
No. 0 - Onde Estamos com a Cabeça? | Podcast Autoconsciente
Não está fácil a nossa vida neste mundo pós-globalizado, acelerado e hiperconectado. Nossos cérebros andam super-ocupados! A gente se envolve com uma infinidade de coisas, e se desconecta de si mesmo. Dispersa energia com o que é irrelevante, e não consegue focar no que é importante. A gente faz, faz, faz, faz, e não realiza. Nossa mente viaja no tempo e no espaço, e ignora o aqui, agora, que é onde a vida realmente acontece. Isso faz sentido pra você? Então escute aqui! Este é o episódio de estreia do podcast Autoconsciente, com reflexões, ideias e ações para você se reencontrar com você mesmo.
Transcrição
Este é o programa Autoconsciente.
Você tem o poder de escolher,
Aqui,
Agora.
Bem-vinda,
Bem-vindo.
Eu sou Regina Gianetti e a minha intenção com esse podcast é compartilhar ideias e ações para uma vida com mais autoconsciência.
Autoconsciência gera autoconhecimento,
Traz maior compreensão da nossa humanidade,
Nos coloca no momento presente que é o meio de possibilidades,
Permite fazer escolhas coerentes com o que sentimos e desejamos,
Empodera.
A vida com autoconsciência é plena de significado e clareza de propósito.
Se isso faz sentido para você,
Então vem.
Autoconsciente número zero.
Onde estamos com a cabeça?
Para um programa de estreia é esperado que eu conte quem eu sou e como surgiu a ideia desse podcast.
E eu vou falar um pouco sobre isso,
Sim.
Mas,
Para começar,
Eu te convido a contemplar um cenário que justifica essa proposta de estar mais autoconsciente.
Vamos olhar para a nossa vida hoje,
Nesse mundo pós-globalizado,
Complexo,
Acelerado,
Hiperconectado.
Eu gosto muito das ideias de um neurocientista chamado Daniel Levitin,
Que é da Universidade de Montreal,
No Canadá,
E vou ler para você o trecho de um texto em que ele sintetiza,
Acho que muito bem,
Como é essa nossa vida moderna.
Diz assim,
Abre aspas,
Nossos cérebros estão mais ocupados do que nunca.
Somos assediados por fatos,
Pseudofatos,
Bobagens,
Rumores,
Tudo isso se apresentando como informação.
Discernir o que você precisa saber do que pode ser ignorado é exaustivo.
Ao mesmo tempo,
Estamos fazendo mais coisas.
Trinta anos atrás,
Agentes de viagem faziam nossas reservas de voo,
Vendedores nos ajudavam a encontrar coisas numa loja e secretários ajudavam executivos ocupados com sua correspondência.
Hoje,
Fazemos nós mesmos todas essas coisas.
Realizamos o trabalho de dez pessoas,
Enquanto tentamos cuidar da nossa vida,
Dos filhos e pais,
Amigos,
Carreiras,
Hobbies e programas de TV favoritos.
Fecha aspas.
E olha que ele nem mencionou as redes sociais e os grupinhos de WhatsApp,
Hein?
Ainda tem mais isso.
O fato é que o ser humano nunca teve que lidar com tantos estímulos como nos tempos atuais.
Estímulo é tudo aquilo que faz o cérebro trabalhar.
Atividades,
Pensamentos,
Informações que chegam por meio dos sentidos,
Visão,
Audição,
Tato,
Olfato,
Paladar.
Para você ter uma ideia,
A estimativa é que nós estamos processando algo como 11 milhões de bits de informação a cada instante.
Eu nem sei o quanto é isso,
Mas acho que Agora,
Junte essa avalanche de informações com o ritmo acelerado dos acontecimentos,
Com a incerteza do nosso tempo,
As mudanças constantes,
As pressões,
A competição no trabalho,
Etc,
Etc.
E o que é a vida que nós estamos levando?
É um turbilhão.
E para dar conta de tudo isso,
A nossa mente vive a mil,
Né?
Com muita,
Muita frequência,
Enquanto a gente faz uma coisa,
A mente pensa em 10 outras.
Pensamos num problema que aconteceu,
Na lista do supermercado,
Nos planos para o fim de semana,
Na conversa que está rolando no trabalho,
Na pilha de coisas que temos para fazer.
A gente faz uma refeição assistindo TV ou lendo alguma coisa no celular e mal sente o gosto da comida.
Indo para o trabalho ou voltando para casa,
Nós vamos pensando numa infinidade de coisas e mal prestamos atenção no caminho.
Já aconteceu de você se pegar no lugar da casa ou do escritório e perguntar,
O que eu vim fazer aqui mesmo?
Quantas vezes a sua mão apanha o celular e abre um aplicativo sem você nem pensar em fazer isso?
E quantas vezes seus olhos correm um texto,
Mas você não está lendo?
Não está lendo porque a mente pensa em outro assunto.
Pois é,
Olhamos sem ver,
Ouvimos sem escutar,
Respondemos sem pensar,
Fazemos coisas sem atenção.
E onde afinal estamos com a cabeça?
É num monólogo interno constante de análise do que acontece na nossa vida,
Na vida dos outros,
Pensamentos repetitivos que grudam na cabeça,
Um meme de internet,
Uma música,
Lembranças insistentes de situações que aconteceram ou antecipações de acontecimentos futuros,
Expectativas.
E enquanto tudo isso acontece na nossa cabeça,
O corpo age no piloto automático.
Com que frequência a gente pensa em algo diferente do que está fazendo?
Você arrisca um palpite?
Bom,
Isso foi mensurado cientificamente num estudo da Universidade de Harvard.
Funcionou assim,
Eles criaram um aplicativo de celular que chamava as pessoas em momentos aleatórios do dia,
Em vários momentos,
E aí elas precisavam responder algumas perguntas.
O que esse estudo descobriu?
Que em metade do tempo praticamente,
As pessoas estão pensando em algo diferente do que estão fazendo,
E que na maior parte do tempo em que a mente delas viaja,
As pessoas se sentem infelizes,
Porque o tipo de pensamento que elas estão tendo é de preocupação ou de descontentamento.
Essa pesquisa teve a participação de milhares de pessoas em vários países,
Além dos Estados Unidos,
E foi publicada na revista Science,
Que é uma super respeitada publicação do meio científico.
O título para ela foi uma mente divagante é uma mente infeliz.
Essa capacidade da nossa mente de se descolar do que o corpo está fazendo é essencial para a nossa vida,
É o que nos permite criar,
Planejar,
Refletir,
Raciocinar,
É o que nos define como seres humanos,
Na verdade,
Né?
Os animais não têm essa capacidade.
Nós sempre fomos assim,
Seres divagantes,
E hoje estamos mais divagantes ainda,
Com a nossa mente sobrecarregada de informação,
Fazendo várias coisas ao mesmo tempo,
E isso tem consequências,
Né?
A ansiedade,
Por exemplo,
Cada vez mais eu ouço pessoas se queixarem de que estão ansiosas,
Se sentem aceleradas.
No começo de 2017,
Saiu uma estatística da Organização Mundial da Ansiedade que diz o seguinte,
Quase 10% da população brasileira tem ansiedade num nível que já precisa ser tratado com terapia e medicação.
Tem muita gente reclamando de insônia,
De estresse,
De atenção dispersa,
De esgotamento mental,
De não conseguir aproveitar bem o tempo,
Fazer uma infinidade de coisas que aparecem e não fazer o que deveria ter sido feito.
Isso é familiar para você?
Para mim é.
Eu já vi esse filme e não gostei.
Em 2013 eu me vi muito incomodada com essas situações que estavam todas presentes na minha vida.
Eu andava mentalmente agitada,
Distraída,
Errava caminho até seguindo o GPS,
Ver se pode.
A pessoa aqui começava 10 coisas e não terminava nenhuma.
Estava sem foco,
Não sentia bem,
Andava cheia de preocupações,
Ansiosa.
Bom,
Vai vendo a lista.
Eu até quase botei fogo na casa.
Uma noite,
Já era meio tarde,
Meu marido estava chegando em casa sem jantar e eu fiz um omelete para ele.
Quando o omelete ficou pronto,
Eu apaguei o fogo,
Tampei a frigideira e fui dormir.
Quer dizer,
Eu achei que tivesse apagado o fogo,
Só que não.
Distraidamente,
Eu estava pensando sei lá o que,
Naquela hora,
Eu girei só um estágio do gotando o gás.
Na verdade,
Eu aumentei a chama que estava baixa.
Aí meu marido chegou e lá estava o omelete carbonizado já na frigideira.
Uma fumaceira pela casa é um horror.
E eu só fui saber de tudo isso no dia seguinte.
Eu fiquei super passada.
Bom,
Eu achei que tivesse ficando gaga,
Juro,
Ou com algum problema neurológico e faltou pouco até eu ir para procurar um geriatra.
Mas eu também percebia minha dificuldade em conter a divagação e colocar atenção nas coisas.
Então,
Comecei a pesquisar sobre neurociência.
Comecei a ler livros e foi no livro FOCO,
Do Daniel Goldman,
Que eu soube de um treino de fortalecimento da atenção chamado Mindfulness.
Essa é uma palavra que pode ser traduzida como atenção plena ou consciência no momento presente.
Me interessou muito.
Eu passei a ler tudo depois sobre esse assunto.
Comecei a praticar esse treino e descobri que ele faz muito mais do que fortalecer a atenção.
Mindfulness traz autoconsciência e é uma chave para lidar com a agitação mental,
As emoções,
A ansiedade,
O estresse,
Tudo aquilo que estava me incomodando.
E mudou muita coisa na minha vida.
Bom,
Para encurtar essa ideia,
Eu já trabalhava desde 2006 com desenvolvimento humano como coach e trainer de inteligência emocional e resolvi me profissionalizar como instrutora de Mindfulness,
Porque eu percebia que em maior ou menor grau todo mundo tinha um certo problema de concentração,
De divagação,
Distração,
De ansiedade ou estresse.
Então,
Eu fiz uma formação na UNIFESP e em 2016 lancei o programa para o autogerenciamento mental e emocional com base em Mindfulness que eu batizei de você mais centrado.
Eu realizei 18 edições do meu programa de Mindfulness até aqui,
Novembro de 2017.
Duas das minhas alunas,
Talvez você conheça,
Foram a Juliana Wallauer e a Cris Bartz do podcast Mamilos.
A Cris e a Ju se identificaram muito com Mindfulness e um dia eu fui lá para participar de um episódio do Mamilos que foi o 122 sobre transformação pessoal e a percussão me surpreendeu,
Viu?
Eu descobri que na podosfera tem muita gente interessada em vida interior e isso me incentivou a criar esse podcast autoconsciente.
Como eu disse no começo do programa,
A minha intenção é compartilhar o que eu tenho aprendido e praticado para ter mais consciência de mim mesma,
Consciência do que eu estou fazendo,
Sentindo,
Consciência das minhas atitudes e do que é importante para mim.
Porque com tanto movimento acontecendo à nossa volta,
A gente se envolve com uma infinidade de coisas e se desconecta de si mesma,
Dispersa energia com que é relevante e não consegue focar no que é importante.
A gente faz,
Faz,
Faz e não realiza.
A nossa mente viaja no tempo e no espaço e ignora o aqui e agora,
Que é onde a vida de verdade acontece.
Um belo dia a gente se dá conta de que tem vivido no piloto automático,
Só reagindo aos acontecimentos,
Repetindo e repetindo as mesmas histórias,
Sem fazer valer o nosso poder de escolha de como agir nas situações da vida.
Mas tudo bem,
Tá?
Sempre há tempo de ser mais consciente.
Para mim esse momento aconteceu aos 49 anos.
Eu vejo gente bem mais jovem tendo o seu momento e isso me deixa muito feliz.
Esse podcast vai tratar de temas práticos,
Bem do cotidiano,
Com sugestões de ações para você experimentar.
E também vai tratar de temas mais filosóficos.
Ao longo do tempo ele vai formar como uma biblioteca,
Com episódios que você talvez não vai ouvir de novo,
Porque de repente eles refletem um momento da sua vida.
Vão ser também episódios bem pontuais,
Para você ir direto no que interessa.
Por exemplo,
Num programa eu falo sobre ansiedade,
Suas causas,
E em outro eu falo sobre estratégias para lidar com ansiedade.
Só não fique ansioso por esses episódios,
Tá?
Eles estão programados para daqui a um tempinho.
Os episódios vão ter uma sequência lógica,
Porque tem um caminho a ser percorrido.
Então,
De certa forma,
Vai ser como um seriado de Netflix.
Bom,
Eu realmente desejo que esse programa inspire você a se olhar,
Mas se olhar com amor,
Viu?
Não com julgamento.
E que motive você a cuidar mais de você mesmo e de usar o seu poder de escolha.
Tomara que você tenha curtido a proposta do paciente e que nós possamos continuar juntos nos próximos meses.
Deixe nos comentários o seu feedback.
Eu vou gostar de saber do que você achou.
Um abraço,
Que você esteja bem.
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