Saral.
Saral em sânscrito significa simples,
Objetivo,
Honesto e real.
Sejamos Saral.
Bem-vindos a esta meditação na qual vos vou guiar através de técnicas mindfulness.
Será assim uma meditação focada na respiração.
Portanto,
Procurem um local sem distrações,
Em uma posição confortável.
Podem sentar-se numa almofada,
Pernas cruzadas e mãos sobre as pernas,
Ou então sentados numa cadeira com os pés bem enraizados no chão.
Não convém para esta meditação estarmos deitados.
Convém sim estarmos confortáveis,
Mas com o corpo,
Digamos,
Ativo.
Aqui vamos nós.
Agora sim.
Sentados,
Com a coluna vertebral reta.
Vamos fechar os olhos.
Deixar descair suavemente o queixo à frente,
Para evitar qualquer tensão.
E respirar três vezes profundamente.
Eu faço com vocês.
Inspirar.
E expirar.
Inspira.
Expira.
Inspira.
Expira.
Voltemos agora para uma respiração normal,
Natural,
Sem forçar nada.
Respirem naturalmente e perguntem a vocês próprios,
Assim em forma de check-up.
Como estou?
Como me sinto hoje?
Que emoções trago comigo?
Deixe a surgir naturalmente as respostas e reconheça as emoções que surgem.
Aceita-as,
Agradece e deixa-as ir.
Não vamos tentar forçar nem vamos tentar mudar nada.
É essa a base do mindfulness.
Observar,
Reconhecer,
Aceitar e acima de tudo não julgar os nossos pensamentos,
As nossas emoções e sensações.
Vamos deixar o julgamento fora do nosso caminho em todos os momentos desta prática.
Observem o vosso interior como é.
Nada mais,
Nada menos.
Voltemos agora a nossa atenção para a respiração.
Natural,
Sem manipular,
Deixam-na acontecer.
E sigamos mentalmente o percurso do ar,
Durante a inspiração e a expiração.
O ar entra,
Desce,
Tem um momento de paragem e de seguida sobe e sai.
Uma atrás da outra.
Sigamos este percurso.
Dentro,
Fora.
Dentro,
Fora.
É natural que pensamentos surjam e nos desloquem o nosso foco.
Enquanto ela acontecer,
De forma consciente,
Observem,
Aceitem,
Sem produzir qualquer juízo de valor.
E deixem-nos ir.
E retomem a atenção à vossa respiração.
É este o momento mindful.
O momento consciente no qual nos apercebemos e voltamos a encaminhar,
Gentilmente,
A atenção à prática.
Retomemos assim a nossa âncora,
A respiração.
Inspiração,
Expiração.
Dentro,
Fora.
Dentro,
Fora.
Agora,
Sintam.
Procurem sensações em locais diferentes.
Sensações provocadas pela respiração.
Por exemplo,
O ar frio entra pelas narinas.
Desce ainda frio.
Conseguimos senti-lo no fundo da garganta.
Instala-se nos pulmões.
Consequentemente,
Enche o peito.
Um movimento crescente.
Depois retoma no sentido oposto.
O peito desce.
O ar sobe.
Agora mais quente.
Até ser libertado de novo.
Foquem-se nessas sensações por uns momentos.
Quente.
Frio.
O peito sobe.
O peito desce.
O corpo movimenta-se quase impercetivelmente.
Mas na sua totalidade movimenta-se durante a inspiração e a expiração.
Procurem essas sensações.
O que é que conseguem encontrar no vosso corpo?
O que é que conseguem sentir?
Procurem-as.
Voltemos agora à nossa atenção para um desses locais.
De todos os que exploramos,
Vamos escolher um.
Vamos escolher aquele que sentimos mais.
Aquele que torna a respiração mais evidente.
A inspiração é a expiração.
Escolham um local e fiquem nele.
Pode ser nas narinas,
Onde sentimos mais a diferença do ar frio entrar e o ar quente a sair.
Ou no peito,
Movimento crescente e decrescente.
Ou até no fundo da garganta.
Escolham um local e foquem-se só nos movimentos desse espaço.
Fiquem só nesse sítio.
Uma vez mais,
Se os pensamentos surgirem,
Deixem-nos vir,
Reconheçam-nos e deixem-nos partir.
Sejam gentis convosco próprios.
E retomem à prática.
Retomem ao local onde mais sentem a respiração.
Retomem à vossa âncora.
Mindfulness vem nos ensinar que todas as experiências são válidas.
O prazer,
A dor,
A felicidade,
A tristeza.
O sorriso,
O choro,
A luz,
A escuridão.
Todos são partes de um todo.
Esse todo que se completa no qual um não teria sentido nem significado sem o seu oposto.
Juntos,
Os opostos compõem o equilíbrio.
Por isso,
Observem,
Mas não retulem.
Livrem-se do julgamento.
Pratiquem a aceitação.
E aceitando,
Observemos uma vez mais a nossa respiração.
Dentro.
Fora.
Frio.
Quente.
Passemos agora para uma consciência mais geral do nosso corpo.
Sintamos o peso da gravidade.
Os pés no chão ou a força de estarmos sentados.
O peso do corpo.
A sensação que temos nas pernas.
A coluna.
Os braços relaxados,
Pousados por cima das coxas.
Estejam conscientes desses locais de contato.
Esses locais de apoio.
Os sítios onde sentem a leveza,
A pressão,
O peso.
Onde estão?
Onde sinto?
O que é que sinto?
Corram mentalmente o vosso corpo.
Desde os pés.
Subir pelos genios.
Os joelhos.
Vão sentindo as sensações destas partes do corpo.
As coxas.
A zona pélvica.
Os rins.
Barriga.
Queixa torácica.
Os nossos ombros.
Libertem a pressão dos ombros.
Os nossos braços.
Repousando sobre as pernas.
Nossas mãos.
Nosso pescoço.
A nossa nuca.
O nosso rosto.
Sintam-se.
Procurem-se.
E vamos agora preparar-nos para voltar à consciência do espaço onde estamos.
Vamos começar a prestar atenção aos sons.
O que é que podemos ouvir?
Talvez os passos de alguém.
Os pássaros lá fora.
Ou até o movimento dos carros.
As pessoas.
Conversas.
Devagar.
Vamos começar por mexer os nossos dedos das mãos.
Devagarinho.
Sejam conscientes destes momentos.
E destes movimentos.
Sintam-nos.
Em cada estiramento.
Um dedo.
Outro dedinho.
Sintam estes movimentos e estejam conscientes.
E quando se sentirem preparados.
Devagar.
Suavemente.
Comecem por abrir os olhos.
Uma vez mais de forma consciente.
Comecem-se por perceber as luzes.
As sombras.
As formas que têm à vossa volta.
As cores.
Os cheiros.
O que é que conseguimos sentir?
O que é que conseguimos cheirar?
O que é que temos presente à nossa volta?
Coloquemos então uma mão sobre o peito.
E sintamos o bater do nosso coração.
No silêncio.
Só um pouquinho.
E sorriam.
Sorriam.
E agradeçam a vida.
Uma última inspiração profunda.
Dentro.
E fora.
Agarrem este momento de que é tudo interior.
E levem-no.
Levem-no para o vosso dia.
Sejamos o melhor de nós.
E dessa forma possamos contribuir para um mundo melhor.
Sejamos Sarau.
Grata.
Grata por me acompanharem nesta prática.
Namastê.