Meditação do desconforto Nesta meditação vamos recordar que é tempo para simplesmente ser,
Para não fazer,
Para estar com o que está.
Sem querer mudar nada e seguindo as instruções,
O melhor que pudermos,
Embora possamos naturalmente escolher o que é melhor para nós.
Vamos cultivar a atenção de forma a estarmos ainda mais conscientes da atividade da mente,
Estando mais presente neste momento e experienciando o que surge tal como é.
Podemos ajustar a posição,
Sentindo-nos apoiados na nossa prática,
Com tudo aquilo que está,
A cadeira,
O chão,
O ar,
Talvez até notando as sensações de contacto.
De pressão ou de toque.
E direcionamos a atenção para a base da coluna,
Imaginando um fio em raiz no sacro e que cresce ao longo da coluna,
Sentindo-nos alongados e sem tensão.
Podendo repousar o olhar à nossa frente ou até fechar os olhos.
Suavizando os músculos da face,
Testa,
Os ombros e o corpo.
E notamos o espaço à nossa volta.
Em cima,
À frente,
De lado e atrás.
Enraizados como uma montanha,
Em contacto com a terra,
Abertos e envolvidos.
Ou espaço à nossa volta.
Cultivando a presença,
Aqui e agora.
Tomando consciência da respiração,
A cadeia-inspiração e a cadeia-inspiração.
Escolhendo onde vamos pausar a atenção.
Sentindo a passagem do ar frio à cadeia-inspiração.
E do ar quente à cadeia-inspiração.
Ficando com a experiência direta de respirar.
Vamos simplesmente deixar que o corpo respire,
Permitindo que a respiração seja o que é.
Olhando para ela com curiosidade,
Budeza,
Tranquilidade.
Explorando e saboreando a respiração.
E vamos notando a qualidade de cada respiração.
Lembrando que,
Para respirar,
Não precisamos de fazer nada.
Apenas de estarmos conscientes do movimento e das sensações da respiração.
E se em algum momento a mente se dispersar com uma emoção,
Pensamento,
Uma sensação,
Um som.
Notamos o que a atraiu,
Trazemos a mente de volta à respiração.
Usando a respiração como âncora,
Como um lugar seguro,
Nos traz este momento.
Pode acontecer que sintamos a respiração mais numa zona do corpo do que na outra.
Podem eventualmente surgir sensações.
Ou podemos sentir a respiração no corpo todo.
Pode inclusive surgir alguma sensação mais forte.
Que nos leva a afastarmo-nos das sensações do corpo como um todo.
Se acontecer,
Notamos esse primeiro pensamento sobre o movimento e a intenção do corpo se mexer.
Apercebendo-nos dessa experiência do movimento e o efeito que notamos em relação ao desconforto e à agitação.
Lembrando que o movimento faz parte da prática.
E conservamos a experiência do movimento ao repousarmos a consciência deste instante,
Aqui e agora.
Ou então podemos voltar para o desconforto,
A dor ou a agitação.
Que forem surgindo.
O que quer que seja de intenso que surja,
Ficamos com isso o melhor que conseguimos.
E gentilmente,
Pousamos a atenção nesse desconforto e vamos explorá-lo.
Notando onde se manifesta no corpo,
Mantendo-nos o mais perto dela possível.
Sem querermos mudar a intensidade nem aquilo que estamos a sentir.
Podemos até respirar aí,
Usando a respiração para trazermos consciência dessa zona.
Criando espaço a cada inspiração.
E suavizando o espaço à sua volta,
A cada inspiração.
E vamos explorando o que formos sentindo.
Podemos notar se tem sempre a mesma intensidade.
Se se move.
Notar também se fica mais forte.
Ou se o desconforto vai desaparecendo.
E sentimos esse desconforto,
Se houver,
Simplesmente estando com ele o melhor que conseguirmos.
Talvez encontremos a quietude,
A aceitação e mesmo um espaço no meio desta intensidade.
E observamos,
O melhor que conseguirmos,
Que é estar com esta experiência instante em instante.
Se o desconforto deixar ser tão intenso,
Voltamos à respiração como um todo.
E se o desconforto não desaparecer,
Podemos decidir se mantemos a atenção nas sensações desagradáveis,
Explorando-as.
Ou soltamos a atenção para a respiração.
E plenamente presentes de nós,
De cada um de nós,
Tal como somos.
Instante em instante.
Aqui e agora.
Sem julgamentos.
Conscientes,
Abertos e com espaço para tudo.
E à medida que nos aproximamos do final da prática,
Lembramos que a respiração nos traz de volta à casa,
Onde quer que estejamos.
Mantemos presente que podemos trazer para a nossa vida este sentido de ser o que somos.
Completamente presentes,
Conscientes,
De cada experiência instante em instante.
E gradualmente podemos ir começando a mexer,
Talvez espreguiçar ou mexer alguma parte do corpo que mais precise.
Terminando assim esta prática,
Levando-a para o dia-a-dia.