
No. 14 - Melhor Não Alimentar Expectativas | Podcast Autoconsciente
Expectativa é a mente imaginando o que vai acontecer, ou como vai acontecer, ou quando vai acontecer, ou tudo isso junto. É a mãe da ansiedade, e também da decepção, da desilusão e da frustração. Vamos explorar as causas e os efeitos das expectativas. E talvez, no final deste episódio, você concorde comigo que a gente vive melhor sem alimentar expectativas sobre nós, sobre os outros ou sobre acontecimentos.
Transcrição
Eu lhe dou as boas-vindas a mais um episódio do podcast Autoconsciente,
Para você se conectar com você mesmo.
Sou Regina Gianetti,
Coach e trainer de autogerenciamento com base em mindfulness,
E faço este programa para compartilhar reflexões e ações para uma vida com mais autoconsciência.
Autoconsciência é a gente se olhar para se reconhecer.
Não podemos passar a vida fugindo de nós mesmos,
Nos distraindo e nos boicotando.
Em algum momento,
A gente compreende que a liberdade,
O amor e a paz,
Que a gente tanto busca no mundo,
Estão dentro de nós.
Então vamos olhar para dentro,
Sem julgamento.
Vamos olhar com compreensão e autocompaixão.
Este é o convite que eu faço para você.
Para quem escuta o Autoconsciente pela primeira vez,
Eu convido também a escutar os episódios anteriores desde o início e em sequência,
Porque existe uma ligação entre eles.
Estão todos no meu site,
Www.
Vocemaiscentrado.
Com.
Br.
É só clicar na opção Autoconsciente Podcast no menu inicial e estão todos lá para você ouvir.
Episódio 14 – Melhor não alimentar expectativas Eu falei de passagem sobre expectativas no episódio 12,
Aquele das estratégias para lidar com a ansiedade.
Agora eu quero aprofundar o assunto,
Porque ainda tem muito o que dizer sobre isso.
Vamos explorar as causas e os efeitos das expectativas.
E talvez,
No final deste episódio,
Você concorde comigo que a gente vive melhor sem alimentar expectativas sobre nós,
Sobre os outros ou sobre acontecimentos.
Expectativa é a mente imaginando o que vai acontecer,
Ou como vai acontecer,
Ou quando vai acontecer,
Ou tudo isso junto.
A gente pode ter as chamadas expectativas positivas,
Que têm a ver com o que a gente deseja,
E expectativas negativas,
Que têm a ver com o que a gente receia.
Eu não sei se você já reparou o quanto a nossa mente cria expectativas o tempo todo,
Sobre grandes e pequenas coisas.
Postamos algo legal na rede social e criamos a expectativa de que os amigos vão curtir e comentar,
E vamos checar se estão curtindo mesmo.
Quem nunca?
Mandamos proposta para um cliente e ficamos de olho na caixa de e-mail esperando a resposta.
Passa um dia,
Passam dois,
Aí a gente não aguenta a expectativa e liga para ele,
Para saber o que achou da proposta,
Né?
A gente vai bem numa entrevista de emprego e cria a expectativa de que vai ser convocado para a próxima etapa.
E cada vez que toco o celular,
Vem aquele pensamento,
Será que são eles me chamando?
Conhecemos alguém interessante numa festa,
O papo é bom,
Rola um certo clima,
E a mente já começa a imaginar se vamos sair juntos da festa,
E para onde vamos,
E como vai ser o dia seguinte,
E tudo mais.
Fala-se não.
Por que criamos expectativas?
É porque somos motivados a evitar o sofrimento e obter o benefício de algo que nos faça sentir bem,
Seguros,
Satisfeitos.
Eu venho falando sobre isso nos últimos episódios,
Né?
Na origem de tudo,
Tudo que fazemos,
Está uma dessas motivações ou as duas juntas,
Evitar o sofrimento e obter benefício.
Quando criamos expectativas de algo que vai ser benéfico para nós,
O que acontece?
Ficamos animados,
Esperançosos,
Antecipamos o prazer.
É tão bom pensar no que desejamos,
Não é?
Como diz o autor do livro O Pequeno Príncipe,
Antoine de Saint-Exupéry,
Se tu vens às quatro,
Às três eu já começo a ser feliz.
Já quando a gente cria uma expectativa negativa,
É como se estivesse se preparando para lidar com uma situação que não queremos,
E aí,
Se realmente o pior acontecer,
Não vai ser uma surpresa,
E ainda vamos poder dizer,
Eu sabia.
É curioso,
Né?
O ser humano até suporta ficar infeliz,
Mas o que ele não suporta é não estar certo.
Como diz,
Ironicamente,
O escritor e cartunista Milhão Fernandes,
Melhor ser pessimista do que otimista.
O pessimista fica feliz quando acerta e quando erra.
É do ser humano criar expectativas.
Eu,
Dentro de mim,
Observo que elas surgem automaticamente,
Como uma consequência da constante busca da minha mente por evitar sofrimento e obter benefício.
Eu talvez não possa evitar de ter expectativas,
Mas o que eu posso é não alimentá-las,
É não dar energia para elas.
E faz todo sentido não alimentar,
Porque expectativa demais também gera sofrimento.
Você quer ver?
Eu posso lhe dar boas razões para não alimentar expectativas.
Primeiramente,
A expectativa,
Como a gente viu num episódio lá atrás,
É mãe da ansiedade.
É um dos fatores que gera ansiedade.
Se tu vens às quatro e às três eu já começo a te esperar,
Ou às duas,
Ou desde a véspera,
O tempo se arrasta.
E a espera,
Que começou gostosa,
Pode se tornar um sofrimento.
O sofrimento de não aguentar esperar pelo que a gente deseja.
O imediatismo,
Que é tão característico dos nossos tempos,
Contribui muito para isso.
Nós estamos muito mal acostumados com as respostas instantâneas da tecnologia,
Por essa coisa de clicou,
Aconteceu,
E não sabemos esperar.
Se alimentar expectativas por si só já traz sofrimento,
A impaciência só aumenta isso.
Outra razão para não nutrir expectativas é que elas podem nos impedir de alcançar o que nós tanto queremos.
É uma grande contradição,
Né?
Eu quero muito algo e acabo não conseguindo justamente porque quero muito.
E como é que isso acontece?
Quando a gente toma uma ação para atingir o objetivo muito desejado,
É comum criar expectativas sobre como as coisas vão acontecer,
Vão evoluir.
E,
De repente,
Elas não acontecem conforme as expectativas.
E aí a nossa mente se enche de questionamentos e dúvidas.
Por que não está acontecendo?
Por que está demorando?
Por que não está dando certo?
O que não está funcionando?
E aí a gente começa a se convencer de que não irá alcançar o objetivo,
Se sente mal com isso,
Perde motivação e,
De repente,
Abandona o objetivo porque não acredita mais nele.
Ou a gente se sabota porque começa a não acreditar na gente mesma,
Na nossa capacidade de atingir o objetivo.
É tipo o caso do time de futebol que começa o campeonato com tudo,
Super confiante para ser campeão,
Porque contratou um monte de reforços,
Está com os melhores jogadores,
Um técnico fodão e tudo mais.
Aí começam os jogos e o time não rende o que se espera dele.
E vêm as cobranças e pressões da torcida,
E o próprio time começa a se cobrar e se pressionar.
E quanto mais o time se cobra,
Mais difícil jogar bem,
Porque a mente dos jogadores não está completamente no jogo.
A mente dele está preocupada demais em não fracassar.
E se afligindo com cada lance que não dá certo e se julgando por não ter um bom desempenho.
E com essas coisas na cabeça,
Eles não jogam bem mesmo,
Nem têm como jogar.
No final das contas,
O que mais atrapalhou o time em atingir o seu objetivo?
A expectativa.
Outra razão para não alimentar expectativas é que elas podem distorcer a nossa percepção da realidade,
Criar uma espécie de auto-engano e tudo terminar em uma grande decepção.
Eu vou compartilhar uma história minha com isso.
Eu tinha 16 anos e paquerava um cara mais velho,
Que fazia faculdade e andava com um puma conversível.
Ele começou a aparecer no ponto de encontro da turma,
Perto de casa,
E conversa vai,
Conversa vem,
Nós viramos ficantes.
Ah,
Eu vivia nas nuvens,
Ele era romântico,
Carinhoso,
Perfumado,
Gato.
A gente se via quase todo dia,
Menos no final de semana,
Porque ele ia para a casa da praia com a família.
As minhas melhores amigas achavam meio estranhas algumas atitudes e histórias que ele contava.
Então,
Ele ia para a praia todo fim de semana,
E era branco feito uma mandioca.
Não deu o telefone da casa por quê?
Olha,
Nem lembro o porquê,
Mas ele não deu.
E naquela época,
Contato era só pelo telefone mesmo,
Não tinha rede social nem celular.
Enquanto as minhas amigas questionavam algumas coisas,
Eu não questionava nada,
Porque eu estava cheia de expectativas para aquela relação,
Achando que a qualquer momento ele ia me pedir em namoro.
Para encurtar a história,
Depois de um mês,
Mais ou menos,
Ele parou de aparecer na rua,
Sumiu.
Pouco tempo depois,
Eu soube por um conhecido que o cara era uma central de fake news.
Ele era mais novo do que dizia,
E não fazia faculdade coisa nenhuma.
Na verdade,
Não tinha nem terminado o colégio.
Ele não morava onde dizia que morava.
O puma conversível era emprestado,
E ele não aparecia no final de semana,
Porque o dono usava o carro.
Pois é.
Dava para desconfiar de que tinha algo estranho com aquele cara.
As minhas amigas bem que me alertaram.
Mas eu estava cheia de expectativas,
E só via o que eu queria ver.
E claro,
Tudo terminou numa grande decepção.
Aliás,
A expectativa não é só mãe da ansiedade,
Mas também da decepção,
Da desilusão e da frustração.
Sabe,
Um dos nossos grandes problemas é esperar que as coisas aconteçam como a gente deseja,
Ou que as pessoas sejam o que a gente quer.
E isso inclui nós mesmos.
É comum criar para nós a expectativa de estar sempre certos,
De ter razão,
De fazer tudo perfeito,
De ser os melhores,
Etc.
,
Etc.
Quantas vezes nos decepcionamos conosco mesmos porque esperamos de mais de nós.
E esperamos de mais de nós,
Dos outros e das coisas,
Porque temos dificuldade em aceitar a vida como ela é.
A vida não é perfeita.
Problemas acontecem,
Planos não se concretizam,
Imprevistos aparecem.
Pessoas,
Incluindo eu e você,
Também não são perfeitas,
Têm fraquezas,
Limites,
Contradições.
Vamos ser realistas.
Não ser atingido pelos revéses da vida e ter a garantia de felicidade constante é irreal.
E,
Ainda assim,
Esperamos isso.
Eu sei que,
Depois de roer muita unha,
Me decepcionar,
Desiludir e frustrar com as minhas expectativas,
Eu me convenci que o melhor é não tê-las.
É verdade que,
Muitas vezes,
Eu crio expectativas sobre algo,
Porque essa é uma tendência da mente humana.
Mas eu não brigo comigo mesma,
Nem me julgo porque,
Em um primeiro momento,
Criei expectativas.
Eu apenas procuro não alimentar aquela expectativa que criei.
Nisso,
A prática de mindfulness ajuda muito.
Primeiro porque a gente percebe tudo o que se passa na nossa mente e se pega criando uma expectativa.
E,
Como expectativa é apenas um pensamento,
Eu deixo ir esse pensamento.
Eu esvazio esse pensamento,
Levando atenção para a respiração ou para uma sensação no meu corpo.
E digo para mim mesma,
Eu deixo ir a expectativa.
Eu desapego dessa expectativa e aceito o que tiver que ser.
Olha,
Eu não sei como estaria a minha vida,
Como estaria a minha saúde,
Sem essa atitude de não alimentar expectativas,
Porque nem sempre eu fui assim.
No passado,
Eu atuei como executiva de uma grande empresa de comunicação.
Tinha um ótimo salário,
Uma estrutura que eu julgava ser sólida.
Eu tinha lá as minhas expectativas com relação à vida profissional e financeira,
Mas nada que me deixasse muito ansiosa.
Na verdade,
Eu era muito segura nessas áreas da vida.
Até que,
Em 2001,
Depois do ataque terrorista aos Estados Unidos,
Estourou uma crise na minha editora e eu fui demitida.
Eu resolvi que,
Dali para frente,
Iria trabalhar como autônoma,
Porque eu queria ser uma mãe mais presente para os meus filhos,
Que eram pequenos.
E aí,
Sem o salário e as garantias de um emprego,
Eu comecei a experimentar uma certa insegurança e a viver sob o peso das expectativas.
Expectativas se o cliente iria aprovar o projeto,
E se iria pagar no dia certo,
E se eu teria projetos novos no mês seguinte,
E se haveria dinheiro para pagar as contas.
Foi uma época de grandes desafios para mim e o meu marido.
Mudamos de cidade,
Construímos uma casa,
O dinheiro nos deu,
Nos endividamos.
Ao longo dos anos,
Tivemos altos e baixos.
E nos momentos baixos,
Eu ficava agitada,
Ansiosa,
Sem foco,
Não dormia.
Mas o pior nesses momentos era como eu me sentia com relação a mim mesma.
Eram as expectativas que eu tinha de mim e as duras cobranças que eu me fazia.
Mas aí eu comecei a praticar mindfulness,
E muita coisa mudou.
Eu aprendi a viver mais no aqui,
Agora,
E não tanto no futuro,
Idealizando como as coisas devem ser ou acontecer.
E entendi que não são as expectativas que fazem as coisas acontecerem,
São as nossas intenções,
As nossas ações no presente e a confiança em nós mesmos e no universo.
Eu continuo desejando coisas boas para mim.
Isso não mudou.
O que mudou foi que eu não alimento expectativas sobre como ou quando o que eu desejo vai acontecer.
Abri mão de tentar controlar tudo para que aquilo que eu quero aconteça.
É impossível e enlouquecedor tentar controlar tudo.
Eu apenas faço o que preciso fazer para os meus desejos se concretizarem.
Faço o meu melhor,
Mas sem me cobrar perfeição,
Reconhecendo os meus limites.
E deixo que a vida cuide do resto.
As coisas vão acontecer no tempo certo,
Da maneira que tiver que ser.
Eu desejo,
Entrego,
Confio,
Aceito e agradeço.
E a vida ficou mais leve.
Que você esteja bem.
Um abraço.
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