
Humana Podcast #001 com João Paulo Pacífico
O Humana Podcast é uma iniciativa do Gustavo Costa e do Insigh Timer para entrevistar presidentes de empresas conscientes no Brasil. Nesse episódio #001 Gustavo (@costagus_) entrevista João Paulo Pacífico (@joao_pacifico), presidente do Grupo Gaia, e falam sobre liderança, capitalismo consciente, produtividade, meditação e muito mais.
Transcrição
Olá,
Pessoal!
Eu sou o Gustavo Costa e a gente está começando essa série idealizada por nós,
Da Human Academy e pelo Insight Army,
Cujo objetivo é oferecer conhecimento para que a cultura de autoconsciência e de consciência com o planeta possa crescer dentro das empresas brasileiras,
Que é onde são tomadas as decisões de maior impacto no país.
E a gente está tendo aqui o privilégio de começar esse primeiro episódio com o João Paulo Pacífico,
Que é presidente do Grupo Gaia.
João Paulo,
Obrigado por estar aqui,
Por ter aceitado o nosso convite.
Poxa,
Muito obrigado.
Eu que agradeço,
Gustavo.
É um super prazer e um privilégio mesmo estar aqui compartilhando as ideias com vocês.
Legal.
Eu queria que você contasse um pouco para a gente.
.
.
A Gaia está em vários segmentos,
Né?
Vocês começaram como securitizadora e hoje vocês estão em vários lugares.
Conta um pouco para a gente,
Onde é que vocês estão?
Bom ponto,
Boa pergunta.
Eu vou começar com um conceito,
Que é o seguinte.
Acho que uma empresa que se define como uma empresa de produtos ou serviços,
O dia que aquele produto ou serviço deixar de ser relevante,
A empresa não tem mais motivo de existir.
Então,
A Gaia quer cada vez mais ser uma empresa de causas,
Em que o produto ou serviço que a gente está oferecendo,
Vendendo,
Não é que ele é irrelevante,
Mas tanto faz,
Desde que eu tenha uma causa maior.
E a gente tem algumas causas que a gente acaba abraçando.
A gente começou com um produto,
Um serviço,
Na realidade,
Que é a securitização imobiliária,
Uma coisa super específica.
Mas hoje a gente olha a securitização como um meio para fazer algo muito mais legal.
Então,
Como por exemplo,
Para dar habitação para as pessoas.
Então,
Como eu consigo financiar a habitação de pessoas?
Como eu consigo financiar a construção de empresas?
E aí,
Isso sim.
E por sinal,
A gente faz securitização,
Mas às vezes a gente faz outros títulos imobiliários,
Financeiros,
Enfim.
Aí no agronegócio também,
Como a gente consegue levar dinheiro para o agronegócio,
Especialmente para o pequeno produtor.
E aí a gente pode usar o instrumento de securitização ou não.
A gente tem uma questão educacional também.
Aí,
Através de uma ONG que a gente montou há cinco anos,
Que é a Gaia Mais.
E aí,
Através da ONG.
Mas a gente quer levar a educação para as pessoas.
E não necessariamente são produtos que vão ser rentáveis.
Por exemplo,
A própria ONG é só um centro de custo.
A gente doa muito dinheiro todos os meses para impactar a vida das crianças.
Isso tem um sentido muito grande para a gente.
Porque a gente está realmente fazendo algo que tem propósito.
Então,
Hoje em dia,
A Gaia tem questão tanto habitacional quanto de meio ambiente.
A gente faz operações para financiar energia solar.
A gente tem operações para financiar também educação e aí por aí vai.
Então,
A Gaia é uma empresa com um propósito muito forte e que quer fazer a passagem da Gaia aqui no planeta,
Que espero que seja longa,
Valer a pena.
Então,
É isso.
A gente,
Por sinal,
Está especialmente no mercado financeiro,
Mas a gente acaba investindo em vários outros negócios também.
Muito legal.
Depois eu quero voltar na Gaia mais um pouco mais na frente para entender um pouco melhor.
Uma manchete.
O empresário que está mudando o mercado financeiro com a gratidão.
Isso aí acho que foi uma coisa que muita gente que fala no João Paulo Pacífico hoje fala dessa questão da gratidão,
Da felicidade.
Conta um pouco o que é isso.
O que está por trás dessa manchete?
Então,
Foi interessante.
Na realidade,
Isso volta a alguns anos atrás,
2013,
Quando eu entendi que o que tem de mais importante numa empresa são os valores.
Porque as pessoas passam.
Um dia a gente vai sair da empresa por qualquer motivo,
Seja aposentadoria,
Morte,
Validez ou porque você quer sair da empresa.
Só que quando você fala que o que tem de mais importante numa empresa são as pessoas e alguém sai da empresa,
É como se você estivesse perdendo uma parte da empresa.
Mas quando os valores é o que tem de mais importante,
Se alguém sai,
Às vezes pode ser até melhor para a empresa,
Porque aquela pessoa não está naquela vibe,
Não está na cultura.
Então,
A gente fala assim,
O que tem de mais importante na Gaia,
Eu entendi isso em 2013,
É a cultura.
A gente tem que ter uma cultura muito forte para que a gente atraia pessoas e diversas,
Das mais diversas,
A gente tem a questão de inclusão super forte,
Enfim,
Mas que tenham uma mentalidade parecida em relação a como encarar a vida,
Em como encarar os negócios e por aí vai.
E aí,
A gente criou 10 Valores,
Em 2013.
E nessa época,
Eu estava estudando muito Psicologia Positiva,
Enfim,
E os valores passam muito por isso.
E a ideia é que as pessoas sejam felizes trabalhando com a gente.
E o primeiro valor da Gaia é pratique a gratidão.
E gratidão é uma coisa super relevante na nossa vida,
Independente do que você faça.
Você reconhecer as coisas boas que você recebe dos outros e da vida.
E quantas vezes a gente acha que isso é dado,
Isso é dado e tal,
E é tão importante você enxergar coisas que você não estava enxergando,
Que são super legais,
Que aconteceram no seu dia,
E quantas vezes na vida a gente tem que perder algo para valorizar.
Seja,
Às vezes,
Quebrar uma perna para você valorizar andar,
Seja perder o emprego para você valorizar o emprego,
Ou,
Eventualmente,
Até uma pessoa que você rompeu um relacionamento,
Você fala,
Nossa,
Mas era legal naquela época.
E quando você passa a olhar a vida de uma forma mais grata,
Certamente você vai ser mais feliz,
E tem várias pesquisas que mostram isso.
E eu estudando,
E gratidão também é outra coisa legal,
É que quanto mais você pratica,
Mais grato você vai ser.
Então,
Não é que você tem,
Ah,
Eu nasci grato ou eu não nasci grato,
Você pode ser mais grato.
E o nosso primeiro valor,
O primeiro valor da GAIA é pratique a gratidão.
Isso desde 2013.
Então,
A gente procura estimular as pessoas,
Criar rituais na GAIA para as pessoas serem mais gratas,
Que vai ser bom para elas,
Pessoalmente,
E vai ser bom para a empresa.
Enfim,
É um dos valores,
Talvez um dos que todos são iguais em termos de importância,
Mas talvez isso chame a atenção,
Especialmente no mercado financeiro,
Que é um mercado,
Muitas vezes,
Muito materialista e pouco humano.
É um mercado em que as pessoas olham os números antes de olhar a pessoa,
Antes de olhar os valores financeiros,
Antes dos valores pessoais.
E aí,
Quando foi uma reportagem da Vejinha,
Que foi interessante,
Enfim,
E eu não me deixo o empresário,
Eu sei que não sou eu,
Eu sou uma parte só da roda.
Então,
Foi interessante eles falarem da gratidão,
Não do empresário que está mudando,
Porque acho que não é por aí,
Mas enfim,
Foi bem bacana eles levantarem essa borda,
Acho que é legal isso.
Acho que isso é um contraste muito grande com o que acaba acontecendo.
Isso me lembrou,
Falando de psicologia positiva,
Tem um estudo de um professor de Princeton,
Alexander Todorov,
Que diz que as pessoas que são otimistas têm o cérebro,
Na verdade,
Mais desenvolvido.
Que a gente já nasce com esse aparato do pessimismo meio que estabelecido no cérebro,
Então,
Para você ser otimista e desenvolver a gratidão,
Você tem que realmente exercitar.
Então,
É bem interessante você colocar isso como um primeiro valor para exercitar isso dentro do seu time,
Para que as pessoas consigam reconhecer as oportunidades,
As coisas boas que estão ao redor o tempo todo.
Isso é um contraste com o que vem acontecendo no mercado de trabalho hoje em dia,
Principalmente no mercado financeiro.
O que as empresas precisam mudar?
Tem tanta gente,
Por exemplo,
Com burnout,
Com depressão,
Com ansiedade,
Dentro do mercado como ele está estabelecido hoje.
Eu acho que é a mentalidade que a gente aprende.
A gente aprende ou a gente deduz algumas coisas.
Primeiro,
Vamos lá,
O que une todas as pessoas?
O desejo de ser feliz.
Acho que ninguém não quer ser feliz,
Todo mundo quer ser feliz de alguma forma.
E aí a gente acaba atribuindo a nossa felicidade a alguma coisa externa,
Alguma conquista externa.
Então,
Seja o dinheiro ou o poder.
E a própria ciência já mostra para a gente que não é assim,
Não é por aí.
E aí você criou-se aquele negócio de que eu vou ser feliz o dia que eu virar sócio daquele banco,
Atingir tanto de dinheiro.
E você começa a lutar por aquilo.
E não só a gente vê isso na empresa,
Mas a mídia acaba levantando isso muito.
Quando você vê do mil ao milhão,
Seja milionário,
Tal,
Tal,
Tal.
É só importante eu falar que não é questão de ser comunista,
Eu não sou comunista,
Nada disso,
Mas.
.
.
Longe disso.
Longe disso,
Estou no mercado financeiro.
Mas é que você não pode atrelar,
E esses gurus que vendem muito isso,
Você faz isso que você vai atingir tal coisa.
Isso é quase que um crime,
Eu acho,
Para as pessoas.
Porque,
Das duas,
Uma.
Primeiro,
O dia que muita gente não vai chegar lá.
E a gente sabe,
Pelo menos eu acho isso muito forte,
Que tem muitos privilégios.
Óbvio,
As pessoas que cresceram mais financeiramente ou na carreira,
Elas têm o seu mérito,
Mas tem muito privilégio.
Quantos negros você vê presidentes de grandes empresas ou muito bem no Brasil financeiramente?
Tem um ou outro,
Mas 54,
56,
50% da população brasileira é negra.
E não é que eles são menos inteligentes,
É porque mulheres em altos cargos,
Elas têm muito mais dificuldade.
Elas têm que provar muito mais.
Então,
O primeiro passo é,
Sim,
Tem privilégios.
Mas,
Vamos lá,
Aí tem as duas coisas.
A pessoa que consegue chegar lá,
Por mérito,
Privilégio e tal,
Chegou lá.
Ela vai chegar lá e ela vai olhar para baixo e falar,
Nossa,
Estou miserável,
Porque eu achei que agora eu ia estar mais feliz e não estou.
E aí,
Um monte de gente está correndo para lá,
Não vai chegar e vai ficar frustrado da mesma forma.
Então,
É uma corrida atrás de algo que não vai trazer nada para ninguém.
E aí,
Acho que vale até conectar um pouco.
Então,
Um,
É essa busca por algo externo.
Que,
De novo,
É bom as pessoas buscarem,
Evoluírem,
Crescerem,
Mas não colocar a felicidade naquele lugar.
Não é só isso.
Não é só isso.
E a caminhada é muito mais importante do que a chegada.
Óbvio,
Você vai trabalhar 10,
20,
30 anos para ganhar aquele dinheiro,
Aí você vai ficar feliz no dia que você ganhar aquele dinheiro?
É óbvio que não.
Que esses 10,
20,
30 anos sejam muito melhores,
Que você aproveite esse momento e que seja realmente muito agradável isso tudo.
E se você chegar lá,
Ótimo,
E se não chegar,
Está valendo também.
Mas você aproveitou esse tempo todo.
Legal.
Isso é uma coisa que é importante e acho que as pessoas acabam olhando dessa forma.
Um outro aspecto que eu acho que é legal falar também,
É isso que é o tal dos jogos finitos e infinitos.
Uma teoria do James Carsey.
Uma teoria antiga,
De 1986,
Mas que estava meio dormente.
E eu li esse livro no começo do ano,
Que o Ellington Nogueira,
Que é o cara que fundou o Doutores da Alegria,
Um cara sensacional,
Ele me falava desse livro e tal.
E daí eu li e abriu minha cabeça para muita coisa.
E agora,
Esse ano de 2019,
O Simon Sinek lançou,
Que é um escritor que eu admiro muito também,
Ele lançou um livro sobre esse mesmo tema.
Jogos infinitos,
Chamou o livro dele.
E para mim faz muito sentido.
Que ele divide os jogos,
Que é como a gente interage com os outros,
Em dois tipos de jogos.
Os jogos finitos e os jogos infinitos.
E faz parte,
A gente tem os dois tipos de jogos na vida.
O problema é quando você tem a cabeça de um jogando o jogo do outro.
Você acha que você está jogando um jogo,
Mas na realidade é outro.
E aí,
Aprofundando um pouquinho,
O jogo finito é um jogo com regra clara,
Que o objetivo é ganhar.
Alguém ganha,
Alguém perde e pronto,
Acabou.
O jogo infinito,
O objetivo é o jogo continuar.
E ninguém ganha.
Você pode sair do jogo,
Mas ninguém ganha.
E se o jogo acabar,
Todo mundo perde.
E a vida acaba sendo um jogo infinito.
A vida é um jogo infinito,
As empresas são um jogo infinito,
Os relacionamentos são jogos infinitos.
Porque ninguém ganha,
Ninguém é o campeão da vida,
Ninguém é o campeão da carreira,
Nenhuma empresa é a campeã.
A empresa,
Assim,
É muito comum até,
A empresa vai lá e fala,
Eu sou a melhor empresa em tal coisa.
Isso aqui é uma métrica arbitrária,
Num espaço de tempo arbitrário e subjetivo.
O cara vai lá e pega,
Entre janeiro e março,
Eu fui a melhor empresa no Brasil,
De acordo com meus clientes.
Enfim,
Começa a criar essa mentira,
Essa competição,
Que não leva nada a lugar nenhum.
E se as empresas mudarem essa mentalidade e começarem,
Não,
O meu objetivo é que o jogo continue.
E aí,
Você muda a forma de encarar a coisa,
Você muda a forma de encarar o jogo.
Ao invés de você querer diminuir o outro,
Ou bater na concorrência,
Até é muito legal,
Uma das coisas dos jogos infinitos,
É que você não quer acabar com o seu concorrente.
Não,
O seu concorrente é alguém que é super importante para o seu crescimento.
Para o crescimento do mercado como um todo.
De todo,
E o seu também,
Porque é aquele cara que vai te ajudar a ser melhor.
E está ótimo,
Quando você começa a olhar os outros dessa forma,
Que o cara é uma pessoa que é importante para melhorar o meu serviço,
O meu produto,
Eu não quero bater nele.
Eu estou preocupado com a minha evolução,
Não com a evolução dele.
E como eu posso evoluir?
E aí,
Você muda a forma de encarar a vida.
E acho que é muito isso também.
Nos negócios,
Tem essa questão de olhar muito curto prazo.
O lucro deste trimestre é a coisa mais importante.
É como se o mundo fosse acabar no final do dia 31 de dezembro.
Só que as empresas esquecem que tem dia 1º de janeiro,
Que é um dia igual ao dia 31 de dezembro,
É o dia seguinte.
E quantas empresas quebraram,
Que eram gigantescas,
Mas com executivos extremamente.
.
.
Não sei qual seria a palavra,
Mas.
.
.
Competentes.
É,
Competentes,
Mas que olham a curto prazo.
Que olham a curto prazo.
Então,
O cara quer ganhar aquele lucro naquele trimestre.
E daqui a dois,
Três anos,
Ele não vai estar lá mesmo,
Ele vai maximizar o bônus dele desse ano,
Vai ganhar muito dinheiro.
E o cara vai embora,
Depois troca de empresa,
Mas a empresa,
O objetivo é ela continuar.
E o que acontece é que hoje,
Se você for olhar,
A média de vida das empresas reduziu muito nos últimos anos.
Muito,
Muito,
Muito.
Seja porque ela é comprada,
Porque ela é vendida ou porque ela quebra.
E várias empresas gigantescas quebraram por conta de uma visão de muito curto prazo.
Uma visão finita num jogo que é infinito.
Muito legal esse conceito.
E isso,
Se a gente leva isso para a vida das pessoas,
No final das contas também impacta,
Porque a pessoa que se mobiliza tudo,
Todos os recursos que ela tem para bater uma meta trimestral,
Acaba que no final das contas,
Quando ela chega e bate,
A meta ou não bate,
Fica faltando alguma coisa.
E acho que a gente volta naquela questão da felicidade,
Que não é só isso que leva a felicidade.
Para falar um pouco sobre esse assunto de felicidade,
Felicidade,
Dá para ser feliz o tempo todo?
Boa pergunta.
Tem duas coisas que eu acho que é legal comentar.
Uma é um conceito que o Ed Diener fala no livro dele,
Que é o seguinte,
Se fosse falar de 0 a 10,
O ponto ótimo de felicidade para ele é o 8.
É impossível você estar sempre super lá em cima.
E nem é saudável.
Digamos que você é uma pessoa extremamente otimista 24 horas por dia.
Você não vai usar cintura de segurança,
Você não vai olhar para o lado quando você vai atravessar a rua.
Não,
Vai dar tudo certo hoje,
Eu vou fechar o olho e vou andando.
Não,
Óbvio que não é assim.
Então,
A comunicação não violenta fala que os sentimentos e emoções desagradáveis,
Não é ruim,
É desagradável você ter tristeza,
Medo,
Enfim,
São super importantes.
Porque através desses sentimentos e emoções,
Você se conhece mais.
E o próprio Atal Ben-Shahar,
Que eu faço um curso com ele online e tal,
Mas é um curso um pouco longo,
E um dos aspectos da felicidade,
Que é o bem-estar integral da pessoa,
É você aceitar as suas emoções.
E você aceitar que sim.
Não adianta você falar assim,
Aconteceu uma coisa ruim,
Não,
Eu estou feliz porque aconteceu uma coisa ruim.
É óbvio que você vai ficar triste.
Você tem que aceitar isso.
Sim,
Eu fiquei triste porque aconteceu uma coisa ruim para mim.
Aí o ponto é a sua recuperação,
Aí legal.
Como você consegue se recuperar,
Se recuperar bem e tal,
Mas para passar.
Mas é importante você passar por aquele momento ruim,
Aquele sentimento desagradável,
E faz parte disso.
Então,
A felicidade é muito mais a forma como você encara a vida e que no momento,
No seu nível basal,
Você esteja numa vibe boa,
Você consiga passar coisas boas para as pessoas.
Legal,
Acho que muitas vezes a gente associa,
Tem gente que associa a felicidade a um pico de euforia.
E eu acho que felicidade,
Na verdade,
É mais a trajetória,
Em que você sobe,
Desce,
Sobe,
Desce,
Mas que você consegue se manter dentro dessa base,
Como você disse.
Total.
Não,
E também a felicidade tem um aspecto bem grande da questão do significado,
Do sentido,
Do propósito.
E coisas que deixam a gente,
Que fazem muito bem para a gente.
E não necessariamente naquele momento você vai estar pulando entusiasmadíssimo,
Não.
E você vai estar super feliz por estar fazendo algo incrível,
Que você está contribuindo para algo maior do que você.
E eu acho que é isso.
Não é aquele pico que você está pulando,
Pulando,
Não.
É uma forma de,
Como você está,
Por exemplo,
Às vezes você medita,
Você acaba a meditação,
Você vai estar super bem.
Vai estar feliz,
Só que você não está eufórico,
Gritando na rua.
E isso é um nível,
Você está feliz quando você acaba de meditar normalmente.
Meditação é para quê,
João Paulo?
Por que você medita?
A meditação é para eu aproveitar mais a vida.
Eu acho que,
Para se autoconhecer também.
Eu acho que a meditação é aquilo,
É só aquele tempinho que você medita por dia,
Para que no resto do dia você aproveite mais.
A meditação não é pela meditação,
É pelo resto.
E aí,
Especialmente uma das coisas que eu acho que são mais relevantes,
É para você ficar no momento presente.
Então,
Quanto mais a gente consegue viver o momento presente,
Apreciar aquele momento que você está,
Não estar lá no futuro ou no passado.
E tem até aquela pesquisa que mostra que quase metade do tempo a gente não está no momento presente,
A gente está com aquela mente vagante.
E essa mente não é uma mente feliz.
Então,
Para mim é muito isso.
Eu acho que o meditar passa por isso,
Passa por eu estar bem comigo mesmo e que eu esteja vivendo a vida e me conhecendo.
Mas sabe que esses dias,
Eu até postei,
Eu vi um vídeo muito interessante do Yuval Harari lá do Sapiens.
E ele falou um outro viés da meditação que eu gostei.
Ele falou o seguinte,
Que a gente está em um mundo hoje em que governos e organizações,
Eles têm um poder,
Talvez,
Muito grande de nos influenciar.
Porque hoje a gente sabe que a gente é completamente olhado.
As pessoas sabem todos os seus comportamentos,
Coisa que até a gente às vezes não sabe e eles sabem da gente.
Eles sabem o que você fez,
Onde você olhou,
Tudo o que você fez eles sabem.
E isso para eleições e para várias coisas já usaram muito forte,
Usam.
E para consumo.
Outro dia eu estava falando com o advogado e ele falou,
Você vai viajar para tal lugar,
Você não sabe se foi você que escolheu ou se foi o país ou o local tal que mandou uma publicidade tão forte para você e você escolheu por conta dele.
E a gente realmente não sabe o quanto a gente é influenciado.
E é assim.
E é assim,
Porque você falou,
A gente comentou uma coisa,
Meu celular está ouvindo,
Depois ele começa a aparecer anúncio sobre aquilo.
É verdade.
É muito isso.
E o que ele fala é que através da meditação você vai ter um autoconhecimento maior,
Melhor,
E aí você talvez fique um pouco menos suscetível a cair nessas,
Entre aspas,
Armadilhas.
Falar,
Opa,
Espera aí,
Acho que eles estão tentando me levar para esse lado.
E acho que quanto mais a gente tem um autoconhecimento,
Talvez menos suscetível a ser influenciado por outros e aí,
Nesse caso,
Especialmente pelas mídias digitais.
Bem interessante essa perspectiva.
Sempre que eu penso em autoconhecimento,
Que é uma coisa que tem se proliferado muito,
Muita gente fala em autoconhecimento,
Eu penso,
Quando a gente quer conhecer sobre alguma coisa,
A gente vai lá e pesquisa sobre aquilo.
Estou estudando algum estudo,
Vou lá,
Pesquiso,
Faço uma imersão.
Quando eu fecho o olho e me observo,
Eu estou pesquisando a mim mesmo.
Então,
Acho que a meditação é uma ferramenta potente para autoconhecimento,
Porque você está praticando a auto-observação.
Autoconhecimento leva aonde?
O que para você é autoconhecimento?
Eu acho que é para.
.
.
Excelente pergunta.
Eu acho que é para você conseguir viver melhor.
E aí,
Você sabe,
Aquele negócio,
A gente fala,
Um outro assunto que eu tenho aprofundado é a compaixão.
Daqui a pouco a gente fala um pouquinho,
Levar compaixão para as empresas,
Para os líderes,
Muito bom.
Só que,
Para você fazer para o outro,
Você tem que fazer para você mesmo primeiro.
Então,
A própria compaixão,
É importante você ter autocompaixão,
Senão,
Se você não está bem,
Se você não consegue ter compaixão com você mesmo,
É difícil,
Às vezes,
Ter com o outro.
Eu acho que o autoconhecimento é muito isso também,
Para você ter um relacionamento melhor com os outros,
Para você ter,
Enfim,
Uma vida mais plena em todos os seus aspectos,
É importante você se conhecer,
Porque é o seu carro,
O que você está dirigindo.
Então,
Se você,
Imagina você querer,
Poxa,
Eu quero estar muito próximo daquela pessoa,
Eu quero ajudá-la,
Eu quero criar um relacionamento forte com essa outra pessoa,
Se eu não me conheço.
Então,
Eu acho que o autoconhecimento é o primeiro passo,
Para depois você conseguir,
Quanto mais você se conhecer,
Melhor vai ser a sua interação com o mundo,
E vai ser melhor para você,
Para o outro e para o mundo também.
Perfeito,
Legal.
Tem alguma coisa,
Bebe,
Da fonte da espiritualidade,
Tem alguma coisa nesse sentido,
Quando você chega em autoconhecimento?
Eu vi você falando que algumas vezes na sua vida você decidia e parece que as coisas chegavam até você,
Como se fosse alguma atração.
Como é que é isso para você?
Não,
Total.
Então,
Acho que essa questão de espiritualidade é.
.
.
Eu não estou nem falando de religiosidade,
Mas de espiritualidade,
De propósito,
De sentido nas coisas.
E tem,
Claramente,
Para mim,
Tem muita coisa que a gente não enxerga,
Que está acontecendo.
Assim como a gente não enxerga o ar,
Que é uma coisa tão óbvia que a gente sabe que tem aqui,
Tem muitas outras coisas.
E eu não sei o motivo,
O porquê ou como,
Mas uma coisa que eu experiencio com uma frequência muito grande é as coisas que acabam acontecendo,
Que de verdade caem no meu colo na minha vida.
E isso é muito louco,
Porque às vezes eu preciso fazer tal coisa,
A gente precisa,
Isso seja nos negócios,
Na vida,
A gente tem que fazer tal coisa com tal pessoa,
De repente a pessoa cai na minha frente.
A vida traz muitas e muitas respostas,
Coisas que acho que probabilisticamente seriam.
.
.
Impossíveis.
Impossíveis e acontecem.
Tipo,
A gente precisa fazer tal coisa,
Aparece a pessoa na minha frente,
Tipo,
Me liga uma pessoa,
Quero te apresentar a tal pessoa,
Só porque a gente pensou ou falou de alguém.
Isso em vários aspectos da vida.
De novo,
Não sei o porquê acontece.
Eu acredito que é devido à forma como a gente encara a vida e a nossa intencionalidade com os outros.
E eu acho que procuro que a gente seja bastante positivo,
Sem prejudicar ninguém,
Realmente para construir coisas legais.
Então,
Eu acredito fortemente que tem várias forças que a gente não enxerga que acabamos ajudando.
E isso traz uma responsabilidade,
Por outro lado,
Também,
Para mim.
Porque eu acho que,
De verdade,
A gente é tão ajudado que eu tenho que fazer por merecer essas coisas.
Então,
É uma responsabilidade positiva,
De,
Pô,
Eu vou usar para o bem essas coisas todas que eu tenho acesso,
Que eu tenho o privilégio de ter,
Enfim.
Tipo,
Por exemplo,
Aqui a gente está falando,
A gente está atingindo várias pessoas.
A gente poderia usar isso de várias formas.
Podia usar por uma coisa que não é tão boa,
Uma coisa mais egoísta,
Por exemplo,
Óbvio que não é o caso,
Para vender um produto,
Para não sei o quê,
Ou para,
De alguma forma,
Tentar manipular aquela pessoa para o que a gente quer.
E não,
Se a gente tem essa oportunidade,
Vamos compartilhar coisas que realmente vão fazer,
Que a gente acredita que vão fazer muito bem para as pessoas que estão ouvindo.
Sim.
Legal.
Profundo.
Queria falar um pouco sobre liderança.
Tem uma frase sua que,
Líder tem que ser a pessoa mais descartável da equipe,
Mas tem que ser a pessoa que mais agrega valor quando está lá.
Você pode elaborar um pouco isso melhor?
Sim.
Eu acho que o líder está lá para servir.
Então,
O que acontece muitas vezes é que o líder está lá para ser servido pelos outros.
E eu acho que não,
O líder tem que estar lá para servir.
Porque se o líder cuidar bem da sua equipe,
A sua equipe vai cuidar bem do outro,
Vai cuidar bem do seu cliente e as coisas vão fluir muito melhor.
Se as pessoas estão lá para servir o líder,
Aí sem dúvida é uma questão mais de jogo finito mesmo,
Como eu falei antes,
Que é,
Poxa,
Eu sou o rei e está todo mundo aqui para me servir.
Eu acho que é o contrário.
E por esse lado,
O líder,
Eu acho que se você consegue,
De alguma forma,
Preparar a sua equipe para que ela rode bem e que ela esteja rodando,
Poxa,
Então eu sou descartável,
Eu posso sair daqui e vai continuar indo bem.
Mas então você não precisa desistir,
Não.
Então,
Quando eu estiver lá,
Eu tenho que ser muito útil,
Eu tenho que valer a pena estar lá.
Eu tenho que agregar um valor,
Não digo financeiro,
Eu tenho que agregar um valor que,
Caramba,
Faz a diferença lá dentro.
É você conseguir ter esse apego de não ser centralizador e tentar empoderar a sua equipe para que ela realmente consiga fluir bem e você ser aquele apoio para servi-los,
Para ajudá-los a ir para um próximo nível,
Seja de consciência,
Seja de produtividade,
Seja de entrega.
E aí acho que vale casar já essa questão da compaixão.
Há uns meses atrás,
Eu fiz um curso que a Gaia Mais,
Que é a nossa ONG,
Ela foi escolhida para poder no Brasil aplicar uma.
.
.
Teve uma técnica que se chama C-Learning,
Que foi uma parceria entre o Dalai Lama e uma universidade chamada Emory.
E aí os facilitadores da Gaia Mais foram lá,
Foram quatro dias de curso,
E eu fui lá,
Enfim,
Eu não dou aulas,
Mas eu quis ir como curioso pela Gaia Mais,
Mas para tentar beber um pouco mais na fonte do que eles estão falando,
O Dalai Lama com o Emory e tal,
E a social,
O ético,
É educação social,
Emocional e ética.
Então foi muito legal e tal.
E aí uma das coisas que me chamou bastante a atenção é quando eles falaram de compaixão.
E que a ideia deles é ensinar compaixão para as crianças nas escolas.
E eu achei incrível,
Sensacional,
Faz sentido,
Mas eu comecei a refletir um pouco no meu mundo.
Eu falei,
Nossa,
É sensacional,
Nas escolas tem que ter isso aqui.
Mas nas empresas tem que ter também.
Os líderes têm que ser compassivos.
Se nós tivermos líderes compassivos,
O mundo vai ser muito melhor.
O que é um líder compassivo?
Eu vou explicar primeiro o que é compaixão na minha visão,
Tá?
Todas as visões são meio parecidas,
Mas eu acabei dividindo em três passos para ficar bem claro.
Primeiro,
Você tem empatia.
O primeiro passo da compaixão é empatia.
É você se colocar no lugar do outro,
É você sentir o que o outro sente.
Isso já cria uma conexão muito forte com o outro,
Mas a própria ciência mostra que o excesso de empatia pode causar fadiga.
Porque é aquele negócio,
Se você for sentir as dores de todo mundo que está em volta,
Caramba,
Pesa.
Fica bem cansativo.
Fica cansativo.
Mas esse é o primeiro passo.
O segundo passo é o desejo de evitar ou de aliviar o sofrimento da outra pessoa.
Então,
Um,
Você se colocou no lugar do outro.
Dois,
Você não quer que ela sofra.
Agora ou depois.
E o terceiro passo é a ação,
É você agir.
Nem que seja com um pensamento,
Com uma ação física,
De ajudar alguém,
De acarregar alguma coisa ou ouvir essa pessoa.
Enfim,
Você vai agir.
E o que a ciência mostra é que o excesso de empatia,
Por um lado,
Ele causa fadiga,
O excesso de compaixão não.
É maravilhoso.
Pessoas compassivas são mais felizes,
Elas têm menos depressão.
Tem vários estudos que mostram.
Tem um.
.
.
Stanford tem um departamento que estuda,
Desde 2008,
Altruísmo e compaixão.
Caramba,
Se Stanford,
Que olha a tecnologia de última geração,
Está olhando compaixão,
Tem alguma coisa nisso.
Tem muita coisa nisso.
E eu falei,
Caramba,
Os líderes têm que pensar.
E aí o LinkedIn é uma empresa que busca ter a gestão compassiva.
E eu estava conversando com o Alexandre Ulman,
Que ele é diretor para a América Latina de RH do LinkedIn.
E daí eu fiz uma pergunta para ele.
Uma pergunta meio para,
Enfim,
Para ouvir a opinião dele.
Eu falei,
Mas então,
Ale,
Um líder compassivo,
Ele não demite?
Ele falou,
Não,
Ele demite sim.
Porque se aquela pessoa não está cabendo naquela carteira,
Por algum motivo,
Ela não está feliz também.
Se a empresa não está feliz com ela e se você foi honesto,
Não está bom para ela.
Então,
Às vezes,
É melhor você demitir a pessoa.
Você ficar segurando ela naquela vaga,
Só porque.
.
.
Não,
Às vezes é um ato de compaixão você.
.
.
Lógico,
Desde que você seja humano com aquela pessoa,
Você demiti-la.
Por mais paradoxal que possa parecer.
Exatamente,
Por mais paradoxal.
.
.
E por mais que aquela pessoa,
Às vezes,
No início,
Ela vai ter dificuldade de perceber que foi interessante.
Mas depois que passa um tempo,
Ela pode conseguir,
Olhando para trás,
Conectar os pontos e perceber que valeu a pena.
Porque aquilo foi bom para ela.
Quantas vezes na nossa vida,
A gente foi tirado de uma zona de conforto e depois a gente cresceu muito mais e falamos,
Nossa,
Ainda bem que aconteceu aquilo.
Várias vezes.
Várias vezes,
E você fala naquela época.
E quando aconteceu,
Você falou,
Caramba,
Nossa,
Acabou o mundo,
Não sei o que vou fazer.
Mas não,
Aquilo foi bom para você.
Eu até estava fazendo um exercício com a Dani Junco,
Hoje de manhã que ela passou em um evento que a gente estava,
Ela falou assim,
Pega qualquer espaço de tempo,
Desde que você era criança,
Desde que você começou a trabalhar no último ano,
E ela anota pontos bons e pontos ruins que tiveram nesse período de tempo.
Doze pontos.
E aí você põe um ponto bom,
Um ponto ruim,
Um ponto médio,
Um ponto grande.
E aí você está vendo que quantas vezes na vida a gente passa por momentos super difíceis,
Mas depois você vai chegar lá em cima de novo e está super bem e depois você cai.
E às vezes,
Quando você está lá embaixo,
Você acha que não.
Nossa,
Caramba,
Acabou tudo.
A gente é muito ruim para prever.
A gente é muito ruim para prever felicidade,
Prever o que vai fazer a gente feliz e a gente exagera no que vai fazer a gente triste também.
Que eu acho que volta aquela questão do desenvolver o cérebro para ser otimista.
A gente já está com o aparato todo construído para a gente ir para o lado ruim da coisa e tem que desenvolver para ir para o lado bom.
Isso me lembrou um discurso que o Steve Jobs deu para os formandos de Stanford,
Falando isso de conectar os pontos,
Que quando você está vivendo uma situação difícil,
Às vezes você não consegue entender onde é que ela vai dar.
Mas quando você aprende a olhar para o passado e observar que essas situações difíceis invariavelmente te levaram a um lugar mais interessante,
Você consegue,
No presente,
Quando você está passando por uma situação difícil,
Passar com mais suavidade,
Né?
Perfeito.
Que eu acho que é um ponto interessante da questão de conquistar a felicidade.
Você está no presente,
Vivendo as suas situações,
Passando pelos desafios,
Porque ninguém.
.
.
Não é porque você é feliz que você não passa por desafio,
Né?
Não,
E é maravilhoso passar por desafio.
É maravilhoso,
Que é o que vai te fortalecer,
Vai te tirar da zona de conforto,
Que você vai construir uma nova zona de conforto,
Né?
Total,
E faz parte da vida.
Você já pensou se tudo que você programou vai ser um tédio,
Né?
Quero ir para lá,
Se tudo que você pensa dar certinho,
Se você programou a sua vida,
Acabou.
Então,
Nem precisa viver,
Né?
Então,
Faz parte isso.
Legal.
E voltando na questão da liderança,
Você falou que você tem que fazer com que o time rode sozinho,
Né?
O que é essencial para fazer com que o time rode sozinho?
A confiança,
Eu acho.
A confiança.
Acho que é a confiança nas pessoas.
Porque se você confia no seu time,
Por exemplo,
Ele vai estar mais à vontade para ser ele mesmo.
Primeiro o ser humano vai ser ele mesmo,
Ele não vai estar colocando uma máscara sempre para fazer o que você quer que ele faça.
E aí ele tende a,
Eu acho,
A ir muito melhor,
Tá?
Quando você tem mais confiança,
Você certamente vai ter mais inovação também.
Porque uma pessoa com medo,
Ela não vai tentar.
Ela,
Pô,
O braço fica curto.
Por mais que você seja pressionado para entregar,
Você vai ficar naquele,
Putz,
Eu vou,
Não vou,
E agora?
Tem que mostrar.
Então,
Se você confia e você mostra que você confia nas pessoas,
Desde que elas se façam por merecer isso,
Eu acho que esse é um passo super importante.
Sabe que tem uma questão que é.
.
.
Imagina um gráficozinho aqui,
Quem está ouvindo.
Um eixo é a performance e no outro eixo é a confiança.
Em muitas empresas,
Olham só a performance.
Sim.
O cara,
Performance alta,
Esse cara vai crescer.
Mesmo que seja alguém de baixa confiança,
Que é o cara tóxico.
E esse cara,
Muitas vezes,
Ele vai virar presidente da empresa.
Se ele tem alta performance,
Ele vai.
E algo interessante é que os Navy Seals,
Que são os caras da marinha americana,
Os caras super tops,
Tal,
Tal,
Eles dão preferência para a confiança.
Óbvio,
Eles não pegam alguém de baixa performance,
Mas alguém de média performance e alta confiança é melhor do que alguém com alta performance e baixa confiança.
Então,
Vamos lá,
Entre performance e confiança,
Fique com a confiança.
Que essa pessoa,
Ela tende a ser melhor para o time.
A sinergia,
Né?
Ela vai ter mais sinergia,
Porque você confiou nele,
Um vai confiar no outro e o negócio tende a fluir muito melhor.
E aí,
Vai contra,
Por exemplo,
Uma teoria que eu e algumas pessoas,
Várias,
Mas quem sou eu para falar isso?
Vão contra que era na década de 90,
80,
90,
Um dos principais CEOs,
Um dos CEOs mais aclamados do mundo é o Jack Welch,
Da GE.
E ele tinha algo que é muito bizarro,
Que acho que ajudou a criar esse mundo que a gente tem hoje,
Que era a regra dos 20,
70,
10.
No final de cada ano,
Ele pega os 20 melhores,
Ele promove,
Os 70 do meio ficam e os 10% piores são demitidos.
Então,
Imagina você estar em uma equipe,
Você e mais nove pessoas,
Sabendo que um de nós irá ser demitido.
Qual o nível de confiança,
De cooperação,
De colaboração vai ter nesse time?
Nenhum,
Porque é uma guerra,
Né?
Sim.
Pô,
Ninguém quer ser demitido.
Então,
Você vai esconder do outro,
Virou uma guerra dentro de cada equipe,
Dentro da empresa inteira.
Pode até ser que no curto prazo dê algum resultado e deve dar,
Mas que custo a gente está tendo por isso?
Eu perguntei para um amigo,
Que é o doutor Fabiano Molim,
Que ele é neurologista,
E falei,
E no cérebro,
Como funciona quem trabalha numa equipe dessas?
Ele falou,
É péssimo.
Isso aí certamente vai gerar,
Não certamente,
Mas a chance de gerar uma depressão ou especialmente uma ansiedade é enorme.
Poxa,
Você sabe que por melhor que a equipe esteja indo,
Alguém vai ser demitido.
Pô,
O cara tem que ser muito zen para não ficar ansioso no final do ano para saber como está indo algum negócio.
Ou você gosta de outra pessoa que vai ser demitida,
Não é.
.
.
Enfim,
É uma visão muito de curto prazo,
Uma visão finita da vida.
Uma visão finita da liderança.
Enquanto se você tem uma equipe que você quer que ela funcione e que as pessoas colaborem umas com as outras,
Eu acho que vai ser muito melhor para todo mundo e para a empresa também.
E isso,
De alguma forma,
Vai contra também a teoria de que os relacionamentos são muito importantes para que a gente se sinta bem,
Né?
Tem aquela pesquisa longitudinal de Harvard que tem mais de 85 anos acontecendo,
Que diz que entre todos os fatores da vida,
O principal determinante de felicidade é a capacidade de ter seus relacionamentos saudáveis,
Né?
Exatamente.
E confiança está dentro disso.
Confiança é primordial para você ter relacionamentos saudáveis.
Eu acho que você construir relacionamentos saudáveis dentro da empresa faz parte desse relacionamento,
Já que você passa grande parte do seu tempo dentro da empresa.
Exatamente.
O nosso nono valor é espalhe gentileza,
Engrandeça as relações.
E é muito isso.
A gente quer que as pessoas sejam gentis dentro da empresa.
E mesmo nos momentos mais difíceis.
Então,
Lá não tem espaço para alguém,
Sei lá,
Ser rúdico com o outro ou não tem espaço para isso.
Não tem.
E engrandeça as relações,
Porque é justamente isso.
Essa pesquisa diz total.
E se eu quero que na GAIA as pessoas sejam felizes,
Eu quero que elas tenham bons relacionamentos.
É maravilhoso você ter um grande amigo no trabalho.
Tem até uma pesquisa do Gallup de clima organizacional que são 12 perguntas.
Uma delas é,
Você tem um melhor amigo no trabalho?
E quando eles colocaram essa pesquisa,
Alguns anos atrás,
Muita gente questionou,
Como assim melhor amigo do trabalho?
E eles mantiveram.
E viram o quanto isso é importante.
Interessante.
Que todo mundo gosta de.
.
.
Se você está trabalhando com alguém,
Óbvio,
Que seja competente,
Que consiga desenvolver bem o trabalho,
Mas que você gosta dessa pessoa,
É muito mais agradável do que você trabalhar com pessoas que você não tem a mínima afinidade,
Mas você está lá só porque são todos competentes.
Imagina o nível de colaboração quando você tem uma afinidade com a outra pessoa.
E isso eu acredito muito.
Então,
Se eu quero ter uma empresa com pessoas felizes,
Eu prefiro que elas sejam amigas.
E o amigo não é aquele negócio,
Um vai encobrir o outro.
Não,
A gente está aqui de forma até transparente.
Se errar,
Faz parte.
Como você lida com o erro,
Normal.
Não estou falando da má-fé,
Do roubo,
É outra coisa.
Mas lidar com o erro também faz parte.
Então,
Se a pessoa pode ser ela,
Se ela trabalha com quem ela gosta,
Se tem uma relação de confiança na equipe,
O resultado eu acho que tende a ser muito maior.
E o que é interessante nisso,
Gustavo,
O que a gente está falando,
É que são coisas óbvias.
A gente está falando coisas muito óbvias.
Tipo,
Confiar no outro,
Trabalhar com quem você gosta e tal.
E por que isso se perdeu no mundo?
Por quê?
É,
Tipo,
É uma loucura.
Você prefere trabalhar com alguém que você gosta ou não?
Óbvio,
Com alguém que eu gosto.
Você quer ser feliz no trabalho?
Óbvio que eu quero.
Poxa,
Você não quer.
.
.
É muito óbvio o que a gente está falando,
É óbvio,
É simples,
Mas o mundo foi para outro lado.
Talvez por essa ganância de algumas pessoas,
Enfim,
Por alguns motivos,
Ele foi para outro lado.
E agora,
A gente tem que voltar para que o mundo continue sendo o mundo,
Para que o ser humano possa ser um ser humano,
E é muito isso.
E,
João,
Uma dica para um líder que tem dificuldade em confiar.
O que ele pode fazer?
Porque confiar toma risco também,
Muitas vezes.
Eu acho que o primeiro passo é ele se autoconhecer.
Assim,
Acho que duas coisas.
Uma,
Se a equipe não é confiável,
De repente a equipe está errada.
De repente tem uma equipe com pessoas que não estão merecendo estar lá.
Mas se não tem nenhum motivo aparente,
Grave,
Para que ele não confie na equipe,
O problema está com ele mesmo.
É uma insegurança dele,
Por qualquer motivo que tenha.
Então,
Acho que esse autoconhecimento,
Para tirar essa insegurança e poder criar uma relação muito mais saudável com as pessoas que trabalham.
Legal.
Essa coisa da confiança acontece dentro,
Entra na empresa e acontece também entre as empresas.
Eu vi há pouco tempo você no Instagram falando sobre empresas que pagam os fornecedores com quatro meses,
Que tem esse.
.
.
Assim,
Existe um lado que eu acho que muita gente que está ouvindo a gente pode pensar assim,
Não,
Mas o fornecedor é ele que escolhe.
É por livre e espontânea vontade que ele fala,
Eu vou fazer negócio com essa empresa.
Como é que é essa dualidade?
Ele tem a livre e espontânea vontade,
Mas ao mesmo tempo está errado ou não está errado?
O que você acha?
Então,
Não é bem por aí,
Eu acho,
Minha opinião,
Dessa visão de que o fornecedor escolheu.
Muitas vezes,
A gente está falando com fornecedores que não tem.
.
.
Não é que assim,
Você escolhe 10 empresas para vender.
Ainda mais com algumas empresas que são muito grandes,
Você não tem escolha.
Não é que você.
.
.
Ah,
Não,
Você não vender para essa que paga quatro meses,
Tem outras 10 que pagam em dia.
Não existe isso.
Então,
Isso é uma grande mentira,
Que não é assim que acontece.
Quando você parte daquele princípio de que.
.
.
Acredito que uma empresa que tem como único objetivo maximizar o lucro do acionista é uma empresa miserável.
Porque para você maximizar o lucro do acionista,
Você vai prejudicar vários outros.
.
.
Isso se chama de stakeholders,
Mas vários outros envolvidos no processo.
Para você maximizar o lucro.
Se você pagar com quatro meses,
É melhor do que você pagar à vista,
Que o fornecedor está te financiando.
Se você pagar o menor salário possível para o seu funcionário,
Também está maximizando o lucro do acionista.
Mesmo que isso ocase uma desigualdade bizarra.
O Brasil é o país democrático mais desigual do mundo.
Se você está olhando só para maximizar o lucro do acionista,
Você vai desmatar um pouquinho dentro da lei,
Porque você não está muito preocupado com isso.
Você vai vender coisas para pessoas que não precisam daquilo só para maximizar o lucro do acionista.
É uma visão extremamente egoísta e que não leva a lugar nenhum.
As pessoas que pensam assim acabam não entendendo como funciona o mundo.
Porque essa mesma pessoa tem que viver enclausurada com 50 seguranças em volta dela.
Amanhã acontece alguma coisa com alguém,
Você fala,
Não,
Mas a culpa é isso aqui,
Tem que colocar mais polícia na rua,
Armar mais gente,
E olha o mundo que está se criando.
As pessoas não perceberam,
Quem pensa assim,
Que a gente está completamente interconectado.
O que eu acho é que tem que mudar um pouco isso daqui.
Os empresários e os líderes têm que ser mais conscientes.
Você tem que olhar o todo.
Não adianta você olhar.
.
.
É óbvio que quem tem mais força tem o poder.
No Brasil,
Você pega a questão bancária hoje,
São pouquíssimos bancos que controlam o crédito.
Um banco que empresta uma taxa de juros de 300% ao ano,
Isso não pode falar que não é uma escravidão financeira.
Ninguém consegue pagar essa taxa de juros.
E ele está olhando o quê?
Ele não precisa,
Mas é porque não é de imprensa alta.
Não,
Espera aí.
Os lucros dos bancos batem recorde atrás de recorde.
Seja crise,
Seja impeachment,
Seja não sei o quê,
Seja esquerda,
Direita,
Os bancos estão batendo recorde de lucros.
Não precisa disso.
E acho que esse é o ponto.
Quando o empresário,
O líder,
O acionista começar,
A ter uma consciência maior do todo que a gente está envolvido,
Ele não vai tomar essa decisão.
Muitas pessoas que colocam dinheiro no banco,
Se eu vou bem,
A quase todo mundo,
Não gostaria que aquele dinheiro que a pessoa colocou no banco,
Que vai render 5% ao ano,
Se muito,
Vai ser emprestado a 300% ao ano para alguém que precisa e que não vai conseguir pagar e que vai virar escravo e vai ficar vários anos lá com problemas mentais,
Com problemas vários,
Porque você sabe,
Se uma pessoa começa a ter problema financeiro,
Isso impacta outros aspectos da vida dela.
E o banco dá as suas desculpas.
Uma empresa grande que paga com quatro meses,
Então você foi lá,
Forneceu o produto,
Serviço e tal.
.
.
Às vezes entregou,
Já está.
.
.
Entregou tudo,
Já entregou tudo.
Você vai ficar quatro meses para receber?
Mas a empresa grande está com dificuldade,
Não está.
Empresa gigantesca,
Ela tem caixa,
Ela é financiada a taxa de juros baixíssimas,
Muitas vezes abaixo do governo.
E qual que é a lógica disso?
Só para ganhar um pouquinho mais.
Eu acho que é uma inversão de valores,
São pessoas que faltam muita compaixão.
E isso eu procuro,
De alguma forma.
.
.
Não diria combater,
Mas é lógico.
Combater agindo de uma forma completamente diferente com todo mundo,
Mas também comunicar as coisas que eu acho que estão erradas.
E foi interessante.
Eu fiz esse post,
Eu falei isso,
Teve bastante gente que super concordou.
Algumas pessoas depois até que me mandaram mensagem,
Que me falaram pessoalmente.
Poxa,
Eu super concordo.
Porque são afetadas por isso.
O cara prestou serviço e ficou quatro meses para receber.
E várias empresas quebram.
E outros falam,
É,
Mas é escolha.
E eu acho que quem fala que é escolha nunca falta empatia.
Para estar do outro lado e falar,
Vai lá,
Monta uma empresa e vai ver quantas pessoas vão querer comprar de você.
E quando chega um cara desse aqui falando que ele pode comprar e,
Poxa,
Que bom,
Preciso vender para você.
Não,
Não vou vender.
Então não é bem assim.
Outro dia eu fui em um show e resolvi ir de carro.
Paguei o estacionamento oficial lá,
Que eu acho que era o único que tinha do lado do estádio,
E cobrou R$100.
Para parar o carro durante duas horas e pouco.
E aí o pessoal fala,
Não,
Mas é assim mesmo.
Cara,
Não é,
Está errado.
Estacionamento também,
Você vai em um prédio comercial,
Você não tem escolhas para sair olhando.
E o cara cobra quanto ele quer.
E cobrar R$100 para você parar o carro durante duas horas e pouco,
É um roubo também.
Então,
Enfim,
É um estacionamento que tem um banco como sócio.
Que acaba olhando só para si.
Acho que no início da nossa conversa,
A gente até chegou a falar do Milton Friedman,
De ficar que é a escola da economia,
Da administração,
Da maximização dos lucros.
E eu acho que o que você está falando é uma coisa diferente.
Porque o estacionamento que cobra lá R$100,
Porque ele sabe que todo mundo vai ter que parar o carro lá porque não tem outro estacionamento,
Ele está pensando em maximização de lucros.
Total.
Então a gente tem que incluir outras coisas aí dentro para maximizar,
E não somente os lucros.
Tem uma listinha aí de coisas que eu preciso olhar para.
.
.
Tem,
Sem dúvida.
Eu gosto muito,
Até porque eu sou muito ligado a eles,
Ao Sistema B,
Que são as B Corps.
Que são empresas que querem o melhor para o mundo.
O setor 2,
5.
São empresas que,
Sim,
Tem que ter lucro.
Não é contra o lucro,
Mas que elas olham.
E as B Corps,
Para você virar uma empresa B,
Isso é avaliado em cinco aspectos.
Que é a sua relação com o fornecedor,
A sua relação com os seus clientes,
A sua relação com os seus funcionários,
A sua relação com a comunidade e com o meio ambiente.
Desculpa,
Meio ambiente eu já falei,
E tem a governança também.
Enfim,
Eles olham cinco aspectos das empresas e eu acho que é isso que a gente tem que olhar.
Não adianta você falar assim,
Eu tenho um produto super sustentável,
Tal,
Tal,
Tal.
.
.
Mas eu chego na empresa,
Eu tenho uma relação tóxica com o meu funcionário.
Tipo,
É legal por um lado,
Mas não é tão legal por outro.
Então,
Eu acho que é isso.
Você tem que olhar o todo,
A sustentabilidade como um todo,
Em todas as suas relações.
Seja fornecedor,
Seja.
.
.
Isso é maravilhoso,
Porque a gente procura viver assim na Gaia e o tipo de relacionamento que a gente tem com fornecedores e mesmo clientes,
Ele é diferenciado.
A gente tem várias empresas que fazem vários negócios conosco e não é mais questão de preço,
Porque a gente não é o mais barato,
A gente não fica brigando por preço.
É por relacionamento,
E não é relacionamento de conchavo,
Não.
É de agregação de valor,
É de querer trabalhar junto.
A gente não fica pressionando o advogado até dizer,
Chega,
Como é muito comum no mercado financeiro,
Chegar sexta-feira à noite e falar,
Cara,
Eu preciso ir para sábado.
O advogado vai à noite trabalhando e depois você fica uma semana para ver aquele documento.
Isso é comum,
Não é que eu estou inventando.
A gente não faz isso,
Eu não quero que o advogado trabalhe de madrugada.
Não precisa,
Só que é aquela questão de poder.
Poxa,
Eu vou falar isso para ele e tal.
E não é por aí.
Então,
Quando você começa a olhar esses outros aspectos todos,
Os seus relacionamentos ficam muito mais saudáveis.
E é mais agradável.
As pessoas querem trabalhar com você,
Você passa a ter parceiros de verdade.
Quando você precisa apertar alguma coisa,
Você fala com o cara,
O cara vai trabalhar de graça para você.
Eu não estou falando que eu quero que alguém trabalhe de graça para mim,
Mas,
Se for necessário,
Ele vai fazer.
É assim como eu vou fazer para ele.
E vice-versa.
E vice-versa.
E é uma relação infinita,
Que o objetivo é o jogo continuar acontecendo,
Não é o ganhar dele.
Eu já vi esse presidente de empresa que falou,
Sem ficar vermelho,
Eu já quebrei muito fornecedor.
E,
Tipo,
Cara,
Eu pensei,
Caramba,
É muito bizarro isso daqui.
O cara fala que ele quebrou fornecedor e depois troca,
Mas ele esquece que tinha um ser humano que um dia sonhou empreender,
Que tinham funcionários que talvez dependessem daquilo para sobreviver.
E ele,
Só por um capricho de ganhar um pouquinho mais,
Quebrou o cara.
E depois vem outro.
É uma falta de compaixão enorme,
Uma falta de humanização gigante.
Sim,
É complicado isso.
Então,
Temos que mudar isso.
Acho que é errado.
Não funciona.
Se a gente vê um mundo em que a gente olha os aspectos naturais,
Estão cada vez mais degradados,
A gente está diante do maior acordo da história da humanidade,
Que é o Acordo de Paris,
Em que os Estados Unidos caem fora.
Sabe?
Tem uma frase,
Que acho que o Obama falou,
Mas não sei se foi ele originário,
Que fala o seguinte,
Nós somos a primeira geração que tem consciência do estrago que a gente está causando e que isso pode ser irreversível.
E a última geração que pode fazer alguma coisa para que não seja irreversível.
Então,
Até hoje as coisas aconteceram.
E agora a gente pode mudar.
Se a gente não mudar,
Vai chegar um ponto que é o ponto de não retorno da terra.
É bizarro isso,
Mas é verdade.
E a gente,
Enquanto consumidor,
O que você pode fazer a respeito?
Você deixa de consumir,
Por exemplo?
Empresas que você acredita que não são sustentáveis em todos os níveis,
Eu vou usar essa palavra,
Você deixa de consumir o produto dela?
Sim,
Total.
A gente tem que ter essa consciência muito forte.
O consumidor,
E acho que aos poucos está aumentando cada vez mais,
O que a gente faz com o nosso dinheiro?
O nosso dinheiro é uma arma também.
Sim.
Então,
Se você para de consumir tal empresa de roupas porque tem trabalho escravo,
Tal empresa de,
Sei lá,
De bebida porque ela trata as pessoas de uma forma assim,
Tal empresa assado porque ela tem corrupção,
Sem dúvida essas empresas vão sentir no bolso.
Então,
Eu acho que o consumidor está cada vez mais.
.
.
Eu acho assim,
Cada vez mais pessoas estão conscientes do consumo,
Mas ainda tem muito caminho a ser rodado.
Se a gente vai olhar como o Brasil,
Por exemplo,
Eu acho que ainda está muito distante disso.
Em pequenos nichos isso está crescendo e eu espero que cresça cada vez mais.
Há uma tendência de crescimento,
Mas tem um caminho para acontecer e eu acho que isso é muito verdade.
Isso vale para os bancos também.
Tem uma frase,
Tem um banco,
Se não me engano holandês,
Que se chama Triodos Bank,
Que é um banco ético.
Ele foi um dos bancos que inaugurou essa cabeça de bancos éticos,
Que é um banco que.
.
.
E uma das frases deles que é muito legal que é o seguinte,
O que o seu dinheiro está nutrindo?
Quando você coloca o seu dinheiro no banco,
O que ele está nutrindo?
E no Brasil,
Se você for olhar a via de regra,
A gente está nutrindo,
Infelizmente eu acabo tendo que ter conta nos bancos grandes,
Mas eu não faria nada do que eles fazem.
Taxa de juros que são proibitivas,
Que eles fazem com as pessoas.
Por mais que eles façam uma propagandazinha legal,
Falando que eles fazem alguma coisa legal de um lado,
Eu acho que,
Para mim,
Os bancos são um câncer do Brasil,
Da forma como eles são hoje.
E tem espaço,
Eu acho que com o tempo vão começar.
.
.
E hoje eu já vejo algumas iniciativas nessa linha de,
Ainda muito incipientes,
Mas de empresas e de bancos que começam a pensar as coisas de uma forma diferente.
E uma coisa que pode acontecer de verdade,
Assim,
Eu não sei qual pode ser a velocidade,
Mas pode ser rápido,
É de uma hora para outra todo mundo migrar.
Pode ser que sim.
Porque o ativo do banco é o que ele tem de dinheiro lá e a confiança que ele tem.
Se as pessoas simplesmente tirarem o dinheiro,
O banco quebra.
E é isso,
Porque todo mundo vai lá e.
.
.
Poxa,
Isso aqui que está fazendo não faz sentido.
Você vai lá e tira o dinheiro de lá,
O banco quebra.
E é simplesmente você sacar dinheiro no banco e colocar em outro.
Mas sabe que o Triodos,
Esse banco lá de fora,
Tem uma questão super interessante?
Uma vez eu conheci uma.
.
.
Acho que ela é até brasileira,
Mas que morava lá na Espanha.
E ela disse que estava com uma dificuldade gigantesca de abrir conta no Triodos.
Porque os caras.
.
.
Como eles têm essa questão super consciente de o que eles captam,
Eles têm que emprestar,
Eles têm que gerir aquele dinheiro de uma forma legal,
Então é agricultura orgânica,
Ou cultura,
Ou não sei o quê e tal.
E foi um banco que super se deu bem na crise de 2008,
2009,
Porque ele fazia coisas mais sustentáveis e que não estavam naquela bolha.
Então,
Eles não vão captar para fazer qualquer coisa com o dinheiro.
Então,
Às vezes,
Eles fecham captação para não captar dinheiro,
O que é uma loucura.
Imagina que você chega no Itaú para pôr dinheiro e fala não,
Não vai colocar dinheiro aqui não,
No Bradesco,
Não existe isso.
E esse banco fez isso algumas vezes,
Não sei como está agora,
E ela falou que tentava abrir conta e não conseguia.
Porque eles querem ter certeza de que eles vão gerir aquele dinheiro da melhor forma e que eles vão aplicar aquilo em coisas que fazem sentido dentro dos focos deles de atuação.
Porque não é só maximização de lucro.
É sério,
Você quer fazer o mundo melhor.
A gente também,
Enquanto pessoas que estão no mercado de trabalho,
Se a gente pensar só em maximização de lucros,
A gente também vai cair num lugar que não vai ser tão legal.
Até fiz uma comparação há pouco tempo nas redes sociais,
A gente aprende muito desde a escola,
Entra na faculdade para ser bem-sucedido no mercado de trabalho,
Para ter essa evolução material.
Então a gente vai,
Trabalha,
Vai subindo na carreira,
Só que existe um outro lado que é o desenvolvimento interno.
Que se a gente chega lá sem esse desenvolvimento interno,
A gente vai perceber que a gente não está tão feliz assim.
E acho que quando a gente coloca os Estados Unidos,
Por exemplo,
Como um país que tem uma economia super pujante,
Uma renda per capita elevada,
Um lugar de oportunidades,
Mas ao mesmo tempo é o país que mais consome antidepressivo,
O país que mais consome remédio para dormir.
Então,
A gente vê que evoluiu muito na questão material,
É admirável nesse lado,
Mas existe um outro lado que não evoluiu tanto assim.
E aí o outro lado,
A Índia,
Que é um país que evoluiu muito.
Até o Yogananda disse que lá na Índia tem vários arranha-céus,
Que são pessoas que internamente são muito potentes,
São bilionários,
Mas desse mundo interior.
Mas foi um país que está ainda patinando no desenvolvimento material.
Eu acho que o que a gente quer no final das contas é unir essas duas coisas.
Quer o desenvolvimento material,
Quer ter dinheiro para a gente viver de maneira confortável,
Mas ao mesmo tempo a gente precisa ter esse desenvolvimento interno,
Que é onde a consciência mora.
A capacidade da gente realmente fazer avaliações interessantes das consequências dos nossos atos.
Exatamente.
E onde a gente coloca dinheiro é uma afirmação de que a gente concorda,
A gente é conivente com aquilo.
Então,
Se eu compro um produto de determinada empresa,
É como você falou,
Eu estou dando arma para aquela empresa para que ela continue fazendo.
Então,
Às vezes a gente reclama,
Que isso é absurdo,
Aquele é absurdo,
Mas eu estou lá comprando o produto daquela empresa.
Então,
É uma incoerência nesse sentido.
João Paulo,
Quem são os seus ídolos?
Eu tenho dois ídolos específicos,
Que não tem muito a ver com o que a gente faz.
Um é o Ayrton Senna,
Enfim,
Já falei isso há faz um bom tempo,
Mas eu me inspirava muito nele.
E o outro,
Que não tem nada a ver com o que a gente faz,
É o Rafael Nadal.
E eu vou explicar o porquê dos dois.
Os dois têm duas características que eu admiro demais,
Que é uma humildade muito grande e uma raça enorme.
Então,
Eu acho que são pessoas que pensam no.
.
.
Pensavam,
No caso do Senna e do Nadal,
Pensam muito no outro,
Que respeitam o outro,
Mas se colocam super o pé no chão,
Não trazem para si,
Por mais que o Nadal,
Poxa,
É um jogador de tênis,
É um esporte aparentemente super individual,
Que é você na quadra,
Ele tem muito claro para ele quando ele fala,
Quando,
Enfim,
Dá a importância do time dele,
Que se não fosse o time dele,
Ele não seria o que ele é.
E isso é importante.
E ele está em um lugar,
Enfim,
Que ele é muito bajulado,
E todo mundo falando que ele é o melhor,
É o melhor,
É o melhor,
Mas a pessoa conseguir ter esse pé no chão,
De falar,
Não,
Poxa,
Eu sou uma parte do todo,
Eu tenho um time que me suporta,
E se não fossem eles,
Eu não seria quem eu sou,
Eu acho que isso é sensacional.
E essa garra,
Essa vontade de,
Poxa,
De querer evoluir,
De querer sempre,
De maneira especialmente prazerosa,
Evoluir como ser humano.
Então,
São pessoas que eu acabei me inspirando na área deles,
Eu tento trazer para a minha área.
Mas aí tem vários,
Enfim,
São aquelas pessoas que você coloca assim,
Tipo,
O Nadal,
Eu fico lendo entrevistas dele,
Eu vejo tudo que ele fala e tal,
Aquele negócio meio de fã,
Assim,
Sabe,
Meio.
.
.
Mas eu tenho vários autores que eu adoro ler.
E aí não são ídolos,
Mas são pessoas que realmente eu gosto de aprender.
E você sempre teve essa consciência?
Não,
Acho que.
.
.
Qual é que foi o ponto?
Teve um ponto de virada na sua vida?
Alguma coisa que foi.
.
.
Não,
Eu acho que.
.
.
Eu acho que a gente está sempre numa evolução,
Né?
Eu sou uma pessoa diferente do que eu era há 10 anos,
Espero ser bem diferente do que eu era há 10 anos.
Essa evolução como ser humano.
Então,
É um processo,
Né?
É um caminhar,
É uma jornada.
E é legal isso,
É legal essa jornada.
E você ter consciência de que não é porque eu era uma coisa,
Eu sou outra.
Não é para você se rotular,
Né?
É muito aquela questão do.
.
.
É um livro da Carol Dweck que chama Mentalidade de Crescimento.
É você estar sempre acreditando que você pode evoluir um pouco mais.
Isso que eu procuro fazer,
Né?
E cada vez mais você vê o quanto você consegue aprender com os outros.
E não só com o cara que você acha o suprassumo.
Com pessoas do dia a dia que você convive,
Se você conversar com elas,
Você vai aprender algo com elas.
E isso é maravilhoso,
Né?
Em cada interação você aprende um pouco.
E também não é que você vai conversar com todo mundo querendo sugar a pessoa zero,
Nada disso.
Mas você compartilhar coisas e aí você vai crescendo.
Então,
Eu sempre gostei,
Eu sou muito curioso.
E acho que o fato de ser curioso ajuda.
Então,
De gostar de aprender.
Eu sou curioso e gosto muito de aprender.
Então,
Eu vou aprendendo.
E isso me ajudou a entrar em lugares que eu não entraria normalmente.
Como,
Por exemplo,
Eu fiz engenharia.
E hoje em dia,
Sei lá,
Eu tive programa na rádio.
Tipo,
É bizarro.
A chance era nenhuma,
Né?
Se alguém me perguntasse,
Até seis meses antes de eu ter programa,
Se tinha alguma chance,
Era nenhuma.
Eu nem sabia o que era rádio.
E aí,
Depois de um tempo,
Eu tinha um programa de uma hora no rádio,
Com postos diários e tal.
E fala sobre compaixão.
Aposto que você não teve nada disso na faculdade de engenharia.
Zero,
Zero.
Quando eu saí da faculdade,
Eu mal sabia escrever.
Eu falei,
Caramba,
Como eu escrevo mal.
E aí,
Eu comecei a treinar a escrever.
Ler,
Escrever,
Ler,
Escrever.
Depois,
Eu escrevi livro.
Escrevi.
.
.
O LinkedIn tinha uma época que escolhia.
.
.
Eu não escolho ainda,
Mas.
.
.
A primeira leva de top voices,
Que eram pessoas que influenciavam escrevendo,
De 30 milhões de brasileiros.
Aí,
Tipo,
Eu sei que é totalmente arbitrário e subjetivo,
Mas,
Enfim,
Me escolheram entre 15 pessoas,
Sabe?
Sem dúvida,
Eu tenho um componente bizarramente grande de sorte nisso aí.
Tipo,
Uma sorte muito grande de me colocarem.
Mas,
Acho que se eu escrevesse super mal,
Eu não seria escolhido.
Então,
Assim,
Eu acho que eu consegui evoluir bastante de saber escrever muito mal,
Quando eu realmente saí da faculdade,
Pra depois conseguir.
.
.
Hoje,
Eu escrevo com alguma frequência na Avenida São Paulo também,
Então.
.
.
Sorte essa,
Que são essas coincidências que acabam acontecendo na sua vida,
Que são facilitadas,
Que a vida,
De alguma forma,
Te ajuda.
Exato.
E.
.
.
Dá pra aumentar isso?
Dá pra você.
.
.
Dá pra você entrar numa sintonia maior com a vida,
Pra que,
Cada vez mais,
Você tenha esse componente de sorte?
Eu acho que sim,
Mas acho que isso não tem que ser o meu objetivo,
Porque daí eu vou perder.
Eu acho que se eu for atrás disso,
Eu acho que eu vou ter menos.
Pode ser.
.
.
Não sei se eu consigo ser muito claro com isso,
Mas eu acho que.
.
.
Se eu começar a pensar,
Eu quero ter mais sorte,
Eu quero ser mais beneficiado,
Eu vou ser bem menos,
Eu tenho certeza.
Eu acho que é mais uma questão de.
.
.
Se a palavra é certa,
É merecimento,
Mas é mais isso do que.
.
.
Eu buscar.
Acho que se eu buscar vai ser uma.
.
.
É uma consequência.
A sorte é uma consequência.
Eu acho que é.
E,
Pra gente finalizar,
Você medita há muito tempo?
Eu medito.
Eu medito.
Na verdade,
Eu comecei a fazer yoga,
Que tinha um pouco de meditação,
Há uns 13 anos atrás,
14 anos atrás.
E.
.
.
Mas aí.
.
.
A meditação faz parte do yoga.
Yoga tem um componente de meditação,
Mas de uma forma um pouco mais estruturada.
Deve fazer uns 10 anos,
Uns 8,
10 anos.
Uns 10 anos.
E faz diferença?
Ah,
Sem dúvida.
Eu acho que é aquilo lá,
Né?
Você escova os dentes,
Você lava a cabeça,
Você toma banho e não vai cuidar de uma parte super relevante do seu corpo,
Que é o seu cérebro,
A sua mente.
Então,
Acho que é.
.
.
Acho que ajuda você a ter até mais autoconsciência,
Como a gente falou no começo,
A aproveitar mais a vida.
Eu acho que é super relevante meditar.
E aí tem uma coisa hoje que é mais do que comprovado cientificamente os benefícios da meditação,
Né?
Aquele negócio que falam.
Se tivesse um remedinho que fizesse o que a meditação faz,
A galera ia pagar muito dinheiro por ele.
É verdade.
Tem vários estudos científicos comprovando o benefício da meditação,
Só que a meditação,
No final das contas,
Ela foi preservada dentro das religiões,
Né?
De tradições espirituais.
É por isso que eu sempre gosto de perguntar,
Qual que é a relação entre a sua meditação e algum tipo de tradição espiritual ou,
Enfim,
Esse contato com a espiritualidade?
É,
Então,
Eu já fiz alguns tipos de meditação diferentes.
Atualmente estou fazendo Mindfulness,
Que é talvez um pouco menos ligado a isso daqui,
Mas que me ajuda a trazer a espiritualidade do ponto de vista de propósito,
Porque acho que as coisas são muito interligadas.
Então,
É mais.
.
.
Fiz bastante tempo meditação transcendental também.
E eu acho que é super válido qualquer tipo de.
.
.
De meditação e de acordo com o que a pessoa se identifica mais naquele momento da vida dela.
E vai ser super bom.
Legal.
João Paulo,
Obrigado,
Viu?
Foi um prazer conversar com você aqui.
Obrigado por.
.
.
Falar do seu conhecimento,
Da sua experiência.
Com certeza vai ser muito rico para quem ouvir a gente.
Adorei.
Muito obrigado.
Obrigado para quem ouviu a gente aqui.
Gustavo,
Valeu.
Foi um super.
.
.
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