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Meditação Para Dormir | A Biblioteca Do Silêncio

by Jorge Dias

Tipo
Atividade
Meditação
Indicado para
Plays
1

Imagina uma antiga biblioteca onde tudo parece ter abrandado. Os livros repousam nas estantes, as luzes são suaves e o silêncio envolve todo o espaço. Nesta meditação para dormir, vais entrar nesse ambiente tranquilo e deixar simbolicamente do lado de fora tudo aquilo de que já não precisas de levar contigo para a noite. Pensamentos podem aparecer. Memórias podem surgir. Não é necessário afastá-los. Tal como livros numa biblioteca, podem simplesmente permanecer onde estão enquanto tu escolhes descansar. Página após página, pensamento após pensamento, o dia pode finalmente terminar. E talvez o silêncio que encontras nesta biblioteca comece também a surgir dentro de ti. Esta meditação integra a coleção 21 Noites para Dormir Melhor.

Transcrição

A Biblioteca do Silêncio vamos dizer que são guiadas para um sono profundo.

Respire.

Sem alterar o teu ritmo.

O corpo conhece o caminho.

Mente.

Também o aprenderá.

Esta noite não precisas de compreender tudo.

Não precisas de resolver tudo.

Nem sequer precisas de terminar o dia.

Basta deixá-lo repousar.

Imagina agora uma antiga biblioteca.

Muito antiga.

As suas paredes são de pedra.

O chão é de madeira antiga.

O ar tem o perfume dos livros que atravessaram gerações.

A uma luz dourada.

Soave.

Quente.

Silenciosa.

Não vai endur-me a lâmpada.

Nem de uma vela.

Parece simplesmente existir.

Como se aquele lugar sempre tivesse sido iluminado pela serenidade.

Entretanto,

Abres lentamente uma grande porta de madeira Ela não faz sorriso.

Como se soubesse que ali o silêncio é precioso.

Tu entras.

À tua volta existem milhares de livros.

Algo é muito antigo.

Outros?

Parecem novos.

Cada um guarda uma história.

Uma memória,

Uma aprendizagem.

Uma vida.

Mas hoje?

Não vieste para ler.

Ieste apenas descansar.

Caminhas lentamente entre as estantes.

Os teus passos são um eve.

O chão acolhe cada movimento.

Não existe eco.

Não existe pressa.

Apenas tranquilidade.

Ao fundo da biblioteca encontras uma pequena poltrona.

Muito confortável.

Junto a uma enorme janela.

Afora,

A noite permanece serena.

Sentes-te?

Respiras.

E deixas o corpo afundar-se lentamente naquele lugar.

Eis o mermo.

Muito bem.

E sobre uma pequena mesa repousa um único livro.

Não tem título.

A capa é simples.

Abre-se a primeira página.

E ela está em branco.

A segunda também.

A terceira igualmente.

Sorriso.

Compreendes perfeitamente,

Sem precisar de palavras.

Nem todas as páginas precisam de ser escritas.

Nem todos os dias precisam de ser preenchidos.

Há dias feitos apenas para descansar.

Fechas o livro lentamente.

E sentes um enorme alívio.

Hoje,

Não precisas de procurar respostas.

Elas sabem onde encontrar-te.

Quando chegar o momento certo,

Claro.

Respire.

Inspiração.

E expiração.

Absorve a energia e o ambiente.

Absorva,

Respira essa atmosfera tranquila.

Enquanto permaneces sentado ou sentada.

Escutas apenas o silêncio.

Num silêncio diferente.

Cultor.

Como se cada livro respirasse muito devagar.

Como se cada parede protegesse aquele instante.

Agora imagina que cada pensamento teu é um pequeno livro.

Pega num deles.

Sem abrir.

Coloca-o cuidadosamente numa prateleira.

Depois outro.

Mais outro.

Sem olhar para dentro.

Sem tentar resolver nada.

Todos ficarão.

Guardados em segurança.

Amanhã se for preciso.

Continuarão aqui.

Mas esta noite.

Não precisas deles.

Brasileiras.

Vão ficando completas.

E,

Curiosamente,

Atualmente.

Vai ficando vazia.

Não resio à ausência.

Mas sim um vazio cheio de paz.

Como um céu limpo depois da chuva.

Sente-se agora os pés completamente relaxados As pernas repousam.

A barrilha morse soavemente.

Peito respira livremente.

Os ombros ficam leves.

As mãos permanecem móveis.

O pescoço relaxa.

Os olhos descansam profundamente.

Até os pensamentos parecem falar cada vez mais baixo.

Existe um velho relógio na biblioteca.

Mas ele não marca horas.

Marca a pena,

Jure,

Espire sonho.

Cada inspiração é um momento de paz.

E cada expiração.

É um instante de liberdade.

Talvez repares que o silêncio também tem um som.

É um som impossível de explicar.

Mas o teu coração reconhece-o.

Sempre reconheceu.

É o som do descanso.

Daqui a pouco.

Já nem precisarás da minha voz.

Talvez ela permaneça apenas como uma presença tranquila.

Uma alguém que continua sentado ao teu lado.

Não tem dizer nada.

Porque às vezes.

.

.

A companhia mais bonita Aquela que não precisa dizer.

Palavras.

Não precisa de palavras.

A biblioteca profunda nascerá aberta.

Os livros continuarão a guardar as suas histórias.

As perguntas continuarão à espera.

Sem ansiedade,

Sem urgência,

Sem pressa.

Por gesto noite.

Não existe nada para aprender.

Existe apenas descanso.

Respire.

Pousa os últimos pensamentos.

Fecha lentamente esse livro imaginário.

E entregue-te ao silêncio.

Ele saberá cuidar do resto.

Boa noite.

Talvez.

Nem seja preciso dizer isso.

Por que o teu coração já compreendeu que chegou a hora de descansar.

Respire.

Tchau.

E termino.

E agora te esquece.

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