
No. 29 - Sem Medo do Medo | Podcast Autoconsciente
Talvez a gente precise compreender melhor o papel do medo em nossa vida. Deixar de nos nos julgar ou envergonhar por tê-lo, e aceitar o medo como algo natural e humano. Entender que evitar ou lutar contra o medo só o torna mais doloroso. E embora possa soar estranho o que eu vou dizer agora, a gente não deveria tentar afastar nem repelir o medo, mas, sim, acolher o nosso medo.
Transcrição
Talvez a gente precise compreender melhor o papel do medo na nossa vida.
Deixar de nos julgar ou envergonhar por tê-lo e aceitar o medo como algo natural e humano.
Entender que evitar ou lutar contra o medo só o torna mais doloroso.
E embora possa soar estranho o que eu vou dizer agora,
A gente não deveria tentar afastar nem repelir o medo,
Mas sim acolher o nosso medo.
Eu lhe dou as boas-vindas ao Autoconsciente,
Um podcast que entende você,
Para você se entender melhor.
Sou Regina Gianetti,
Criadora do programa de autogerenciamento Você Mais Centrado,
Para a gente ter mais foco,
Bem-estar e paz com a gente mesma.
Eu faço esse programa para compartilhar reflexões e ações para uma vida com mais autoconsciência.
A minha intenção é que ao terminar um episódio você se sinta melhor do que quando começou.
Se esse é o primeiro episódio que você escuta,
Eu te convido a escutar também o número zero,
Em que eu apresento a proposta desse podcast e justifico a ideia de estarmos mais autoconscientes nesse turbilhão que é a vida hoje.
Episódio 29 Sem medo do medo.
Este é um episódio que,
Mais para o final,
Pode emocionar você.
E talvez você prefira escutá-lo num momento e num lugar em que possa se sentir mais livre,
Para deixar rolar essa emoção.
Isso vai ser libertador e vai te fazer bem.
O medo é um assunto meio tabu.
A gente até fala daqueles medos que todo mundo tem.
Medo de barata,
De ficar doente,
De ser assaltado,
De perder o emprego.
Mas tem certos medos de que a gente não fala,
Que a gente esconde,
Porque acha que não deveria ter.
Afinal,
O que é que o mundo vive nos dizendo?
Para sermos ousados,
Nos adaptar às mudanças,
Falar o que pensamos,
Tomar iniciativa,
Correr riscos,
Enfrentar o desconhecido.
Coisas assim.
Parece até script de história de super-herói,
Né?
Mas e se a gente teme a mudança?
Se trava na hora de falar o que pensa,
Fica inseguro para tomar iniciativas,
Se apavora diante do desconhecido,
Estremece ao pensar em riscos.
Pois é,
Em vista de tudo que o mundo nos diz sobre como devemos ser,
E agir,
E até sentir,
A gente se julga,
Se envergonha por sentir esses medos.
E tem mais.
O mundo nos dá a entender que a gente não pode ter medo.
O que a gente lê e ouve por aí,
Em frases de efeito das redes sociais,
Artigos da internet e vídeos de cinco minutos do YouTube,
É que o medo é algo a ser vencido,
Eliminado,
Sufocado,
Bloqueado.
O que?
Você tem medo?
Ah,
Precisa se livrar dele o quanto antes.
Não pode ter medo.
É verdade que precisamos superar os nossos medos,
Porque eles nos limitam.
Isso nem se discute.
Mas a ideia de que não pode ter medo,
E os julgamentos que temos para conosco mesmos por sentir essa emoção,
Isso tudo facilmente nos leva a atitudes como esconder,
Negar os nossos medos,
Fugir deles,
Evitar a todo custo as situações que os provocam.
Ficamos até com medo de ter medo.
Tratamos certos medos como fantasmas trancados no armário.
A gente não chega perto do armário,
Não quer nem olhar para ele,
Mas não consegue ignorar o armário,
Nem que tem fantasmas lá.
E qual de nós não tem fantasmas no armário?
Qual de nós não tem medos muito bem escondidos?
Se você acha que é só você que tem,
Iria se surpreender em ouvir o desabafo de pessoas que aparentam ser super seguras,
Assertivas e decididas,
Que estão à frente de algum empreendimento,
Ou num cargo executivo de grande responsabilidade.
Quantos desses desabafos eu já ouvi,
E continuo ouvindo no dia a dia,
De ouvintes,
Alunos,
Clientes,
Amigos,
Pessoas simplesmente,
Que se permitem falar dos seus medos,
Porque entenderam que não são diferentes,
Nem melhores,
Nem piores do que ninguém.
Entenderam que são apenas seres humanos,
E seres humanos sentem medo.
Ponto.
Olha,
Talvez a gente precise compreender melhor o papel do medo na nossa vida.
Deixar de nos julgar ou envergonhar por tê-lo,
E aceitar o medo como algo natural e humano.
Entender que evitar ou lutar contra o medo,
Só o torna mais doloroso.
E embora possa soar estranho,
O que eu vou dizer agora,
A gente não deveria tentar afastar,
Nem repelir o medo,
Mas sim,
Acolher o nosso medo.
Eu não pretendo aqui dar uma fórmula,
Um passo a passo,
Para você se libertar dos seus medos.
Não há uma receita mágica para isso.
Na verdade,
Transcender os nossos medos,
Pode ser o trabalho para uma vida inteira.
Para mim,
Tem sido.
Eu também tenho os meus fantasmas,
Que por muito tempo tentem sufocar,
Até começar a olhar para dentro do meu armário.
E isso tem me tornado mais forte e mais livre.
O meu convite aqui para você,
É que apenas considere reconhecer,
Aceitar e acolher os seus,
Sem medo do medo.
Para começar,
Vamos entender o que é o medo.
Eu retomo aqui alguns pontos do episódio 10,
A razão das emoções.
Se você ainda não escutou,
Minha sugestão é que escute,
E até antes desse.
Mas,
Enfim,
As emoções,
Como a gente já viu,
Elas servem à nossa autopreservação,
À nossa sobrevivência.
E o medo,
Como uma das emoções básicas ou primárias,
Tem um papel de destaque nisso.
O nosso cérebro tem,
O que a neurociência e a psicologia chamam de sistema de regulação do afeto.
Um dos componentes desse sistema,
É o mecanismo de evitação,
Que é acionado em situações que representam algum tipo de perigo à nossa segurança física e psicológica.
Nessas situações que o cérebro interpreta como perigos,
Ele aciona instantaneamente reações de autodefesa do organismo.
Acontece uma descarga de adrenalina e cortisol no sangue,
Que são os chamados hormônios do estresse.
E isso faz o coração disparar,
A respiração fica ofegante,
A pressão arterial sobe,
E os braços e pernas recebem mais sangue,
Entre outras coisas.
E para que tudo isso?
Para que o nosso corpo possa ter uma reação automática,
Instintiva de autodefesa.
Essa reação vai depender do perigo que está presente,
Da intensidade do medo que esse perigo causa,
E daquilo que o cérebro está programado para fazer em relação ao perigo.
É como se o cérebro tivesse uma escala de periculosidade.
Vamos imaginar que dar de cara com uma barata no banheiro,
Seja uma situação de baixa periculosidade,
Que aciona um medinho,
Um medo de baixa intensidade.
Bom,
Eu sei que para algumas pessoas,
Medo de barata no banheiro não é de baixa intensidade,
Mas isso aqui é só um exemplo,
Tá?
Nesse caso,
A gente sentiria o coração acelerar um pouco,
E como é um medo de baixa intensidade,
A gente pode lidar racionalmente com a situação,
Para nos livrar daquele perigo,
E aí pega uma vassoura ou um inseticida para enfrentar a barata.
Quanto maior é o perigo na nossa percepção,
Mais intenso é o medo,
E mais fortes são as sensações que a gente experimenta.
Além do coração acelerado,
Que outras sensações são comuns?
Aperto no estômago,
Tremor nas pernas e braços,
Respiração ofegante,
Suor.
Nós podemos ficar com o rosto pálido,
Porque se o fluxo de sangue aumenta nas pernas e braços,
Diminui em outras partes do corpo,
Como o rosto,
E por isso a gente empalidece,
Fica branco de medo,
Como se diz.
Podemos ter uma confusão mental momentânea,
Uma dificuldade para raciocinar,
Porque a razão nos falta quando o susto é grande.
Podemos ficar paralisados pelo medo,
Fisicamente e mentalmente paralisados,
Sem ação.
No alto dessa escala,
Em situações de grande perigo à vida,
Temos reações extremas para nos salvar,
Reações muito rápidas,
Instintivas,
E que demandam muita energia.
Na época em que eu produzo esse episódio,
Está se falando ainda sobre a tragédia da barragem de Brumadinho,
E você talvez tenha visto no noticiário os sobreviventes contarem como eles se salvaram.
Eu li o relato de um idoso que escapou da lama,
Correndo o morro acima,
E ele mal acreditava como havia feito aquilo,
Correr na mata feito um menino.
É nessas situações que a gente vê claramente como o medo serve à nossa sobrevivência.
E não é só nas situações de emergência que o medo nos preserva,
Ele também tem uma função preventiva,
Preventiva,
Digamos assim,
Nos faz evitar ou prevenir situações que podem nos trazer problemas.
Por exemplo,
O medo de ser assaltado nos faz evitar andar por uma rua escura de madrugada.
O medo de ficar doentes nos leva ao médico regularmente.
Por medo de cometer um erro no trabalho,
Fazemos as nossas tarefas com mais atenção.
O medo também faz a gente se mexer,
Nos dá um empurrão para fazer algo novo,
Arriscar,
Encarar um desafio.
Eu vejo que em alguns momentos da minha carreira,
Foi o medo de ficar desatualizada ou de não ter suficiente demanda de trabalho,
Que me empurrou a começar um novo projeto.
Quando eu resolvi fazer uma formação em coaching,
Por exemplo,
Eu não tinha nem dinheiro para isso,
É uma formação cara.
Mas o medo de ficar sem trabalho no futuro,
Me deu o impulso para tomar um empréstimo,
Fazer a formação e meter as caras nessa profissão.
Então veja,
Tem situações em que o medo nos impulsiona,
Nos obriga a dar os nossos pulinhos.
Se a gente não se sentisse ameaçado de vez em quando,
Talvez jamais saísse do lugar,
Não evoluiria em certos aspectos da vida.
Então resumindo,
Basicamente o papel do medo é garantir a nossa sobrevivência e autopreservação.
Ele nos faz evitar ou prevenir situações de perigo ou adversidade e muitas vezes nos impulsiona para o crescimento.
Uma questão que pode passar pela sua cabeça é a seguinte,
Por que pessoas sentem medo em intensidades diferentes e têm reações diferentes diante de uma mesma situação?
Por exemplo,
Falar em público,
Para alguns o medo de falar em público pode ser paralisante,
Enquanto que para outros pode ser aquele medo que impulsiona,
Que faz a pessoa,
Por exemplo,
Buscar um curso para aprender a falar em público.
E para outros ainda,
O medo de falar em público é um friozinho momentâneo na barriga que dá antes de encarar uma plateia.
Pois é,
O que faz o medo ser mais intenso ou menos intenso,
Ou até mesmo inexistente para cada um e provoca uma reação diferente para cada um,
É totalmente subjetivo.
Tem a ver com as vivências da pessoa,
As memórias emocionais que ela criou a partir das suas vivências e como o cérebro dela percebe o grau de perigo de cada situação.
Como é que isso funciona?
Vamos ver um exemplo.
Vamos imaginar que um bebê está sentadinho no seu cadeirão,
Na cozinha de casa,
Com a sua mãe e ela lhe dá uma colherada de papinha,
E é uma papinha de sabor novo.
O bebê engole essa primeira colherada,
Mas não acha nada bom aquele sabor.
Aí vem a segunda colherada e ele sente de novo aquele gosto estranho na boca e num reflexo instintivo de aversão,
Cospe tudo com força e a papinha respinga na roupa limpinha de trabalho da mãe.
Ela tem uma reação de susto e se mexe bruscamente,
E por causa desse movimento brusco,
O prato de papinha cai no chão e quebra,
Fazendo um barulho muito alto.
A mamãe faz uma cara feia por causa de toda aquela meleca e se afasta do bebê,
Ela vai buscar algo para limpar aquela sujeira.
Nós estamos aqui imaginando essa cena e ela não tem nada de mais,
É uma cena doméstica,
Corriqueira.
Mas vamos imaginar que para o bebê tenha sido uma experiência muito marcante.
Ele vê a expressão de susto da mãe e o movimento brusco dela,
E depois escuta o barulho alto do prato se quebrando,
A mãe fazendo uma cara feia e se afastando dele,
Deixando-lhe sozinho na cozinha.
Vamos supor que essa situação evoque no bebê um medo instintivo de rejeição e abandono,
Que todo ser humano tem.
O bebê não tem discernimento para entender que a reação da mãe foi de susto e que ela se afastou apenas para buscar algo para limpar o chão.
Ele tem uma reação emocional instintiva de medo,
E essa situação cria uma memória emocional.
Agora,
Vamos supor que devido a outras experiências emocionais que essa criança tem nos primeiros anos de vida,
E outros fatores também,
Como o ambiente familiar,
Modelos comportamentais de pai e mãe,
Sua sensibilidade emocional.
Vamos supor que devido a todo um contexto,
Essa criança desenvolve um grande medo de rejeição,
E isso acaba influenciando o seu comportamento vida fora.
Esse medo de rejeição,
Então,
Se desdobra em outros medos.
O medo de desapontar ou contrariar os outros.
O medo de afirmar suas vontades e opiniões.
O medo de errar.
Isso é apenas um exemplo,
Ok?
Já outras crianças podem passar pela mesma situação.
Quem é que não dá banho de papinha na mãe quando pequeno,
Né?
Mas não são tão impactadas.
Ou devido a outras circunstâncias de sua vida,
Tornam-se adultos que administram de alguma forma o medo de rejeição,
Que aliás,
Em algum grau,
Todo mundo tem.
O fato é que todos nós temos experiências e memórias emocionais que vão definir os nossos grandes e pequenos medos.
Medo de errar,
De fracassar,
De perder,
De não estar com razão.
Medo de que descubram as nossas fraquezas,
De ser julgados,
De ser feridos,
De perder a liberdade,
De perder o controle.
Medo da escassez,
Da solidão,
Do sofrimento,
Da dor,
Da mudança,
Da injustiça,
Da rejeição,
Da decepção.
Medo de não sermos amados.
E tantos outros medos que temos.
Você percebe que na origem do medo existe o instinto de permanecermos vivos?
Existe a necessidade de estarmos seguros?
O desejo de sermos aceitos e amados?
Se é assim,
Por que nos julgamos por ter medo?
Por que negamos a naturalidade dessa emoção?
Por que procuramos esconder até de nós mesmos os nossos temores?
Por que tratamos o medo como um inimigo,
Se a sua função é nos proteger?
E se,
Em vez de negar,
Repelir ou combater aquele medo,
A gente se permitisse senti-lo sem julgamento,
O reconhecesse e ouvisse o que ele diz para nós?
E se a gente acolhesse essa parte de nós que sente medo,
E por amor a nós mesmos,
Buscasse nos libertar desse medo?
É dessa maneira que eu aprendi a lidar com o medo,
E também com outras emoções que a gente chama de negativas.
E é isso que pregam hoje correntes da psicologia,
Que trabalham com mindfulness e compaixão,
Como a terapia de aceitação e compromisso,
Também conhecida pela sigla em inglês,
Que é ACT.
Eu falei um pouco da ACT no episódio 16,
E também falei de um dos seus criadores,
O doutor Stephen Hayes,
Da Universidade de Nevada,
Nos Estados Unidos.
Ele tem uma experiência pessoal muito,
Muito bonita sobre acolher o medo,
Que ele conta em uma palestra disponível no YouTube.
Tem um link para ela na página deste episódio,
No site do Autoconsciente.
O Stephen Hayes sofreu por anos com ansiedade e ataques de pânico.
Isso começou quando ele era um jovem professor de psicologia de uma universidade americana.
Um dia,
No meio de uma reunião de trabalho,
Dois colegas dele começaram a discutir.
Discutir feio,
E o Stephen Hayes ficou em pânico.
Ele queria pedir para os dois pararem de brigar,
Mas a voz nem saía.
A partir daí,
Os ataques de pânico começaram a se repetir,
Com frequência cada vez maior e em circunstâncias diversas.
E ele,
Como psicólogo,
Fez tudo o que sabia para lidar com aquilo,
E assim mesmo os ataques continuaram e se intensificaram.
Por receio de ter ataque de pânico,
Ele fugia das situações que causavam ansiedade.
Chegou um momento em que ele evitava andar de elevador,
Ficar em lugares com muita gente,
Ou em lugares fechados,
Ou abertos demais.
Não era mais possível nem dar aula.
O medo de ter um ataque de pânico era tamanho que a vida dele estava inviável.
Aí aconteceu algo que mudou radicalmente a forma dele lidar com seu medo.
Numa madrugada,
Ele acordou com um ataque de pânico muito intenso.
Havia dores por todo o corpo,
O coração parecia que ia explodir de tanto bater,
O suor escorria.
Depois de ficar algum tempo assim,
Sentado no chão,
Ele teve um lampejo de consciência que nunca tinha experimentado antes.
Nesse estado de consciência,
Ele observou as sensações do pânico,
E observou também a mente aterrorizada com as sensações do pânico,
Dizendo,
Pega o telefone,
Chame a ambulância,
Você está morrendo.
Ele fala desse estado de consciência como se tivesse saído de dentro dele e observasse duas partes dele mesmo,
A parte corpo,
Que sentia o pânico,
E a parte mente,
Que tentava se afastar do pânico.
Mas ele não fez o que a mente estava dizendo,
Chamar a ambulância.
A mente sempre tentava repelir aquelas sensações,
E chamava por médicos,
Remédios,
Algo que pudesse cessar rapidamente aquele estado de total vulnerabilidade e descontrole.
Dessa vez,
O Stephen Hayes decidiu continuar observando.
Ele aceitou aquela experiência,
E foi fundo nela,
E o ataque de pânico,
Depois de algum tempo,
Passou.
Na palestra em que conta isso,
Ele diz assim,
Quando eu toquei o fundo,
Uma outra porta se abriu,
De uma parte muito profunda de mim,
A parte de mim que está por trás dos meus olhos,
Uma parte mais espiritual da minha alma,
Saíram essas palavras,
Eu nunca mais vou fugir de mim.
O fato é que depois de passar por isso,
O Stephen Hayes iniciou um trabalho de pesquisa que foi a base para ele criar ao longo de anos,
O que é hoje a terapia de aceitação e compromisso.
Essa terapia propõe o que ele chama de abertura emocional,
Que é sentir plenamente o que há para ser sentido,
Mesmo quando é difícil.
E a partir dessa abertura,
Desenvolver a flexibilidade emocional,
Para transformar padrões emocionais e de comportamento.
Existem hoje no Brasil muitos psicólogos que trabalham com a ACT.
Tempos depois daquela madrugada,
Que mudou tudo,
Quando o doutor Hayes já estava até trabalhando com a ACT,
Ele recordou uma vivência de medo intenso que teve na infância,
Quando escutou uma discussão violenta entre o pai e a mãe.
Aquela experiência deixou uma marca profunda,
Foi a semente da síndrome de pânico que ele teria mais tarde na vida adulta.
É muito bonito ouvir o Stephen Hayes contando a decisão que ele tomou depois de ter recuperado essa lembrança da infância.
A lembrança do garotinho aterrorizado que continuava existindo dentro dele.
Era desse garotinho que o adulto Stephen Hayes fugia,
Quando tentava fugir do pânico.
Ele diz assim,
Enquanto eu fugia,
Lutava e me escondia,
Era cruel com quem?
Comigo e com partes de mim,
Que me conectam inclusive com o meu propósito de vida.
E para esse garotinho,
Ele fez uma promessa.
Eu nunca mais vou me afastar de você.
Eu quero você aqui comigo.
Porque você me suaviza.
Você entende o porquê de a minha vida ser feita disso.
Você é a razão de eu ser um psicólogo.
Eu fico aqui pensando,
Que se uma pessoa pode superar até o medo aterrorizante causado por um trauma.
Pode fazer o mesmo com outros medos também.
Qualquer medo.
Talvez ela precisa de ajuda,
Mas seja como for,
Ela pode superar.
Mas com certeza,
Não vai ser fugindo,
Evitando,
Temendo ou lutando contra.
Que iremos superar o medo.
Fazer isso,
Só o torna mais doloroso.
Se você encontrasse uma criança pequena,
Muito assustada,
Chorando de medo,
O que faria?
Você conseguiria ignorá-la?
Você a julgaria por sentir medo?
Se afastaria dela?
Ou mandaria que ela se calasse?
Acredito que não.
Você tem um coração amoroso e acolheria essa criança.
Você a abraçaria e respiraria junto com ela,
Até ela se acalmar.
Pois assim podemos fazer também com o nosso medo.
Ele precisa ser reconhecido,
Aceito,
Compreendido e apaziguado.
Ao fazer isso,
Estamos na verdade reconhecendo,
Aceitando,
Compreendendo e apaziguando uma parte de nós,
Que é vulnerável,
Que só quer continuar viva e se sentir segura.
Então,
Não tente ignorar,
Nem reprimir o seu medo.
Não se julgue.
Apenas se abra para a experiência dessa emoção,
No momento em que possa estar verdadeiramente com você,
Na intimidade dos seus sentimentos.
Se for pra chorar,
Chore,
Solte,
Alivie.
Escute o que essa parte vulnerável de você diz,
O que ela teme,
Do que ela precisa para se sentir segura.
Você só pode superar aquilo que reconhece que existe.
Talvez não possamos viver completamente sem medo,
Mas podemos viver sem medo do medo.
Que você esteja bem!
Um abraço!
Legendas pela comunidade Amara.
Org
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