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Ouvindo sua Intuição, Medo de Comer, & Mais Mari Poletto - Parte 2

by Duda Schietti

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Essa é a segunda parte do podcast no qual eu e Mari Poletto falamos sobre como ouvir a sua intuição, medo de comer, fazendo as pazes com o corpo e muito mais. Autoconhecimento, espiritualidade, amor-próprio, auto-cuidado, mindfulness, superação, auto-compaixão, expansão de consciência.

Transcrição

Contar um pouco assim da sua história.

Então assim,

A minha,

Pra sinalizar,

Né,

Eu vou fazer uma história longa,

Muito curta.

Então eu desenvolvi a artorexia,

Eu tive amenorréia,

Eu fiquei assim 3,

4 anos,

Por dentro tava um caos,

Totalmente um caos.

Meus hormônios todos se desregularam,

Meu corpo tava muito estressado,

Tava muito machucada,

A minha.

.

.

Eu acho que meu mindset tava todo errado,

Né,

Então.

.

.

E não foi à toa,

Claro,

Não foi à toa que eu desenvolvi essa amenorréia,

Porque eu acho que meu corpo pensou,

Gente,

Essa pessoa ela tá.

.

.

Ela tá muito estressada,

É um perigo,

Assim,

Eu pensar em reprodução,

Em gerar uma vida,

Não tem condições.

Então ele vai lá,

Né,

Ele.

.

.

Ele suspende.

Oi?

Ele vai lá e suspende.

É,

Ele suspende tudo,

Ele fala,

Não dá,

Não dá.

Então ele,

Né,

E aquilo pra mim,

Eu achava que tudo bem,

Porque assim,

Eu até,

Por fazer um parênteses aqui,

Eu achava uma coisa muito chata menstruar,

Eu via a menstruação como uma coisa muito chata,

Porque é o que ensinou a gente,

Né,

Todo mundo.

.

.

Eu cresci ouvindo que a menstruação é chata,

Que dói,

Que a gente fica sangrando,

Até eu lembro,

Eu li um negócio que eu achei muito legal,

Que ela dizia assim,

Que a gente cresceu ouvindo que a menstruação é chata e a gente até joga o nosso sangue no lixo,

Né,

Como se ele fosse um lixo.

Só que,

Gente,

Hoje que eu voltei a menstruar,

Que eu comecei a estudar realmente,

Entender,

Gente,

É sagrado,

A mulher,

A gente tem que menstruar,

É uma coisa muito sagrada,

Faz parte,

Né,

Mari,

De ser mulher,

Do sagrado ser menino.

Eu não vou entrar muito nesse assunto,

Porque é muito.

.

.

A gente até pode fazer um outro podcast e falar disso,

Que eu acho muito importante,

Né,

De falar isso para as mulheres.

Mas,

Enfim,

Então eu fiquei todos esses anos aí,

Nessa luta com a alimentação perfeita,

Com esse excesso de treino,

Não tá nem aí que eu não tava menstruando,

Eu só tava preocupada com a estética,

Porque eu não queria deixar de treinar,

Porque assim,

A menorréia,

Para você se recuperar,

O que é essencial?

Você ganhar peso,

Porque eu fiquei muito de gordura,

E sem gordura o seu corpo não produz hormônio.

Então,

Assim,

Necessariamente você tem que ganhar peso,

Você tem que dar uma desacelerada,

Tem que treinar um pouco menos,

E tem que cuidar da cabeça,

Tem que desestressar.

Só que como eu tava nessa fase muito focada na estética,

Eu não queria nada disso.

Se ia dificultar isso,

Né?

É,

E daí eu pensava assim,

Bom,

Eu não tô namorando,

Eu não quero ter filho tão cedo,

Eu tô aqui solteira,

Eu tava,

Sei lá,

Nos meus 25,

Eu comecei com uns 24 anos,

Eu tô aqui com esse corpo que eu tô magra,

Eu tô um corpo legal,

Todo definido e tal,

Aí pra que eu vou pensar nisso agora?

Eu vou continuar do jeito que eu tô,

Né?

Eu vou continuar assim.

É,

Só que daí foi que eu encontrei uma médica maravilhosa,

A doutora Nina Sobral,

Que é uma nutróloga,

Ela trabalha com medicina preventiva,

Que ela me fez uma pergunta que eu achei,

Assim,

Que mudou a minha vida.

Ela falou,

Duda,

Então peraí,

Você é super jovem,

Tá?

Vamos dizer que você conhece o amor da sua vida amanhã,

Você casa e você quer ter filho.

Você tá disposta a.

.

.

Ser magra é mais importante que isso.

Exato,

Sabe?

Ela falou assim,

Você tá disposta a se submeter a um tratamento de fertilização,

Porque com esse corpo aqui que você tá,

Nesse estado que você está,

Esquece gravidez,

Esquece,

Enfim,

Tudo que envolve ovulação,

Esquece sistema reprodutivo funcionando,

Esquece.

Isso aqui é impossível do jeito que você tá.

Então,

Ela falou assim,

Pensa nisso,

É isso que você quer pra sua vida?

Você acha que a estética vale tanto quanto você não poder gerar uma vida,

Você não poder ter uma gravidez,

É saudável,

Você passar por todo.

.

.

Dizem que tratamento pra engravidar,

Gente,

É um sofrimento sem fim,

É uma angústia,

Uma frustração,

É muito difícil.

E foi daí,

Então.

.

.

Vale a pena.

Falei,

Gente,

Calma lá,

O que eu tô fazendo da minha vida?

Tipo,

Duda,

Não,

Não é esse o caminho.

Ainda mais eu,

Que pegava tanto pra um equilíbrio,

Uma vida equilibrada,

Eu tava totalmente desequilibrada.

E isso me acertou muito.

E eu acredito que você também passou por isso,

Né?

Quando você tava naquela sua fase de.

.

.

Na verdade,

Assim,

É por isso que eu acho engraçado a gente ver como que a alimentação,

Ela pode cumprir papéis muito diferentes na vida das pessoas.

E eu acho importante a gente falar disso,

Porque essa relação com a alimentação,

Ela é uma questão muito solitária.

Porque as pessoas acabam tendo muita vergonha de falar sobre isso.

Principalmente quando envolve coisas como compulsão,

Anorexia,

Bulimia.

As pessoas acabam tendo muita vergonha e existe sempre uma sensação de que só eu sinto isso,

Só eu sou assim.

Tem alguma coisa errada comigo.

Se as pessoas soubessem o quanto é comum,

A gente vê aqui,

Numa dupla temos 100% de aproveitamento em termos de uma relação desequilibrada com a alimentação.

Então,

Só pra as pessoas terem uma ideia da alta prevalência,

No caso aqui de nós duas,

100%.

Então,

Enquanto você se voltou pra ortorexia,

Eu tive uma relação muito complicada com a alimentação que culminou numa compulsão alimentar.

Que eu sofria desde a época que eu trabalhei como modelo,

Como eu contei.

Eu fui privada do alimento muito cedo,

Por questões de que pra ser modelo eu tinha que ser extremamente magra.

Imagina,

Eu tô com 34,

Isso foi há 20 anos atrás.

Olha como o corpo guarda a memória,

Né?

Impressionante.

Aí a gente tinha uma menor noção de nutrição,

Até mesmo de ética.

Então,

Eu recebia conselhos da agência do tipo,

Fecha a boca e passa fome.

Beba só água.

Quando sentir fome,

Beba uma coca diet.

Eu recebia esse tipo de conselho.

Inclusive,

Me aconselharam a começar a fumar.

Porque os cigarros diziam que diminuía a fome.

Graças a Deus,

Eu nunca fumei.

Então,

Assim,

Mas era esse tipo de aconselhamento que a gente recebia.

E eu como uma criança de 14 anos,

Eu obedeci,

Né?

Aí volta a história de novo.

A gente quer ser amado,

A gente quer ser aceito,

A gente quer pertencer.

Então,

Eu queria ser aceita,

Né?

Eu não queria que as pessoas vissem que o meu corpo era errado.

Eu queria que eu tivesse o corpo certo.

Pra eu ter o corpo certo,

Eu precisava.

.

.

Eu já era extremamente magra,

Mas eu precisava emagrecer mais.

Então,

Eu comecei a fazer esse tipo de loucura.

Eu ficava dias sem comer,

Só comia alface e água.

E quando eu tinha fome,

Eu bebia coca zero.

E aí,

Eu comecei a ter crises de compulsão.

Então,

Quando eu não aguentava mais,

Geralmente quando chegava o fim de semana e eu ficava sozinha,

Eu comia tudo que eu via pela frente.

Mas isso você diz agora?

Isso você diz agora,

Tipo naqueles anos que você estava em São Paulo?

Naqueles anos que eu via 14,

15,

Eu fiquei mais ou menos uns dois anos.

Ah,

Tá.

Tá.

Certo.

Só que aí,

Isso virou um hábito,

Né?

Virou um hábito porque eu comia muito,

Eu me sentia extremamente culpada.

E aí,

Eu fazia coisas pra compensar.

Eu ficava três,

Quatro horas na academia em jejum,

Eu não jantava.

Eu fazia,

Né?

Comia aquela sopinha rala de legumes.

E aí,

Isso de novo,

Com o passar do tempo,

Gerava uma crise de compulsão.

Eu comia demais,

Sentia culpa e isso começou a virar um ciclo vicioso.

Mas eu era muito nova,

Né?

Então,

Eu não percebia.

Eu achava que isso,

Na verdade,

Era ótimo.

Porque eu pensava,

Não,

Eu passo fome a semana inteira e domingo eu tenho o meu dia do lixo.

Então,

Na verdade,

Isso era meio que até uma coisa que todo mundo fazia,

Todas as modelos faziam.

Então,

Eu achava que isso era normal.

O dia que a minha ficha caiu de que isso não era normal,

Foi quando eu parei de ser modelo,

Que eu nunca gostei,

Voltei pro Natal e voltei a conviver com a minha família.

Eu comecei a sentir vergonha de comer muito na frente deles.

Então,

Na frente dos meus pais,

Eu comia super pouco.

Quando as pessoas dormiram,

Quando eu estava sozinha,

Eu comprava muita comida ou eu comia muita comida.

E,

Obviamente,

Que as pessoas notam que a pessoa vai dormir e tem um pudim.

Quando ela acorda,

O pudim não existe mais.

Então,

Eu comecei a me questionar,

Você comeu toda a lata de farinha láctea?

Aí eu comecei a,

Tipo,

Você começa a desenvolver comportamentos pra esconder as coisas que você faz.

Então,

Você compra um outro pra substituir,

Você joga embalagens no lixo,

Você vai no supermercado e compra e come na rua e chega em casa e finge que nada aconteceu.

E eu sem perceber,

Aí o que que começou a acontecer?

Eu comecei a esconder.

Eu lembro claramente um dia que a minha mãe falou pra mim que ela achava que eu estava obcecada por comida.

A gente estava viajando e ela disse que eu só falava em comida o tempo inteiro.

Eu só falava em comer,

Comprar comida,

Experimentar comida,

Comprar comida,

Que horas a gente vai almoçar.

Porque quando você viaja,

Você não tem como se esconder muito,

Né?

Você tá ali em um quarto de hotel 24 horas por dia com a sua família.

Então,

Como eu não podia extravasar,

Eu comecei a falar obsessivamente sobre comida.

E aí a minha mãe veio conversar comigo e falou que eu acho que tem alguma coisa acontecendo.

E aí eu me abri com ela.

Eu fiquei super envergonhada,

Né,

De ser pega no flagra e tal assim.

Mas,

Ao mesmo tempo,

Foi muito bom pra mim tirar esse peso e parar de viver isso sozinha.

E eu pedi ajuda.

Eu falei,

Sim,

Mas eu acho que a minha relação com a alimentação não está boa.

E eu lembro que ela me ajudou a procurar terapia.

Então,

Eu comecei esse processo de terapia muito cedo.

Mas,

Virou gatilho pra mim.

Foi uma relação que sempre foi muito delicada,

Essa coisa da alimentação.

Por isso que,

Assim,

Eu queria muito que as pessoas que têm,

Que se identificam com o que eu falei,

Entendessem que você pode ser nutricionista,

Você pode ser usa-fit do Instagram e ainda ter uma relação delicada com a alimentação.

O fato de eu entender a teoria da alimentação não significa que eu não tenha um histórico aí de 20 anos em que a minha relação com a alimentação foi de punição e respeito.

O fato de eu ser nutricionista não elimina isso.

Sim.

Você é humana também,

Né?

A gente é humana.

Eu fico super humana.

Então,

Assim,

Eu durante muito tempo usei a comida como válvula de escape.

E aí eu voltava pra essas dietas super.

.

.

E ainda mais tendo conhecimento teórico de nutrição,

Aí é que o bicho pegava,

Porque eu sabia como fazer as coisas.

Eu sabia como fazer dieta cetogênica,

Jejum intermitente,

Detox de suco.

Então,

Eu sabia as formas de compensar.

Fazia HIIT,

Fazia.

.

.

Eu sabia todas as técnicas que aumentavam o meu gasto calórico,

Que aumentavam a minha restrição calórica.

Então,

Eu acho que fui até mais grave,

Porque eu tinha os momentos de compulsão e eu sabia exatamente como compensar.

Só que essa compensação gerava novos momentos de compulsão.

E a gente tem uma sensação de que tá sob controle.

A hora que eu quiser,

Eu paro.

E eu comecei a ver que não era bem assim.

A hora que eu quiser,

Eu não paro.

Porque quando vinha o gatilho de alguma coisa que me desestabilizava emocionalmente,

Era pra comida que eu ia.

E eu sempre ficava com a coisa da promessa do Role 30,

De segunda-feira eu começo,

Como forma de eu mesma tentar me controlar.

E eu até conseguia.

Eu dizia que eu ia fazer o Role 30 por um mês,

Eu fazia o Role 30 por um mês.

Mas depois isso poderia descambar e ir numa compulsão.

Então,

Você vê que você usou a comida como uma forma de controle,

De busca da perfeição.

Eu usei a comida como uma válvula de escape,

A restrição,

A compulsão.

Então,

Eu acho que as pessoas têm que entender que é normal,

A gente pode falar sobre isso.

A comida,

A forma que a gente se relaciona com a comida é só um sintoma.

A gente não tem um problema com a comida,

A gente tem um problema que a gente usa a comida pra resolver.

Do mesmo jeito que a gente poderia usar drogas,

Cigarro,

Álcool.

E eu acho que volta praquele ponto lá no começo que a gente falou,

Que,

Cara,

É algum vazio aqui dentro emocional que não tá preenchendo.

A gente vai lá e usa a comida,

Né?

E eu acho que assim,

Até no meu caso,

Por exemplo,

Também era uma necessidade básica do ser humano que não estava sendo atendida.

Eu ficava dias basicamente assim,

Tomando água com gás e Coca Zero.

Então,

O meu corpo entrou num estado de medo,

Que como o seu corpo entrou e já virou uma menoréia,

Uma obsessão pela alimentação saudável,

O meu corpo entrou num estado de medo de falar,

Essa menina precisa comer.

E isso me estimulava uma resposta aí,

Instintiva,

De quando eu via comida disponível e eu me permitia comer,

O meu corpo ia com uma voracidade pra cima daquela comida,

Porque ele tava com tanta fome,

Que eu não conseguia parar.

Eu só conseguia parar a hora que eu me sentia totalmente preenchida,

Totalmente cheia.

Então,

O meu corpo foi se viciando nesse processo.

E pra eu conseguir parar e dizer que,

Hoje em dia,

Eu considero que eu tenho uma relação equilibrada,

Porém sensível com a alimentação,

Aí eu tive que encarar e pedir ajuda e fazer terapia e embarcar nesse processo de autoconhecimento e entender de onde que isso vinha.

Você vai entendendo que tem várias coisas,

Que nem o que a gente falou no começo.

Quando você vai tirando essas camadas mais óbvias,

Ah,

Eu tive ortorexia porque eu queria ser magra.

Será que você não queria ser aceita?

Será que você não achasse que ser magra te faria ser amada?

Será que eu não.

.

.

A gente vai descobrindo coisas sobre a gente e a gente vai entendendo,

Que nem eu falei,

Que os nossos medos,

Os nossos hábitos nocivos,

As nossas crenças limitantes,

Elas são sintomas de algo que a gente viveu,

Acreditou e que aquilo ali se manifesta de diferentes formas.

E eu acredito que a alimentação,

Por ser algo que a gente faz todos os dias,

Várias vezes por dia,

É inserido no contexto social,

É inserido no nosso contexto cultural,

Ela vira um foco muito grande de alterações do nosso comportamento.

Porque ela está muito presente e ela é muito gostosa e ela traz prazer e ela preenche vazios e ela cumpre papéis que não são papéis dela.

A comida faz companhia,

Ela vira uma distração,

Ela é uma pausa no nosso dia,

Ela traz alegria e felicidade,

Então a gente acaba usando a comida pra coisas que ela não foi feita.

No fundo,

A comida foi feita pra nutrir a gente.

Pra nutrir,

Exato.

Eu até estava pensando,

Tudo que você estava falando,

Eu não sei se isso também faz sentido pra você,

Mas pra mim,

Pelo menos hoje,

Depois de tudo que eu passei,

Como eu falei,

Eu consegui me curar dessa ortorexia.

Graças a Deus,

Hoje eu sou muito,

Muito,

Muito mais flexível,

Porque antes eu era muito rígida,

Era uma coisa absurda.

Até aqui embaixo,

Eu lembro que um dia a gente foi jantar num restaurante e você pediu um frango parmigiano.

É,

Você lembra?

Eu falei assim,

Que alegria,

Vendo o documento.

Exato.

Nossa,

Era.

.

.

Exato.

Então,

Eu venho fazendo esse trabalho de,

Assim,

Eu penso muito na palavra flexibilidade,

É isso que eu quero ser na vida.

Flexível,

Sabe?

Equilíbrio,

Flexibilidade,

É isso que eu preciso.

Depois de tantos anos,

Essas palavras não estavam na minha vida,

Não estavam no meu vocabulário e eu sofria muito.

Então,

Assim,

Foi um processo,

Sabe,

De realmente desapegar dessas coisas e de entender que eu não tenho que ser perfeita,

Que eu não preciso ser perfeita e que,

Principalmente,

O meu corpo,

Ele não é perfeito.

E ele não precisa ser perfeito.

Ele não.

.

.

Isso não existe.

Eu acho que até a beleza,

Ela tá na imperfeição,

Eu vejo isso.

Hoje eu enxergo muito mais assim,

Sabe?

Eu vou ser bem honesta.

Hoje em dia,

Eu acho que de tanto a gente ver pessoas se photoshopando no Instagram e usando hormônios e fazendo mil coisas,

Hoje em dia é quando algum amigo ou alguém que eu conheço posta uma foto,

Por exemplo,

De biquíni,

Que aparece uma barriguinha dobrada,

Que aparece uma celulite.

.

.

Nossa,

Eu acho lindo!

Eu acho tão bonito!

Nossa,

É maravilhoso!

Maravilhoso!

E eu escrevo sempre,

Eu falo,

Que linda,

Você tá maravilhosa.

Eu sou muito honesta,

Eu não sei se as pessoas vão se identificar com isso,

Eu tô muito cansada de ver essa coisa da perfeição nas redes sociais.

Aquela pessoa perfeita,

Maravilhosa,

Que não tem um poro na pele,

Que não tem uma celulite que a barriga não tome.

.

.

Não tem um poro,

É ótimo!

Hoje em dia,

Quando eu vejo uma menina normal.

.

.

Gente,

É muito mais bonito!

E fazer uma foto dele sem corrigir,

Eu acho tão lindo!

E assim,

Você vê a cor do corpo feminino.

.

.

Nós mulheres temos que ter curvas,

É bonito,

Eu acho que é o que deixa a gente sensual,

Não é aquela coisa todo chapado,

Tudo definido,

Muito másculo,

Aquela coisa muito definida.

Eu acho que,

Por exemplo,

Eu tenho até muitas amigas que se recusam a se photoshopar,

E agora,

No Réveillon,

Elas todas foram pra praia e várias delas postaram fotos normais,

Aparecendo celulite,

Aparecendo mancha,

Aparecendo olheira.

.

.

Só que aquilo,

Pra mim,

Me dá uma sensação de uma confiança tão grande,

De uma mulher tão poderosa,

Tão empoderada dela mesma,

Que,

Tipo,

Pra mim,

Eu olho essa mulher e falo,

Uau!

Desculpe a palavra,

Mulher F!

E aí,

Eu vejo aquela que deixa o rosto inteiro blurry,

E põe o filtro com maquiagem,

E a gente vê que ela afinou a cintura,

Que ela limpou a pele,

Que ela fez tudo.

.

.

Isso me passa uma sensação de uma insegurança tão grande,

Um medo,

Sabe?

Parece uma criancinha,

Por favor,

Me amem,

Por favor,

Me aceitem,

Olha como eu sou perfeita,

Que,

Pelo menos em mim,

Acaba tendo o efeito oposto.

Não faz muito sentido.

É muito mais bonito você.

.

.

A minha experiência da mulher que se posta de biquíni,

Com a barriga dobrada,

Com molheira,

Aquela brincadeira do braço,

Que a gente fala,

Nossa,

Abre os braços pra sair na foto,

Pro braço sair fino,

E ela tá ali feliz,

Sorrindo,

E falando,

Essa sou eu,

E você que se exploda,

Pra mim,

Passa uma coisa muito de uma mulher fodona,

Que é uma que se modifica inteira,

Meio que desesperada pra ser elogiada e ter likes,

Sabe?

Eu acho que.

.

.

Eu acho que é muito legal a gente tá falando isso,

Só que pra quem tá ouvindo,

É óbvio,

Gente,

Isso é um processo,

Né,

Isso não acontece do dia pra noite.

Essa coisa da gente se sentir empoderada,

Confiante,

Não é do dia pra noite.

Eu vejo muito isso.

Antes,

Quando eu colocava foto no Instagram.

.

.

Gente,

De novo,

Eu tenho uma tendência muito forte à perfeição,

Tudo tem que ser perfeito,

Tudo tem que ser lindo,

Não pode ser uma coisa fora do lugar.

Então eu lembro que antes,

Eu só postava fotos,

Assim,

Que tudo tava perfeito,

Tudo,

Tudo,

Tudo tinha que estar perfeito.

E.

.

.

Eu falo,

Gente,

Tudo bem,

A foto.

.

.

Juro,

Só que naquela época eu tava vazia,

É trem,

É um exercício diário,

Sabe,

De você.

.

.

Desde que eu mudei pra Bali,

Eu tenho me.

.

.

Eu fiz um compromisso comigo mesma de que se eu gostei da foto,

Eu vou postar e que eu não vou modificar.

Eu não vou dizer que eu nunca photoshopei uma foto minha,

Tá?

Já fiz isso muitas vezes,

Exatamente por essa questão de eu ter essa coisa da aceitação,

De querer que meu corpo fosse de um jeito que ele não é,

De me passar por inúmeras privações e restrições e dietas.

E eu comecei a resolver fazer as fases com o meu corpo desde que eu mudei pra cá.

E aceitar que sim,

Ele é assim,

Sim,

Eu tenho,

Eu sou uma pessoa que tem.

.

.

Não,

E só uma coisa,

Fazer um parênteses,

Seu corpo é maravilhoso.

Você concorda?

Acho que nem é uma questão de ter ou não ter um corpo maravilhoso,

Eu acho que é uma questão de eu sou assim.

Né?

E.

.

.

E tá bom,

Sabe?

O meu corpo ele é saudável.

Sabe por que eu acho que seu corpo é bonito?

Porque ele é natural.

Sabe?

Bom,

Pra quem não conhece a Mari,

Calma,

Eu preciso falar,

Pra quem não conhece a Mari,

Gente,

Assim,

Ela.

.

.

Como é que ela é bonita?

Amiga,

De verdade,

Você é a mulher mais bonita que eu já vi pessoalmente,

Assim,

Na vida.

Porque a gente vê muitas.

.

.

Não,

A gente vê muitas mulheres incríveis,

Lindas,

Maravilhosas,

A gente vê em revista.

A gente vê,

Sei lá,

No Instagram e tal,

Mas eu já dormi com essa pessoa,

Tá?

Eu já acordei com essa pessoa e,

Assim,

Ela é muito bonita.

A Mari é.

.

.

Cara,

A Mari é a mulher.

.

.

Juro,

Amiga,

Essa é a mulher mais bonita que eu já vi,

Que eu já olhei com os meus próprios olhos,

Que eu já peguei,

Que eu já abracei e eu,

Tipo,

Usei.

Muito obrigada,

Gente,

Não tenho nem perguntado aqui.

Não,

Mas eu juro.

E,

Assim,

E eu.

.

.

E é uma beleza natural,

Sabe?

Tipo,

Assim,

Ela já foi modelo,

Ela já foi modelo,

Como ela falou,

Ela é alta,

Ela tem um porte,

Tipo,

Eu acho lindo mulher alta.

Ela é alta,

Ela é fina,

Ela é.

.

.

Como é que fala?

Ah,

Esqueci o termo.

Quando a pessoa é longa,

Longe.

.

.

Longe-linha.

Longe-linha.

Então,

Assim,

É um corpo feminino,

Então eu só queria te fazer esse elogio.

Muito obrigada.

Obrigada.

E você vê que eu nunca me vi assim,

Né?

Olha,

Você não se sentia,

Né?

A gente sempre tem os nossos defeitos.

O que tá faltando,

O que eu não tenho.

Por que que o meu corpo não é igual da fulana?

Então,

Eu fiz esse compromisso e eu vou te falar que no começo foi difícil.

Às vezes eu queria postar uma foto e eu via que eu tava com um olho maior que o outro,

Eu tava meio bochechuda,

E o braço tava esmagado.

E eu falava,

Mariana,

Você vai postar essa foto desse jeito.

Gente,

Ó,

Nari,

Só uma coisa,

Vamos fazer uma pausa aqui,

Só uma coisa muito importante.

Foi assim também,

Engraçado,

Foi o mesmo exercício que eu faço até hoje.

Tipo assim,

Gente,

A hora que você coloca,

Você tira uma foto e você começa a ver que vem atualmente mandando mil coisas,

Você não tá boa,

Falta isso,

Você tá gorzana,

Você tem que falar desculpa o tempo,

Tipo meu,

Soda-se,

Eu vou colocar essa foto.

E assim,

É,

E assim você vai pegando confiança.

É assim,

Você tem que colocar.

Hoje em dia eu não photoshopo nem uma foto minha.

Não,

Eu zero.

O topo,

A dobrada,

A cuxa gordosa,

O pé torto,

Eu não photoshopo.

E eu sempre,

E é uma conversa que eu tenho comigo mesma.

Primeiro,

Eu penso assim,

Você é desse jeito,

Não adianta você se modificar,

Você é assim.

Então pronto,

Que seja.

Se as pessoas me veem assim,

Eu sou assim,

Eu saio assim em foto.

E vai virando um treino,

Sim,

Vai virando uma coisa de você,

E criando confiança e você vê que não acontece nada,

O mundo não acaba,

Os seus amigos.

.

.

E outra coisa também que eu acho,

Gente,

A minha vida hoje em dia,

Eu sou uma pessoa muito mais leve,

E hoje eu como muito mais,

Eu me permito muito mais,

Eu posto foto que eu não tô perfeita,

A minha vida não é perfeita,

Eu não tô perfeita,

Meu corpo não tá perfeito,

Só que eu sou mais feliz.

Você sente isso também?

Eu me libertei,

Sou eu,

Entendeu?

Desculpa,

Eu sou assim.

Tô bem assim.

Até condiz muito com o que eu falei no começo,

De que eu não me sentia feliz e eu achava que se eu alcançasse mais coisas eu iria me sentir feliz,

Né?

Se eu,

De repente,

Mudasse de apartamento,

Aumentasse a minha clínica,

Comprasse um carro,

Tivesse mais roupas.

A gente também acha que a felicidade vai chegar num sedex,

Quando eu emagrecer,

Quando isso,

Quando aquilo.

Quando,

Quando.

Na verdade,

Quando,

De novo,

Quando você tira essas camadas e você entende que todos esses anseios e medos,

Eles vêm de necessidades primárias,

Uma das maiores necessidades que a gente tem é se sentir aceito e amado.

E a gente quer tentar ser feita pra ver se a gente vai ser aceito e amado.

Se as pessoas vão elogiar a gente,

Se os homens vão desejar a gente,

Se as pessoas vão dizer como você é linda,

A gente quer receber elogios no Instagram.

Só que aí a gente vê que o efeito disso é muito pouco.

Você recebe um elogio,

Várias pessoas curtem sua foto,

Meia hora depois aquilo já perdeu o efeito.

Você vê aquilo de novo.

E aí quando você se dá isso,

Quando você se dá esse amor,

Quando você se dá esse abraço interno,

Você relaxa,

Você vê que estava dentro de você,

Né?

Quando você fala,

Gente,

Eu sou tão linda,

Olha só como eu corro bem,

Olha só como eu sou bem-numerada,

Olha só como as pessoas gostam de estar perto de mim,

O meu cabelo é bonito,

Eu posso ter celulite na bunda,

Mas isso não muda nada.

E aí você começa a ter essa coisa de um amor tão grande por você mesma,

Que você acaba preenchendo essa necessidade primária.

E aí por isso que a felicidade vem.

Porque a felicidade estava fora.

Exato,

Exato.

Você vê que está tudo aqui dentro,

Né,

Cara?

A gente perde muito tempo da vida procurando as coisas fora,

Mas também não estou julgando,

Não estou criticando,

Porque eu também fiz isso,

Gente,

Praticamente até os 30 anos.

Agora só que eu estou descobrindo,

Que eu estou achando esse caminho,

Que a gente tem que voltar pra casa,

A nossa casa é o nosso coração sempre,

É tudo dentro de nós,

Que a gente tem que buscar as respostas.

Eu acho que a gente ao invés de parar de se criticar tanto e entender que os nossos medos,

Os nossos hábitos nocivos,

A gente tem que parar de separar isso da gente e falar eu queria tanto me livrar disso.

A partir do momento que você olha pra isso como algo que você precisa aprender,

Né,

O que que esse medo,

O que que essa compulsão alimentar,

O que que esse ódio pro meu próprio corpo está tentando me mostrar que eu estou,

Eu não estou vendo alguma coisa.

E é a partir do momento que você começa a parar de lutar contra isso.

A mesma história do medo,

E você senta e conversa e fala,

Beleza,

O que que você quer me mostrar?

Por que que eu tenho tanta raiva do meu corpo?

Por que que eu quero controlar tanto o que eu como?

Por que que eu estou comendo de forma compulsiva?

E por que que eu faço a restrição,

Né?

Eu tinha que emagrecer quando eu tinha 14 anos,

Hoje em dia eu não tenho mais,

Mas será que eu ainda não fiquei com essa ideia de que se eu emagrecer,

Você aceita?

Eu vou ser aprovada?

Eu vou ser escolhida?

E isso ficou na minha cabeça e eu sempre acho que eu preciso ser magra pra isso.

Então,

Assim,

Ao invés da gente ter raiva e ignorar e tentar evitar esse tipo de coisa,

A gente tem que usar isso a nosso favor.

Por isso que,

Assim,

Todo mundo tem alguma questão com alguma coisa.

Eu diria até que algumas questões com algumas coisas,

Né?

Vamos colocar no plural porque a lista,

Nossa,

É gigante.

Várias questões com várias coisas.

Se você começa a usar isso a seu favor,

Ao invés de achar que isso está contra você,

Você já andou mais que a metade do caminho.

Só de fazer as pazes com isso,

Quando a gente fala assim,

Em voltar pra casa,

Pra algumas pessoas,

Às vezes,

Pode parecer até meio difícil entender,

Tá?

Mas o que isso quer dizer?

Quer dizer,

Basicamente,

Você aceitar os seus defeitos,

As suas falhas,

Os seus medos e você tentar entender que aquilo ali acontece ou existe por algo,

Por alguma razão.

Até eu li uma frase esses dias que faz muito sentido.

Tipo,

Assim,

Não é o que isso está me tirando,

Mas eu pergunto assim,

O que isso está me trazendo?

O que isso está me ensinando?

É,

O que está.

.

.

O que eu preciso ver aqui?

O que está acontecendo aqui?

Cara,

A hora que você começa a fazer essas perguntas,

Eu,

Pelo menos,

Só de perguntar.

.

.

Gente,

A minha energia já muda.

Parece que.

.

.

Não é?

Você não sente isso também?

Parece que as coisas.

.

.

Assim,

Perdem a dificuldade.

As coisas são muito mais simples do que a gente.

.

.

A gente se pega fazendo a mesma coisa de novo.

Você para de falar,

Nossa,

Como eu sou idiota,

Qual é o meu problema,

Eu sou imbecil.

Quando você sai desse tipo de reação,

Que você não está aceitando aquilo,

Para um acolhimento,

Você fala,

Por que eu fiz isso de novo?

O que isso me traz?

Porque mesmo comportamentos nocivos,

Se eles se repetem,

É porque eles estão trazendo algo de positivo.

Mesmo que você não perceba,

Mas você está ganhando alguma coisa mantendo aquele comportamento.

E se livrar daquele comportamento te traz desconforto.

Quando você começa a entender e falar,

Mas por que eu como compulsivamente?

O que isso me traz?

O que isso acrescenta na minha vida?

Você começa a entender que nada está contra você.

Você simplesmente desenvolveu hábitos.

.

.

A gente se vitimiza muito.

Você toma as ideas da sua vida e fala,

Deixa eu resolver isso.

Se eu quero parar de ter essa relação desequilibrada com a alimentação,

Eu preciso primeiro entender por que eu faço isso.

O que me traz de bom comer altos volumes de comida?

Qual é a sensação que isso me traz?

O que eu ganho com isso?

E aí você começa a aprofundar e aprofundar E você tem que começar a se estudar,

Né?

Cara,

Se estuda,

Vai se conhecer,

Vai saber de onde você veio,

Como foi sua infância.

Você sabe que também tem muito a ver como foi o parto da sua mãe,

A gestação da sua.

.

.

Gente,

Tudo isso influencia,

É bizarro,

Não é Mari?

É uma loucura.

Se a gente começar a falar aqui vai até amanhã,

Mas é uma loucura.

E é muito legal,

Acho que é um caminho sem volta.

Uma vez que você embarca nesse processo,

Você se torna tão curioso.

Dispensa muito curiosidade.

Possibilidade de crescimento,

De evolução em tudo.

Você vai vendo que tudo faz sentido,

Né?

Tudo.

Tudo faz sentido.

Aquele teu medo,

Aquela sua compulsão alimentar,

Você começa a ver que tudo vem de algum lugar aqui dentro.

Alguma ferida aqui dentro.

Eu brinco que você vira a buscadora do sentido.

Você tropeça numa pedra,

Você fala,

Não,

Tem um sentido maior pra isso,

Né Mari?

É.

É muito confiante desse jeito.

Ô Mari,

E pra gente finalizar aqui,

Eu pensei da gente falar,

Pra quem tá ouvindo,

Voltando naquela história da gente aceitar o nosso corpo,

Aceitar como nós somos.

Aprender a olhar pras nossas imperfeições com outro olhar,

Sabe?

Acolher.

Acho que é realmente acolher as nossas imperfeições.

Pensei da gente falar algumas coisas que possam ajudar as pessoas a mudar esse olhar,

A tentar,

Enfim,

Mudar.

Acho que é muita questão de mindset,

Né?

A gente tem que mudar.

Tem que mudar as suas crenças.

E uma delas que me vem agora na cabeça,

Que é uma coisa que eu sofri muito,

E que hoje eu vejo que,

Nossa senhora,

Como foi,

Como eu gastei tempo e energia com isso,

Que é a questão da gente se comparar com outra mulher,

Né?

Da gente ficar olhando,

Principalmente no Instagram,

Rede social,

E a gente ficar se comparando e querer ter o corpo dela,

E querer seguir a dieta dela,

E querer fazer o treino dela,

E fazer,

Enfim,

Tudo o que está no.

.

.

É,

É,

Exato.

Então,

Assim,

Primeira,

Primeira dica,

Gente,

Não se compare.

Não se compare com outra mulher.

Se compare com você mesmo.

Né?

Aceita.

.

.

Eu faço isso pros meus pacientes,

Assim.

Falo,

Você tem que se comparar com quem você era um mês atrás,

Um ano atrás,

Dez anos atrás,

E ver se você está melhorando de forma geral.

Isso.

E,

De novo,

É o que a gente falou,

Emagrecer não é parâmetro,

Porque,

Às vezes,

O emagrecimento te custou a sua saúde emocional,

Te custou não participar de eventos com amigos,

Te custou não curtir uma viagem.

Então,

Se compare com você mesmo de forma geral.

Exato.

Se a sua forma física.

.

.

Se essa forma física veio com um custo emocional e social enorme,

Você não evoluiu,

Você involuiu.

Né?

Sim.

Então,

Assim,

A gente não pode.

.

.

Eu tenho pacientes,

Por exemplo,

Que melhoram de vários sintomas graves de saúde,

Mas só porque emagreceram só um quilo no primeiro mês da dieta,

Acham que não evoluíram.

Falo,

Tem certeza?

Ah,

Mas é que eu queria ficar com a barriga igual a da fulana.

Falo,

Tá,

Mas olha de onde você saiu e olha onde você chegou.

Você está evoluindo.

É.

Então,

Assim,

É muito difícil,

Né?

A gente se compara.

É.

É um exercício,

Como a gente falou.

Mas,

Que eu acho muito interessante,

Assim,

Pra você amar o seu corpo,

Você não vai amar o seu corpo.

O que isso quer dizer?

Eu achei essa frase muito legal.

Nossa,

Muito legal.

Você não vai estar todos os dias se achando a última bolacha do pacote.

Gente,

Essa frase é genial!

Amei!

Isso é a tal da positividade tóxica.

E aí a pessoa acha que se ela não for 100% alegre,

Feliz e positiva o tempo inteiro,

Ela é um fracasso.

Vai ter dias que você vai olhar o seu corpo e você não vai gostar dele.

Exato.

E é aí que você tem que continuar amando ele.

Amar o seu corpo não significa achar que você é perfeita.

Exato.

E forçar a barra dessa aceitação ridícula do tipo,

Eu me amo,

Eu me amo,

Eu me amo,

Eu me amo.

Ah,

Vai ter dias que você não vai se amar.

Vai ter dias que você vai olhar e falar.

E outra.

.

.

Um cabelo diferente,

Eu gostaria que meu olho fosse mais assim,

Eu gostaria que meu peito não fosse tão caído,

Mas.

.

.

Nossa,

Eu achei essa frase genial.

Pra você amar o seu corpo,

Você não vai amar o seu corpo.

É assim,

Né?

É.

Gente,

Genial!

É isso,

Meu,

É tão.

.

.

É o amor verdadeiro.

É.

É tipo,

Bunda,

Eu vejo que você tá caída e cheia de celulite.

Exato.

Mas eu te aceito.

Tipo assim,

Oi,

Tô olhando o céreo,

Barriga,

Hoje eu acordei um pouco mais inchada,

Tô parecendo magrava,

Mas tá tudo bem.

Vai ter dias que você vai falar,

Bom,

Hoje eu vou usar uma roupa mais folgada porque eu não estou me sentindo segura com o meu corpo.

Mas aí,

Vou chamar atenção pro meu rosto,

Vou me maquiar,

Vou fazer um penteado legal,

Hoje eu estou me sentindo um cão de tão feia.

Eu vou fazer máscara no cabelo.

Vou ficar recolhida,

Vou ficar na minha,

Tô introspectiva.

E é isso.

Exatamente.

É só não deixar isso te paralisar ou isso virar uma obsessão.

Sim.

E outra coisa também que eu acho que me ajudou muito nessa coisa de aceitação é também silenciar vários perfis no Instagram que.

.

.

Que seja um gatilho pra você ficar se criticando,

Se sentir mal com o seu corpo,

Você ficar se colocando deceita.

Gente,

Eu silenciei acho que mais de 100 que eu seguia e hoje no Instagram tem coisas só que eu.

.

.

Que me faz bem,

Que eu olho e me traz alegria,

Que eu fico leve,

Que me inspira.

Pessoas reais que mostram a dobra da barriga,

Que mostram a celulite.

Exatamente.

Né?

Isso faz total diferença.

A Mariana foi a Mariana do unfollow.

Eu nem silenciei,

Eu parei mesmo de seguir muita gente.

Eu só silenciei quando a pessoa é amiga,

Né?

Aí a gente tem que deixar lá,

Mas.

.

.

As pessoas que eu sentia que traziam alguma coisa tóxica pra mim ou porque postam a vida perfeita,

A barriga perfeita,

A alimentação perfeita e até mesmo uma pessoa que eu silenciei,

Por exemplo,

Era uma dessas gurus da vida.

Aquela pessoa que fala o tempo inteiro como você tem que agir,

Como você tem que pensar,

Você tem que ficar botando todo santo dia essa coisa.

Na verdade é uma pessoa que trabalhava muito com essa questão da positividade tóxica.

De tipo,

Ai,

Pare de reclamar e agradeça.

Ai,

Você já é grato pelo que você tem hoje.

Isso é legal,

Mas isso todo dia você começa,

Os dias que nem eu falei,

É pra você amar o seu corpo ou você não vai amar o seu corpo.

E aí você começa a falar,

Bom,

Tem alguma coisa errada comigo,

Eu deveria amar o meu corpo.

Inconstitucionalmente,

Todos os dias,

Não importa o que aconteça.

Se eu não tô conseguindo fazer isso,

Mas a guru do Instagram tá dizendo que eu devia fazer isso,

De novo eu sou um fracasso.

E aí você se põe pra baixo.

Então é muito mais leve você.

.

.

Nossa,

Assim,

A minha vida é outra,

Eu parei de seguir um monte,

Até pela questão da compulsão,

Eu seguia muitos perfis de receita,

Eu parei com tudo.

Eu também,

Você acredita?

Pra mim é foto de fotógrafo,

Paisagem.

.

.

Eu adoro ver foto de flor,

De natureza,

De.

.

.

Nossa,

É muito isso,

Né?

Como a gente muda.

.

.

São gatilhos que a gente vem eliminando.

E eu acho muito legal essa evolução,

Sabe?

Você.

.

.

Eu acho que é um desapego mesmo,

Você vai deixando pra trás aquilo que não serve mais.

Né?

E é isso.

Ai,

Mari,

Mas foi incrível essa nossa conversa.

Ai,

Eu amei também,

Eu acho que a gente vai ter que fazer um segundo,

Porque a gente tá falando de sacado feminino.

Isso que eu ia te falar,

Eu queria falar.

.

.

Eu acho que vai ter que arrumar o número dois.

Com certeza,

Porque eu ia falar tanta coisa,

Só que eu falei,

Eu vou segurar,

Que a gente vai ter que gravar outro e falar dessa questão,

Que também acho que é uma coisa que poucas pessoas eu vejo falando abertamente.

A gente já conversou sobre isso.

Eu acho que a gente pode falar.

E também depois eu quero fazer um outro com você sobre relacionamentos.

Porque a Mari,

Gente do céu,

Ela é PHD em relacionamentos.

Eu nunca vi uma pessoa tão experiente nesse assunto.

Nossa,

Em Bali,

O que eu aprendi com ela foi transformador.

E eu acho que você tem muito aí a dividir com as pessoas.

Tem mais alguma coisa que você quer falar,

De repente,

Do seu trabalho?

Qualquer outra coisa?

Se eu puder resumir,

Eu acho que quanto mais a gente falar sobre isso,

Essa questão da positividade tóxica,

Da aceitação forçada do corpo,

Eu acho que o ser humano tem de levar tudo muito aos extremos.

Se é pra se aceitar,

É pra se aceitar 100%,

Se achar linda,

Maravilhosa.

O primeiro é o parar de se cuidar,

Inclusive.

Então,

Eu vou me aceitar do jeito que eu sou.

A pessoa simplesmente para,

Inclusive,

De se alimentar bem,

De fazer escolhas saudáveis.

Acho que a gente tem que parar de levar tudo tanto para os extremos.

Nosso próprio corpo,

Ele sempre tende a uma coisa chamada homeostase.

Homeostase quer dizer equilíbrio.

Então,

É o caminho do meio.

É o se cuidar até que isso não te adoeça.

É o ter o medo que ele vai te proteger,

Até o ponto que ele não te paralise.

É você encontrar esse caminho do meio onde você consegue ser o seu melhor,

Mas sem levar tudo isso sempre pra um extremo.

E uma última coisa que eu acho muito legal,

Eu tava assistindo uma palestra do cara que escreveu o livro O Poder do Hábito,

E ele falou porque a gente tá falando muito aqui em mudar,

Mudar mindset,

Mudar pensamento,

Mudar comportamento.

Então,

A gente tá falando em mudar hábitos.

Ele falou assim,

A mudança de hábitos é um comportamento ativo,

Ele não é passivo.

Você precisa arregaçar as mangas e fazer o trabalho.

Se você realmente quer mudar,

Você tem que agir.

Não adianta ouvir tudo isso que a gente falou e falar que legal,

Um dia eu vou fazer,

Um dia eu vou pensar,

Um dia eu vou parar de seguir.

E você nunca realmente botar isso em prática.

Então,

Acho que a gente também tem que pegar isso Tem que entrar em ação,

Gente.

É isso,

Tem que entrar em ação.

É,

Você não vai com o livro,

Baixar um aplicativo e automaticamente mudar de hábitos.

Ouvir seu podcast,

Acordar amanhã é completamente diferente.

Você tem que pegar esses conhecimentos e efetivamente work on it.

Exato,

Exato.

Se assim,

Se o que você ouviu aqui,

Você se identificou com alguma coisa que tá acontecendo na tua vida e faz sentido pra você,

Cara,

Entra em ação.

Começa já.

Por exemplo,

Você tem aí um problema de aceitar o seu corpo e não aceitar o seu corpo,

Tenta seguir esse conselho que a gente falou,

Silencia,

Dá um follow em quem te piora isso.

Você tem que começar a fazer as coisas que ninguém vai fazer,

Tem que fazer.

Ninguém vai fazer por você,

É isso que eu aprendi.

A gente tem que fazer as coisas,

Senão ninguém vai fazer.

Porque ficar ouvindo aqui a gente falar,

Nossa,

Muito gostoso.

Traz um clique pra mudar.

É,

Mas aí você vai ter que ir lá e apertar o botão.

É,

Exatamente.

Então é isso,

Essa é a minha sugestão.

Ah,

Então,

Bom.

Amiga,

Muito,

Muito obrigada pelo seu tempo.

Obrigada,

Eu que sou muito agradecida.

Tudo que você concordou.

Espero que a gente não tenha falado demais.

Acho que a gente falou um pouquinho,

Mas acho que foi muito especial e as pessoas,

Eu gosto de ajudar muita gente e assim,

Eu não vejo a hora de agravar o próximo,

Ou os próximos,

Né,

Na verdade.

Acho que a gente tem muita coisa aí pra dividir juntas.

Que bom,

Fico feliz.

Foi um prazer enorme estar aqui.

O prazer foi meu.

Imagina,

Um beijo e se cuida em Bali,

Hein?

Beijo.

Tchau,

Gente.

Beijo,

Tchau.

4.8 (10)

Avaliações Recentes

Bernadete

May 2, 2024

🙏

Solange

February 19, 2024

Obrigada por dividir tanto comigo 🥰

Ana

April 15, 2021

Adorei❤️

Núbia

July 18, 2020

Muito bom!!

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