
Meditação para Permear o Corpo de Vazio da Consciência Pura
by Willy Mona
Esta é uma meditação avançada e longa para permear o corpo de vazio - em outras palavras, para permear o corpo de consciência e esvaziá-lo da identidade pessoal do ego. Tenha uma boa meditação!Até a proxima.
Transcrição
Feche os seus olhos e,
Apenas para te ajudar durante toda essa meditação,
Esteja sempre atento à sua respiração.
Então,
Agora,
Seja consciente da consciência.
Seja consciente desse espaço aberto e o que quer que apareça na sua experiência.
Qualquer pensamento,
Sentimento,
Sensações físicas,
Som,
Visão,
Veja e sinta que tudo isso aparece nesse espaço aberto da consciência.
Veja e sinta que o que quer que apareça nesse espaço consciente é uma modulação dessa consciência espaçosa.
Assim como as ondas são apenas o movimento da água,
Todos os pensamentos,
Sentimentos,
Percepções são apenas vibrações da consciência.
Uma vibração desse espaço consciente.
Assim como a única substância numa onda é a água,
A única substância na experiência é o conhecer a consciência.
Toda a experiência é uma modulação da consciência infinita.
Por mais que muitos de nós saibamos dessas coisas intelectualmente,
Leva tempo para nossa experiência genuína e compreensão permear todo o reino da experiência,
Particularmente a maneira que sentimos e percebemos o mundo.
Existe uma história onde tinha esse mestre Zen que estava de cama e que foi perguntado como que estavam as coisas para ele.
E ele disse,
Tudo está bem,
Mas o meu corpo está tendo dificuldade em acompanhar.
Esse reconhecimento de que tudo estava bem é uma compreensão de que tudo estava claro.
Ele sabia da experiência genuína que ele era o vazio,
O céu vazio e aberto da consciência.
Porém,
Ao mesmo tempo,
Esse reconhecimento não acompanhou o aspecto físico,
O corpo dele não tinha chegado a ser permeado pela experiência que ele tinha tido.
Por essa razão,
Nesses retiros,
Nós começamos a prestar cada vez mais atenção para a experiência do corpo e do mundo,
A maneira que nós percebemos o mundo e sentimos o corpo.
É uma tentativa de alinhar o que nós sentimos no corpo e percebemos no mundo com nossa compreensão genuína.
Os nossos sentimentos não são suscetíveis a pensamentos racionais.
Sentimentos são localizados no corpo e sobrevive a iluminação,
A iluminação que é apenas o nome exótico para o reconhecimento da nossa verdadeira natureza,
A consciência sempre presente.
E a iluminação não põe um fim nos sentimentos do corpo,
Sentimento de ser um ser finito e temporário localizado no corpo.
É por essa razão que muitas vezes há uma discrepância entre nossa compreensão genuína e o que nós sentimos no corpo.
Até mesmo após muitos anos de práticas espirituais sinceras,
Nossas ações e reações revelam a presença de um ser separado que estava escondido no sistema,
Independente de nossas compreensões genuínas.
Então,
Reconhecendo isso,
Algumas tradições espirituais desenvolveram uma série de explorações não racionais do corpo e essas foram elaboradas precisamente para essa razão,
Para poder alinhar a nossa sensação e experiência com a nossa compreensão e entendimento.
Na tradição vedântica,
Essa abordagem não foi muito elaborada,
Foi mais elaborada nas tradições tântricas.
Nas tradições vedânticas havia uma ênfase maior no retorno à essência,
Auto-investigação,
Entrega a Deus,
Uma ênfase no aspecto transcendental da nossa verdadeira natureza.
Mas nas tradições tântricas,
Eles focam,
Como o Zen fala,
Um retorno ao mercado,
Um retorno para a experiência objetiva,
A maneira como nós sentimos o corpo,
A maneira como nós percebemos o mundo,
Uma tentativa de permitir nossa experiência transcendental permear cada aspecto de nossa experiência.
E eu me refiro a essa abordagem como meditação yoga.
Eu me refiro a esse termo por não achar um termo melhor.
É a yoga original,
A essência do yoga,
Que significa uma maneira de experienciar o corpo alinhado com a nossa compreensão de que eu sou uma consciência infinita.
O que nós conhecemos como yoga hoje em dia,
Um alongamento do corpo,
É apenas uma corrupção do yoga original.
É um yoga que foi apropriado pelo eu separado na tentativa de fazer o eu separado mais flexível,
Ágil,
Bonito,
Jovem e saudável.
Não há nada de errado nisso,
Mas é algo muito distante da essência do yoga,
Que é uma tentativa de permear o corpo com a luz da consciência infinita.
Na tradição cristã,
Isso é chamado de transfiguração.
A transfiguração da maneira como sentimos o corpo alinhado com o nosso entendimento.
Então,
Conforme nós fazemos essa meditação,
Não espere que eu seja muito racional enquanto exploramos essa abordagem ao corpo.
Agora,
Traga atenção para a cabeça e tenha certeza de que você está se referindo apenas à sua experiência direta atual,
Como se você fosse um recém-nascido.
Um recém-nascido que não tem conhecimento de um passado,
Não tem conhecimento de que você nasceu como um corpo em um mundo,
Seus olhos ainda estão fechados e,
De repente,
No meio dessa abertura de que você é,
Uma vibração apareceu,
Uma sensação que,
Em alguns anos,
O pensamento irá definir como minha cabeça.
Mas agora você nada sabe sobre isso.
A sensação vem apenas sem nome.
Então lembre-se,
Durante toda essa meditação,
Que você é um recém-nascido que não sabe que é minha cabeça,
Que é meu corpo.
É apenas uma sensação sem nome.
Sinta que essa vibração está aparecendo nessa consciência espaçosa e aberta.
Essa sensação da cabeça que,
No caso,
Você não sabe o que é.
Você é esse espaço vazio,
Consciente,
Onde toda a vibração está aparecendo.
Agora perceba que essa vibração sem nome,
Na cabeça,
No caso,
Ela parece ter uma densidade em comparação ao espaço em que ela está surgindo.
Então perceba,
A vibração,
Essa sensação de vibração,
Ela tem uma densidade em comparação ao espaço aonde ela está surgindo.
Que você é esse espaço,
Né?
Você é esse espaço aonde percebe a vibração.
Agora visualize que no topo dessa vibração,
No caso,
No topo da cabeça,
Que você não sabe que é uma cabeça,
No topo dessa vibração existe um pequeno espaço aberto.
Uma abertura no topo dessa sensação que é chamada cabeça.
E agora imagina que você pega um balde e você enche esse balde com o vazio que está ao redor da sensação da vibração.
Então você pega um balde e enche ele com o vazio que está ao redor da sensação da vibração.
Lembrando-se que você não sabe o que você é.
Você é um recém-nascido que não tem nome,
Que não tem história.
Não é fulana de tal que está fazendo isso,
É apenas um ser sem nome.
Então você está enchendo esse balde e você começa a derramar esse balde vazio nessa abertura do topo da cabeça.
E você derrama lentamente esse vazio e percebe ele se infiltrando na sensação.
Então visualize essa cena de um balde derramando um vazio nessa abertura no topo da cabeça e vai permeando a sensação de vibração.
E primeiro visualize e depois abandone a visualização e apenas sinta.
Sinta esse vazio sendo derramado lentamente como um mel sendo derramado.
Sinta essa sensação de vazio sendo derramado na sensação dissolvendo a densidade em que ela faz contato.
Sinta esse vazio que vaza do topo da cabeça em direção à área em volta dos olhos e por trás dos olhos.
Sinta esse vazio indo do topo da cabeça em direção à área em volta dos olhos e por trás dos olhos.
Esse vazio vai permeando a sensação de vibração nos olhos,
Em volta dos olhos e atrás dos olhos.
Essa é uma área da cabeça que é rica da sensação do eu separado,
Um lugar onde eu,
Aquele que vê,
Acha que existe,
Logo atrás dos olhos.
Então deixe que o vazio seja derramado lentamente na densidade por trás dos olhos,
Saturando a densidade com o vazio,
Dissolvendo a densidade com o vazio.
Agora deixe que esse vazio vá se derramando lentamente para o meio da sensação,
Aonde o eu,
O pensador existe,
Uma das residências do ser separado.
Tudo o que nós achamos lá é uma vibração,
Uma sensação.
Então deixe que esse vazio vá se derramando lentamente até uma sensação aonde o eu separado existe,
Aonde existe apenas uma sensação de eu separado.
Esse vazio vai permeando essa sensação.
Perceba que essa sensação está apenas imitando a presença de um eu separado,
E que na realidade esse eu separado não existe.
Permita que esse vazio descarregue a sensação do eu separado fora dos seus esconderijos,
No centro da cabeça.
Deixe que a densidade lá ser permeada e saturada com esse vazio.
Então perceba esse vazio gotejando para baixo,
Através da sensação da densidade na área do nariz,
Aonde o eu separado que sente cheiros vive,
Permeando com esse vazio.
Então sinta esse vazio,
Perceba esse vazio gotejando,
Saindo gotas de vazio até a área do nariz,
Aonde o eu separado acredita que sente cheiros.
Agora sinta que a parte de trás da cabeça está sendo preenchida de vazio.
E visualize,
Mas também quando você puder,
Abandone a visualização e apenas sinta o vazio preenchendo.
Agora sinta o vazio derramando até a área da boca,
A área onde o eu que sente gostos e que fala vive.
Então perceba o vazio se derramando até a área da boca e dissolvendo a sensação de que eu falo,
Eu sinto o gosto.
Permita que esse vazio dissolva essa vibração.
Agora sinta que a cabeça está sendo preenchida com esse vazio e o vazio começa a fluir até a área da garganta,
Outro lugar aonde o eu separado gosta de residir.
E o vazio derrama até a parte de trás do pescoço e flui até a parte dos ombros.
E você sente essa sensação de que esse vazio está preenchendo o corpo,
Saturando o corpo.
Depois o vazio derrama até a área do coração,
A residência principal do eu separado,
O eu que sente,
O eu que está solitário,
O eu que está machucado,
O eu que falhou,
O eu que não pode ser amado,
O eu que está com medo.
E derrame lentamente com cuidado especial para permitir que esse vazio transparente permeie gentilmente todos esses lugares aonde esses sentimentos residem,
Todas essas vibrações e sensações que imitam a sensação de um eu separado.
Então derrame lentamente com cuidado especial para que esse vazio transparente permeie gentilmente todos esses lugares.
Primeiro visualize,
Mas depois sinta.
A visualização é apenas um apoio para te ajudar a sentir.
O importante é sentir.
Primeiro visualize e depois sinta que esse vazio coloniza a densidade da sensação,
Permeando a densidade da sensação e dissolvendo a densidade em si mesma.
Toda a área do coração agora foi preenchida com esse vazio.
E esse vazio continua a fluir até a área do umbigo,
Aonde muitos sentimentos sem nome residem.
Então perceba o vazio transparente fluindo até a área do umbigo e sinta toda a densidade da cavidade do umbigo.
Foi progressivamente permeada e saturada por esse vazio líquido.
Sinta que esse vazio líquido continua a fluir para baixo e preenche a área pélvica e genitália,
Dissolvendo qualquer tensão e resíduo lá.
Então permita que esse vazio líquido preenche toda a área pélvica,
Dissolvendo qualquer tensão e sensação de um eu separado,
Como se você fosse um recém-nascido.
Não tem nome para essas partes do corpo.
Agora sinta que esse vazio líquido continua a fluir para as pernas,
Preenchendo as coxas,
O joelho,
A panturrilha,
Fluindo até os pés e o dedo dos pés.
E depois sobe e flui até os braços,
Cotovelo e mãos e sinta que o corpo está preenchido agora de vazio.
Não há sentimentos no corpo.
Não há mais pensamentos no corpo.
Não há um eu separado no corpo.
É apenas uma vibração gentil permeada de vazio.
Então perceba agora que o seu corpo inteiro está permeado de vazio e que não existe mais uma sensação de um eu separado.
Há apenas um vazio permeando todo o seu ser.
E quando você sente que essa sensação está cheia de vazio,
Quando o corpo está cheio de vazio,
Você começa a sentir esse vazio escoando através dos poros da pele.
Imagine a pele,
Tem pequenos buracos onde esse vazio líquido começa a ser escoado para todas as direções e permeando todos os cantos da pele.
Então esse vazio está sendo derramado para o corpo e também escoando para todos os cantos e direções,
Para o espaço vazio ao redor.
Então sinta esse vazio líquido que estava dentro do seu corpo sendo escoado pelos poros da sua pele,
Indo para todas as direções esse vazio líquido.
E conforme esse vazio é derramado pelo corpo,
Dissolvendo os resíduos do eu separado e pegando esses resíduos e afasta eles no espaço ao redor do corpo,
Como se fosse um pedaço de pano sendo levado por um rio.
Então sinta como se qualquer sensação de um eu separado está sendo levado por um rio,
Um rio de vazio que banha através do corpo,
Dissolvendo os resíduos de sentimento e tensão,
Escoando pela superfície da pele,
Derramando pelo espaço ao redor.
Então qualquer sensação de separatividade foi permeada por esse vazio líquido e foi escoada pelos poros,
Vazio dentro e vazio fora.
Tudo que sobra do assim chamado corpo é essa vibração transparente,
Como um pedaço de musselina pendurado em um varal.
Para quem não sabe,
Musselina é um tecido extremamente fino,
Ondulando na brisa do vento.
Então sinta como se o seu corpo agora fosse uma sensação transparente,
Como um pedaço de um pano extremamente fino andulando na brisa do vento,
No varal.
E tudo que sobra de um corpo denso e sólido é essa vibração transparente,
Saturando em vazio,
Permeado de vazio.
Agora pare de fazer qualquer coisa e deixe apenas a experiência de ser como ela é.
Não tente manipular nada,
Nem controlar nada,
Nem visualizar nada.
Apenas deixe a experiência de ser como ela é.
Os benefícios dessas meditações não são sempre imediatos.
Eles aparecem no decorrer do tempo,
Assim como um músico aprende a tocar um instrumento no decorrer do tempo.
Nós começamos a perceber os benefícios conforme vamos vivendo a nossa vida,
No dia a dia.
Sentimos cada vez mais aliviados da sensação de ser localizados num corpo denso e sólido,
Mas sentimos como sendo um espaço leve,
Vazio,
Contemplando tudo o que está ao redor.
É quando estamos nesse espaço que podemos sentir amor e beleza pela vida.
É quando vemos o mesmo espaço que há em nós,
Também no outro,
Que sentimos amor pelo outro ou pela vida.
Então é assim que o amor pela vida,
Pelo outro,
Surge quando você percebe esse espaço vazio em você e percebe também que o outro é esse espaço vazio.
Gratidão.
Agora você pode abrir seus olhos lentamente,
Mas sem a sensação de que um eu está abrindo os olhos.
Conheça seu professor
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