
#43: Vacinando a Alma - 365 Dias na Fumaça
Neste episódio, refletimos sobre o ano da pandemia e o ano de existência dos Elefantes, o que aprendemos, o que vivemos. Falamos também dos seres que nos visitam, e do nosso mundo na UTI. Sobre os Elefantes Na Neblina: 3 amigos conversam. Um mundo em constante mutação. Buscando jogar alguma luz sobre assuntos grandes, muitas vezes incômodos. Conversando sobre o que é ser um humano em nossos curiosos e complexos tempos.
Transcrição
Amigos que gostam de conversar em tempos interessantes,
Incertos,
Implacáveis.
Com o futuro suspenso e o passado cada dia mais distante,
Estamos aqui estacionados na condição humana,
Na tentativa de fazer uma nova vida funcionar.
Cada dia é um passeio na neblina,
E os elefantes estão soltos.
Não usamos nomes,
Porque somos nós e somos ninguém,
O que importa é a conversa e a vontade de gerar alguma luz.
Eu estava aqui lendo,
Inclusive,
Os seus comentários sobre o nosso ano de vida aqui,
Dos 4.
300 milhões,
Dos malucos que nos ouvem,
Em 30 países,
Chega a ser quase uma pandemia,
Né?
Exatamente,
A pandemia paralela dos elefantes.
Happy birthday to us.
É,
Um aninho,
Rapazes.
Não sei se vocês chegaram,
Eu estava ouvindo,
Nos últimos tempos,
Os primeiros episódios.
É muito interessante quando a gente ainda não se chamava de Larry.
A gente ficava meio perdido.
Demorou uns três episódios para a gente adotar os Larrys.
A gente ganhou uma identidade,
Que inclusive é um pouco diferente da nossa identidade fora da conversa.
Eu sinto isso.
Nós não somos exatamente iguais aqui.
Não,
Claro que não.
Mas eu ainda acho que nos primeiros episódios eu,
Pelo menos,
Vivia com a certeza absoluta que nós estávamos falando para nós mesmos só.
E eu acho que isso,
Até porque não existia movimento fora das casas,
No princípio,
Era tudo parado,
O tempo não existia,
Não havia vento.
Não havia atividade,
As folhas não se mexiam.
Os barulhos que a gente conseguia criar eram dos chocolates sendo abertos,
Dos alfarores.
Demorou para a gente.
.
.
No momento que a gente começou a interagir com o externo ali,
Foi acho que bem mais para a frente.
É,
Mas isso é um pouco a demonstração de uma teoria famosa que diz que você não é aquilo que você é,
Nem mesmo aquilo que você pensa que você é,
E sim aquilo que você pensa que os outros pensam que você é.
É,
Isso aí é,
Sem dúvida.
Aquilo que você pensa que os outros pensam que você é.
Mesmo que para cada um que pensa você é um diferente.
Exato.
Mas você tem uma teoria a respeito da teoria dos outros.
Então,
É como se fosse uma projeção em segundo grau que leva àquilo que você é.
E você não faz isso conscientemente,
Você faz isso de uma forma totalmente inconsciente.
Então,
O simples fato de.
.
.
E vocês querem saber,
Eu vou levar isso para um plano quase místico.
Eu até penso diferente.
Eu acho que como existem mesmo pessoas que ficam nos escutando,
As expectativas delas,
Mesmo se a gente não tem acesso direto a essas expectativas,
Vão dirigindo os nossos pensamentos e sentimentos sem que a gente perceba.
E,
Provavelmente,
Nós somos também um pouco marionetes das expectativas de todas essas pessoas.
Sem nem sequer a gente ter um contato direto.
Eu acho que isso pode acontecer,
Sabe?
Qual foi a maior descoberta de vocês nessa pandemia?
Nesse um ano de elefantes.
Qual foi a maior descoberta de vocês?
Nos elefantes ou na pandemia em geral?
Se eu tivesse que olhar nessa retrospectiva desses últimos 12 meses,
Que coincide com um ano de elefantes e talvez um ano de pandemia,
Qual foi a grande descoberta desse período para você,
Que te remete,
Sem prestanejar muito?
Olha,
Eu acho que.
.
.
Eu vou facilitar para você,
Tá?
Tá,
Facilita.
Pode ser gimmicks,
Não precisa filosofar muito.
Seja gentil.
Pode ser um gimmick,
Pode ser uma comida,
Pode ser um pato.
Pode ser uma série da Netflix.
Pode ser uma posição da Kama Sutra,
Enfim,
Você não precisa pensar tanto.
Deixa o coro falar alguma coisa para você.
Isso piorou,
Isso piorou.
Tiramos o paradoxo da escolha.
Piorou,
Piorou,
Piorou.
Olha,
Para mim tem uma coisa muito específica dos elefantes que foi significativa,
Que foi descobrir,
Que eu não tinha a menor ideia,
Que podia ser interessante para alguém escutar a gente com calma e muita atenção.
A minha dúvida,
Quando nós começamos,
É se nós íamos ser interessantes,
Se nós íamos ser divertidos.
Se ia ter algum valor de entretenimento para as pessoas.
Para mim,
Um grande impacto foi descobrir que podia ter um impacto transformador até.
Isso,
Para mim,
Foi uma grande descoberta no que diz respeito aos elefantes.
Então,
Eu tenho um respeito pelo meio e por aquilo que a gente acabou fazendo improvisadamente muito maior hoje do que eu tinha no começo.
Para mim,
Era uma brincadeira.
E agora eu vejo que,
Quando as pessoas falam comigo,
É,
Olha lá,
Olha quanto tempo faz que você não vem com episódio e tudo mais.
Então,
É difícil tratar isso simplesmente como uma brincadeira,
Ainda que a gente continue brincando.
Isso é um negócio.
Agora,
Sobre a pandemia especificamente,
Eu acho que a grande descoberta é como a gente continua sem saber nada.
Eu acho que a gente sabia um pouco mais.
E,
Quando eu digo que a gente sabia um pouco mais,
O que eu queria dizer é.
.
.
Não estou falando da ciência,
Não.
Estou falando de como todo mundo ainda está perdido.
Eu esperava que,
Um ano depois,
A gente estivesse mais localizado.
Com certeza.
E vocês,
Não?
Tanto a pandemia quanto os elefantes foram muito prolíficos num mergulho profundo que fiz em mim mesmo.
Eu acho que,
Com os elefantes,
Eu descobri que a minha dicção era péssima,
Que eu não conseguia.
.
.
Eu começava os pensamentos e não terminava,
E ainda não termino.
Coisa que eu sofri a vida inteira com namoradas e afins.
Então,
Eu acho que fazer os elefantes e mais do que editar os elefantes,
Que foi algo novo para mim,
Foi muito terapêutico de perceber como eu estruturo os meus pensamentos.
Aliás,
Eu acho que vale para qualquer pessoa se gravar numa conversa e ouvir.
É impressionante como você se descobre o nível de profundidade de sacadas que você tem sobre você mesmo,
Se ouvindo e se editando.
É surreal.
E eu acho que a minha descoberta na pandemia foi mais ou menos nesse sentido também,
De perceber perspectivas e lados meus que eu não conseguia ver de outra forma.
Essa pausa da pandemia,
E é totalmente impossível separar ela dos elefantes para mim,
Tem a ver com isso,
De conseguir me observar de um outro lugar.
E gostar.
É uma surpresa.
Eu acho que tem um processo de aprendizagem.
Eu sou razoavelmente um cara muito tímido,
E poder falar e estar nesse lugar de poder não terminar as frases e estar tudo bem,
Acho que talvez tenha sido um dos maiores aprendizados.
Você falou um negócio que me cutuca.
O que é ser tímido?
O que é ser tímido?
A essa altura do campeonato,
Você está me perguntando como ser tímido.
Eu acho que talvez tenha uma.
.
.
Acho que de todos nós aqui,
Eu sou o que tem um.
.
.
Estou mais preocupado que realmente tem a gente do nosso lado ouvindo e está preocupado em acertar de todos.
Eu acho que ainda não me desapeguei.
Acho que talvez ser tímido é um excesso de controle em pensar o que os outros vão pensar do que a gente está falando aqui.
Talvez seja isso.
É interessante você dizer isso,
Porque acho que a minha maior.
.
.
Talvez o meu maior exercício foi justamente ter que aceitar o fato de que as conversas gravadas seriam diferentes das conversas que a gente tinha normalmente sem o público.
.
.
Ou sem a meta de falar com o público.
Que eu ainda acho que no início.
.
.
No início,
Eu pelo menos demorei um tempo a acreditar que realmente alguém estava escutando aquilo e acho que tive menos essa preocupação.
Me dei conta também de que algumas pessoas passaram a vida inteira já falando em formato de podcast.
E que,
Portanto,
Essa transição seria muito mais simples.
E eu acho que vejo grandes evoluções nos quadros de todo mundo.
E eu ainda tenho muita vontade,
Confesso,
De clandestinamente gravar uma conversa nossa sem o fim exclusivo de plateia.
E mesmo que a gente não coloque no ar,
A gente se divertir com a diferença.
Mas você acha mesmo que a gente não consegue virar a chave agora e,
Por exemplo,
Falar dez minutos como se isso não fosse jamais ser escutado por ninguém?
Eu acho que sim.
Eu acho que sim.
Eu fiz um experimento desse,
Não sei se você lembra,
Uma vez na minha casa.
Nós estávamos,
Eu,
Você,
Larry Shine e Larry Ghost numa conversa a quatro.
E aí eu vi os personagens,
Acho que mais o personagem do Larry Shine,
Não era o personagem,
É ele com a responsabilidade de falar a público.
E aí eu,
Na hora,
No primeiro momento,
Eu senti um choque tão grande e um desespero que eu queria resgatar aquele cara que estava conversando com a gente antes do gravador começar.
E eu senti que aquela conversa ia ser muito mais rica e mais divertida e mais solta,
Mas não teve jeito.
E aí eu,
Teoricamente,
Desliguei o gravador,
Mas ele continuou gravando.
E aí voltaram as pessoas a relaxar e a conversa ficou espetacular.
E aí,
Sim,
Ficou muito nítida para mim a diferença entre a gente fazer uma coisa pensada e.
.
.
Embora,
Acho que a gente,
Várias vezes,
Esquece completamente de que tem realmente alguém do lado da linha.
E acho que a única questão que mudaria,
Talvez,
Seria a dinâmica das conversas,
Porque a gente tende a nos interromper uns aos outros mais vezes quando a gente está sem o formato atual.
Sem dúvida.
Engraçado que eu,
Durante muito tempo,
Eu sofria de um.
.
.
Talvez um dos meus maiores medos,
No começo,
É que os elefantes não fossem durar a próxima semana.
Eu achava que a gente não ia passar de.
.
.
Um mês,
Depois dois meses.
.
.
Toda semana eu achava que os elefantes poderiam acabar.
Mas você enxergava um pouco.
.
.
A gente usou muito de catarse no início,
Para nós mesmos,
Não é?
Era a nossa sessão de terapia em grupo.
Não,
Sem dúvida.
Mas como a terapia da pandemia.
.
.
Ela acabaria junto com a pandemia,
Não é?
Na hora que a nossa vida voltasse ao normal,
Provavelmente os elefantes deixariam de existir.
E,
Obviamente,
A gente foi ganhando.
.
.
E por que deixariam de existir?
O que seria o fator que os elefantes fariam?
Eu posso usar claramente,
Sem dúvida nenhuma,
Me ocorreu inúmeras vezes não fazer o próximo elefante,
Porque eu tinha uma crença muito grande de que eu teria que estar em um estado.
.
.
Não vou dizer inspirado,
Mas estar bem para poder,
De certa forma,
Comunicar alguma coisa boa.
Quando,
Na verdade,
Eu concluí que não estar bem talvez fosse até mais útil,
Porque aquilo ali era para ser discutido,
E daquele lugar as pessoas tinham referência maior.
Mas eu acho que a virada de chave,
Para mim,
Pelo menos foi quando vocês começaram a me dar um pouco do feedback de algumas pessoas,
Porque.
.
.
E acho que aí vem um pouco da natureza do ser humano,
Porque quando você.
.
.
O seu egoísmo só vai até o ponto onde você tem a clareza de que você está ajudando alguém,
Nem que seja uma pessoa,
Profundamente.
Então,
Quando você tem um feedback de alguma coisa que você falou,
Por mais.
.
.
Enfim,
Que para você possa não ter nenhum significado profundo,
Mas que tocou em algum momento,
Naquele momento foi alguma coisa importante que fez diferença na vida de alguém,
Toda a ideia de largar um processo nesse sentido já não é mais a respeito de você.
E eu acho que isso muda muito a forma como a gente enxerga a ideia de continuar se reunindo.
E eu acho que o meu medo vinha exatamente de sentir essa sua hesitação.
Interessante,
Porque eu acho que para cada um de nós o receio ou a preocupação vinha de um lugar diferente.
Para mim,
Sabe qual era a preocupação?
Seria que acabasse aquilo que eu chamo da nossa curiosidade mágica,
Como se nós esgotássemos o frescor das conversas e começássemos só a se repetir.
Como se nós ficássemos confortáveis em concordar no que nós concordamos e discordar no que nós discordamos.
Claro que não deve acontecer nos próximos 100 anos.
Acho que não vai ser nessa encarnação.
Mas que os assuntos acabassem também.
Exato.
E que nós ficássemos andando em círculos e falando das mesmas coisas de mil maneiras diferentes até um ponto em que nós mesmos não aguentássemos mais.
Eu tenho tanta sensação de que o nosso cotidiano,
De todos nós,
Está tão repetitivo que eu tive o receio de que as nossas conversas ficassem exatamente iguais ao resto.
E,
De alguma maneira,
Parece que quando a gente se solta e fica de coração aberto,
Isso magicamente não acontece.
A gente acaba indo para algum lugar diferente mesmo sem saber muito bem como.
Então,
Uma coisa que eu prezo muito,
E é sempre quando converso com as pessoas sobre o que nós fazemos,
As pessoas ficam meio surpresas quando eu explico que nós não temos planejamento nenhum,
Que a gente não faz pauta,
Que nada disso é planejado,
Que nós não temos a menor ideia do que vai acontecer antes da conversa começar.
E eu digo para vocês que,
Para mim,
Isso é a parte que eu mais prezo dessa experiência que nós fazemos as três.
Então,
Mesmo que não seja exatamente igual a uma conversa que nós faríamos se não fôssemos os Larrys,
O nosso outro avatar nessa simulação,
Pelo menos isso nós preservamos.
Nós preservamos o fato de que,
Como numa conversa normal,
A gente não sabe o que vai acontecer.
Então,
Isso,
Para mim,
Já é uma grande coisa.
E isso é muito incrível,
A ideia de que a gente.
.
.
Toda conversa a gente não sabe como ela vai começar e como ela vai terminar.
E é interessante os caminhos energéticos que as conversas vão.
Eu estava lembrando de uma.
.
.
De uma frase.
.
.
Numa época,
Eu conheci um palhaço-clown que fazia consultoria para empresas.
Mais uma das obviedades do novo mundo corporativo que se apropria de tudo.
Mas,
Nesse caso,
Era bem interessante,
Bem genial.
E ele era um clown de improviso.
Ele era um cara palhaço,
Mas que era um cara especialista em improviso.
E ele falou uma frase que me pegou muito,
Que ele falou,
Que era a beleza do improviso,
Porque no improviso você só sempre tem que dizer sim.
E você nunca pode dizer não e negar aquilo que está vindo.
Você tem que dizer sim,
Pegar a bola de onde ela está vindo e construir em cima.
E eu acho que isso é o que a gente conseguiu fazer bem,
Mesmo discordando aqui.
A gente sempre conseguiu construir em cima no improviso.
Às vezes com uma energia mais baixa,
Às vezes com uma energia mais alta,
Às vezes.
.
.
Acho que a gente sempre conseguiu,
De alguma forma,
Tirar algo disso aqui.
E,
Talvez,
Só para terminar,
Pensando na surpresa interessante,
Eu acho que eu sempre entendi que haviam algumas poucas pessoas ouvindo e depois elas foram crescendo ao longo do tempo.
Mas o quanto impacta as pessoas,
Para mim,
Ainda é algo que eu.
.
.
Cada vez eu fico muito surpreso quando alguém conta o quanto os elefantes impactaram essa pessoa,
De uma forma ou de outra.
Isso sempre me deixa muito surpreso.
Acho muito incrível.
Mas eu ainda acho que nós tínhamos que dar para as pessoas a oportunidade de ter acesso a um elefante uncut,
Para eles terem noção do nível de esquizofrenia que pode estar acoplada a alguma dessas conversas.
Talvez uma sugestão fosse simplesmente a gente fazer uma edição de retalhos das brigas que a gente não conseguiu pôr no ar,
Das energias mais carregadas,
Das faíscas,
Das coisas que ficaram sem sentido e que a gente mesmo não sabia o que a gente estava querendo dizer.
E aí colocar essa parte como se fosse mesmo um scrapbook.
E vocês sabem que eu acho que,
Francamente,
Nem vale tanto a pena a gente ficar numa metaconversa quando tem tanta coisa acontecendo.
Porque que impacto é esse comparado com o do mundo?
O tempo todo eu fico pensando.
.
.
E esse é um pensamento que não sai da minha cabeça.
Quem é a pessoa que eu conheço que está pior?
E a resposta que me vem há muitos meses é o mundo.
Isso é uma coisa que eu nem sei se eu consigo colocar em palavras direito,
Mas eu vejo todas as pessoas que eu conheço,
Todas as pessoas com quem eu converso.
Todo mundo tem seus problemas,
De maior ou menor grau,
Mas todo mundo que eu convivo e com quem eu converso está melhor do que o mundo.
O mundo.
.
.
Se o mundo fosse uma pessoa,
Eu nem sei o que eu fazia com essa pessoa.
Eu não saberia nem por onde começar.
E isso,
Para mim,
Eu acho que é o grande impacto.
A última vez que eu quis expressar isso,
E no contexto dos elefantes na neblina,
Foi como se eu me dissesse,
Mas será que é neblina mesmo?
Ou será que é fumaça,
Porque a savana está em chamas?
Então,
Nem sei mais se neblina não é uma imagem muito poética para aquilo que começou um ano atrás.
E agora a gente está vivendo essa mesma história,
Com uma música mais heavy metal no fundo,
Com uma bateria mais pesada.
E será que a gente vai ter que,
De alguma maneira,
Captar essa energia e traduzi-la de alguma forma?
Quer dizer,
O mundo radicalizou.
Eu sinto muito isso.
A vida radicalizou muito,
Em todos os aspectos.
Deixa eu te perguntar uma coisa.
Você é,
Obviamente,
Familiarizado com o termo sistemas de pressão.
Aí eu fico pensando o seguinte,
Será que um mundo que,
De um jeito,
Acabou intensificando o sistema de pressão,
Não causou uma certa dependência,
Aí eu posso dizer até psicológico ou até química,
Em seguir submetido a esse sistema de pressão,
Explicando que.
.
.
Será que esse lugar que a gente ficou de medo,
Incerteza,
Dúvida,
Etc.
,
Por mais que a gente quisesse,
De algum jeito,
Sair disso a qualquer custo,
Será que uma parte inconsciente da gente não continua buscando se manter nisso,
Trazendo cada vez mais dúvidas e tentando manter,
De algum jeito,
Esse lugar de sistema de pressão contínuo?
Olha,
Eu acho uma hipótese excelente.
Ela,
Para mim,
Faz sentido.
Só que tem uma coisa que a gente precisa acrescentar,
Se o cenário for esse.
Na minha experiência,
Esse mecanismo,
Por mais que ele tenda a se preservar,
Ele sempre chega num limite que é como se fosse um limite biológico do nosso sistema nervoso.
E,
Portanto,
Ele acaba em entorpecimento e exaustão.
Então,
Por mais que você se vicie em estímulos,
Estímulos,
Estímulos,
Mesmo quando eles não são positivos,
Mas estímulos que trazem adrenalina,
Que trazem preocupação,
Que trazem curiosidade,
E mesmo que todos os meios de comunicação estejam vivendo disso,
E eu cada dia me conscientizo mais de como não faz bem se informar de manhã enquanto você toma o café da manhã,
Lê o jornal e tudo mais,
Realmente está cada vez mais difícil responder quanto você deveria se informar sobre o que acontece em volta,
Porque as notícias parecem nem ser muito úteis e,
De mais a mais,
Elas parecem ter só uma finalidade de te assustar a essa altura do campeonato.
E o agente que te fornece tem uma agenda?
Fora.
O que todo mundo tem.
Mas a principal agenda do agente é garantir que você fique tão sobressaltado que você continue consumindo a notícia no dia seguinte.
Mas o ponto todo é por que nós não ficamos ainda completamente entorpecidos?
Ou será que nós estamos prestes a ficar completamente entorpecidos?
Quando é que o mundo entra em burnout e começa a próxima etapa?
Aliás,
Engraçado,
Eu estava dizendo que a sabana estava em chamas e me lembrei agora do burnout.
Talvez seja isso.
Talvez o mundo seja uma pessoa prestes a entrar em burnout e o que a gente tem que entender é o que vai acontecer depois.
Mas você acha que é prestes a entrar?
Eu acho que não.
Como a gente,
Essa geração,
Claro,
Estou falando predominantemente das sociedades consideradas mais próximas de civilizadas.
Acho que ainda tem alguns países que já estão nesse lugar.
Alguns países da África,
Da Ásia e tal já estão nesse lugar há muito tempo.
Ficaram muito tempo nisso e estão acostumados com isso,
Com essa dinâmica.
Mas acho que a nossa geração,
Gerações anteriores,
Pelo menos dos nossos pais,
Certamente não viveram coisas parecidas com isso,
Quero crer.
Não me lembro,
Pelo menos.
Eu estava vendo muito outro dia um pouco do que foi a Europa no pós-Primeira Guerra.
A Primeira Guerra veio junto com o pessoal que veio dos frontes,
Que foi um fronte muito mais complexo do que os frontes da Segunda Guerra,
Um fronte mais encherado,
Com mais privações e tudo mais,
Tirando,
Obviamente,
Os campos de concentração da história,
Mas mais de.
.
.
Dizem,
Pelo menos,
Que aquela é uma geração em que ninguém voltou igual da guerra.
Ninguém que foi para um fronte voltou igual.
Não tinha como sair preservado.
Ou o cara voltou criando uma outra identidade que permitisse para ele viver ali e guardando aquela experiência,
Ou ele ia ser afetado o resto da vida.
E concomitante a isso veio,
Em 1918,
A gripe espanhola,
Que foi quase que propagada pela guerra,
Que deu a possibilidade do vírus de.
.
.
Eu acho que o que vai acontecendo é que vai se criando personalidades adaptadas.
Obviamente que eu não sou um experto nisso,
Você pode falar melhor,
Mas acho que essa versão nossa adaptada passa por um período de continuar nesse shell shock,
Que é o estresse pós-traumático,
Como é que é?
A síndrome do estresse pós-traumático.
Para daí,
Sim,
Ver qual é a versão,
A nossa nova versão,
Que vai seguir dali para frente.
Mas dificilmente,
Se a gente passa por um período como a gente passou,
Sem nenhum treinamento prévio,
Do jeito que aconteceu e continua nesse lugar de medo e dúvida,
Dificilmente a pessoa que começou esse processo vai sair,
Vai conseguir voltar absolutamente sem nenhuma cicatriz psicológica,
Eu acho.
Eu acho que,
Para mim,
O que você está falando faz muito sentido,
Mas,
De fato,
Quando você pensa num pós-trauma,
Seja mesmo da Primeira Guerra e tudo mais,
O depois,
Você fica.
.
.
Dizer que você fica atordoado é pouco.
O que eu quero dizer é que a capacidade de você reagir de uma forma flexível ao estímulo está diminuindo a ponto de você quase não conseguir reagir mais aos estímulos,
Exceto de uma forma espasmódica.
E aí você perdeu a sua flexibilidade na sua maneira de sentir.
É isso que eu chamei de você ficar entorpecido.
E aí,
Fazendo um paralelo com essa Primeira Guerra que você mencionou,
Tem uma coisa que me chama muito a atenção,
Sabe,
Igor?
A Primeira Guerra,
Um tema central da Primeira Guerra foi justamente a falta de informação.
Então,
As pessoas iam para a batalha sem ter a menor ideia do que realmente estava acontecendo e do que iam encontrar.
E as guerras aconteciam de uma maneira que as pessoas,
As populações,
Não estavam participando do que acontecia no front.
E o contraste,
Pra mim,
Pelo menos,
É que o que nós estamos vivendo hoje,
Praticamente nessa guerra que nós também estamos vivendo,
É que nós estamos vivendo uma guerra do excesso de informação.
Então,
Eu sinto muito isso.
Você tem quantidades de informações verdadeiras ou falsas,
De uma maneira tão,
Uma selva tão misteriosa que você já não sabe mais o que achar.
Misturado com isso,
Você tem um monte de informação repetida.
E eu chego a me perguntar se nós não vamos viver o primeiro grande trauma coletivo da era da informação.
E talvez um resultado pós-traumático disso seja que a gente diga basta,
Deixa eu ficar quieto,
Deixa eu ficar aqui olhando um pouco a grama crescer,
Deixa eu ficar aqui brincando de bola com a minha criancinha,
Deixa eu ficar aqui tomando cerveja com o meu amigo e eu vou parar de ficar consumindo tudo isso porque,
Eu sei,
Eu fico me imaginando se algumas pessoas não estão começando a viver justamente essa reação.
O que vocês acham?
Eu acho que pode ser,
Sim.
Eu estava conversando com uma terapeuta ontem que tem pacientes em vários lugares do mundo,
Como o Bi também,
Tem contato com pessoas de vários lugares,
E ela me disse ontem não tem nenhuma dessas pessoas com quem eu falo que acha que ali está melhor do que o resto do mundo.
Olha que interessante.
Interessante isso.
Adorei isso,
Que coisa bonita.
Vocês sentiram a mesma coisa?
Não,
Vocês sentiram.
Você sentiu isso como uma coisa triste?
Eu senti o contrário.
Eu achei maravilhoso.
Mas isso corrobora um pouco o que você está falando.
Onde é que você está buscando?
Eu não vi isso como uma questão de hope,
Deixe-me explicar um pouco o que eu senti.
Olha,
É mais ou menos assim,
Vamos falar de uma coisa pesada que a gente raramente fala.
Tem um monte de gente morrendo e tem uma loteria nessa história,
Tá?
Ninguém sabe quem vai ser marcado para ir embora,
Para desencarnar agora,
E está o tempo todo desencarnando um povo que você diz,
Mas por que ele?
Por que ele e não aquele?
De que jeito?
Como assim?
E isso.
.
.
Lembrando que essa afirmação sua poderia ocorrer em qualquer época da história,
Né?
Claro,
Claro.
Sem dúvida.
Isso é uma verdade sempre,
Mas da maneira como está acontecendo.
.
.
A frequência é muito boa.
Isso acontece de uma maneira que faz todas aquelas explicações simplórias e infantis do nosso imaginário ficarem completamente esgarçadas,
Né?
E tem uma coisa aí que eu acho que é importante a gente poder dizer.
Seja o que for,
Eu pessoalmente sou uma pessoa que usa muito a imagem do karma como uma chave explicativa.
E eu acho que uma coisa que falta falar é que todos nós temos um karma como a humanidade.
Porque nós todos fazemos parte da humanidade.
E às vezes eu acho que é possível que a gente viva e esgote um pedaço do karma coletivo simplesmente por fazermos parte da humanidade.
Se é que vocês entendem o que eu quero dizer com isso.
Então,
Simplesmente,
Talvez,
Alguns de nós vão partir porque é o karma pessoal deles,
Não.
Mas é porque é o karma da humanidade.
E eles estão vivendo um pedaço do nosso karma por nós.
Então é a ideia de que estamos todos tão juntos que nós pagamos essa conta coletivamente também.
E aí é menos importante quem que está pagando.
Você está rindo,
Hugo.
O que você achou?
Eu concordo.
Eu acho interessante você dizer porque em toda essa.
.
.
Em toda essa narrativa,
A gente ainda é o centro da Terra.
A espécie importante do planeta.
E me lembrei de uma cena.
Um dia eu estava flipando canais ali e caí naquele filme do Keanu Reeves,
Que provavelmente é um dos piores que ele já fez.
Chama O Dia em Que a Terra Parou.
Uma refilmagem antiga.
E aí tem um diálogo dele com acho que com a Jennifer Connelly,
Que é a atriz principal do filme.
E que ela diz assim,
Você me disse,
Você me afirmou que você veio salvar a Terra.
Ele diz,
Sim,
Vim salvar a Terra de vocês.
E eu acho que a história toda é que em todas as nossas explicações sobre o que está acontecendo,
A gente é vítima.
A gente é vítima de um complô kármico,
Um complô no universo.
Enfim,
Alguma coisa que não reflita simplesmente o fato de que a nossa ordem,
Talvez,
Na cadeia alimentar tenha sido mal interpretada por nós mesmos.
Eu acho que karma é sempre uma coisa que a gente cria.
Então eu acho que estamos falando da nossa própria responsabilidade nessa história.
A gente estava pensando diferente.
Mas eu acho que você trouxe uma janela muito mais divertida para pensar.
Você mencionou o Dia em Que a Terra Parou.
Você assistiu a final do Fenômeno?
Não assisti.
Como assim?
Não me impuna,
Não me impuna.
Ele merecia até que a gente fizesse todos.
.
.
A gente assistia ao Fenômeno e ele não.
Apesar disso,
Não.
Você seria o pai da conversa sobre o Fenômeno.
Então,
Diga aí o que é o documentário.
É um documentário desses que você assiste.
Procurar aqui,
Inclusive.
Fica difícil você sair do documentário com alguma sensação diferente de,
Ok,
Existem os ETs,
Graças a Deus os ETs existem.
Sem dúvida,
Os ETs estão aí.
Eles,
Para mim,
São mais reais do que muitas coisas sobre as quais nós falamos todos os dias.
E que bom,
Porque aparentemente eles são mais adultos do que nós e nós somos meio patéticos,
Às vezes,
Diante deles.
Então,
Eu vou dar um micro-spoiler.
Você acha,
Snow,
Que é justo um micro-spoiler só?
É,
Eu acho que tem dois micro-spoilers que a gente podia dar.
Tem uma chance muito grande de eu desligar o microfone agora e começar a cantarolar alguma coisa aqui para não ouvir você falar.
Mas eu acho que a gente avisa depois que a gente fez o spoiler.
Tá.
Tá muito bom,
A gente pode desligar o microfone e a gente faz o spoiler depois.
Eu já estou.
.
.
Agora,
Tem uma questão que me preocupa aqui.
Qual?
Porque eu percebo,
Agora me preocupei bastante,
Porque eu percebo que eu tenho este filme comprado.
E aí,
Como você falou que se refere a ETs,
Etc.
,
Eu penso se,
De alguma forma,
Essa informação foi.
.
.
Apagada.
Foi apagada da minha memória.
Quer dizer,
Não podemos só culpar os ETs.
Tem outras coisas que podem ajudar.
Sempre a vítima.
Sempre a vítima.
Não dá para.
.
.
Pode ser os ETs,
Pode ser vinho,
Não sei,
Pode ser.
.
.
Mas eu estou achando interessante o fato de eu tê-la comprado aqui.
Será que eu já assisti isso?
Bom,
Enfim.
Mini-spoilers,
Tudo bem.
Quem sabe incita a minha memória aqui.
Um dos novos,
Um meu.
Vamos ver se você escolheu o mesmo que eu.
Espera aí,
Baby spoilers.
Baby spoilers.
Esse documentário conta de uma forma muito estruturada a maior parte dos encontros com extraterrestres que os humanos já tiveram.
Ele documenta muito bem e ele traz arquivos oficiais.
Enfim.
Acho que a história que mais me tocou,
Que é uma história que.
.
.
Existe uma lenda de que os extraterrestres.
.
.
A maior parte dos lugares em que eles apareceram foi perto de instalações nucleares.
E o principal disclosure,
O principal momento em que essas informações vieram à Terra é quando a Associação dos Repórteres Mundiais trouxeram alguns oficiais que trabalharam nessas instalações nucleares,
Caras do Exército,
Que trabalharam nessas instalações nucleares para contar alguns dos perrengues que eles passaram com presenças de extraterrestres em cima das bases.
E a mais interessante para mim,
Que eu fiquei pensando,
Eu falei,
A gente não sabe nada e a gente está por um fio o tempo inteiro aqui na Terra,
É uma em que na Ucrânia,
Os arquivos do Exército Russo diz que nessa instalação de mísseis de bombas de hidrogênio que podem acabar com o mundo,
Os ETs chegaram,
Ficaram uma hora sobrevoando e ligaram a ativação dos mísseis nucleares e durante 15 segundos ou mais ficou um countdown para que os mísseis fossem lançados,
Disparados.
E de repente,
E os caras lá desesperados querendo parar e não conseguiam,
E de repente a contagem regressiva para de uma hora para outra.
Eu fiquei pensando,
Primeiro,
O desespero dessas pessoas e,
O segundo,
No quanto se a gente toma tudo isso como verdade,
A nossa fina linha vermelha entre a vida e a morte,
Ela é infinitamente,
E eu acredito muito nisso,
Ela é a nossa vida é muito,
Muito,
Muito mais frágil do que a gente imagina.
Eu tenho,
Acho que tem uma cena,
Eu não estou me lembrando agora do filme,
Acho que eu não vi,
Mas tem uma cena do outro que é o.
.
.
Unacknowledged.
Unacknowledged,
Que mostra todas as vezes que a gente tentou fazer testes nucleares fora do espaço,
Aquelas mesmas pequenas luzinhas que fazem os crop circles,
Circulavam as ogivas e caía um foguete,
Não subia,
Enfim,
O teste nunca aconteceu.
E me faz lembrar um pouco também daquela história do Chico Xavier com o Data Limite,
Que até hoje não se sabe se isso aconteceu ou não,
Quer dizer que a gente tinha que essas consciências mais elevadas iam nos dar 50 anos depois da crise dos mísseis de Cuba,
Para ver se a gente não fazia nenhuma outra besteira e,
Se isso acontecesse,
Eles não dariam a oportunidade de ter uma noção da nossa pequenez que nos faria unir como sociedade.
Não sei se você lembra dessa história.
Que teoricamente seria.
.
.
Mas eu sempre imagino a gente aqui como um laboratório e nós somos os ratinhos,
E eu imagino esses caras com umas pranchetas em volta da gente,
Olhando ver quais são as macaquices que a gente vai fazer e falando essa aqui é um pouco demais,
Bota o ratinho de volta aqui,
Que ele estava quase matando outro ratinho,
Ia comer a cabeça do outro,
Ia pular para fora da gaiola.
Eu acho que a gente aqui é um grupo contido que veio para experimentar especificamente uma forma muito densa,
Que esses caras têm que se virar muito para conseguir baixar para chegar na nossa vibração e a gente por isso dá mais trabalho,
Porque o negócio é para ser mais matuto mesmo.
Faz sentido isso aí?
Acho que sim.
Faz sentido,
Agora para mim eu não sei se eu fiquei com vontade de fazer meu baby spoiler ou não.
Ah,
Tem que fazer.
Ah,
Meu baby spoiler é eu gosto de uma cena que tem de aparecer um ET com um disco voador e saíram do disco diante de um grupo de crianças no Zimbábue.
Crianças que estavam no pátio da escola e elas tinham eu acredito por volta de oito anos de idade.
Elas estavam brincando e aparece um ET e vai um grupo de,
Sei lá,
20,
30 crianças a um encontro e chegam a um metro do ET.
E todas elas.
.
.
Quando foi isso?
Em 1994.
E todas elas descrevem com muita precisão e com muita coerência a mesma história.
E você olha para aquelas crianças,
Você sabe que elas não estão mentindo.
Você simplesmente sabe.
Mas o que eu queria contar mesmo era só o último detalhe.
Elas reportam que elas tiveram uma mesma comunicação telepática vinda do ET.
E você sabe qual era o contexto e o teor dessa comunicação?
Tecnologia demais.
Não faz bem.
Menos tecnologia.
Tecnologia não faz tanto bem.
Isso que vocês estão vivendo não é o jeito certo.
E esses pensamentos invadiam obsessivamente as crianças diante do ET.
E depois que o ET foi embora elas lembravam,
Mas passou a esse negócio.
Então era a sensação não é mesmo?
Elas tinham a sensação de ter sido invadidas por esses pensamentos.
E é muito impressionante porque tem um vídeo da BBC feito na época,
Que tem uma das menininhas que está contando e ela fala assim,
Tecnologia é demais.
De repente você.
.
.
E é tão descontextualizado o que ela está falando ali que é muito assustador.
De onde veio isso?
Bom,
Isso é The Phenomenon.
É um documentário do Jamie Fox que vocês encontram na Apple+.
É,
James Fox.
É,
Que é um documentarista,
Se eu não me engano.
E ele só está na Apple americana,
Acho que não está na Apple brasileira.
Mas em breve vai chegar aqui.
E é bem fascinante.
Agora,
Outra coisa que fica ali,
Naquilo que o Gol estava falando que pra mim é bem interessante,
É imaginar qual é o direito que eles se dão de intervir.
Porque a pergunta é assim,
Nesse momento não dá pra dizer que a humanidade está numa grande fase.
Vocês concordam?
Eu diria que nós enchemos a cara de tequila e resolvemos brincar de malabarista num cabo de aço eletrificado que liga dois prédios.
E nós resolvemos que é muito interessante a gente se divertir um pouco fazendo malabarismo e equilibrismo ali naquele cabo de aço eletrificado completamente bêbado.
É mais ou menos como eu vejo a humanidade hoje.
Agora,
Olhando de um ângulo de um ET mais evoluído,
O que não é difícil,
Como é que ele se sente quando é intervir?
Ele vai chegar no último instante e vai dizer,
Vem cá.
Ou ele vai deixar.
.
.
Posso dar um palpite?
Claro,
Se pergunta.
Não há nenhum palpite,
É só uma.
.
.
A gente já discutiu essa possibilidade antes,
Mas eu,
Quando eu trago para o microcosmos da minha vidinha,
Eu fico pensando aqui o seguinte.
Vamos tentar entender esse fenômeno que nós estamos vivendo agora como talvez o catalisador de um processo inevitável que a gente vive em vários aspectos,
Tanto na nossa vida pessoal quanto na nossa vida dentro do planeta.
Então,
Tudo o que talvez esteja acontecendo no prazo de dois anos ou um ano e meio que seja,
Provavelmente aconteceria inevitavelmente no prazo de dez anos.
Então,
Se a gente estiver falando de um lar,
Vai desde uma separação,
De você conhecer melhor os filhos,
Saber quem são as pessoas que estão com você,
Até,
Acho que,
Num aspecto social,
Econômico e geopolítico e tal,
A gente está estendendo agora a corda num lugar que dificilmente a gente vai conseguir olhar e passar.
.
.
E esse processo vai passar desapercebido.
Então,
Acho que o que a gente tinha há um ano atrás quando a gente conversava nos primeiros elefantes de concentração de renda,
Hoje nós estamos pelo menos 30% piores.
As condições de migração e de problemas de migração geopolítica que existiam antes da pandemia,
Acho que,
Sem dúvida,
Quando a gente abrir aí as portas,
Nós vamos ter um movimento migratório,
Principalmente na Europa,
Que é impossível você imaginar que qualquer fronteira segure.
E eu acho que,
De um jeito ou de outro,
Talvez a nossa questão em relação à nossa pequenez diante do planeta como espécie que ainda vai ficar precisando de mais um estágio de aprendizado,
Eu imagino.
E talvez ele venha das consequências dessas outras duas coisas que aconteceram.
Isso é uma coisa que me ocorre sempre.
Eu vejo esse processo como um grande catalisador do inevitável.
Eu queria pegar esse gancho do Gol,
Tentando responder,
Porque eu acho que são catalisadores e são questões que me parece que os nossos amigos que a gente chama de ETs,
Que nós chamamos de ETs,
Eles não se dão o luxo de intervir.
Eles só interviram nas questões nucleares,
Nos mísseis,
Nos mísseis,
Tentaram explodir mísseis nucleares no espaço,
Coisas assim.
Mas indo uma volta para o parafuso do início,
Que você está falando,
Gol,
Dos nossos processos inevitáveis,
Um dos cientistas,
Esse Jacques Vallée,
O cara que mais esteve junto desde o processo lá dos estudos americanos,
Da aeronáutica americana até hoje,
É o cara que mais estudou os fenômenos aí.
Enfim,
É um cientista da ONU,
Enfim,
Um cara muito,
Muito.
.
.
E eu já ouvi duas entrevistas dele em que ele sutilmente fala que,
Eventualmente,
Não são seres extraterrestres.
E que,
Na minha opinião,
Ou na minha fantasia,
Deixa duas perguntas.
Se são seres multidimensionais,
Se é a ideia de que somos nós mesmos no futuro,
Ou se existe na Terra,
Nos oceanos,
Ou em qualquer outros seres que a gente não dê conta e que estão aqui junto com a gente.
Eu adorei isso que você falou,
Porque agora nós estamos começando a ir mais em direção ao tipo de conversa que a gente normalmente teria.
Vamos ver se elas não vão desaparecer do conteúdo.
Eu não sei se tudo isso que você está falando não é a mesma coisa,
Mas.
.
.
É.
Mas eu acho que.
.
.
Quando eu falei do catalisador,
Também eu pensei isso.
Vamos jogar uma pastilha diferente nessa máquina de lavar roupa para ver se ela começa a limpar mais rápido.
E a gente pode colocar logo esse negócio no varal e dar uma branqueada.
Ir para o próximo estágio.
Querendo ou não,
Sei lá,
Tem aí uma.
.
.
Para quem acredita nas questões do céu,
Dos astros e tudo mais,
A gente está aí num movimento de renovação.
O Bi pode falar com mais propriedade.
E não existe uma renovação que não passe por um momento mais escuro.
Pelo menos até onde eu me lembro da história.
Até para você lembrar dela como renovação,
Você só vai lembrar porque ela veio de um lugar pior.
Claro.
Diz,
Bi.
Não,
Acho que você está falando melhor do que eu mesmo conseguiria falar.
E a pergunta é.
.
.
Faz tanta diferença se é espaço sideral,
Se é futuro,
Se é dentro da Terra?
O Trigueirinho fala de civilizações subterrâneas.
Então,
A gente tem todos os lugares,
Esse mesmo lugar numa outra dimensão.
O Larry Schein às vezes me fala das civilizações que tem no nível etérico.
Então,
Em lugares que a gente nem imagina exatamente aqui.
.
.
Nunca vou me esquecer de uma conversa que eu tive com o Larry Schein no aeroporto de Atlanta,
Em que ele me disse,
Enquanto a gente estava exatamente naqueles infinitos corredores carregando nossa malinha de mão.
.
.
Da imigração americana?
Fazendo um trânsito,
Fazendo uma.
.
.
Trocando de voo no aeroporto de Atlanta?
Eles eram confundidos com ciameses,
Só pra você ter uma ideia.
Eles andavam tão colados que eles chegaram a dividir a mesma mala de mão.
Sempre de branco,
Com o gabelinho bem curto,
Ou carecas.
E ele me disse que ele achava que mais provavelmente a humanidade ia continuar sua trajetória no planeta apenas no plano etérico.
Porque nós estávamos atrapalhando tanto a natureza que provavelmente a gente sairia do plano físico e continuaria a nossa evolução só no etérico,
Pra não atrapalhar tanto a natureza.
E eu me lembro que eu fiquei olhando,
Pensando nessa hipótese ali naquele.
.
.
Naquele aeroporto,
Sem saber para que terminal eu tinha que ir depois que ele tinha me dado essa informação.
E até me perguntei,
Será que a gente já está no etérico e não sabe?
Porque onde é que é?
Exatamente.
Eu tive esse pensamento quando eu tive uma das grandes descobertas dessa pandemia,
Que era uma das coisas mais sórdidas que já chegou na minha mão,
Que era um melzinho que vinha com veneno que você colocava onde as formigas estavam invadindo a sua casa e elas levavam esse melzinho inocentemente de volta para o formigueiro e matavam todo mundo lá dentro.
E eu fico pensando se a gente com essas ideias que a gente tem sobre o que está acontecendo não é o mesmo lugar que as formigas estavam antes de eu vir com esse pano macabro na vida delas.
Olha,
De qualquer modo,
Essa renovação que você estava dizendo,
Ela,
Para mim,
Só pode acontecer se ela se manifestar dentro de algumas lógicas da alma.
E eu não estou falando isso do ponto de vista do planeta,
Tá?
Estou falando só do ponto de vista da psique humana.
E uma dessas lógicas mais importantes é a lógica da polaridade.
Realmente,
Nós nunca vivemos tão polares,
Tão polarizados,
Tão expostos aos extremos.
E isso é sempre a marca do auge da doença.
Então nós estamos no momento mais doente dos últimos anos em todos os sentidos e não sei se já chegamos no ápice disso ou não,
Mas o que é sempre muito bacana é perceber como é que esse movimento se transforma em um movimento de cura e renovação.
E é interessantíssimo como isso se dá.
Porque o que acontece?
Os polos opostos ficam criando uma tensão louca e gerando uma espécie de curto-circuito.
De tal maneira que eles acabam se anulando.
Ou seja,
Você não pode ir para a direita porque isso só ativa a esquerda.
Você não pode afirmar a esquerda porque isso só ativa a direita.
Até uma hora em que a energia parece que some e ela retrocede.
E ela desaparece.
E aí parece que ninguém sabe para onde ir,
Todo mundo fica desanimado.
Isso vale para os indivíduos e vale para os grupos.
Você fica desanimado,
Você fica desorientado e tudo mais.
E essa energia que sai da polaridade e vai para dentro e ela estimula a produção daquilo que se chama o terceiro termo,
Que não foi dado até então.
Que é como se fosse a função transcendente.
Vem algo novo que não é nem a esquerda,
Nem a direita,
Nem o em cima,
Nem o embaixo.
É alguma outra coisa.
E essa outra coisa é o caminho da cura,
É o caminho da renovação,
É o caminho do avanço.
Quando você se cansa de uma polaridade,
Quando não faz mais sentido falar em termos daquela polaridade,
Parece que tudo se cala depois de um certo tempo e aí surge um outro tema.
E outro tema é a continuação da história.
A grande pergunta é em que ponto desse quadro a gente está?
Em que ponto dessa evolução nós estamos?
Se nós já estamos perto daquela hora que a polaridade vai se esgotar e vai vir um grande silêncio meio desorientado e a partir daí um novo tema,
Ou não?
Eu,
Se fosse votar,
Eu gostaria muito que viesse um silêncio desorientado agora e os ETs se manifestassem,
Dizendo não,
Nós estamos aqui.
Hoje em dia o nosso entorno virou algo cada vez mais reduzido.
Não sei se dá para falar do mundo com um entorno tão pequeno,
Mas na minha volta eu sinto que todo mundo pirou.
Simples assim.
Simples assim.
Todo mundo do seu jeito,
Com as suas questões,
Todo mundo pirou.
Não tem uma pessoa que continuou normal.
E eu acho que,
O que eu estou querendo dizer com pirar,
É ir mais fundo nas suas neuroses e idiosincrasias e sair desse lugar.
Eu tenho um pouco essa sensação.
E não acho que esse pirar talvez esteja parecendo algo ruim,
Mas talvez seja quase uma libertação para esse algo novo que vem.
Não sei se é um só.
.
.
O que eu percebi muito nessa pandemia,
Respondendo a sua pergunta do começo,
Hugo,
É que eu estou me obrigando a me manter dentro do possível otimista.
Então,
Não sei se esse é meu pensamento e já está sendo influenciado por isso também.
Mas,
Então,
Deixa eu te perguntar uma coisa.
Quando você diz que as pessoas piraram,
O que você quer dizer com isso?
Você acha que todo mundo pirou do mesmo jeito?
Para onde você acha que as pirações manifestaram?
O que você quer dizer?
Então,
Por exemplo,
Pessoas que eu sei que são,
De alguma forma,
Têm muito medo e algumas paranoias com o externo.
Elas estão mais paranoicas num limite de brigar com suas famílias e causar as verdadeiras situações.
As pessoas que são ultra negacionistas e que estão se apegando a negar tudo o que está acontecendo,
Já estão dando abraço e beijo na rua.
Eu vejo que as pessoas estão se aprofundando nas suas próprias questões de um jeito mais acelerado.
E não só questões em relação à pandemia,
Assim,
Eu acho que próprias neuroses,
Enfim,
Questões práticas.
O que eu estou querendo dizer com isso?
Eu acho que tem uma certa,
Talvez,
Eu sinto uma certa libertação em cada um talvez expressar a forma de ser mais instintiva e,
Talvez,
Própria e única.
Não sei,
Talvez,
O resultado de uma.
.
.
Mas será que isso não é aquilo que eu estava chamando da radicalização?
Todo mundo está numa versão mais radical de si mesmo?
É isso que você está chamando de perfeito?
Perfeito,
É isso.
Não é necessariamente ruim.
Sim,
É.
Eu vou te dizer o seguinte,
Vou ser sincero,
Eu não acho que as pessoas estão mais piradas,
Acho que as pessoas são piradas.
Para mim,
Não é um critério.
O que nos leva a crer que é o estado de um catalisador.
Sim,
Sim,
É um acelerador do processo,
É um intensificador.
Tudo está só mais intenso.
Você consegue separar,
Por exemplo,
Grupos.
.
.
Se você estava falando de renovação e cura e tudo mais,
Eu estava pensando até,
Fazendo aqui uma introspecção,
Tentando entender se eu me sinto de alguma forma mais curado ou mais renovado.
E eu acho que,
Para mim,
Sem dúvida,
Do momento que eu saí do lugar de tela e passei para projetor,
Ou seja,
Esse evento passou a ser,
Talvez,
O acelerador de processos que eu tinha que visitar em mim.
E,
Portanto,
A intensidade dele só significava a intensidade do processo que eu tinha que implementar.
Eu acho que quem for com essa ótica tem uma experiência muito diferente de quem vive a ótica da tela.
Com a ótica da tela,
Você vai dançar de acordo com o aparelho,
Com a música,
Se for,
Você vai estar sempre à mercê de como é colocada,
De que fonte você bebe as suas informações ou quanto você quer acreditar nelas e tudo mais.
Tem uma coisa,
Se pensar,
Até ridícula,
Você deixar que um governante diga para você se,
A partir do momento que ele diz que a fase é vermelha,
O vírus passa a ser mais ou menos letal na sua vida,
Ou mais participante,
Ou mais cuidado você tem que tomar.
Na verdade,
As pessoas acabam se comportando de acordo com o que o outro coloca como percepção de medo que ela deve ter.
Mas se você levar todo esse cenário para o instrumento da sua transformação,
Do teu processo de cura e renovação,
É uma ótica completamente diferente e talvez mais útil.
Nesse lugar,
Eu vejo claramente que tem ainda muita coisa para renovar e curar em mim,
Pelo menos.
Mas será que justamente você com isso não está apontando para um dos polos também em algum nível da grande polarização que está acontecendo?
Porque se eu fosse apontar,
Eu falei de polaridades agora há um tempão,
Mas se eu fosse apontar,
Qual é a grande polaridade de todas as polaridades talvez a maior?
Eu diria que é a polaridade entre o coletivo e o indivíduo.
E,
Olha,
A gente tem uma cabeça meio limitada.
Tá,
Mas eu tenho que te interromper,
Porque eu quero te fazer uma pergunta nesse lugar para você não ir para frente,
Sem falar disso.
Mas aí você falou,
Lembra que você disse há pouco tempo atrás,
O mundo,
Sim,
O mundo está enlouquecido,
Né?
Sim,
Sim.
Não sei se foi enlouquecido a palavra que você usou.
Não,
Não,
Eu disse que o mundo está mais doente,
Que está pior.
O mundo está mais doente.
Mas será que a gente pode esperar uma sanidade do mundo antes da sanidade do indivíduo?
Então,
Essa é a grande pergunta.
Essa é a grande pergunta.
Eu não sei a resposta,
Mas eu sei de uma coisa.
Também não é tão simples assim,
Você buscar a sanidade individual quando o mundo está ficando cada vez mais doente.
É um pouco isso que eu estava querendo dizer.
Tá?
Eu estou.
.
.
Isso aí,
Se é um episódio de uma hora,
Já pode colocar para gravar quatro,
Porque nós vamos terminar isso hoje.
Qual é aquela frase do Eric Fromm?
A frase do Eric Fromm,
Não é são,
Você se são.
Então,
Deixa eu explicar,
Pelo menos,
De aperitivo,
Justamente porque eu acho que essa é a grande polaridade.
Eu acho que a polaridade que está muito presente é aquela que,
De um lado,
Coloca você diante desse cenário como tendo que tomar todas as suas decisões e livre para entender dessa história aquilo que você quiser e viver o seu destino,
Com o que eu concordo,
Tá?
Isso é uma dimensão real da história.
Mas,
Por outro lado,
Tudo o que está acontecendo também é um fenômeno completamente coletivo,
Do qual você não consegue sair sozinho de jeito nenhum,
Porque você é parte dessa humanidade inteira e esse vírus é um processo coletivo,
Social.
Então,
Fica aquela história que se expressa de muitas maneiras,
Até na própria história de usar ou não usar máscara.
E fica aquela pergunta,
Por exemplo,
A pessoa que está lá,
Andando por ali,
Sem máscara.
O que isso significa?
Ela deveria ser obrigada a usar uma máscara?
Ou é o máximo da liberdade individual você respeitar que ela prefere não usar máscara?
Por exemplo,
Se eu estou querendo dar um exemplo pequenininho da grande polaridade que me parece a polaridade que ninguém sabe exatamente resolver,
Porque tem um paradoxo.
Porque o coletivo.
.
.
Eu acho que você está falando de duas coisas que eu considero distintas.
Então,
Por favor.
Eu acho que você está falando de opinião versus significação.
E eu acho que sobre o ponto de usar ou não máscara,
Acreditar ou não que aquilo é o caminho,
Se eu devo ou não ter um lockdown,
Se eu acho que tenho que me beneficiar de estar separado do todo,
Acho que isso é uma questão.
.
.
É uma opinião.
Opinião individual que,
Claro,
Acho que é muito difícil a gente conseguir chegar numa cura do todo,
Numa solução para o todo,
Sem pensar individualmente.
Mas eu acho que o significado que cada um dá,
E eu acho que a cura do processo coletivo vem de significação individual de cada um.
E eu acho que essa cura tem que começar no indivíduo.
Se não é a mesma coisa esperar que alguém passe a mão na sua cabeça e diga Bi,
Vai estar tudo bem.
E a partir daquele momento você fica.
.
.
Então,
Então.
.
.
Fiz,
Mas.
.
.
Não.
Não,
Não,
Não.
Não fez sentido,
Fez sentido,
Fez sentido sim.
Mas o que eu acho é dentro dessa conversa.
Primeiro eu só quero dizer o seguinte,
Tá?
Eu peguei esse exemplo,
Não estou tanto preocupado com esse exemplo,
Eu só quero esclarecer o que eu queria dizer assim.
Por exemplo,
Se você pega a maior parte dos países europeus,
Supostamente países desenvolvidos,
Eles não acham que o indivíduo tem que tomar nenhuma decisão importante nesse assunto.
Eles acham que a coisa tem que ser resolvida coletivamente.
E se a regra é A,
A regra é A.
Se a regra é B,
A regra é B.
Então,
Quando é hora de ir pra casa,
É hora de ir pra casa.
Quando é hora de ir pra rua,
É hora de ir pra rua.
E não tem esse negócio de você dar instruções a serem seguidas ou não seguidas.
Existem outros lugares do mundo em que isso parece uma violência inaceitável.
E os indivíduos deveriam ser livres pra ter autonomia,
Pra decidir se eles têm que ficar em casa ou não,
Se eles trabalham ou não trabalham.
Isso acontece em maior ou menor grau em todas as sociedades,
Mas em algumas isso é mais extremo do que outras.
O que eu quero dizer,
Eu estou falando dessa polaridade em termos de como abordar concretamente a situação.
Agora,
Quanto ao que você estava dizendo,
Que era o nível de transformação.
Esquece o problema concreto.
Vamos lá,
Vamos pra parte da evolução.
Vamos pra parte do aprendizado.
Sim,
É claro que o aprendizado individual é o aprendizado maior,
É o aprendizado verdadeiro.
Mas eu vou te dizer o seguinte,
Eu não sei se todas as pessoas têm condições de olharem pra isso tudo como uma experiência de aprendizado.
Eu acho que muitas têm,
E essas vão fazer exatamente isso que você está dizendo,
E eu acho que é exatamente isso que elas devem fazer.
Mas não são todas.
Eu acho que tem muitas pessoas que estão lidando com essa desorganização do que nós estamos vivendo,
Simplesmente de uma forma caótica,
Porque elas não têm estrutura pra tirar significado de uma experiência de falta de ordem.
Eu acho que quando você está falando isso,
Você está o tempo todo falando de um jeito muito legal,
Que eu adoro essa sua maneira de ver isso.
Você olha a vida como se fosse um teste de rochá.
Então,
Quanto menos clara é a imagem,
Mais é uma mancha,
Mais você se sente desafiado a entender qual é o sentido que você está vendo daquela mancha,
Daquele teste projetil.
Você faz isso muito bem,
Você adora fazer isso.
Mas eu acho que muitas pessoas que têm por aí,
Elas olham pras manchas e dizem assim,
Que porcaria,
Não estou enxergando nada.
E elas não fazem esse esforço de tentar tirar um aprendizado próprio disso.
Elas esperam que o sentido venha de fora.
Eu gostaria de fazer apenas uma pequena possível correção,
Embora eu não possa corrigir a leitura que você tem de mim.
Eu só posso corrigir a interpretação da leitura que você tem de mim,
Que eu interpretei.
.
.
Que eu espero que você tenha achado tão respeitosa quanto carinhosa.
Sim.
O que eu estou querendo,
Talvez,
Considerar aqui é que se,
Talvez,
A gente tenha tido uma.
.
.
Se a gente tem um processo que a gente entendia claramente que a nossa sobrevivência como espécie estava ameaçada em progressão geométrica e a nossa evolução como sociedade vinha em progressão aritmética,
Talvez um evento como esse pudesse dar uma chance que a gente pudesse,
Talvez,
Mudar um pouquinho a dinâmica entre essas duas projeções.
E nesse aspecto que eu,
Talvez,
Veja que não importa o quanto diferente seja,
E eu tenho certeza que é,
A oportunidade que cada um tem de dar um significado,
Porque,
Obviamente,
Quem está,
Nesse caso,
Passando fome,
Vai ter muito pouca chance de enxergar qualquer outra coisa que não seja com a absoluta falta.
Mas,
Ainda assim,
No coletivo,
O que eu estou querendo dizer é o seguinte,
Se individualmente algum aspecto,
Mesmo dentro da máxima falta que possa existir,
Não te faça pensar que talvez alguma coisa muito drástica você tenha que significar na sua vida,
Em termos de mudança,
Para que não só a sua vida mude,
Mas que aquele contexto inteiro também podia mudar,
Aquilo,
Certamente,
Vai incorrer no mesmo lugar que o incorreria em 10 anos,
15 anos ou 20 anos,
Para o seu filho,
Ou se não é para a sua geração,
É para a próxima,
Que é o que a gente vinha experimentando antes.
Então,
Sobre esse aspecto,
Eu acho que é claro que você vai me dizer que nem todo mundo vai ter essa parada para tentar dar um significado,
Mas a gente,
Talvez,
Não tenha oportunidade de não usar isso como um grande significado.
Ah,
Não,
Mas,
Sem dúvida,
Eu acho que você tem toda razão de que nós precisamos disso,
Desesperadamente,
Todos nós que somos capazes de fazer isso,
Devemos fazê-lo.
Mas o que me parece fascinante nesse workshop ao qual a gente foi submetido,
Por nós mesmos do futuro,
Debaixo da terra,
Por ETs mais inteligentes,
Não importa,
O que me parece mais fascinante é que,
Ok,
Eu entendi,
Ou eu acho que eu entendi,
Mas o workshop,
Talvez,
Só acabe quando eu,
A partir da minha nova compreensão,
Eu me disponho a interferir no coletivo.
Ou seja,
Não dá para a gente olhar para tudo isso simplesmente como um processo que vai ter um impacto sobre nós.
Então,
A gente vai ter que se voltar e interferir no coletivo diretamente.
Você concorda?
Claro,
Até porque se esse processo de alguma forma te leva,
Seja por a significação ou por qualquer outra forma,
A um estado alterado de consciência,
Alterado em relação ao seu anterior,
E dessa forma você consiga enxergar a perspectiva de que você não está sozinho no planeta como você achava um ano atrás,
A partir daí você,
Indubitavelmente,
Vai se colocar num lugar de entender o coletivo,
O outro como uma parte ou deliria.
Eu não sei em que escala,
Mas todos nós,
Em algum momento,
Vamos ter isso nos cutucando em algum lugar.
Seja pelo amor ou pela dor,
Pelo fato de,
Daqui a pouco,
Você ter 25% de desempregados no mundo invadindo os pequenos feudos que nós criamos para nos proteger.
É isso mesmo.
Posso fazer uma pergunta para vocês?
Por favor.
Bi,
Você falou dessa ideia de algumas pessoas não vão encarar isso como um processo de aprendizagem,
Que elas não conseguem,
Não têm uma estrutura psicológica para se organizar.
Fico pensando se para essas pessoas,
Como é que é essa pandemia,
No sentido de que talvez essa pandemia seja apenas mais um dos problemas da vida que elas enfrentaram e continuam enfrentando?
Talvez esse sofrimento seja menor?
Isso que o Gol falou dos 25% das pessoas desempregadas.
Se boa parte dessas pessoas que não conseguem se organizar não estão no meio dessas pessoas que,
De alguma forma,
São,
De fato,
Vítimas desse sistema.
Não é que se colocam como vítimas,
Mas elas são vítimas desse sistema.
E se da parte delas,
De fato,
É possível elas entenderem que,
Se elas têm alguma margem para olhar e falar tem um aprendizado aqui,
Porque talvez a melhor coisa que elas possam ter é,
De fato,
Essa ignorância em relação a essa organização e esse aprendizado talvez seja uma dádiva nessa situação.
Não?
Eu vou dar a minha impressão pessoal.
Não vou te dizer que isso é uma opinião fechada na minha cabeça,
Mas a impressão que eu tenho é um pouco diferente do que você falou.
Eu acho que é assim.
Para mim,
Uma grande separação é aquela que existe entre pessoas que já chegaram no ponto na evolução delas,
Na trajetória delas.
E isso daí tanto pode acontecer por causa de uma idade que você já atingiu,
Como de uma oportunidade de vida que você teve.
De chegar no ponto de entender que você dá o sentido para a tua experiência.
Eu acho que ainda hoje em dia,
Isso é uma verdade para uma minoria das pessoas.
A grande maioria das pessoas recebe o sentido de fora.
O sentido para elas é dado.
E eu acho que tem uma quantidade enorme de pessoas que recebem o sentido do mundo,
Não questionam esse sentido,
É inocente no sentido de ser ingênua em relação ao sentido recebido e simplesmente espera viver a vida dentro desse sentido que recebeu desde pequeno.
Então não entra nesse outro grupo daqueles que eu tenho que encontrar o meu sentido para isso que está acontecendo.
E eu acho que para essas pessoas,
Quando o mundo se desorganiza,
A vivência,
Para além da dificuldade concreta,
É de perda de sentido.
É como se o jogo tivesse parado e elas não têm nenhum treinamento,
Nem nenhuma expectativa,
Nem a estrutura de isso significa que eu tenho que criar um sentido.
Então,
A impressão que eu tenho por observação,
Não estou desenvolvendo nenhuma teoria sobre isso,
Mas a impressão que eu tenho por observação é que para essas pessoas o cenário é de desespero.
Então uma coisa é a desorganização,
O caos,
E você saber que é você que tem que dar o sentido para as coisas.
E outra coisa é a desorganização,
O caos,
Para quem nunca se deu sentido para nada.
Então eu acho que o sofrimento dessas pessoas é maior.
E mais do que nunca,
Quando o cenário é um cenário desse tipo,
As pessoas que conseguem ser portadoras de um sentido individual,
Elas passam a ter um dever coletivo.
Porque o sistema ruim,
Péssimo,
Medíocre,
Ridículo,
Funcionante,
Pelo menos oferece algum sentido para essa grande maioria das pessoas.
Quando o sistema para de funcionar e pisa,
Eu acho que a maior parte dessas pessoas fica completamente desorientada.
E aí a gente passa a ter que intervir de uma forma mais ativa sobre isso.
É a impressão que me dá.
Isso é muito pessoal.
Eu estava me lembrando aqui de um.
.
.
Eu não vou lembrar do documentário,
Mas vocês vão lembrar da cena.
E eu acho que o mundo basicamente vem se desenhando,
Principalmente desde o início do século passado,
Com toda certeza,
Evidentemente,
Dentro de um grande jogo de banco imobiliário.
E vocês se lembram que.
.
.
Agora não estou me lembrando qual é o.
.
.
Acho que o documentário que mostra a transformação das pessoas.
Eles colocam grupos divididos entre só duas pessoas jogando banco imobiliário.
E como as pessoas que estão no jogo vão se transformando em termos de personalidade durante o jogo.
E o fator preponderante,
Você sabe,
Na técnica para você ganhar o jogo do banco imobiliário,
Sabe qual é o fator preponderante?
Não.
Quem inicia o jogo ganha 78% das vezes,
Pelo menos.
Então,
O que acontece?
Dentro desse quadro,
E eu estou querendo traçar um paralelo aqui só para dizer o seguinte,
A gente herda um mundo onde ele é dividido entre quem começou o jogo primeiro e quem está atrás.
E muitas dessas pessoas que começaram o jogo primeiro,
Dos quais a gente não pode se excluir,
Claro que não vou falar das qualidades individuais mas,
De uma maneira geral,
Fazendo uma comparação bem grosseira,
E as pessoas nesse experimento que o documentário mostra,
Eu vou lembrar depois qual é,
Elas vão começando a acreditar que elas realmente são muito mais espertas do que o cara que está jogando na frente dela e que está perdendo tudo.
E começa-se a nutrir de uma arrogância diante do outro,
E realmente ilustra muito bem esse lugar onde os protegidos por terem começado o jogo antes tratam o resto do jogo,
O resto dos participantes.
E não é por competência,
Porque começou o jogo antes e realmente é muito difícil de virar esse jogo.
Por que eu estou dizendo isso?
Porque eu acho que a gente,
De um jeito ou de outro,
Está dentro de um contexto que vai precisar de um despertar de quem saiu na frente do jogo de que a natureza do jogo é essa,
E que ele não vai mudar sozinho nunca.
É,
E que se a gente quiser,
Já que o jogo talvez não esteja mais funcionando nem como funcionava,
Não que ele fosse o jogo mais perfeito do mundo,
Se a gente quiser fazer alguma coisa,
A gente talvez tenha que aproveitar esse caos para tentar pensar em como fazer um outro jogo.
Porque você lembra da outra história?
É o seguinte,
No final do jogo,
A única coisa que você lembra é que as peças.
.
.
Isso está no Zeitgeist.
Zeitgeist.
Zeitgeist.
Aquela história do rapaz que a avó ensinou ele a jogar e que ele tem que ser um jogador implacável no jogo de Monópolis,
Que é o Banco Imobiliário,
Mas que ela lembra ele no final que as peças sempre voltam para a caixa.
Então,
Para que a gente,
Como civilização,
Não tenha todas as nossas peças voltando para a caixa do zero,
A gente vai ter que ter um movimento onde,
Por mais que um cara saia na frente,
Como nos Estados Unidos,
Por exemplo,
Com as vacinas,
Em algum momento ele vai ter que se dar conta que ele nunca vai estar inteiramente protegido enquanto o resto do mundo estiver vacinado também.
Sim,
Sim.
E isso é só um microcosmo dessa visão,
Entendeu?
Claro.
Você começou a conversa hoje me perguntando qual era a grande descoberta que eu tinha feito com essa pandemia.
Eu não sei se eu fiz uma grande descoberta.
Eu sei que essa pandemia,
Para mim,
Me deu uma grande provocação e um grande desafio que eu ainda não sei responder.
Então,
Se isso vale como uma descoberta,
Ainda que seja uma descoberta pelo avesso,
Eu tenho uma,
Sim.
Você me conhece bem.
Você sabe que eu passei praticamente a minha vida inteira preocupado em ajudar os indivíduos.
E essa sensação que me invadiu de que o indivíduo que eu acho que está pior não é nenhum indivíduo que eu conheço,
Mas é o próprio mundo que me levou para um questionamento que ainda não soube resolver,
Mas que não sai da minha cabeça em nenhum momento.
E pelo mundo eu faço o quê?
E eu estou tentando descobrir.
Eu vou te dizer,
Quando você falou a primeira vez no início da conversa essa afirmação,
O que me veio à cabeça é o seguinte.
Talvez essa sua impressão venha do fato de que a maioria das pessoas que tem esse problema não estão no seu espaço amostral,
Porque as pessoas que estão no seu espaço amostral se dão conta de que querem,
Que precisam de ajuda.
E as pessoas que você entende como os doentes são aquelas que ainda não sabem que estão doentes.
É um pouco isso,
Mas eu não sei se o que eu vou dizer é lógico ou é só subjetivo.
Mas a impressão que eu ainda tinha até antes da pandemia é que,
Com todos os defeitos,
O mundo estava indo do jeito dele.
E ele parecia ainda muito confiante de si mesmo.
Então eu não olhava o mundo do jeito que eu estou vendo o mundo hoje.
Eu estou vendo o mundo na UTI.
É como se antes da pandemia o mundo estivesse com todos os defeitos,
Mas,
Ah,
É subjetivo isso que eu estou dizendo,
Tá?
Mas é como se ele estivesse lá,
Então deixa ele lá funcionando do jeito dele.
Agora eu acho que ele está nas cordas.
Talvez essa seja a diferença predominante,
Porque eu me lembro que a primeira vez que a gente se encontrou eu disse,
A nossa conversa foi justamente e isso eu acho que fazia uns,
Sei lá,
Sete anos?
Oito anos?
Seis anos?
Não sei,
Sete anos por aí.
Você lembra da nossa primeira conversa?
De trechos,
Mas eu não lembro dela toda.
Que trecho você está pensando?
Eu acho que o trecho principal eu falei pra você,
Eu estou em um cômodo muito grande porque eu acho que o mundo está na UTI e não sabe aí.
Você falou essa expressão?
Eu desenhei na sua lousinha Eu desenhei na sua lousinha e você me disse,
Sim,
Mas você não pode viver assim.
Interessante,
Olha só.
Eu precisei de uma pandemia pra olhar aquilo que você me dizia,
Não como não como uma questão a ser vivida individualmente.
Ainda bem que você tem paciência comigo,
Eu aprendo,
Eu mudo.
Mas não é necessariamente,
Não tem nada de bom nisso que eu estou falando.
Na verdade,
Algumas pessoas sofrem com o sintoma e as outras sofrem com a possibilidade do sintoma.
É a única diferença.
Umas sofrem mais tempo,
Outras menos.
Pode ser.
Pode ser.
Mas uma coisa que eu estou percebendo muito que é interessante também,
Que eu acho que desse ano de nossas conversas e você me responde,
Bi,
Porque você era o nosso arauto da esperança e do otimismo aqui dos elefantes.
Eu não sei se eu estou captando errado,
Mas quando você fala que o mundo está na UTI a parte de mim que se apega à parte de você que é otimista eu fico um pouco desesperado.
Calma,
Calma.
Então pera lá.
Mas você pode agora se juntar à minha parte que é otimista.
Exatamente.
Mudou tudo.
Um ano tudo mudou.
Veja,
Veja,
Veja.
Primeira coisa importante dizer.
Eu continuo me sentindo otimista,
Tá?
Por uma razão simples.
Porque eu vejo os processos e os padrões de crise e de transformação e eu continuo achando que eles levam a algum lugar melhor,
Tá?
Então isso sem sombra de dúvida.
Agora,
Se a gente está prestes a melhorar ou se a gente vai ter que piorar ainda bastante antes de realmente transformar para algum lugar muito melhor,
Eu preferia até que o gol desse a sua opinião do que eu dar a minha.
Então o que eu quero dizer com isso é não dá para eu virar para vocês e dizer ânimo,
Garotos,
Que já,
Já vai ficar tudo bem.
O meu otimismo funciona de um outro lugar.
Claramente,
Eu confesso para vocês que quando começou a pandemia eu não esperava que ela durasse tanto tempo.
Eu não esperava que um ano depois nós estivéssemos nesse lugar onde nós estamos.
Tá?
O que não significa necessariamente que o final do filme não vai ser feliz.
Significa apenas que o enredo é mais intrincado e mais difícil do que eu esperava quando ele começou.
Continuo achando que nós podemos progredir com isso.
Continuo achando que nós estamos olhando para problemas que nós precisávamos olhar mesmo.
E como diz o Gol o tempo todo,
Isso é um grande catalisador da nossa evolução.
Então,
Não estou menos otimista em relação a isso.
Que nós vamos evoluir porque nós precisamos evoluir.
Agora,
O que me parece também é que esse processo de evolução envolve conflitos que ainda estão longe de terminar.
Então,
Nesse sentido,
Eu não espero que em breve venha a paz magicamente e tudo fique melhor.
Eu acho que realmente essa nova fase que vai vir,
Ela vai envolver ainda alguns conflitos importantes.
E que são inevitáveis e que são até bons de acontecer.
É só isso.
Mas,
Assim,
Não existe como ser terapeuta e não ser otimista.
Eu acho que é uma questão estrutural aí.
Então,
Fique tranquilo.
Eu acho que talvez.
.
.
Talvez o meu.
.
.
Eu vou explicar,
Então,
Rapidamente,
De onde possa vir o meu otimismo.
Para você até ver,
Gol ou os nossos,
Você acha que vale a pena ficar nele ou se vale a pena ficar pessimista.
Mas,
Eu acho que o meu.
.
.
A minha angústia,
Talvez,
Do passado e que eu compartilhava com o Bi,
E compartilhei com você tantas vezes também,
Era muito mais daquela sensação que é muito bem documentada naquele filme Big Short,
Que eu não sei qual é a tradução em português,
Que é o filme que conta a história da crise de 2008,
De como as pessoas que estavam enxergando aquele processo quase que inevitável do cataclisma no mercado imobiliário americano,
Mas estavam enxergando um pouco antes,
Viveram,
Viviam muita angústia de que as outras pessoas talvez não se percebessem daqui.
E eu acho que,
De certa forma,
A gente compartilhava muito a angústia de um paciente que era uma sociedade que estava doente,
Mas não estava doente o suficiente para poder ir visitar um médico,
Ou não se enxergava doente o suficiente.
E eu acho que,
Hoje,
Uma doença,
Uma mudança que dificilmente não passa por um ator,
E que eu não via em momento nenhum onde o que podia dar início ao processo,
Ao ciclo de mudança,
Ela hoje é inevitável.
Ela pode demorar cinco anos para começar,
Dez anos,
Mas ela é inevitável.
Ela tem uma data para acontecer,
Um período onde ela vai ter de acontecer de qualquer maneira.
E ela já começou.
Ela pode levar mais tempo,
Mas ela já começou.
E é aquela história que tem um ditado que diz muito bem.
Eu não acho que a gente.
.
.
Eu acho que o terror sem fim ou o final trágico,
Eu não acho que a gente está em nenhum dos dois.
A gente tem uma sensação hoje de terror sem fim,
Mas eu acho que a gente estava indo indubitavelmente para um final trágico.
E o que tem no meio desse caminho é justamente consciência.
E a gente tem,
Quando eu digo em significado,
Se eu amanhã por acaso empacotar,
Que está aí dentro do espaço mostrando como perfeitamente possível,
Como sempre existiu,
Talvez eu empacote 15% mais consciente do que eu estava um ano atrás.
Isso.
E em cima disso,
Eu só acrescento o seguinte.
Nem por um instante me ocorre que algum de nós está vivo aqui agora inadvertidamente.
De algum jeito,
Todo mundo comprou esse pacote para ver esse filme e ainda que eu não possa provar isso,
Eu estou convencido de que é assim que se vive melhor.
Tem uma coisa que o Nietzsche sempre falava,
Tem uma expressão bonita,
Que é amor fati,
Que é a ideia de que você precisa amar o seu próprio destino.
Você tem que olhar para aquilo tudo que está acontecendo como a melhor coisa que poderia te acontecer,
Não no sentido de que,
Ai que lindo,
Mas no sentido de que você afirma quem você é em função do destino que você tem.
E você tem no seu destino a única oportunidade que você tem de descobrir e expressar a tua identidade.
Então,
Desse ponto de vista,
Um destino como o que nós estamos vivendo é tão bom quanto qualquer outro.
E o nosso desafio é aprender a amá-lo.
Então,
Um ano depois,
O convite que o Nietzsche faz para todos nós,
Vindo lá do além,
Onde quer que ele esteja,
Debaixo da Terra,
Dentro de uma nada espacial ou reencarnado em algum lugar,
É que precisamos aprender a amar o que foi esse ano de pandemia.
Wow!
Tough love!
É,
Tough love.
Sem dúvida.
Eu estou com a energia da floresta.
É.
.
.
Símios,
Araras,
Tucanos.
.
.
Olha,
Não é por nada,
Mas baixou claramente em você um Oxóssio.
Hoje você está possuído por Oxóssio.
Tem um claramente esse.
.
.
Eu amo as consequências de Oxóssio e com São Francisco de Assis.
Ontem eu recebo um daqueles vídeos que.
.
.
Depois eu quero guardar o nome desses cidadãos para visitá-los pessoalmente.
Esse dizia o seguinte.
.
.
Esse mês começa uma.
.
.
Esquece a pandemia anterior.
Começa uma nova pandemia.
Do zero.
Onde não serve nada,
Não serve vacina,
Não serve imunidade,
Não serve nada.
É,
Porque do P1 todo mundo fala.
É esse cara,
Mas é um mala,
É um apocalíptico.
É,
Exatamente.
Inclusive,
Acho que o canal dele chama não sei o que.
Eu recebi isso ontem também.
É.
E eu ouvi uns 30 segundos e falei puta que pariu.
Onde que esse cara pode enxergar que ele pode estar fazendo alguma coisa de positivo?
Ele está teoricamente fundamentado em alguma ciência e ele poderia falar aquilo tudo de uma outra forma.
Mas o Deira dele é Spot on.
Agora é esse cara de ontem.
E eu recebi.
.
.
E eu recebi num grupo que todo mundo estava falando pessoal,
Não saiam de casa e eu falei,
Gente,
Tudo bem.
Acho que é isso aí.
Pelo amor de Deus.
Outra coisa,
Não existe como cara hoje,
Não existe tempo de teste suficiente para você dizer,
Como ele disse,
Que quem tem anticorpo,
Seis em cada dez das pessoas que tem anticorpo vão ser contaminados.
Cara,
Anticorpo é a mesma coisa de você dizer que você tem gasolina no tanque.
No dedo você pode ter tanque cheio.
Mas aí é que está.
Mas é isso que eu estou dizendo,
Que essa verdadeira crise que nós estamos vivendo é a crise da informação.
Nós estamos aqui vivendo talvez a primeira crise global da informação.
E falta dizer isso.
O que é um vírus que não um fragmento de informação biológica?
Mais do que isso.
Eles estão revendo que é vida através do vírus.
Porque com o vírus eles não sabem mais dizer o que é vivo e o que não é.
Pois é.
Vocês sabem,
Tem um livro novo do Walter Isaacson,
Que é um cara bem cabeça.
É um novo livro dele,
Ele fala dessa.
.
.
The Coded Mind.
Exatamente.
E o que eu acho importante,
Ele fez uma síntese para não esquecer.
Ele disse que nós passamos da era do átomo,
Que é o primeiro tipo de unidade,
Para a era do bit.
E agora a gente está passando do que foi a era do bit à próxima era vai ser a era do gene.
Do gene?
Do gene.
É bem interessante pensar nesses termos porque nós hoje falamos da grande ameaça que era a guerra atômica e a tecnologia nuclear e tudo mais,
Os ETs que vieram nos avisar e talvez nos salvar das guerras nucleares e tudo mais.
No momento nós estamos precisando que os ETs nos salvem das guerras dos bits.
Porque nós estamos vivendo a grande crise do excesso da informação errada,
Da fake news,
De todas as manipulações e maus pensamentos transformados em comunicação.
E francamente antes das pessoas aprenderem a pensar não é verdade que elas deviam estar soltando flatulências mentais pelo cosmos o tempo todo mas de todos os lados.
E agora a gente vai entrar na era do gene.
É engraçado que a era do gene esteja prestes a entrar.
Ela começa com o arauto desse material genético.
Nesse coronavírus mostrando que depois do átomo veio o bit e depois do bit vira o gene.
Engraçada essa imagem do Isaacson.
Eu acho que ela tem futuro.
Realmente.
E com todas as questões que isso traz também,
Né?
Todos os bits que trouxeram pra nossa.
.
.
Todas as questões éticas todas as questões mentais E agora com o CRISPR que é essa tecnologia de mudar os genes à vontade a questão próxima vai ser qual vai ser o limite do que é vivo e do que não é vivo do que é lícito e nunca é lícito e aí a simulação vai se revelar definitivamente como uma simulação e não vai ter mais jeito.
Conheça seu professor
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