
Autocompaixão: Demasiadamente Humano
Neste podcast falo sobre a importância de estarmos conectados com os outros e conscientes da humanidade compartilhada. Pois este é um aspecto importante para que possamos ter compaixão por nós mesmos. Depois me conte o que você achou e se você tem compaixão por você como tem pelos outros.
Transcrição
Olá,
Eu sou Tereza Freire,
Sou psicóloga aqui em Brasília e trabalho promovendo a autocompaixão em meus clientes.
Tenho estudado sobre compaixão,
Autocompaixão e entendido a sua importância,
Inclusive experimentando na minha própria vida.
Tenho lido vários autores que estudam a compaixão.
Segundo Christine Neff,
A compaixão envolve três componentes principais,
Reconhecimento de nossa humanidade,
Autobondade e atenção plena.
Hoje vou falar um pouco sobre a importância de reconhecer nossa humanidade.
Somos humanos,
Demasiadamente humanos,
Como diria Nietzsche.
Quem de nós nunca se flagrou ouvindo uma voz interna bem crítica e julgadora,
Como por exemplo,
Nossa,
Por que eu fui comer aquilo tudo,
Ai eu sou uma anta.
Ou ainda,
Uau,
Falei bobagem,
Que vergonha,
Eu devia ficar calada,
Eu só falo merda.
E ainda outros xingamentos,
Xingamentos esses que talvez nunca direcionaríamos a outra pessoa,
Mas assim fazemos,
Brigamos com nós mesmos.
Mas quando entendemos que todos falhamos,
Podemos ser mais gentis com nossas falhas.
Einstein,
Em seus escritos,
Diz,
Abre aspas,
Um ser humano é parte do todo,
A que chamamos universo,
Uma parte limitada no tempo e no espaço.
Ele experimenta a si mesmo,
Seus pensamentos e sentimentos,
Como algo separado do resto,
Uma espécie de ilusão de ótica da consciência.
Essa ilusão é uma espécie de prisão para nós,
Restringindo-nos aos nossos desejos pessoais e ao afeto por pessoas mais próximas.
Nossa tarefa deve ser a de nos livrarmos dessa prisão,
Ampliando nosso círculo de compaixão para abraçarmos todas as criaturas vivas e toda a natureza em sua beleza.
Fecha aspas.
O reconhecimento da natureza interconectada com nossas próprias vidas,
Na verdade,
Com a vida,
Ajuda-nos a distinguir a auto-compaixão da auto-aceitação ou amor próprio.
Embora auto-aceitação e amor próprio sejam importantes,
Sozinhos são incompletos.
Compaixão significa literalmente sofrer com,
O que implica uma mutualidade básica na experiência do sofrer.
A compaixão é relacional.
A emoção da compaixão brota do reconhecimento de que a experiência humana é imperfeita.
Não sei se vocês conhecem esse ditado,
Uma consciência limpa é,
Em geral,
O sinal de uma memória ruim.
Não quero aqui falar de culpa,
Mas esse ditado está dizendo que todos nós falhamos,
Todos nós erramos,
E tudo bem.
Quando estamos em contato com a humanidade comum,
Lembramos que os sentimentos de inadequação e decepção são compartilhados por todos,
Isto é,
O que distingue a auto-compaixão da auto-piedade.
Enquanto a auto-piedade diz,
Ah,
Coitado de mim,
Nada dá certo pra mim,
A auto-compaixão lembra que todo mundo sofre e oferece conforto,
Porque todo mundo é humano,
Oferece conforto até para si mesmo.
A dor que eu sinto em tempos difíceis como essa pandemia que vivemos é a mesma dor que você sente,
E a dor que nós sentimos é a mesma que outras pessoas também podem sentir.
É claro que os motivos podem ser diferentes,
As circunstâncias também,
A intensidade da dor também pode mudar,
Mas o processo é o mesmo,
É humano.
Muitas vezes nós ficamos com medo e raiva quando nos concentramos em aspectos indesejáveis de nós mesmos ou de nossas vidas,
Sentimos que somos impotentes e frustrados por nossa incapacidade de controlar as coisas,
Conseguir o que queremos ou ser quem gostaríamos de ser,
Ah,
Nem sempre conseguimos.
Aqui eu quero convidar você a mudar de perspectiva,
A olhar para você mesmo sob a ótica da condição humana compartilhada.
Infelizmente,
Porém,
A maioria de nós não foca no que tem em comum com os outros,
Especialmente quando sente vergonha ou inadequação.
As pessoas,
Quando falham,
São mais propensas a se sentirem isoladas e desconectadas do mundo ao seu redor,
Em vez de enquadrar em suas imperfeições a luz da experiência humana compartilhada.
Quando focamos em nossos defeitos,
Sem levar em conta o grande cenário humano,
Nossa perspectiva tende a diminuir,
Deixando-nos absorver pelos nossos próprios sentimentos de insuficiência e insegurança.
Quando estamos num espaço confinado de autoaversão,
É como se o resto da humanidade não existisse de fato.
Esse não é um processo de pensamento lógico,
É um tipo de visão através de um túnel emocional.
Quando sabemos que os outros também sofrem,
Que todos nós erramos,
Parece que a autocrítica diminui e fica mais leve,
Fica mais fácil viver com as nossas falhas,
Com os nossos defeitos.
Você já percebeu isso?
Karabá é uma das teóricas da autocompaixão,
Inclusive ela tem meditação e cursos aqui no Insight Timer.
Ela diz,
Abre aspas,
Sentir-se digno anda de mãos dadas com sentir-se separado dos outros,
Separado da vida.
Se somos imperfeitos,
Como podemos pertencer a um grupo?
Parece um círculo vicioso,
Quanto mais deficientes nos sentimos,
Mais ficamos isolados e vulneráveis.
Mesmo quando uma experiência dolorosa,
Que não é nossa culpa,
Como ser demitido do trabalho por causa de uma crise econômica,
Por exemplo a que estamos vivendo agora,
Irracionalmente sentimos que o resto do mundo está feliz e empregado.
Outro exemplo é quando ficamos doentes,
Parece que a doença é um estado anormal,
Incomum.
Ai,
Por que eu,
Por que isso aconteceu comigo?
Quando caímos na armadilha de acreditar que as coisas devem correr sempre bem,
Tendemos a pensar que as coisas saíram errado,
Que saíram do nosso controle,
Porque elas não aconteceram como eu havia imaginado.
Esse não é um processo de pensamento consciente,
Mas uma suposição oculta,
Que colore nossas reações emocionais.
Adotando uma abordagem completamente lógica para o problema,
Devemos considerar o fato de que milhares de coisas podem dar errado,
Também que milhares de coisas podem dar certo,
É claro.
Em vez disso,
Sofremos e sentimos sozinhos em nosso sofrimento.
Em breve eu trarei aqui para vocês um curso no Insight Time sobre auto compaixão,
Sobre compaixão e a importância disso para nossa saúde mental.
A solidão pode decorrer do sentimento de que não pertencemos ou que não estamos na presença de iguais.
Eu posso estar dentro de um metrô lotado e me sentir só,
Me sentir um peixe fora d'água.
Os sentimentos de conexão,
Assim como os sentimentos de bondade,
Ativam o sistema de conexão do cérebro.
Nós tendemos a viver em grupo,
Como todo mamífero,
Claro.
As pessoas que se sentem ligadas a outras não ficam tão assustadas pelas circunstâncias difíceis da vida e são mais flexíveis.
E concluindo,
Eu quero convidar você que assim que possível,
Você faça contato com um amigo,
Um amigo que te aceita,
Te aceita como você é,
Mas eu lhe digo uma coisa,
O ideal seria que você se amasse e se aceitasse como você é.
Escreva essa frase,
Faça dela seu mantra.
Eu me amo e me aceito com todas as minhas qualidades e defeitos.
Esse podcast,
Esse texto está baseado no livro da auto compaixão de Christine Neff.
Muito obrigada e até a próxima.
Conheça seu professor
4.9 (23)
Avaliações Recentes
More from Teresa Freire
Meditações Relacionadas
Trusted by 35 million people. It's free.

Get the app
