
Experimentando o Silêncio
Ākaśa significa espaço. Prāṇāyāmas são exercícios respiratórios para manter a harmonia entre o corpo e a mente. Reduzem ansiedade e regulam a energia do corpo. Nessa meditação buscamos entender o espaço que existe entre entre o observador e o que está sendo observado e criar uma reflexão de observação do corpo e da mente para se entender o Eu livre e ilimitado que somos. Meditação baseada nos ensinamentos do professor Pedro Kupfer.
Transcrição
Namastê.
Para começar essa meditação de reflexão,
Você vai escolher a maneira de se sentar.
Ajuste a postura,
No que for preciso.
E a partir desse momento,
Cultive uma quietude na posição.
Não é uma quietude rígida,
Não é uma quietude forçada.
É uma quietude que naturalmente surge da entrega,
Da descontração.
Isso se chama Kaistiri,
A firmeza do corpo.
Perceba a firmeza do chão onde eu estou sentado e observa que não há diferença entre essa firmeza e a do corpo.
Aos poucos,
Fique cada vez mais firme,
Cada vez mais estável.
Tão firme,
Tão estável que agora o corpo não se mexe mais.
Não se mexe mais.
E essa firmeza no corpo não é rígida,
Não é tensa.
Você está relaxado.
Você está preparado para manter essa forma,
Essa quietude.
Observe o meu próprio corpo.
Permitindo que as sensações físicas sejam o foco do meu pensamento.
Perceba como estou em relação a essa observação do corpo.
E tomo consciência da observação dele.
Consciência total no corpo e no que o corpo está sentindo.
Consciência total no fato que você é a testemunha silenciosa.
A calma que observa essas sensações físicas.
Agora é o momento para trazer a atenção para o fluxo natural da respiração.
Observe a respiração fluindo,
Expandindo e recolhendo.
Consciência total no fluxo natural da respiração.
E na observação das sensações vinculadas a ela.
O crescimento quando inspiro,
Expansão a partir do centro,
O tórax.
E o recolhimento que naturalmente leva a minha atenção para o coração.
Observe então como quando eu inspiro,
Acontece uma compressão natural dentro dos pulmões.
E quando eu expiro,
Um deslocamento do ar fora das narinas.
Então,
Deliberadamente,
Agora eu vou suavizar a respiração.
De maneira que ela fique mais sutil,
Mais lenta.
Até o ponto em que quando eu inspiro,
Não aconteça mais aquela compressão do ar dentro dos pulmões.
E quando eu expiro,
Não haja mais deslocamento do ar fora das narinas.
Isso se chama caixa pranayama.
Um pranayama bem sutil,
No qual deliberadamente,
De forma suave,
Eu torno a respiração cada vez mais sutil.
Reduzindo ao mínimo os movimentos de expandir e recolher.
Perceba que eu sou a testemunha da respiração sutil.
E observo novamente as sensações no corpo físico,
A partir dessa forma de respirar.
Você é a testemunha que observa a suavidade da respiração.
Consciência total nessa respiração sutil.
E no espaço que existe entre o observador e o que este observador aprecia agora.
Onde está o observador?
Em que lugar você enxerga a você mesmo?
Fora do corpo ou dentro dele?
Onde você está?
Se dentro do corpo,
Em que lugar?
Você pode estar na respiração,
Mas observe que você não é a respiração.
Você pode estar presente no seu coração,
Mas você não é o coração que bate.
Você pode estar nos pensamentos,
Mas você não é o conteúdo deles.
Você pode se situar fisicamente no ponto atrás do intercílio.
Ou no topo da cabeça.
Ou no topo da cabeça.
Mas você não é esses pontos,
Você não é esses lugares.
Se você sente dificuldade para localizar o eu no espaço,
Essa dificuldade responde a uma questão pontual.
O eu transcende o espaço.
É a causa do espaço.
Está presente no espaço,
Mas não é limitado pelo espaço.
Então,
Se você está no espaço,
Você não é o espaço.
A observação só pode acontecer se houver espaço.
Só se pode ver através do espaço.
Então agora,
Leve a sua atenção para a paisagem interna.
Observando os pensamentos.
A maneira em que esses pensamentos se movimentam na sua tela mental.
Percebendo o pensamento e as diversas formas que ele assume,
Tomamos consciência igualmente no espaço entre esse objeto chamado pensamento e o sujeito,
Aquele que responde pelo pronome eu.
Entre esse eu e aquilo que eu possa chamar de pensar,
Há espaço.
Há distância.
Toma consciência dessa distância como uma forma de conhecer que até mesmo essa ação sutil que é pensar é externa a mim.
Da mesma forma que a respiração é externa.
Da mesma forma que o prana é externo.
Da mesma forma que o corpo físico é externo.
A questão,
Corpo,
Emoção,
Pensamento,
São objetos da minha apreciação.
Esse sujeito,
Esse eu,
Por sua vez,
É a causa e origem do complexo corpo-mente.
E de todas as experiências.
Todos os conteúdos são relativos ao corpo-mente.
E se esse corpo-mente é a causa das ações,
Então eu sou livre.
Em sânscrito isso se diz asangaha.
Eu não estou atado,
Eu não estou vinculado a pensamentos,
Desejos e aversões.
Não estou atado a todas as experiências,
Às ações ou aos seus frutos.
Sou livre.
Asangaha.
Eu sou livre de toda e qualquer forma de apego,
Aflição ou sofrimento.
Asangaha.
Eu sou livre agora.
A partir desse reconhecimento,
Desse eu que já é intrinsecamente livre e,
Portanto,
Não precisa se libertar.
Eu me preparo para viver.
Livre vivo,
Livre compartilho.
Livre me relaciono.
Livre eu estou mendo.
Deixe agora a respiração surgir da maneira mais natural.
Encerrando a caixa pranayama,
Permita que a respiração simplesmente aconteça da forma mais natural possível.
Se perceber que o corpo sente necessidade de respirar mais fundo,
Permita que isso aconteça.
E através dessa respiração espontânea,
Traga de volta a atenção para o corpo físico.
Da parte do corpo para o exterior.
Vamos concluir aqui essa reflexão.
Juntando as palmas das mãos frente ao coração e nos preparando para ter um ótimo dia.
Sem equivocação,
Sem confusões.
Apenas com a certeza e a clareza do ilimitado que eu sou.
Chante,
Chante,
Chante.
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