Namastê.
Seja bem-vindo à prática da meditação da pura consciência,
Transcendendo a densidade e aproximando-nos do subtil,
Indo ao encontro da nossa essência do que já aqui está.
Então,
Queira sentar-se numa posição confortável,
Posando as mãos sobre o colo ou sobre as coxas.
Larga quaisquer tensões.
Permite-te usar a respiração para soltar alguma tensão que possa estar.
Fazendo as três respirações mais profundas,
Cada um a seu ritmo,
Enchendo bem os pulmões e a expirar soltando,
Afrouxando,
Despojando completamente o corpo no chão,
As vezes que forem necessárias para poder posar tranquilamente.
Há tensão neste corpo.
Suavemente,
Sente as sensações que vão brotando no corpo,
Sem querer mudar nada daquilo que vai surgindo.
Mantendo apenas uma atenção aberta,
Recetiva,
De quaisquer sensações que possam surgir neste corpo.
Notando o contato das pernas com o chão ou dos pés,
Se estiver sentado numa cadeira.
O contato dos isquios,
Das nádegas,
Com a almofada e o peso do tronco sobre as nádegas.
As sensações do abdomen passivo,
Afrouxando a zona do peito,
Afrouxando quaisquer resistências internas,
Soltando os ombros e os braços.
A canta passiva,
A língua repousa,
Soltando quaisquer tensões também nos maxilares,
Criando espaço na testa e nas témporas.
Estando ciente de como é que está este corpo,
Não numa percepção intelectual,
Mas sentido,
Sinta o corpo.
Sinta o ar que aflui naturalmente.
Como se todo o corpo inspirasse,
Todo o corpo a inspirar.
Permita-se trazer uma certa aceitação àquilo que está a acontecer neste instante.
Deixe que o corpo tenha as sensações que tem.
Permita esta vida respirar naturalmente como está a respirar.
Talvez note alguma sensação,
Alguma emoção que possa estar presente.
Como é que é se a deixar estar,
Sem querer que ela vá embora,
Sem querer que ela seja outra coisa do que aquilo que está a ser?
Deixe-a estar.
Permita-se estar tal como está,
Sem alimentar nada,
Sem alimentar nenhuma emoção.
Não é um exercício intelectual,
É um exercício sentido.
Permita-se deixar-se ficar com a sensação da emoção que pode estar aí.
Largue a resistência.
Basta de lutar contra o que aqui está.
Vivemos preocupados em cumprir os nossos quereres,
Alimentando os nossos quereres e a evitar as nossas aversões.
Desgastamos demasiada energia nesta dualidade da dor e do prazer.
Deixe-se estar para além disso,
Voltando a atenção para o mundo exterior,
Colocando a atenção nos sons à sua volta por uns instantes.
E ao ouvir,
Note o que surge.
Note como inicialmente tende a observar um som particular que surge numa determinada direção.
Note também como há a tendência de procurar um som.
E nos próximos instantes abre-se à possibilidade de ouvir todos os sons de todas as direções simultaneamente.
Sinta como todo o corpo participa nesta atenção,
Neste escutar global,
Não apenas a mente.
Como se todo o corpo quisesse ouvir.
Todo o corpo participa.
Em vez de direcionar para o som,
Experimente agora sentir-se como a atenção na qual todos os sons surgem.
Sinta-se essa atenção que nota os sons.
Sinta como a mente pensante para podermos estar atentos.
Seja esse campo de atenção no qual os sons surgem e se manifestam,
Que permaneça nesse campo de atenção mesmo que os sons continuem a mover-se através de si ou em si.
Permaneça essa atenção.
No caso da mente fagiária,
Note.
Seja esse campo de atenção transcendendo para lá do som.
E por uns instantes imagine que nada mais existe no mundo.
Só tu.
Existe nada mais.
Apenas um exercício.
Não há memória de mundo,
Não há projeções para o futuro,
Não há passado.
Só tu no mundo.
Nenhum sítio para ir,
Nada para falar.
Só o teu ser existe neste instante,
Neste momento.
Tenha a tua atenção apenas nessa existência,
Tua própria existência.
Largando qualquer ideia de como foste ontem,
Do que queres ser amanhã ou do que serás amanhã.
A única coisa que existe é aqui mesmo.
Esta presença,
Esta atenção,
Neste instante.
Talvez queiras tentar por uns instantes deixar de parte qualquer ideia que tenhas sobre ti própria.
Só por uns instantes.
Qualquer descrição de ti própria,
Qualquer imagem,
Deixa de parte.
Larga.
Não queremos destruir essa imagem,
Esse ideal,
Essa ideia.
É só colocar de parte por uns instantes.
Tentando largar também qualquer tipo de pensamento que possa surgir do que eu quero,
Do que não quero.
Como é ou como deixa de ser.
Larga qualquer que seja o desejo que possa surgir,
Qualquer querer que possa surgir.
Larga.
Até o desejo do despertar,
Da iluminação.
Solta,
Deixa ir.
Seja quereres para uma relação,
Aspirações para o mundo,
Vontades no trabalho,
Objetivos.
Larga.
Larga tudo isso por uns instantes.
Esvazia,
Esvazia,
Esvazia.
É como se de repente retirássemos tudo aquilo em que acreditas,
Todas as concepções,
Conceitos,
Visões.
Larga.
Põe de parte.
Larga tudo.
E há algo que permanece.
Há algo que aqui está que não pode ser posto de parte.
Há algo que não pode ser removido.
Está aqui.
Aqui mesmo.
Não há um objeto,
Não há uma emoção.
É algo que já aqui está.
Difícil de descrever,
Mas já aqui está.
Para além de tudo aquilo que já foi retirado.
Suspende por um momento todos os teus ideais,
A ideia de ti próprio,
Ideais sociais,
Credos,
Crenças,
Tudo.
Solta.
Larga.
Deixa de ficar com o que aqui está que não pode ser removido.
Isto que aqui está que não pode ser posto de parte.
Não pode ser retirado.
Isto que quer que seja,
Que seja,
Que está aqui.
Esta atenção,
Esta consciência.
Será isto que aqui está que não pode ser removido um objeto?
Terá alguma forma?
Isto que aqui está tem alguma forma,
Um formato em particular?
Será isto um limite?
Um fim?
Para além do qual deixa de existir?
Pode isto,
Este lugar,
Ficar ansioso?
Ficar deprimido?
Ficar dependente de substâncias?
Ficar doente?
Será isto uma criação tua,
Imaginada por ti?
Ou já aqui está?
Poderá isto que já aqui está desaparecer?
Desvanecer?
Terá isto sido criado?
Nascido?
E poderá isto,
Pelo mesmo ordem de ideias,
Aparecer?
Desaparecer?
Deixa de ficar por uns instantes.
Nota qual a tua distância de isto que aqui está.
A distância.
Transcendendo a ideia da separação.
Conectando-a com o que aqui está.
Com a tua essência,
Com aquilo que és.
Com a pura consciência que já aqui está.
Não nos aceitamos como somos ou quando não aceitamos a vida como ela é.
Acabamos a comprometer-nos a alimentar esta zanga por nós mesmos e pela vida.
É uma forma de autoabersão.
Quando vivemos a desejar que a experiência seja outra coisa do que aquilo que está a ser,
Estamos a lutar com a realidade.
E a realidade acaba sempre por ganhar.
Neste lugar que tudo acolhe,
Que transcende o denso,
Permite uma transformação espontânea,
Acedendo a quem realmente sou.
Acedendo a uma plenitude,
A um contentamento que já aqui está.
Libertando-nos profundamente.
Isto que aqui está,
Que não foi criado,
Não desvanece.
Isto que aqui está,
Que não fica ansioso ou deprimido.
Que não tem forma nem limite.
Que é para lá de uma crença que não é imaginado nem criado.
Isto que aqui está.
A pura consciência.
A pura consciência.