Bem-vinda,
Ou bem-vindo,
É um momento de pausas juntos.
O meu nome é Lau e antes de começarmos convido-te a abrandares,
A pausares.
Esta meditação de hoje convida-te a parar antes de seguir em frente,
A olhares para o ano que passou com mais verdade do que pressa.
Não para avaliares se foi bom ou mau,
Suficiente ou insuficiente,
Mas para reconheceres o que foi vivido.
Enquanto te guia nesta viagem,
Lembra-te que não há certo ou errado.
Cada imagem,
Emoção ou silêncio que surgir faz parte do teu processo.
Confia no teu ritmo e se em algum momento a tua mente te expressar,
Regressa à tua respiração ou às sensações do teu corpo.
Confia no que o teu corpo te mostra.
Confia que mesmo aquilo que não cresceu trouxe aprendizagem.
Este é um espaço para reconheceres o que cresceu,
O que ainda está em processo e libertar o que já cumpriu o seu ciclo,
Preparando terreno para o que vem a seguir,
Sem exigência,
Sem pressa.
Agora permite-te encontrar uma posição confortável,
Deitado ou sentado e fecha suavemente os olhos.
Faz os ajustes que precisares para encontrares o maior conforto.
Leva atenção à tua respiração,
Sente o teu ritmo natural,
Sem alterar,
Sem modificar para já.
Apenas tornando-te consciente do ritmo,
Da profundidade de cada inspiração e expiração.
Sente o teu corpo,
Como está neste momento.
Existe alguma tensão,
Algum desconforto,
Dor?
Permite-te pausar e sentir simplesmente.
Agora inspira profundamente pelo nariz,
Sente o ar encher o teu peito e expira lentamente.
Sente o teu corpo a soltar,
A pausar.
Em cada expiração,
Sente o teu corpo a relaxar.
Os ombros,
A testa,
O maxilar a suavizar.
Inspira mais uma vez profundamente pelo nariz e expira lentamente pelo nariz ou pela boca.
Vai soltando o peso que carregas,
Do dia,
Da semana,
Do ano.
Este momento é teu agora.
Esta pausa para sentires-te,
Para te ouvires-te.
Imagina-te a chegar a um campo aberto.
Um campo tranquilo,
Com espaço e silêncio.
Observa o espaço à tua volta.
Absorve,
Sente.
Estás descalço,
Sentes os pés a tocar a terra,
Úmida,
Fresca.
Sentes o contacto dos pés na terra,
A textura,
Sentes esse suporte que te dá.
Sentes a brisa fresca do ar na tua pele,
Os sons da natureza à tua volta.
O vento a tocar as folhas das árvores.
Este campo,
Onde te encontras agora,
É o teu ano de 2025.
Respira profundamente aqui.
Sente o ar fresco entrar pelas tuas nariz e sair.
E começas a caminhar,
Lentamente,
Observando o espaço à tua volta.
Cada detalhe,
Cada textura,
Cor.
Consegues ver zonas do campo cheias de vida,
Plantas crescidas e árvores.
Flores abertas,
Frutos prontos a serem colhidos.
E vais-te aproximando.
Talvez possas tocar nas flores,
Nas folhas,
Num fruto,
Numa árvore.
Senta a força,
A vida que cresceu à tua volta.
Tudo isso representa o que cresceu em ti este ano.
Todas as conquistas,
Os passos dados,
As aprendizagens.
Tudo o que foi nutrido ao longo do ano.
Todas as escolhas que fizeste,
Mesmo quando não foi fácil.
Reconhece-as.
Vês.
Sente-as.
O que vês à tua volta,
O que sentes quando olhas para esse espaço,
Para tudo o que construíste,
Tudo o que criaste,
Nutriste ao longo do teu ano.
Permite-te sentir orgulho,
Celebrar esse crescimento,
Essas conquistas pequenas e grandes.
Veja este momento como uma oportunidade de agradecer-se a ti mesmo,
Pela coragem,
Pela presença,
Pela determinação.
Respira fundo e deixa que essa sensação se espalhe pelo teu corpo.
Celebra.
Orgulha-te.
Continuas a caminhar,
Olhando à tua volta.
Encontras agora plantas mais pequenas,
Delicadas,
Ainda em processo.
A terra aqui é macia,
Mais sensível ao toque.
Imagina-te agora a ajoelhar,
A tocar a terra com as mãos.
Sente a frescura,
A umidade,
A textura entre os teus dedos.
Sente as sementes debaixo de terra,
Ainda em processo,
Em crescimento.
Estas sementes ainda precisam de tempo,
De cuidado,
De presença,
De amor.
Regas lentamente a terra,
Observando cada gota a cair no solo.
Sem pressa,
Sem expectativa.
Confias apenas no ritmo natural,
No crescimento natural.
Levantas-te devagar e continuas a caminhar.
Mais à frente,
Às zonas do campo onde nada nasceu,
Terra nua.
Vais-te aproximando com curiosidade,
Sem julgamento.
Talvez sintas aqui a terra mais seca,
Mais solta.
Ou simplesmente diferente.
Esta área representa as intenções que não avançaram.
Os caminhos que não se abriram.
Reconhece isso com honestidade e com carinho.
Nem tudo o que não cresce é uma falha.
Muitas vezes é apenas aprendizagem.
Imagina-te a remexer a terra com as mãos.
A soltar raízes antigas,
A limpar ervas daninhas.
A libertar o que já não precisa ficar.
Cada movimento prepara o solo.
Nada é desperdiçado,
Apenas transformado.
Enquanto continuas a caminhar pelo campo,
Uma brisa suave passa pelo teu corpo.
Sente-se o ar a tocar a pele.
Com essa brisa,
Chegam memórias,
Pessoas,
Momentos marcantes deste ano,
Aprendizagens,
Desafios.
Deixa que o que tiver que surgir,
Surja.
Sem forçar,
Sem controlar.
Apenas observa.
Talvez sintas calor no peito.
Talvez emoção.
Talvez silêncio.
Permite-te apenas sentir,
Sem precisar entender.
Pergunta-te suavemente.
O que aprendi este ano?
O que é que mais me marcou?
O que é que leve comigo para o próximo ano?
Deixa que as respostas surjam.
Ouve-as.
Sem expectativas.
Sem expectativas,
Sem julgamentos.
E quando te sentis preparado,
Regressas ao centro do campo.
Imagina-te a preparar a terra,
A remexer novamente o solo,
A criar espaço.
Sente o cheiro da terra fresca,
Fértil.
Não há ainda novas sementes.
Apenas disponibilidade e possibilidades infinitas.
A terra está pronta.
E tu também.
Agora respira nesse espaço aberto.
Não precisas ainda de saber o que vem a seguir.
Não precisas de saber todas as respostas.
Só precisas de estar presente e criar espaço.
Leva agora uma mão ao peito e outra ao abdômen.
Sente o bater do teu coração.
Sente o ritmo da tua respiração.
Sente o peito a subir,
A expandir com cada inspiração,
A descer,
A descer.
A descer,
A soltar com cada expiração.
Sente o teu corpo presente.
Reconhece tudo o que foste este ano.
Tudo o que viveste.
Tudo o que aprendeste.
Começa lentamente a trazer a atenção de volta ao teu corpo.
Sente os pés,
As pernas,
O contacto do corpo com a superfície.
Sente o teu corpo aqui.
Agora,
Neste momento,
No espaço onde estás.
Leva a atenção à respiração.
Nota o ar entrar e sair naturalmente.
E lentamente comece a mover os dedos dos pés,
Das mãos,
Trazer pequenos movimentos ao corpo.
Esprequiça-te,
Se quiseres,
Como se estivesse a despertar novamente de manhã.
Mantém contigo as sensações que ficaram,
As imagens,
As aprendizagens.
E quando te sentires preparado,
Abre os olhos devagar.
Observa o espaço à tua volta e leva contigo essa presença.
Lembra-te que esse campo que acabaste de caminhar continua vivo em ti e que tudo o que foi vivido faz parte do caminho.
Obrigada por te ter juntado a mim neste momento.
Obrigada por confiares em mim para te guiar nesta viagem interior.
Espero que esta pausa tenha ajudado a olhar para o teu ano com mais clareza,
Com mais presença.
Leva contigo o que faz sentido e deixa o resto ficar.
Desejo-te um novo ano,
Um novo ciclo,
Vivido com presença,
Com intenção e honrar e confiar no teu próprio ritmo.
Até a próxima.
Namastê.