
Meditação para um Sono Profundo
by Jorge Dias
Para afundar num sono profundo e retemperador. Com a maior das serenidades, com muita suavidade, com toda a elegância e amor. Tudo se acolhe no lugar certo, tudo se acalma, tudo abranda para uma paragem sem igual...
Transcrição
Esta é uma meditação para um sono profundo.
Bem-vindo,
Bem-vinda.
Não precisas,
Neste momento,
De fazer absolutamente nada.
Este é o teu momento.
O dia terminou.
Tudo o que precisava de acontecer.
Já aconteceu.
Tudo o resto.
Pode esperar por amanhã.
Agora.
Permit.
Do teu corpo.
Compreenda aquilo que a tua mente talvez ainda esteja a aprender.
Está tudo bem?
Está tudo bem.
Respira lentamente.
Sem esforço.
Sem controlar.
Apenas sento o ar a entrar.
E depois fazer a viagem de volta.
Tal qual as ondas do mar.
Chegou uma areia.
E voltam de novo para o oceano.
Cada respiração tua torna-se um pouco mais lenta.
Um pouco mais tranquila.
E sem dares por isso.
O teu corpo começa a libertar toda a tensão que te transportou durante o dia.
Sente os pés.
Já não precisam de sustentar nada.
As pernas tornam-se leves.
Muito leves.
E os músculos descansam.
Teu abdômen suavize.
O peito abre-se naturalmente.
Os ombros descem.
Como se libertassem um pês antigo.
Teu maxilar relaxa.
E os olhos.
Repousam atrás das pálpebras.
A testa fica lisa.
Relaxa.
E todo o teu corpo começa a lembrar-se de algo que sempre soube fazer.
Descansar.
Relaxar.
Muito bem.
Imagina agora um pequeno trilho Ernold.
O céu está limpo.
Milhares de estrelas brilham lá em cima.
A brisa é fresca.
A temperatura é perfeita.
À tua frente existe um caminho iluminado por uma luz suave.
Não precisas de saber para onde vai.
Confie.
Caminha apenas.
Sem pressa.
Cada passo torna-te mais leve.
Mais tranquilo ou tranquila.
Mais sereno,
Serena.
Ao longe encontras um lago.
A água está completamente imóvel.
Tão calmo.
Tão calma que reflete o céu como um espelho.
Aproximas-te lentamente.
Percebes uma coisa.
Tudo aquilo que te preocupava.
Não entrou contigo neste lugar.
Os pensamentos ficaram para trás.
Como folhas levadas.
Por uma brisa suave.
Já não precisas de lhe explicar.
Eles sabem regressar amanhã.
Se acaso forem importantes.
E agora?
Existe apenas este instante.
O silêncio.
É respiração.
Nesta paz.
Talvez sintas vontade de permanecer aqui mais um pouco.
Talvez o teu corpo comece a adormecer antes mesmo de terminares de ouvir estas palavras.
E isso é perfeitamente natural.
Porque simplesmente não existe nada para alcançar.
Para atingir.
Nada para resolver.
Nada para controlar.
O sono aproxima-se da mesma forma que chega à noite.
Sem esforço.
Sem pressa.
De forma inevitável.
Enquanto continue a se respirar.
Cada inspiração leva serenidade ao teu corpo.
E cada expiração dissolve qualquer tensão que ainda permaneça.
Muito lentamente.
A tua mente fica cada vez mais silenciosa.
Nos intervalos entre os pensamentos tornam-se maiores.
Como o céu entre as nuvens.
Como o oceano entre as ondas.
Permite que esse silêncio cresça.
Não precisas de acompanhar estas palavras?
Nem sequer de as ouvir.
Elas podem desaparecer.
Tal como se aparecem os últimos raios do dia.
E,
Quando estiveres preparado ou preparada,
Entregue-te.
Completamente.
Ao descanso.
Ao repouso.
O teu corpo sabe exatamente o que fazer.
A tua mente pode finalmente descansar.
E o sono chega naturalmente.
E agora,
Permite que o descanso aconteça.
A orquídea muda na natureza.
Em esforço,
Sem expectativa.
Como um árvore.
Nunca tive pressa de chegar ao céu.
Descanse.
Boa noite.
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