
Lidando com emoções difíceis
Nessa prática faremos o caminho de ouvir as emoções como guias das nossas necessidades mentais e emocionais. Quando não sabemos ouvir as emoções difíceis e conscientemente fazemos as ações necessárias para liberar elas, acabamos prendendo as emoções em nosso sistema, que muitas vezes pode se manifestar através de somatizações. O que acontece quando tentamos ignorar nossa necessidade fisiológica de ir ao banheiro? Ela aumenta. O mesmo acontece quando tentamos ignorar uma emoção intensa e em algum momento ela vai explodir, só que dentro de nós. Ouvir as emoções e entender qual é a necessidade que ela está expressando, nos ajuda a encontrar formas de atender essa necessidade.
Transcrição
A prática meditativa,
Ela nos ajuda em muitos sentidos e eu tenho certeza que eu não preciso retomar o tanto de benefícios que praticar meditação nos traz.
Mas o que eu preciso retomar é,
É muito importante que se tu tá tentando essa prática pelas primeiras vezes,
Tu lembre que vai ser difícil.
É como a gente chegar pela primeira vez na academia,
Quando a gente vai treinar.
Quando a gente volta desse dia na academia,
A gente volta cheio de dor,
Porque é a primeira vez que a gente tá experienciando mover os nossos músculos dessa forma.
Da mesma forma,
Funciona às vezes com a meditação.
A meditação,
Ao contrário do que muita gente pensa,
Ela não é uma prática de relaxamento.
Prática de relaxamento,
Por exemplo,
São exercícios de respiração,
Que a gente faz antes da meditação.
A meditação é uma prática que pode ser desafiadora,
No sentido que,
No momento em que tu decide meditar,
Tu passa a perceber a tua própria mente.
E às vezes,
É sufocante a gente ver a quantidade de pensamentos,
Por exemplo,
Que não param de vir na nossa mente.
Perceber o tanto de sentimento que a gente tem que tá ali,
Que a gente não tá processando.
Perceber que,
Talvez,
A nossa ideia de parar a nossa própria mente não vai acontecer.
E aí,
Eu acho importante a gente desmistificar o que é a meditação.
A meditação não é parar os nossos pensamentos,
A meditação não é controlar a nossa mente e a meditação não é sobre fazer os pensamentos desaparecerem.
A meditação é abrir espaço pra gente olhar esses pensamentos e saber que eles não são verdade.
Então,
É como observar os pensamentos vindo e não engajar com eles.
Por que isso é importante em termos de saúde mental?
Porque,
Muitas vezes,
Quando a gente tem um pensamento na nossa cabeça,
A gente tende a acreditar que esse pensamento é verdade.
Por exemplo,
Eu tava no trabalho e eu entreguei um projeto pro meu chefe.
O meu chefe trouxe o projeto e deu alguns feedbacks,
Alguns feedbacks não muito positivos sobre o meu projeto.
O pensamento que vem na minha cabeça é,
Eu sou uma falha.
Será que esse pensamento é verdade?
A meditação,
Ela ajuda a abrir espaço e questionar se esse pensamento é verdade.
A nossa tendência é se colar nisso,
Né?
E pensar,
Eu sou realmente uma falha.
E aí,
Se lembrar de outras situações onde tu errou,
Outras situações onde tu fez um projeto que não deu certo,
Outras situações em que pessoas apontaram pra ti alguma coisa x ou y.
E isso só reforça que esse pensamento é verdade.
Mas esse pensamento não é verdade.
Inclusive,
Se a gente voltar,
O que tá acontecendo é,
O teu chefe não chegou pra ti e te demitiu.
O teu chefe não chegou pra ti e disse,
Tu tá sempre errando.
O que o teu chefe fez foi ler o teu projeto e apontar feedbacks pra melhoria desse projeto.
Nenhuma pessoa consegue estar na cabeça da outra pessoa.
Então,
Quando o teu chefe traz novas informações pro teu projeto,
Não significa que tu fez algo errado.
Significa que ele tem um outro olhar sobre esse projeto e que ele gostaria que esse projeto seguisse esse olhar e não o teu projeto.
Mas pra que a gente possa ouvir isso,
A gente precisa se desconectar do pensamento que diz que a gente é uma falha e que a gente acredita nele.
A meditação,
Ela abre esse espaço.
Por quê?
Porque a gente acaba fazendo esse movimento de conseguir só observar os pensamentos.
E aí,
Quando a gente se percebe indo lá com o pensamento,
A gente só volta pra âncora,
Que pode ser a respiração,
Que pode ser a observação de um objeto.
Então,
A gente tá usando aqui a meditação como uma ferramenta de mindfulness.
O que é mindfulness?
Mindfulness é estar atento à nossa própria mente.
Só isso.
Então,
É muito importante que a gente saiba que pra estar atento à nossa própria mente,
A gente vai ter que ver os pensamentos.
E se é muito pensamento,
Tudo bem.
Tu já sabe que tu tem muito pensamento.
A questão aqui é deixar os pensamentos passarem.
Lembrei que eu tenho que comprar uma coisa.
Hmm,
Onde que eu vou ir comprar?
Nossa,
Não.
Volta.
Eu tô meditando.
Ah,
A pessoa falou uma coisa pra mim ontem.
Calma.
Volta.
Eu tô meditando.
É só isso.
Não é sobre não ser pego na narrativa da mente,
Mas é sobre se lembrar de voltar.
E essa habilidade de perceber sendo roubada pelo pensamento e voltar é o que a gente quer treinar na meditação.
E é por isso que a meditação é utilizada como uma ferramenta de saúde mental.
Bora começar?
Hoje a gente vai fazer uma prática que é sobre lidar com as nossas emoções.
As nossas emoções,
Elas são guias para as nossas necessidades.
Muitas vezes,
A gente tem a tendência de se perceber completamente tomado por essa emoção.
A prática de hoje nos ajuda a abrir espaço entre a gente e a emoção e nos ajuda a entender o que essa emoção tá falando sobre a gente.
Porque a emoção tá aqui pra nos guiar e não pra nos tomar inteiro,
Mas ela tá aqui pra nos dizer tem uma coisa que precisa ser olhada e tem uma coisa que precisa ser feita.
Então,
A prática de hoje vai ser sobre observar as nossas emoções,
Criar espaço e entender o que elas estão tentando nos comunicar antes de ser tomado por elas.
O que eu quero dizer com ser tomado por elas?
Por exemplo,
Alguém foi lá e falou uma coisa,
Tu tava caminhando,
Essa pessoa falou,
Nossa,
Tu é uma pessoa muito feia.
Tu vai ficar com raiva dessa pessoa e muitas vezes tu vai bater nessa pessoa,
Ou tu vai querer xingar essa pessoa de volta,
Ou tu vai querer brigar com essa pessoa.
Ou se tu não é uma pessoa que consegue ir para o enfrentamento,
Tu vai se ressentir.
O que é ressentir?
É o ressentir.
Então,
Tu vai ficar remoendo isso que essa pessoa disse e a raiva vai ficar dentro de ti,
Mas não é como se a raiva não estivesse acontecendo.
A raiva sempre pede uma ação e se tu não consegue botar em prática essa ação,
A ação vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
A raiva vai ser o que?
Oi?
A raiva está dizendo que essa pessoa ultrapassou o teu limite.
E é por isso que ela vem com um movimento intenso de pare,
Você não pode me atravessar.
Nesse sentido,
A gente acaba tendo essa questão de conseguir perceber que a raiva está te pedindo uma ação,
Que é proteger o teu limite.
Como tu vai botar isso em prática?
Como tu vai proteger o teu limite?
Vai ser falando alguma coisa de volta pra essa pessoa,
Vai ser olhar pra essa pessoa e se lembrar que tu não faz a menor ideia de quem é essa pessoa e tu só vai caminhar pra fora dali.
Falar com alguém que está na rua e perguntar quem é essa pessoa,
Tu está vendo que essa pessoa está fazendo x ou y.
Então,
No momento em que a gente olha pra raiva e consegue perceber que a raiva está nos comunicando alguma coisa,
A gente consegue abrir um leque de possibilidades.
E aí a gente sai do pensamento rígido de só uma possibilidade pra múltiplas possibilidades de reação.
E é aí que a gente quer chegar,
A gente quer abrir múltiplas possibilidades.
E aí tu vai ser capaz de tomar decisões conscientes com relação às emoções.
Vamos lá?
Eu vou te convidar pra sentar o mais confortável possível em qualquer lugar.
Pode ser numa cadeira,
Pode ser num sofá.
Se tu escolher deitar,
Também é uma possibilidade pra meditação.
Tu pode deitar,
Mas aí eu vou te convidar a tentar ficar um pouquinho mais atento se é à noite.
Porque se a gente deita pra meditar e é à noite,
A nossa tendência de dormir é um pouco maior.
Não tem nenhum problema.
A gente só precisa entender que se a gente tá usando a meditação como ferramenta de atenção à nossa própria mente e não relaxamento,
Ficar deitado à noite pra meditar pode não ser a melhor opção.
Mas se tu quer usar a ferramenta da meditação como relaxamento,
Aí tu pode deitar e não tem nenhum problema.
Então escolhe a posição onde tu quer estar,
Se é deitado,
Sentado.
Se é no sofá,
Se é na cama,
Se é na cadeira,
Se é no chão.
É totalmente a tua escolha.
E aí quando tu escolher essa posição,
Dá uma mexida,
Se percebe nesse lugar.
Percebe se tá realmente confortável,
Porque a gente vai ficar ali uns 5 minutinhos meditando.
Então tu tem que estar confortável.
A ideia é que teu corpo não seja um impedimento pra poder observar a própria mente.
Então dá uma olhadinha,
Se talvez precisa de uma almofada,
Se tu precisa de alguma coisa.
Se não precisar de nada e tu tiver 100% ok,
Eu vou te convidar a ou fechar os teus olhos,
Ou caso fechar os olhos não seja confortável pra ti por algum motivo,
Eu vou te pedir pra só baixar o olhar e tentar não focar o teu olhar em nada.
Só é um repouso do olhar,
Só repousar o teu olhar.
E aí pode ser repousar o olhar no chão,
Pode ser repousar o olhar nos pés,
Mas só repousar o olhar.
Depois que tu decidiu se tu vai ficar com os olhos abertos ou fechados,
Eu vou te convidar a de novo checar o teu corpo.
Essa posição é confortável?
Se for,
Eu vou te convidar a prestar atenção na tua respiração.
Prestando atenção no ar que entra e no ar que sai.
Prestar atenção em quais músculos que se mexem no teu corpo quando o ar entra.
E quais músculos se mexem quando o ar sai.
Qual o movimento do teu corpo ou não movimento do teu corpo quando tu tá respirando.
Percebe isso?
E agora eu vou te convidar a controlar a tua respiração.
A gente vai juntos inspirar contando até quatro e a gente vai expirar contando até seis.
Inspira profundamente.
E expira completamente pra gente se preparar pra começar a contagem.
Inspira um,
Dois,
Três,
Quatro.
Expira seis,
Cinco,
Quatro,
Três,
Dois,
Um.
Mais uma vez,
Inspira um,
Dois,
Três,
Quatro.
Expira seis,
Cinco,
Quatro,
Três,
Dois,
Um.
Mais uma vez,
Inspira um,
Dois,
Três,
Quatro.
Expira seis,
Cinco,
Quatro,
Três,
Dois,
Um.
Repete,
Um,
Dois,
Três,
Quatro,
Seis,
Cinco,
Quatro,
Três,
Dois,
Um.
De novo,
Um,
Dois,
Três,
Quatro,
Seis,
Cinco,
Quatro,
Três,
Dois,
Um.
Volta pra tua respiração natural.
Sem controle da respiração.
Inspira profundamente pelo nariz.
E expira completamente pela boca até sair todo o ar do pulmão.
Mais uma vez,
Inspira pelo nariz.
E expira completamente pela boca até sair todo o ar do pulmão.
Mais uma vez,
Inspira.
E expira até sair todo o ar do pulmão.
Na próxima vez que tu expirar,
Tenta relaxar todo o teu corpo.
Prestando atenção na tua respiração,
Ela vai ser a tua âncora pra essa prática.
Então,
Todas as vezes que tu perceber que a tua mente foi lá numa outra coisa,
Que não é o que a gente tá trazendo aqui,
Volta pra respiração.
Se lembra,
Eu tava meditando.
Foco na respiração.
E tenta não se julgar,
Não se culpar.
Na verdade,
É uma benção o fato que tu se deu conta e conseguiu voltar.
Lembra que é isso que a gente tá querendo treinar aqui.
Eu vou te convidar a escolher uma situação que aconteceu na tua semana,
Onde tu experienciou uma emoção intensa,
Mas não muito intensa.
Digamos que foi ali um seis.
Um é uma situação onde nada te aborreceu,
Nada aconteceu que foi ruim ou foi bom intensamente.
E dez é foi muito intenso,
Foi muito difícil de lidar.
Então,
Eu queria que tu tentasse escolher uma situação que é um sete.
E queria que tu se reconectasse com essa experiência.
Lembrasse na mente o que aconteceu que te trouxe essa emoção intensa.
Queria que tu sentisse no teu corpo essa emoção.
Essa emoção.
Essa emoção te trouxe.
.
.
O que no corpo?
Talvez tensão nos ombros,
Talvez rigidez no maxilar.
Tenta lembrar como o teu corpo reagiu a essa emoção.
Agora que a gente já se conectou com essa emoção,
E se for mais de uma não tem problema,
Mas não dá pra ser mais de três.
Só traz na mente quais foram essas emoções.
E eu queria que tu se perguntasse,
O que será que essa emoção queria me dizer?
E qual foi o movimento que eu senti que eu deveria fazer a partir dessa emoção?
Por exemplo,
Às vezes quando a gente se sente triste,
É porque a gente foi machucado ou a gente perdeu algo que era importante pra gente.
E algumas vezes a tristeza nos traz esse sentimento de se isolar.
Se retrair.
Mas o que a gente precisa é de apoio e acolhimento pra conseguir curar essa dor.
Às vezes quando a gente sente medo ou ansiedade,
Que é uma roupagem do medo,
Ela fala sobre uma ameaça.
Sobre tu estar se sentindo ameaçado.
O que era essa ameaça?
Faz sentido se sentir ameaçado?
E o que a ansiedade te pediu?
Às vezes a ansiedade pede pra gente evitar as coisas.
Mas será que é realmente isso que a gente deveria fazer?
A ansiedade tá te dizendo pra evitar porque ela pensa que isso é ameaçador.
Mas às vezes a gente precisa enfrentar isso,
Pra conseguir perceber que a gente é capaz de dar conta disso.
Às vezes quando a gente se sente chateado,
Daí já é um sentimento.
Não é tanto uma emoção,
Mas tudo bem.
A chateação é uma roupagem da tristeza.
É quando a gente percebe que a gente foi magoado.
E a gente precisa lidar com isso.
E a gente precisa lidar com isso.
Vai se perguntando.
O que eu senti?
Onde essa emoção se encontrou no meu corpo?
O que essa emoção tava pedindo pra eu fazer?
Qual foi a vontade que eu tive de fazer ao sentir essa emoção?
E o que eu de fato preciso?
Pra lidar com essa emoção.
Um abraço.
Uma pessoa pra segurar minha mão e dizer que eu consigo enfrentar essa ameaça.
Um ombro amigo.
Impor limites.
Comunicar meus limites.
Se questiona o que essa emoção precisa pra poder ser liberada.
E aos pouquinhos eu vou te convidar a se desprender dessa situação.
Vai se desconectando.
Volta a tua atenção de novo pra tua respiração.
Pro ar que tá entrando pelo nariz.
E pelo ar que tá saindo.
Seja pelo nariz,
Seja pela boca.
Percebe a respiração no teu corpo.
O ar que entra e o ar que sai.
O que se mexe no teu corpo.
Se um pensamento vem na mente,
Não tem problema.
Deixa ele passar.
E volta a tua atenção de volta pra tua respiração.
Respiração.
Talvez a gente vai lá naquela situação que a gente acabou de evocar.
Se traz de volta pra tua respiração.
Pensamento veio.
Deixa ele ir.
Volta pra respiração.
Eu vou te pedir pra mais uma vez inspirar pelo nariz.
E soltar todo o ar pela boca.
Até desvaziar todo o pulmão.
Mais uma vez,
Inspirando.
E soltando todo o ar pela boca.
Pela última vez,
Inspira.
Respira.
E solta todo o ar pela boca.
Bem-vinda de volta.
Pode,
Aos pouquinhos,
Ir abrindo os teus olhos.
Se eles já não estavam abertos.
Pode se mexer um pouquinho onde tu tá.
Vai se trazendo de volta pro corpo.
E eu queria que se tu tem um papel e uma caneta perto de ti.
Tu anotasse o que tu encontrou.
Sobre as emoções que tu sentiu nessa experiência que tu teve.
O que tu percebeu que essas emoções queriam te dizer.
O que tu percebeu que essas emoções te trouxeram pro teu corpo.
E quais foram as ações que essas emoções te pediram.
Acho que é muito importante a gente usar esse momento.
Também como uma ferramenta de autoconhecimento.
Porque daqui a pouco,
Se tu sentir essa emoção de novo.
Tu vai saber o que ela tá te comunicando.
E tu vai saber como endereçar ela de uma maneira eficaz e saudável.
Muito obrigada por ter estado aqui comigo.
Espero que essa meditação tenha sido benéfica pra ti.
E que ela impacte toda a tua comunidade também.
Porque uma vez que a gente cuida da gente.
A gente também tá cuidando da nossa comunidade.
Te agradeço por esse tempo.
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