Você sempre tem a noção de que você vai voltar e aquilo que você conhecia vai estar lá,

E vai estar lá tanto para você interagir de maneira diferente,

Rechaçar certas tentações ou coisas que já não te faziam sentido e transformar aquilo que você acha que ainda vale a pena.

Mas sempre tem o elemento de retorno,

O monomito do herói tem o elemento de retorno.

E a gente está tendo uma mudança coletiva que não tem elemento de retorno,

É um cataclisma da civilização,

Embora a gente possa muito focar no pessoal,

Né?

Ah,

Eu vou viver a mesma coisa o mesmo dia várias vezes,

Até eu aprender e poder sair do castigo.

Mas sair para ir para onde?

Quando eu abrir a porta,

O que vai ter?

Então eu nunca senti essa energia que não é uma energia de medo ou de ansiedade,

É uma energia de um choro pelo colapso da civilização ao nosso redor,

É um medo de que ela vá ruir mais do que as pessoas esperavam.

Então,

Não é apenas medo,

É uma falta de chão.

Eu me lembro quando eu tinha 13 anos de idade,

Ou 12 anos de idade,

E alguns amigos muito pouco inteligentes,

E eu o mais burro de todos,

A gente fez uma catapulta,

E aí eu fui ser jogado nessa pequena catapulta,

Improvisada,

Enfim.

Mas eu achei que eu ia ser jogado,

Ia me segurar,

Ia dar uma pirueta.

Não me segurei,

Fui arremessado.

E eu me lembro claramente da sensação.

Quando eu já tinha sido arremessado,

Eu tava voando,

Quando eu caísse,

Tudo ia ter mudado.

E por causa da adrenalina,

Eu conseguia pensar,

Gente,

Vai mudar tudo.

E quando eu caí,

Será que eu vou ter quebrado uma perna,

Duas,

Um braço,

O que vai acontecer?

Era uma sensação de vazio,

O mundo não te sustenta.

Eu tava voando.

É assim que eu acho que as pessoas têm se sentido.

Antes elas tinham medo do mundo,

Agora elas parecem estar com medo de que o mundo suma.

É uma impressão diferente.

Falando nisso,

Eu me lembrei do desenho do Papa Léguas,

Quando o coiote tá sempre correndo atrás do Papa Léguas,

E ele chega naquele ponto em que ele descobre,

Perseguindo aquele que vai mais rápido,

Naquele mundo competitivo,

E ele descobre,

De repente,

Que ele tá flutuando no meio do cânion,

E aí ele olha pra baixo,

E aí ele cai.

Eu vou criar um adesivo,

Larry,

Dizendo,

Somos todos Papa Léguas.

Não,

Somos todos o coiote,

Pobre do coiote.

Somos todos o coiote.

Mas vocês sabem,

Eu tenho um aspecto,

Falando dessa pergunta do Larry Gould,

Eu tenho um comentário a fazer,

Surgiu uma conversa hoje,

Eu tenho um pouco a impressão de que crianças,

Pra elas aprenderem,

É bem mais simples.

Crianças,

Você traz a informação nova,

E quando ela encaixa,

E ela revoluciona a visão das crianças,

Elas já mudam.

Agora,

Adultos,

Pra eles realmente aprenderem coisas significativas,

Eles precisam se transformar.

E transformação gera medo.

Então,

Eu acho que o ponto curioso é que processos de aprendizagem realmente significativos pra adultos sempre vêm com medo.

Eu vejo essa grande transição como uma grande aprendizagem forçada,

E eu acho que isso gera uma sensação meio de ansiedade,

Talvez seja isso que o Larry Gould falou.

Eu queria até complementar essa pergunta,

Justamente,

De vocês,

O que exatamente a gente tem que aprender?

O que é tão importante nessa transformação?

Qual é o aspecto mais fundamental dessa transformação?

Vou pedir a palavra,

Mas não pra responder,

Porque eu não tenho a menor ideia da resposta.

Mas eu vou contribuir com algumas indagações aqui,

Bem socráticas.

Porque realmente,

Existe karma coletivo,

Existe o que a gente tem que aprender no individual,

Existe.

.

.

Mas eu acho que a gente pode partir do seguinte ponto,

Larry.

A gente nunca recebe uma tarefa,

Um pedido de a gente agir de maneira mais iluminada do que a gente é,

Mais evoluída do que a gente é.

Quando o universo nos dá um tá pra cara,

Faz a gente girar,

Nunca é porque ele tá pedindo pra gente ter uma luz que a gente ainda não tem,

É porque a gente ficou pra trás,

Não porque ele quer cobrar o que tá indo lá pra frente.

Então,

Se a gente tá tomando uma paulada,

A gente tem que descobrir qual lição a gente já sabe e ainda não implantou.

E,

De repente,

Não é olhar pras nuvens e falar assim,

Qual é a minha lição?

Mas é pegar sua checklist e falar assim,

Peraí,

Como é que era a minha checklist?

O que eu já aprendi e ainda não tive a coerência?

E talvez uma palavra super importante pra humanidade toda nessa pandemia seja coerência.

A humanidade sempre foi um pouco confusa,

Mas tava chegando em níveis que eu acho que até Maia tava com inveja,

Porque a humanidade tava criando níveis de ilusão que nem Vishnu nos seus sonhos tinha criado.

E ilusão tá muito ligada à incoerência.

Então,

A gente nunca é demandado pra ter uma atitude mais evoluída do que aquilo que a gente já evoluiu.

O problema são as DPs,

Meu amigo.

E a gente tem que olhar quais são as DPs que tornam a gente incoerente.

É daí que a gente estabelece novas conexões.

Eu se fosse pensar no que me parece ser a prova que tá em cima da carteira pra gente fazer de segunda época,

Eu acho que essa situação,

Pelo menos pra mim,

Com muita clareza,

Ela joga a luz e o foco em dois aspectos.

O primeiro aspecto é a interdependência.

É o quanto que a nossa vida nesse planeta depende da colaboração de todas as outras vidas no planeta.

Isso eu acho que tá muito nítido e essa possibilidade de a gente ver um colapso de uma rede de comunicação,

De troca,

De produção,

Toda ao mesmo tempo,

Essa circulação de tudo que a gente gerou,

Pra mim,

Traz muito à tona essa consciência.

Somos interconectados.

E o segundo foco de muita luz pra consciência nossa é a desigualdade,

Ou melhor dizendo,

As práticas que levam a desigualdades extremas e que me parece que nos próximos tempos vão ficar ainda mais gritantes.

Então,

Pra mim,

Eu acho que o cerne dessa prova de segunda época,

Como o Larry Schein tava dizendo,

É quais são as consciências que vão entender como é que a gente mata essa charada e quais são as consciências que continuam inconscientes e ignorantes desse tema ou se recusam a fazer a prova,

Sei lá.

Eu tenho a impressão de que não existe,

Historicamente,

Quando a gente chegou em circunstâncias de desigualdade similares,

A gente correu em guerras ou em insulícias,

Enfim,

Eu questiono se a gente tem essa capacidade,

A não ser através de um processo individual mesmo,

De fazer essa mudança,

De entender essa desigualdade e saber como supri-la.

Como é que a gente resolve essas questões todas?

Porque,

Por mais que exista um plano,

Eu acho que a sensação individual do que está no seu entorno é a única forma de se começar isso,

Porque a gente não vai poder depender de um governo ou de uma liderança que nos dê um caminho para resolver isso.

Só vou falar uma coisa,

Eu acho que você tem toda a razão,

Só que pra que servem os workshops?

O workshop serve pra você ter um processo de transformação facilitado pelo fato de que você está olhando outras pessoas fazendo a mesma transformação ao mesmo tempo.

Eu acho que a grande diferença desse cenário é que essa crise é um workshop com todo mundo se assistindo.

Então,

Sim,

As mudanças são individuais,

Mas nós funcionamos por imitação.

Eu acho que essa que é a ajudinha do momento.

Se eu puder fazer só uma,

Que eu gostei muito do que você colocou agora,

Larry,

Queria voltar a explorar um pouco esse tema da conexão,

Porque aquela questão que a gente se desconecta da nossa realidade pra se conectar com uma nova realidade,

E é só a partir daí que a gente começa a projetar uma nova realidade.

O que eu temo muito é que as pessoas,

Como estão muito conectadas na mente,

Está todo mundo preocupado ainda,

E ainda numa fase de como eu distraio a minha mente.

Então,

Sempre que eu vejo as pessoas conversando,

Elas conversam sobre como é que eu estou me distraindo.

Ah,

Eu estou vendo filme,

Eu comprei não sei o que,

Eu estou conversando com fulano.

Eles criaram uma rotina de distração.

Então,

A gente ainda está muito longe,

Infelizmente,

Do momento de um aprofundamento.

Eu talvez esteja um pouco mais cético do que todos vocês,

Que eu justamente acho que está todo mundo no deserto,

No camping.

Então,

Verdadeiramente.

.

.

Mas,

Ô Larry Ghost,

Você não acha que isso aí é porque as porteiras ainda estão fechadas?

Eu acho que é.

.

.

Porque na hora que você sair a campo e se der conta do tamanho do desastre,

Do tornado,

Eu acho que vai ser impossível você buscar qualquer outra distração,

Né?

Eu estava até tentando assistir.

.

.

Eu estava tentando entrar numa distração dessas outro dia,

Tentando assistir aquele seriado,

O Netflix,

O Casa de Papel,

E assisti durante cinco minutos e tive uma sensação estranha de que nada ia ser mais interessante do que a realidade que a gente ia viver agora.

Todos os seriados de ação passaram a ser absolutamente antigos,

Né?

O que a gente vai viver agora vai ser muito difícil do drama conseguir acompanhar a realidade que a gente vive hoje.

Então,

É por isso que eu acredito muito que a transformação é como se você estivesse no começo do pesadelo.

Isso é só o começo.

O grande pesadelo as pessoas vão sentir com a questão da crise econômica que vai vir.

Então,

O grande motivador da transformação está por chegar,

Ele não chegou ainda.

Hoje,

A gente troca ideias o tempo inteiro,

Mas muito pouca gente falando de ideais.

E é o que nós vamos precisar para dirigir esse vazio que vai acontecer.

Então,

Como a gente vai conseguir se reconectar se não tem pessoas falando em ideais,

Não tem líderes capazes de levar a gente para essa conexão desse lugar.

Para mim,

O maior risco de tudo isso que nós estamos falando agora é quem serão os líderes inspiradores para as novas conexões.

Eu não consigo enxergar ninguém.

Essa é a minha grande frustração.

Posso dar uma continuidade do que você está falando?

Saudade de você.

Estou até um pouco surpreso com as coisas que você falou,

Que elas combinam com algo que eu estava falando com o Larry B há alguns dias,

Mas vamos lá.

Todos vocês,

Como eu,

São aquelas pessoas que trilham o longo e árduo caminho de trabalhar o próprio ego.

E assim,

Para ninguém é bolinho trabalhar o próprio ego.

E tem uma palavra que a gente morre de medo quando está no trabalho interior,

Que é ruptura.

A gente vai negociando para não ter ruptura.

A gente fala,

Não,

Não,

Eu vou ajustar aqui,

Eu ajusto um pouquinho aqui,

Eu ajusto,

Não vai ter que ter ruptura,

Não vai precisar,

Gente,

Não precisa,

E a gente vai até que a ruptura tem que chegar.

E a gente descobre que não há realmente a mudança necessária sem uma ruptura.

O que eu tenho visto,

Tanto na civilização quanto no pessoal,

E é interessantíssimo como a gente podia tratar a humanidade como uma pessoa nesse momento,

Porque é muito parecido o caminho do trabalho do ego coletivo e o trabalho do ego individual.

As pessoas estão percebendo a proximidade de uma ruptura,

E antes disso acontecer havia um ceticismo de que a ruptura pudesse existir.

A gente negava como a gente nega no caminho do ego.

Então a gente falava assim,

Quer mudar o mundo,

Tem que mudar de pouco em pouco,

Tem que mudar se trabalhando internamente,

As estruturas que estão aí são as que estão aí,

Tem que me associar a essa pessoa que não é uma pessoa ética,

Tudo bem,

É assim que o mundo funciona.

Então havia uma expectativa de acumulação para mudar tudo.

E eu acho que isso que diminuiu a colheita de grandes líderes,

Me parece,

Larry Ghost.

Porque quando a gente pega a última grande safra de pensadores,

Que é o povo do iluminismo,

Com o Spain,

Eles basicamente criaram um conjunto de ideais e de ideias,

E floresceu no mundo.

Os Estados Unidos foram criados com base naquilo,

A República Francesa,

Os direitos humanos,

Tudo foi criado com base nas ideias de um pessoal que viu uma ruptura chegando,

E eles falaram assim,

Gente,

Eu acho que a casa vai cair,

Se caísse,

Se não existissem mais reis,

Como que tinha que ser esse mundo?

Eles trocaram ideias,

E quando a casa caiu,

As pessoas se olharam e falaram,

Bom,

Qual é o novo projeto arquitetônico?

E a maioria dos líderes,

Eles são mais generais do que pensadores,

Eles não estão lá pensando o que o novo mundo vai ser,

Isso cabe a loucos como nós,

Porque quando a casa cai,

As pessoas se olham e falam,

Peraí,

Qual é o próximo projeto arquitetônico?

E eu acho,

Exatamente como o Larry Gose falou,

Que estão faltando projetos arquitetônicos,

Porque a humanidade estava tentando encontrar caminhos sem ruptura,

E como se o universo tivesse dito assim,

Cara,

Ruptura,

Todo caminho egóico,

Seja coletivo ou individual,

Precisa de grandes rupturas,

E aí talvez agora a gente tenha coragem de criar ideias,

Não só nós,

O mundo,

Que depois vão ser pegas e implementadas,

Mas precisa de um grau de ousadia e de ligação e conexão com algo superior,

Que a gente apostaria que seria impossível antes da ruptura acontecer.

Posso dar uma complementada no que você disse?

Adorei,

E deixo só dar uma radicalizada nessa história,

Só,

Bem nessa linha.

Quando você estuda a história do século XX,

Fica muito claro que,

Pelo menos no campo da cultura e do intelecto,

Existiam muitos pensadores revolucionários que queriam fazer um mundo muito diferente,

Uma natureza humana muito diferente,

E o que aconteceu no decorrer do século XX,

O establishment e o sistema assimilou esses pensadores revolucionários como se eles fossem produtos de consumo,

Ou seja,

O dinheiro tirou o gume das facas.

Os grandes artistas revolucionários,

Os grandes pensadores que supostamente davam uma energia de revolucionar as coisas,

Viraram produtos de consumo,

Viraram mercadorias,

E tem muita gente que mostra isso com muita clareza.

Há um ponto que,

Nas últimas décadas,

Se você tinha algum pensamento mais revolucionário,

Tudo bem,

Você tinha os seus seguidores,

Você tinha o seu fã-clube,

Você tinha até os seus patrocinadores.

Então,

Numa linguagem meio antiga,

Era como se fosse assim,

O burguês simplesmente comprou as obras do artista revolucionário e visionário e deixou ele manso.

Então,

É muito interessante pensar que todo esse mecanismo agora estaria ruindo e deixando todos os pensamentos novos,

Junto com a frustração que vai vir do mundo que ruiu,

E talvez isso,

De novo,

Sirva para acender a chama das transformações.

As coisas que aconteceram no século XX,

Larry,

As ideologias,

As correntes ideológicas,

Elas eram marcadamente políticas,

Era muito do coletivo,

Como a gente vai organizar o coletivo.

E tem uma coisa que liga com o que o Larry Gost acabou de falar,

Que as filosofias que realmente criaram a base desse mundo ocidental que a gente conhece hoje,

Elas eram muito menos,

Elas eram muito focadas em um trabalho de si mesmo,

Né?

Como deve ser a pessoa humanista,

Como deve ser a ética,

Como deve ser a postura.

Tinha muito menos gosto de fla-flu,

Né?

Então talvez isso volte à tona,

De que qual é a consequência natural do meu trabalho interno se eu colocar isso num modo de como organizar a sociedade.

E se a gente estiver aqui não para competir,

Mas para se aperfeiçoar e colaborar?

Porque o capitalismo é altamente competitivo na versão que ele está aqui,

Mas e se existir uma maneira de aperfeiçoá-lo,

Para que ele seja um pouquinho menos imediatista,

Um pouquinho menos cassino,

E inclua essa semente da automelhoria?

Tá claro que,

Como a gente perdeu qualquer referência de valores ideais,

Os únicos valores ideais que passaram a existir é a conexão com aquilo que você deseja para você,

Independente de que consequências isso traga para os outros,

Para a sociedade ou para a natureza.

Então existe uma conexão única e exclusivamente com uma visão egoística dos seus objetivos,

Sem levar em consideração nem outras duas variáveis,

O coletivo e a natureza.

Então exatamente o grande desafio para mim é agora o ser humano ter que se conectar com o coletivo e ter que começar a pensar o que é melhor para todos e o que eu terei que abrir mão em função do melhor para todos,

E não necessariamente o que é o melhor para mim.

Erick Schein,

Você estava falando aqui das coisas do Ocidente e eu estava pensando muito que parte da sua formação espiritual vem de uma cultura hindu,

Hinduísta,

Enfim.

Da perspectiva dessa cultura,

Existia alguma ideia de algo como essa ruptura egóica da sociedade,

Algo assim?

Existia uma previsão ou alguma visão de que isso poderia acontecer,

De que isso viria?

Total e completamente.

Na verdade,

Ela é muito mais.

.

.

Se a gente olhar a visão sociológica,

Filosófica do que está acontecendo aqui pelo viés ocidental,

A gente vê uma coisa bonita,

Um movimento de a gente tentar fazer com que o dinheiro deixe de imperar aquilo que o Larry B.

Explicou super bem pra gente,

Que os revolucionários foram cooptados,

O fogo foi fotografado e enquadrado na parede.

Então,

No Ocidente,

A gente entende isso como movimentos sociais.

O Oriente é muito mais louco,

Né?

Então eles falam,

Por exemplo,

O local onde eu fui treinado,

Tem um livro que diz que há uma grande mudança da consciência da humanidade entre 1879 e 2079,

E que a partir do final dessa mudança da consciência,

Nenhuma pessoa de baixa vibração,

De vibração abaixo de um certo mínimo,

Numa nota de corte,

Seria permitido que a pessoa nascesse aqui.

Porque ia se tornar um planeta onde o foco não é mais a dor,

Mas o foco já é uma consciência do papel de cada um.

Você pode considerar essas profecias absolutamente malucas,

Mas eles basicamente,

Tudo que eu estudei lá,

Algumas outras profecias falavam em 2059,

Mas basicamente eles diziam assim,

Colapso de todas as civilizações,

Descoberta de uma nova maneira de ser,

E o novo vai crescer antes do antigo terminar de ruir.

Então é como você ir construindo uma coisa linda dentro de uma vizinhança em demolição,

E você vai ver as poeiras daquela demolição e o desespero das pessoas na demolição,

E você ao mesmo tempo vai ver uma construção absolutamente linda,

Que você sabe que vai ser a preponderante depois dessa mudança de consciência,

E você tem que trabalhar no novo.

As curvas são bem nítidas,

Uma coisa descendo,

Algo subindo,

Mas o fim da ordem antiga é algo catastrófico e algo barulhento,

Porque tem que ser,

Essa é a natureza dela.

Então no oriente eles falam das yugas,

Eles falam das mudanças de yugas,

E os mestres lá,

Os yugas são as grandes eras,

Os mestres divergem um pouquinho,

O Yogananda diverge de outros,

Mas a maioria deles fala que a gente está no final da Kali Yuga,

E as yugas são fáceis de entender se a gente pensar assim.

Na primeira yuga,

Os homens são guiados pelos deuses,

Na segunda yuga os homens são guiados pelos santos,

Na terceira yuga os homens são guiados pelos sábios,

E na quarta yuga os homens são guiados pelos homens,

Na média mais medíocre deles.

Parece que é onde a gente está.

Então é pra ter uma super mudança com um cataclisma,

E eu fico pensando assim,

Gente,

Que aquele bando de malucos tinha razão,

Mas de acordo com aquela perspectiva,

Larry Snow,

A gente está só no começo,

Essa é uma aposta grátis,

Se aquilo for verdade,

E eu acho que pode ser.

Tem um aspecto do que você diz aí nessa imagem que eu acho que é muito prático,

Pelo menos nessa direção que eu tenho me movimentado.

Nós temos uma tendência a imaginar um momento depois dessa quarentena,

Essa continuação do mundo como um lugar onde o que vai predominar é a falta,

Falta de várias coisas ou a morte de várias coisas.

Acho que é mais interessante olhar para o que vem pela frente,

Não como uma grande depressão,

Mas carinhosamente até como uma grande bagunça.

Eu acho que o fim de uma ordem,

O que vem antes de mais nada é a bagunça,

É essa desordem.

E por que isso me parece muito bom?

Porque dessa desordem,

Desse novo caos crescente,

Que você tem a oportunidade de presenciar,

Experimentar o que você descreveu,

Que é,

Ao mesmo tempo,

O jeito velho de funcionar coexistindo com jeitos novos de criar e de estar no planeta.

Para mim,

A grande possibilidade que vem agora é que o novo e o velho coexistam,

E isso é necessário.

E,

É claro,

Que isso vai trazer tensões,

É uma bagunça,

Mas é assim que o novo,

No seu melhor,

Vem à tona.

Muito mais isso do que,

Propriamente,

Você ter uma terra arrasada,

Um grande estacionamento e depois construir do zero.

Eu concordo totalmente com o que você diz,

E é bonito como você descreve que,

Basicamente,

A potência do crescimento do novo é proporcional à potência da decadência do antigo e da inviabilização do antigo.

Então,

Se a gente imagina que vai sair disso aqui e a gente consegue prever exatamente como é que vai estar,

A única previsão correta é que vai ser uma bagunça.

E eu ouso prever que,

Se as teorias lá do Oriente que o Larry Snow me incentivou a falar estiverem corretas,

E eu acho que estão,

Lá ia haver um impulso energético,

Consciencial,

Coletivo,

Por uma conexão diferente,

Com níveis diferentes nossos,

Com uma maneira diferente de entender o coletivo.

Não como uma massa social,

Como eram pópulos romanos,

Mas como realmente seres conectados juntos para se conectarem com algo maior,

Isso vai ter um impulso tão potente quanto vai ser estrondoso o colapso do antigo.

Mas isso é algo,

Como eu falei para vocês,

Eu acho que essa é a primeira etapa.

A gente acha que vai sair daqui para uma humanidade solidária,

Não achando que isso aqui é só amostra grátis.

5.0 (1)

Avaliações Recentes

simone

March 2, 2021

Me ajudou muito a compreender o momento difícil que estamos passando e refletir sobre o que acabou e o que virá. Gratidão!

© 2026 Elefantes Na Neblina. All rights reserved. All copyright in this work remains with the original creator. No part of this material may be reproduced, distributed, or transmitted in any form or by any means, without the prior written permission of the copyright owner.

Trusted by 34 million people. It's free.

Insight Timer

Get the app

How can we help?

Sleep better
Reduce stress or anxiety
Meditation
Spirituality
Something else