
A Parábola do Espelho no Deserto
by Pedro Engler
A Parábola do Espelho no Deserto é uma história budista profunda que nos leva a refletir sobre o sofrimento, a impermanência e a verdadeira natureza do ser. Através da jornada de Ananda e do ensinamento do monge Bhante, aprendemos que, mesmo em meio às perdas e dores da vida, carregamos dentro de nós uma luz intocável. Essa parábola nos convida a olhar além das aparências e a reconhecer que somos mais do que nossas circunstâncias, encontrando força e propósito na conexão com nossa essência.
Transcrição
Namastê Havia um homem chamado Ananda que vagava pelo deserto em busca de respostas para o seu sofrimento.
Ele havia perdido sua família em uma enchente,
Sua terra fora tomada e agora carregava apenas um saco de grãos em suas costas e o peso de sua tristeza no seu coração.
Certo dia,
Em meio à imensidão árida do deserto,
Ananda encontrou um monge sentado sob a sombra de uma pequena árvore,
Algo raro neste lugar.
Chamado Bante,
Tinha uma expressão serena e acolhedora.
Ananda aproximou-se e desabafou.
Tudo que eu amo foi tirado de mim.
Não sei mais quem eu sou nem por que devo continuar.
O que resta de um homem quando tudo foi perdido?
O monge ouviu em silêncio e então retirou um pequeno espelho de bronze de dentro de sua bolsa e entregou-o a Ananda.
Olhe para esse espelho,
Disse ele,
E me diga o que você vê.
Ananda olhou para o espelho e viu seu rosto cansado,
Marcado pela dor e pela areia do deserto e disse,
Vejo um homem destruído,
Abatido pela vida,
Sem nada a oferecer ao mundo.
O monge então respondeu,
Agora vire o espelho e olhe novamente.
Ananda virou o espelho e percebeu que o outro lado era polido,
Refletindo a luz do sol com intensidade.
O que você vê agora?
Perguntou o monge.
Vejo a luz,
Respondeu Ananda.
O monge sorriu e explicou.
Assim como este espelho,
Você carrega dois lados dentro de si.
O lado que olha para fora e reflete as suas dores,
Perdas,
Identificações,
O eu que sofre.
Mas o outro lado,
Aquele que reflete a luz,
É a sua verdadeira natureza,
Que nunca foi tocada pelas tempestades da vida.
A tragédia pode até obscurecer a sua visão,
Mas nunca pode apagar a luz que você é.
Quando parar de se identificar apenas com o sofrimento,
Verá que a sua essência é como este lado polido,
Brilhante,
Ilimitada e cheia de possibilidades.
O monge então fez uma pausa e depois acrescentou.
Não se prenda ao que você perdeu Ananda,
Pois isso é apenas o reflexo no espelho do mundo.
Olhe mais fundo,
Para o lado que não pode ser manchado pela poeira do deserto.
Ali está a sua verdadeira face.
Ananda ficou em silêncio por um longo tempo,
Refletindo sobre as palavras do monge.
Ele percebeu que sua dor,
Embora real,
Não era o todo de quem ele era.
Com o coração mais leve,
Continua sua jornada,
Carregando o espelho como um lembrete de sua verdadeira natureza.
Essa é a parábola do espelho no deserto.
E ela nos convida a olhar para além da superfície das nossas vidas.
O espelho representa o dualismo de nossa existência,
O sofrimento que percebemos e a luz que somos.
Muitas vezes nos fixamos no reflexo de nossas perdas,
Identificando-nos com a história de dor,
Fracasso,
Rejeição,
E esquecemos que,
Em essência,
Somos mais do que essas narrativas.
No budismo,
A ideia de impermanência nos lembra que tudo no mundo material é transitório,
Inclusive o nosso sofrimento.
A verdadeira liberdade surge quando nos conectamos com o lado polido de nossa consciência,
Aquele que não é afetado pelas tempestades da vida.
Essa história nos ensina que não podemos evitar o deserto,
Mas podemos escolher como nos relacionamos com ele.
Assim como a Nanda descobriu quando mudamos o nosso foco do reflexo das circunstâncias para a luz,
Encontramos força,
Clareza e propósito para seguir adiante.
Então eu quero deixar cinco perguntas aqui para você,
Para você refletir.
O que você vê quando você olha para o espelho da sua vida?
Está preso a um reflexo de dor ou consegue perceber a luz que também existe em você?
Quais histórias ou identificações estão limitando a sua visão de quem você realmente é?
O que você carrega em sua jornada hoje que poderia ser deixado para trás?
Existe algo que não lhe serve mais?
Quando foi a última vez que você se conectou com a sua essência,
Esse lado inabalável que não depende das circunstâncias externas?
Como você pode,
Na prática,
Trazer mais luz para a sua vida e para os que estão ao seu redor?
Que essas perguntas inspirem cada um de vocês a se observar com mais gentileza,
Reconhecer a sua verdadeira natureza,
Florescer,
Mesmo que em meio aos desertos da vida.
Fica aqui a minha gratidão por você estar comigo até o final.
Eu sou Pedro Engler,
Arion.
Conheça seu professor
4.5 (10)
Avaliações Recentes
Meditações Relacionadas
Trusted by 35 million people. It's free.

Get the app
