
Folhas do Jardim Zen 1: A Flor da Honestidade
by Fabricio
Na nova série chamada Folhas do Jardim Zen, vamos ouvir um conto e tecer uma singela reflexão. O conto de hoje chama-se "A Flor da Honestidade", relembrando valores tão esquecidos nos dias de hoje. Cabe a nós manter firma a chama da humanidade em nossos corações para que ela não se perca.
Transcrição
Olá,
Meus amigos,
Minhas amigas.
Fabrício Surya novamente.
Nós vamos começar hoje uma série de vídeos novas chamada Folhas do Jardim Zen,
No qual nós vamos trazer um conto zen antigo e,
No final,
Nós vamos aprofundar um pouco mais a reflexão sobre ele.
E o conto de hoje é A Flor da Honestidade.
Então conta-se que em um reino bem antigo,
Na China,
Um rei já estava prestes a morrer,
Ele sabia que os seus dias estavam próximos,
Ele estava bastante idoso,
E chegou para o seu filho e falou,
Filho,
Está na hora de você ter uma princesa e assumir o reino.
Então eu vou fazer um convite para as mulheres dos reinos vizinhos,
As mulheres mais ricas,
Poderosas,
Os reinos mais prósperos,
E você vai poder escolher uma entre elas.
Daí o príncipe,
Muito jovem,
Mas bastante sábio,
Falou,
Pai,
Eu não quero uma mulher com recursos,
Eu quero uma mulher que eu possa confiar no que há dentro dela.
O pai achou aquela proposta diferente,
Mas sentiu no seu coração que havia verdade ali,
Conversou com a sua esposa,
A esposa também sentiu que era o melhor,
E eles foram conversar com o conselheiro real,
E o conselheiro real teve uma ideia brilhante de como poder escolher essa mulher.
Então,
Num dia específico,
Eles chamaram todas as mulheres da província que quiserem se colocar como candidatas à parceira do príncipe,
E mandaram também esse mesmo comunicado para todos os reinos próximos,
Para todas as mulheres,
Não precisava ser só mulheres da realeza.
E a pessoa destinada a trazer a comunicação,
Pegou o seu papiro e leu para todas as mulheres a mensagem.
A mensagem era a seguinte,
Quem quiser ser a mulher do próximo rei,
Vai pegar uma semente que nós trouxemos aqui,
E durante cinco meses vai cultivar essa semente.
Vai cuidar dela da melhor maneira possível.
E daqui a cinco meses,
Todas retornarão para cá,
Para essa mesma praça,
E aquela que tiver a flor mais bonita vai ser escolhida a princesa,
A futura rainha do nosso reino.
Todas as mulheres fizeram uma fila e começaram a pegar.
Desde as mulheres da alta aristocracia,
Como as mulheres camponesas,
As mulheres mais pobres,
E uma dessas,
Muito humilde,
Ficou por último e pegou uma semente também e levou para casa.
E o assunto mais comentado na cidade era justamente isso,
Como é que está a sua flor,
As flores,
Todo mundo falando sobre esse tema durante aquele período de cuidado,
Durante a germinação da flor.
E essa menina,
Muito humilde,
Não tinha conseguido sucesso com a sua flor.
Ela colocava sobre o sol,
Colocava na lua,
Via quais eram as fases da lua melhores para germinar,
Aí colocava em tipos de terra,
Em tipos de esterco diferente,
Fertilizantes,
Ela tentou de tudo.
Não conseguiu germinar.
A mãe dela falou assim,
Você não vai lá apresentar o seu fracasso,
Você não vai lá passar vergonha na frente de todo mundo com essa semente que não germinou.
E ela falou assim,
Eu vou,
Porque eu fiz o meu melhor.
Então,
Ela ficou com vergonha,
Ainda que fosse corajosa,
Ela ficou com vergonha e ficou por última da fila,
Esperou todas as mulheres chegarem.
E ela viu todas as mulheres chegando,
Cada uma com a flor mais bonita,
A flor mais exótica,
A flor mais cheirosa,
As cores inimagináveis.
Cada uma com a flor mais bela.
E todas fizeram a fila e ela foi por última,
Sem a sua semente ter germinado.
E foi chegando a vez dela e as mulheres foram apresentando as suas flores,
Ficando de lado,
Esperando aparecer qual seria a mulher escolhida.
E chegou a vez dela,
Ela foi por última,
Entregou para o príncipe,
Estavam vendo todas e falou,
Meu príncipe,
Eu não consegui,
Mas aqui está de volta a sua semente que você me deu.
O príncipe,
Assim que recebeu a última pretendente,
Foi ter com seu pai,
Que também é Tuduvia,
Com a sua mãe como conselheiro e não precisou de muito tempo.
E logo o conselheiro veio e disse,
O príncipe vai se pronunciar,
Qual mulher é escolhida?
Todas as flores estavam no chão e ele pegou o último jarro que não tinha nenhuma flor e falou,
A mulher que cuidou dessa semente é a escolhida.
E todo mundo ficou estupefato,
Mas como?
Não tem flor nenhuma aí?
Ela não fez nada,
Olha quanta flor bonita,
Ela foi um fracasso,
Ela não conseguiu germinar a semente que você deu.
E a essa pergunta o príncipe respondeu,
Sabe porque ela não conseguiu germinar a semente que eu dei para ela?
Porque todas as sementes que eu dei,
Sem exceção de nenhuma,
Eram sementes estéreis.
Nenhuma poderia dar essas flores que vocês me apresentaram.
E esta mulher foi a única que me apresentou a verdade.
E a essa mulher eu chamo de flor da honestidade.
Então,
É um conto muito bonito,
Muito belo,
Porque começa a nos falar sobre esses valores humanos que nós estamos infelizmente deixando escoar das nossas mãos.
A nossa convivência em tanto corrida da modernidade faz com que nós esqueçamos que nós lidamos com pessoas e pessoas têm sentimentos,
Pessoas têm valores.
E é muito melhor nós sermos honestos e contar algo que talvez não agrade,
Do que viver uma mentira,
Ou então do que deixar que as coisas aconteçam e a verdade venha à tona de uma forma muito violenta.
E também é importante nós pensarmos que a honestidade ela requer também um olhar sincero para si mesmo,
Para si mesmo.
Nós precisamos ser sinceros conosco.
Então,
A verdade ela pode ser dura,
Mas ela só dói uma vez.
A mentira toda vez que a gente olha para ela,
A dor nisso.
Isso um grande mestre uma vez disse em um livro.
Então esse é o nosso conto de hoje,
Que nós possamos ser bastante sinceros,
Principalmente com as pessoas,
Porque nós estamos lidando com emoções,
Sentimentos,
Corações.
Agora,
É possível ser sincero sem ser bruto,
Sem ser bruta?
É possível ser sincero sem ser bruto,
Sem ser bruta também?
Nós podemos escolher palavras melhores,
Momentos apropriados,
Para que a nossa verdade possa soar com respeito,
Dignidade e segurança.
Que a gente possa comunicar a nossa verdade sem ferir ninguém.
Então esse é o nosso conto de hoje,
Espero que tenham gostado.
Agradeço por terem ouvido e até o nosso próximo encontro.
4.9 (33)
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