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Um Lugar Para Cuidar da Mente

by Projeto Presença

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Meditação
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Inaugurando o novo quadro do podcast, temos dois convidados muito especiais, os psicólogos Guilherme Aguiar e Vanessa Akemi falando um pouco sobre acolhimento, cuidado e terapia - e claro, onde a meditação entra nessa história!

Transcrição

Oi pessoal,

Sejam muito bem-vindos a esse primeiro episódio do Conversas com Presença,

Do Projeto Presença.

Eu sou a Gabi e hoje eu tô aqui com dois psicólogos para bater um papo sobre saúde mental nesse mês de setembro.

Então eu vou deixar eles se apresentarem.

Oi pessoal,

Boa noite.

Meu nome é Guilherme,

Eu sou psicólogo de orientação psicanalítica,

Sou formado pela UFSCar.

Conheci o Projeto Presença da Gabi em 2018,

Mais ou menos.

Não,

Era o Projeto Presença ou era uma outra coisa de meditação da UFSCar?

Era,

Era o Projeto Presença.

Perfeito,

Perfeito.

Eu participei durante um bom tempo ali.

E eu trabalho em São Carlos com teoria psicanalítica e agradeço o convite para participar desse debate.

Olá pessoal,

Meu nome é Vanessa Chemi,

Eu sou psicóloga também formada pela UFSCar.

E atualmente eu trabalho na área clínica e a minha abordagem é terapia cognitivo-comportamental.

Eu acho que eu também entrei em contato com algum projeto de meditação,

Eu não tenho certeza se era o Projeto Presença,

Mas eu lembro que foi no ano de 2019,

Né?

Acho que foi em 2019,

Quando eu estava terminando a graduação.

E aí,

Eu acho que é isso assim,

Esse contato que eu tive com a Gabi.

E aí,

Recentemente ela entrou em contato comigo e agradeço bastante o convite por estar aqui para conversar com vocês.

Legal,

Gente.

E aí vocês querem contar um pouquinho das linhas de psicologia que vocês atuam?

Quais são as principais diferenças?

Só para o pessoal ficar sabendo.

Perfeito,

Perfeito.

Eu vou fazer uma breve introdução,

Depois acho que a Vanessa pode falar mais também.

A psicanálise,

A psicanálise lida com linguagem,

Certo?

A maneira que a gente olha para o mundo,

Enxerga ele,

Faz uma leitura dele,

É através da linguagem.

Então,

Nossas relações por meio da linguagem,

Nossa noção de sujeito,

Noção de cultura,

Noção de sociedade,

De lei,

Tudo por meio da linguagem.

A psicanálise vai pegar justamente essa linguagem e estudar ela,

Como ela se estrutura.

Como ela se estrutura em relações de melhor,

Pior,

Maior,

Menor,

Entende?

Então,

Muitas vezes,

Os sujeitos sofrem,

Não porque existem problemas reais,

Mas problemas derivados da linguagem.

E aí,

A psicanálise lida com isso,

Esse objeto da psicanálise.

Posso contar um pouquinho da minha abordagem?

Sempre quando perguntam para mim as diferenças entre abordagens,

Eu tenho um pouco de dificuldade de nomear ou de falar exatamente o que separa a gente,

Assim.

Então,

Eu vou falar um pouquinho da minha abordagem,

Acho que depois a gente pode conversar mais sobre isso também.

A terapia cognitivo-comportamental,

Ela é uma abordagem considerada um pouco mais objetiva em comparação com as outras.

E ela tem uma questão,

Assim,

No próprio nome,

Né?

Cognitivo,

Da parte dos pensamentos,

E comportamental,

Na forma como a pessoa reage ou como ela se comporta.

Então,

É uma abordagem que está muito focada ali na questão de padrões de pensamentos ou de crenças que são disfuncionais e que tem um impacto ou uma influência negativa nos comportamentos e nas emoções,

Né?

Então,

O objetivo principal dessa terapia é desenvolver a flexibilidade cognitiva.

É que a pessoa consiga entender melhor esses padrões,

Né?

E,

De fato,

Conseguir alterá-los,

Flexibilizá-los ou reestruturá-los.

Reestruturá-los,

No caso.

Nossa,

Que difícil falar isso.

Reestruturá-los.

E aí,

Eu acho que é mais ou menos isso,

Assim,

O resumo da TCC.

A gente pode até conversar um pouquinho sobre isso,

Mas eu acho que as semelhanças vão aparecer mais ao longo da nossa conversa,

Sabe?

Ao longo do que a gente for falar hoje,

Assim.

Percebe que é quase a mesma coisa?

A gente tá lidando,

Na verdade,

Como o indivíduo lê o mundo e como ele coloca isso pra dentro da cabeça e entende as relações.

É a mesma coisa,

É o mesmo objeto.

É isso que eu ia falar.

É muito complementar,

Né?

Do que vocês trouxeram,

Pra mim,

Parece que meio que funciona junto,

Né?

Isso de ser o mesmo objeto de estudo de trabalho faz bastante sentido.

E aí,

O que vocês dizem de qual é a diferença?

Quais são os benefícios que o ambiente acolhedor de escuta pode proporcionar pra pessoa que busca esse local seguro pra se expressar?

Sempre que eu penso,

Assim,

Na questão do ambiente acolhedor,

Eu acabo pensando um pouco o contrário do que é o ambiente que não é acolhedor,

Né?

Então,

Às vezes,

Eu penso na questão,

Assim,

De quando a gente tá mal,

De quando a gente tá triste,

De quando a gente tá angustiado ou frustrado com alguma coisa.

E a gente se expressa para uma pessoa ou para um ambiente que não é muito acolhedor,

A gente acaba escutando coisas que podem fazer com que a gente se sinta mais acuado,

Né?

Então,

Se a gente tá ali abrindo o nosso coração,

Falando da forma como a gente se sente,

Como a gente pensa,

A gente escuta.

Tá triste?

Frescura,

Tem tudo na mão.

Por que você tá triste se você tem tudo na vida?

Só um exemplo,

Né?

Mas,

Às vezes,

Isso pode acontecer.

Isso diminui a probabilidade dessa pessoa voltar a falar aquilo ou com aquela pessoa ou com qualquer outra pessoa,

Né?

Isso faz com que a pessoa se acue mesmo.

Então,

Eu acho que o ambiente acolhedor,

Ele possibilita exatamente isso.

Que a pessoa se sinta confortável pra se expressar.

Pra expressar,

De fato,

O que ela sente,

O que ela acha,

Né?

E isso é crucial na terapia.

Isso é,

Assim,

Fundamental.

Ter um ambiente acolhedor e um ambiente confortável.

Concordo plenamente.

Concordo plenamente,

Com certeza.

Eu acho que quando a gente proporciona para o indivíduo a escuta,

Né?

Mas não é qualquer tipo de escuta,

Como a Vanessa falou.

É uma escuta qualificada.

É aquela escuta onde você vai estar realmente atento ao que a pessoa tá falando,

Sabe?

Sem colocar sua visão pessoal de mundo sobre aquilo.

Sem colocar qualquer tipo de julgamento sobre aquilo.

Quando a pessoa entra nesse ambiente acolhedor,

Nesse discurso,

Né?

Discurso que deixa escapar as coisas.

Esse discurso que realmente mostra ali o que tá acontecendo.

Ali acontece alguma coisa.

Acontece alguma mágica,

Sabe?

É naquele momento que a pessoa realmente dá validação do que ela tá sentindo.

Validação pra muitas coisas que ela vem reprimindo de muito tempo atrás.

Então,

Acho que a grande.

.

.

Como é que é a palavra?

Grande chance do ambiente acolhedor é justamente proporcionar esse lugar de escuta qualificada.

E a escuta que vem da parte de vocês requer também que a pessoa esteja disposta a falar,

Né?

Imagino também que o silêncio seja algo que acontece durante o processo.

Mas começando primeiro pela fala,

Né?

O que é mais importante nesse ato de falar nesse ambiente terapêutico?

É interessante essa pergunta,

Né?

Porque,

Assim,

O silêncio,

A gente tem uma certa aversão a ele hoje em dia.

Certo?

Eu acho que a gente meio que entende que o silêncio é um lugar a ser preenchido.

É vergonhoso,

Às vezes,

Ficar em silêncio perto de alguém,

Num encontro com alguém,

Ou conversando no dia a dia.

É meio desconfortável.

E na terapia a gente justamente dá pra esse silêncio um lugar de conforto.

E é muito parecido com a meditação também.

A gente dá um lugar de conforto,

Sabe?

Pode parecer um pouco estranho no online ficar em silêncio.

Porque você tá numa chamada com a pessoa e os dois ficam em silêncio assim.

Mas no presencial é muito legal,

Porque a pessoa realmente se sente acolhida.

Em olhar pra você e falar,

Não,

Eu não preciso estar o tempo todo produzindo fala,

Produzindo conteúdo.

Eu posso simplesmente habitar aqui nesse silêncio e tá tudo bem.

Nesse ponto toca bastante na questão da meditação.

De estar confortável com o silêncio.

E ele aparece demais na psicoterapia,

Na análise,

Na comportamento cognitivo.

Também deve aparecer demais.

E a função do terapeuta é sempre de deixar o silêncio existir,

Permanecer.

Não tentar povoar ele com a nossa ansiedade,

Né?

Então a gente tem que se controlar um pouco as vezes pra não povoar ele de maneira desregrada.

Nossa,

Guilherme,

Eu concordo muito,

Assim.

E eu percebo que isso é uma dificuldade nossa mesmo enquanto terapeutas,

Né?

Que o silêncio tem um significado e que o silêncio tem que existir ali as vezes na relação terapêutica.

E as vezes a gente se sente muito ansioso,

A gente quer preencher o silêncio,

A gente quer dar uma solução,

A gente quer chegar pra um negócio ali que vai funcionar.

E em alguns momentos o silêncio,

Assim,

É necessário,

Né?

Ele se faz necessário naquele momento.

E aí eu queria também falar um pouquinho,

Trazer o contraponto da fala também,

Né?

Que o silêncio ele é de fato muito importante,

Mas a fala também,

Né?

A fala é importante.

Quando eu penso na fala,

Assim,

Dentro da terapia,

Eu acho que é um dos meios mais eficientes,

Assim,

Da gente conseguir entender de fato o que a pessoa pensa,

O que a pessoa sente,

Né?

É o autorrelato,

É como ela conta a história dela,

O que ela acha,

O que ela pensa,

Né?

E eu fico pensando muito também na questão de a gente realmente conhecer aquele paciente e construir um trabalho de fato colaborativo.

Porque se não existe a fala,

Se a gente não tem acesso a como essa pessoa vê o mundo,

A gente pode trazer mil intervenções,

A gente pode propor um milhão de coisas que aquilo não vai fazer sentido pra aquela pessoa,

Né?

Então eu acho que a fala possibilita isso.

O silêncio também,

Né?

Em alguns momentos.

Mas a questão da fala,

Eu acredito que ela colabora pra isso,

Pra que a gente possa realmente entender o que faz sentido pro paciente,

Sabe?

Perfeitamente,

Perfeitamente,

Né?

Junto com esse silêncio vem justamente o incentivo à fala.

Eu acho que a gente tem que entender o silêncio,

Né?

A gente tem que entender o silêncio e a gente tem que entender o silêncio,

Né?

A gente tem que entender o silêncio e a gente tem que entender o silêncio,

Né?

A gente tem que entender o silêncio e a gente tem que entender o silêncio,

Né?

A gente tem que entender o silêncio e a gente tem que entender o silêncio,

Né?

A gente tem que entender o silêncio e a gente tem que entender o silêncio,

Né?

A gente tem que entender o silêncio e a gente tem que entender o silêncio,

Né?

Esse princípio é muito relevante,

Né?

Como a Vanessa disse,

A pessoa nos ensina como ela lê o mundo,

Como ela enxerga as relações,

Como ela enxerga a si própria,

A sua constituição.

E aí a gente faz um trabalho juntos,

Assim,

De tentar entender uma arqueologia do sujeito,

Né?

Tentar entender como ele se formou,

Como aquilo se estruturou,

E a partir daquilo,

A quatro mãos,

Escrever essa história daqui pra frente.

Então,

O silêncio aparece,

Mas o mais importante que o silêncio também vem a fala.

Que bonito,

Gente.

Eu penso que é tipo uma dinâmica,

Né?

Então,

Ora silêncio,

Ora fala.

Essas coisas vão se complementando,

Assim como a gente sempre tem o equilíbrio dos opostos na vida,

Né?

E eu fico pensando nisso que o Guilherme trouxe,

Né?

Da pessoa falar,

Falar,

Falar e chega o silêncio.

E eu acho que isso é uma coisa que falta pra muita gente que pratica meditação.

Que as pessoas chegam e falam assim,

Meus pensamentos não param,

Eles são muito incessantes.

E agora,

Né?

O que eu faço?

E às vezes é o que precisa,

Né?

Pôr pra fora,

Falar,

Escrever,

Né?

Seja num ambiente,

Numa terapia,

Seja sozinho,

Né?

Deixar sair,

Porque senão é como se ficasse preso,

Né?

Acho que é exatamente isso,

Né?

Na meditação,

A gente já experimentou,

Todo mundo aqui já meditou,

Né?

No começo é muito difícil você quietar a cabeça.

Porque quando você tenta ficar em silêncio,

Vem imediatamente aquele discurso.

Vem imediatamente uma narrativa na cabeça.

E tudo que vem ali é uma tentativa de habitar esse silêncio.

Às vezes como uma defesa,

Né?

Mas com a meditação a gente vai treinando ficar um pouco mais quieto,

Né?

Habitar um pouco melhor na quietude.

Então as palavras vão ficando mais serenas.

Essa constante produção vai ficando mais serena.

A gente consegue ficar mais confortável.

Eventualmente acontece a mesma coisa na terapia.

A pessoa chega e fala,

Nossa,

Não tem nada pra dizer hoje.

Ou então ela passa uns 5 minutos em silêncio e fala,

Ah,

Então era isso.

Entende?

Então a gente precisa primeiro aquietar esses pensamentos que vêm incessantes.

Pra depois chegar a alguma conclusão,

Alguma análise mais profunda.

Então eu acho que nesse ponto toca bastante também na meditação.

Minha psicóloga fala algo muito parecido.

Ela fala assim,

Que quando a gente chega pra terapia e fala assim,

Hoje eu não tenho nada pra falar.

É o dia que a pessoa mais acaba falando.

Porque é a oportunidade que tem,

Né?

De escavar as coisas que não estão na superfície assim.

E aí já que a gente tá falando desse lugar de escuta,

De fala,

De silêncio.

Toda essa dinâmica que acontece nesse ambiente da terapia.

Vocês têm algum exemplo que vocês querem compartilhar?

De alguma mudança que surgiu quando a pessoa percebeu a diferença de se sentir escutada?

Ou quando vocês,

Nesse lugar de oferecer um lugar seguro e acolhedor também,

Perceberam uma mudança aí em vocês?

Gabi,

Eu queria compartilhar uma experiência,

Só que é uma experiência minha.

Dentro da própria terapia.

Tá tranquilo?

Tá de boas?

Sim,

Bora lá.

Beleza,

Beleza.

Assim,

Em algumas situações eu já me vi muito presa dentro da minha própria cabeça,

Dentro dos meus próprios pensamentos,

Assim.

Entre uma sessão e outra.

Eu ficava assim,

Nossa,

Tô pensando isso,

Pensava,

Pensava,

Pensava,

Pensava a semana inteira.

E parecia que eu tinha esgotado tudo,

Não tinha novas perspectivas,

Eu tinha pensado tudo que tinha pra pensar sobre aquilo,

Sabe?

Era essa a impressão que eu tinha.

E aí quando eu chegava na terapia,

Sentava na frente da minha psicóloga e começava a falar,

Eu mesma pensava,

Não,

Mas já pensei isso,

Já pensei essa semana inteira,

Porque que eu vou falar isso de novo,

Porque que vai vir de novo,

Né?

E eu percebia que eu mesma começava a ter alguns insights,

Só pelo fato de estar presente ali com uma pessoa,

Que eu tenho um vínculo terapêutico,

Que eu sei que tá ali me escutando,

Que tem uma escuta especializada,

Que tem uma postura de não julgamento.

Isso destravava mais ideias e mais sentimentos que eu tava tendo,

Sabe?

Então,

Eu penso bastante nessa situação,

Porque eu tô com a minha psicóloga já faz um tempo,

Acho que uns três anos,

Então a gente já tem muita história sobre isso,

E isso acontece várias vezes.

Eu sempre acho que não vai acontecer mais,

E aí chega na outra sessão e acontece de novo,

Sabe?

Então eu acho que essas condições favorecem,

Entende?

Favorecem que a gente consiga destravar coisas que a gente não pensou sozinho,

Que a gente não percebeu sozinho,

Sabe?

Eu gostei bastante desse relato,

Vanessa,

Porque,

Realmente,

A gente às vezes fica um pouco inseguro enquanto psicólogo,

Acho que você compartilhará desse pensamento,

Da pessoa chegar toda semana e contar a mesma coisa pra gente,

E parece que não sai do lugar,

Né?

Mas,

Eventualmente,

A gente deixa ela tomar o próprio caminho,

Às vezes ela pega e chega exatamente onde tinha que chegar.

Eu acho isso muito legal.

Eu tenho uma história também,

De análise pessoal,

Que eu fiz há muito tempo atrás,

Foi em 2019,

Que é uma coisa pessoal também,

Tá?

Vai entrar no campo pessoal.

Eu tenho uma doença autoimune,

E essa doença é psicossomática,

Certo?

Então ela se agravava bastante quando eu tinha.

.

.

Quando eu guardava as coisas,

Guardava os sentimentos,

Guardava angústias e não conseguia me expressar.

Estava na faculdade ainda.

E aí eu tive uma crise muito forte dessa doença autoimune,

Né?

E eu não sabia como começar a tratá-la.

Então eu fiquei realmente muito debilitado,

Músculos muito enfraquecidos e doendo demais.

Então era uma angústia no corpo,

Sabe?

A doença psicossomática é uma angústia voltada ao corpo.

E aí o primeiro passo que eu tomei foi falar assim pra mim mesmo,

Não,

Vou ser psicólogo,

Tem que ter terapia,

Né?

Então vou fazer terapia.

E aí eu fui de fato pra terapia,

Foi incrível,

Porque cheguei lá,

O terapeuta me falou,

Como é que eu posso te ajudar?

Desabei.

Desabei e soltei tanta coisa que não era só daquela doença,

Mas era de tudo que eu carregava antes disso,

Sabe?

Então eu acredito que esse ambiente acolhedor é um lugar de cura,

Acima de tudo.

É um lugar onde você olha pra si mesmo e se dá uma chance de cura,

Se dá uma chance de se olhar mesmo,

Né?

E essa é a minha experiência enquanto uma pessoa que foi escutada.

Mas enquanto uma pessoa que escuta,

Eu percebo que a gente se torna cada vez mais humano.

Passa uma sessão,

A gente começa a entender cada vez mais o outro.

Só que tem um limite,

Tudo tem um limite,

Né?

O limite onde esbarra na nossa própria corporalidade,

Corporalidade,

Né?

Onde a gente acaba acumulando também a angústia do outro em nós,

E a gente precisa parar,

Dizer não.

Então eu acho que tem esses dois pontos.

Nossa,

Se for falar disso,

A gente fica há horas aqui,

Né?

Falando,

Porque tem essa questão dos limites,

Que é muito difícil a gente saber colocar,

Mas eu também me identifico bastante com essas histórias que vocês trouxeram.

Porque eu também tive uma doença psicosomática,

Eu tive acne por muitos anos,

Muitos e muitos anos,

Mais de uma década.

E aí esse ano eu fui procurar uma terapia,

Né?

Porque na situação de pandemia e tal,

Estava muito difícil lidar comigo mesma,

Com o mundo,

Né?

E aí tomei essa decisão,

Fui.

.

.

Foi justamente isso,

Fui desabando,

Trazendo muitas memórias que eu achava que não tinham nada a ver,

Que não me afetavam,

Que não me perturbavam.

E no fundo,

No fundo,

Aquilo ficava borbulhando,

Né?

E eu não fui para a terapia,

Para tratar a doença,

Mas isso foi uma consequência do processo.

Então cada vez mais a escuta tem ficado muito forte para mim,

Né?

O quanto ela é importante.

E também queria compartilhar,

Né?

Que às vezes a gente está aqui,

Né?

Conversando entre terapias e psicologias,

Mas às vezes a gente praticar a escuta empática dentro dos nossos relacionamentos pode ser muito importante também.

Eu tenho conduzido alguns grupos de desenvolvimento e comunicação não-violenta,

E é uma das coisas que a gente pratica,

Né?

Porque tem muitas coisas que a gente acha que é empatia,

Mas no fundo é a gente ali dando uma sugestão para a pessoa,

E a pessoa não quer uma sugestão,

Ela quer sentir que ela está sendo ouvida,

Né?

E aí essa semana teve.

.

.

A gente estava fazendo essa prática em duplas,

E aí teve uma pessoa que começou a falar,

Assim,

E ela mesma foi tirando as próprias conclusões,

Assim,

Do problema que ela trouxe,

Do conflito que ela queria resolver.

E a outra pessoa que estava escutando nem precisou falar nada,

Assim,

Ela só estava ali perguntando e escutando mesmo,

Presente.

Isso foi muito bonito.

Eu estou aqui num processo de pensar sobre essas coisas ainda.

Estou pensando.

.

.

Se o Guilherme quiser falar alguma coisa antes.

.

.

Sim,

Sim,

Perfeito.

Eu acho,

Né,

Que a escuta empática que você citou,

Né,

Gabi,

Eu acho que justamente o maior problema que eu percebo das pessoas na clínica,

Sabe qual que é?

É uma ausência de educação emocional desde casa.

Em casa,

Na infância.

A criança não é ensinada a reconhecer os próprios sentimentos.

Não é ensinada a olhar e falar,

E aí,

Filho,

Como você está se sentindo?

Ah,

Triste.

Por quê?

Não,

É simplesmente.

.

.

Na nossa geração,

Nós temos a mesma idade quase,

Na nossa geração é ensinado a engolir o choro,

É ensinado a não expressar,

É ensinado a.

.

.

A gente só tem dois sentimentos,

Raiva e alegria,

Sabe?

Nossos pais não sabem expressar.

Então,

Essa é a nossa maior doença.

A nossa ausência de ensino das emoções.

E a gente vem recuperando isso agora,

Entende?

Agora que a terapia,

A psicoterapia está em alta,

As práticas de meditação,

De cursos de empatia,

Essas coisas estão em alta agora,

De autocuidado.

Mas há 10 anos atrás,

Cara,

Quem que ouviu falar a palavra autocuidado?

Relacionamentos tóxicos,

Isso não existia,

Entendi.

Então,

Era um outro linguajar.

A gente está criando agora uma linguagem do autocuidado.

Eu acho isso muito importante,

Né?

E isso que a Cami falou é muito legal,

Que a gente não precisa só ir ao terapeuta para ter uma escuta importante.

Não,

A gente pode conversar com um amigo,

Mas esse amigo tem que ter algum preparo,

Né?

Porque senão ele vai colocar as opiniões dele,

Ele vai colocar ali,

Muitas vezes,

O que ele pensa dentro da visão de mundo dele.

E as pessoas não querem isso,

Não querem respostas para o sofrimento delas.

Isso,

Como psicoterapeuta,

Eu notei duramente na clínica.

No começo,

Eu tentava dar resposta para as pessoas.

Elas não querem respostas,

Elas querem que você concorde com o sofrimento delas,

Que você valide o sofrimento delas.

Que você fale,

Não,

Está tudo bem sofrer assim,

Tá?

Vamos compartilhar esse sofrimento.

Mas numa relação de amizade,

A pessoa chega com um sofrimento,

O outro fala,

Nossa,

Isso me incomoda.

Deixa eu responder para você o que eu acho que você tem que fazer.

E aí entra essa questão de se colocar demais no problema do outro.

Isso da escuta empática eu achei muito legal,

Eu não conhecia.

Guilherme,

Isso que você falou sobre o preparo me fez pensar bastante nessa questão do setembro amarelo e daquela questão de,

Ah,

Se você tiver algum problema,

Me manda uma DM,

Entra em contato comigo,

Né?

E é o mês de prevenção ao suicídio,

Né?

E suicídio é uma temática extremamente sensível,

Extremamente complexa,

E essa questão que você trouxe do preparo está super correlacionada a isso,

Né?

De que às vezes a pessoa pode ter a melhor boa vontade do mundo em compreender aquela pessoa,

Em estar aberta,

Em oferecer algum tipo de escuta,

Mas às vezes aquela pessoa não está preparada para aquele tipo de conteúdo.

Ou ela pode dar um tipo de resposta que não condiz com o que aquela pessoa acredita,

Né?

Então,

Vamos supor que aquela é uma pessoa ateia,

E a pessoa fala,

Ah,

Não,

Volte-se a Deus,

Faça uma oração.

Então,

Assim,

Que tipo de consequência isso vai ter,

Né?

Para aquela pessoa?

Não sei se eu estou fugindo muito do assunto,

Se eu já estou viajando muito,

Assim,

Mas é que isso me despertou esse assunto,

Né?

Que está em alta agora,

E que é o setembro amarelo,

E a forma como as pessoas agem em relação a isso,

Né?

E que talvez tenha que ter um pouco mais de cuidado em relação a isso.

Exatamente,

Preparo é tudo,

Sabe?

Até nós psicólogos nos sentimos,

Quando chega uma demanda de suicídio,

Uma demanda muito angustiante,

Até a gente se sente abalado,

Né?

Eu deixo sempre um horário de acolhimento para pessoas que precisam urgentemente de uma sessão,

Né?

E é angustiante receber essas pessoas,

É muito angustiante,

Porque elas chegam às vezes com uma palavra,

Com uma frase assim,

Olha,

Estou pensando em me matar,

Preciso ser atendida agora.

Você faz o quê?

Entende?

Vai abrir sua caixinha para a pessoa falar coisas?

É pesado,

Entende?

Não são palavras que vão amenizar essa dor,

É um acompanhamento mais profundo.

Então,

Eu realmente concordo bastante que não basta você apenas se disponibilizar,

Você tem que se disponibilizar à escuta.

Isso é importante.

Essa escuta tem que ser qualificada,

Né?

E há várias maneiras de se qualificar nessa escuta.

Mas é necessário estudo,

É necessário tentativa,

Erro,

Mas é necessário também responsabilidade.

É uma discussão bacana,

Né?

Nesse mês ainda por cima.

Isso é muito importante mesmo.

Que bom que vocês tocaram nesse assunto.

Eu já estive nesse lugar da boa intenção,

Me chama lá,

Me manda uma mensagem que está em sofrimento.

Mas acho que é tanto sofrimento que a pessoa está sentindo,

Quem chega nesse caso que o Guilherme comentou,

Que pessoas que não estão qualificadas realmente não conseguem lidar.

E aí acontece alguma coisa,

De fato a pessoa vai com aquela ação e quem estava ali e se disponibilizou para tentar escutar pode até se sentir culpado,

Responsável.

A gente nunca sabe quais são as consequências de realmente assumir essa bagagem das outras pessoas.

E já que a gente está comentando bastante disso,

Do sofrimento,

Eu percebo cada vez mais,

Agora fazendo uma graduação em saúde,

O quanto a saúde mental é complexa.

Então a gente está nessa era digital em que as pessoas realmente vêm,

Fazem cursos,

Estudam.

Às vezes não muito,

Às vezes é um curso de final de semana e acho que já está mais qualificado para fazer uma terapia,

Para atender.

E no fim o que acontece é que não dá para abarcar a saúde mental em poucos dias,

Poucas semanas,

E principalmente esse cuidado com o outro.

Ele passa por muitos âmbitos pessoais,

Porque os terapeutas também precisam se cuidar e lidar com aquilo e como aquilo reverbera dentro deles.

Enfim,

A outra pessoa é muita responsabilidade.

Não sei se vocês querem compartilhar se em algum momento vocês já se sentiram sobrecarregados com o que as pessoas trouxeram dentro da terapia.

Eu posso comentar.

Eu atendo há menos tempo que o Guilherme,

Acho.

Eu atendo há dois meses e meio.

Então as demandas que chegaram para mim,

No começo todas me causaram angústia,

Porque eu achava que eu não estava preparada,

Porque eu achava que eu não ia conseguir lidar.

Mas recentemente chegou um caso um pouco atípico,

Um pouco diferente do que eu estou acostumada.

Porque eu atendo exclusivamente mulheres e chegou uma adolescente para mim.

Eu me senti um pouco sobrecarregada porque o atendimento para adolescentes tem muito mais minúcias e muito mais responsabilidade do que o atendimento com um adulto,

Por exemplo.

Você tem que estar sempre em contato com o familiar,

Sempre respeitando o sigilo também.

Você não vai sair falando as coisas para a mãe,

Ou para o pai,

Ou para os responsáveis daquela criança ou daquele adolescente.

Então eu me senti bem sobrecarregada nesse momento,

Mas eu conversei com a minha rede de apoio.

Falei com algumas colegas que atenderiam adolescentes,

Fui conversando,

Que ela tinha uma demanda bem específica de ser uma psicóloga mulher.

Então a gente foi construindo essa rede e foi se apoiando.

Eu acho que isso é muito importante,

Isso é essencial enquanto categoria mesmo de profissionais que a gente tem essa rede.

E daí eu me vi,

Eu vi aquela sobrecarga,

Eu vi aquela tensão,

Eu fiquei,

Nossa,

O que eu faço?

E aí depois as coisas foram se ajeitando,

As coisas foram se encaminhando.

Sempre nessa postura dessas colegas de,

Olha,

Sempre que isso acontecer,

Sempre que você sentir essa sobrecarga,

Que você sentir que não está sendo capaz de lidar com algum caso,

Aciona a gente,

Conversa com a gente,

Procura a gente,

Sabe?

Então esse é um exemplo que eu tive nessas últimas semanas.

Bacana,

Bacana.

Eu compactuo também,

Porque o meu nível de clínica foi bem conturbado também.

A gente tem um certo impulso quando está começando a encher toda a nossa agenda,

A gente quer povoar aquela agenda ali.

A gente acaba pegando muitos casos,

E eu confesso que eu peguei alguns casos sem preparo,

Mas aí que está,

Aí que é interessante.

A gente pega sem preparo,

Mas a gente aprende com isso também.

A gente aprende muito lidando com essa angústia que a gente tem diante desses casos.

E para mim foi engraçado que,

Foi ano passado ou foi esse ano?

Foi ano passado.

Eu tive uma chaqueca muito forte por conta de burnout.

Eu acho que foi burnout.

Chegou um ponto que eu não aguentava mais trabalhar no computador,

Só com psicoterapia online.

Muitos atendimentos,

E deu uma dor de cabeça absurda.

Eu achei que eu tivesse até alguma coisa na cabeça,

Assim.

Eu tive que parar.

Foi um sinal do meu corpo dizendo,

Olha,

Você está absorvendo demais.

Dá uma desacelerada aí.

E tentativas de suicídio aparecem bastante.

É mais comum do que a gente pensa.

Muito mais comum do que a gente pensa.

Sabe?

De verdade,

Gente.

Eu acho que,

Cada 10 pacientes,

4.

4 já tentaram suicídio.

Sabe?

Então,

É tenso.

É bastante tenso.

Tentar,

Sim.

Ideação,

Pesquisar na internet,

E quase chegar a comprar os itens e tudo mais,

Já é um dado.

Certo?

Então,

Chega para nós isso,

E a gente tem que pensar,

Poxa,

Peraí.

Até que ponto vai o profissional,

Até que ponto vai o pessoal.

Até que ponto eu tenho que dizer,

Olha,

Me comovo com essa história,

Mas tenho que te atender profissionalmente.

Certo?

É muito difícil não misturar as duas coisas.

Então,

Eventualmente,

A gente sente o lado humano se expressar.

Eu já chorei em sessão,

Como o paciente me conta no relato,

Já chorei em sessão,

E pensei,

Poxa,

Não devo me cobrar por isso,

Porque eu sou ser humano,

Né?

O pessoal está me contando uma coisa triste,

Eu estou sentindo sensibilizado por isso.

Só que isso é importante,

A gente saber separar o profissional do pessoal.

Sem preparo,

É muito difícil fazer isso.

Sabe?

E aí,

As demandas agora em setembro amarelo vão ser muito mais intensas,

Né?

Retorno de semestre,

Também a gente vai entrar a mudar o clima,

O clima em São Carlos está uma grande porcaria também.

Então,

Eu acho que muita coisa ao nosso redor está compactuando para um cenário depressivo,

Né?

E aí a Vanessa pode falar um pouco disso,

Que o ambiente determina como o sujeito se sente,

Né?

Se a política não vai bem,

Se a atmosfera não vai bem,

Se nada vai bem ao redor da pessoa,

Como manter a sanidade mental?

Não sei.

Não sei.

A gente tem que tentar se organizar nesse caos.

Sim,

Com certeza.

E essa questão do ambiente,

Sim,

Eu percebo que nas sessões,

Sempre tem ali a figura da pandemia.

Às vezes a gente não fala diretamente dela,

Mas a gente sabe que ela está ali e a gente sabe o que está acontecendo.

E isso tem muita influência na saúde mental das pessoas,

Sabe?

Então,

Eu queria tanto,

Sei lá,

Voltar a um hobby,

Sentindo que minha vida está parada,

Eu quero voltar a sair com os meus amigos.

Como sair com os amigos,

Né?

É uma possibilidade que foi travada,

Que a gente não tem mais acesso ou não tem acesso a isso com segurança,

Né?

Então,

Pensar nesses setembros amarelos,

Né?

Porque a pandemia está desde o ano passado.

Pensar nessa variável também,

O quanto isso impacta as pessoas,

Né?

A forma como as pessoas estão existindo de fato nesses tempos e como isso impacta a vida delas.

Acho que é muito importante falar disso,

Porque o projeto Presença,

Ele colocou um pouco essa temática do setembro amarelo pela primeira vez,

Né?

Desde a existência do projeto.

Porque realmente,

Né?

Para a gente falar um pouco,

Quais são as questões de saúde mental que precisam ser olhadas?

Porque às vezes o setembro amarelo é muito sobre o suicídio e o suicídio é um gatilho para quem já está ali nessas tentativas,

Nessa ideação,

Né?

Então,

Como que a gente pode falar sobre promover saúde,

Cuidado em saúde,

Como que a gente fortalece isso com as pessoas que,

De alguma forma,

Têm algum interesse ou têm.

.

.

Enfim,

Todo mundo tem a capacidade de se cuidar,

Né?

De ir atrás dessas questões,

Dessas informações.

Aqui a gente está colocando um pouco da importância do ambiente acolhedor,

Da terapia,

Que pode ser,

Sim,

E deve ser esse lugar de cura,

Como já foi colocado,

Né?

E.

.

.

Eu esqueci o que eu ia perguntar.

Eu ia falar alguma coisa nesse sentido.

Mas que.

.

.

Bom,

A gente está falando desse sofrimento,

Do silêncio.

E eu acho que duas coisas.

.

.

Duas coisas,

Não.

Algumas coisas ficaram evidentes nesse momento de pandemia,

Né?

A pressão,

A solidão e a ansiedade.

E como que vocês veem a meditação entrando nesse cenário,

Como uma ferramenta,

Como uma possibilidade terapêutica?

Gabi,

É.

.

.

Nesse sentido,

Eu acho muito importante o seu trabalho.

De verdade.

O seu trabalho é muito importante.

Não basta só a gente fazer análise.

Não basta só a gente passar com psicoterapia.

Tem que existir terapêutica.

Sabe?

Tem que existir algo que una as pessoas num grupo e fale,

Olha,

Vamos fazer alguma coisa com propósito juntos.

Então,

Muitas pessoas fazem terapia,

Mas elas têm vontade,

Sabe do quê?

De se encontrar com um grupo de pessoas na natureza e fazer um exercício físico.

E caminhar.

Isso é terapêutico também.

Isso é saúde mental.

Saúde mental não é só sentar,

Deitar num divã,

Numa cadeirinha Saúde mental é exercitar a saúde mental.

E aí o Projeto Presença entra nesse ponto trazendo essa terapêutica.

Vamos montar um grupo de pessoas que está interessada em saúde mental,

Está interessada em juntos construir uma linguagem da saúde mental?

Perfeito.

Eu acho que falta muito isso.

Inclusive,

É uma das minhas ideias de ter,

Sei lá,

De repente criar um ambiente em que tenha mais trocas como essa,

Sabe?

Não só a troca unilateral do psicólogo e do analisante.

Analisando.

Doa a pessoa ser analisada,

Né?

Tem que ter as trocas mais humanas.

E os grupos fornecem isso.

Eu acho que nesse sentido,

A meditação,

A yoga,

Corrida ao ar livre,

Grupos de leitura,

Tudo isso também é saúde mental.

Eu acho que está muito em falta isso.

Principalmente no ambiente universitário.

Cada um está na sua casa através do EAD,

Ninguém está se falando.

Na faculdade a gente passa pelos perrengues das provas,

Juntos,

Num bar,

Xingando o professor.

Mas e no EAD também,

Né?

Cada um está no seu canto ali,

Lidando com seus problemas dentro de casa.

Então eu acho que falta um pouco isso.

Não basta só a psicoterapia.

Tem que ter as terapêuticas em volta.

Nossa,

Sim,

Com certeza.

Eu concordo bastante com isso.

A questão da meditação,

Da yoga que você citou.

Eu fiz um post no Insta,

Inclusive,

Com uma professora de yoga,

Falando sobre a questão da meditação,

Do relaxamento e tal.

E é muito isso.

O que.

.

.

Que a terapêutica não é só a psicologia,

Não é só a psicoterapia que existem diversos conhecimentos que podem favorecer a saúde mental.

E a meditação é uma prática milenar.

Eu não tenho conhecimento de há quanto tempo existe práticas meditativas.

Realmente eu sei que é milenar,

Porque eu sempre leio milenar.

Mas quantos milênios?

Não faço a menor ideia.

E quando eu penso na meditação,

É algo que eu já venho praticando enquanto pessoa.

Eu gosto muito da meditação,

Dos benefícios da meditação.

Porque eu sou uma pessoa que às vezes tem alguns comportamentos,

Pensamentos ansiosos.

E eu percebo o quanto isso faz bem pra mim.

E na terapia,

Eu utilizo isso como um recurso que na TCC a gente chama de tarefa de casa,

Assim.

É bem comum nessa abordagem.

Que é como se fosse uma forma da gente pegar ali o conhecimento ou as coisas que a gente conversa na terapia e dar um jeito mais físico mesmo,

Que aquela pessoa se lembre daquilo.

Então ou com lembretes,

Ou com algum tipo específico de atividade,

Algo nesse sentido.

E aí a meditação em si,

Eu vejo três pontos que eu gosto muito,

Assim,

Que as pacientes me dão esse retorno.

Sabe?

De olha,

Eu fiz essa meditação que você me indicou e percebi tal coisa.

A primeira é do relaxamento do corpo mesmo.

Quando a gente tá muito ansiosa,

Tem aquela tensão que fica no nosso corpo.

Tem um exercício de relaxamento que você induz pressão em alguma parte do seu corpo e depois você relaxa.

E muitas pacientes relatam assim pra mim.

Eu fui induzir tensão no ombro e percebi que já tava tensada a menina.

O negócio ali já tava aparecendo uma pedra.

Então é a questão mesmo de ter uma consciência corporal,

Né?

E que essa tranquilidade do corpo também ajuda na tranquilidade em relação aos próprios pensamentos.

Outra coisa que eu também gosto muito da meditação é a própria postura de não julgamento.

Isso eu acho muito,

Muito legal,

Assim,

Porque existem muitas demandas que estão ali em volta da culpa da autocrítica principalmente.

Eu vejo que a crítica geralmente é muito mais autofocada do que as outras.

Então eu acho que a meditação além de ser um treino de atenção é muito do não julgamento também.

Retorne gentilmente a sua atenção pra sua respiração.

Você percebeu que você pensou,

Cara minhola,

Retorna gentilmente.

Então isso é uma coisa que a gente pode levar pra outras situações da nossa vida também,

Sabe?

E que aos poucos a gente vai internalizando.

E também o outro ponto é de ver os pensamentos como são.

Então às vezes a gente tem uma conduta,

Assim,

De se identificar com os próprios pensamentos.

E isso aparece muito na TCC.

Eu sou ruim.

Nossa,

Eu não consigo fazer isso.

E isso acaba influenciando a forma como a gente comporta.

Se a gente de fato acredita que a gente não consegue meditar,

A gente não vai nem começar.

Ou a gente vai começar e vai parar.

Então eu acho que essa percepção de ver os pensamentos como são,

Ajuda nesse processo de flexibilizar,

Entende?

De não se identificar.

De virar e falar,

Isso é o que eu pensei.

Não é o que eu sou.

Eu pensei isso em um determinado momento.

Esse pensamento passou pela minha cabeça.

E são esses três pontos que eu gosto bastante na meditação.

Tanto pra mim mesma,

Quanto pessoa,

Em particular,

Quanto pras pacientes também,

Que eu vejo que tem um retorno muito legal.

É muito bom ouvir você falando isso,

Porque eu sempre falo isso e agora eu sei que eu tô embasada pela psicologia,

Pela prática.

Isso é muito motivo de celebração,

Né?

Porque de fato acho que a meditação,

Ela traz essa consciência.

Primeiro o que a gente tá pensando,

Porque eu acho que a gente tem muitos pensamentos que ficam ali por baixo,

Né,

Da poeira que a gente fica levantando o tempo todo,

Que são pensamentos difíceis de se entrar em contato,

Né?

E aí depois todo esse processo,

Né,

Do quanto que o nosso corpo e a nossa mente estão ligados.

A gente falou um pouco aqui da psicossomática,

Mas é muito mais que isso,

Né?

Essa promoção e prevenção que a gente vai fazendo no dia a dia,

Além de ser um hábito que a gente vai cultivando na nossa rotina,

Que é o momento que a gente olha pra si.

Porque acho que a gente tá sempre muito voltado pro externo,

Né?

Agora,

Principalmente com as redes sociais,

A gente tá sempre ali,

Né,

Rolando feed,

Se preenchendo,

E a meditação é esse momento de,

Tipo,

Não preciso ser preenchido.

Inclusive,

A gente falou do silêncio,

Né?

Esse foi um insight que eu tive.

A angústia do silêncio,

Ela é muito difícil de ser lidada.

E parece que a gente tá sempre sentindo falta de alguma coisa.

Então,

Como que.

.

.

Qual que é a nossa natureza,

De fato?

Será que é realmente estar preenchido?

Ou será que é o vazio mesmo,

Né?

Porque o vazio é tão difícil de ser lidado.

E aí,

Tudo isso e muito mais vai surgindo na meditação,

Porque é esse momento de insight e de autoconhecimento.

Inclusive,

Eu fiz uma pesquisa com meditação e um dos resultados foi esse,

Né?

As pessoas chegaram com demandas pra melhorar a ansiedade,

Pra relaxar e dormir melhor.

E isso foi um dos benefícios percebidos,

Mas muito mais do que só isso,

As pessoas relataram que o autoconhecimento de 10 semanas de meditação,

Que foi o tempo da pesquisa,

O autoconhecimento,

Ele foi disparado,

Assim,

O que surgiu no final.

O benefício maior que as pessoas perceberam.

Então,

Né?

Dá pra ficar falando muito aqui,

Fazendo o marketing da meditação.

E aí,

Queria saber se vocês querem colocar mais alguma coisa sobre isso.

Só vou fazer uma breve pontuação sobre esse silêncio que aparece na nossa vida,

Né?

A gente foi ensinado ultimamente a preencher esse silêncio o tempo inteiro.

E é muito angustiante você estar no seu silêncio,

Preenchendo com o outro.

A gente abre o celular,

Quem tá presente ali é o outro.

Os stories de 15 segundos,

No TikTok,

Toda hora mostrando pra gente que o outro tá fazendo alguma coisa mais interessante que nós.

Então,

Nós não somos nem donos do nosso próprio vazio.

E aí,

Eu acho que a meditação é uma maneira da gente pegar esse vazio e falar,

Não,

Peraí,

Esse vazio aqui é meu.

Eu vou fazer alguma coisa com ele.

E aí,

Eu acho que justamente aí aparece o autoconhecimento,

Né?

Você retomar uma coisa que é sua também.

Um momento que é só seu de quietude na sua própria presença.

Isso não tem preço,

Sabe?

E eu percebo que muitas pessoas hoje em dia começam a chegar à noite,

Começam a querer povoar esse vazio e tem dificuldade pra dormir,

Tem dificuldade de desligar,

Tem dificuldade de encarar que às vezes a vida dá uma acalmada,

Dá uma quietada e tá tudo bem.

Então,

Eu acredito muito que a meditação é uma prática terapêutica incrível.

Incrível pra você ter ali um reencontro consigo mesmo.

E aí,

Então,

O que vocês deixam de dicas pro pessoal,

Os recados pra gente finalizar?

Olha,

A dica que eu queria deixar é a seguinte.

Se você sente desejo ou a necessidade de buscar ajuda psicológica,

Dá uma atenção a isso,

Sabe?

Não ignora,

Não deixa isso passar.

E aí,

Das alternativas que eu pensei seria pedir indicações de pessoas em quem você confia.

Isso acontece bastante assim de,

Olha,

Você conhece alguma psicóloga,

Algum psicólogo nessas características,

Já passou alguma vez,

Você poderia me indicar alguém.

Acho que isso é importante,

Isso facilita bastante a busca.

A questão do acolhimento em saúde mental,

Ele é um direito das pessoas,

Né,

No Sistema Único de Saúde.

Então,

As pessoas podem ir pra um postinho ou até pro CAPS,

Que é o Centro de Atenção Psicossocial,

Pra ser acolhido e pra receber informações,

Né,

Que esse processo ele é feito de forma gratuita,

Assim como tudo que acontece no SUS,

Né.

Então,

Se você sente esse desejo por algum motivo,

Você não tem condição de pagar por isso,

Sempre tem essa alternativa,

Assim,

Do SUS.

Universidades também às vezes oferecem atendimento gratuito,

Tem lugares filantrópicos também,

Então é sempre legal estar pesquisando isso em cada cidade,

Né.

Cada cidade tem as suas particularidades em relação à atenção à saúde mental.

E se você tiver,

Agora falando pra pessoa que tá escutando,

Né,

Se você tiver a oportunidade de escolher um profissional,

Um profissional que vai te atender,

No caso,

Busque por alguém com quem você se sinta confortável e com quem você possa construir um bom vínculo,

Né.

Isso é particular de cada um,

Mas eu acho que é fundamental.

Quando a gente tava conversando aqui sobre as abordagens,

Né,

A forma como elas se complementam e tudo,

Eu acho que se você não tem um vínculo,

Acaba não importando muito a abordagem,

Sabe,

Porque é muito aquilo que a gente comentou,

Você não se sente confortável,

Então não vai ter nem a escuta,

Nem a fala,

Não vai ter nada,

Assim,

Não vai ter o trabalho terapêutico em si.

Então,

Se você realmente puder ter a oportunidade de escolher o profissional,

Que você busque por alguém com quem você sinta realmente confortável,

Né,

E com quem você possa construir esse trabalho.

Eu acho que seriam essas dicas,

Assim,

Que eu tenho por hora.

Perfeito.

Acima de tudo,

O vínculo,

Né,

Independente da abordagem,

Independente da condução,

Eu acho que o mais importante é a transferência,

É o vínculo terapêutico,

É realmente isso.

De dicas,

Eu diria para as pessoas buscarem mais do que,

Autocuidado,

Mais do que skin care e algumas coisinhas de final de semana,

Buscarem realmente apoio profissional,

Mas também buscarem o contato com o outro,

Sabe?

Eu entendo que nesse cenário pandêmico,

Muita coisa se tornou virtual e a gente acabou se acostumando com essa distância do outro,

Tá?

É importante a gente forçadamente,

Às vezes,

Até tentar esse contato novamente,

Entende?

Porque eu acredito que sozinho,

Realmente,

É muito difícil lidar com algumas emoções,

Com alguns pensamentos,

Então a gente tem que buscar ajuda.

E também é nosso dever como psicólogos de estar disponível a essa ajuda e também buscar essas pessoas que não conseguem dizer,

Essas pessoas que não conseguem sair de casa para buscar essa ajuda.

Então essa seria a minha dica.

Uau,

Finalizamos muito bem.

Eu acho que foi uma conversa linda,

Super vulnerável,

Tocante,

Gostei muito do que surgiu aqui do nosso compartilhar e eu espero que isso tenha tocado quem está ouvindo também de alguma forma.

Então,

Sendo assim,

Eu espero que vocês voltem e que ouçam também as nossas próximas conversas,

Que vem muita coisa boa por aí.

4.5 (6)

Avaliações Recentes

Cleci

October 4, 2025

Gratidão 🙏🏻

Camila

September 26, 2021

Uma conversa super necessária! Gratidão! 🙏🏻

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