
O Que É e o Que Não É Mindfulness
by Karen Cicuto
Tão necessário quanto definirmos o que é mindfulness, e como ele pode nos ajudar no dia a dia, é definirmos o que ele não é e para o que ele não é indicado. O podcast desmistifica algumas más compreensões sobre o conceito atual de mindfulness e promove uma reflexão sobre como ele pode nos ajudar.
Transcrição
Olá,
Sejam bem-vindos.
Eu sou Karen Sicuto,
Sou psicóloga clínica e professora de Mindfulness.
Eu trabalho com Mindfulness para depressão e ansiedade e eu fiz o meu mestrado na UNIFESP investigando os efeitos neuropsicológicos do Mindfulness.
Hoje eu vim conversar com você sobre o que é e o que não é Mindfulness.
Pois é,
Isso mesmo.
A palavra Mindfulness acabou ficando muito mais comum.
E a gente pode falar que Mindfulness ficou até famoso nos últimos anos.
Há uns 10 anos atrás,
Essa não era uma palavra que a gente escutava muito.
Isso é muito bom por um lado,
Porque facilita o acesso das pessoas a essa prática que traz tantos benefícios à saúde.
No entanto,
Também tem alguns riscos.
Um deles é banalizar o Mindfulness ou algumas pessoas fazerem o uso inapropriado do conceito e também da prática.
Então,
Hoje eu vim aqui conversar um pouquinho sobre o que é e o que não é Mindfulness.
Mindfulness acabou ficando conhecida como uma prática de meditação laica que é aplicada à saúde.
No entanto,
Mindfulness é muito mais que isso.
A gente pode traduzir a palavra Mindfulness como atenção plena ou consciência plena.
Mindfulness,
Por sua vez,
É a tradução de uma palavra da língua Pali,
A palavra Sati ou Sati.
Embora Mindfulness seja conhecida como uma prática de meditação,
Não é exatamente isso.
Mindfulness,
Na verdade,
É um estado mental que é inerente ao ser humano.
Todos nós podemos estar em estado mental de Mindfulness.
A prática da meditação é uma forma da gente exercitar,
Da gente evocar esse estado mental.
O professor Jon Kabat-Zinn,
Que foi quem trouxe a prática de Mindfulness de uma forma laica para ser aplicada na saúde aqui no Ocidente,
Define Mindfulness como o estado mental que emerge a partir de deliberadamente levarmos a atenção ao momento presente de forma não julgadora,
Com abertura e aceitação.
A professora Ruth Baer,
Que trabalha com Mindfulness e estuda Mindfulness na Universidade de Oxford,
Fala que a gente pode definir Mindfulness como um o quê e um como.
O quê é prestar atenção.
Mas não é qualquer atenção,
Já que a gente presta atenção assistindo TV,
Assistindo um filme.
Na verdade,
É uma forma específica de prestar atenção.
Por isso,
O como.
Portanto,
É prestar atenção de forma deliberada,
Envolvendo as atitudes mindful.
O não julgamento,
A aceitação,
A abertura,
A gentileza,
Dentre outras.
Portanto,
Mindfulness é mais do que uma prática de meditação laica.
Mindfulness é um estado mental.
E hoje a gente sabe que esse estado mental de Mindfulness beneficia não só a nossa saúde física,
Como mental.
Ok.
Então a gente já sabe que Mindfulness não é exatamente a mesma coisa que meditação.
E o que mais não é?
Agora a gente pode falar um pouquinho das aplicações da prática de Mindfulness.
A primeira aplicação na saúde foi para pacientes com dores crônicas e estresse.
O Jon Kabat-Zinn percebeu que o estresse atrapalhava muito as pessoas que sofriam com problemas crônicos de saúde.
E que uma prática de meditação laica poderia beneficiar essas pessoas ao desenvolver,
Ao se treinar esse estado de atenção plena.
E a partir disso se relacionar de uma forma diferente com a nossa experiência.
Com os nossos pensamentos,
Sentimentos e também sensações corporais.
Certo?
A partir do primeiro programa baseado em Mindfulness desenvolvido pelo Jon Kabat-Zinn.
Outros programas foram surgindo para algumas patologias.
Por exemplo o MBCT,
Terapia cognitiva baseada em Mindfulness.
Que foi desenvolvido para prevenção de recaída depressiva.
Hoje esse programa é usado inclusive no serviço público de saúde do Reino Unido.
Como alternativa ao uso de medicamentos antidepressivos depois que a pessoa sai do quadro de depressão.
A ideia é usar esse programa para que a pessoa previna futuros episódios de depressão.
Outros programas também foram sendo desenvolvidos.
Por exemplo,
Programas voltados ao comer com atenção plena.
Programas voltados a área organizacional,
A área da educação.
E também a outras áreas.
Todos esses programas,
Pelo menos os que foram investigados cientificamente.
Trazem benefícios tanto à saúde física quanto à saúde mental.
No entanto,
Embora Mindfulness esteja sendo investigado para diversas patologias.
A gente não pode falar que Mindfulness é bom para tudo e para todos a qualquer momento.
Pois é,
Mindfulness sendo uma intervenção em saúde.
Assim como qualquer intervenção,
Também tem contraindicações e efeitos adversos.
Portanto,
É muito importante saber em que momento de vida a pessoa está.
Antes de incluí-la num programa de Mindfulness.
Se,
Por exemplo,
Ela está passando por um momento de grande dificuldade.
Por uma depressão gravíssima,
Por uma depressão com até pensamentos suicidas.
Não é indicado que ela participe de um programa de Mindfulness.
Portanto,
O instrutor,
O facilitador de Mindfulness.
Deve ter um profundo conhecimento sobre a população com a qual ele vai trabalhar.
Essa é uma questão ética.
Então,
Mindfulness não é uma prática que é boa para todo mundo a qualquer momento.
Esse é o segundo aspecto que eu gostaria de desmistificar hoje.
Que Mindfulness serve para tudo e para todos.
Não é bem assim.
Ela pode trazer riscos para a saúde da pessoa.
Se ela for aplicada de uma forma errada e num momento errado.
Além disso,
Tem uma terceira coisa sobre o que não é Mindfulness que eu gostaria de conversar hoje.
Mindfulness está sendo muito usado por algumas corporações.
Como uma possibilidade de aumentar o foco e a concentração.
E de fato,
A gente tem muitas evidências de que Mindfulness ajuda a gente a prestar mais atenção.
A ter maior concentração e de alguma forma aumentar a nossa produtividade.
E isso é um excelente benefício de Mindfulness.
No entanto,
É muito importante que a gente tenha consciência de que Mindfulness não serve para a gente se desensibilizar do nosso sofrimento.
Mindfulness não serve para me ajudar a passar dos meus limites.
Ou seja,
A gente não deve usar a prática de Mindfulness para que a gente consiga se esforçar mais e mais e mais e mais.
Passando dos nossos limites,
Nos colocando em risco.
Colocando a nossa saúde em segundo plano.
A ideia é que Mindfulness seja uma ferramenta de consciência.
Sim,
Mindfulness vai nos ajudar a prestar mais atenção.
Vai nos ajudar a termos mais concentração.
Mas Mindfulness também vai nos ajudar a perceber melhor as nossas necessidades.
Nossas necessidades,
Por exemplo,
De descanso.
Necessidades de a gente se alimentar,
De fazermos uma pausa.
Necessidade de autocuidado.
E quando a gente se cuida mais,
Quando a gente tem um olhar mais carinoso e gentil para com a gente,
A gente também funciona melhor.
Então,
Mindfulness pode nos ajudar nesse sentido também.
Não nos ajudando a nos desensibilizar e focando mais no trabalho.
Mas nos ajudando a nos cuidar melhor e a partir disso também trabalhar melhor.
A prática de Mindfulness tem mostrado cada vez mais evidências dos seus benefícios para a nossa saúde física e mental.
E também alguns outros aspectos cognitivos.
O convite é que você inclua essa prática no seu dia a dia.
Não como só mais uma ferramenta para você trabalhar bem.
Mas também e principalmente como uma ferramenta de autocuidado.
Era isso que eu queria conversar com você hoje.
Que você esteja bem e que você se cuide.
Um abraço.
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