
No. 43 - Quando nos Cobramos Demais
Nos cobramos por nossos erros, fraquezas, por não conseguir isso ou aquilo, por não ter as qualidades ou resultados que gostaríamos de ter. Tudo bem a gente querer se desenvolver, se aperfeiçoar. Mas isso não justifica as cobranças ácidas que fazemos a nós mesmos. Então, vamos levar a luz do entendimento para a autocobrança. E quem sabe isso abra um espacinho no nosso coração para cultivar a autoaceitação, que é uma forma amorosa de nos motivar para o crescimento.
Transcrição
Eu lhe dou as boas-vindas ao Autoconsciente,
Um podcast que entende você para você se entender melhor.
Sou Regina Gianetti,
Praticante e instrutora de Mindfulness,
Alguém como você que busca a qualidade de vida e paz interior.
Eu faço esse podcast para compartilhar reflexões e ações para uma vida com mais autoconsciência,
E a minha intenção,
De todo coração,
É que ao terminar um episódio,
Você se sinta melhor do que quando começou.
E aqui vamos nós para mais um episódio.
No Destaque dos Ouvintes,
Eu vou contar a história da Dani,
De Curitiba.
Quando eu estava produzindo o episódio 41,
Sobre situações que se repetem na nossa vida,
Ela entrou em contato e compartilhou uma situação com a chefe dela,
Que era muito controladora,
Vivia de cara amarrada.
Era uma relação difícil e que deixava a Dani muito insegura.
Depois ela ouviu o episódio e compreendeu que ela revivia com a chefe a relação difícil que teve com a mãe.
Aí passou mais algum tempo,
E a situação deu uma grande virada.
A Dani foi promovida,
Tem uma nova chefe,
E com essa,
A história é completamente diferente.
As duas estão se dando super bem.
Eu fico muito feliz por você,
Dani.
Eu acredito que a sua tomada de consciência foi o aprendizado que você precisava ter com aquele relacionamento,
E quando a gente aprende,
A vida nos traz novas histórias,
Novas lições.
E agora um recado para você que me escuta pela primeira vez.
Bem-vinda,
Bem-vindo,
À comunidade de ouvintes do Autoconsciente.
Eu te convido a escutar o episódio 0,
Em que eu falo da proposta desse podcast.
O Autoconsciente é serial.
Os episódios têm uma sequência em que os temas vão se aprofundando.
Episódio 43 – Quando nos cobramos demais.
Pensa numa pessoa que você confortaria,
Incondicionalmente confortaria se ela fracassasse,
Tivesse alguma dificuldade ou cometesse um erro.
Uma pessoa que você quer bem,
Independentemente de ela ter fraquezas e limitações.
Uma pessoa que,
Acima de tudo,
Você vê como um ser humano de valor.
Pensou?
Muito bem.
Eu imagino que você tenha pensado em alguém muito próximo a você,
Da sua família talvez,
Ou quem sabe um amigo especial,
Ou seu amor.
Talvez até você tenha pensado em alguém que admira muito,
Uma personalidade famosa,
Uma figura histórica.
Agora,
O meu palpite mais forte mesmo é em quem você não pensou.
E sabe em quem eu acho que você não pensou?
Em você mesmo.
Eu apostaria uma grana como você não pensou em si próprio,
Como alguém que você confortaria no caso de um erro,
Dificuldade ou fracasso.
E por quê?
Porque você,
Assim como eu e outros 7 bilhões de pessoas nesse mundo,
Mais ou menos,
Você faz muitas cobranças a si mesmo.
Você se cobra por seus erros,
Suas fraquezas,
Por não conseguir isso ou aquilo,
Por não ter as qualidades ou resultados que gostaria de ter.
Estou exagerando?
Mas olha,
Não se cobre por se cobrar,
Tá?
Porque até isso a gente faz com a gente mesma,
Né?
Em maior ou menor grau,
Todos nós temos a experiência da autocobrança,
Pelos mais diversos motivos.
Deixa eu te contar aqui um pouco do que os ouvintes compartilharam comigo pelo Instagram.
Me cobro demais para dar conta dos meus papéis de mãe,
Esposa e filha.
Me cobro ser perfeita.
Meu nível de exigência comigo mesma é altíssimo.
Me cobro tempo todo para reconhecer o meu propósito de vida.
Me cobro todos os dias que,
No próximo concurso público que eu fizer,
Eu tenho que passar.
Me cobro ser mais paciente,
Menos explosivo,
Ser um bom pai.
Me cobro fazer tudo certo,
Ser aceita e reconhecida como parte de um grupo.
Me cobro estar disponível para tudo e todos sempre,
Ser magra e exemplar.
Me cobro muito em trazer resultados para a minha vida.
Me cobro por julgar os outros,
Sei que é errado.
Me cobro fazer tudo sozinho e nunca errar.
Me cobro fazer o que aparecer na minha frente,
Abraçar o mundo e dar conta de tudo.
Me cobro atingir todas as metas.
Me cobro ser sempre forte,
Não me permito amolecer.
Olha aí,
A coisa vai longe,
Viu?
Eu recolhi toneladas de cobranças e junto com elas muitos sentimentos amargos,
Sentimentos de inadequação,
Descontentamento,
Insuficiência,
Culpa e rejeição das pessoas com relação a elas mesmas.
Para não deixar dúvida do quanto essa experiência é universal,
Porque infelizmente é,
Eu transcrevo aqui algumas falas da americana Tara Brach,
Que é doutora em psicologia,
Escritora e faz um bonito trabalho para a cura do relacionamento conosco mesmos.
A Tara costuma dizer que com raras exceções,
Mas muito raras mesmo,
Nós vivemos numa espécie de transe de indignidade,
Prisioneiros de um sentimento de não ser bons o bastante.
Ela diz assim,
Embora nem sempre tenhamos consciência disso,
Nós nos avaliamos e julgamos o tempo todo,
E com muita frequência percebemos uma lacuna entre a pessoa que acreditamos que deveríamos ser e a pessoa que somos no momento.
Essa lacuna nos faz sentir não ok,
Como se nós fôssemos inerentemente deficientes,
E a cultura contemporânea acentua ainda mais os nossos sentimentos de inadequação.
Vivemos numa sociedade baseada no medo,
Altamente competitiva e com padrões que valorizam determinados tipos de inteligência,
Tipos de corpo e conquistas.
E aí,
Para não nos sentir rejeitados,
Abandonados ou separados dos outros,
Desenvolvemos estratégias para nos defender ou promover a nós mesmos.
Olha,
Tudo bem a gente querer se desenvolver,
Se aperfeiçoar como pessoas,
Cultivar qualidades e estabelecer certos objetivos para nós,
Mas isso não justifica as cobranças ácidas que fazemos a nós mesmos,
Cobranças que muitas vezes têm um tom de autodesprezo.
Na lógica da nossa mente,
A autocobrança seria uma forma de nos mobilizar,
Como quem diz eu sei o que é esperado de mim.
Só que isso tem sérios efeitos colaterais,
Nos faz sentir mal,
Paralisar,
Desacreditar de nós mesmos,
Nos desvalorizar e até mesmo nos odiar.
Então neste episódio,
Vamos levar a luz do entendimento para a autocobrança,
E quem sabe isso abra um espacinho no nosso coração para a gente cultivar a autoaceitação,
Que é uma forma amorosa de nos motivar para o crescimento.
Para entender porque nos cobramos,
Precisamos voltar no tempo,
Voltar à nossa infância,
Porque é nessa fase da vida que começa a se formar na nossa mente uma ideia de como a gente deve ser.
Uma das fontes onde eu aprendi sobre isso é um livro chamado O Caminho da Autotransformação,
Que faz parte de um método de desenvolvimento pessoal conhecido como Pathwork.
Eu gosto muito da abordagem desse método,
Ela é profunda,
Mas é simples,
Não é difícil de entender.
Então como já exploramos aqui no Autoconsciente algumas vezes,
Vira e mexe esse assunto volta porque é uma base para a gente se entender,
Não é?
Como já exploramos aqui,
Todos nós temos uma necessidade instintiva,
Inata,
De nos sentir amados e protegidos.
Em geral nós somos educados para ser bons,
Fazer as coisas certas,
Nos comportar,
Ser ordeiros,
Etc,
Etc.
Quando fazíamos o que era esperado,
Ficava tudo bem,
Mas quando a gente contrariava o que era esperado,
No mínimo,
No mínimo,
Fomos desaprovados,
Ou percebemos no outro um descontentamento com a nossa atitude.
E isso para uma criança,
Para um ser em formação,
Vulnerável,
Indefeso,
Causa a impressão de não ser amado.
É muito assustador.
Então o que nós,
Seres humanos inteligentes,
Começamos a criar para nós mesmos,
Para nos proteger da falta de amor e do sentimento de inadequação?
Começamos a criar um ideal de perfeição para nós,
Uma autoimagem idealizada,
Como se diz no Pathwork,
Uma versão perfeita de nós mesmos para apresentar ao mundo,
Com qualidades,
Comportamentos,
Modos de agir que nos façam sentir aceitos,
Aprovados,
Em última análise,
Amados.
Como é a minha autoimagem idealizada,
Para te dar um exemplo?
É a de uma pessoa responsável,
Que tem um forte senso de dever,
Correta,
Justa,
Séria,
Respeitadora,
Determinada,
Independente,
Forte para algumas coisas,
Sensível para outras,
Coerente,
Equilibrada emocionalmente,
Sensata,
Ponderada,
Assertiva,
Que bota a mão na massa,
Realiza seus objetivos e,
Olha,
É coisa que não acaba mais.
A nossa autoimagem pode ter muitas facetas,
Só que tem uma coisa,
No nosso íntimo temos plena consciência de que a nossa autoimagem é uma fachada,
Uma máscara,
Temos plena consciência de que não somos perfeitos,
De que temos nossas fraquezas,
Dificuldades,
Contradições,
Negatividade e tudo mais que acreditamos que é preciso esconder,
Para não sermos ajeitados.
E é daí que surgem as autocobranças,
Do contraste entre o que realmente somos e a autoimagem que queremos exibir para os outros.
Então,
Por exemplo,
Se eu tenho uma autoimagem de pessoa segura,
E aí eu me sinto insegura numa situação da minha vida,
Eu me cobro.
Não deveria me sentir assim.
Se eu tenho uma autoimagem de pessoa justa,
E por uma fraqueza ou engano eu cometo uma injustiça com alguém,
Eu me cobro.
Como pude ser tão injusta?
Se eu tenho uma autoimagem de pessoa que realiza seus objetivos e tenho um fracasso,
Eu me cobro.
Não sou boa o bastante.
O fato é que nós podemos passar toda uma vida nos esforçando arduamente para nos tornar essa pessoa infalível e impecável que desejamos ser,
Com a esperança de,
Quem sabe um dia,
A gente seja realmente essa pessoa.
Assumimos projetos crônicos de autoaperfeiçoamento em nome disso.
A grande ironia é que a autoimposição para sermos perfeitos nos distancia do autoaperfeiçoamento que buscamos.
A guerra interna da autocobrança é exaustiva.
O Anderson de São Paulo descreve a sua autoimagem como um guerreiro espartano,
O vencedor de sagas que devora inimigos e concorrentes,
A alma que aguenta os açoites da mente sem deixar esmorecer o semblante e passar a imagem de vencedor fulltime.
E como ele se sente por trás dessa máscara?
Ele diz,
Isso me consome tanta energia mental que quando chego a anoitecer eu preciso tomar um rivotril para arrancar o herói de dentro da alma e poder repousar.
Fui pobre na infância e como adulto aprendi a superar a miséria.
Hoje tenho e vivo do melhor e dou a vida para a personificação do herói.
Tenho medo terrível de cair de produção ou baixar o padrão.
Cair de produção não pode,
Diz o rei Leônidas na minha mente,
Empunhando o escudo e a lança,
Preparado para qualquer dificuldade.
O que eu mais quero é poder baixar as armas,
Sentar na grama e esquentar o rosto ao sol,
Sem essa pressão constante.
A autocobrança,
Por perfeição,
Faz a gente se anular.
A Dinamara de Muritiba,
Na Bahia,
Tem consciência do quanto se cobra para agradar os outros e em nome disso se tornou alguém diferente de quem ela realmente é,
Da sua essência.
No ensino médio ela estudou magistério,
Não porque era o que ela queria,
Mas para fazer a vontade da mãe.
Desde os tempos de namoro com o homem que hoje é seu marido,
Ela deixou de ser espontânea,
Leve e brincalhona.
Fez isso para agradar o marido,
Porque para ele não é uma postura que a sua esposa deve ter.
Por anos ela adiou o projeto de fazer uma tatuagem,
Porque o marido não queria.
Mas de uns tempos para cá,
A Dinamara começou a questionar algumas coisas na sua vida e acabou fazendo a tatuagem.
Ela diz que está buscando se cobrar menos,
Mas ainda se cobra muito e quer se libertar do seu perfeccionismo.
A autocobrança faz a gente se sabotar e se autodepreciar,
Como percebe a Fernanda,
De São Paulo.
Ela conta que tem um pensamento de que se não fizer tudo certinho e perfeito,
Não vai valer a pena,
Que se for para não ficar tão bom,
Então é melhor nem fazer.
A Fernanda questiona o absurdo do seu próprio pensamento,
A razão dela diz que é melhor fazer algo do que não fazer nada,
E que se não sair bom,
Dá para melhorar depois.
Só que o perfeccionismo está muito enraizado nela,
O medo de falhar,
De se expor a críticas,
Fala mais alto.
Então em tudo que ela começa a fazer,
Existe uma pressão para sair perfeito,
E se qualquer coisa dá errado,
A decepção e a frustração fazem a Fernanda começar de novo,
Do zero,
Ou desistir e pronto.
E ela acrescenta,
Não é só a expectativa do dar certo que me chateia,
Mas também me punir por ter errado.
Eu começo a me sentir incapaz,
Burra,
Um fracasso.
Me autodeprecio,
E aí o resultado,
Já viu,
Né?
A autocobrança faz a gente duvidar das próprias capacidades.
Escuta esse caso que se passou com o Alan,
De Rio Claro,
Em São Paulo.
Ele trabalha numa empresa onde é comum ter que falar inglês com pessoas de fora,
E isso nunca foi um problema.
Ele gosta de inglês,
Se comunica bem no idioma.
Um dia ele precisou fazer uma apresentação em inglês,
Havia um estrangeiro na sala,
E aí o Alan travou,
E engasgou várias vezes,
Foi muito tenso.
Ele ficou tão nervoso que quando terminou a apresentação,
Estava estourando de dor de cabeça e com náusea.
Para ele,
A apresentação havia sido um desastre,
E mesmo recebendo um feedback positivo do colega estrangeiro,
Que a apresentação havia sido boa e clara,
O Alan não se convencia.
Na minha cabeça,
Ele disse,
Martelavam pensamentos.
Como eu pude ir tão mal?
Como eu pude errar tanto?
Como eu pude ser tão horrível?
Que ódio de mim.
É incrível o que a nossa autocobrança pode fazer,
Não é?
O Alan provavelmente idealizou uma apresentação perfeita,
Impecável,
E talvez por isso mesmo foi que ficou tenso.
De repente,
Ele perdeu a confiança na sua habilidade de falar inglês,
E acabou travando.
E por ter travado,
Começou a achar que estava tudo perdido.
Por aí a gente vê como a nossa autocobrança por perfeição é contraproducente.
Ela tem o efeito contrário do que a gente espera.
A autocobrança também nos paralisa.
A Laura,
Brasileira que acompanha o podcast lá de Portugal,
Escreveu para compartilhar que estava começando a entender os motivos de uma dificuldade dela.
Com a mudança de país,
Ela percebeu que a produtividade no trabalho caiu,
Provavelmente por causa do novo ambiente,
Dos novos relacionamentos,
Ou de uma pressão para dar certo na nova fase de vida.
O fato é que as vozes do perfeccionismo começaram a falar mais alto na mente dela,
E de repente a Laura se viu travada para produzir trabalhos que precisam de muita concentração.
Isso é muito comum acontecer.
A gente se preocupa tanto em fazer perfeito.
A mente fica tão tomada por pensamentos de autocobrança que não sobra espaço mental para fazer a tarefa em si.
A gente fica patinando nos pensamentos e não sai do lugar.
Foi isso que a Laura descobriu.
Pois é,
As nossas autocobranças e sentimentos de insuficiência são como uma toxina que pode infectar todos os aspectos da nossa vida,
Como diz a Thara Brach.
E isso inclui os nossos relacionamentos,
É claro.
A gente cria uma autoimagem idealizada e investe muita energia em fazer o outro nos perceber de determinada maneira,
Como alguém inteligente ou divertido,
Bem resolvido,
Poderoso,
Descolado ou sei lá o quê.
E no fundo,
No fundo,
Estamos escondendo do outro quem realmente somos,
Com medo de que ele não nos aceite como somos.
Como é possível ter um relacionamento verdadeiro e íntimo com alguém se num nível profundo nos sentimos falhos,
Insuficientes e indignos,
Não é?
Mas e agora,
Como é que a gente se desprende do perfeccionismo e da autocobrança que trazem tantas consequências indesejáveis para nós?
Bom,
Muitas vezes a própria vida se encarrega de nos dar uma mãozinha.
Ela nos coloca numa situação em que a gente não tem outra alternativa se não abrir mão do perfeccionismo e aceitar as nossas vulnerabilidades.
Quem está vivendo isso é a Monique,
Que hoje mora numa pequena cidade na Irlanda.
Lá ela está fazendo um curso de psicoterapia e diz construindo conceitos adquiridos numa vida inteira.
Ela diz que foi criada para ser simplesmente perfeita.
Para ter a aprovação da mãe,
Se tornou um exemplo de respeito e educação para com os outros.
Já o pai queria que ela fosse excelente nos estudos,
Bem sucedida no trabalho,
Quem sabe como médica ou engenheira,
E aí ganhar muito dinheiro,
Ter uma família,
Casa própria e carro na garagem.
Tudo que na verdade ela não é e nem tem.
Nos 30 e poucos anos em que morou com os pais,
A Monique viveu como que um personagem,
Sem poder falhar nem se dar a liberdade de ser ela mesma.
E agora,
Na Irlanda,
Ela está tendo a oportunidade de ser mais autêntica.
Mas não está sendo fácil,
Ela conta.
Vim por uma cidade pequena sem conhecer ninguém e muito pouco sobre o funcionamento do país.
Não tem como não ficar vulnerável.
Tudo é novo,
Eu tive que aprender muita coisa,
Desde encontrar o shampoo certo para o meu cabelo até em quem confiar.
Fazer faculdade de psicoterapia em inglês também não é simples,
Minhas notas não são tão boas,
E isso me frustra.
Me frustra,
Também,
O fato de eu não estar numa universidade top.
Passei em algumas escolas top do Reino Unido,
Mas são caras e não consegui bolsa.
Fui criada para servir e dar tudo de mim pelo outro.
Por isso eu sempre fui até os meus amigos,
Pago caro,
Viajo quilômetros e mantenho contato.
Mas dificilmente os meus amigos vêm até mim.
Isso é uma das coisas que eu estou tentando mudar,
Me desprender da culpa se eu não correr atrás de ninguém,
Se eu não sou a amiga perfeita que está sempre lá.
O que eu estou percebendo é que quanto mais fiel eu me mantenho a mim mesma,
Me desprendendo da obrigação de ser perfeita para os meus pais,
Para amigos,
Conhecidos,
A sociedade em geral,
Mais em paz eu fico.
É difícil não ser perfeita,
Dói,
Mas é libertador.
Pois é,
A Monique está descobrindo a coragem de ser imperfeita.
A vida toda ela acreditou que a perfeição a protegeria do sofrimento de não ser amada.
E o que mais ela encontrou nesse caminho?
Foi o quê?
Sofrimento.
Agora ela está assumindo quem realmente é,
Com todas as suas vulnerabilidades,
Estudando com dificuldades,
Tirando notas apenas suficientes e tudo mais.
E o que ela está encontrando?
Paz.
A gente se cobra tanto para ter a aceitação do outro e se desvia da aceitação que realmente é importante ter,
A de nós mesmos.
A Fabiana,
De São José dos Campos,
São Paulo,
Foi alguém sempre disposta a mudar qualquer coisa nela para agradar o outro.
Passou anos corrigindo suas imperfeições e acreditando que quando ela emagrecesse seria feliz.
Tudo ela fez que conquistou o corpo dos seus sonhos.
E olha a ironia,
Um ano depois disso,
Seu casamento chegou ao fim.
Foi preciso ela se ver sozinha para então se voltar para ela própria e se conhecer.
Foi preciso largar a síndrome de mulher maravilha para perceber suas verdadeiras qualidades.
A Fabiana se deu conta do quanto havia sido dura consigo e começou a mudar a relação com ela mesma.
Antes ela só via suas imperfeições e agora procura olhar mais para suas virtudes e aceitar elogios.
Algo que está fazendo diferença na vida dela é praticar a atitude da gratidão.
Verbalizar e escrever as coisas que ela se sente grata por ter.
Diz a Fabiana,
Eu tenho enxergado a vida de forma mais leve e atraído bons momentos,
Apreciado a vida com mais leveza.
Eu sou uma mulher bonita,
Saudável,
Independente,
Tenho uma família acolhedora,
Amigos,
Tenho muito mais a agradecer do que a reclamar.
Eu perguntei para a Fabiana se mudou algo na forma de ela lidar com as suas imperfeições,
Ela que havia sido tão dura consigo mesma.
E ela respondeu que sim,
Procuro ter mais autoaceitação e autocompaixão.
Quando eu percebo que poderia ter sido melhor,
Eu não me cobro tanto quanto antes,
Procuro compreender onde falhei para acertar na próxima.
Quando vejo que estou ficando para baixo,
Busco uma meditação,
Ou ler um livro,
Ou ligar para um amigo.
E tenho procurado sair de casa todos os dias,
Como se eu fosse encontrar alguém.
E vou mesmo,
Vou me encontrar.
Para encerrar esse episódio,
Eu vou te confessar uma coisa.
Eu escolhi esse tema porque eu mesma andei me cobrando nos últimos dias.
Eu andei tendo umas atitudes que não correspondem a minha autoimagem idealizada,
Sabe como é?
Fui impulsiva,
Fui um tanto agressiva,
E depois fiquei me julgando e pegando no meu pé.
Batei um sentimento de culpa pelo que eu fiz.
E o que eu estou praticando fazer quando eu me pego assim,
É aceitar que eu sou apenas um ser humano,
Falível e imperfeito,
E me perdoar pelo auto julgamento.
Recentemente eu comecei a usar as frases do Roponopono,
Que é uma tradição do povo do Havaí,
Não sei se você já ouviu falar.
Eu digo então para mim mesma,
Eu sinto muito,
Eu me perdoo,
Eu me amo,
Eu sou grata.
Eu sinto muito,
Eu me perdoo,
Eu me amo,
Eu sou grata.
Eu sinto muito,
Eu me perdoo,
Eu me amo,
Eu sou grata.
Faço isso muitas e muitas vezes,
Até me pacificar.
Sabe,
Cada vez mais eu me convenço de que também faça esse podcast para mim mesma.
Alguém que precisa ouvir muito isso tudo,
Sou eu.
Eu que não sou perfeita.
Que você esteja bem,
Um abraço.
Conheça seu professor
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