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#40: Vacinando a Alma - Incondicionais

by Elefantes Na Neblina

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Neste episódio, falamos sobre o quanto nosso ego poder "gosmento", o poder do não-saber e sobre nossos amores, condicionais e incondicionais. Sobre os Elefantes na Neblina: Três amigos conversam. Um mundo em constante mutação. Buscando jogar alguma luz sobre assuntos grandes, muitas vezes incômodos. Conversando sobre o que é ser um humano em nossos curiosos e complexos tempos. Esperamos que gostem!

Transcrição

Amigos que gostam de conversar em tempos interessantes,

Incertos,

Implacáveis.

Com o futuro suspenso e o passado cada dia mais distante,

Estamos aqui estacionados na condição humana,

Na tentativa de fazer uma nova vida funcionar.

Cada dia é um passeio na neblina,

E os elefantes estão soltos.

Não usamos nomes,

Porque somos nós e somos ninguém,

O que importa é a conversa e a vontade de gerar alguma luz.

Sim,

Na verdade,

Todos os assuntos dessa semana,

Eles estão me levando para o mesmo lugar e eu não sei se é por sincronicidade ou se é por obsessão,

Mas,

De qualquer jeito,

Eu acabei até tentando entender um pouco melhor essa questão que é tão complexa para mim,

E a gente estava discutindo outro dia,

De onde essas questões de caminhos espirituais ou de opções de caminho espiritual encontram a psicologia e onde a psicologia ajuda a explicar esses caminhos.

E eu me deparei com essa questão em especial,

Que a gente chama de entrega e que,

Teoricamente,

Até algumas interpretações bíblicas que eu ouvi se referem à tentação que Jesus menciona na Bíblia,

Como sendo essa crença que somos um corpo vitimado por forças fora do nosso controle e que somos sempre suscetíveis às forças externas e tal,

E aí acho que até tem uma das questões que a gente acaba se deparando quando a gente vê o que diz o Joe,

Se a gente vive uma relação de causa e efeito,

Onde o externo influencia o interno,

E aí vem todos os estudos de psicologia em cima disso,

Ou se é o que a gente ouve,

Essas correntes novas que,

Na verdade,

O interno que cria o externo.

E provavelmente são as duas coisas,

E acho que é nesse momento que eu te pergunto o seguinte,

Quando eu acabo entrando nesse livro do David Hawkins,

Que é um livro mais antigo,

Acho que de 1995,

Que é um dos primeiros livros que fala mais dessa história do let go,

E é o primeiro cara que entra um pouco na parte de psicologia,

Mas ainda assim,

Eu não achei que,

Eu acho que tem uma armadilha em especial que eu queria perguntar para você,

Como é que você ajuda a enxergar,

E não para tentar sair daqui com uma técnica,

Mas mais para entender,

Porque eu acho que para mim é uma armadilha muito comum,

Que é o seguinte,

Quando você se depara,

Teoricamente,

Com uma situação onde aquilo te gera uma emoção,

E normalmente,

Diria lá o seu amigo Singer,

Que teoricamente ali tem a opção de resistir,

Ou deixar aquilo passar por você,

Parece um negócio muito simples,

Mas para mim é de uma complexidade ímpar,

Até porque nesse momento onde você se deparou com aquele sentimento,

E você não deixa nenhum pensamento estender o sentimento,

Diz o Hawkins que você percebe uma energia,

E você fique com essa energia até que ela se dissipe.

E aí a minha pergunta para você é o seguinte,

Nesse processo que a gente chama,

Enxerga ou entende como dissipar da energia,

Como é que eu sei que eu não estou,

Na verdade,

Indo para um lugar de supressão ou de repressão,

E guardando isso em alguma outra caixinha que depois vai estourar na minha cara?

Esse,

Para mim,

Acho que é o lugar onde fica a maior confusão,

E aí eu gostaria de ouvir de você a tua opinião.

Olha,

Meu querido Go,

Para começo de conversa,

Para mim também esse é o ponto de maior problema,

Justamente.

Em geral,

O que a gente observa é o seguinte,

Essa energia emocional,

Ela não é sempre a mesma.

Melhor resposta que eu posso te dar é que,

Quando você está diante de uma reação emocional,

Basicamente isso significa que você está diante de alguma coisa que você não controla e você não domina,

E que tem um componente de novidade para você ou de mistério,

Tá?

Então,

Olha só que interessante,

Quando você está no teu processo de amadurecimento,

Você vai,

Por exemplo,

No teu primeiro dia de trabalho,

Você bota uma roupa de trabalho e você vai no escritório ou qualquer coisa assim,

Você vai com uma emoção intensíssima,

Você não sabe nem se você vai aguentar.

Agora,

Há pouco você estava contando de um encontro que você foi,

Em um cenário que você não está acostumado,

E rapidamente a tua camisa estava molhada de suor,

E isso era energia emocional.

Agora,

Com a passagem do tempo,

Você cresce dentro da experiência,

Você integra ela e ela não te provoca mais emoção.

Isso se chama crescer.

Então,

A grande pegadinha é que,

De fato,

Quando você evolui em relação ao tempo,

A emoção não é que ela gasta,

Ela não se manifesta mais.

Agora,

Quando a emoção veio,

Você tem que entender ela como um presente para a tua evolução,

Não como um inimigo.

Tá,

Isso fica muito claro,

Acho que.

.

.

Vamos falar de uma coisa um pouco mais simples de perceber,

Vamos pensar de um ataque verbal.

Tipo que você sofre um ataque verbal absolutamente inesperado,

Ou até o pior deles são os esperados,

Porque eles já têm um padrão de funcionamento e eles vão sempre te mexer no mesmo lugar.

Nesse momento que você normalmente engajaria numa dinâmica qualquer,

Que é preciso mudar essa realidade,

Você vai entrar num pensamento de culpa ou de medo,

Alguma coisa que te diga que você tem que mudar aquela realidade.

A opção do crescimento seria você aceitar aquilo,

Mas esse aceitar,

Como é que ele não é uma repressão?

Como é que eu consigo transformar ele em uma coisa que eu não esteja só guardando?

Então,

Eu fui atacado,

Eu me observo,

Eu vejo essa energia,

Eu percebo os pensamentos,

Aquilo,

E eu,

De alguma forma,

Aquilo eu não reagi,

Eu vou para um outro lugar,

Paro de falar,

Enfim.

Faço alguma coisa que quebra o padrão habitual.

Como é que eu sei que eu não estou,

Na verdade,

Crescendo alguma coisa,

Alguma coisa no psiquê que vai explodir na frente?

Então,

Isso daí,

Por incrível que pareça,

Temos uma resposta simples.

A pergunta é fundamental,

É fundamental.

É assim,

Surgiu uma energia enorme,

É como se ela fosse força,

Tá?

Uma força,

Ela tem que ser usada.

Então,

Você gasta ela se ela se transforma em algum tipo de trabalho,

Tá?

Se você simplesmente pega aquilo e você vai até um ponto em que você não está sentindo nada,

Muito provavelmente você suprimiu ou reprimiu.

Então,

Por exemplo,

Se algo te irritou,

Você pode pensar furiosamente,

Escrever várias páginas e chegar em várias conclusões.

Você pode ir num saco de areia e socar o saco de areia.

Você pode correr cinco quilômetros.

Você pode telefonar para um amigo e falar duas horas a respeito do assunto.

Você pode discutir com a pessoa até ficar rouco.

Você usou a energia.

Agora,

Se alguém te irritou muito e você simplesmente vai e faz exercícios de respiração até tentar sair desse lugar,

Isso provavelmente significa que você está suprimindo aquela energia.

E provavelmente você não está avançando assim.

O que eu noto muitas vezes,

E essa é uma história que para mim pega bastante,

É que,

Por exemplo,

Em culturas orientais,

A gente estava falando um pouco disso,

Em culturas orientais,

Certas emoções são muito mal vistas e ameaçadoras.

Então,

Por exemplo,

Para um tibetano,

Ficar furioso é uma forma de loucura.

Na cultura deles,

Só uma pessoa profundamente desequilibrada fica com raiva.

Então,

É claro que para eles,

Quando eles sentem essa emoção,

Eles imediatamente pensam na loucura que está por trás disso,

Assim,

Deixa eu organizar meus pensamentos,

Deixa eu me equilibrar,

Deixa eu sair da loucura.

Agora,

Para nós,

Na nossa cultura,

Quando a gente fica bravo,

É diferente.

A gente fica bravo porque teve uma frustração ali.

E essa frustração significa que a gente quer uma relação com o exterior diferente daquela que está acontecendo.

E isso tem um potencial criativo enorme.

Eu não conheço ninguém que seja muito criativo que não tenha com frequência esses estados de braveza,

Porque,

Se você é criativo,

Você está desconfortável com o que está acontecendo.

Você está desconfortável com o que está acontecendo,

Não é,

De certa forma,

Você se opôr à própria criação?

Olha,

Como é que eu enxergo essa história?

Eu acho que são camadas.

Eu acho que funciona assim,

Pelo menos é como eu me explico.

Eu acredito que,

Quando a gente vai evoluindo,

A gente vai criando uma consciência mais neutra,

Mais testemunha da história.

Mas as outras partes da gente,

Elas continuam e devem continuar vivas.

Então,

Por isso que eu acho sempre engraçada aquela coisa que o Hamdas fala,

Que é quando você acha que está muito evoluído,

Então fica uns meses na casa dos teus pais para você ver como você está evoluído.

O que ele está querendo dizer com isso é que a nossa parte filho vai reagir emocionalmente muito mais rápido do que a gente consegue pensar,

Porque tem uma questão cerebral.

Então,

O sistema límbico vai atuar muito antes do teu neocórtex budista conseguir fazer alguma coisa a respeito.

E aí,

É meio engraçado se você fica assim,

Nossa,

Fiquei irritado de novo com a minha mãe,

Que vergonha,

Que vergonha.

Om Mani Padme Hum,

Om Mani Padme Hum,

Om Mani Padme Hum,

Entendeu?

Eu acho que não é esse o ponto.

A gente fica muito melhor se a gente olha budisticamente para a nossa parte,

Com raiva,

E como diz aquele Thich Nhat Hanh,

Você embala o bebê bravo que está chorando nos teus braços.

Então,

Você não tem que negar a expressão daquilo,

Você tem que entender que é uma parte de você,

Diferente da parte budista ou da parte evoluída,

Que consegue entender que ficar bravo é uma bobagem,

Mas,

Ainda assim,

Você fica.

Não sei se isso fez algum sentido.

Posso trazer uma historinha que aconteceu comigo,

Que até faz tempo que estou querendo contar para vocês.

Eu estava fazendo aquele curso do Rebel Wisdom,

Sobre Science Making 101,

E eles trouxeram um mestre zen budista lá,

Que é um tal de Do Shin,

Que é um cara razoavelmente famoso,

Que faz um trabalho de sombras.

Ele falou uma coisa que,

Inclusive,

O Larry B falou semana passada,

Que é impossível você trabalhar uma sombra sozinho,

Que você tem que fazer a fricção,

Que não é meditação.

Para você conseguir trabalhar uma sombra,

Você tem que ter uma outra pessoa,

Você tem que ter o outro ali para te ajudar a ver isso,

Enfim.

E ele,

Em teoria,

É um mestre zen que trabalha sombras.

Daí,

Na hora que começou a parte de perguntas e respostas,

Uma pessoa virou para ele,

E depois de uma hora,

Não,

Acho que depois de uma meia hora que ele estava falando,

O cara virou para ele e falou assim,

Olha,

Do Shin,

Eu acho que você só falou platitudes,

Eu acho que você não falou nada que agregou,

Você não trouxe nada que agregou,

Você não falou nada que agregou,

Você não trouxe nada de prático,

Mais meditação,

Enfim.

Eu acho que,

Mais uma vez,

A gente ficou só na parte de dizer coisas vagas.

Enfim,

O cara trouxe um questionamento para ele muito equivocado por um aspecto.

O que aconteceu na sequência me assustou muito,

Porque este cara deu um samurai na cabeça desse cara que eu nunca vi na vida.

Ele falou,

Meu amigo,

Eu faço isso aqui há 30 anos,

Eu já fui,

Eu fiz isso,

Eu fiz aquilo,

Deu uma carterada no cara,

Coisa que eu jamais esperaria de um monge budista,

Em plena,

Tinha 200 pessoas online,

E falou,

Isso é uma projeção sua de algo que você está projetando em mim,

Você não está utilizando o canal correto,

Então,

Ele falou basicamente assim,

Volta para casa,

Vai estudar e depois fala comigo.

Abriu um sorriso no rosto e chamou outra pessoa para perguntar.

Mas é assim,

Eu nunca vi um samurai tão bem dado,

Eu achei até um pouco rude,

Me pegou um pouco.

Foi meio explosivo,

Não foi?

Foi meio explosivo.

Esses caras,

Aliás,

Tem uma tradição zen sobre isso,

Mas não é só isso,

Você pega esses caras mais mestres,

Tem um monte de anedotas deles ficando bravos,

E a característica é,

Eles vão de zero a 100 como se fosse um Tesla.

Então,

É assim,

Eles estão ali,

Calma,

De repente,

Em dois segundos,

Eles estão numa fúria master,

E aí eles dão a desacorçoada no cara,

Eles explodem,

E depois eles voltam,

Na mesma velocidade eles freiam e mudam a chave.

E é esse o negócio.

Então,

Eles não seguram aquela energia,

Eles põem aquela energia,

Não brigam com a energia,

Eles deixam a energia se expressar maximamente,

Quase como se,

Curiosamente,

Não tivesse ego.

Se você para para ver,

É quase que uma raiva com pouco ego.

E o engraçado é que uma raiva com pouco ego não é calminha,

Ela é mais agressiva ainda.

Mas é como se ela fosse um raio.

É quase que um fenômeno natural.

Aí ela vai,

Uat!

E depois você para.

Eu achei,

Assim,

Eu fiquei um pouco assustado com a virulência.

E eu achei a carterada bem egóica,

Por um lado.

Por outro lado,

Ela era real.

Ela falou assim,

Meu amigo,

Estou aqui há 30 anos fazendo isso.

Se você não entendeu por onde a gente está chegando nessa conversa,

Eu nem vou conversar com você.

Foi mais ou menos esse o recado que ele deu para o cara.

E isso traz uma ideia.

Esses dias eu estava vendo uma postagem de uma amiga nossa,

Aqui dos elefantes,

Que falava be kind,

But take no shit.

E eu queria discutir isso um pouco com vocês.

Porque,

Pensando,

Inclusive,

Nessa anedota que eu contei para vocês,

Eu penso que talvez seja um mantrazinho interessante para os dias que a gente vive.

Eu assisti alguns eventos do Sadhguru nessa linha que você falou.

Talvez não com tanta veemência,

Mas ele.

.

.

E,

Obviamente,

Ele tem muito embasamento para desconstruir o cara que está criticando ele.

Eu acho que eles têm uma coisa de pouca paciência para quem ainda está questionando um estágio muito anterior do que deveria estar sendo discutido.

Essa é a impressão que eu tenho.

Se o cara está sentado aqui,

Vamos discutir o que eu estou falando aqui.

Se você quer discutir alguma coisa anterior a isso,

Não pertence a essa sala.

Eu acho que é um pouco nessa linha.

Mas não sei se é um egoico em relação a ele como figura,

Mas muito mais com o assunto que está sendo tratado ali.

Deixa eu puxar uma referência que não sei se a gente já falou disso antes.

Tenho uma vaga impressão de que sim,

De alguma maneira.

Não sei se já comentei com vocês,

Mas eu estava vendo uma peça do Antônio Fagundes e ele estava lá.

.

.

Contei,

Não contei?

Acho que você contou.

Ele estava lá,

Vivendo aquela emoção,

Aí ele saiu,

Pediu para desligar o celular para aquela emoção.

Acho que dá para fazer a mesma coisa ao contrário.

De certo modo,

O essencial é a gente entender que o ego é gosmento,

Ele é stick.

O ego tem uma aderência às coisas.

Então,

Menos ego não significa que certas coisas não vão se manifestar.

Significa ao contrário,

Que elas vão se manifestar de uma forma mais fluida,

Como se fosse um fenômeno natural e pronto.

Acho que isso é uma das coisas.

.

.

A outra que você falou antes,

O Snow,

É a velocidade da volta.

Acho que isso faz muita diferença também.

A ida é quase que para nós,

Os encarnados aqui,

Ela é inexorável,

Mas a velocidade da volta é uma coisa que a gente consegue aprender com o tempo.

Você sabe,

Para mim,

Essas coisas se articulam.

Acho que está um bom momento para eu também falar,

Compartilhar com vocês o que andei pensando nos últimos tempos,

A partir das nossas conversas,

Para tentar articular um pouco aquilo que,

Para mim,

É meio instintivo,

Eu não organizo.

Eu dei uma organizada um pouco como é que acho essa história.

E,

Para mim,

É mais ou menos assim.

Tem uma velocidade e um ritmo da vida.

A vida,

Para mim,

É como se fosse um músculo.

E a finalidade desse músculo é crescer e ficar mais forte.

O músculo da vida.

Como é que você faz para o músculo ficar forte?

Tem uma fase da tua vida que você se desenvolve sozinho.

Naturalmente,

Você cresce,

Fica maior,

Fica mais forte,

Porque a vida em você,

Num nível biológico,

Ela te leva para novas experiências,

Novas capacidades e tudo mais.

Só que chega uma hora que a biologia estanca e aí tem pessoas que param aí na biologia e outras que continuam crescendo e se desenvolvendo.

Na minha cabeça é assim.

Depois que você desenvolveu o biológico,

Tem toda uma parte que é mais psíquica.

E depois tem uma outra parte que é continuar esse mesmo crescimento num aquilo que a gente passa a chamar de espiritual.

Mas o importante é a gente estar sempre nessa história do crescimento.

E aí,

Meus queridos,

Como é que você faz quando não é a natureza sozinha que está te fazendo crescer?

Eu estava falando com um amigo comum outro dia e ele soltou uma frase que fez um cleque na minha cabeça pela simplicidade dela e eu disse,

É isso.

Ele disse,

A gente só produz espontaneamente hormônio de crescimento até uma certa idade.

Depois desta idade,

Para você produzir hormônio de crescimento,

Você precisa de esforço deliberado.

Você tem que fazer esforço de um certo jeito.

Eu disse.

.

.

E aí eu chequei com uma amiga nossa que é aquela médica mais avançada nas ideias e ela disse,

Sim,

E um detalhe.

E tem que ter o circuito da dopamina,

Ou seja,

Você tem que ter a conquista e a expressão.

Senão você não produz hormônio de crescimento.

E aí,

As coisas caíram na minha cabeça.

Gente,

A tradição está sempre falando desse coração,

E esse coração é um músculo,

E ele tem a sístole e a diástole.

Ele contrai e relaxa,

Contrai e relaxa,

Contrai e relaxa.

Então tem uma parte que é fazer força,

Que é contrair.

Depois relaxar.

O que eu acho,

Gente,

É que todos esses movimentos de crescimento que buscamos,

Inclusive o crescimento espiritual,

Tem que ter a contração e o relaxamento.

Tem que ter o sacrifício e a criação.

É como se o sacrifício fosse o contrair e a criação espontânea fosse o relaxar.

É isso que me parece.

Viajei demais ou fiz algum sentido?

Não,

Acho que fez todo sentido.

Inclusive me veio aqui nessa história de você precisar,

Depois de uma determinada época,

Mudar um tipo de treino,

Que você fizesse um esforço físico combinado para que você começasse a gerar de novo hormônios,

Seja de crescimento,

Até os hormônios testosterona e outras coisas.

E aí me veio justamente essa ideia.

Vocês devem ter assistido O Gambito da Rainha,

No Netflix.

E se a gente encara um pouco a vida,

Como essas pessoas que competem dessa forma,

Querendo melhorar e sabendo que,

Para melhorar,

Eles têm que jogar componentes mais complexos,

Que as situações da vida,

Nessa questão desse músculo que você precisa desenvolver,

Que você quer desenvolver,

Através da espiritualidade,

Vem dessa sequência de eventos que você acaba dimensionando,

Como os mais complexos,

Como o Zé falou,

Voltar,

Passar um fim de semana com a família,

E os mais leves,

Que seria aquele treininho de fundo de quadra.

Mas se todos eles forem vistos como uma oportunidade,

Mesmo que não seja a primeira vez,

Você sai de um fim de semana com a família e diz cara,

Foi um toque suado,

Fiz um treino diferente,

Gerei até o hormônio,

Dopamina,

Foi tudo.

Cheguei no fim de semana,

Não foi,

Podia ter feito melhor,

Podia,

Mas não caí naquele,

Nos primeiros 100 metros,

Como eu caía antes.

E vendo esses eventos como essas oportunidades de ter aquela frase do revolver,

Que você só consegue melhorar jogando com os oponentes mais,

Um oponente melhor que você,

Ou que te desafie.

E eu acho que essas circunstâncias de vida,

Quando você se coloca nesse caminho que você quer ir para esse lugar,

Elas vão aparecer e você vai dimensionando quais são as que você vai precisar estar mais focado,

Concentrado e observante de você mesmo.

Isso daí eu acho que é bem como eu entendo e tem a ver com aquilo que eu não soube explicar,

Que era aquela sensação que eu estava tendo com o Michael Singer,

Com a história do Michael Singer,

Falar sempre da voz,

De você não ouvir a voz.

E eu saquei exatamente o que é.

É assim,

Como eu comentei com vocês,

Eu não fico escutando a minha voz por dentro.

Mas isso não significa,

Nem de longe,

Que meu ego esteja pacificado no sétimo nirvana e eu não tenho que lidar com ele de todo jeito.

É só que ele não fala,

Ele não é verbal,

É um tipo de ego.

Então,

O que acontece é que existe o treino que pega em cheio mais um tipo de ego do que o outro.

Então,

Quase como se você precisasse de um crossfit para você fazer esse trabalho completo.

Tem tipos de ego que são muito tagarelas.

E aí,

Então,

Você ficar quieto e olhar para essa falação toda e não dar bola para ela,

É uma forma de você fazer a contração,

A systole,

De você diminuir o ego.

Mas existem outros egos que não são falantes.

Sabe o que você tem que fazer?

Você tem que expor esses egos a coisas que eles não gostam.

Afetivamente.

Porque esse ego,

Às vezes,

Fica quieto,

Mas ele só seleciona aquilo que é confortável para ele.

Então,

Você tem que botar ele numa zona de desconforto.

E ele tem que ir para a zona de desconforto e ficar calminho.

E isso é o treino equivalente a você não ouvir a voz.

Então,

Depende do tipo de ego,

É isso que eu acho.

Você tem que usar uma estratégia diferente.

Você acha que uma pessoa que não fez um trabalho de evolução espiritual ou de autoconhecimento pode vir de fábrica sem essa voz?

Acho.

Eu acho que sim,

Mas é que você desenvolve um outro tipo de ego.

Pelo menos,

Tal como eu entendo,

Aquilo que a gente chama de voz é uma expressão em diálogo interno,

Em pensamento,

Em fala.

Eu fico pensando que se isso acontecer,

Talvez essas sejam as pessoas mais difíceis de serem acessadas.

Eu acho que elas têm que ser acessadas de um outro jeito.

Na minha experiência,

É mais ou menos como se fosse o seguinte.

Tem aquelas pessoas que pensam muito pouco,

Mas elas também têm um ego e podem ter um ego obeso.

Só que elas não pensam.

Então,

O ego delas se manifesta de outro jeito.

Como é que é isso?

É um conjunto de valores e elas funcionam dentro desse conjunto de valores e elas são defensivas ali.

Elas não precisam ficar refletindo e pensando.

Porque,

Normalmente.

.

.

Me corrija se eu estou errado.

Quando você tem muita voz dentro da cabeça,

É porque tem uma energia de dúvida.

Então,

Você vai pra cá,

Depois você vai pra lá,

Você fica simulando isso e,

Se acontecer aquilo,

Pra você ficar falando muito na cabeça,

Você se faz muitas perguntas que você fica tentando responder sem fim.

Eu não sei.

É mais ou menos isso,

Não é?

Você não acha que tem um.

.

.

Quando você vem de um lugar onde você tem um ego que tem uns quatro,

Cinco leões de chácara na frente e que,

Com esse trabalho que você vai fazendo de autoconhecimento,

Você vai convencendo eles que eles podem ficar um pouco pra trás,

Mas,

Em determinadas situações e limites,

Eles passam por cima da sua cabeça e vão assumir o posto que eles foram inicialmente contratados para o trabalho que eles foram contratados para desempenhar.

E eu acho que quem vem de uma história de muitos mecanismos de proteção através das camadas egoicas,

Invariavelmente,

Em uma situação mais limite,

Tem que estar muito em paz com esses leões de chácara para que eles não venham.

Mas,

Do mesmo jeito que eles vêm,

Eles vão embora também na mesma velocidade.

E tem até.

.

.

Nessa pergunta que você fez,

Tem uma historinha que eu acho que o seu amigo Antônio de Mello conta,

Que por mais que você tenha essas observações sempre presentes,

Se a gente queira trabalhar essa questão da entrega e tudo mais,

Ele considera quase uma questão de alinhamento de astros e vontades divinas ou dos anjos,

O momento que você pode ter um insight e descobrir quem você é muito mais rápido do que o outro.

Ele conta a história de um leãozinho que encontra um leão no meio das outras ovelhas e aí tenta convencer o leãozinho que ele é um leão e não move ele.

E aí o leãozinho vai,

Leva ele até o lago,

Mostra a cara dele,

Ele vê o reflexo,

Ele vê que é um leão e aí ele sabe quem ele é.

E,

Muitas vezes,

Por mais que você se observe e você pode passar uma vida se observando,

Você ter esse insight não vem de uma técnica,

Vem quase de uma vontade divina de que aquilo aconteça.

Eu acho que é uma boa hora de eu contar para vocês uma coisa que eu elaborei anos atrás.

Vocês sabem que eu gosto muito de mitologia,

Não é?

E,

Anos atrás,

Eu fiquei pensando nos tipos de ego e como a gente pode,

Através da mitologia,

Entender um pouco como trabalhar os egos e até sair um pouco deles.

E eu cheguei nas figuras de penitentes da mitologia grega.

Penitentes?

É,

Que são quatro.

Tem quatro figuras que abusaram,

Desafiaram demais desafiaram demais os deuses e aí,

Por toda a eternidade,

Ficaram vivendo um castigo.

Quatro.

Essas quatro são Prometeu,

Sísifo,

Atlas e Tântalo.

E é muito engraçada essa história.

Porque é bonita a história de cada um deles e como cada um deles desafiou os deuses.

Mas isso é muito longo.

O que eu vou contar são as penitências eternas.

O Sísifo ficava preso empurrando a pedra montanha acima e antecipando que,

Quando ela chegasse com a pedra lá em cima,

Ela ia cair e ele ia ter que voltar e empurrá-la de novo pra cima.

Por toda a eternidade.

Então,

O castigo do Sísifo era ficar fazendo um esforço já sabendo quando que vai ser que a pedra vai escorregar e ele vai ter que recomeçar tudo outra vez.

O Prometeu,

A penitência do Prometeu era que ele ficava acorrentado numa rocha e todo dia vinha uma águia,

Que era a águia de Zeus,

Bicar o fígado dele,

Que se regenerava depois e aí,

No dia seguinte,

O fígado dele era bicado de novo.

O Atlas era bem simples.

Ele tinha que carregar o mundo nas costas e ele não podia sair daquele lugar nem um segundo,

Porque,

Afinal de contas,

Ele sustentava o mundo.

Então,

O problema dele é que o mundo não funcionava sem ele carregar.

E o Tântalo era um carinha cujo castigo era que,

Quando ele ficava com sede,

Ele chegava perto da água e a água fugia dele.

Quando ele ficava com fome,

Ele chegava perto da comida e a comida se afastava dele.

Então,

Ele nunca conseguia ter a comida para saciar a fome ou a água para saciar a sede.

Quando você para para pensar,

Esses quatro castigos refletem quatro facetas de ego que são tipologias.

Você tem a preocupação do Sísifo,

Você tem a impaciência do Prometeu,

Porque esse negócio de ficar preso na pedra com o fígado sendo bicado,

É literalmente a impaciência do intuitivo que sabe o que vai acontecer,

Mas nunca chega aquilo que ele está vendo.

Você tem o Atlas,

Que está lá carregando tudo e se sentindo importante,

Porque tudo gira em torno dele.

E você tem o Tântalo que é o eternamente insatisfeito.

Então,

O que me parece?

Você tem a preocupação,

Você tem a impaciência,

Você tem o senso de autoimportância e você tem a insatisfação.

Para mim,

Você fazer um trabalho de ego detox,

É você investir basicamente nessas quatro frentes.

E tem,

Para cada pessoa,

Uma frente que é mais difícil.

Tem gente cujo maior desafio é parar de se preocupar.

Tem gente cujo maior desafio é ter paciência.

Tem gente cujo maior desafio é vencer a sensação de insatisfação e poder dizer estou satisfeito.

E,

Por fim,

Tem aqueles cuja coisa mais difícil é não ser sempre muito importante em tudo que está acontecendo com as pessoas que ele está.

Então,

Eu acho que se você se dedica um pouco,

Como se você fosse um penitente do Olimpo,

A encolher o teu ego nessas quatro frentes,

Você,

Sem dúvida,

Faz uma sístole muito boa.

E depois você pode relaxar na tua criação.

É mais ou menos essa.

Vocês gostaram?

Muito bom.

Muito.

Eu fiquei pensando,

Eu senti falta de uma característica do ego que é o complexo de vítima.

Fiquei pensando em qual desses eu acho que isso é importância.

É importância também,

Né?

Eu carrego o mundo nas minhas costas.

Coitadinho de mim,

Eu sou tão importante,

É meu sofrimento,

É tão importante,

Todo mundo devia parar para olhar para o meu sofrimento.

Mas eu gostei muito disso.

E é interessante essa lente que você resolveu enxergar,

Porque é interessante pensar nas penitências dos deuses gregos.

Porque pensar no ego como através desse viés da penitência.

.

.

É porque,

Veja,

Seria a consciência humana que abusou dos deuses,

Aí os deuses mostram para ela o lugar dela.

Aí eu pensei,

Ah,

Eles estão mostrando como a gente é limitado.

E essa é a dor do ego,

Né?

Reconhecer a limitação dele.

Se você não quer se preocupar,

Bandidão,

Então vai se preocupar por toda a eternidade.

Se você não está satisfeito com o que você tem,

Então vai ficar insatisfeito para sempre.

Você vai ver as coisas.

.

.

Você nem vai conseguir a sensação de saciedade.

Ah,

Você se acha importante?

Então tá bom,

Carrega o mundo nas costas.

Uma vez que nós não vamos nos livrar do nosso ego,

Quais são as instâncias positivas de ter um ego?

Existe alguma?

Poxa,

Eu acho,

Pelo menos a minha ideia é que depois,

Quando você relaxa,

Você usa o teu ego mais magro,

Mais treinado,

Mais rígido,

Mais humilde para criar.

Porque o que eu acho que acontece é o seguinte,

Quando você faz esse trabalho,

Quando você relaxa,

Você deixa as energias,

Por que não dizer cósmicas,

Passarem através de você sem tanto personalismo.

E é aí que você é o tal co-criador que o Joe Dispenza fala.

Entende?

Então,

Você é o co-criador,

Sim,

Mas você é idealmente o co-criador quando o teu ego está esforçado e pequenininho.

Mas ainda existente,

Né?

Porque você.

.

.

É necessário,

É através dele.

É através dele.

Sem ego.

.

.

Quando você não tem ego mesmo,

Você não tem nem o que expressar,

Nem o que consertar.

Você não acha que,

Quando você está com o ego mais domesticado,

O teu campo de criação é o restaurante onde você faz o pedido?

E o ego é o iFood que entrega.

Isso!

É o motoqueiro.

É por aí,

Acho que é isso mesmo.

Mas aí é que está,

Você vê.

Ele é só um instrumento para que aquilo que ocorreu para você vire uma expressão concreta nessa dimensão nossa aqui.

Sem ego,

A gente não consegue gerar nenhum impacto aqui.

E não é um acidente que as pessoas que geraram mais impacto são pessoas historicamente e estatisticamente com egos gigantes.

Não necessariamente para o bem.

Mas,

Assim,

Os grandes protagonistas da história eram egos gigantes.

Ou,

Então,

São pessoas que levaram o ego para esse lugar.

Então,

É aquele negócio.

Você vê um Gandhi,

Por exemplo.

Ele conseguiu fazer isso com muito pouco ego.

Mas eu conheço histórias da vida dele em que ele fazia treinamentos de sair do ego absurdos.

E é interessante pensar que se a partir do momento que você.

.

.

Eu nunca tinha parado para pensar nesse dilema e nessa questão aqui.

A partir do momento que você não tem um ego,

Você é incapaz de criar qualquer coisa.

Porque aquilo deixa de ser seu.

Deixa de ter uma marca sua.

E,

Necessariamente,

O universo não precisaria de você para manifestar nada.

Tem até um processo que.

.

.

Acho que você já falou uma vez que quando você está nos momentos de maior.

.

.

Nas práticas de maior dissolução de ego,

Onde ele está cada vez mais fraco,

Os místicos chegam a um lugar que eles chamam de ring of fear.

Acho que.

.

.

Não sei se a tradução é o.

.

.

O que seria?

Anel do medo?

Circulo do medo.

Que é justamente o último estágio onde o ego se defende com unhas e dentes,

Que é muito presente na turma que faz as ayahuascas ou outras cerimônias psicodélicas.

Tem quase uma morte ali,

Uma entrega para a morte que permite que você passe esse estágio e consiga mudar de estágio de consciência.

Agora,

No dia a dia você viver isso,

Tem esse momento que você tem que transpor,

Que é quase que a entrega para uma morte.

Faz sentido isso?

Total.

Total.

Agora,

É interessante você tocar nesse ponto,

Pelo menos na minha observação,

Tem aquelas pessoas que,

Quando se deparam com isso,

Elas meio que se suicidam.

E aí,

Voltando para a tua primeira pergunta,

Gol,

Eu acho que você se suicidar,

Entre aspas,

E eu vou tentar explicar o que eu quero dizer com isso,

É você não honrar o medo que você sente.

O que eu quero dizer?

Então,

Tá,

Você chega ali naquele ponto do medo,

Que o ego está no medo,

Porque assim,

Ele sente que ele vai morrer,

E aí você faz um all-in de uma vez por todas,

Até o teu ego explodir completamente,

Mil pedaços e tudo mais,

Etc.

Vou resolver isso de uma vez por todas.

Na minha observação,

Na minha experiência,

Tem um valor nisso,

Mas não é tão grande assim.

As pessoas que vão forçando o próprio medo de uma forma mais gradual e entendendo cada aspecto do que ele significa e da mensagem que ele está oferecendo,

São aquelas que integram melhor essa experiência e vão mais longe.

Fiz algum sentido?

Porque,

Essencialmente,

Essa energia ali do medo,

Se você simplesmente faz um total em relação a isso,

Você pode até ter uma vivência de iluminação.

Pode mesmo,

Não vou dizer que não.

Mas isso que é o interessante.

O complexo é que a gente precisa juntar o despertar com o amadurecer.

Se você só busca uma experiência de despertar,

Você depois tem que ficar com essa memória do despertar e a tua personalidade matura.

E isso é o que eu canso de ver por aí.

Então eu vejo um monte de personalidade matura que visitou o Buda.

Tá,

Visitei o Buda,

Tudo bem,

Mas aí eu saí da casa do Buda,

Porque eu não vivo lá.

E,

No fundo,

A minha personalidade tem muito de crescimento e amadurecimento para fazer.

Então eu não consigo sustentar direito muita coisa do que eu estou experimentando.

E aí eu fico desequilibrado.

Por quê?

Eu quero estar naquele lugar.

Depois que eu experimentei aquilo,

Tudo mais me parece uma coisa que é mandar para trás.

Só que eu não consigo voltar para lá,

Porque eu não tenho a manha nem a competência de ficar lá.

De vez em quando.

.

.

E isso aí explica um pouco das pessoas que fazem essas experiências com os psicodélicos fazer disso uma rotina.

É quase como um caminho espiritual,

Porque,

De certa forma,

Não quero fazer uma referência errada aqui,

Mas é quase que aquele fosse o estado que precisasse ser o predominante.

É quase como se fosse assim.

Vale a pena a alma ir namorando o infinito primeiro.

Depois que ela namora,

Ela fica noiva,

Depois ela casa,

Depois ela tem filhos com o infinito.

Esse negócio de ir para a cama logo no primeiro encontro com o infinito não é o melhor programa.

Por isso que acho que está crescendo tanto as terapias com psicodélicos junto com a presença dos terapeutas e psiquiatras e psicólogos.

Realmente você vai crescendo os dois caminhos simultâneos.

Você acessa os traumas ao mesmo tempo que você dá o suporte.

Enfim,

Acho que atinge maturidade junto com a experiência.

Estava pensando aqui que talvez nesse campo emocional,

Espiritual,

Talvez seja onde a diferença entre o conhecimento intelectual e o conhecimento empírico seja a maior diferença.

Fico pensando que nestas searas emocionais e espirituais o conhecimento intelectual tende a zero.

Não adianta nada você ter lido todos os livros,

Ter conhecido todos os nomes de todos os avatares,

Você saber todas as técnicas de elevação e se você não tiver minimamente vivido tudo aquilo e minimamente entendido tudo que vem por trás daquilo que está acontecendo.

O conhecimento intelectual é onde me parece que não entrega absolutamente nada.

Não sei o que.

.

.

Eu acho que ele te ajuda muito a criar um ego espiritual.

Sim.

Eu acho que essencialmente você constrói isso de dois jeitos.

Por exemplo,

Tem aquela pessoa que fica cheia de.

.

.

Fica name dropping espiritualmente,

Então fica citando nomes,

Livros,

Etc.

Falando isso,

Falando aquilo,

Etc.

Então ela sabe quando todo mundo que vale a pena está sempre falando,

Calma,

A porta de entrada é o mistério.

A porta de entrada é aquilo que você.

.

.

É a experiência do não saber.

É o I don't know mind,

Né?

Exatamente.

É o não saber.

Na Idade Média se chamavam de a nuvem do não saber.

É o clássico místico da Idade Média,

É esse.

É a nuvem do não saber.

Então se você não tem experiência da nuvem do não saber,

Fica muito difícil você aprender alguma coisa,

Porque você já sabe.

Por outro lado,

Você também se jogar nas supostas experiências místicas,

Uma depois da outra,

Como se fosse quase que.

.

.

Então não vou refletir nada.

E vou só me jogar de abismo em abismo,

De milagre em milagre.

Procurando simplesmente a sensação do infinito.

Você pode até ter a sensação do infinito,

Mas aí entra o bom e o velho Freud.

Essa é a dimensão do sentimento oceânico.

E o sentimento oceânico é a nostalgia da barriga da mãe.

Não é necessariamente evolução espiritual.

Aliás,

Você falou uma coisa que eu queria só comentar.

Talvez isso é interessante comentar mesmo.

Você estava falando desse aspecto de que o mundo exterior vem do nosso mundo interior.

E você sabia que pro Freud,

Pro Freud mesmo,

O Zygmunt,

Nada do que acontecia vinha do pai ou da mãe,

De nenhum evento externo.

Coincidentemente,

Eu li sobre isso hoje.

Então,

Ele em especial achava que as pessoas nasciam com uma tendência a serem meio malucas e fazerem essas fantasias por elas mesmas.

E os pais não tinham nada a ver com isso.

Depois,

Quando se começou mesmo a fazer terapia,

É que as pessoas,

Os terapeutas foram vendo,

Não,

Mas calma.

Veja,

Não é à toa que você tem essa fantasia.

Olha o que aconteceu.

E aí começou a se aprender que os eventos externos tinham um impacto muito grande.

E é claro que aí o pêndulo virou proposto.

Aí todo mundo virou vítima.

Aí a gente começou a fazer os consultórios,

Seria uma fábrica de mimimi nos Estados Unidos.

Aí a gente já bota do lado,

Na porta ao lado,

O meu primo advogado.

Então,

Você sai daqui com o seu insight de vítima e vai até o meu primo e já abre um processo.

Então,

Eles vão lá e já transformam tudo numa coisa só.

E claro que o pêndulo exagerou para o outro lado.

Mas,

Para mim,

Essa história é muito partícula e onda.

Partícula e onda.

Se você pensar,

Eu estava,

Inclusive,

O que eu estava lendo,

Isso no livro do Hawkins,

Quer dizer que foi uma das grandes percepções equivocadas da interpretação do que o Freud disse.

Mas eu não vou entrar nesse campo.

Eu ia fazer aquela pergunta para o Snow.

Porque eu acho que de um jeito ou de outro vai passar por esse lugar.

E eu queria,

Obviamente,

Saber a opinião dos dois,

Mas foi uma pergunta que me foi feita por.

.

.

Um outro dia eu estava conversando com uma ouvinte e me disse,

Vocês falam muito pouco das relações.

E o Snow,

Que é um grande especialista em amor,

Uma das pessoas que mais conhece amor que eu conheço,

Ela me fez uma pergunta e eu estava ouvindo outro dia um audiobook e caí numa questão que,

De certa forma,

A gente todas as relações partem e elas praticamente são construídas nas relações,

Vou falar de homem-mulher ou de homem-homem,

Enfim,

De relações elas crescem a partir,

Elas nascem a partir de um sistema,

Como todo o resto,

De um pacote,

De um sistema de preferência que a gente projeta e,

Portanto,

Nasce a partir de uma condicionante,

Ou seja,

O amor em primeira instância que nasce nessa relação é um amor condicional,

Ou seja,

E por isso talvez as relações,

Na medida em que essas condições não sejam mais encontradas,

Teoricamente esse amor vai perdendo o vapor.

E aí eu pergunto o seguinte,

Se você começou uma relação a partir desse lugar onde todas as outras nasceram,

Se você pensar nos sites de encontro,

Eles começam justamente buscando as afinidades,

Os interesses,

Ou seja,

As condições para a qual as pessoas possam viver juntas,

E você se depara diante de todas as questões egóicas que a gente encontra aqui num caminho de autoconhecimento espiritual,

Seja o nome que você quer dar,

Vocês acham que é possível começar pelo Tranquil Snow?

Você está com alguém e você migrar de um amor condicional para um amor incondicional dentro da mesma relação?

Vamos lá.

Primeiro,

Eu queria.

.

.

Você pode discordar de qualquer das afirmações que eu fiz,

Tá?

É,

Não,

Eu queria primeiro agradecer ao Snow como especialista do amor.

Agradecer a propaganda.

Agradecer a propaganda.

Sabe aquela história de pessoa que gosta de fazer compra em loja de shopping e depois acha que pode trabalhar com moda só por causa disso?

Talvez eu me encaixe nessa.

.

.

Mas talvez como um grande consumidor do amor,

Eu possa responder.

.

.

Você é uma pessoa muito apaixonada,

Para com isso.

Exato.

Você é amoroso,

Apaixonado.

Você é apaixonado.

Vamos lá.

Eu acredito que sim.

Eu acho que sim.

Eu acho que a gente consegue migrar de um amor condicional para um amor incondicional.

Eu estava aqui pensando que talvez tenham encontros que sejam tão fortuitos e tão profundos e que a relação se desenvolva de uma forma tão.

.

.

Com uma parceria e com um olhar ao outro e um processo de conseguir enxergar o outro em um nível tão profundo que eu acho que esse amor pode pode existir,

Sim.

Mas o que eu acho mais interessante é que eu também acho que com a mesma forma como ele pode virar incondicional,

Ele pode voltar a ser condicional.

Claro.

Sim.

Sim.

E aí que talvez seja o.

.

.

Se um amor de condicional vira incondicional e ele volta a ser condicional,

Algum dia ele foi incondicional?

Algum dia ele foi amor?

Então,

Deixa eu botar minha colher de pau nessa história,

Porque eu acho que junta com uma outra coisa que você perguntou logo no começo,

Quando você falou das emoções.

Eu acredito muito que a energia da emoção intensa é o melhor combustível para a evolução em qualquer nível.

E basta a gente olhar,

Não precisa ficar com nenhuma citação erudita,

Basta você olhar qualquer amigo seu,

Quando ele está apaixonado,

Como ele evolui muito rápido,

Como ele faz coisas,

É como se ele botasse botas de 7 Legos nos pés e ele dá pulos ao invés de andar.

E ele faz movimentos que ele demoraria dez vezes mais para fazer se ele não tivesse apaixonado assim.

Então essa energia é fundamental.

O que me parece é que os nossos relacionamentos são como se fossem maquininhas de pegar amor condicional e ir transformando em amor incondicional.

E,

Desse jeito,

Nos ensinar a transcendência.

Porque é isso que muitas vezes me pega,

Sabe,

Igor?

Que eu fico,

Às vezes,

Inquieto aqui na cadeira quando a gente está falando.

Muitas vezes os caras estão falando como se o ideal fosse você não ter intensidade.

E eu acho que a intensidade,

Ela diminui quando você chegou no topo do Everest.

E aí você chegou no topo do Everest e você faz assim,

Ó,

O infinito,

O todo,

Os cumes à minha volta,

Esse ar gelado.

Tudo bem.

Você já está no cume do Everest.

Agora,

Se você está só na primeira base,

Não é hora de você ficar pensando,

Ah,

O infinito e suspirar.

É hora de você ficar com adrenalina e pensar,

Eu tenho os 3 mil metros mais difíceis de escalada de toda a minha vida.

Eu estou com medo,

Eu estou com vontade,

Eu estou com vontade de gritar.

A gente vai dar um grito de guerra e começar essa escalada às 4 da manhã,

A 20 graus,

Abaixo de zero,

Mas a gente vai chegar lá.

E a gente precisa dessa energia para evoluir.

Sim,

Depois que você chegou lá,

Você pode dizer assim,

Ah,

Qual é o sentido de todos os seus esforços?

Agora que eu estou aqui no topo da montanha,

Só me resta descer.

Mas não é porque você fez uma excursão cara na base do Himalaia que é para você revirar os olhos e achar que você já pode dar esse suspiro.

E é isso que eu sinto muito,

Por isso que eu fico nervoso.

A gente precisa pegar essa energia desse amor condicional nas relações,

Que é o maior Himalaia.

Eu fiquei falando das montanhas porque é muito mais simples.

Mas não tem nada,

Não tem Himalaia maior do que você estar num relacionamento afetivo.

Esse é o verdadeiro Himalaia.

E aí,

O que acontece?

Você vai,

Vai,

Vai,

Vai transformando você em um amor cada vez mais incondicional.

Mas aí eu vou dizer a grande bombinha,

Que eu acredito.

No dia que for só amor incondicional,

Aí você não precisa mais da relação.

Então,

Essa é a pergunta que eu queria devolver para o Gol.

É exatamente isso.

Porque eu acredito,

No fim,

Que o segredo de toda boa relação é a capacidade de ambas as pessoas que estão nelas de escolher todos os dias ficar com aquela outra pessoa.

E que ambos saibam que estão escolhendo e que não estão sem escolha.

Tanto no sentido de escolher o outro,

Como saber que está sendo escolhido.

E ao momento que vira um amor incondicional de ambos,

Ele é quase uma situação inercial e que eventualmente perde essa vontade da subida do Everest e do vamos fazer melhor.

Bom,

Já que você me perguntou e ele fez uma afirmação,

E como a gente não discordou de nada hoje ainda,

Eu acho que vou tomar liberdade de discordar do ponto do ponto onde diz que a relação perde a razão da existência a partir do momento que ela se torna incondicional.

Ou alguma coisa.

.

.

A palavra é delicada,

Porque não estou dizendo que a relação acaba,

Que ela não é linda,

Não é maravilhosa.

A relação não é indispensável para você.

Eu acho que.

.

.

Enfim,

Eu penso que.

.

.

Eu não tenho uma opinião formada,

Por isso fiz a pergunta,

Mas tenho a sensação que o fato de você levar ou conseguir,

De alguma forma,

Aceitar tudo que existe no outro a ponto de se tornar um amor incondicional não significa que você não vai ter discussões iguais.

A única questão é que essas discussões,

Os resultantes das discussões não são mais condicionantes para que a relação exista.

Só nesse sentido.

Ah,

Tá bom.

Mas eu concordo com você.

Eu acho que é uma relação.

.

.

Por exemplo,

Você tem um pai e filho,

Ou tem um amor incondicional ali,

Você pode se matar a vida inteira,

Mas você não vai deixar de amar o filho,

A princípio.

Você pode ter uma relação entre pares que têm um compromisso de evolução espiritual a ponto que as divergências são só lembradas um ao outro e aquilo tem uma base de amor incondicional que eles continuam evoluindo e precisando estar juntos um do outro até para que um continue apontando para o outro onde é que escorregou.

Isso pode ser entre amigos,

Pode ser entre homem e mulher e acho que nesse sentido não acaba nunca.

O que você muda talvez é o patamar da relação onde você querer ter aquela pessoa do lado não é condicionante a nada.

Adam,

Tudo bem.

Nós estamos concordando.

Eu não acho que as duas coisas são excludentes,

Não.

Pelo contrário.

Eu acho que todos os relacionamentos americanos têm que ter uma dose gigantesca de amor incondicional.

Aliás,

Eu acho até que vocês concordam comigo.

Ser uma boa dose de amor incondicional não dá nem para viver.

A vida fica insuportável.

Pelo menos é a impressão que eu tenho.

O que eu quis dizer.

.

.

Eu quero usar um exemplo aqui,

Inclusive,

Desse grupo que está aqui reunido hoje,

Que embora não seja público,

Mas eu acho que a gente pode tornar público.

Esse episódio demorou um pouco para ir para o ar porque houve um outro episódio que foi censurado porque o grupo entrou em divergência aguda e a gravação ficou uma hora e meia de gravação e duas horas e meia de discussão de relação.

E tudo que saiu daí foi usado depois como material de trabalho pessoal e como dinâmica de grupo.

Eu acho que isso parte de um amor incondicional.

E a relação continua sendo extremamente útil e não vai mudar onde um aperte o botão do outro e lembrar disso é o que enriquece a relação.

Eu entendi.

Nós estamos falando do mesmo bicho de ângulos diferentes.

Sem o amor incondicional a gente não poderia ter feito tudo isso,

Mas o que eu chamo de amor condicional é o que permitiu a gente ficar furioso e brigar.

Se a gente só tivesse o amor incondicional todo mundo plenamente no amor incondicional,

A gente nem tinha discutido.

E é isso que eu acho legal.

É que eu acho que vocês estão dando uma imagem de amor incondicional como uma coisa meio letárgica,

Meio zen.

E eu acho que são coisas diferentes.

Você pode ter um amor incondicionado e se estapeando,

Como a gente vê ali,

Vô e vó que brigam até o final da vida,

Mas não conseguem ficar um segundo longe um do outro e,

No final das contas,

Acho que a gente está meio assim.

Tinha um filme muito legal dos,

Não vou lembrar os atores agora,

Mas você vai lembrar que eram três amigos ou dois amigos.

Ah,

O Amici mie,

Aquele filme italiano.

Os caros amigos.

Os caros amigos se aprontavam uns com os outros o tempo todo,

Se estapeavam.

Eu estava pensando se aí,

Nesse caso,

A gente não cai naquele nosso livro que o nome é ruim,

Mas o livro é muito bom,

Que é Os Cinco Linguagens do Amor.

Seja incondicional ou seja condicional,

Se a gente não está falando aqui de como ele se expressa,

E menos se ele é incondicional ou não.

Mas eu acho que primeiro que,

Toda vez que se fala de amor,

Esse livro tem que ser mencionado.

Eu queria trazê-lo à tona.

Eu acho que ele tem que ser mencionado.

Eu como o grande consumidor do amor.

Mas eu ainda acho que para que ele seja útil,

Você tem que ter,

Seja com quem você tem a relação,

Um pacto quase de união espiritual e de evolução que cria a base de um amor incondicional onde o livro pode ser mais útil,

Porque o livro te ensina a forma de comunicar amor e tira os ruídos das relações,

Mas elas partem de uma ideia de que todo mundo quer a mesma coisa ali no final.

Ninguém quer ter mais razão que o outro,

Só quer mudar as formas de comunicação para que seja mais eficiente.

Ou não é isso?

Eu acho que sim.

Eu estava pensando enquanto você falou nessa história.

O que é o amor,

Afinal?

É claro que.

.

.

Eu não sei.

Agora.

.

.

Eu tenho a nítida impressão de que é ali que a gente mais esbarra nessa história toda da importância da relação e do outro.

Eu acho muito difícil a gente acessar essa dimensão do amor sem estar numa situação relacional.

Eu acho que tem que ter um grau de evolução para você virar puro amor não relacional que.

.

.

Eu acho que ela deve ser possível só para aquelas pessoas que já sabem exatamente o que o amor é.

Agora,

Aquelas pessoas que ainda estão no estágio de sentir o amor sem conseguir defini-lo,

Eu acho que,

Sem dúvida,

Elas precisam de muita relação para poder acessar isso.

E alguma coisa me diz que sem esse acesso,

Não é nem só que a evolução fica inviável.

Eu acho que nada vale a pena.

Eu queria perguntar para vocês.

Vocês têm algumas correntes que a gente segue que dizem que todas as relações são para cura.

E que é aquela máxima que,

Se você sai de uma relação por causa desses padrões condicionantes,

Você vai ir para uma outra relação,

Onde eles vão aparecer da mesma forma,

Até que você cure em você o que você tem para curar para que você possa dar o upgrade no jogo.

Desculpa se estou usando as palavras erradas aqui,

Mas acho que o sentido é esse.

E até tem uma frase interessante do.

.

.

Acho que ainda é do Anthony DeMello,

Estou repetindo duas vezes hoje.

Ele diz que antes de você se divorciar de alguém,

Você tem que se divorciar de você mesmo.

Nada mais é do que você trabalhar as coisas.

Por que estou dizendo isso?

Não é nem uma questão,

Se tudo ali que está na sua frente,

Nas relações,

De certa forma,

Como que seja uma partida de condicionantes que você colocou,

Acho que transcender isso é parte do jogo,

Não é?

Ou não?

É isso que eu estava chamando da transição do amor condicional para o amor incondicional.

Na minha linguagem,

É exatamente isso.

Ou seja,

Você entrar numa relação e ela passar a ser um investimento seu de vida,

Porque uma coisa é você conhecer uma pessoa incrível,

Dizer que pessoa incrível,

Admiro ela demais,

Que pessoa linda.

Sabe aquele negócio que na nossa linguagem comum a gente diz que pessoa linda?

Eu acho que é um pequeno encontro de amor não condicional.

Então você encontra uma pessoa linda,

De fato você sentiu alguma coisa assim,

Mas não é que você diz,

Olha,

Preciso dar um jeito para essa pessoa ter um papel na minha trama,

No meu filme,

Na minha minissérie.

Ela está a partir de hoje contratada com um ator da minha minissérie na Netflix.

Isso,

Esse investimento imediatamente é um amor condicional.

Porque você está fazendo uma projeção,

Você está trazendo a pessoa para dentro do teu teatro interior e aí você já põe condições.

E todas as nossas relações,

Elas dão tilts o tempo todo.

Por quê?

Porque você está no filme e de repente a pessoa fala um negócio e diz ei,

Isso é um caco,

Isso não está no escrito.

Para de improvisar,

Pô,

Você está destruindo o roteiro,

Você está destruindo o filme.

Não é isso.

O diretor aqui não está feliz e tudo mais.

Então é isso que eu chamo do amor condicional.

E à medida que a gente vai crescendo dentro da relação,

Basicamente a relação é você conseguir descobrir nossa,

Você não é bem do jeito que eu pensava,

Mas você é mais interessante ainda.

E nesse processo você vai para o amor incondicional.

E você acha que é possível você ter por outra pessoa um amor incondicional enquanto você não tem por você um amor completo?

Porque em última instância você está dando ao outro a função de te fazer feliz,

Que é uma insanidade isso é pensada.

Cara,

Você estava querendo chegar no fim da história hoje?

Os elefantes vão acabar,

Cara,

Se você vir com essa pergunta.

Eu vou delegar a você a função de me fazer feliz.

Portanto,

Siga aí o seu script.

Sei lá.

Cara,

Você tocou naquilo que para mim é a pérola bem no fundo da maior ostra na mais profunda gruta do fundo do mar.

É assim.

Se você chega nesse ponto de verdade com alguém,

Só é possível se você e o outro não estão mais nesse jogo de projeção,

De condição e tudo mais.

E,

Portanto,

Isso significa que você também já perdeu a sua identidade.

Porque a nossa identidade é um mapa das nossas expectativas em relação às pessoas importantes da nossa vida.

Do passado,

Do presente e do futuro.

Quando você,

De fato,

Não a partir de um decreto seu delegante,

Mas a partir de um consumir essa energia,

Transcender essa energia,

Transmutar essa energia,

Você não tem mais expectativas em relação ao passado,

Porque a gente tem muito,

E isso se chama depressão.

A gente não tem mais expectativas em relação ao presente,

E a gente tem muito,

E isso se chama estresse ou angústia.

E a gente não tem mais expectativas em relação ao futuro,

E a gente tem muito,

E isso se chama preocupação e ansiedade.

Quando a gente está fora disso e a gente consegue gostar do outro simplesmente pelo que ele está expressando ali,

A gente só pode fazer isso se a gente está no mesmo lugar.

Por isso que eu brinquei,

Quando a gente chega lá,

Aí sim,

Aí sim a gente está naquele silêncio que se move.

Você está naquela energia que flui,

E você não sabe mais dizer se é partícula,

Se é onda,

Se é criação ou se é renúncia.

Não faz mais nenhum sentido eu fazer essa pergunta,

Porque está tudo bem.

Hoje,

Com isso daí,

Eu fiquei achando.

.

.

Talvez seja cabum.

Acho que você vai acabar com os elefantes.

Não,

Não vai aí.

A gente nunca mais vai ter nada para dizer.

Está dando uma vontade muito grande de ficar quieto.

Como já dizia algum cara da televisão brasileira,

Passa um filme na cabeça.

Posso dizer que sim,

Mas a partir do momento em que você não tem expectativas com o passado,

Não está vivendo o presente sem se preocupar e está totalmente aberto para o unknown,

Para o desconhecido,

Quase você não precisa de um outro ser ao seu lado,

Não?

Mas acho que nesse momento é que você tem mais amor para dar,

Porque o verdadeiro amor aí,

Não sei se é utópico ou não,

É um amor tão grande que não faz nenhuma diferença o que o outro está dando para você.

Aquela história de que você só vai conseguir superar a solidão no momento em que você conseguir ficar muito bem sozinho.

Você,

Teoricamente,

Só vai conseguir viver um amor pleno por outra pessoa no momento em que você tiver um amor que não prenda,

Que não tem amargas nem condições e que essa pessoa,

Se tiver que virar as costas e morar com o vizinho,

Está tudo bem,

Porque você tem um amor por ela e não um amor pelas condições que você colocou para ela estar ali.

Agora,

Você está aqui,

Nesse momento,

No meu lugar favorito.

Ainda que isso seja,

Não,

Apenas um comentário egóico,

Porque,

Afinal de contas,

Um lugar favorito é um lugar egóico.

Esse cara acaba de botar diante da câmara uma garrafa d'água que diz,

Sou uma garrafa a menos.

Essa garrafa assiste os elefantes e ela resolveu encolher seu próprio ego.

Olha só,

Era uma garrafa que existe,

Mas ela não existe.

Olha,

Maravilhoso.

E ela já é de água mineral transparente,

Sem sabor,

Sem cheiro,

Então a loja está indo muito bem.

Mas,

Bi,

Qual é o seu lugar?

Você estava falando do seu lugar favorito,

Fiquei curioso.

É que a gente estava falando do ápice possível do estado psíquico.

A descrição que ele estava dando,

Que é esse lugar de relação,

Que ela é plenamente fluida e plenamente livre,

Só é possível se a gente atinge esse auge psíquico,

Esse auge de cura psíquica,

De curar tudo dentro da gente que empedra,

Que tem nó,

Que diz não,

Que tem medo,

Que fica lá dissociado,

Que fica tentando controlar,

Que fica tentando descobrir quem que é o eu e quem que é o outro,

E fica tentando criar uma espécie de alfândega,

Regulando as entradas e saídas do eu e do outro.

E a gente faz isso o tempo todo e isso é o problema,

E não tem fast track.

Também não adianta você decretar que não vai ter mais fronteira,

Como a União Europeia fez,

E simplesmente a fronteira vai para um outro plano da realidade mais sutil e continua tão real ou mais do que antes.

Então isso precisa ser realmente trabalhado,

E essa questão de você viver a identidade e a diferença até que isso desapareça é um processo psicológico,

Só que quando você chega no topo,

Qual é a diferença desse topo,

Daquele lugar que espiritualmente você quer chegar?

Você já parou para pensar no que realmente significa a Santíssima Trindade?

A Santíssima Trindade,

Os caras explicam,

Antes que vocês pensem que saiu tudo isso da minha cabeça,

Não saiu,

Os caras explicam que a Santíssima Trindade é a manifestação dinâmica e emocional da história toda.

Esse negócio do pai e do filho do Espírito Santo significa essencialmente o seguinte,

É aquele lugar de consciência em que você ao mesmo tempo está como pai e está como filho.

E isso é o curto-circuito,

Ou seja,

Você é o criador e você é a criatura.

E você está simultaneamente passando da perspectiva de criador para criatura na mesma situação.

Ou seja,

Você é o outro,

É o eu,

Que é o outro,

Que é o eu,

Que é o outro,

É o eu e o outro na relação e você vai até que só resta o Espírito Santo.

E isso é o estado místico,

Que é possível uma consciência humana,

Segundo essa tradição,

Entrar em contato com aquilo que a transcende definitivamente.

Aqui mesmo.

E isso é o mesmo lugar que você atinge quando você tem a psicologia.

Então,

De certa maneira,

Talvez a psicologia até seja herança que nós conseguimos desenvolver prática dessa coisa tão maluca que é esse paradoxo da Santíssima Trindade.

Pensei isso agora,

Na verdade.

É.

O Jordan Peterson fala um pouco disso,

Do quanto a gente,

Talvez ele não fale isso por esse viés,

Mas do quanto a gente de alguma forma não dá o devido valor para os conceitos que o cristianismo trouxe para a humanidade,

De atualização psíquica.

E ele,

Daquele jeito dele,

Ele fala muito isso,

De como era o mundo pré-cristianismo,

De quantas pessoas se matavam,

Da barbárie,

Da coisa.

E o quanto o mundo precisou mudar,

Para em algum momento chegar o Freud,

Chegar o Nietzsche,

Chegar o Jung,

Enfim.

E o quanto a gente não dá o devido valor para o cristianismo como base de tudo isso.

Vocês conhecem o Richard Rohr?

Vocês já leram isso,

Cara?

Você agora está.

.

.

Antony de Mello.

Antony de Mello é um padre católico.

Richard Rohr é um padre franciscano americano.

Eu vou puxar uma coisa dele aqui,

Que eu li dele.

Eu estava procurando,

Tentando entender aquilo que eu falei para vocês.

Eu vou ler um parágrafo dele para vocês.

Olha só isso.

Ele está falando justamente de como é que funciona,

Segundo ele,

A verdadeira espiritualidade.

E ele diz que existem duas correntes dentro desse mundo.

Que existe uma tradição do saber e uma tradição do não saber.

Que os termos formais na teologia para isso são apofático ou negativo,

O caminho negativo,

Quando você se move para além das palavras e das imagens e vai na direção do silêncio.

E o caminho catafático,

Que é afirmativo,

Quando você usa palavras,

Conceitos e imagens.

E ele diz acho que os dois caminhos são necessários e juntos eles constroem essa forma de consciência mais alta que é chamada fé bíblica.

Que esse balanço ele é curador,

Mas ele é muito raro porque o ego insiste em ter certeza e perfeita clareza.

Dá licença.

Come on!

Isso é muito bom.

Eu acho que a gente devia fazer um,

Pelo sim,

Pelo não,

Uma franquia um spin-off do Elefante,

Fazer um Larry Snow show sobre amor.

Um capítulo inseparado,

Onde a gente vai entrar mais profundamente nessas questões todas.

Que eu acho que ela é riquíssima porque ela estocou-se na superfície dela.

4.6 (5)

Avaliações Recentes

Mariene

February 21, 2021

Foi maravilhoso.

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