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Podcast Bocadinho - Vivendo Seus Valores | Bate Papo com Fe Neute

by Flavia Machioni

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Apesar da caminhada do autoconhecimento ser mais solitária, existem outras pessoas na mesma estrada e quando conversamos e trocamos experiências, vemos que passamos por questões parecidas, mesmo tendo contextos e histórias diferentes. O episódio de hoje é um bate papo com a Fe Neute, do canal Feliz com a Vida, sobre como é viver o dia-dia baseado em seus valores, como lidar quando os nossos valores mudam e o que isso impacta no dia a dia e em nossa personalidade.

Transcrição

Sabemos que somos seres coletivos,

Precisamos uns dos outros para viver e sobreviver.

Mesmo quando optamos pelo caminho do autoconhecimento,

Que é um caminho em que a autoresponsabilidade e de certa forma a solidão são constantes,

É bom lembrar que existem muitas pessoas na mesma estradinha que a gente.

Mesmo com histórias,

Contextos e escolhas diferentes,

Quem decide pegar a estrada do autoconhecimento se conecta com os demais pelo mesmo sentimento de inquietação,

Incômodo e vontade de ser melhor.

E por vezes,

Nessa estrada,

Encontramos ótimos aliados para nos dar forças,

Trocar ideias e lembrar que estamos juntos,

Mesmo que cada um em seu processo.

Para o episódio de hoje,

Eu convidei a Fê Neut,

Autora do blog e canal do YouTube Feliz com a Vida.

Eu conheci a Fê por um vídeo dela no YouTube e eu adorei o conteúdo e as informações que ela traz.

Comecei a acompanhar o trabalho dela e,

Alguns meses depois,

Eu fui a Nova York,

Onde ela mora,

E nos conhecemos pessoalmente.

Fomos almoçar e passamos horas conversando.

Foi uma tarde super deliciosa e enriquecedora.

Quando eu comecei a falar de valores aqui no Bocadinho,

Eu pensei na Fê para trazer a vivência dela e enriquecer o nosso assunto.

Entre outras coisas,

Falamos sobre como as mudanças da nossa vida afetam os nossos valores,

Como viver eles no dia a dia e o que tudo isso implica de fato.

Eu espero que você goste.

Mas,

Antes de começar,

Eu quero agradecer pelo carinho e audiência.

Eu estou muito feliz com as mensagens que vocês têm me mandado e o feedback de vocês.

Muito obrigada mesmo!

E agora,

Fica com o meu bate-papo com a Fê Neut.

Fê,

No último episódio do Bocadinho,

Eu falei sobre valores.

E o que eu comentei é que,

Quando a gente não sabe quais são os nossos valores,

Fica difícil a gente estabelecer limites e a gente acaba se perdendo no dia a dia.

Seja por seguir o que os demais estão fazendo ou não saber exatamente qual caminho escolher quando a gente tem que tomar uma decisão,

Ou até que ponto a gente realmente quer ir nos nossos relacionamentos,

No nosso trabalho,

Enfim,

Como que estão as coisas que a gente fala que quer ou que a gente acha que quer.

E aí,

Por que eu te convidei para participar desse episódio específico?

Eu já acompanhava o seu trabalho antes de te conhecer pessoalmente e eu já era super fã de como que você coloca o seu ponto de vista e levanta as reflexões.

E depois de te conhecer pessoalmente,

Naquele nosso almoço aí em Nova Iorque,

Eu fiquei ainda mais fã,

Porque eu vi que você realmente vive tudo isso que você fala e traz essas reflexões de uma maneira tão leve,

Tão genuína e tão sua.

E aí eu falei,

Gente,

Para falar sobre valores com alguém tem que ser a Fê.

Então,

Muito,

Muito obrigada por ter aceitado fazer esse bate-papo comigo.

Eu estou super feliz e espero que seja bem proveitoso.

Ah,

Eu fico feliz também,

Porque é um assunto que eu gosto bastante de falar e parece muito óbvio,

Mas as pessoas acabam não tendo muita noção do que são valores,

Né?

Parece que fica naquela coisa bem honestidade,

Dignidade e aí isso não é aplicado ao dia a dia e a gente não consegue fazer nada se a gente não tiver bem estabelecido quais são os nossos valores,

Que é o que eu chamo de E eu percebo que cada vez mais,

Conforme eu vou conversando com as pessoas online,

Quanto mais a minha audiência vai crescendo e eu recebo perguntas e tal,

Deve acontecer com você também o quanto as pessoas não sabem o que são valores,

Né?

E como é que a gente aplica isso para a nossa vida diária.

Então,

Eu também fico muito feliz por você ter me convidado,

Porque é um assunto que eu adoro falar e de você ter pensado em mim,

Né?

Quando pensou em falar Ai,

Com certeza.

Eu acho ainda mais nesse momento que a gente tá vivendo,

Né?

Que é um momento tão único da nossa história,

Né?

Da sociedade como a gente conhece.

É uma coisa que ninguém tava esperando,

Ninguém passou,

Né?

E a maneira como você tem se posicionado,

Eu achei muito,

Assim,

Muito você,

Né?

Pra você tá muito claro o que você deve,

O que você não deve fazer.

E é isso que eu acho que é tão bacana de quando a gente se conhece e quando a gente sabe quais são os nossos valores.

E isso que você comentou,

Né?

Que a gente fica muito nessa coisa que eu acho que é uma coisa muito abstrata de,

Ah,

Eu valorizo a bondade,

Eu valorizo a justiça,

Eu valorizo a família.

Mas aí a gente vai vendo o nosso dia a dia e como que a gente tá aplicando esse valor que a gente fala,

Essas palavras,

Essa bondade,

Essa justiça,

Essa honestidade,

Essa família,

Como que a gente traz pro dia a dia.

E eu queria que você falasse um pouco,

Assim,

Pra começar,

Como que você conseguiu identificar quais eram os seus valores,

Se você sempre teve isso claro e se por acaso os seus valores mudaram,

Assim,

De alguns anos pra cá ou enfim,

Em algum momento.

Ah,

Eles mudam o tempo inteiro.

Aliás,

Se tem uma coisa que eu faço na vida é mudar.

Ainda bem,

Né?

Então,

Fla,

Essa coisa de ter mais noção,

Ela é um pouco mais recente.

E recente que eu digo,

Assim,

Vai dos últimos cinco anos.

Eu sempre tive valores muito fortes,

Mas eles não eram tão conscientes na minha cabeça.

Então,

Por exemplo,

A Fernanda de dez anos atrás valorizava ganhar dinheiro seja lá como for.

E o seja lá como for,

Vai,

Pra ser sincera,

Eu tava totalmente disposta a trabalhar 15 horas por dia,

Se isso fosse o que precisasse pra eu ganhar dinheiro.

Porque dinheiro era o meu valor principal.

Eu não tinha essa certeza na época,

Mas a minha vida era totalmente guiada pela quantidade de dinheiro que eu poderia ganhar.

Então,

Acabava que,

Inconscientemente,

Todas as decisões que eu tomava,

Elas estavam pautadas nesse valor principal.

Então,

Onde eu trabalhava,

Como eu realizava o meu trabalho.

Então,

Se eu precisasse trabalhar 14,

15 horas,

Fim de semana,

Eu nem questionava.

Porque eu falava,

É isso que eu preciso pra chegar naquele objetivo.

Então,

Nesse sentido,

Eu sempre fui muito fiel aos meus valores.

Mas não necessariamente eles eram bons valores.

Ou pelo menos eles funcionavam na época,

Entendeu?

Eu acho que foi importante pra mim,

Dez anos atrás,

Ter construído coisas que me proporcionaram no futuro a poder mudar de valores.

Então,

Eu também acho que é importante a gente,

Eu falei brincando aqui,

Nem sempre são bons valores,

Mas num determinado momento foi.

Foi muito bom pra mim.

Então,

Eu acho que é muito importante a gente ser fiel aos valores.

Porque quando você é fiel e você faz aquilo de uma forma genuína mesmo,

Por mais que depois você mude ou que você olhe pro passado e pense,

Nossa,

Que valor errado eu tinha.

Mas você não se arrepende,

Faz sentido,

Sabe?

O que foi acontecendo,

Conforme o tempo,

É que eu realmente ganhei bastante dinheiro e eu achava que esse dinheiro fosse me fazer muito feliz.

E ele fez,

Num determinado momento.

Então,

O dinheiro ele me proporcionou comprar as roupas que eu queria,

Fazer as viagens que eu tinha vontade,

Que eu tinha sempre sonhado,

Comprar um carro melhor,

Ajudar minha família.

Só que chega um determinado momento que,

Assim,

O dinheiro ele é ótimo,

Mas ele tá ali.

Então,

Quando eu cheguei num determinado momento da vida que,

Assim,

Todo o trabalho que eu fazia,

Não adiantava eu aumentar o volume de trabalho pra aumentar o quanto o dinheiro eu ia ganhar.

Tava meio ao contrário,

Assim.

Eu falei,

Não tá certa essa conta.

Ela tava fazendo sentido,

Mas agora não faz mais.

Eu não tenho mais como trabalhar tanto.

E aí,

Não depende mais do volume de trabalho,

O quanto eu vou ganhar e a quantidade de dinheiro também não faz mais diferença na minha vida,

Agora que eu já cheguei num patamar bom,

Considerado,

Comparado ao que eu tinha antes.

E aí,

Foi quando eu comecei a pensar,

Esses meus valores estão corretos?

Não sei.

E aí,

Eu entrei nessa jornada de autoconhecimento,

Que eu falo bastante no blog,

No meu canal do YouTube.

E ainda assim,

Demorou muito,

Muito,

Assim,

Acho que mais uns três,

Quatro anos pra eu me desprender desse valor que era o dinheiro.

Então,

Por exemplo,

Num determinado momento em que eu me vi trabalhando e trabalhando bastante e não ganhando a mesma coisa que eu ganhava antes,

Eu comecei a questionar o meu valor como pessoa,

O meu valor como profissional.

Porque todos os meus valores estavam tão enraizados no dinheiro,

Que a partir do momento que o dinheiro,

Não faltou,

Mas assim,

O dinheiro não era mais a pauta,

Eu falei,

Mas será que eu tenho valor como pessoa?

Não sei,

Sabe?

Então,

Demorou muito pra eu reorganizar isso e encontrar novos valores pra mim.

E Fê,

Eu acho isso muito legal que você tá falando,

Porque eu acho que esse caminho que a gente faz quando tá no autoconhecimento,

É um caminho que ele não é sempre fácil,

Né?

Na verdade,

Ele não é fácil.

Exatamente,

Ele nunca é fácil.

Se é fácil,

Tá fazendo errado.

Exatamente,

Se é fácil,

Você não tá fazendo.

E assim,

Tem um pouco de coragem da gente começar a questionar aquilo que todo mundo faz,

Né?

Porque se a gente for pensar,

A grande maioria tá sendo pautada pelo dinheiro.

Hoje em dia,

Muito do que a gente tem como sucesso,

Vamos dizer assim,

No padrão,

É quão bem-sucedido você é e quanto dinheiro você ganhou,

Né?

Então,

Se você,

Ai,

O fulaninho que eu estudei na escola,

Nossa,

Ele tá super bem.

Hoje em dia,

Ele é diretor de não sei aonde.

Ah,

Fulaninha também se deu super bem,

Nossa,

Se fez na vida.

É,

Sei lá,

Tem uma empresa de não sei o quê.

E aí,

Como aconteceu com você,

Que eu acho que também aconteceu comigo e eu já vi acontecer com outras pessoas,

Chega um momento que,

Se você tava pautada até ali pro trabalho,

Pro dinheiro,

Vai,

Eventualmente,

Chegar um momento que você vai ver que tá faltando alguma outra coisa,

Né?

Tipo,

Poxa,

Eu cheguei até aqui,

Mas é bem o que você falou.

Talvez não seja só isso.

E você fazer esse caminho de questionar e tentar entender o que é,

Assim,

O que você falou,

De começar a questionar,

Mas e aí,

Eu tenho valor?

Porque não sei se você sentiu isso,

Mas parece um pouco que você tá indo na contramão.

Parece que você,

Poxa,

Mas você tinha tudo,

O que você tá fazendo?

Como assim você tá questionando?

Por quê?

O que que tá acontecendo?

Parece,

Às vezes,

Eu sinto que é uma coisa meio que.

.

.

É uma jornada bem sozinha,

Você chegar ali num ponto de uma coisa que todo mundo valoriza,

Mas que,

De repente,

Você vê que não tem mais tanto valor pra você,

Não faz mais tanto sentido.

E aí,

Você fazer esse caminho,

Além de ter muita coragem,

A gente tem que ter muita paciência,

Que é como você falou.

Imagina,

Três,

Quatro anos pra você voltar ou começar ou recomeçar a se sentir um pouco mais confortável,

Talvez,

Com os seus novos valores,

Com essa sua nova fé.

Com as novas escolhas.

Porque o que você falou é muito verdade,

Assim,

As pessoas,

E eu não tô falando isso por mal,

Eu acho que tem uma coisa aqui que eu acho importante falar,

A gente tá numa posição muito privilegiada de poder se questionar,

Né?

Por muito tempo,

Eu não podia,

Eu tinha que ganhar dinheiro pra sobreviver.

Então,

Eu acho importante também falar isso,

Porque as pessoas estão em momentos de evolução diferentes,

Momentos de vida diferentes.

Então,

Pra algumas pessoas,

Ainda faz muito sentido o dinheiro como valor principal,

E tá tudo certo,

Não tem nada de errado nisso,

Desde que isso esteja alinhado com aquilo que você acredita,

Com aquilo que faz sentido pra você.

Pra mim,

Chegou o momento que não fazia mais sentido pra você também,

Porque,

Sem saber,

Eu comecei a valorizar outras coisas.

Então,

Eu comecei a perceber que eu gastava muito dinheiro pra comprar o tempo que eu usava trabalhando de volta.

Então,

Com conveniências,

Com coisas pra facilitar a minha vida,

Porque eu usava tanto do meu tempo pra ganhar aquele dinheiro,

Que depois eu tinha que gastar o dinheiro pra comprar esse tempo de volta.

Então,

Assim,

Chegou um momento que eu falei,

Não,

Cara,

Tem alguma coisa errada aqui,

Essa conta não tá fechando,

Né?

E eu comecei a perceber isso numa viagem que eu fiz.

Foi uma viagem que eu fiz sem planejar,

Eu tinha umas milhas que iam vencer,

E aí eu falei,

Não,

Eu preciso,

Não posso,

De jeito nenhum,

Perder essas milhas.

Só que eu também não tinha dinheiro,

Porque eu tinha acabado de fazer uma viagem,

Acabado.

E aí,

Eu falei,

Cara,

Eu vou emitir,

E eu vou com o dinheiro que eu tiver.

E eu fui sozinha também,

Porque daí não tinha ninguém pra ir comigo.

E eu acho que a minha jornada do autoconhecimento começou nessa viagem,

Porque eu fiz uma viagem de 15 dias sozinha,

Sem dinheiro,

Entre aspas,

Eu tinha dinheiro pra viajar,

Mas sem o que eu imaginava que era necessário pra fazer uma viagem bem feita.

E aí,

Eu fui com o mínimo de dinheiro que dava,

Eu não entrei em nenhuma loja,

Eu não comprei nenhum batom.

E cara,

Foi uma das melhores viagens da minha vida.

Porque eu não tinha distrações,

Eu não tinha como ficar indo fazer compras e tal,

Eu passei o tempo comigo.

Pensando na vida,

Andando,

Aproveitando as coisas simples mesmo.

E isso foi o começo pra mim da virada,

Quando eu voltei dessa viagem,

Eu falei,

Não dá pra viver desse jeito,

Tipo,

Não dá.

Ainda mais porque eu voltei,

Eu era publicitária.

E o mercado publicitário é muito elitista,

Vou ser muito honesta.

Então assim,

São pessoas muito privilegiadas,

As pessoas ganham muito dinheiro.

Não é mais assim hoje em dia,

Mas na época que eu tava,

Oito anos atrás,

Ganhava-se muito dinheiro.

E as pessoas eram muito superficiais em alguns momentos,

Sabe?

Então assim,

Você voltava de uma viagem,

A primeira coisa que as pessoas iam te perguntar é Que restaurantes você foi?

Mas não era muito pra saber o que você tinha feito,

Que experiências você tinha vivido.

Era muito pra saber o assunto,

Entendeu?

Ah,

Me dá a dica então do restaurante incrível e tal.

E quando eu voltei dessa viagem,

E essas foram as primeiras perguntas que eu recebi e tal,

Eu falei,

Cara,

Não comprei nada.

Não.

Ah,

Você foi no museu?

Eu tinha ido pra Madri.

Ah,

Você foi no museu e tal?

E foi uma outra coisa que eu também fiz nessa viagem,

Que acabou mudando muita coisa pra mim.

Assim,

Eu só fiz o que eu estava com vontade.

Então teve um dia,

Todo mundo me falou,

Ah,

Você tem que ir no Museu do Prado em Madri.

E eu amo museu,

Eu tenho o maior prazer em ir em museu quando eu vou viajar.

Só que nesse dia,

Eu cheguei lá e tava um mega sol,

Um dia lindíssimo,

E tava uma fila enorme pra entrar no museu.

Eu olhei e falei,

Cara,

Eu não quero ficar nessa fila,

Eu não tô afim de ir no museu,

Eu não vou,

Eu não vou no museu.

E aí,

Quando eu voltei,

Falei,

Não comprei nada.

Ah,

Você foi no Museu do Prado?

Não,

Não fui.

E todo mundo me olhou com aquela cara do tipo,

Então o que você foi fazer em Madri?

Sabe?

Foi quando eu falei,

Cara,

A minha viagem foi muito certa.

Era muito o que eu tava precisando,

Sabe?

Seguir o que eu tinha vontade,

Do jeito que eu queria.

E aquilo foi muito libertador.

E aí,

Eu comecei a questionar os meus valores.

Porque eu falei,

Eu fui muito mais feliz nesses dias,

Sem fazer nada de especial.

Só andando pela rua,

Sem gastar muito dinheiro,

Sem nada.

E aí,

Eu voltei e falei,

Cara,

E pra quê?

Eu vou trabalhar mais um ano pra poder fazer essa viagem de novo?

Não tá fazendo sentido isso aqui.

E foi assim que eu comecei a questionar os meus valores.

Nossa,

É muito.

.

.

É muito legal ver isso,

Assim.

Porque eu acho que quando a gente se depara com,

Assim.

.

.

Bem nessa situação,

Assim.

De repente,

A gente se vê fazendo uma coisa que a gente não esperava,

Que a gente não tinha planejado.

E que a gente nunca tinha pensado que pudesse ser legal.

Mesmo sem planejar e mesmo sem preparar.

E aí,

Quando a gente,

Assim,

Né?

Parece que a gente escapa um pouquinho da rodinha do hamster.

E aí,

Quando a gente volta pra rodinha,

A gente olha pro lado e as pessoas tão continuando fazendo as mesmas coisas.

E você começa a pensar,

Ué,

Mas.

.

.

Por que que vocês estão perguntando disso?

Eu vi outras coisas legais,

Né?

Tem outras coisas lá fora.

Falando assim,

Parece uma coisa meio fábula de criança,

Né?

Eu saí,

Eu vi o mundo e agora eu voltei e vocês não sabem o que eu vi.

Mas tem um pouco disso,

Né?

E eu acho que eu,

Assim,

Trabalhando com a criação de conteúdo,

Que falo bastante sobre saúde nos últimos anos.

Tenho falado um pouco mais sobre o meu processo de autoconhecimento que teve um pouco mais a ver com saúde do que,

Assim,

Começou mais pela saúde,

Depois passou pelo dinheiro e aí agora eu não sei exatamente onde ele tá.

Mas,

Pela questão da saúde,

Eu acabo recebendo também muitas mensagens e muitas histórias.

E o que eu vejo é que,

Independente de qual seja o gatilho que fez esse,

Sabe,

Essa viradinha de chave mínima que você começa a questionar e assim,

Nossa,

Mas por que eu tô fazendo o que eu tô fazendo e como eu tô fazendo?

As histórias são muito parecidas,

Independente de qual foi o começo,

Né?

É muito,

De repente,

Você se ver numa realidade que nem você consegue explicar exatamente como é que você foi parar ali,

Né?

É,

E eu vou te falar,

Esse processo,

Às vezes a gente fala,

Né?

Ah,

Porque essa minha jornada de autoconhecimento é o que você falou.

Um,

Eu acho que ela nunca acaba e ela vai acontecendo com estímulos diferentes.

Então,

Pra mim,

Começou com o dinheiro e depois com o meu valor como pessoa.

E mais recentemente,

Eu também passei por um problema de saúde que me fez rever tudo de novo.

Então,

São várias áreas da vida e nem sempre a gente consegue achar esse lugar mágico em que você.

.

.

Ah,

Agora eu me autoconheço em todas as áreas e eu consigo viver,

Assim,

Essa vida boa,

Né?

Gente,

Duvido.

Se me apresentarem essa pessoa,

Eu ia falar não.

Se não,

Tem alguma coisa errada.

Então,

Assim,

Num momento em que alguém que me visse de fora pensasse,

Nossa,

Mas ela está toda,

Né?

Se autoconhece,

Tem tudo na vida lá.

E aí,

Vem a vida e te mostra com uma outra coisa,

Né?

Um problema de saúde,

Que seja.

.

.

Que não,

Calma,

Tem outra parte aqui que você precisa prestar atenção também.

Então,

Os meus valores também estão mudando muito recentemente,

Assim,

Nos últimos seis meses por causa da saúde.

E aí,

Você começa a ver que tudo está conectado,

Mesmo.

Uhum,

Mesmo.

Exatamente.

Exatamente.

Isso é uma coisa que eu falo muito,

Né?

Como eu comecei lá na saúde,

Comecei problema de saúde,

Ah,

Vou mudar minha alimentação.

Aí,

Você faz uma mudancinha,

Você acha que vai dar tudo certo.

Aí,

Você vê que o buraco é mais embaixo.

Aí,

Você desce um pouquinho mais no buraco.

Aí,

Você descobre mais uma coisa.

Aí,

Você vê que o buraco é ainda mais embaixo.

E é justamente nesse momento que você chega e percebe que realmente está tudo conectado,

Né?

Não tem como você tratar uma má digestão sem olhar para a tua carreira.

Sem ver como que é o teu relacionamento com a tua família.

Como que você cuida do seu corpo.

Como que você cuida da sua imagem.

Como que você.

.

.

Enfim,

Como tudo,

Né?

Não tem como você segmentar quem você é e a sua vida e o que você come e aonde você vai e com quem você conversa.

Porque é exatamente isso.

Tudo vai afetar tudo e não tem como a gente dissociar,

Né?

Não tem.

Não tem.

E você estava falando uma coisa que me veio aqui na cabeça.

Uma outra questão agora,

Assim.

Um momento de pérola de sabedoria,

De feneute.

Vou pedir.

Que pressão.

Que pressão.

É ótimo.

Não,

Eu vou pedir porque eu acho que,

Assim.

A ideia dessa segunda temporada do Bocadinho,

Ela já existia,

Né?

Quando eu.

.

.

A primeira temporada,

Ela foi muito desamarrada.

Eu fui escrevendo conforme eu estava vivendo as coisas.

Pra essa segunda,

Assim,

Com tudo que eu li ano passado,

Com as minhas vivências,

Com mais uma camadinha de autoconhecimento que eu consegui trabalhar,

Eu comecei a perceber que,

Realmente,

Se a gente não se conhecer,

Se a gente não tiver como objetivo principal ser melhor,

No sentido de se conhecer mais,

Se entender mais,

Se respeitar mais,

É muito difícil a gente conseguir mudar qualquer coisa da nossa vida que esteja nos incomodando,

Né?

No máximo,

A gente consegue colocar um bandaidzinho,

Um remedinho ali.

Mas,

De fato,

Mudar é só quando a gente foca em nós mesmos.

E eu acho que você faz muito isso.

E o que eu queria é que,

Assim,

Estamos eu e você aqui,

Que passamos já por algumas questões da vida que fizeram a gente buscar um questionamento maior.

Só que tem muita gente,

Hoje em dia,

Que não estava buscando nada.

Só que aí o mundo parou,

Né,

Fê?

O mundo,

Com o coronavírus,

Ele não está dando muita opção.

Querendo ou não,

Eventualmente,

A gente está questionando alguma coisa.

Eu espero,

Porque tem muita coisa mudando,

Tem muita coisa acontecendo.

Eu espero que isso esteja trazendo alguma semente de reflexão dentro da gente.

E o que você falaria para alguém que não está acostumado a se questionar,

A refletir ou,

Quem sabe,

Ser confrontado com alguma coisa que não era para ser como é.

Assim,

Que tinha pensado que ia ser diferente.

O que você falaria,

Assim,

Para essa pessoa?

Por onde começar?

Enfim.

O que eu acho interessante disso que você falou é que eu acho que as pessoas estão sempre desesperadas com o fato de que a vida está passando.

O mundo não para.

E aí a gente,

Às vezes,

Vê todo mundo evoluindo,

Progredindo.

E você está ali,

Parado,

Não sabe o que fazer e tal.

E eu acho que o que está acontecendo agora,

Nada mais é do que uma.

.

.

Olhando pelo lado positivo,

Né?

Os negativos a gente já sabe,

Né?

Olhando pelo lado positivo,

É a primeira vez na história da nossa vida que o mundo parou.

E aí vem aquela história,

Né?

É fácil a gente arrumar desculpa quando tudo está na loucura.

Ah,

Loucura do dia a dia e não sei o que.

E tentar encontrar um culpado para aquelas coisas que a gente não consegue fazer.

No momento em que o mundo parou,

Não só o seu mundo,

Mas o de todo mundo parou também,

A questão fica muito sobre autorresponsabilidade.

Qual é o meu papel dentro dessa situação?

E como é que eu uso o que está acontecendo a meu favor?

Porque uma coisa que eu sempre bato na tecla é que o sofrimento vem na nossa vida para ensinar alguma coisa.

Se não,

Não faz sentido algum.

Seria muito injusto se a gente ficasse sofrendo várias vezes pela mesma coisa.

Então,

No momento que algo que faz a gente sofrer acontece,

A gente aprender com aquilo,

Eu acho que dificilmente aquilo vai acontecer ou vai nos atingir da mesma forma que foi na primeira vez.

E me preocupa ver muita gente passando por essa pandemia sem parar para entender o que esse sofrimento pode ensinar pra gente.

E aí eu não estou nem entrando no mérito da romantização que está acontecendo também,

De muita gente,

Como se a quarentena fosse essa coisa mágica que está melhorando o mundo.

Eu não sou tão otimista assim.

Converso.

Mas eu acho que se cada um assumir,

Sim,

As suas responsabilidades,

Nesse todo,

A gente consegue evoluir um pouquinho,

Sim.

E aí,

Autoresponsabilidade,

Eu acho que é uma palavra importante pra esse momento.

Todo mundo,

A gente está vendo aí,

É uma doença contagiosa que as suas ações interferem no bem-estar do outro,

Na saúde do outro,

E o do outro interfere na sua.

Sim.

Então,

Isso mostra o quanto as coisas são conectadas e o quanto as nossas ações se refletem no todo também.

Então,

A responsabilidade,

A autoresponsabilidade,

Eu acho,

Se eu tivesse que falar uma coisa que as pessoas precisam focar nesse momento,

Seria em autoresponsabilidade,

Em assumir a responsabilidade pelas coisas da sua vida.

Porque sem isso,

Cara,

Juro,

É difícil.

Quando a gente está sempre tentando arrumar uma desculpa,

Arrumar um culpado,

A nossa vida não sai do lugar.

Achei ótimo,

Maravilhoso.

Achei muito,

Ó,

Um bom.

.

.

Quem está ouvindo a gente aqui,

Eu acho que é um bom passo,

É um bom começo.

E eu acho,

Fê,

Que é uma coisa legal da autoresponsabilidade,

É que,

Principalmente nesse processo de autoconhecimento,

Que quem está ouvindo o bocadinho está afim disso.

Isso que eu já acho o mais legal de tudo.

Então,

A gente já pode conversar com quem está nos ouvindo com esse tom de que sabe que a pessoa está interessada,

Está curiosa,

Quer melhorar.

E eu acho que no processo de autoconhecimento é uma coisa que eu já falei em outros episódios,

Por mais que a gente tenha que ter a autoresponsabilidade,

A gente tenha que ter a coragem de cutucar a ferida,

De aguentar o incômodo,

Né,

De passar pela crise,

De conviver com o sofrimento,

Que é inerente,

Todo mundo vai sofrer.

Eu acho também que é muito legal,

Nesse processo todo,

A gente saber quais são os nossos limites e quais são.

.

.

O que a gente pode fazer naquele momento.

Porque,

Assim como você falou,

Que tem uma romantização da quarentena e de que a pandemia está mudando o mundo,

Também tem um outro lado,

Que as pessoas estão.

.

.

Tem algumas pessoas colocando.

.

.

Se sentindo pressionadas.

Aquela coisa,

Não sei se você viu,

Tem um.

.

.

No Instagram,

Várias pessoas,

Eu já vi postarem,

Que se você não acabar a quarentena com um hobby novo,

Uma nova habilidade,

Ou,

Sei lá,

Um curso feito,

É que não te faltava tempo,

Falta disciplina.

E aí,

Assim,

Por mais que eu concorde em uma parte,

Eu penso,

Por exemplo,

Nas minhas amigas que estão com dois filhos em casa e ainda tendo que cozinhar as coisas para o marido.

Então,

Eu acho que quando a gente fala aqui,

Né,

De autoresponsabilidade,

Todo esse papo que a gente está tendo,

É claro que é para a pessoa que está nos ouvindo colocar dentro da realidade dela.

Né,

Não é.

.

.

Tem as famílias,

Tem estruturas diferentes,

Tem coisas diferentes acontecendo,

E você tem que levar em consideração.

E eu acho que,

Quando a gente fala de valores e de autoconhecimento,

A gente também já sabe que,

Quando alguém fala para a gente,

Mas isso é o ideal,

O ideal não é,

Às vezes,

O certo para você,

Ou não é daquela maneira para você.

Você tem que fazer.

.

.

Exatamente.

Tem uma coisa também,

Que eu acho que por isso o autoconhecimento é tão importante,

E a gente está alinhado com essa coisa dos nossos valores.

Uma coisa que,

Por exemplo,

Ficou muito clara para mim nessa quarentena,

Eu não ligo a mínima para me vestir bem em casa.

Eu cheguei a essa conclusão.

Então,

Assim,

Eu posso ver 50 mulheres fazendo looks do dia,

E usando a quarentena para explorar melhor o guarda-roupa,

E se arrumando para jantar em casa,

Que isso não vai me perturbar.

Eu não vou me sentir inadequada porque eu estou de calça de moletom todos os dias.

Não,

Eu vou me sentir ótima.

Porque ficar de calça de moletom está totalmente alinhado ao meu valor principal,

Que é ficar confortável,

Entendeu?

Está bem comigo,

Estar bem comigo.

Agora,

Dentro da minha casa,

É eu estar de roupa de academia.

Ponto.

Então também,

Eu acho que,

Na coisa da autoresponsabilidade,

Eu tenho visto muito isso,

Assim.

Quando o mundo está normal,

Que não tem quarentena,

Todo mundo fica,

Ai,

Mas eu vi estar fulano,

E aí isso me fez me sentir inadequado,

Porque daí eu fico com fomo,

Porque daí eu vejo que eu não estou conseguindo fazer,

Não,

Não,

Não.

Aí vem a quarentena e muda,

Né?

Aí agora é,

Ai,

Mas aí eu tenho filho,

E eu não posso,

E não é igual.

Então,

Assim,

Se a gente não tiver de acordo com o que a gente acredita pra nossa vida,

Pode ter quarentena,

Pode ter coronavírus.

A gente vai sempre arrumar um motivo pra se sentir inadequado e pra ter um gatilho.

Por isso que é tão importante olhar pra dentro,

Porque assim,

Não adianta a gente ficar pensando no ah,

Mas agora,

Então eu tenho que aproveitar,

Porque talvez.

.

.

Outro dia uma pessoa me mandou uma mensagem,

Uma DM no Instagram,

Falando ah,

Eu tô começando a ficar ansiosa,

Porque daqui a pouco a quarentena vai acabar e eu tô com a sensação que eu não fiz nada.

Gente.

.

.

E aí eu falei,

Não,

Calma,

Mas a quarentena não foi feita pra gente fazer coisas.

Entendeu?

Que loucura.

Então assim,

Não adianta.

Pra falar pra essa pessoa que não adianta ela pensar assim,

Ela tá um passo atrás.

Por que ela tá se sentindo assim?

Por que a quarentena tá fazendo ela se sentir inadequada e causando essa ansiedade de que ela não vai ter aproveitado esse tempo,

Entendeu?

Então eu acho que toda vez que a gente se sente que tem um gatilho,

Que alguma coisa desperta esse gatilho,

A gente tem que se perguntar por que eu tô me sentindo assim?

Por que eu acho que eu deveria estar fazendo o curso?

Porque senão fica aquela coisa do tipo,

Ai,

Mas porque todo mundo tá fazendo,

Eu preciso fazer também.

Exatamente.

E não,

Se você tem filho,

Tem um monte de gente que eu conheço que tá trabalhando ainda mais porque tá trabalhando em casa.

Entendeu?

Então assim,

Não adianta a gente ficar se comparando e a gente precisa começar a entender as nossas emoções.

Então assim,

Se eu me senti inadequada,

Por que eu me senti inadequada?

O que tá me fazendo sentir assim?

Se eu achei que isso trouxe um gatilho,

Né?

Que despertou alguma coisa ruim,

Despertou por quê?

Por que que ouviu o que essa pessoa tá falando e despertou algo ruim?

A resposta tá sempre dentro da gente.

Legal.

Eu acho.

Perfeito.

Exatamente isso.

E eu acho que quanto mais a gente se acostuma com esse exercício que você acabou de falar,

Né?

Ai,

Alguma coisa me incomodou,

Mas lembrar que o incomodo tá em mim.

Então,

Por que que eu tô me sentindo assim,

Né?

Fazer esse mini-scan,

Vamos falar assim,

De por que que eu me senti assim?

Por que que eu tô desconfortável?

Ou por que que eu tô ansiosa?

Por que que eu me preocupei?

Por que que o que essa pessoa postou me irritou?

Eu acho que quanto mais a gente se acostuma a voltar pra gente,

Né?

Colocar,

Interiorizar,

Mais a gente vai se conhecendo.

E isso que você falou,

Fê,

Eu acho até muito legal a gente falar pra quem tá nos ouvindo que também acho que assim como valores,

Que a gente vê uma coisa muito abstrata,

Né?

Lá,

Bondade,

Família,

Enfim,

Eu acho que o autoconhecimento também,

Às vezes a gente vê como uma coisa muito longe,

Uma coisa muito fora de nós.

O autoconhecimento,

Ah,

Então eu tenho que ir num psicólogo,

Eu tenho que buscar um terapeuta,

Eu tenho que ler um livro.

Claro que isso faz parte do processo e é extremamente importante,

Mas o autoconhecimento acho que a chave principal é o quanto você tá disposto a se questionar.

É ver o que que tá acontecendo no mundo,

Mas entender que quem tá reagindo ao mundo é você,

Né?

O mundo tá ali acontecendo independente de você.

Então,

Antes da gente chegar aqui,

O mundo já tava acontecendo.

As coisas já aconteciam e depois que a gente for embora,

Também vai continuar.

Então,

Quanto mais a gente entender que pra se autoconhecer o principal é a gente,

Como é que eu estou me sentindo,

Porque que eu tô pensando isso,

Porque que eu tô reagindo assim,

Né?

Independente se foi o amigo,

A irmã,

O chefe,

A blogueira,

Não importa quem foi,

Tá sempre dentro da gente,

Né?

Então,

Esse exercício eu acho legal.

É,

Porque eu acho tão mais fácil a gente,

E eu vejo muito isso,

Porque você deve receber também mensagens do tipo,

Ah,

Mas isso que você postou vai ser um gatilho pra não ser quem,

Óbvio,

Eu sou super responsável nas coisas que eu falo,

Mas tudo tem um limite,

Sabe?

Não tem como você criar um conteúdo que vai tá alinhado com o que todas as pessoas que te seguem pensam,

Entendeu?

Hoje em dia a gente criou um hábito de achar que o outro tem que mudar pra satisfazer algo que tá errado com a gente.

Então,

Assim,

Isso é uma coisa que eu faço muito.

Toda vez que alguém me irrita,

E isso tanto na minha vida,

Né,

Do dia a dia,

Nos meus relacionamentos mais próximos,

Com a família e tal,

Quanto pelas redes sociais,

Toda vez que alguma coisa me irrita muito ou gera um gatilho muito grande,

Em vez de eu ou culpar ou falar,

Ai,

A pessoa fez isso e tá errado,

Eu sempre olho pra mim,

Assim,

Por que que isso tá me irritando?

Por que que isso me deixou tão com raiva?

Sabe,

Por exemplo,

Quando começou esse negócio da quarentena,

Eu tive um momento de muita raiva.

Por quê?

Porque eu me tranquei em casa,

Eu tô,

Eu morei em Nova York,

Então eu tô no epicentro da contaminação,

Aqui a gente tá muito limitado no que a gente pode fazer.

E eu tomei a decisão de ficar em casa.

Só que todas as vezes que eu via as pessoas na rua,

Eu me sentia uma idiota.

Falava,

Não,

Eu sou uma idiota,

Porque tá todo mundo na rua,

No parque,

Eu tô aqui.

E tal.

E aí,

Eu comecei a sentir essa raiva constantemente,

Assim,

Eu via o Instagram das pessoas,

Eu postava,

Você entrar no parque,

Eu ficava pé da vida.

Meu,

Tá todo mundo no parque.

E aí eu parei e falei,

Cara,

Por que que eu tô ficando nervosa?

Eu decidi ficar em casa.

Porque pra mim,

É certo ficar em casa.

Então não adianta eu ficar irritada,

Que as pessoas não estão.

Porque eu tô agindo de acordo com o meu valor principal,

Que é fazer o que é correto.

No momento que eu parei,

Pra entender o gatilho,

Eu parei de ficar irritada com as pessoas.

Eu parei.

Eu posso ver o parque fica lotado,

Tá lá ainda,

Toda vez alguém posta,

Eu falo,

Cara,

Eu tomei uma decisão que foi ficar em casa.

É minha responsabilidade essa decisão.

Se eu quiser ir pra rua,

Eu vou pra rua.

Eu tenho o mesmo direito de ir que todas essas pessoas.

Só que eu acho que é errado.

Então,

Eu vou honrar o meu valor,

Entendeu?

Então,

É.

.

.

Às vezes,

O que acontece,

Eu poderia,

Em vez de parar pra fazer essa reflexão,

Poderia começar a ir lá e comentar no Instagram do outro.

Por que você tá na rua?

É quarentena.

Entendeu?

Só que não cabe a mim fazer isso.

Esse julgamento,

Entendeu?

Pra mim,

Eu tomei essa decisão,

Eu tenho o mesmo direito de sair pra rua que o outro,

Só que eu não tô saindo.

Então,

Não adianta eu ficar nervosa que o outro tá.

Porque eu não tenho controle sobre isso,

Entendeu?

Exato.

Isso é muito legal.

Assim,

É isso que você falou agora,

Por último.

Não tenho controle sobre isso.

Eu acho que essa também é uma.

.

.

Uma questão chave pra qualquer pessoa que quer se conhecer melhor.

É entender que você só consegue mudar o que você tem controle.

E se você depende de se sentir melhor,

Ser mais feliz ou qualquer outra coisa de uma coisa que você não tem controle,

Por exemplo,

A ação de uma outra pessoa,

O sentimento de uma outra pessoa,

A opinião de uma outra pessoa,

Você tá bem enfadado a estar frustrado constantemente,

Certo?

Porque se você tá ali achando que você se sente bonita quando alguém te elogia,

Ou você se sente inteligente quando alguém fala pra você que você é inteligente,

Ou você se sente importante quando você faz qualquer coisa que a outra pessoa tem que dizer sim ou não,

É muito fácil você tá sempre precisando demais,

Você nunca tá satisfeita e você tá constantemente frustrada,

Né?

Porque você tá ali dependendo de uma outra pessoa que provavelmente não sabe que você tá dependendo dela,

Porque provavelmente você também não falou.

Olha,

Eu adoro me sentir bonita,

Mas eu só me sinto bonita quando você fala que eu sou bonita.

Então se você puder ficar falando que eu sou bonita,

Por favor.

Não conheço muitas pessoas que avisam.

Então,

Essa questão da gente saber o que a gente tem controle,

E se sentir confortável com isso também,

Então como é que eu posso ficar bem aqui?

O que que eu tenho controle nesse momento?

E normalmente a gente vai ver que o que a gente tem controle são coisas menores e que se a gente fica em paz com isso.

.

.

Muito poucas com isso a gente tem controle.

Exatamente.

E a gente acaba aceitando,

Né?

Se eu não tenho controle,

Se eu realmente não posso fazer nada pra mudar,

Então é isso,

Né?

Vou fazer o quê?

Essa situação que você ilustrou é muito boa,

Né,

Fê?

Você está fazendo o que é certo pra você.

E aí você olhava pro par que falava mas meu Deus,

Gente!

Saiam daí!

Porque não adianta eu querer que o que é certo pra mim seja certo pro outro.

Não vai ser,

Nem sempre é,

Entendeu?

Eu acho que deveria,

Acho que todo mundo já está em casa.

Sim,

Total.

Mas não tem como,

Entendeu?

E aí que eu falo,

Se você está alinhado com o que é importante,

Com o que você valoriza de verdade,

No momento que você faz essa reflexão,

Ela é quase óbvia,

Sabe?

Do tipo,

Por que eu estou me irritando tanto?

Eu tomei essa decisão,

É uma escolha minha ficar em casa nesse momento.

Tudo bem,

Dentro da circunstância que a gente está vivendo.

Não faz sentido eu ficar irritada.

E aí na irritação eu ficava estressada,

Então assim,

Pra quê?

O que eu menos preciso nesse momento é ficar estressada,

Sabe?

Então,

E é isso,

Assim,

O que eu acho principal é a gente não tentar colocar no outro também expectativas que são nossas,

Sabe?

Do tipo,

Por que eu acho que isso é certo?

Por que eu acho que isso deveria ser feito assim?

E aí se o outro não faz,

Aí você fica muito mal,

Sabe?

Não adianta.

A gente só tem controle pelo que a gente faz.

Total,

E assim,

Ó,

Eu vou falar por mim,

Tá?

Não vou falar por você,

Mas,

Apesar de eu saber tudo isso,

Eu,

Às vezes,

Coloco,

Deposito aquela esperancinha no outro.

Eu fico esperando aquele elogiozinho.

Somos humanas,

Né?

Não é mesmo?

Aí depois,

E assim,

Lógico,

Hoje em dia,

O processo é diferente,

Porque eu consigo perceber que eu tô fazendo isso e tem vezes que eu consigo perceber que eu tô fazendo isso e ponto.

Não é que eu vou mudar.

Eu fico até tipo,

Que droga,

Fiz isso.

Mas fiz.

Ok,

Vou tentar não fazer na próxima.

Às vezes,

Na próxima eu faço também.

Mas é aquela coisa.

Uma hora eu.

.

.

Uma hora vai.

Uma hora vira chave e eu não faço mais.

Mas não tem,

Né?

A gente é humana,

Né,

Fla?

Não tem.

.

.

É o que eu falei.

Por mais que eu esteja bem alinhada com as coisas e tal,

Muitas vezes eu caio nessas mesmas armadilhas.

A diferença é essa.

Eu me vejo fazendo uma,

Duas,

Três vezes e eu falo,

Não,

Para.

Vamos lá.

Por que que isso tá se repetindo tantas vezes?

Vamos lá.

Tá funcionando não desse jeito.

É tipo isso.

Mas eu acho que isso já é um passo avançado,

Sabe?

Você ter a capacidade de olhar e entender que você tá fazendo uma coisa,

Por mais que você não concorde o que você não gostaria de estar fazendo,

Já é autoconhecimento.

Eu também acho.

Já é saber.

E se conhecer não significa que a gente não vai fazer as coisas.

Significa que a gente sabe que tá fazendo.

Ai,

É maravilhoso.

Não é que a gente não faz.

A gente faz sabendo que tá fazendo.

É aquela coisa,

Olha,

Eu sei que eu não devia tá fazendo,

Tá errado.

Tô agindo por impulso,

Mas eu tô fazendo.

Já fiz.

Foi.

É.

E eu,

Pelo menos na minha vida,

Assim,

Funciona muito ser honesta.

Tanto comigo,

Quanto com pessoas,

Sabe?

Que eu convivo.

Porque em muitos momentos,

A gente vai pisar na bola.

Total.

Sabe?

Vai.

Então,

Assim,

Quanto mais.

.

.

E isso é uma coisa que me ajuda muito.

E eu sempre fui assim.

Eu não tenho problema nenhum em admitir que eu tô errada,

Que eu falei uma coisa que não tinha nada a ver,

Sabe?

Então,

Eu acho que essa humildade de também chegar e falar,

Ó,

Não foi legal e tal,

É.

.

.

Ajuda.

Eu também acho.

Porque no passado,

Eu já fiz coisa errada,

Sabia que eu tava fazendo errado,

Mas aí tinha aquele orgulhinho,

Né?

Tipo,

Não,

Mas não vou falar.

Vai que ninguém percebeu.

E não adianta.

É,

Sabe?

Então,

Isso foi uma coisa,

Por exemplo,

Que eu aprendi muito com o meu relacionamento anterior.

E que eu falei,

Eu não vou levar isso pro meu próximo relacionamento.

Sabe?

E aí,

Realmente,

Assim,

A diferença é gritante.

De você não ficar segurando certas coisas.

E isso é evoluir,

Sabe?

É a gente passar por uma experiência,

Aprender com ela e não repetir os mesmos erros.

Ou repetir menos.

Ou cometer erros diferentes.

Exato.

Também é importante.

Sabe?

Eu acho que o maior problema é a gente ficar batendo nos mesmos erros.

E isso é o que a gente tem que evitar.

Porque cometer erros,

A gente vai continuar cometendo.

O ideal é que eles sejam novos.

Assim a gente aprende.

Pra gente aprender novas habilidades com os novos erros.

Porque os erros antigos,

Né?

Fê,

Eu amei nosso papo.

Muito obrigada por participar.

Eu acho sempre muito enriquecedor falar com você.

Me sinto muito privilegiada de poder conversar com você.

Não só pelo Instagram.

Não só por ouvir.

Eu também.

Eu me identifiquei muito com você.

E eu até,

Eu te falei isso naquela época.

Eu até me desculpo assim,

Porque eu acabei não respondendo várias coisas.

Mas eu tava num.

.

.

Não era eu mesma,

Sabe?

E eu também,

Acho que foi importante pra mim respeitar o que eu tava sentindo,

Sabe?

Não tentar passar por cima.

Porque agora que eu vou chamar de voltei,

Eu voltei muito melhor,

Sabe?

Porque eu respeitei esse momento.

Sim.

Não,

Total.

Eu super entendo.

Tanto que sou uma das pessoas que não fica insistindo.

Eu sempre procuro entender que se não tem uma resposta,

Se o negócio não tá andando,

Tudo bem.

Não é a hora.

Eventualmente vai.

Ou eventualmente não vai.

Mas eu sempre respeito porque eu também sou muito disso.

Assim,

É.

.

.

Se eu não tô legal,

Se eu não tô achando que é o momento,

Eu prefiro não fazer do que fazer,

Sabe?

20%,

30%.

Não me deixa muito satisfeita,

Não.

Fê,

Quero agradecer muito pelo bate-papo.

Foi muito legal,

Maravilhoso conversar com você.

E eu queria que você falasse pra quem tá ouvindo a gente e ainda não te conhece,

Aonde que te encontram.

No Instagram,

Principalmente nessa época de quarentena,

Arroba Fê Neute.

Eu também tenho um canal no YouTube que tá num momento de pausa,

Mas em breve vai retomar.

E tem muito conteúdo legal do passado,

Conteúdo bem atemporal,

Feliz com a Vida.

E eu tenho um blog também,

Felizcomavida.

Com,

Que também tem muito conteúdo legal por lá.

Vou ficar muito feliz com os novos visitantes.

Sim.

Eu vou deixar todos os links aqui na descrição do episódio pra facilitar.

Quem não conhece,

Por favor,

Vá.

Os vídeos da Fê são maravilhosos,

Os posts também,

Todo o conteúdo é muito bom.

E é isso.

Muito obrigada,

Fê.

Obrigada,

Fê.

Obrigada a você.

Como sempre,

Eu espero você lá no Instagram,

Arroba Flávia Machione,

Pra contar o que achou do episódio.

Semana que vem eu tô de volta com mais um e um exercício novo.

Um beijo.

4.9 (23)

Avaliações Recentes

Bernadete

April 2, 2024

🙏

Sil

August 21, 2020

Amei, gurias!!

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